Discurso do camarada Kim Il Sung na reunião dos instrutores culturais da Guarnição
21 de outubro de 1948
Camaradas:
Antes de tudo, gostaria de expressar, em nome do Comitê Central do Partido e do Governo da República, meus profundos agradecimentos aos camaradas aqui reunidos e, por intermédio de vocês, a todos os militares da Guarnição e aos membros do Corpo de Segurança, que defendem fielmente a Linha de Demarcação do Paralelo 38, as costas e fronteiras, as ferrovias, bem como os importantes órgãos, fábricas, empresas e instalações industriais do Estado contra a agressão e os atos de subversão e sabotagem dos inimigos.
Hoje, vou me referir a algumas questões relacionadas ao fortalecimento do trabalho político do Partido nas unidades da Guarnição e à elevação de sua capacidade combativa.
Na difícil e complexa situação criada no país após a libertação, empreendemos uma vigorosa luta para estabelecer a base democrática na parte setentrional da República, luta na qual alcançamos brilhantes vitórias. Foram realizadas com êxito diversas reformas democráticas, entre elas a reforma agrária, e lançaram-se bases sólidas para a restauração e o desenvolvimento da economia nacional.
Atualmente, nosso povo promove dinamicamente o movimento patriótico pelo aumento da produção em todos os ramos da economia nacional, realizando grandes transformações por toda parte.
Esse povo, que sofreu durante 36 anos a mais cruel perseguição e opressão como escravo colonial do imperialismo japonês, travou uma luta nacional para construir um Estado democrático, soberano e independente, a fim de impedir que sua pátria lhe fosse novamente arrebatada. Há algum tempo, foi eleita a Assembleia Popular Suprema, órgão máximo do poder, e fundada a República Popular Democrática da Coreia, a verdadeira pátria do povo coreano, o que, como concretização da aspiração secular de nosso povo, abriu um amplo caminho para o futuro desenvolvimento do país e da nação.
Por outro lado, com a fundação, o crescimento e o fortalecimento do Exército Popular e da Guarnição, as genuínas forças armadas populares, nosso povo tornou-se verdadeiramente capaz de defender a pátria com suas próprias forças.
O rápido crescimento do poderio político, econômico e militar na parte Norte da República representa um duro golpe para os agressores imperialistas ianques e para a camarilha fantoche sul-coreana, além de constituir um poderoso fator para a salvaguarda da paz e da segurança na Ásia.
Hoje, todo o povo de nosso país, unido monoliticamente em torno do Governo da República Popular Democrática da Coreia, trava uma vigorosa luta para construir uma nova sociedade e assegurar o triunfo da causa da reunificação pacífica da pátria.
Entretanto, a luta do povo coreano pela reunificação da pátria encontra grandes obstáculos devido às manobras agressivas dos imperialistas estadunidenses, que ocupam a Coreia do Sul, e de seus lacaios. Os imperialistas ianques recorrem a manobras sinistras para transformar nosso país em uma colônia eterna e em trampolim para sua agressão à Ásia, bem como para escravizar novamente o povo coreano. Em 10 de maio passado, realizaram pérfidas eleições separadas, por meio das quais fabricaram o governo fantoche de Ri Sung Man, e intensificam ainda mais febrilmente os preparativos de guerra. Atualmente, os imperialistas estadunidenses concentram em grande escala forças armadas agressoras nas proximidades da Linha de Demarcação do Paralelo 38, acompanhando essa concentração de uma agitação histérica diária em torno da palavra de ordem de invadir o Norte.
Com o objetivo de superar o atual perigo de divisão nacional, o Governo da República Popular Democrática da Coreia apresentou a proposta de reunificação independente e pacífica da pátria e exigiu da União Soviética e dos Estados Unidos a retirada de suas tropas de nosso país.
O Governo da União Soviética, que respeita a liberdade e os direitos dos demais povos, já decidiu retirar suas tropas de nosso país até o final do ano, atendendo à solicitação do Governo da República Popular Democrática da Coreia.
Entretanto, os imperialistas estadunidenses, em vez de retirar suas tropas agressoras da Coreia do Sul, pretendem mantê-las ali permanentemente e, instigando a camarilha fantoche de Ri Sung Man, reprimem da maneira mais cruel a luta do povo sul-coreano contra a dominação colonial despótica.
