terça-feira, 20 de outubro de 2026

Para desenvolver a indústria pesqueira sobre novas bases

Discurso de conclusão do camarada Kim Il Sung na reunião do Presidium do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Norte

8 de julho de 1948

Na reunião de hoje, falamos sobre o trabalho das organizações do Partido e dos quadros dirigentes da indústria pesqueira. Agora, gostaria de me referir a algumas tarefas que se apresentam para desenvolver a indústria pesqueira do nosso país.

Nosso país é cercado pelo mar por três lados e possui recursos marinhos muito abundantes. A pesca ocupa um lugar importante no conjunto da economia nacional do nosso país e desempenha um papel significativo na melhoria das condições de vida do povo.

Partindo da importância tanto do lugar que a pesca ocupa na economia nacional quanto do papel que desempenha na melhoria do bem-estar do povo, nosso Partido vem dedicando profunda atenção ao seu desenvolvimento desde os primeiros dias da libertação. Para promover a pesca, assinalamos que não devemos nos apoiar na economia privada, mas principalmente na economia estatal e cooperativista. No setor pesqueiro, já estabelecemos um novo sistema, transformando as cooperativas existentes desde a época do imperialismo japonês em verdadeiras cooperativas de pescadores e criando a indústria pesqueira estatal com base na nacionalização das zonas de pesca, embarcações, fábricas de processamento e de fabricação de redes, bem como de outros equipamentos e instalações pesqueiras que pertenciam aos imperialistas japoneses, aos elementos pró-japoneses e aos traidores da nação. Além disso, transferimos para o Departamento de Agricultura e Silvicultura a direção da indústria pesqueira.

Sublinhamos várias vezes aos responsáveis desse Departamento a necessidade de desenvolver a indústria pesqueira estatal e indicamos concretamente como corrigir as deficiências surgidas no setor pesqueiro.

No entanto, eles demonstraram grande negligência no cumprimento da orientação do Partido.

Procuraram apoiar-se na pesca privada, alegando que seria difícil desenvolver a indústria pesqueira do país mediante a criação do setor estatal, mesmo com base nos bens confiscados dos inimigos e traidores, porque estes eram muito escassos nesse ramo. Não se esforçaram para organizar amplamente as empresas pesqueiras estatais nem deram a menor atenção à administração e à gestão dos equipamentos e instalações pesqueiras nacionalizados. Como resultado, muitas dessas fábricas foram destruídas ou ficaram inutilizadas devido à retirada de máquinas; em algumas regiões, chegou-se até mesmo a vender ou alugar a particulares, a preços baixos, edifícios de fábricas, barcos, apetrechos e materiais.

Os responsáveis do Departamento de Agricultura e Silvicultura tampouco realizaram um trabalho ativo para recuperar os equipamentos e as instalações pesqueiras nacionalizados. Quanto aos barcos pesqueiros, foi recolhido apenas cerca de 30 por cento deles. Chegaram até mesmo a comprar por preços elevados barcos que deveriam ter sido confiscados sem indenização e transformados em propriedade estatal. Em última análise, esse fato demonstra que os funcionários da indústria pesqueira não trabalharam em prol dos interesses do Estado, mas no sentido de proteger os interesses dos empresários privados.

Os responsáveis do Departamento de Agricultura e Silvicultura e os quadros do setor pesqueiro tampouco realizaram o planejamento como deveriam. Conforme assinalaram os oradores na reunião, no ano passado trabalhou-se nesse setor de maneira improvisada, sem elaborar um plano claro, e neste ano também se está agindo com base em um plano abstrato, sem estudos concretos nem cálculos científicos.

Como negligenciaram o trabalho de organização econômica e não se esforçaram para desenvolver a pesca estatal, o setor estatal ocupa uma proporção muito pequena na indústria pesqueira do país, e os produtos marinhos de suas empresas não são fornecidos ao povo a preços baixos, devido aos elevados custos de produção. Falando francamente, a indústria pesqueira estatal não fez nenhum progresso desde sua criação até hoje.

Os responsáveis do Departamento de Agricultura e Silvicultura atribuem a ausência de desenvolvimento da pesca estatal à escassez de materiais e fundos, mas isso não passa de um pretexto. Se aproveitarem eficazmente as condições e possibilidades existentes, poderão, sem dúvida alguma, resolver esse problema.

