sábado, 10 de outubro de 2026

Documento judicial sobre o caso do massacre de Sinchon

1952 · Editora Nacional

Processo relativo aos acusados Ho Pil Sun e outros, Choe Han U e outros, Yun Myong Won e outros, acusados de crimes correspondentes ao Artigo 1 do Decreto nº 1 do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, de 17 de abril de 1951, e ao Artigo 71 do Código Penal, e aos quatro acusados, incluindo Ri Tu Hyon, acusados de crimes correspondentes ao Artigo 1 do Decreto de Tempo de Guerra

Publicado pela Editora Nacional

1952

Provas materiais

Prova nº 8
Corpo de um patriota massacrado no armazém de Wonam-ri

Prova nº 10-2
Local onde, em 18 de outubro do mesmo mês, depois de os inimigos ocuparem a sede do condado de Sinchon em outubro de 1950, foram confinados no abrigo antiaéreo central do Partido e massacrados os funcionários locais, que já haviam sido presos e detidos, e seus familiares

Prova nº 11-2
Abrigo antiaéreo atrás do Departamento de Segurança Interna do condado, onde, por ordem de Harrison, que ocupou o condado de Sinchon, mais de 520 patriotas e seus familiares foram amarrados e assassinados com cordões de dinamite para detonação

Prova nº 14
Corpo do filho de Ri Buk Bae (Min Jong Sop — 2 anos), residente em Onbuk-ri, cantão de Onchon, condado de Sinchon, assassinado pelos malditos soldados estadunidenses

Prova nº 18
Corpos de patriotas residentes do condado de Sinchon, que, por ordem dos malditos soldados estadunidenses estacionados no condado, foram levados ainda vivos para dentro do rio e mortos afogados.

Prova nº 20
Corpo de uma jovem que os malditos soldados estadunidenses capturaram no cantão de Bukbu, cantão de Sinchon, e enterraram viva por ser filha de um camponês

Prova nº 24
Corpos de pessoas inocentes brutalmente massacradas em Onchon-ri, cantão de Onchon, condado de Sinchon

Prefácio

Durante o período de retirada temporária das forças do Exército Popular da Coreia por razões estratégicas, os agressores imperialistas estadunidenses que penetraram no território da parte norte da República assassinaram em massa e indiscriminadamente, por todos os meios bestiais, os patriotas coreanos e o povo inocente, sem distinção de homens, mulheres, idosos ou crianças. Nesses atos desumanos, numerosos elementos traidores foram utilizados pelas astuciosas maquinações dos imperialistas estadunidenses.

Durante cinco dias, de 25 a 29 de maio de 1952, a Seção Penal do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia realizou o julgamento dos acusados Ho Pil Sun e outros, Choe Han U e outros, Ri Tu Hyon e outros, e Yun Myong Won, acusados de terem participado diretamente dos atos criminosos de massacre da população do condado de Sinchon pelas tropas imperialistas estadunidenses. O julgamento foi realizado pelo tribunal presidido por Pak Kyong Ho, presidente da Seção Penal do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, tendo como jurados Ri Hong Ryol e Kim Mun Sok. Como acusador, participou An Pyong Jin, procurador da Procuradoria Suprema, juntamente com Ju Hwang Sop, representante da Frente Democrática para a Reunificação da Pátria, e Sin Song Sun, representante do povo do condado de Sinchon, na qualidade de acusadores sociais que denunciavam os atos criminosos das tropas imperialistas estadunidenses na Coreia.

Para defender os acusados, os advogados nomeados Ji Yong Dae, Kim Han Jun e Hyon Chang Hyong apresentaram, respectivamente, suas alegações de defesa.

O presente documento do julgamento contém, juntamente com os materiais oficiais relativos ao julgamento — a acusação, a conclusão do procurador do Estado, as acusações dos acusadores sociais, as alegações dos advogados de defesa e a sentença — excertos dos depoimentos dos acusados e das testemunhas prestados durante o julgamento, conforme registrados na ata taquigráfica do referido julgamento.

Sumário

Prefácio …………………………………………………………………………… 

1. Acusação ………………………………………………………………………… 
2. Julgamento ……………………………………………………………………… 
   Interrogatório do acusado Ho Pil Sun ……………………………… 
   Interrogatório do acusado Choe Han U …………………………………… 
   Interrogatório do acusado Ri Tu Hyon …………………………………… 
   Interrogatório do acusado Yun Myong Won ……………………………… 
   Interrogatório da testemunha Kim Man Sok ……………………………… 
   Interrogatório da testemunha Pak Sol Hwa …………………………… 
   Interrogatório da testemunha U Mal Je…………………………………… 
   Interrogatório da testemunha Kim Son Nyo ……………………………… 
   Interrogatório da testemunha Ri Man Sik ………………………………… 
   Interrogatório da testemunha Jon Kyong Ae ………………………… 
   Interrogatório da testemunha Kang Hyong Do …………………………… 
   Interrogatório da testemunha O Su Bok …………………………………… 
   Interrogatório da testemunha O Tae Sin………………………………… 
   Interrogatório da testemunha Kim Hye Suk ……………………………… 
   Interrogatório da testemunha Kim Chan O ………………………………… 
   Interrogatório da testemunha Ri Un Ha ………………………………… 

Interrogatório da testemunha Pae Myon Sik …………………………………
Interrogatório da testemunha Kim Hyon Chun ……………………………… 
Interrogatório da testemunha Kim Sun Mo …………………………………… 
Interrogatório da testemunha Ri Buk Bae …………………………………… 
Depoimento complementar da testemunha Jon Kyong Ae ……………… 

3. Pronunciamentos dos acusadores sociais e conclusão do procurador do Estado …………………………………………………………………… 
   Pronunciamento do acusador social Sin Song Sun, representando o povo do condado de Sinchon ………………………………………………………………………………
   Pronunciamento do acusador social Ju Hwang Sop, representando a Frente Democrática para a Reunificação da Pátria ……………………………………………………………………………… 
   Conclusão do procurador do Estado ……………………………………

4. Alegações dos advogados de defesa ……………………………………… 
   Alegação do advogado Ji Yong Dae (defesa de Ho Pil Sun) ……… 
   Alegação do advogado Kim Han Jun (defesa de Choe Han U) ……………
   Alegação do advogado Hyon Chang Hyong (defesa de Ri Tu Hyon e Yun Myong Won) …………………………………………………………………… 

5. Declarações finais dos acusados ………………………………………… 

6. Sentença ………………………………………………………………………… 

Acusação

Processo contra os acusados Ho Pil Sun e outros, Choe Han U e outros, Ri Tu Hyon e outros e Yun Myong Won, que participaram diretamente dos atos criminosos de massacre da população civil perpetrados pelos invasores imperialistas estadunidense durante sua ocupação temporária do condado de Sinchon, província de Hwanghae, da República Popular Democrática da Coreia, por crimes correspondentes ao Artigo 1 do Decreto de 17 de abril de 1951 do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia e ao Artigo 71 do Código Penal da República Popular Democrática da Coreia.

Os imperialistas estadunidenses vêm executando, desde o primeiro dia de seu desembarque na Coreia, seu plano destrutivo de escravizar o povo coreano, colonizar a Coreia e transformá-la em uma base militar para a agressão contra a China e a União Soviética.

Eles reuniram e utilizaram traidores do povo coreano, como a camarilha de Ri Sung Man, estabeleceram um regime assassino fascista na parte sul da República e, finalmente, violaram o desejo do povo coreano de reunificar sua pátria por meios pacíficos, fazendo, de acordo com um plano minuciosamente elaborado, uma traiçoeira invasão armada da parte norte da República em 25 de junho de 1950 e, em seguida, introduzindo suas forças terrestres, navais e aéreas, passaram ao caminho da intervenção armada contra a República.

Os agressores imperialistas estadunidenses não apenas provocaram e iniciaram a guerra de agressão na Coreia, como também, no curso dessa guerra, continuam cometendo atos criminosos aterradores, violando brutalmente os princípios elementares do direito internacional e da moralidade humana.

Os numerosos atos criminosos perpetrados pelos invasores imperialistas estadunidenses na guerra da Coreia — os bombardeios indiscriminados de cidades e zonas rurais indefesas, os massacres de grande escala e cruéis de habitantes pacíficos, as torturas e agressões, o saque e a destruição de bens culturais, propriedades públicas e propriedades privadas, entre outros — são, por sua dimensão e natureza perversa, verdadeiramente sem precedentes.

Particularmente, durante o período em que os invasores imperialistas estadunidenses ocuparam temporariamente algumas regiões da parte norte da República, as atrocidades bestiais que perpetraram contra o povo coreano em todos os lugares por onde passaram foram tão cruéis e perversas que ultrapassam a imaginação humana.

A respeito dessas atrocidades cometidas pelos inimigos, o ministro das Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coreia, Pak Hon Yong, já havia assinalado o seguinte em seu protesto enviado à Organização das Nações Unidas em 15 de abril de 1951, sob o título "A respeito das atrocidades cometidas pelas tropas estadunidenses e pelas tropas fantoches nas regiões temporariamente ocupadas":

"…Até 2 de fevereiro de 1951, o número de habitantes pacíficos identificados como tendo sido assassinados pelos ocupantes ultrapassava 25.000 em todo o condado de Sinchon…"

Segundo os diversos novos materiais descobertos posteriormente e o que foi esclarecido no processo de investigação preliminar deste caso, o número de vítimas no condado de Sinchon ultrapassa em muito o número anteriormente mencionado. Isto é, sob o comando direto do tenente estadunidense Harrison, comandante das forças estadunidenses estacionadas no condado de Sinchon, província de Hwanghae, mais de 35.000 civis foram brutalmente massacrados. Embora esse crime constitua apenas uma pequena parte das atividades criminosas anteriormente mencionadas das forças invasoras imperialistas estadunidenses, ele é um exemplo típico que demonstra suas características criminosas.

