Kim Yo Jong, diretora de departamento do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia, manifestou, no dia 19, a seguinte posição a respeito das principais questões internacionais que estão agravando a crise de segurança em escala mundial.
A atual tendência da situação internacional, que recentemente tem tornado ainda mais evidente seu caráter imprevisível e complexo, está ampliando as crises geopolíticas em várias partes do mundo e provocando sérias preocupações na comunidade internacional, que aspira à paz e à estabilidade.
No Oriente Médio, região que pode ser considerada um microcosmo representativo dos conflitos e da desordem no mundo, o ciclo vicioso do confronto continua, aprofundando ainda mais a desconfiança e a discórdia entre os países da região, sem que cessem os derramamentos de sangue, ao mesmo tempo que se intensifica, em escala internacional, uma instabilidade política e econômica sem precedentes.
Na Europa, devido às imprudentes intenções de confronto do bloco ocidental, que pretende usar a Ucrânia como executora de uma guerra por procuração para impor uma derrota estratégica à Rússia, a prolongada fase do conflito armado está entrando em uma etapa ainda mais grave.
Também na região da Península Coreana, que há séculos se tornou a maior zona de tensão do mundo, o ambiente de segurança regional enfrenta desafios incessantes devido às tentativas de expansão geopolítica e às ambiciosas ações de fortalecimento militar dos Estados Unidos e de suas forças seguidoras.
A situação atual do mundo, onde o ciclo vicioso das tensões se tornou permanente devido à coerção e ao abuso da força por parte das potências hegemônicas, desde o Oriente Médio e a Europa até a região da Ásia-Pacífico, incluindo a Península Coreana, exige que todos os países tornem mais clara sua posição de princípios na busca pela justiça e pela equidade e na defesa da segurança e dos interesses nacionais.
Nossa opinião e posição permanecem inalteradas: as ameaças à segurança por parte dos Estados Unidos e do Ocidente, que foram sistematicamente ampliadas tendo a Rússia como alvo desde o fim da Guerra Fria, constituem o fator fundamental que provocou a atual crise ucraniana.
Um futuro melhor para a Europa não pode ser construído independentemente dos interesses fundamentais e da vontade da Federação Russa.
Consideramos que somente a eliminação das causas do conflito constitui a solução fundamental capaz de pôr fim à crise ucraniana e garantir uma paz sustentável e duradoura na região, e apoiamos e respaldamos plenamente as ações justas do governo e do povo russos para defender a soberania, os interesses de segurança e a integridade territorial do país.
Nesta oportunidade, deixamos claro que o rumor sobre um suposto reforço adicional de nossas tropas, inventado e disseminado pela camarilha de Zelensky, é uma fabricação inteiramente infundada de Kiev, e que a responsabilidade pelo início e pelo prolongamento da situação na Ucrânia cabe inteiramente aos Estados Unidos e ao Ocidente, que criaram suas premissas e ampliaram suas condições.
Toda a cooperação entre a República Popular Democrática da Coreia e a Federação Russa observa rigorosamente o Tratado sobre a Parceria Estratégica Abrangente entre os dois países, que está em conformidade com os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, constituindo um exercício legítimo de direitos soberanos.
Em conformidade com o caráter de aliança do tratado interestatal entre a RPDC e a Rússia, a República Popular Democrática da Coreia, como Estado signatário aliado, permanece sempre plenamente concentrada no cumprimento de suas obrigações e é infinitamente responsável.
Observamos com séria atenção as tentativas de expansão militar imprudente do Japão, fator perigoso que provoca um desequilíbrio de forças na região da Ásia-Pacífico, incluindo a Península Coreana, como uma ameaça potencial e futura.
O fato da República Popular Democrática da Coreia levar a sério a ameaça da remilitarização do Japão deve ser entendido como significando que aumentou proporcionalmente sua atenção ao Japão, isto é, que se fortaleceu a percepção de que tais ações são consideradas objetivos militares, o que significa que a segurança do Japão passou a se encontrar em uma situação ainda mais perigosa.