A situação que nosso país atravessa exige que a Guarnição permaneça em estado de máxima vigilância e prontidão, defendendo firmemente a pátria, a vida e os bens do povo diante de uma invasão inimiga. A Guarnição deverá preparar solidamente suas fileiras nos aspectos político e ideológico, elevar ainda mais a capacidade combativa das unidades e intensificar sua preparação para o combate, a fim de que possam cumprir eficazmente as tarefas revolucionárias que assumiram.
O mais importante para fortalecer a Guarnição é consolidar as organizações do Partido em todos os níveis das unidades.
O cumprimento bem-sucedido ou não das tarefas assumidas pela Guarnição depende inteiramente do papel desempenhado pelas organizações do Partido nas unidades. Sem consolidar essas organizações, não será possível fortalecer a Guarnição.
A Guarnição, como força armada do Partido do Trabalho, cuja orientação segue, criou organizações partidistas em suas unidades desde os primeiros dias de sua fundação e vem desenvolvendo todas as suas atividades sob a direção do comitê do Partido. Devemos fortalecer ainda mais as organizações do Partido nas unidades da Guarnição e elevar decisivamente seu papel, baseando-nos rigorosamente nas linhas política e organizativa do Comitê Central do Partido.
Entretanto, para fortalecer essas organizações, é necessário consolidar as células, organizações de base do Partido.
As células do Partido são organizações de base que educam permanentemente os militantes e põem em prática a linha e a política do Partido. Somente fortalecendo todas as células será possível consolidar o Partido em seu conjunto e elevar sua capacidade combativa. Da mesma forma, consolidando as células da Guarnição, será possível fortalecer todas as organizações do Partido nas unidades e permitir que estas cumpram com êxito suas tarefas militares.
O essencial para consolidar as células do Partido é fortalecer seus núcleos. Mesmo entre os militantes pertencentes a uma mesma célula, existem diferenças no nível de consciência político-ideológica e, consequentemente, alguns participam ativamente da vida da célula, enquanto outros não o fazem. Por isso, é necessário constituir solidamente os núcleos do Partido com os elementos ativos, ampliá-los continuamente e fazer com que desempenhem um papel de vanguarda entre os militantes e as massas de militares.
Além disso, a célula do Partido deverá empenhar-se em intensificar a vida partidista de seus membros. A célula deve distribuir tarefas a todos os militantes, verificar constantemente como são cumpridas e fazer oportunamente o balanço correspondente. Deve estimular especialmente a crítica e a autocrítica. Estas constituem uma poderosa arma para corrigir oportunamente as deficiências e os erros que surgem no trabalho e na vida, bem como para desenvolver as atividades. As células devem intensificar a crítica e a autocrítica, assegurando o livre exercício da democracia interna do Partido. Devem também realizar um bom trabalho de educação partidista, para que os militantes possam cumprir satisfatoriamente as exigências estabelecidas nos Estatutos do Partido. Assim, deve-se garantir que todos os militantes sejam fiéis aos deveres que lhes são atribuídos pelos Estatutos e participem ativamente da vida do Partido.
As células nas unidades devem realizar regularmente o recrutamento de novos membros, contribuindo assim para o contínuo crescimento e fortalecimento das fileiras do Partido. Devem saber identificar e selecionar, como reservas para o Partido, aqueles camaradas que, sendo filhos de operários e camponeses, possuam uma firme consciência de classe e sejam dedicados ao serviço militar. Devem exercer continuamente sua influência partidista sobre eles, atribuindo-lhes tarefas regulares e ajudando-os a cumpri-las. Após essa educação sistemática, deverão admiti-los no Partido. Uma vez admitidos, deverão continuar sistematicamente sua educação e formação, para que possam desempenhar bem seu papel como militantes.
Ao mesmo tempo que se fortalecem as células do Partido, é necessário organizar adequadamente as seções culturais nas unidades e ampliar seu papel, para que cumpram devidamente as tarefas de orientação e fiscalização das organizações do Partido. Isso é muito importante, considerando que as fileiras da Guarnição crescem rapidamente e suas unidades atuam dispersas em pelotões ou companhias.
A falta de experiência no trabalho partidista no exército e o baixo nível profissional impedem atualmente que os instrutores culturais da Guarnição desempenhem bem seu papel, o que os leva a cometer muitos erros na direção do trabalho político do Partido em suas respectivas unidades. Suas deficiências são particularmente evidentes no exercício da direção e da fiscalização das unidades subordinadas. Se os instrutores culturais se limitarem a repreender os erros cometidos nas unidades, não poderão conduzir adequadamente o trabalho.