Quando as forças invasoras imperialistas estadunidenses penetraram na região do condado de Sinchon, província de Hwanghae, em 17 de outubro de 1950, o tenente estadunidense Harrison, comandante das forças estacionadas nessa região, imediatamente organizou, dirigiu e executou pessoalmente o massacre em massa da população.

Harrison também seguiu e utilizou os métodos costumeiros empregados pelos imperialistas estadunidense em toda parte, incorporando elementos traidores para executar seus planos criminosos.

Assim, fabricou com esses bandidos as chamadas unidades policiais, unidades armadas e unidades de segurança, transformando-as em suas forças auxiliares e fazendo-as executar o plano criminoso de massacre do povo.

Nessas circunstâncias, o acusado Ho Pil Sun ocupava o cargo de chamado comandante da unidade de estudantes armados da Delegacia de Polícia de Sinchon; o acusado Choe Han U era chamado agente de investigação; o acusado Yun Myong Won era membro da chamada Associação da Juventude Coreana do condado de Sinchon; e o acusado Ri Tu Hyon era membro da chamada unidade armada permanente da mesma delegacia. Todos eles, recebendo ordens diretas de Harrison, passaram a participar, juntamente com ele, de atos de traição, envolvendo-se no massacre da população.

As forças invasoras imperialistas estadunidenses que penetraram no condado de Sinchon sob o comando de Harrison já haviam iniciado o massacre da população no dia seguinte à ocupação da região, em 18 de outubro de 1950.

Em uma reunião realizada naquele mesmo dia, Harrison declarou em seu discurso que sua ordem seria a "lei" no condado de Sinchon e ameaçou fuzilar aqueles que a violassem. Ao mesmo tempo, proclamou: "Para salvar a Coreia do Norte da ameaça comunista, eliminaremos os comunistas e trataremos da mesma maneira todos os seus simpatizantes." (Registro do depoimento da testemunha Kim Man Sok, volume 1, pp. 156–157.)

Além disso, o acusado Choe Han U declarou o seguinte a esse respeito:

"…Quando os estadunidenses invadiram o condado de Sinchon, Harrison ordenou aos membros das unidades armadas que prendessem todos os patriotas e as famílias dos militares do Exército Popular, bem como os funcionários dos órgãos estatais e das organizações públicas e seus familiares, em toda a região de Sinchon.

Na noite de 18 de outubro de 1950, Harrison deu a ordem para que cerca de 900 funcionários dos órgãos estatais e seus familiares, presos pelos membros das unidades armadas, fossem massacrados em uma vala no pátio diante da sede do Partido do condado de Sinchon…" (Registro, volume 1, pp. 67–68.)

Essa ordem demonstra a intenção criminosa de Harrison e das forças invasoras imperialistas estadunidenses de exterminar todo o povo coreano que não desejasse tornar-se escravo dos imperialistas estadunidenses, enquanto disfarçavam essa intenção sob o hipócrita pretexto de "salvar a Coreia do Norte da ameaça comunista".

A investigação preliminar deste caso revelou que a característica dos crimes de massacre da população cometidos pelas tropas estadunidenses que penetraram na região de Sinchon sob o comando de Harrison consiste no assassinato em massa de numerosos civis, incluindo mulheres e crianças pequenas, bem como no fato de os métodos de assassinato empregados terem sido particularmente cruéis e vis.

Todos os fatos das atrocidades cometidas por Harrison, juntamente com os soldados estadunidenses sob seu comando e as forças auxiliares, incluindo os acusados deste processo, que foram confirmados pela investigação preliminar deste caso, comprovam isso.

Conforme o depoimento, em 18 de outubro de 1950, Harrison queimou vivos, em uma vala no pátio diante da sede do Partido do condado de Sinchon, cerca de 900 civis. O acusado Choe Han U, que participou diretamente desse crime bárbaro, declarou o seguinte: "……Nós imediatamente, conforme a ordem de Harrison, obrigamos aqueles cerca de 900 indivíduos a tirar as roupas e os empurramos para dentro da vala. Por ordem de Harrison, os membros da unidade armada jogaram gasolina e atearam fogo. Entre as cerca de 900 pessoas submetidas a essa morte terrível, havia cerca de 300 mulheres e muitas crianças pequenas. Harrison inspecionou minuciosamente o local do massacre e, depois de confirmar que todos haviam morrido dentro da vala, foi embora…" (Registro, volume 1, pp. 72 e 76.) Da mesma forma, o acusado Ho Pil Sun declarou: "……Em 18 de outubro de 1950, participei do massacre de cerca de 900 pessoas no pátio diante da sede do Partido e fuzilei 15 patriotas que escaparam da vala em chamas para tentar sobreviver…" (Registro, volume 1, p. 4.) Os acusados Yun Myong Won e Ri Tu Hyon também participaram diretamente desse crime.

À 1 hora da madrugada de 19 de outubro de 1950, cerca de 320 patriotas e seus familiares foram fuzilados. A respeito desse fato, o acusado Ri Tu Hyon declarou o seguinte:

"…À 1 hora da madrugada de 19 de outubro de 1950, fui mobilizado para uma convocação de emergência. O chefe da polícia Sin Sang Gyu, designado por Harrison, reuniu cerca de 20 membros das unidades armadas diante da sede do Partido do condado e… distribuiu as tarefas aos membros da unidade armada, dizendo: 'A partir de agora, vamos levar para as valas ao redor da sede do condado e fuzilar aqueles que estão confinados no segundo andar da sede'. Eu fiquei encarregado da guarda nas proximidades das valas. Naquela noite, amarramos cerca de 320 pessoas, em grupos de cinco ou seis, levamo-las para as valas, iluminamos o local com os faróis de um automóvel e as fuzilamos…" (Registro, volume 2, pp. 124–125.)

Em 20 de outubro de 1950, cerca de 520 patriotas e seus familiares também foram presos, conduzidos a um abrigo antiaéreo e massacrados mediante sua explosão. A respeito do massacre cometido naquele dia sob as ordens diretas de Harrison, o acusado Ho Pil Sun declarou o seguinte:

"Em 20 de outubro de 1950, depois de Harrison discutir vários métodos para eliminar cerca de 520 patriotas, ele ordenou que esses 'vermelhos' fossem secretamente assassinados à noite no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado. Em cumprimento dessa ordem, os membros da unidade armada conduziram cerca de 520 patriotas e seus familiares para dentro do abrigo antiaéreo, bloquearam a entrada com tábuas de pinheiro e terra, acenderam os pavios de dinamite previamente preparados e explodiram o abrigo. Entre essas cerca de 520 pessoas havia mais de 150 mulheres e muitas crianças. Depois de terminado o massacre, Harrison disse aos membros da unidade armada que haviam feito um bom trabalho e distribuiu um cigarro para cada um…" (Registro, volume 1, pp. 47–48 e 57.) O acusado Choe Han U também prestou um depoimento no mesmo sentido. (Registro, volume 1, p. 73.)

Em 23 de outubro do mesmo ano, também foi perpetrado o massacre de cerca de 330 pessoas. A respeito disso, o acusado Ri Tu Hyon declarou o seguinte:

"…Em 23 de outubro de 1950, o chefe da polícia Sin Sang Gyu transmitiu-nos a ordem de fuzilar cerca de 330 patriotas e seus familiares confinados no segundo andar da sede do Partido. Cerca de 20 membros da unidade armada mobilizados fuzilaram 330 pessoas às 3 horas da tarde do dia 24, na vala diante da sede do Partido. Naquela ocasião, eu estava encarregado da guarda, a cerca de 50 metros da sede do Partido, tendo recebido a ordem de fuzilar aqueles que escapassem…" (Registro, volume 2, p. 125.)

Os fatos acima demonstram a situação em que, durante vários dias após a invasão das tropas estadunidenses na região de Sinchon, os patriotas coreanos e seus familiares inocentes foram assassinados em massa praticamente todos os dias. Naturalmente, porém, esses massacres da população civil continuaram incessantemente depois disso.

O acusado Ho Pil Sun participou, por ordem de Harrison, dos crimes de conduzir e fuzilar cerca de 1.640 pessoas em reservatórios e valas nas montanhas dos cantões de Yongmun e Nambu, no condado de Sinchon, durante o período entre o final de outubro e o final de novembro de 1950, tendo prestado um depoimento detalhado a esse respeito. (Depoimento do referido acusado, registro, volume 1, pp. 42–43.)

Harrison percorreu diversas localidades do condado de Sinchon, dirigindo e incentivando os massacres da população civil. O acusado Ho Pil Sun também declarou o seguinte:

"……Durante os meses de outubro e novembro de 1950, participei, em duas ocasiões, de inspeções em vários cantões junto com Harrison, em seu jipe. Nesses vários cantões, Harrison inspecionou cerca de 1.100 pessoas detidas e explicou aos policiais, aos membros das unidades de segurança e de outras organizações reacionárias os métodos para massacrar especialmente os 'vermelhos', dando pessoalmente um 'exemplo' por meio de suas próprias ações. Além disso, durante esse período de inspeção, por ordem direta de Harrison e sob sua participação e comando, no início de novembro participei do fuzilamento de 15 patriotas e seus familiares às margens do rio, diante da fonte termal de Samchon, no cantão de Kunghung." (Registro, volume 1, pp. 10 e 100.)