No ano passado, o responsável por uma grande empresa pesqueira me disse que era difícil cumprir o plano de pesca devido à falta de materiais e fundos. Por isso, conversei diretamente com ele e enviei funcionários à empresa para verificar a situação. Essa investigação revelou que o plano havia sido elaborado de maneira abstrata, que muitos materiais e fundos estavam sendo desperdiçados e que os materiais e equipamentos disponíveis não eram plenamente utilizados. Por essa razão, ajudamos a empresa a reelaborar detalhadamente o plano de produção, eliminar o desperdício de materiais e fundos e mobilizar e utilizar ativamente os materiais e equipamentos existentes. Como resultado, a empresa não apenas superou consideravelmente seu plano, como também proporcionou ao Estado um lucro de 15 milhões de wons. Esse fato, por si só, permite constatar que a causa da estagnação da indústria pesqueira estatal não reside na falta de materiais ou fundos.

Então, em que reside a causa da ausência de progresso da indústria pesqueira estatal?

Primeiro: no fato de que os funcionários do setor, incompetentes em seu trabalho, não estudam concretamente as questões nem lutam para superar as dificuldades.

Segundo: na incapacidade das organizações do Partido na indústria pesqueira. Elas não se empenharam em concretizar pontualmente a política pesqueira do Partido e deixaram passar em branco, sem tomar nenhuma medida, inúmeros erros cometidos nesse setor. Se tivessem dirigido corretamente, de acordo com os princípios partidistas, o trabalho dos funcionários, a situação desse ramo não teria chegado a ser tão grave como é hoje.

As organizações do Partido e os quadros dirigentes do setor pesqueiro devem eliminar prontamente as deficiências mencionadas acima e executar de maneira consequente a política pesqueira do Partido.

Antes de tudo, é necessário organizar um grande número de empresas estatais e entidades cooperativas de pesca.

É verdade que até agora promovemos a pesca privada e continuaremos a fazê-lo no futuro. Mas, se dependermos apenas da pesca privada, não poderemos superar o atraso do nosso país nesse ramo nem, consequentemente, satisfazer a demanda do povo por produtos marinhos.

Para desenvolver a indústria pesqueira do país e, assim, aumentar rapidamente sua produção, é necessário estabelecê-la sobre novas bases, mediante a ampla organização de empresas estatais e entidades cooperativas de pesca.

O Departamento de Agricultura e Silvicultura deve organizar numerosas empresas pesqueiras estatais, ao mesmo tempo que consolida a base material e técnica das que já foram organizadas, aproveitando plenamente os equipamentos e as instalações pesqueiras nacionalizados. Ao mesmo tempo, deve organizar amplamente cooperativas entre os pescadores, segundo o princípio da voluntariedade, e prestar-lhes assistência especial para consolidar sua base econômica.

Deve também criar condições favoráveis para a pesca dessas empresas estatais e cooperativas. Para isso, precisa tomar medidas para recensear as zonas pesqueiras nas águas jurisdicionais da Coreia do Norte e destinar-lhes as melhores dessas zonas.

Além disso, é necessário elaborar um plano preciso e criar o hábito de cumpri-lo incondicionalmente. 

Realizar adequadamente o trabalho de planejamento é uma premissa para dirigir corretamente a economia estatal. O planejamento é uma questão ainda mais urgente nas circunstâncias em que aumenta o número de empresas estatais e cooperativas pesqueiras e se ampliam as dimensões das primeiras. Sem um plano, agindo às cegas e de maneira desordenada, jamais poderemos dirigi-las devidamente.

O plano deve ser, em todos os casos, concreto, científico e mobilizador.

O Departamento de Agricultura e Silvicultura deve elaborar um plano detalhado de produção de produtos marinhos para cada empresa e cada fábrica, com base em um cálculo científico de todas as condições que influenciam essa produção, como, por exemplo, os apetrechos e as zonas de pesca.

Ao mesmo tempo que elabora concretamente o plano de pesca, deve estabelecer com exatidão o contrato de venda de produtos marinhos com o Departamento de Comércio.

