29 de abril de 1948
Pergunta: A Conferência Conjunta do Norte e do Sul terminou com sucesso. Poderia o estimado General dizer-nos sua opinião sobre a reunificação do Norte e do Sul?
Resposta: O fato de a Conferência Conjunta do Norte e do Sul ter terminado com sucesso significa que a unidade de todas as forças progressistas de nossa pátria se consolidou ainda mais. Isso, naturalmente, não é por acaso.
Diante do perigo de divisão da pátria por parte dos imperialistas ianques, todas as personalidades patrióticas de nosso país viram a necessidade vital de unir seus esforços. As forças patrióticas de nossa nação crescem dia após dia e lutam para construir, o mais rápido possível, um Estado unificado, democrático e independente na pátria.
Como todos vocês sabem, as amplas massas populares do Norte e do Sul da Coreia apoiam e aprovam fervorosamente as decisões da Conferência Conjunta do Norte e do Sul. Isso constitui uma prova clara de que essas decisões expressaram com exatidão a vontade e o anseio de nossa nação e, consequentemente, contribuíram enormemente para acelerar a unidade nacional. Essa unidade de vontade e de ação constitui a garantia mais importante de nossa vitória. Por isso, considero que a vitória de nossa causa depende de conseguirmos ou não mobilizar a força de toda a nação na luta pela reunificação do país.
Pergunta: No que diz respeito à fundação do Exército Popular, alguns indivíduos da Coreia do Sul afirmam que a Coreia do Norte pretende realizar uma “expedição ao Sul”. Poderia dizer-nos sua opinião a esse respeito?
Resposta: Os reacionários sul-coreanos, instigados por seus senhores estrangeiros, alardeiam que o Exército Popular foi formado para realizar uma “expedição ao Sul”. Mas esse boato não passa de um rumor extremamente vil. O objetivo de divulgar semelhantes rumores reacionários é evidente. Trata-se de semear a discórdia entre os compatriotas e, assim, destruir a unidade da nação.
É desnecessário dizer que o Exército Popular foi formado com o sagrado objetivo de salvaguardar a independência e a liberdade do país contra a agressão do imperialismo estrangeiro.
Pergunta: Alguns sul-coreanos chamam de comunista o Poder Democrático Popular estabelecido na Coreia do Norte. O que pensa a esse respeito?
Resposta: Aqueles que chamam nosso Poder Popular de comunista revelam, por si mesmos, ser totalmente ignorantes das questões sociais ou demagogos mal-intencionados que abrigam desígnios sinistros. Hoje, é prática habitual dos imperialistas e reacionários tachar de “comunista” tudo aquilo de que não gostam.
A população da Coreia do Norte, que desfruta da liberdade e do direito de construir sua vida de acordo com sua própria vontade e conveniência, ingressou firmemente no caminho do desenvolvimento democrático. O êxito mais importante alcançado pela população norte-coreana nesse caminho foi o estabelecimento de um Poder Democrático Popular. O autêntico Poder Popular estabelecido na Coreia do Norte goza de elevado prestígio e criou raízes profundas entre as amplas massas populares. A forma desse Poder, o comitê popular, é o órgão representativo do povo, eleito com base no princípio do sufrágio universal, igualitário e direto, por meio de votação secreta. O comitê popular é composto por representantes de todas as classes e camadas do povo: operários, camponeses, funcionários, intelectuais, comerciantes, empresários, religiosos, etc. Por exemplo, na Assembleia Popular da Coreia do Norte, órgão legislativo supremo, há 52 operários, 62 camponeses, 56 funcionários, 36 intelectuais, 10 comerciantes, 4 artesãos, 7 empresários e 10 religiosos. Além disso, foram eleitos para os comitês populares representantes de diversos partidos políticos e organizações sociais.
Acaso um poder dessa natureza é comunista?
Pergunta: Quais são as dificuldades enfrentadas pela construção democrática na Coreia do Norte?
Resposta: A maior dificuldade na construção democrática da Coreia do Norte é a questão dos quadros.
Como todos vocês sabem, durante o período de dominação de nosso país, os imperialistas japoneses impediram por todos os meios a formação de quadros nacionais coreanos. Na realidade, nossa nação foi privada até mesmo do direito de estudar.