A direção e a fiscalização devem ser exercidas concentrando a atenção em garantir que os dirigentes responsáveis visitem de maneira planejada as unidades subordinadas, informem-se profundamente sobre todo o trabalho político e militar, corrijam oportunamente os erros e orientem corretamente os membros do Partido e os militares para que cumpram exemplarmente seus deveres.
No trabalho de direção e fiscalização, deve-se também concentrar a atenção na elevação do nível político-teórico e profissional dos instrutores culturais e dos presidentes das células. Naturalmente, para elevar seu nível, é necessário organizar, de acordo com um plano, encontros para a troca de experiências, cursos de formação e outras atividades semelhantes. Contudo, isso também deverá ser alcançado por meio do exercício da direção e da fiscalização. Dessa maneira, os instrutores culturais e os presidentes das células poderão cumprir devidamente sua missão.
Além disso, por meio da direção e da fiscalização, será necessário aproveitar e generalizar as melhores experiências para desenvolver o trabalho partidista em seu conjunto. Acima de tudo, deve-se aprender diligentemente com as experiências do trabalho do Partido durante o período da Luta Armada Antijaponesa e empenhar-se tenazmente em desenvolvê-las ainda mais.
É necessário constituir organizações sólidas da União da Juventude Democrática nas unidades e elevar seu papel. Os instrutores culturais e essas organizações devem adaptar a vida da União da Juventude Democrática às características dos jovens e proporcionar-lhes uma educação correta. Dessa maneira, devem unir firmemente todos os jovens militares em torno de nosso Partido e do Governo da República e fazer com que, conscientes da elevada honra que representa o serviço militar, lutem dedicando tudo à pátria e ao povo.
É de suma importância que as fileiras da Guarnição sejam solidamente constituídas e assegurem em seu seio a unidade e a coesão ideológica e de vontade. Como a Guarnição tem a missão de defender o Partido, o Governo e as conquistas da revolução, se suas fileiras não forem solidamente estruturadas e for permitida a infiltração de sequer um único elemento estranho, isso poderá acarretar graves consequências para a revolução. Daí a necessidade de consolidar firmemente as fileiras da Guarnição e assegurar uma unidade e coesão ideológicas monolíticas, impedindo a infiltração de quaisquer elementos hostis e estranhos.
O essencial para fortalecer as fileiras da Guarnição é preparar bem os quadros. Os quadros devem ser selecionados entre homens que sejam incondicionalmente fiéis ao Partido, firmes em sua posição de classe e possuam elevado nível de capacidade prática militar. Juntamente com os quadros, é necessário compor o conjunto das fileiras da Guarnição com pessoas honestas e preservar sua pureza intacta.
Em seguida, é necessário intensificar o trabalho de educação ideológica entre os militares.
Por mais dignos que sejam os homens que compõem a Guarnição, não poderão ser militares excelentes se sua educação ideológica for negligenciada. A garantia mais importante para aumentar o poderio de nosso exército consiste em despertar a consciência de classe dos militares e cultivar neles um espírito de fidelidade infinita à pátria e ao povo. Se todos os militares possuírem consciência de classe, fervoroso amor à pátria e ao povo e profundo ódio aos inimigos, nosso exército se tornará ainda mais poderoso.
Como a Guarnição enfrenta constantemente os inimigos, é de suma importância desenvolver a consciência política dos militares. Para cumprir com êxito suas tarefas de combate, deve-se cultivar neles uma elevada consciência de classe e um ardente espírito patriótico. É necessário despertar a consciência política de todos os militares, para que compreendam claramente por que devem empunhar o fuzil e ocupar um posto na defesa da pátria e em benefício de quem estão combatendo.
O trabalho de educação ideológica entre os militares deve ser intensificado, de modo a incutir em todos eles um ódio implacável ao inimigo. Somente assim poderão lutar com coragem contra o inimigo até o fim. Nas unidades da Guarnição, deve-se organizar meticulosamente o trabalho educativo para formar em todos os militares uma compreensão clara da natureza agressora dos imperialistas ianques e japoneses, inimigos jurados de nosso povo, e da essência reacionária da camarilha fantoche do traidor Ri Sung Man.