Quando, devido ao avanço do heroico Exército Popular da Coreia e das unidades do Corpo de Voluntários do Povo Chinês, as tropas invasoras imperialistas estadunidenses foram obrigadas a recuar da parte norte da República, os inimigos, antes de sua retirada, tornaram-se ainda mais frenéticos e massacraram numerosos coreanos pelos métodos mais vis.

Pouco antes de as tropas invasoras imperialistas estadunidenses recuarem do condado de Sinchon, Harrison tentou deslocar à força os habitantes do condado para sua própria zona de ocupação, a fim de enfraquecer as forças do povo coreano. A respeito disso, o acusado Ho Pil Sun declarou o seguinte:

"Participei de uma reunião realizada no gabinete do chefe da polícia em 3 de dezembro de 1950. A reunião foi dirigida pessoalmente por Harrison. Naquela ocasião, Harrison sacou a pistola que carregava consigo, apertou o cabo com a mão e bateu várias vezes com ela sobre a mesa do chefe da polícia, dizendo: 'Nós vamos recuar do condado de Sinchon. Mas isso não significa uma retirada prolongada. Vocês deverão matar todos os comunistas sem deixar sequer um deles e, ao mesmo tempo, prender e fuzilar aqueles que falam abertamente e aqueles que têm a cabeça raspada.' Harrison continuou: 'Se os comunistas entrarem aqui, surgirão novos sucessores do comunismo. Para destruir o comunismo, não devemos deixar sequer um habitante neste condado, mas expulsá-los para o sul. Para expulsá-los para o sul, anunciem que, depois que as tropas estadunidenses recuarem, lançarão uma bomba atômica sobre Sinchon…"

Juntamente com 17 membros da unidade armada, percorri minuciosamente todo o condado, empenhando-me muito para expulsar à força os habitantes locais para o sul por meio da propaganda acima mencionada." (Registro, volume 1, pp. 12–13 e 53.)

Enquanto empregava meios tão vis e essas ameaças, Harrison prendeu em massa os habitantes que não se submetiam a elas e, posteriormente, massacrou cruelmente mais de 910 pessoas.

A respeito das circunstâncias do massacre naquele dia, a testemunha O Tae Sin, que participou do massacre como membro da unidade armada, declarou o seguinte:

"Em 7 de dezembro de 1950, cerca de 910 pessoas foram vítimas do massacre perpetrado em dois armazéns na região de Wonam-ri, condado de Sinchon, entre elas mais de 200 crianças pequenas que haviam sido separadas de suas mães.

Os membros da unidade armada colocaram palha de painço sobre as cabeças das pessoas confinadas, jogaram gasolina e atearam fogo.

Enquanto o fogo cercava os armazéns, os membros da unidade armada lançaram primeiro granadas dentro dos armazéns em chamas.

Ainda hoje não consigo esquecer o choro e os gritos das crianças, nem o fato de dezenas de patriotas terem gritado 'Viva a República Popular Democrática da Coreia!' e depois cantado a canção do general Kim." (Registro, volume 1, pp. 124–126 e 134.)

Além disso, os depoimentos das testemunhas Kim Sun Mo, Jong Sin Bok e Jong Kun Song, que haviam sido confinadas nesses armazéns da morte e conseguiram escapar com vida, também demonstram o aspecto terrível desse crime. (Registro, volume 2, pp. 2–3 e 5–7.)

Durante o período de menos de dois meses em que as tropas invasoras imperialistas estadunidenses ocuparam o condado de Sinchon, o número de civis massacrados sob o comando de Harrison chegou, assim, a 35.383, entre os quais estavam 16.234 mulheres, conforme confirmado pelos depoimentos das testemunhas com base em dados oficiais. (Registro, volume 2, p. 29.)

Como já mencionado acima, os massacres da população pacífica pelas tropas invasoras imperialistas estadunidenses caracterizavam-se não apenas por sua dimensão, mas também pela crueldade dos métodos empregados.

Esses inimigos, depois de submeterem suas vítimas a torturas cruéis, aplicavam-lhes todos os tipos de métodos bárbaros, como enterrá-las vivas, enforcá-las, queimá-las, pregar-lhes pregos na cabeça e até assassiná-las depois de submetê-las a atos de violência sexual indescritivelmente obscenos contra os corpos das mulheres, aplicando tais métodos aos patriotas coreanos e seus familiares.

A testemunha Ri Buk Bae, residente em Onbong-ri, cantão de Onchon, condado de Sinchon, declarou o seguinte:

"…Por volta de meados de novembro de 1950, os membros armados torturaram o ancião Yu Hung Bom, pai do camponês entusiasta Yu In Jun, de nossa aldeia, queimando uma barra de ferro e encostando-a por todo o seu corpo. Depois, levaram-no para a montanha atrás da aldeia e o mataram, perfurando-o com uma picareta. Da mesma forma, eles enterraram vivos aqui muitas mulheres donas de casa e crianças pequenas.

Antes da ocupação do inimigo, 878 habitantes viviam em Unbong-ri, cantão de Onchon. Quando os imperialistas estadunidenses ocuparam esta região, cerca de 580 habitantes foram cruelmente massacrados pelas mãos dos inimigos. Entre os massacrados havia mais de 80 idosos, cerca de 100 crianças pequenas e mais de 310 mulheres.

Numerosas pessoas foram levadas ao local do massacre pelos imperialistas estadunidenses e pelos traidores da camarilha de Ri Sung Man, sob o pretexto de serem familiares de soldados do Exército Popular ou de membros do Partido do Trabalho. Como meu marido servia no Exército Popular, toda a nossa família, composta por dez pessoas, foi massacrada. Em particular, meus filhos pequenos foram enterrados vivos, e meu irmão mais novo foi morto depois que lhe fincaram uma estaca nos órgãos genitais……" (Registro, volume 1, pp. 137-140)

A testemunha Pak Sol Hwa, residente em Kyongji-ri, condado de Sinchon, declarou o seguinte.

"……Os canalhas prenderam Song In Su, presidente do Comitê Popular de nossa aldeia, fincaram pregos em seu crânio e o mataram. Além disso, a dona de casa Kim In Ae, carregando uma criança nas costas, foi enterrada viva." (Registro, volume 2, pp. 21–22)

A testemunha U Mal Je, residente em Wolsan-ri, cantão de Chori, condado de Sinchon, testemunhou detalhadamente sobre como seu marido e seus familiares foram submetidos a terríveis atrocidades pelas tropas estadunidense.

"Quando os soldados estadunidenses invadiram nossa aldeia, meu marido foi preso por ser um camponês entusiasta. Eles perfuraram suas mãos, orelhas e nariz com fios de ferro, pregaram na parede, com pregos, o certificado de condecoração que meu marido havia recebido como camponês exemplar e, depois de submetê-lo a cruéis torturas, o assassinaram.

Nesse momento, minha nora viu seu sogro sendo torturado e tentou impedi-los. Os soldados estadunidenses agarraram minha nora, que não tinha culpa alguma, pelos cabelos, despiram-na e cometeram contra seu corpo toda sorte de violência indescritível. Amarraram seus braços e pernas a um castanheiro no sopé de uma montanha próxima à aldeia, jogaram gasolina sobre ela, atearam fogo e a assassinaram. Como se isso ainda não lhes bastasse, fuzilaram imediatamente, todos de uma vez, até mesmo meus filhos que ainda mamavam……" (Registro, volume 2, pp. 84–85)

A testemunha Kim Hyon Chun, estudante universitária, declarou o seguinte sobre outro caso de massacre cruel:

"……Os inimigos exterminaram toda a minha família, de 13 pessoas, sob a alegação de que meu pai era um camponês de alta produtividade. Entre elas, meu irmão mais novo, Kim Jae Sun, de 13 anos, teve os dois olhos arrancados e foi enterrado vivo.

Em particular, Ri Myong Jo, chefe da organização da União das Crianças da Escola Secundária Yochon do cantão de Ongjin teve as mãos amarradas atrás das costas e foi deitado no chão; depois, colocaram uma estaca transversalmente sobre seu pescoço e o esmagaram pisando sobre ela de ambos os lados." (Registro, volume 2, pp. 118–119.)

Harrison, os soldados estadunidenses sob seu comando e os acusados deste processo, ao cometerem esses atos de massacre, também empregaram meios pérfidos e astuciosos para evitar a responsabilidade por seus crimes terríveis e, ao contrário, atribuí-la ao povo coreano.

O acusado Ho Pil Sun declarou o seguinte:

"……Em 20 de outubro de 1950, durante uma reunião preparatória para o massacre de cerca de 520 patriotas, membros do Partido do Trabalho e seus familiares no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon, Harrison nos ordenou que, antes de massacrar os comunistas presos e detidos, tirássemos todas as suas roupas e os conduzíssemos para o abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado. Ele disse que isso era para que as famílias das pessoas massacradas não pudessem encontrar os cadáveres e, assim, fosse possível atribuir a responsabilidade aos comunistas, alegando que eles haviam cometido o ato durante sua retirada……" (Registro, volume 1, p. 47.)

Ao perpetrar esses massacres da população, também foi característica das tropas estadunidenses a sua tentativa frenética de encobrir suas atrocidades desumanas sob um manto religioso. As tropas estadunidenses estabeleceram, no interior de suas próprias unidades de massacre, uma unidade especial composta por pastores e padres, à qual deram o nome de "chaplain". Assim, essa unidade especial não apenas propagandeava o anticomunismo e a veneração pelos Estados Unidos, como também organizava e executava diretamente os crimes de massacre contra a população civil. (Depoimento da testemunha Kim Han U, registro, volume 2, p. 15.)

