Foram divulgados dados recentes que causam preocupação, segundo os quais aumenta a possibilidade de o El Niño se desenvolver até um nível que poderá ser o mais forte já registrado na história das observações meteorológicas.
No dia 20, a agência de notícias britânica BBC divulgou previsões de instituições meteorológicas segundo as quais, no final deste ano, a temperatura da superfície do mar na região central do Pacífico equatorial poderá ficar mais de 3 ℃ acima da média. O Serviço Meteorológico Nacional do Reino Unido previu que, nesse caso, poderá tratar-se do El Niño mais forte tanto em comparação com os registros oficiais de observação desde 1950 quanto com os dados reconstruídos do século XIX e, consequentemente, 2027 poderá se tornar o ano mais quente desde o início das observações.
No dia 13, uma instituição de meteorologia marinha de determinado país também anunciou que a temperatura da superfície do mar em julho na região central do Pacífico equatorial, usada para avaliar a intensidade do El Niño, estava 1,4 ℃ acima da média. Informando que, nas regiões situadas mais a leste, a diferença da temperatura da superfície do mar em relação à média ultrapassava 2 ℃ e chegava a até 10 ℃ em algumas áreas, a instituição comunicou que a probabilidade de o El Niño atingir um nível muito forte era superior a 90%.
El Niño é um fenômeno climático natural no qual a temperatura da superfície do mar se eleva acima do normal em uma extensa área do Pacífico equatorial, principalmente nas águas diante do Peru.
Segundo especialistas em meteorologia, seu ciclo de ocorrência costuma ser de 2 a 7 anos e, uma vez iniciado, dura cerca de 9 meses ou um ano. Por isso, afirmam que há grande possibilidade de que o atual El Niño continue se desenvolvendo nos próximos meses e estabeleça novos recordes.
No dia 22, o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia anunciou que a temperatura média diária da superfície dos mares em todo o mundo havia atingido 21,1 ℃, superando o recorde anterior de 21,09 ℃, registrado em março de 2024.
Segundo os dados, a temperatura da superfície dos mares do mundo geralmente atinge seu nível mais elevado entre março e abril, quando termina o verão no Hemisfério Sul. O fato de ter alcançado um recorde em agosto, como neste ano, significa que a temperatura média diária da superfície dos mares em todo o mundo poderá subir ainda mais no futuro.
Desde o início deste ano, nas áreas marítimas entre 60° de latitude sul e 60° de latitude norte, excluindo as regiões polares, a temperatura da superfície do mar tem se elevado a níveis recordes ou próximos dos recordes. Segundo especialistas, isso não está de modo algum desvinculado do forte desenvolvimento do El Niño. A principal causa seria a sobreposição do El Niño aos oceanos que já vêm se aquecendo há décadas em consequência do aquecimento global.
Os danos diretos e indiretos provocados pelo El Niño, como ondas de calor extremas e altas temperaturas, secas e incêndios florestais, chuvas torrenciais e inundações, bem como a consequente destruição do ambiente ecológico e redução da produção agrícola, são imensuravelmente graves.
Há pouco tempo, o Programa Mundial de Alimentos declarou que se previa que o El Niño atingisse seu auge e advertiu que ele teria um impacto grave sobre a produção agrícola das regiões leste e sul da África. Considerando que essas regiões já se encontram em uma situação de grave crise devido a conflitos, pobreza e instabilidade econômica, o impacto adicional do El Niño poderá ter consequências sem precedentes, com até 49 milhões de pessoas a mais podendo enfrentar dificuldades alimentares até o final de 2027.
Enquanto isso, o governo do Panamá declarou estado de emergência nacional, prevendo que o fenômeno El Niño se intensificará de outubro até março do ano seguinte, a fim de se preparar para as crises provocadas por inundações, deslizamentos de terra, secas e outros fenômenos.

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