Os imperialistas estadunidenses são inimigos sanguinários de nosso povo, que há muito tempo vêm agredindo nosso país. Historicamente, desde o incidente do navio General Sherman, em 1866, vêm agredindo nosso país; além disso, apoiaram e ajudaram ativamente o imperialismo japonês na ocupação da Coreia. Após a libertação de 15 de agosto, os agressores imperialistas ianques desembarcaram na Coreia do Sul sob o disfarce de libertadores e benfeitores e estabeleceram um regime de dominação colonial, reprimindo com baionetas as forças democráticas patrióticas e impondo uma administração militar. O imperialismo estadunidense dissolveu à força os comitês populares criados pela vontade de todo o povo imediatamente após a libertação, proibiu os partidos políticos e as organizações sociais de caráter democrático na Coreia do Sul e prendeu, encarcerou e assassinou brutalmente inúmeras personalidades patrióticas e progressistas.
Atualmente, os imperialistas estadunidenses estão conferindo um caráter ainda mais fascista à sua dominação colonial na Coreia do Sul e ampliando as bases militares com o objetivo de transformar toda a Coreia em sua própria colônia, enquanto se dedicam desesperadamente aos preparativos para uma guerra de agressão contra a parte Norte da República, reforçando continuamente o exército fantoche. Infiltram numerosos espiões e elementos de subversão e sabotagem na parte setentrional da República e cometem atos sinistros de destruição de nossa base democrática, além de atentarem contra a vida e os bens de nosso povo. Devemos fazer com que todos os militares compreendam claramente que os imperialistas estadunidenses são inimigos jurados que, ao longo da história, agrediram e saquearam nosso país.
Devemos também fazer com que compreendam claramente que os imperialistas ianques e japoneses estão há muito tempo unidos em aliança para agredir nosso país. No passado, sob a proteção do imperialismo ianque, os imperialistas japoneses exploraram e oprimiram cruelmente nosso povo durante 36 anos e assassinaram inúmeros coreanos.
Hoje, os imperialistas estadunidenses procuram reavivar e rearmar o militarismo japonês, inimigo jurado de nossa nação, e arrastá-lo novamente para manobras agressivas contra nosso povo. Deve-se garantir que todos os militares conheçam bem a história dos atos criminosos de agressão e dos assassinatos cometidos e ainda praticados em nosso país pelos imperialistas ianques e pelos militaristas japoneses.
Da mesma forma, deve-se assegurar que os militares conheçam bem a natureza reacionária do regime fantoche de Ri Sung Man, sustentado pelo imperialismo estadunidense. O regime fantoche de Ri Sung Man é inteiramente constituído por latifundiários, capitalistas entreguistas e outros burocratas reacionários. Esse regime fantoche é reacionário e antipopular porque oprime e explora impiedosamente o povo em benefício de um punhado de latifundiários, capitalistas e burocratas reacionários; não passa de um instrumento que executa fielmente a política colonialista do imperialismo ianque. É necessário fazer com que os militares compreendam claramente a natureza reacionária do regime fantoche de Ri Sung Man, para que todos desenvolvam um ódio implacável ao inimigo e lutem contra ele sem vacilações.
Outro aspecto importante do trabalho de educação ideológica é ajudá-los a compreender bem a natureza exploradora dos latifundiários e capitalistas e a superioridade de nosso sistema social.
No passado, os latifundiários e capitalistas obrigavam os operários e camponeses a trabalhar como bois, explorando-os e oprimindo-os ferozmente. Os operários eram submetidos a jornadas extenuantes de mais de 10 a 12 horas por dia e ainda tinham de suportar toda espécie de maus-tratos e desprezo por parte dos capitalistas. Viviam em condições extremamente difíceis, pois nem sequer recebiam regularmente os salários mínimos. Os camponeses também levavam uma vida de lágrimas e sofrimentos, amaldiçoando um mundo no qual famílias inteiras ficavam sem nada no outono, quando os latifundiários lhes tomavam as colheitas obtidas à custa de suor e sangue.
Ainda hoje, na Coreia do Sul, os malditos latifundiários e capitalistas, protegidos pelo imperialismo estadunidense, continuam agindo arbitrariamente e explorando impiedosamente o povo. Os operários, camponeses e outros amplos setores do povo trabalhador sul-coreano sofrem a exploração e a opressão duplicadas ou triplicadas do imperialismo estadunidense e dos latifundiários e capitalistas entreguistas. Privados até mesmo das liberdades e dos direitos mais elementares, são vítimas de humilhações e abusos desumanos.