Nossa liderança militar já começou a considerar, como parte da estratégia militar, a contenção e a subjugação da ameaça japonesa, que está se transformando em um grave desafio à segurança, ou a criação de uma capacidade que vá ainda além disso.
Em outras palavras, isso significa que, se o Japão tentar fazer uma escolha equivocada, receberá imediatamente um ataque aniquilador e será colocado em uma situação em que sua sobrevivência se tornará impossível.
A evolução militar do Japão constitui um ato autodestrutivo semelhante a carregar lenha nas costas e lançar-se ao fogo.
Partindo da realidade imutável de que a maior ameaça aos interesses de segurança nacional e ao ambiente de segurança regional provém dos Estados Unidos, manteremos sempre uma abordagem fundamental destinada a eliminar os perigos a partir de uma posição de força poderosa e garantir a verdadeira paz e estabilidade.
Quanto à redução dos exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a República da Coreia, anunciada repentinamente pelo presidente dos Estados Unidos há alguns dias, consideramos que não vale sequer a pena comentá-la e não sentimos qualquer interesse por ela.
A redução da escala ou da duração dos exercícios não altera a essência dos exercícios militares de caráter provocativo e agressivo.
Somente neste ano, os Estados Unidos e a República da Coreia realizaram continuamente exercícios militares conjuntos, sem lacunas de tempo ou espaço e sob diversas denominações, em diferentes espaços aéreos e domínios, incluindo o exercício aéreo conjunto "Ssangmae", em fevereiro; o exercício conjunto de pequenas unidades e o grande exercício militar conjunto "Freedom Shield", em março; o exercício conjunto de salvamento de emergência e o exercício conjunto de guerra contra minas das marinhas dos Estados Unidos e da República da Coreia, bem como o grande exercício aéreo conjunto "Freedom Flag", em abril; o exercício tático conjunto das forças aéreas "Hercules Guardians", em maio; e o exercício conjunto de apoio logístico e o exercício aéreo conjunto "Ssangmae", em julho.
Isso demonstra que o processo de exercícios que foi reduzido desta vez já foi suficientemente substituído, e mais do que isso, pelos exercícios conjuntos realizados anteriormente.
Apesar disso, a República da Coreia, insistindo que este exercício de guerra é um treinamento militar de caráter defensivo que pressupõe um ataque de alguém, e falando sobre o fortalecimento da sólida aliança RC-EUA e a aceleração da introdução de submarinos nucleares, revelou sem qualquer dissimulação sua identidade hostil.
Não prestamos maior atenção à redução ou abreviação de exercícios individuais, mas à realidade de que os exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a República da Coreia vêm sendo realizados continuamente até agora e continuam sendo realizados neste momento, e percebemos com precisão o fato de que isso constitui uma expressão inequívoca e inegável da hostilidade contra a RPDC.
Se o lado estadunidense pretende apresentar suas medidas tomadas desta vez como alguma espécie de boa vontade, não obterá a resposta que deseja.
Quanto às notícias provenientes de Washington de que recentemente teria havido comunicação entre os líderes da RPDC e dos Estados Unidos, trata-se de algo que desconheço completamente e talvez seja o único assunto relacionado à política externa de nossa máxima direção que eu desconheça.
Já deixei claro várias vezes que nosso chefe de Estado possui pessoalmente boas lembranças e sentimentos em relação a Trump.
As relações entre os dois líderes continuam excelentes.
Isso é conhecido por todo o mundo e não considero que seja algo particularmente surpreendente.
Apesar disso, a política hostil dos Estados Unidos contra a RPDC não mudou, e os Estados Unidos e seu grupo de seguidores continuam, até este exato momento, realizando ferozmente atividades militares hostis contra a RPDC.
Da mesma forma, lembramos que, independentemente das excelentes relações entre os líderes dos dois países, as medidas soberanas que adotamos para conter as forças que ameaçam a segurança de nosso país são extremamente razoáveis, adequadas e indispensáveis.
A história e a realidade comprovam que, quanto mais forte for a capacidade de dissuasão da República Popular Democrática da Coreia, mais equilibrada e estável se tornará a estrutura de segurança da região.

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