Harrison e as tropas estadunidenses não apenas massacraram civis no condado de Sinchon, como também transferiram à força para as regiões meridionais da República numerosos patriotas dentre os que haviam sido presos e detidos.

O acusado Ho Pil Sun declarou o seguinte a esse respeito:

"……Em meados de novembro de 1950, conduzimos do cantão de Munhwa para a Delegacia de Polícia de Sinchon cerca de 490 patriotas e seus familiares. Depois de comunicarmos isso a Harrison por intermédio do chefe da polícia, ele imediatamente ordenou aos seus soldados que conduzissem os detidos para Seul em caminhões de carga das forças da ONU. Os membros da unidade armada foram mobilizados para garantir adequadamente a escolta dos estadunidenses……" (Registro, volume 1, p. 99.)

O seguinte depoimento da testemunha Kim Man Sok também confirma esse fato:

"……Em meados de novembro de 1950, os estadunidenses conduziram à força para o sul, em dezenas de caminhões de carga das forças da ONU, cerca de 490 patriotas e seus familiares que estavam na Delegacia de Polícia de Sinchon.……" (Registro, volume 1, p. 157.)

Além dos massacres de caráter brutal, os estadunidenses também perpetraram impunemente estupros e outros atos de violência sexual contra mulheres. Em 3 de dezembro de 1950, dois soldados estadunidenses retiraram à força do grupo de mulheres confinadas em um armazém na região de Wonam-ri, condado de Sinchon, duas jovens, entre elas a professora da escola secundária feminina Mun Ae Bin, violentaram-nas e as fuzilaram no próprio local. (Depoimento do acusado He Pil Sun, registro, volume 1, p. 36.)

Além disso, as tropas estadunidenses sequestraram mulheres à força em Onchon-ri, cantão de Onchon, e estabeleceram ali um local de "entretenimento". Nesse lugar, os soldados estadunidenses violentaram numerosas mulheres e as fuzilaram brutalmente. (Depoimentos das testemunhas O Su Bok e Kim Man Sok, registro, volume 1, pp. 105 e 153.)

Harrison, as tropas estadunidenses sob seu comando e os acusados deste processo também saquearam violentamente os bens dos cidadãos coreanos.

O acusado Choe Han U, reconhecendo esses fatos, declarou o seguinte:

"…Os soldados estadunidenses empregaram todos os meios possíveis para saquear os bens dos habitantes pacíficos. No início de novembro de 1950, três soldados estadunidenses invadiram a relojoaria de Jo In, situada em Ujong-ri, condado de Sinchon, e, mediante ameaças, saquearam mais de 30 relógios. No início de novembro de 1950, cinco soldados estadunidenses invadiram a loja de Ri Ji Baek, residente em Ujong-ri, e saquearam grande quantidade de mercadorias. Em 18 de novembro de 1950, por ordem dos soldados estadunidenses, nós invadimos as casas de Kim Chang Sop e do comerciante Jang Chi Su, residentes em Chokso-ri, condado de Sinchon, e saqueamos dez bois e seis sacos de arroz, entregando-os aos soldados estadunidenses." (Registro, volume 1, pp. 25 e 36.)

Assim, somente o gado saqueado pelas tropas estadunidenses no condado de Sinchon durante o período de sua ocupação temporária chegou a cerca de 1.320 bois, 28 cavalos, 2.610 porcos e mais de 5.630 galinhas, conforme confirmado pelos depoimentos das testemunhas com base em uma investigação oficial. (Registro, volume 2, p. 31.)

Mesmo depois de serem expulsas das regiões da parte norte da República que haviam ocupado temporariamente, as tropas estadunidenses continuaram utilizando seus antigos auxiliares para atividades de destruição e espionagem. Os acusados Ho Pil Sun e outros, Choe Han U e outros e Yun Myong Won recuaram do condado de Sinchon acompanhando os invasores imperialistas estadunidenses e, posteriormente, receberam deles a missão de realizar atividades de espionagem. Por volta do final de janeiro de 1951, infiltraram-se novamente no condado e foram presos enquanto coletavam informações sobre segredos militares e estatais da República.

(Registro, volume 1, p. 101 e pp. 31–32; volume 2, p. 101.)

Assim, ficou demonstrado que as forças invasoras imperialistas estadunidenses cometeram numerosos crimes desumanos e bárbaros, dos quais não poderiam de modo algum escapar da mais grave responsabilidade, onde quer que e quando quer que os tenham cometido, e que os crimes perpetrados por Harrison e seu grupo criminoso, incluindo os acusados deste processo, constituíam apenas uma parte dos crimes gerais cometidos pelas tropas estadunidenses na Coreia.

Passando agora a indicar individualmente as acusações contra cada um dos acusados deste processo:

Ho Pil Sun, depois de abandonar o segundo ano do ensino secundário superior e permanecer sem ocupação, quando as tropas estadunidenses ocuparam temporariamente o condado de Sinchon, ingressou na unidade policial organizada por Harrison com o massacre da população como principal objetivo, atuando como comandante da unidade de estudantes, e:

a) em 18 de outubro de 1950, atuou como executor direto no massacre de mais de 900 habitantes pacíficos na vala diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon (Registro, volume 1, p. 49);

b) em 20 de outubro do mesmo ano, participou diretamente do massacre de mais de 520 patriotas no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon (Registro, volume 1, p. 49);

c) entre o final de outubro e o final de novembro de 1950, participou diretamente do massacre de mais de 1.640 patriotas e seus familiares nos cantões de Nambu e Yongmun, no condado de Sinchon (Registro, volume 1, pp. 42–43);

d) em 7 de dezembro do mesmo ano, executou diretamente o massacre de mais de 910 habitantes pacíficos em dois armazéns situados em Wonam-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon (Registro, volume 1, pp. 54–55);

e) no início de dezembro do mesmo ano, fugiu após o avanço do Exército Popular e, no condado de Pyoksong, nas proximidades de Haeju, recebeu dos estadunidenses a missão de investigar segredos militares do Exército Popular, infiltrando-se no condado de Sinchon e coletando informações. (Registro, volume 1, p. 16.)

Choe Han U, que vivia trabalhando como vendedor ambulante, quando as tropas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon, foi designado para atuar como agente da unidade de investigação da unidade policial organizada pelo oficial estadunidense Harrison com o massacre da população como principal objetivo, e:

a) em 18 de outubro de 1950, participou diretamente do massacre de mais de 900 civis na vala diante da sede do Partido do Trabalho do condado Sinchon (Registro, volume 1, p. 69);

b) em 20 de outubro do mesmo ano, participou diretamente do massacre de mais de 520 patriotas no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon (Registro, volume 1, p. 70);

c) em 7 de dezembro do mesmo ano, participou diretamente do massacre de mais de 910 patriotas no armazém situado em Wonam-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon (Registro, volume 1, p. 70);

d) em meados de dezembro do mesmo ano, fugiu após o avanço do Exército Popular e, em Paekyon, nas proximidades de Haeju, recebeu dos estadunidenses a missão de investigar segredos militares do Exército Popular, infiltrando-se no condado de Sinchon e coletando informações. (Registro, volume 1, p. 66.)

Ri Tu Hyon, depois de abandonar o segundo ano da Escola Secundária de Sinchon e passar a viver sem ocupação determinada, quando as tropas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon, ingressou na unidade armada organizada pelo oficial estadunidense Harrison com o massacre da população como principal objetivo, e:

a) em 18 de outubro de 1950, participou diretamente do massacre de mais de 900 habitantes pacíficos na vala no pátio diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon (Registro, volume 2, pp. 123–124);

b) em 19 de outubro do mesmo ano, participou diretamente do massacre de mais de 310 patriotas e seus familiares na vala no pátio diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon (Registro, volume 2, p. 124);

c) em 23 de outubro do mesmo ano, participou diretamente do massacre de mais de 330 habitantes pacíficos na trincheira diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon. (Registro, volume 2, p. 125.)

Yun Myong Won, sendo cristão, quando as tropas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon, ingressou na unidade policial organizada por Harrison com o massacre da população como principal objetivo, e:

a) em 18 de outubro de 1950, participou diretamente do massacre de mais de 900 habitantes pacíficos na vala no pátio diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon (Registro, volume 2, pp. 99–100);

b) em 7 de dezembro do mesmo ano, participou diretamente do massacre de mais de 910 habitantes pacíficos no armazém situado em Wonam-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon (Registro, volume 2, p. 100);

c) em meados de dezembro do mesmo ano, fugiu após o avanço do Exército Popular e, em Sunui, condado de Jangyon, recebeu dos estadunidenses a missão de investigar segredos militares do Exército Popular, infiltrando-se no condado de Sinchon e coletando informações.

(Registro, volume 2, p. 101.)

Os quatro acusados deste processo não apenas reconheceram integralmente seus próprios atos criminosos, como também foram reconhecidos como culpados dos fatos criminosos acima mencionados pelos depoimentos de numerosas testemunhas.

Com base no exposto,

1. Ho Pil Sun, nascido em 6 de junho de 1932
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: sem ocupação

2. Choe Han U, nascido em 1º de setembro de 1921
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: vendedor ambulante

3. Ri Tu Hyon, nascido em 6 de junho de 1931
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: sem ocupação

4. Yun Myong Won, nascido em 6 de agosto de 1932
   Endereço: Sajik-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: eletricista

Os acusados acima, durante o período em que as tropas agressoras imperialistas estadunidenses ocuparam temporariamente o condado de Sinchon, província de Hwanghae, de 17 de outubro a 7 de dezembro de 1950, colaboraram com o inimigo, traíram a pátria e massacraram numerosos patriotas e habitantes inocentes no referido condado pelos meios mais cruéis, atos que correspondem ao crime previsto no Artigo 1 do Decreto de 17 de abril de 1951 do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia. Além disso, os acusados Ho Pil  Sun, Choe Han U e Yun Myong Won ingressaram nos serviços de inteligência militar estadunidenses e, por volta do final de janeiro de 1951, infiltraram-se no condado de Sinchon, onde estavam investigando e coletando segredos militares e estatais da República, ato que corresponde ao crime previsto no Artigo 71 do Código Penal da República Popular Democrática da Coreia.