Entretanto, hoje, na parte Norte da República, tanto os operários e camponeses quanto os demais setores do povo trabalhador, já libertados da exploração e da opressão dos latifundiários e capitalistas, são donos do país, têm plenamente garantidas as liberdades e os direitos políticos e desfrutam de uma vida feliz. Com o orgulho e a dignidade de serem donos do país, nosso povo ergueu-se como um só na honrosa luta pela construção de uma nova Coreia democrática, rica e poderosa. Graças à vigorosa luta das massas trabalhadoras emancipadas, nosso país prospera e se desenvolve dia após dia, e a vida do povo melhora.
Hoje, os inimigos nutrem um ódio extremo por nossa República, na qual o povo trabalhador é dono do país, e tramam perversamente para impedir a luta de nosso povo pelo enriquecimento, fortalecimento e prosperidade da pátria. Embora as classes dos latifundiários e dos capitalistas entreguistas, que oprimiam e exploravam o povo, já tenham desaparecido da parte Norte da República, ainda restam vestígios delas em nosso meio. Os elementos remanescentes das classes exploradoras derrubadas não abandonaram seus perversos desígnios de recuperar suas antigas posições e praticam toda espécie de atos desesperados para destruir nossa base democrática, depositando suas esperanças no imperialismo ianque e na camarilha fantoche de Ri Sung Man. A natureza de classe das classes exploradoras não muda até a morte.
Devemos fazer com que os militares compreendam claramente a natureza de classe e o caráter reacionário das classes latifundiária e capitalista, bem como a verdadeira superioridade de nosso regime social, a fim de fomentar em todos eles um ardente amor à nossa República, para que a apoiem e defendam ativamente e demonstrem maior coragem na luta, mantendo-se firmes de armas na mão contra os imperialistas, latifundiários e capitalistas que procuram prejudicar esse magnífico regime.
Outro aspecto importante da educação ideológica é cultivar nos militares uma convicção inabalável na vitória. No passado, quando travávamos a luta armada contra o imperialismo japonês, combatíamos com uma convicção inabalável na vitória, convencidos de que o imperialismo japonês seria derrotado, a revolução coreana triunfaria inevitavelmente e nosso país conquistaria a independência. Foi assim que conseguimos libertar a pátria, vencendo numerosos obstáculos e dificuldades. Da mesma forma, a vitória da Revolução Socialista de Outubro na Rússia foi possível porque a classe operária russa lutou com a firme confiança de que o capitalismo seria derrotado e o socialismo triunfaria inevitavelmente. Devemos educar os militares para que compreendam claramente a verdade de que, de acordo com as leis do desenvolvimento da sociedade, o imperialismo será inevitavelmente derrotado e o socialismo e o comunismo triunfarão, a fim de que todos eles, imbuídos de convicção na vitória da revolução, lutem por ela até o fim, superando destemidamente todos os obstáculos e dificuldades.
É igualmente necessário melhorar os métodos e o estilo de trabalho dos comandantes e dos instrutores culturais nas unidades da Guarnição.
Os comandantes e os instrutores culturais das unidades da Guarnição, sendo filhos de operários e camponeses, foram promovidos a quadros graças à elevada confiança do Partido e do povo. Por isso, têm o dever de servir fielmente à pátria e ao povo e de trabalhar com dedicação em benefício das massas de militares, mas não têm o direito de dar ordens aos gritos nem de agir burocraticamente no trato com elas. Nossos soldados são um precioso tesouro do país: todos empunharam voluntariamente o fuzil e vieram ocupar seus postos para defender a pátria. Os comandantes devem dirigir as unidades por meio da persuasão e da educação, e não com repreensões ou ordens dadas em tom arrogante.
Há algum tempo, visitei um batalhão da Guarnição do Paralelo 38. Seu comandante nunca ia visitar os militares que, longe do batalhão, cumpriam missões de vigilância, nem se interessava pelas condições em que viviam. Em vez disso, construiu uma grande prisão e dirigia a unidade por meio de punições. Enquanto seu gabinete ocupava um salão muito espaçoso, os soldados enfrentavam dificuldades devido à falta de alojamentos.
Comandar uma unidade recorrendo a punições, em vez de educar os soldados, é um método que não difere daquele praticado nos exércitos dos Estados imperialistas. Não se pode permitir esse tipo de comportamento em nossa Guarnição, que é um exército do povo. Não permitam, em hipótese alguma, que isso aconteça também nas outras unidades da Guarnição.