Sem se limitar à elaboração do plano de produção, deve orientar e ajudar ativamente as empresas pesqueiras a cumpri-lo pontualmente. Por meio de uma boa organização do trabalho, deve facilitar o uso recíproco dos apetrechos de pesca e dos materiais, além de proibir a prática de transportar mecanicamente o pescado até seus próprios portos, mesmo quando estes ficam distantes, em vez de descarregá-lo nos portos mais próximos.

Os demais departamentos do Comitê Popular da Coreia do Norte relacionados com a indústria pesqueira devem ajudar ativamente esse setor a cumprir o plano, colocando os interesses do Estado em primeiro lugar e libertando-se da estreita tendência ao localismo institucional. O Departamento de Comércio deve abandonar a atitude errônea de fugir à responsabilidade pelo recebimento do pescado que lhe é entregue em quantidade superior à prevista no contrato e aceitá-lo incondicionalmente para comercializá-lo.

É necessário reduzir o custo dos produtos marinhos e armazená-los cuidadosamente.

Sem reduzir os custos de produção, não poderemos fornecer pescado a preços baixos ao povo. Por conseguinte, devemos nos esforçar muito para reduzi-los. As empresas estatais e as cooperativas pesqueiras devem organizar racionalmente a mão de obra, eliminar a tendência especulativa de esperar apenas pelo aparecimento de grandes cardumes nos mares próximos, aumentar o número de dias de saída ao mar e economizar ativamente materiais e fundos, introduzindo métodos avançados de pesca. Em particular, devem adquirir os apetrechos e materiais necessários não dos especuladores que exigem preços elevados, mas por meio de organismos e empresas estatais.

É importante armazenar cuidadosamente os produtos marinhos. Mesmo que sejam capturados em grandes quantidades, eles não terão nenhum valor se não soubermos conservá-los. Se os conservarmos adequadamente, não apenas eliminaremos os casos de deterioração, como também poderemos fornecê-los ininterruptamente aos trabalhadores, mesmo quando a captura de pescado for pequena. Portanto, na indústria pesqueira, não devemos nos concentrar apenas na produção, mas também prestar atenção à conservação dos produtos. Na reunião de hoje, foi proposta a construção de numerosas instalações para armazenar os produtos marinhos, e, naturalmente, seria bom se conseguíssemos fazê-lo. Contudo, nas condições atuais, não podemos construir muitas dessas instalações. Por isso, devemos processar e armazenar oportunamente os produtos marinhos, aproveitando de maneira eficiente as instalações existentes.

Além disso, é necessário elevar decisivamente o papel das organizações do Partido na indústria pesqueira.

Elas devem proporcionar orientação e assistência constantes para que a política pesqueira do Partido seja concretizada com exatidão. Ao mesmo tempo, devem prestar profunda atenção à boa composição dos quadros desse setor.

São os quadros que resolvem todos os problemas. São eles que executam diretamente a política do Partido e as medidas do Poder Popular. Por melhores que sejam as políticas e medidas elaboradas pelo Partido e pelo Estado, elas não poderão ser coroadas de êxito se os quadros não se empenharem em executá-las. A correção ou não das deficiências surgidas na indústria pesqueira depende, em última análise, da maneira como trabalham os quadros desse ramo. Por conseguinte, não deve haver nas fileiras de quadros nenhum elemento nocivo que obstrua a execução da política do Partido e do Estado.

No entanto, constatamos que há muitos especuladores, vigaristas e elementos pró-japoneses entre os quadros da indústria pesqueira. As organizações do Partido desse setor devem eliminar de maneira consequente tais indivíduos e exercer uma vigilância rigorosa para impedir que elementos degenerados se infiltrem nas fileiras de quadros.

Foi proposta a colocação das empresas pesqueiras estatais sob a dependência direta das autoridades provinciais, a fim de melhorar a orientação e a assistência que os órgãos locais do Partido e do Poder lhes prestam. Contudo, considero essa medida ainda prematura, sendo necessário estudá-la melhor. Mesmo sem subordiná-las às autoridades provinciais, os órgãos locais do Partido e do Poder podem orientá-las e ajudá-las regularmente, desde que demonstrem interesse por esse trabalho.

As organizações do Partido na indústria pesqueira devem organizar e mobilizar todos os trabalhadores do setor para elevar a produção pesqueira estatal, bem como empenhar-se fortemente em fortalecer o papel das cooperativas pesqueiras e elevar a consciência ideológica dos pescadores.

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