Este processo está sujeito à apreciação do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, de acordo com o Artigo 25 da Lei de Processo Penal.

11 de maio de 1952

República Popular Democrática da Coreia
Procurador-Geral da Procuradoria-Suprema
Jang Hae U

PROCESSO JUDICIAL

Materiais do processo judicial contra os traidores acusados de terem participado diretamente do massacre perpetrado pelos assassinos imperialistas estadunidenses no condado de Sinchon.

Tribunal Especial da Cidade Especial de Pyongyang
25 a 29 de maio de 1952

A Seção Penal do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, tendo como presidente do tribunal o juiz Pak Kyong Ho, como jurados Ri Hong Ryol e Kim Mun Sok, com o secretário Kim Yong Ju presente, realizou um julgamento público, com a participação do procurador An Pyong Jin, dos acusadores sociais Ju Hwang Sop e Sin Song Sun e dos advogados Ji Yong Dae, Hyon Chang Hyong e Kim Han Jun, e examinou o processo contra os acusados Ho Pil Sun, Choe Han U e Yun Myong Won, indiciados pelos crimes correspondentes ao artigo 1 do Decreto do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, de 17 de abril de 1951, e ao artigo 71 do Código Penal, e contra o acusado Ri Tu Hyon, indiciado por um crime correspondente ao artigo 1 do Decreto de Tempo de Guerra.

Julgamento de 25 de maio

Às 10 horas da manhã de 25 de maio, o presidente do tribunal declarou aberta a sessão.

Depois de o presidente do tribunal verificar se os acusados presentes eram de fato as pessoas correspondentes aos seus nomes, eles responderam respectivamente da seguinte maneira.

1. Ho Pil Sun, nascido em 6 de junho de 1932
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: sem ocupação

2. Choe Han U, nascido em 1º de setembro de 1921
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: vendedor ambulante

3. Ri Tu Hyon, nascido em 6 de junho de 1931
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: sem ocupação

4. Yun Myong Won, nascido em 6 de agosto de 1932
   Endereço: Sajik-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: eletricista

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se haviam recebido cópias da acusação e dos demais documentos, ao que os acusados responderam, cada um, que as haviam recebido.

O presidente do tribunal comunicou aos acusados os seus direitos.

Depois de verificar a identidade dos participantes do processo, o presidente do tribunal perguntou:

O procurador declarou ser An Pyong Jin, procurador da Procuradoria Suprema.

O acusador público declarou ser Ju Hwang Sop, representante da Frente Democrática para a Reunificação da Pátria da República Popular Democrática da Coreia.

O acusador público declarou ser Sin Song Sun, representante do condado de Sinchon.

Como advogado de defesa, foi designado como advogado público Ji Yong Dae para o acusado Ho Pil Sun;

como advogado público dos acusados Ri Tu Hyon e Yun Myong Won, Hyon Chang Hyong;

e como advogado público do acusado Choe Han U, Kim Han Jun.

O presidente do tribunal comunicou a composição do tribunal e a identidade do secretário.

O presidente do tribunal perguntou ao procurador, aos advogados e aos acusados se havia algum pedido de recusa contra a composição do tribunal e o secretário presente, ao que o procurador, os advogados e os acusados responderam, cada um, que não havia.

O presidente do tribunal perguntou aos advogados e aos acusados se havia algum pedido de recusa contra o procurador, ao que os advogados e os acusados responderam, cada um, que não havia.

O presidente do tribunal verificou com o secretário presente se todas as testemunhas convocadas haviam comparecido. O secretário presente informou que, entre as testemunhas convocadas, apenas Ri Buk Bae e Kang Hyong Do ainda não haviam chegado e que todas as demais testemunhas haviam comparecido.

O presidente do tribunal perguntou aos participantes do processo se havia algum pedido para convocar novas testemunhas ou apresentar novas provas. O procurador, os advogados e os acusados responderam que não havia, enquanto o acusador público Sin Song Sun solicitou que fossem admitidas como testemunhas presenciais sete pessoas — Ri Man Sik, Kim Sun Mo, Jon Kyong Ae, Ri Un Hwa, Kang Hyong Do, Kim Son Nyo e Kim Hye Suk — capazes de comprovar claramente a verdade dos crimes cometidos pelos imperialistas estadunidenses no massacre perpetrado no condado de Sinchon e os crimes dos presentes acusados.

Depois de consultar os membros do tribunal, o presidente comunicou que havia decidido admitir todas as testemunhas solicitadas pelo acusador público Sin Song Sun.

O presidente do tribunal ordenou que fossem chamadas todas as testemunhas e, depois de verificar os nomes, datas de nascimento, endereços, profissões e relações com os acusados das 17 testemunhas — U Yong Jin, O Su Bok, Kim Sun Mo, O Tae Sin, Choe Kwang Hui, Pae Myon Sok, Kim Hyon Chun, Kim Man Sik, Kim Sun Ho, Jon Kyong Ae, Ri Un Hwa, Kim Son Nyo, U Mal Jae, Kim Hye Suk, Kim Man Sok, Pak Sol Hwa e Kim Han U — esclareceu-lhes seus deveres durante o processo e advertiu que, caso se recusassem a prestar depoimento ou prestassem deliberadamente declarações falsas, estariam sujeitos à responsabilidade criminal prevista nos artigos 239 e 241 do Código Penal da República Popular Democrática da Coreia.

O presidente do tribunal ordenou ao secretário que recolhesse os juramentos das testemunhas e, em seguida, fez com que todas as testemunhas se retirassem para uma sala separada.

O presidente do tribunal comunicou aos acusados que, durante o processo, tinham o direito de fazer perguntas às testemunhas ou aos demais acusados e de esclarecer questões relacionadas ao caso.

O presidente do tribunal declarou um intervalo de 15 minutos e deixou a sala às 11 horas e 10 minutos.

O julgamento foi retomado às 11 horas e 25 minutos.

O presidente do tribunal ordenou ao secretário presente que lesse a acusação.

Depois que o secretário presente terminou de ler a acusação, o presidente do tribunal perguntou aos acusados se reconheciam o conteúdo da acusação, ao que os acusados responderam, cada um, que o reconheciam.

O presidente do tribunal verificou com os acusados as datas de sua detenção.

Os acusados Ho Pil Sun e Choe Han U responderam que haviam sido detidos em 20 de janeiro de 1952, enquanto os acusados Ri Tu Hyon e Yun Myong Won responderam, respectivamente, que haviam sido detidos em 30 de março de 1952.

O presidente do tribunal perguntou aos participantes do processo suas opiniões sobre a ordem do exame do caso.

O procurador propôs que os acusados Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon e Yun Myong Won fossem interrogados nessa ordem, e que as testemunhas Kim Man Sok, Pak Sol Hwa, U Mal Jae, Kim Son Nyo, Ri Man Sik, Jon Kyong Ae, Kang Hyong Do e O Su Bok fossem interrogadas nessa ordem, ficando as demais testemunhas sujeitas à ordem que o tribunal julgasse conveniente.

O advogado Ji Yong Dae declarou que, por parte da defesa, concordava com a proposta do procurador quanto à ordem do interrogatório dos acusados, mas propôs que as testemunhas U Yong Jin, Kim Hyon Chun, Kim Man Sok e Kim Sun Mo fossem interrogadas nessa ordem, ficando as demais testemunhas sujeitas à ordem que o tribunal julgasse conveniente.

Depois de deliberar no local, o tribunal anunciou que havia decidido interrogar os acusados Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon e Yun Myong Won nessa ordem, e interrogar as testemunhas Kim Man Sok, Pak Sol Hwa, U Mal Jae, Kim Son Nyo e Jon Kyong Ae nessa ordem, ficando as demais testemunhas sujeitas ao interrogatório conforme a necessidade do tribunal.

O presidente do tribunal declarou que seria iniciado o exame dos fatos relativos aos acusados.

Interrogatório do acusado Ho Pil Sun

Presidente do tribunal — Fale brevemente sobre sua trajetória.

Acusado Ho Pil Sun — Frequentei a Escola Popular de Sinchon e a Escola Secundária Básica de Sinchon, depois frequentei a Escola Secundária Superior de Sinchon, da qual fui expulso, e permaneci desempregado até o momento em que cometi os crimes.

Pergunta — Por que motivo foi expulso da escola?

Resposta — Fui expulso porque habitualmente negligenciava os estudos, fugia das reuniões, levava uma vida dissoluta sob o efeito da bebida e praticava atos de má conduta, como roubar mercadorias das lojas de outras pessoas.

Pergunta — Diga concretamente a data em que as tropas estadunidenses entraram no condado de Sinchon e os crimes que o acusado cometeu depois disso.

Resposta — As tropas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon em 17 de outubro de 1950. No dia seguinte, 18 de outubro, o tenente estadunidense Harrison, comandante das tropas estadunidenses estacionadas no condado de Sinchon, reuniu pró-japoneses, traidores da nação e todo tipo de marginais e começou a organizar no condado de Sinchon as chamadas unidades policiais, unidades de segurança, unidades de estudantes armados e outras organizações reacionárias. Naquele mesmo dia, fui nomeado comandante da unidade policial e da unidade de estudantes armados do condado de Sinchon, organizada por Harrison. Naquela ocasião, o tenente estadunidense Harrison nos ordenou: "Minha ordem é a própria lei. Quem a violar será fuzilado sem exceção. Para 'salvar a Coreia do Norte da ameaça comunista', é preciso exterminar completamente a corja comunista. Para isso, prendam todos os membros do Partido do Trabalho e funcionários dos órgãos estatais, bem como suas famílias."