No passado, quando travávamos a Luta Armada Antijaponesa, não tínhamos prisões e tampouco podíamos tê-las. Apesar disso, os guerrilheiros observavam conscientemente a disciplina e, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, superiores e subordinados combatiam em estreita união, ajudando-se e orientando-se mutuamente. A disciplina consciente e a unidade revolucionária na Guerrilha Antijaponesa foram alcançadas graças à educação constante de todos os guerrilheiros na confiança na vitória da revolução e na convicção quanto aos objetivos e à justeza da luta armada, bem como ao compartilhamento das alegrias e dos sofrimentos entre comandantes e guerrilheiros.
Se os comandantes e os instrutores culturais, por meio de práticas burocráticas, impuserem ordens aos subordinados e os punirem arbitrariamente, sem se interessarem pelas condições em que se encontram, não haverá unidade entre superiores e subordinados. Isso acabará enfraquecendo a capacidade combativa das unidades e impedindo que cumpram devidamente a missão que lhes foi confiada. Todos os dirigentes das unidades devem formar uma concepção correta das massas de militares e servi-las com lealdade.
Sobretudo, os instrutores culturais devem demonstrar solicitude e carinho pelos soldados, como se fossem seus próprios filhos ou irmãos, e cuidar devidamente deles. Em uma unidade cujo comandante recorre a práticas burocráticas, se o instrutor cultural também não demonstrar afeto pelos soldados, repreendendo-os frequentemente em vez disso, eles não o seguirão nem demonstrarão entusiasmo consciente no serviço militar. O mesmo acontece nas famílias: se tanto o pai quanto a mãe se limitarem a repreender os filhos, em vez de lhes proporcionar a educação adequada, estes não lhes abrirão o coração nem lhes obedecerão. Acabarão seguindo caminhos errados por falta de uma educação correta.
Nas unidades, os instrutores culturais devem desempenhar o mesmo papel de uma mãe que ama e educa carinhosamente os filhos. Devem estar sempre em estreita sintonia com os soldados, tanto nas circunstâncias da vida cotidiana quanto nos momentos de combate, e procurar saber o que pensam, o que desejam e quais dificuldades enfrentam. Se houver problemas pendentes, devem resolvê-los oportunamente. Quanto às faltas cometidas pelos soldados em sua vida cotidiana, devem explicá-las de maneira adequada, para que eles próprios as compreendam e as corrijam.
Somente agindo assim os instrutores culturais conseguirão fazer com que os soldados observem conscientemente a disciplina militar e cumpram com responsabilidade e disposição suas missões de vigilância. Somente assim os soldados também serão sinceros com seus superiores, os seguirão e será possível alcançar uma verdadeira unidade entre comandantes e subordinados.
Em seguida, os comandantes e os instrutores culturais devem prestar muita atenção aos serviços de intendência e garantir satisfatoriamente todas as condições de vida dos soldados.
Proporcionar boas condições de vida aos soldados, intensificando o trabalho de intendência, é de grande importância para melhorar a capacidade combativa das unidades e manter elevado o moral de seus integrantes. Somente cumprindo bem as tarefas dos serviços de intendência os militares poderão demonstrar entusiasmo consciente no cumprimento de seus deveres de guardiões e prestar melhores serviços à pátria e ao povo.
Embora ainda não desfrutemos, em nosso país, de uma vida de abundância em geral, o Partido assegura aos militares todas as condições possíveis para que não tenham de suportar privações. Entretanto, ainda existem unidades que não lhes proporcionam condições de vida material e cultural à altura da solicitude que o Partido lhes dedica. Uma das razões pode ser, em certa medida, o fato de ainda não ter sido concluída a criação das condições necessárias para uma vida adequada, devido ao rápido crescimento da Guarnição. Contudo, a causa principal reside na pouca atenção que os comandantes e os instrutores culturais dedicam à vida dos soldados. Em consequência, os soldados não recebem oportunamente os cuidados que o Partido e o Estado procuram lhes assegurar. Devemos combater vigorosamente essas manifestações de indiferença em relação à organização dos serviços de intendência e à vida dos soldados, observadas entre comandantes, instrutores culturais e responsáveis pela intendência.
É claro que o fato de a economia de nosso país ainda não estar desenvolvida, consequência da odiosa dominação colonialista do imperialismo japonês, e de a pátria ainda não estar reunificada pode dar origem a certas limitações e dificuldades na vida dos militares. Entretanto, se vocês elevarem seu senso de responsabilidade e organizarem bem o trabalho, poderão certamente superar essas dificuldades por conta própria. Daqui em diante, todos os comandantes da Guarnição deverão organizar detalhadamente e com senso de responsabilidade os serviços de intendência de suas respectivas unidades e resolver oportunamente as dificuldades que surgirem. Em particular, os instrutores culturais devem ser os primeiros a enfrentar os problemas que surgirem no trabalho e na vida, superando as dificuldades por meio da mobilização das massas de militares.
