sábado, 22 de agosto de 2026

O Ki Sop

O Ki Sop nasceu em 1º de maio de 1903, no condado de Hongwon, província de Hamgyong Sul. Desde o período do domínio colonial japonês, envolveu-se nas atividades do movimento comunista e participou do Levante de 1º de Março. Em 1926 ingressou no Partido Comunista da Coreia e, em razão de suas atividades políticas, foi preso em diferentes ocasiões. Entre 1929 e 1932 estudou na Universidade Comunista dos Trabalhadores do Oriente e, depois de retornar à Coreia, continuou suas atividades clandestinas, sendo novamente preso. Sua experiência no movimento comunista lhe permitiu ocupar posições de direção após a libertação, mas, desde cedo, manifestava desvios esquerdistas que posteriormente o levariam a entrar em conflito com a linha do Partido.

Após a libertação, O Ki Sop atuou na reorganização do Partido Comunista na região de Hamgyong e, em 1945, foi eleito membro do Comitê Central e do Comitê Organizador do Partido Comunista da Coreia do Norte. Posteriormente, tornou-se membro do Presidium do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Norte e assumiu cargos no Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, entre eles o de diretor do Departamento do Trabalho. Entretanto, sua atuação política foi acompanhada por posições faccionistas e por uma tendência a colocar suas próprias concepções acima da orientação do Partido. Em suas intervenções, utilizava com frequência termos estrangeiros pouco compreensíveis para as massas e defendia concepções que não correspondiam às condições concretas da construção do novo Estado. Essas tendências já revelavam limitações políticas que posteriormente se manifestariam de maneira mais clara.

Em particular, O Ki Sop apresentou concepções incorretas sobre o papel dos sindicatos sob o Poder Popular. Em sua tese sobre o trabalho sindical, sustentou que os diretores das empresas nacionalizadas não deveriam pertencer aos sindicatos e tratou as relações entre os administradores e os operários como se ainda existisse uma oposição de interesses entre capital e trabalho. Defendeu também que, quando surgissem conflitos entre operários e órgãos do Poder Popular, os sindicatos deveriam atuar principalmente em favor dos primeiros. Tais posições ignoravam o caráter das empresas nacionalizadas, que constituíam patrimônio do povo, e atribuíam aos sindicatos uma função de oposição ao Poder Popular. Suas concepções foram criticadas como de caráter trotskista e faccionista. Mesmo depois de advertido, O Ki Sop não abandonou essas posições, enquanto outros erros de sua atuação, inclusive na aplicação da reforma agrária na província de Phyongan Norte e na adoção de palavras de ordem esquerdistas na província de Hamgyong Sul, contribuíram para dificuldades no trabalho de construção do país.

O Ki Sop continuou, contudo, ocupando cargos no Partido e no Estado durante vários anos, chegando novamente ao Comitê Central do Partido e à Assembleia Popular Suprema. A permanência de suas concepções particularistas, porém, aprofundou suas divergências com a direção do Partido. Em 1958, durante a luta contra o sectarismo, foi novamente acusado de colocar suas próprias opiniões acima da linha e das políticas do Partido e de procurar apresentar novas concepções à margem de sua orientação. Como consequência, foi afastado do Partido e retirado da vida política. A trajetória de O Ki Sop mostra, assim, como um quadro que havia participado das primeiras atividades do movimento comunista pôde, por causa de concepções faccionistas, particularistas e contrárias à linha do Partido, afastar-se progressivamente das tarefas da construção socialista e terminar politicamente isolado.

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