Assim, seguindo essa ordem, imediatamente começamos a prender funcionários públicos, camponeses engajados, patriotas e suas famílias que trabalhavam no Partido do Trabalho e nos órgãos estatais. Prendemos mais de 900 homens, mulheres, idosos e jovens, confinando-os no segundo andar do comitê do condado de Sinchon. Depois de tirar completamente suas roupas e amarrá-los de quatro ou cinco pessoas por vez, conduzimo-los novamente para junto do abrigo antiaéreo que já havia sido escavado diante do comitê do condado. Sob o comando direto do tenente estadunidense Harrison no local, nós ficamos de guarda do lado de fora, enquanto os soldados estadunidenses derramaram gasolina sobre os corpos das pessoas e atearam fogo.

As pessoas que estavam dentro do abrigo soltavam gritos e clamores terríveis, e algumas chegaram a abrir caminho pelas chamas e sair rastejando. Nós, que fazíamos a guarda do lado de fora, seguindo as instruções de Harrison, junto com os soldados estadunidenses, chutávamos as pessoas que saíam rastejando do abrigo e as empurrávamos novamente para dentro do fogo, além de atirar nelas e matá-las. Enquanto ainda se ouviam gritos vindos do interior do abrigo, Harrison ordenou que a entrada do abrigo fosse coberta com terra. Assim, as pessoas que ainda não haviam morrido no interior foram enterradas vivas.

O tenente estadunidense Harrison fotografou, uma a uma, com a câmera que carregava consigo, as cenas cruéis e miseráveis em que os patriotas eram massacrados naquele abrigo e, depois de dizer "OK", foi embora.

No dia 20 do mesmo mês, por ordem do tenente estadunidense Harrison, cerca de 20 dos chamados oficiais, subordinados ao chamado chefe da polícia do condado de Sinchon, Sin Sang Gyu, reuniram-se na sala de Sin Sang Gyu e, sob a orientação direta de Harrison, discutiram como tratar os membros do Partido do Trabalho, personalidades democráticas e suas famílias que já haviam sido presos.

Nessa reunião, foram discutidos vários métodos para massacrá-los, mas Harrison concluiu: "Se os levarmos em automóveis e os matarmos, os cidadãos poderão ver. Isso pode exercer uma influência negativa sobre os cidadãos. Portanto, se os colocarmos dentro do abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna e os matarmos, ninguém saberá do ocorrido. Mesmo que seus cadáveres apareçam posteriormente, poderemos dizer que foram os 'comunistas' que os massacraram." Assim, ordenou que tirassem completamente suas roupas, os colocassem no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna e os matassem.

Por volta das 5 horas da tarde daquele dia, eu e Sin Sang Gyu, comandando cerca de 20 membros armados, sob a orientação direta de Harrison, colocamos mais de 520 patriotas e seus familiares dentro do abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon e os massacramos. Como método de massacre, tiramos completamente suas roupas, amarramos cada pessoa individualmente e as colocamos de pé dentro do abrigo. Depois, fechamos completamente as duas entradas com tábuas de pinheiro e cobrimos novamente tudo com terra, fazendo com que morressem asfixiadas. Em seguida, soldados estadunidenses atearam fogo aos pavios de duas cargas de dinamite previamente instaladas de acordo com o plano do massacre, fazendo-as explodir e matando-os.

A ordem de Harrison para tirar completamente as roupas das vítimas tinha como objetivo impedir que, caso os cadáveres fossem descobertos posteriormente, fosse possível determinar a quem pertenciam, para que a responsabilidade pelo massacre pudesse ser atribuída aos "comunistas".

Depois que o massacre terminou, Harrison nos deu um cigarro a cada um, dizendo que havíamos trabalhado duro.

Depois disso, sob o comando direto do tenente estadunidense Harrison, acompanhado de membros das unidades de massacre armadas e juntamente com soldados estadunidenses, entre o final de outubro e o final de novembro daquele mesmo ano, transportamos mais de 1.640 funcionários democráticos, membros do Partido do Trabalho e seus familiares que haviam sido presos, em mais de 30 ocasiões, colocando de 30 a 50 pessoas de cada vez em cerca de 40 caminhões militares estadunidenses e conduzindo-os para reservatórios ou valas nos cantões de Yongmun e Nambu, no condado de Sinchon, onde os colocávamos e os matávamos.

O que tenho a dizer em seguida é que, por volta do final de novembro daquele ano, junto com Harrison, percorri os postos administrativos de cada cantão do condado de Sinchon em um jipe, realizando investigações sobre os patriotas já presos e, ao mesmo tempo, incentivando a prisão e o massacre em larga escala dos patriotas que ainda não haviam sido presos. Durante esse processo, juntamente com soldados estadunidenses, fuzilamos 18 patriotas em Onchon. Naquela ocasião, Harrison sacou sua pistola e demonstrou pessoalmente o método de massacre como exemplo.

Por volta de 3 de dezembro daquele ano, Harrison convocou o chamado chefe da polícia do condado de Sinchon, os chefes de cada seção e os chefes dos postos administrativos de cada cantão e informou que, devido ao avanço em grande escala do exército comunista norte-coreano com a cooperação das tropas chinesas, as tropas estadunidenses seriam obrigadas a recuar temporariamente. Ao mesmo tempo, ordenou que os membros do Partido do Trabalho, funcionários democráticos e suas famílias que já haviam sido presos e detidos fossem rapidamente massacrados, e ordenou também que não deixassem ninguém que estivesse usando um saco, devendo prender e matar todos. Além disso, declarou que, depois da retirada das tropas estadunidenses, seriam utilizadas bombas atômicas para exterminar as tropas chinesas e o exército comunista norte-coreano, e ordenou que se fizesse propaganda nesse sentido para obrigar todos os moradores a se deslocarem para o sul.

Depois de receber tais ordens de Harrison, mobilizei os membros da unidade de estudantes armados para forçar os moradores a se deslocarem para o sul. Por volta de 7 de dezembro daquele mesmo ano, sob o comando e supervisão direta das tropas estadunidenses, acompanhado por mais de dez membros armados, entre eles Jang Ung Chan e Ri Won Tong, fui juntamente com as tropas estadunidenses a Wonam-ri e ateamos fogo aos dois depósitos de explosivos existentes naquele local, massacrando mais de 910 patriotas, entre os quais havia cerca de 200 crianças pequenas.

Para massacrá-los, primeiro tiramos completamente suas roupas e os confinamos separadamente: as crianças pequenas no depósito do sul e os homens e mulheres adultos no depósito do norte. Durante três dias, não lhes demos sequer um gole de água, deixando-os passar fome até morrerem. Quando os queimamos vivos, enquanto os gritos e clamores desesperados de "Salvem as pessoas!" ecoavam de maneira horrível dos depósitos envoltos em chamas que se erguiam até o céu, os soldados estadunidenses lançaram muitas granadas para dentro deles. Os membros armados que levei comigo também lançaram cerca de 80 granadas, e eu próprio lancei 15 granadas e disparei meu fuzil para matar aqueles que ainda não haviam morrido completamente.

Depois de terminar o massacre dessas pessoas, no dia seguinte, dia 8, por volta das 7 horas da noite, fugi até Haeju e, posteriormente, fugi novamente na direção de Jangyon.

Depois disso, seguindo continuamente as tropas estadunidenses em retirada, fui até Sunwi, na costa oeste, onde recebi uma ordem da organização de espionagem estadunidense e, por volta do final de janeiro de 1951, infiltrei-me no condado de Sinchon para obter informações sobre segredos militares e segredos de Estado da República.

Depois de receber uma ordem da organização de espionagem estadunidense, por volta do final de janeiro de 1951, infiltrei-me no condado de Sinchon para obter informações sobre segredos militares e segredos de Estado da República.

Depois que o acusado Ho Pil Sun terminou seu depoimento, o presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogá-lo.

O procurador An Pyong Jin informou que interrogaria o acusado Hyon Pil Sun e procedeu da seguinte maneira.

Procurador An Pyong Jin — Quantos soldados estadunidenses encontravam-se em Sinchon em 19 de outubro de 1950?

Acusado Ho Pil Sun — Havia cerca de 50.

Pergunta — Que tipo de pessoas eram, em sua maioria, aquelas que acolheram a entrada das tropas estadunidenses no condado de Sinchon naquela época?

Resposta — Aqueles que acolheram a entrada das tropas estadunidenses naquela época eram principalmente desertores do Exército Popular, pessoas expulsas do partido por atos de corrupção, pessoas destituídas de cargos públicos e outros marginais que, devido à sua má conduta habitual, eram odiados pelo povo em geral.

Entre as figuras representativas estavam Sin Sang Gyu, Jang Kyong, Jong Kyong Ju, Ri Kwang Ro, Pak Kwang Pil, Ri Sang Sin, Sin Ho Jik e todos os demais, que eram pessoas desse tipo.

Pergunta — Que tipo de pessoas o comandante das tropas estadunidenses estacionadas no condado de Sinchon, Harrison, nomeava como dirigentes das diversas organizações reacionárias naquela época?

Resposta — Os chamados dirigentes que ele nomeava eram comerciantes e cristãos.

Pergunta — Que tipo de pessoa acompanhou as tropas estadunidenses naquela época?