Não devem ocorrer entre os militares casos de desperdício dos bens do Estado e do exército. É necessário cultivar em todos os militares o espírito de colocar os interesses da sociedade acima dos interesses pessoais e de cuidar com solicitude dos bens do Estado e do exército, economizando-os. Dessa maneira, devemos impedir manifestações de apropriação indevida e desperdício e fazer com que todos cuidem diligentemente da propriedade do Estado e do exército e a economizem, aliviando assim os encargos do povo e contribuindo para a construção econômica do país.
Além disso, é necessário realizar vigorosamente os exercícios militares. Sobretudo, deve-se intensificar os exercícios táticos. Quanto mais suor for derramado durante o treinamento, menos sangue será derramado no combate e mais seguramente o inimigo será derrotado. Em outras palavras, somente aprendendo movimentos e métodos de combate eficazes por meio de exercícios intensivos em tempos de paz, sobretudo dos exercícios táticos, será possível combater o inimigo com plena eficácia em tempos de guerra, sem a menor hesitação e quaisquer que sejam as circunstâncias.
Nas unidades da Guarnição, deve-se estudar sistematicamente os regulamentos militares e as normas de combate e realizar exercícios táticos de qualidade, de acordo com essas normas. Sobretudo, é necessário que todos os soldados estudem profundamente os métodos de combate do período da Luta Armada Antijaponesa e aprendam a tática guerrilheira juntamente com os métodos empregados nas operações de combate da guerra moderna. Daqui em diante, ao elaborar o programa de exercícios da Guarnição, deverão ser destinadas mais horas ao estudo da tática do que às demais disciplinas. Dessa maneira, devemos fazer com que todos os militares dominem táticas eficazes e movimentos de combate hábeis, adquirindo uma sólida preparação para infligir as maiores perdas possíveis ao inimigo com o menor número de efetivos.
Como força armada que luta diariamente contra inimigos internos e externos, a Guarnição também deverá realizar devidamente exercícios de manobras, a fim de poder deslocar-se a qualquer lugar, a qualquer momento.
Além disso, a Guarnição deverá intensificar os exercícios de tiro. Por melhores que sejam as táticas e por mais hábeis que sejam os movimentos, se os soldados não atirarem bem, não causarão baixas ao inimigo nem alcançarão a vitória no combate. Somente combinando boas táticas e movimentos hábeis de combate com a precisão no tiro será possível vencer os inimigos, por mais fortes que sejam.
Para aprimorar a precisão no tiro, é necessário conhecer bem seus fundamentos, dominar as armas e praticar sistematicamente a pontaria. Também é preciso aprender com a experiência dos atiradores mais habilidosos e cuidar das armas como algo precioso. Por melhor que seja uma arma, se não for mantida em condições adequadas, sua eficácia será reduzida. Foi por isso que, em seu tempo, os guerrilheiros amavam e cuidavam de suas armas com tanto zelo, mesmo nas circunstâncias mais adversas. Que todos os soldados cuidem com carinho das valiosas armas que lhes foram confiadas pela pátria e pelo povo e treinem bem o tiro para se tornarem atiradores precisos.
É necessário fortalecer a prática de esportes entre os militares e garantir que todos desenvolvam bem sua condição física. Se não tiverem força física, não poderão cumprir plenamente suas obrigações de defender a pátria. Isso é ainda mais importante porque a guerra exige que os soldados realizem grandes esforços físicos. Nas unidades, devem ser realizados numerosos exercícios de ginástica com diversos aparelhos, como a barra fixa e as barras paralelas, bem como exercícios de baioneta e de transposição de obstáculos, a fim de proporcionar a todos os soldados uma boa preparação física que lhes permita suportar o esforço físico excessivo no campo de batalha e cumprir plenamente suas tarefas de combate.
