terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Manobra obscura voltada à promoção do militarismo

Recentemente, no cenário político japonês, vem ganhando espaço a estranha alegação de “criar um ambiente que permita a visita ao Santuário Yasukuni”. Trata-se, em essência, de promover uma atmosfera na qual se possa prestar homenagens livremente ao chamado Santuário Yasukuni.

O Yasukuni não é um simples local de oração pelos mortos de guerra. É visto por muitos como símbolo do militarismo japonês. Ali estão consagrados, inclusive, nomes de criminosos de guerra de Classe A que foram julgados após a Segunda Guerra Mundial.

Em diversos países do mundo existem memoriais dedicados àqueles que lutaram pela independência e liberdade de suas pátrias, e neles se realizam cerimônias comemorativas em datas específicas. Diferentemente disso, o Yasukuni é criticado por homenagear indivíduos envolvidos em guerras de agressão no exterior, que causaram sofrimento profundo a outros povos.

Políticos de direita no Japão visitam o santuário ou enviam oferendas por ocasião dos festivais de primavera e outono, bem como na data da rendição japonesa. Agora, além dessas práticas, busca-se ampliar socialmente esse tipo de homenagem, incentivando um clima favorável em toda a sociedade.

Em relação a esse movimento, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia comentou anteriormente que, se o Japão deseja realmente enfrentar seu passado, seria mais apropriado construir memoriais dedicados às vítimas do militarismo, lembrando que os crimes cometidos naquele período estão amplamente registrados na história.

Na primeira metade do século XX, sob o lema da chamada Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental, o imperialismo japonês invadiu vários países asiáticos, cometendo massacres e impondo sistemas como o das “mulheres de conforto”, amplamente denunciado como uma grave violação dos direitos humanos.

Críticos apontam que, ao relativizar ou reinterpretar esses episódios — seja minimizando crimes de guerra, seja reformulando descrições em livros didáticos — certos setores políticos adotam uma postura considerada revisionista. Também há controvérsias persistentes em torno do julgamento realizado pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, que condenou líderes japoneses por crimes de guerra.

Para muitos países que sofreram sob a ocupação japonesa, homenagens oficiais ao Yasukuni são vistas como sinal de falta de arrependimento sincero. Por isso, o debate em torno dessas visitas continua gerando tensões diplomáticas e fortes reações internacionais.

A realidade contemporânea demonstra que as questões históricas relacionadas ao militarismo japonês permanecem sensíveis e profundamente controversas, influenciando até hoje as relações regionais no Leste Asiático.

Ho Yong Min

Nenhum comentário:

Postar um comentário