Resposta — Um intérprete coreano as acompanhou.

Pergunta — Quando os habitantes patriotas foram queimados e massacrados no abrigo antiaéreo diante do comitê do condado, quem ateou o fogo?

Resposta — Foram os soldados estadunidenses que atearam o fogo, enquanto nossos membros da unidade de estudantes armados ficaram de guarda do lado de fora para impedir que fugissem.

Pergunta — Que papel desempenharam os acusados Ri Tu Hyon e Yun Myong Won naquela ocasião?

Resposta — Eles também ficaram de guarda ao redor do abrigo antiaéreo.

O procurador solicitou ao presidente do tribunal que apresentasse as fotografias como prova e, entre elas, mostrou a fotografia nº 10 ao acusado Ho Pil Sun, perguntando se aquela fotografia mostrava sem dúvida a vista do comitê do condado de Sinchon e o abrigo antiaéreo diante do comitê do condado de Sinchon, onde mais de 900 patriotas haviam sido massacrados naquela época.

Acusado Ho Pil Sun — Sim. Sem dúvida.

Pergunta — Entre as mais de 900 pessoas assassinadas naquela ocasião, havia alguém que o acusado conhecesse?

Resposta — Havia pessoas que eu conhecia. Eram os familiares do presidente da cooperativa de consumo do condado de Pyoksong, os familiares do chefe de assuntos acadêmicos da Escola Popular de Pyoksong, os familiares do presidente da célula de Yangjang-ri, no condado de Sinchon, e Pak Il Sam, funcionário do Departamento de Segurança Social do condado de Pongsan.

Pergunta — Que tipo de pessoas eram todas aquelas que foram massacradas naquela ocasião?

Resposta — Eram membros do Partido do Trabalho, funcionários democráticos que trabalhavam nos órgãos do poder, camponeses engajados e suas famílias. Entre eles, havia cerca de 600 homens e cerca de 300 mulheres e crianças pequenas.

Entre elas, em particular, havia mulheres grávidas, bebês e idosos com mais de 70 anos.

Pergunta — Qual foi o método específico utilizado para massacrar os mais de 900 patriotas no abrigo antiaéreo diante do comitê do condado?

Resposta — O massacre deles começou por volta das 6 horas da tarde de 18 de outubro. No local foram mobilizados numerosos soldados estadunidenses, tendo Harrison à frente, e membros armados da chamada polícia, tendo Sin Sang Gyu à frente.

Assim, depois de amarrar todos os mais de 900 patriotas que estavam confinados no segundo andar do comitê do condado, eles foram conduzidos à força para diante da vala sob ameaça de baionetas, tiveram gasolina derramada sobre todo o corpo e foram queimados vivos depois que atearam fogo.

Naquela ocasião, algumas pessoas saíram correndo para escapar das chamas do fogo em que os corpos ardiam. Por isso, disparei cerca de 20 tiros com o fuzil M1 que portava e fuzilei 15 delas.

Enquanto algumas ainda não haviam morrido e soltavam gritos terríveis, Harrison ordenou que fossem enterradas cobrindo-as com terra, e algumas delas acabaram sendo enterradas vivas.

Pergunta — Que medidas o comandante das tropas estadunidenses estacionadas em Sinchon, Harrison, tomou para realizar o massacre?

Resposta — Desde o primeiro dia em que entrou em Sinchon, Harrison reuniu todo tipo de marginal e, ao mesmo tempo em que organizava em vários lugares organizações reacionárias assassinas, como as chamadas unidades policiais armadas e unidades de segurança, ordenou-lhes, sob o pretexto de "salvar a Coreia do Norte do perigo do comunismo", que prendessem e massacrassem todos os membros do Partido do Trabalho, funcionários democráticos, camponeses engajados, bem como suas famílias e até mesmo seus parentes. As organizações reacionárias de todos os níveis que ele havia organizado executaram rigorosamente essas ordens sob sua orientação direta.

Pergunta — Qual foi a situação dos saques dos bens dos moradores realizados pelas tropas estadunidenses, tendo Harrison à frente?

Resposta — As organizações reacionárias de todos os níveis, seguindo as instruções das tropas estadunidenses, saquearam em grande escala bois, porcos, galinhas, arroz e outros bens dos moradores e, além de realizarem as chamadas festas de boas-vindas às tropas estadunidenses, os próprios soldados estadunidenses, sob o pretexto de levar lembranças de sua passagem pela frente coreana, invadiam lojas particulares e residências dos moradores, ameaçavam-nos com armas de fogo e saqueavam numerosas mercadorias.

Pergunta — Relate concretamente a situação do massacre dos patriotas no reservatório do cantão de Nambu.

Resposta — Por ordem de Harrison, que dizia que seria ruim continuar realizando massacres na sede do condado, pois os cidadãos tomariam conhecimento deles, eles eram enganados com a alegação de que seriam escoltados para outras regiões e eram levados para lugares distantes para serem mortos. Assim, entre o final de outubro e o final de novembro daquele ano, em mais de 30 ocasiões, foram transportados em cerca de 40 caminhões, de 30 a 50 pessoas por caminhão, amarrados e colocados nos reservatórios, onde eram mortos depois que sacos de fertilizante eram empurrados para dentro, ou eram fuzilados e mortos dentro das valas existentes no local.

Quando os patriotas eram escoltados para aquele lugar para serem massacrados, os caminhões eram cobertos com lonas e, ao mesmo tempo, as estradas próximas eram bloqueadas, impedindo a passagem das pessoas que transitavam por ali.

Pergunta — Que trabalho o acusado realizava principalmente ao percorrer cada cantão junto com o tenente estadunidense Harrison?

Resposta — O principal objetivo de Harrison ao percorrer cada cantão era organizar e dirigir o massacre dos habitantes que haviam sido presos e detidos e também verificar os números dos patriotas que ainda não haviam sido presos e massacrados. Durante a patrulha, foram massacrados 15 patriotas. Naquela ocasião, Harrison sacou pessoalmente sua pistola e deu o exemplo de como realizar o massacre, e eu também fuzilei uma pessoa com o fuzil que portava.

Pergunta — Que atrocidades cometeram as tropas estadunidenses que haviam invadido Sinchon quando se retiraram em debandada?

Resposta — Isso ocorreu por volta de 3 de dezembro de 1950. Naquela ocasião, Harrison convocou à sua mesa o chamado chefe da polícia do condado de Sinchon, os chefes de cada seção da mesma polícia e os chefes dos postos administrativos de cada cantão. Sacando a pistola e colocando-a sobre a mesa para nos ameaçar, disse: "Como o exército comunista norte-coreano continua avançando para o sul com a cooperação das tropas chinesas, nossa situação de combate tornou-se grave. Portanto, a partir de agora, importantes tarefas se apresentam para nós. Trata-se da tarefa de exterminar aqueles que possuem ideias vermelhas. Por isso, esta delegacia e os postos administrativos de cada cantão devem executar rapidamente aqueles que já foram presos e detidos. Ao mesmo tempo, membros do Partido do Trabalho e suas famílias, bem como aqueles que têm a cabeça raspada, pois são pessoas que foram para o Exército Popular, e aqueles que usam bonés, pois possuem ideias vermelhas, devem ser todos presos e massacrados, sem deixar sequer uma pessoa."

Além disso, ordenou que, depois da retirada das tropas estadunidenses, fosse feita propaganda de que seriam utilizadas bombas atômicas para exterminar as tropas chinesas e o exército comunista norte-coreano, e que todos os moradores fossem obrigados a se deslocar para o sul, sem deixar sequer uma pessoa, para impedir que surgissem novos comunistas no futuro. Depois disso, essas ordens foram rigorosamente executadas em vários lugares do condado de Sinchon.

O massacre de mais de 910 patriotas nos dois depósitos de Wonam-ri, em 7 de dezembro, também foi realizado de acordo com essa ordem.

Naquela ocasião, os patriotas que estavam sendo massacrados nesses depósitos, mesmo em meio às terríveis chamas da morte, gritavam "Viva o General Kim! Viva a República Popular Democrática da Coreia!" e cantavam a canção do General Kim. Quando os gritos de "Viva!" e os cantos começaram a ecoar para fora, as tropas estadunidenses e nossos membros armados lançaram novamente numerosas granadas contra as chamas que se elevavam até o céu, explodindo alguns deles. Eu também lancei 15 granadas.

Pergunta — O que aconteceu depois com os moradores que foram deslocados à força quando as tropas estadunidenses que haviam invadido Sinchon se retiraram?

Resposta — Como os moradores foram deslocados à força sob ameaça de baionetas, juntamente com a propaganda de que seriam utilizadas bombas atômicas, numerosos moradores seguiram para o sul com seus pertences carregados em carroças puxadas por bois e cavalos, mas quase todos foram mortos por metralhadoras das tropas estadunidenses durante o caminho.

Entretanto, as tropas estadunidenses justificaram esse fato dizendo que os haviam matado porque as tropas chinesas vinham disfarçadas de refugiados.

Pergunta — Quantos habitantes foram massacrados pelas tropas estadunidenses e seus colaboradores depois que as tropas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon?

Resposta — Somando os números das estatísticas enviadas pelos postos administrativos de cada cantão do condado e os números dos massacres dos quais participei pessoalmente, o total chega a mais de 35.000 pessoas.

Pergunta — Que métodos eram utilizados principalmente para massacrar os habitantes patriotas naquela época?