Durante os exercícios de combate, deve-se assegurar a uniformidade de todas as ações e movimentos militares, pois essa uniformidade constitui uma exigência fundamental das operações de guerra. Entretanto, parece-me que, nos atuais exercícios de combate da Guarnição, essa uniformidade não está sendo assegurada no grau necessário. Há pouco tempo, visitei as unidades estacionadas ao longo da Linha de Demarcação do Paralelo 38 e pude constatar que a uniformidade não era plenamente assegurada nos exercícios de ordem unida. Até mesmo a forma da continência com o fuzil realizada pelas sentinelas que montam guarda na entrada principal varia de uma unidade para outra. Embora isso revele deficiências na instrução dos soldados por parte dos comandantes, a causa principal reside na falta de esforços para assegurar a uniformidade das ações durante os exercícios militares. Nossa Guarnição é um exército regular, e um exército regular não deve apresentar disparidades em sua atuação. Daqui em diante, será necessário organizar numerosos cursos em grupo, conferências metodológicas e cursos de formação para os comandantes de todos os escalões, a fim de uniformizar as ações e os movimentos militares das unidades e dos soldados.
Para intensificar os exercícios de combate das unidades, é importante fortalecer o papel dos oficiais. Os oficiais de todos os graus não devem apenas participar pessoalmente dos exercícios, mas também comparecer frequentemente aos locais de treinamento para inspecionar a instrução dos militares, corrigir as deficiências e garantir que os exercícios sejam realizados com qualidade. Em particular, os instrutores culturais devem comportar-se adequadamente nos campos de treinamento. Não devem apenas participar exemplarmente dos exercícios de combate para ampliar seus conhecimentos militares, mas também estar sempre presentes nos locais de treinamento e realizar um trabalho político de alto nível, incentivando todos os soldados a participar ativamente dos exercícios de combate. Devem também prestar a melhor assistência possível aos comandantes responsáveis pela direção dos exercícios, para que estes sejam realizados com qualidade.
É necessário estabelecer uma disciplina férrea e uma ordem rigorosa dentro das unidades.
Como os soldados da Guarnição cumprem seus deveres individualmente ou em pequenos grupos, isto é, de maneira dispersa, não será possível executá-los corretamente sem fortalecer a disciplina e a ordem.
Um aspecto importante do fortalecimento da disciplina é elevar o grau de disposição consciente dos militares. A disciplina de nosso exército é diametralmente diferente daquela imposta nos exércitos dos países capitalistas. Nestes, ela é coercitiva e imposta à força, mas, em nosso exército, formado pelos filhos de operários e camponeses, a disciplina é mantida pela disposição consciente. Por isso, para fortalecer a disciplina na Guarnição, que é um exército do povo, deve-se inculcar em todos os soldados a necessidade de observá-la conscientemente, intensificando sua preparação política e elevando seu entusiasmo consciente por meio da persuasão e da explicação.
Para fortalecer a disciplina, também é necessário estabelecer um rigoroso sistema de comando por ordens. Sem ordens, não é possível dirigir unidades nem cumprir missões de combate no exército. Assim, em todas as unidades da Guarnição, deve-se estabelecer um sistema que garanta o cumprimento pontual e correto das ordens dos superiores, sem o menor desvio.
É igualmente indispensável guardar rigorosamente os segredos de Estado e os segredos militares. Essa é uma das principais garantias para descobrir e frustrar oportunamente toda espécie de provocação inimiga e as manobras dos elementos de subversão e sabotagem, bem como para defender fielmente a pátria, a vida e os bens do povo.
O imperialismo ianque e seus lacaios estão infiltrando numerosos espiões e agentes de subversão e sabotagem na parte Norte da República, a fim de obter informações sobre nossos segredos de Estado e militares. Além disso, nas regiões próximas à Linha de Demarcação do Paralelo 38, os inimigos tentam obter segredos procurando subornar nossos militares e agem perversamente para atraí-los ou sequestrá-los. Os inimigos estão à espreita, esperando que nossa vigilância enfraqueça ou que a ordem e o regime sejam relaxados. Por isso, vocês devem reforçar a vigilância, a disciplina e a ordem, para impedir que o menor segredo de Estado ou militar seja revelado.
Da mesma forma, deve-se explicar detalhadamente aos militares como agem os espiões inimigos e os elementos de subversão e sabotagem, bem como seus métodos astuciosos de atuação, para que possam detectar perspicazmente as atividades do inimigo. Dessa maneira, devemos descobrir e eliminar todos os espiões e elementos de subversão e sabotagem, sem permitir que nenhum deles escape.
Tenho a certeza de que vocês, plenamente conscientes da missão revolucionária que assumiram e de sua importância, trabalharão com ainda maior abnegação pela pátria e pelo povo e saberão cumprir honrosamente os deveres revolucionários que o Partido lhes confiou.

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