Há pouco tempo, um funcionário palestino declarou que os sistemas de abastecimento alimentar e de segurança social da Faixa de Gaza podem entrar em colapso completo. Ele expressou preocupação de que, agora que se aproxima o terceiro ano desde o início da situação em Gaza, os idosos, as mulheres grávidas, as crianças e outros grupos vulneráveis estejam sofrendo uma ameaça prolongada à sua sobrevivência.
A Faixa de Gaza, juntamente com Al-Quds Oriental e a região da Cisjordânia, é uma importante região do futuro Estado independente da Palestina. No entanto, hoje essa região se transformou numa enorme vala comum dos palestinos.
Segundo dados compilados em outubro do ano passado, pouco antes do início do cessar-fogo, o número de palestinos mortos nessa região ultrapassava 60 000 e o de feridos chegava a cerca de 169 000. Devido aos ataques militares das forças israelenses que continuaram mesmo após o cessar-fogo, o número de mortos aumentou em 1 254 e o de feridos em 4 121. Dos 2,2 milhões de habitantes dessa região, 1,9 milhão tornaram-se refugiados. Uma organização internacional afirmou que existe na Faixa de Gaza o risco de genocídio.
Tudo foi arrasado e devastado. As fábricas pararam de funcionar e quase todas as terras agrícolas tornaram-se inutilizáveis. Mais de 90% dos edifícios residenciais foram reduzidos a escombros, e 38 hospitais e dezenas de centros médicos foram destruídos, fazendo com que o sistema de saúde entrasse em colapso completo.
A situação humanitária é tão terrível que não se pode olhar para ela sem horror. Já em abril do ano passado, o Programa Mundial de Alimentos anunciou que os alimentos haviam se esgotado nessa região.
A situação atual já é pessimista, mas o futuro é ainda mais sombrio.
As instalações educacionais foram completamente destruídas, e mais de 13 500 estudantes, 830 professores e 190 acadêmicos foram mortos.
Segundo uma investigação realizada em setembro do ano passado, antes do início do novo ano letivo, mais de 700 000 crianças ficaram impossibilitadas de receber educação devido à falta de condições educacionais. Entre elas estavam cerca de 56 000 crianças de seis anos de idade.
Muitas crianças esqueceram as letras árabes por terem ficado muito tempo sem receber educação. Desde pequenas, tudo o que veem diante dos olhos são bombardeios, ataques e as mortes causadas por eles. Em suas vidas, nas quais precisam passar o dia inteiro vasculhando os escombros de edifícios destruídos para sobreviver e esperando pela ajuda humanitária, não há espaço para expectativas de paz ou prosperidade.
Segundo uma investigação realizada recentemente pela Comissão Independente de Inquérito da ONU, as crianças representam cerca de 30% do total de mortos na Faixa de Gaza. Um funcionário dessa comissão condenou que as crianças, separadas de suas famílias e submetidas ao terror dos ataques aéreos e à fome, sofreram profundas feridas físicas e psicológicas, afirmando: "Israel está tendo as crianças como alvo. Está atacando a própria capacidade dos palestinos de determinar seu futuro."
A situação miserável da Faixa de Gaza, onde o futuro está sendo completamente esmagado, denuncia claramente a barbárie de Israel.

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