Os coreanos não tinham permissão para ocupar qualquer cargo de direção nos órgãos administrativos, econômicos e culturais. Particularmente na indústria, os japoneses não confiavam aos coreanos sequer um cargo de responsabilidade no nível técnico intermediário. Em consequência de tudo isso, dispúnhamos de um número extremamente reduzido de quadros nacionais. Por isso, após a libertação, a questão dos quadros tornou-se o problema mais difícil e importante para o Poder Popular. Podemos dizer que hoje estamos obtendo muitos êxitos na solução dessa questão.
Desde o primeiro dia da libertação, temos dedicado grande atenção à formação dos quadros necessários em todos os campos: político, econômico e cultural.
Creio que vocês conhecem bem, por meio de nossas publicações, os números relativos ao aumento das escolas de todos os tipos; por essa razão, não me deterei nesse assunto.
Recentemente, no Centro de Cursos de Formação para Administradores, preparamos cerca de 300 quadros capazes de trabalhar com excelência em diversos setores industriais. Somente durante o ano de 1947, capacitamos um grande número de jovens técnicos, homens e mulheres, em 44 escolas técnicas especializadas e escolas técnicas industriais. Durante o último ano letivo, formamos mais de 5 mil professores e, em dois anos, aproximadamente 1.500 trabalhadores da saúde pública: médicos, enfermeiros, etc.
Graças às medidas corretas adotadas para a formação de quadros, em um futuro não muito distante poderemos contar com milhares e dezenas de milhares de especialistas em diversas áreas técnicas e, desse modo, atender plenamente à necessidade de quadros, que aumenta em paralelo com o rápido desenvolvimento da economia nacional.
Pergunta: Qual é o significado das reformas realizadas na Coreia do Norte nos últimos dois anos?
Resposta: As reformas democráticas que realizamos nos dois últimos anos têm enorme significado histórico. Seu objetivo foi eliminar as consequências nocivas da longa dominação do imperialismo japonês em nosso país e melhorar rapidamente as condições materiais e culturais de vida das amplas massas populares. Por isso, a população norte-coreana, que sabe por experiência própria que somente o desenvolvimento democrático do país constitui o caminho correto para alcançar a liberdade e a felicidade, avança corajosamente por esse caminho.
Pergunta: No que diz respeito ao aviso do Comitê Popular da Coreia do Norte de que interromperia o fornecimento de eletricidade caso as autoridades sul-coreanas não efetuassem o pagamento, a administração militar estadunidense declarou que não negociaria com o Comitê Popular, mas apenas com as autoridades do Exército Soviético. Gostaria que nos falasse sobre os resultados das negociações posteriores e os limites da competência do Comitê Popular nessa questão.
Resposta: Como todos vocês sabem, em 1946, o Exército Soviético entregou ao povo coreano as centrais elétricas, juntamente com todas as demais empresas industriais que anteriormente pertenciam aos japoneses e aos traidores da nação. Como resultado, as centrais elétricas também passaram a constituir patrimônio de nosso povo.
Até 1º de abril de 1948, a administração militar estadunidense na Coreia do Sul havia nos pago apenas 15,6% do valor que deveria ter sido quitado em mercadorias pela eletricidade, segundo as condições estipuladas no contrato referente ao período de 15 de agosto de 1945 a 31 de maio de 1947. Mesmo somando o valor das mercadorias pagas posteriormente, em abril, o total não chega sequer a 20%. Desde junho de 1947 até o presente, ela sequer firmou um contrato para o fornecimento de eletricidade à zona ao sul do paralelo 38. Não podemos mais ignorar o fato de que a administração militar estadunidense não dá resposta alguma à proposta do Comitê Popular da Coreia do Norte para coordenar essa questão.
Caso a administração militar estadunidense não quite o mais rapidamente possível a dívida contraída pelo fornecimento de eletricidade e tente evitar a resolução dessa questão, não teremos outra alternativa senão interromper o fornecimento de eletricidade à zona situada ao sul do paralelo 38.
Pergunta: Poderia dizer-nos mais alguma coisa?
Resposta: Antes de tudo, gostaria que transmitissem uma calorosa saudação fraternal aos compatriotas que vivem na região sul de nossa pátria.
Além disso, como vocês são representantes da imprensa, peço-lhes que transmitam aos compatriotas sul-coreanos, de maneira fiel e com objetividade, a realidade da Coreia do Norte, que, senhora de seu próprio destino, avança firmemente pelo caminho do renascimento nacional.

Nenhum comentário:
Postar um comentário