Resposta — Eram métodos extremamente cruéis: reunir dezenas ou centenas de pessoas em um único lugar, derramar gasolina sobre elas e atear fogo para queimá-las até a morte; explodi-las com explosivos; matá-las a tiros com fuzis e pistolas; esfaqueá-las até a morte com baionetas; passar cordas pelo nariz, arrastá-las pelas ruas e espancá-las até a morte; serrá-las em três pedaços e matá-las; cravar pregos em seus crânios e matá-las; rasgá-las até a morte com pontas de ferro aquecidas; golpeá-las até a morte com picaretas; arrancar seus olhos e matá-las; enterrá-las vivas; colocar uma vara atravessada sobre seus pescoços e fazer pessoas de ambos os lados brincarem de gangorra até asfixiá-las; abrir o ventre das mulheres grávidas e matá-las; e cravar estacas de madeira nos órgãos genitais das mulheres para matá-las, entre outros métodos.

O procurador, apresentando as provas nº 15 e 17 ao acusado Ho Pil Sun, perguntou se ele conhecia o conteúdo dessas fotografias.

Acusado Ho Pil Sun — Sim. Nessa fotografia, junto com as tropas estadunidenses, uma menina de 17 anos que carregava uma criança nas costas foi enterrada viva e morta.

Pergunta — Sabe que, naquela época, as tropas estadunidenses haviam instalado bordéis militares?

Resposta — Sim. Vi isso pessoalmente quando fui ao cantão de Onchon. As tropas estadunidenses mantinham dezenas de jovens mulheres confinadas e abusavam sexualmente delas.

Pergunta — Como o acusado recebeu a missão de espionagem e como realizou posteriormente suas atividades de espionagem?

Resposta — Segui as tropas estadunidenses em retirada até Sunwi, na costa oeste, e ali recebi da organização de espionagem estadunidense instruções para espionar e informar sobre os segredos de Estado e militares da República no condado de Sinchon. Por volta do final de janeiro de 1951, infiltrei-me em Sinchon e investiguei todos os segredos militares das unidades do Exército Popular e das unidades do Corpo de Voluntários do Povo Chinês, bem como a localização dos órgãos estatais no condado de Sinchon e a situação de suas atividades.

Pergunta — Qual foi a situação das atividades de espionagem do acusado Choe Han U?

Resposta — Choe Han U também recebeu uma missão de espionagem com o mesmo conteúdo que a minha. Ele chegou a possuir um rádio e infiltrou-se na região de Sinchon, mas, devido à forte vigilância, não conseguiu alcançar seu objetivo e permaneceu escondido em sua própria casa até ser preso.

Pergunta — O acusado reconhece os fatos de que, durante a ocupação temporária do condado de Sinchon pelo comandante das tropas estadunidenses, o tenente estadunidense Harrison, que havia invadido o condado de Sinchon, e seus soldados subordinados, eles organizaram e comandaram diversas organizações reacionárias, prendendo, confinando, torturando e massacrando dezenas de milhares de pessoas inocentes do povo coreano por todos os tipos de métodos bárbaros, ao mesmo tempo em que saqueavam e destruíam enormes quantidades de bens dos moradores e estupravam e abusavam sexualmente das mulheres?

Resposta — Sim. Não apenas testemunhei pessoalmente esses fatos, como também, por ter assumido a responsabilidade de comandante da chamada unidade de estudantes armados da polícia do condado de Sinchon, organizada por Harrison, e por ter cometido diretamente, sob sua organização e comando, os massacres e os saques de bens, tanto nos assuntos grandes como nos pequenos, reconheço todos esses fatos.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório do acusado Ho Pil Sun.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar o acusado Ho Pil Sun.

Acusador público Sin Song Sun — Quem eram principalmente as mulheres que foram sequestradas e mantidas nos bordéis instalados pelas tropas estadunidenses, quantas eram e o que aconteceu com elas depois?

Acusado Ho Pil Sun — Eram principalmente familiares de membros do Partido do Trabalho. Eram mais de dez, e, quando as tropas estadunidenses se retiraram em debandada, elas foram levadas para as montanhas e todas foram fuziladas.

O acusador público Sin Song Sun informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório do acusado Ho Pil Sun.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar o acusado Ho Pil Sun.

Advogado Ji Yong Dae — Como era o ambiente familiar do acusado?

Ho Pil Sun: Tenho uma família composta por pai, mãe, irmão mais velho, irmão mais novo e dois sobrinhos, totalizando 6 pessoas, e dedicam-se à agricultura.

Pergunta: Qual era a idade do réu na época de seus crimes e qual era seu passatempo habitual?

Resposta: Naquela época eu tinha 20 anos. Quando era estudante, não tinha interesse pelos estudos e gostava de futebol.

Pergunta: Qual foi a razão do réu tornar-se comandante dos estudantes armados durante o período da ocupação inimiga?

Resposta: Quando eu era estudante, fui expulso da escola por ter perturbado a disciplina escolar. Além disso, os membros do grupo de estudantes armados haviam sido jogadores do time de futebol quando eram estudantes, e por isso eu me tornei o comandante.

Pergunta: Como o tenente do Exército dos EUA Harrison soube que havia um abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna?

Resposta: Ele descobriu isso durante o processo de visitar e inspecionar cada instituição.

Pergunta: É verdade que, nos vários assassinatos dos quais o réu participou, Harrison esteve presente nos locais e orientou diretamente os métodos de massacre?

Resposta: Sim. É verdade. Tirar as roupas das pessoas, jogar gasolina e atear fogo para matá-las, fazê-las explodir com dinamite ou cobrir com terra as pessoas que ainda não haviam morrido, enterrando-as vivas: tudo isso foi realizado sob sua orientação direta.

O advogado de defesa Ji Yong Dae comunicou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório.

O presidente do tribunal advertiu o réu Ho Pil Sun de que havia partes de seus depoimentos até aquele momento que não coincidiam entre si e ordenou que prestasse um depoimento claro, passando então a interrogá-lo da seguinte maneira.

Presidente do tribunal: O tenente do Exército dos EUA Harrison ordenou que fossem massacrados não apenas os membros do Partido do Trabalho, mas também os demais moradores?

Ho Pil Sun: Ele ordenou que, sem deixar escapar uma única pessoa, fossem todos presos e massacrados não apenas os membros do Partido do Trabalho e os funcionários públicos que haviam servido nos órgãos do poder, mas também seus familiares, seus simpatizantes e outras pessoas consideradas portadoras de ideias comunistas.

Pergunta: Então, quer dizer que Harrison tinha a intenção de massacrar todos os coreanos, sob o pretexto de serem comunistas?

Resposta: Sim. Foi realmente assim.

Pergunta: Quantas vezes o réu inspecionou, junto com Harrison, os diferentes distritos administrativos do condado de Sinchon?

Resposta: Duas vezes, no início e no final de novembro.

Pergunta: Qual foi o papel desempenhado pelo réu quando, pela primeira vez após a invasão de Sinchon pelas tropas estadunidenses, patriotas foram massacrados no abrigo antiaéreo em frente à sede do Partido do condado?

Resposta: Naquela ocasião, eu comandei mais de dez estudantes armados, coloquei sentinelas ao redor do abrigo antiaéreo, local do massacre, e ordenei-lhes que atirassem em qualquer pessoa que tentasse fugir. Eu mesmo também, com o fuzil que portava, atirei e matei 15 pessoas que, procurando uma maneira de sobreviver, saltaram para fora do abrigo antiaéreo.

O presidente do tribunal mandou que todos os réus do processo e as testemunhas se levantassem, encerrou assim o primeiro dia do julgamento e declarou que o segundo dia do julgamento seria realizado a partir das 10 horas da manhã seguinte.

Julgamento de 26 de maio

O presidente do tribunal fez os réus do processo e as testemunhas entrarem na sala exatamente às 10 horas da manhã e declarou aberta a segunda sessão do julgamento.

O presidente do tribunal ordenou que as testemunhas fossem conduzidas para uma sala separada.

O presidente do tribunal perguntou ao réu Ho Pil Sun se havia algo a acrescentar ou corrigir em seu depoimento prestado durante a audiência de ontem.

Ho Pil Sun: Em 18 de outubro de 1950, quando cerca de 900 patriotas foram massacrados na vala em frente à sede do Partido do condado de Sinchon, os primeiros cerca de 500 foram conduzidos para dentro por meio de uma escada, enquanto os 400 restantes foram empurrados para dentro com coronhadas e pontapés por cerca de 30 soldados estadunidenses, mais de 10 estudantes armados sob meu comando e outros membros dos grupos armados, totalizando mais de 50 pessoas. Os soldados estadunidenses cobriram as cabeças dos patriotas com as roupas que já haviam sido retiradas deles, derramaram sobre elas cerca de meio tambor de gasolina e depois atearam fogo. Entretanto, as pessoas que, em meio aos gritos de agonia vindos de dentro da vala, gritavam "Viva o general Kim" e "Viva a República Popular Democrática da Coreia" e saíam correndo para fora em busca de uma maneira de sobreviver eram alvejadas e mortas a tiros pelos soldados estadunidenses  e pelos membros dos grupos armados que faziam a guarda do lado de fora.

Pergunta: Qual era o número de soldados estadunidenses que invadiram Sinchon em 17 de outubro de 1950?

Resposta: Vieram cerca de 50 homens sob o comando de Harrison, divididos em um jipe e dois caminhões.

Pergunta: Qual era o conteúdo da proclamação de Harrison naquela época?

Resposta: O conteúdo era que suas ordens eram como a lei dentro do condado de Sinchon e que deveriam ser obedecidas absolutamente, e que quem as violasse seria condenado à morte; também dizia que somente através da completa eliminação, sem deixar sequer um comunista vivo, haveria liberdade e paz.

Pergunta: O que fazia o então chamado chefe da delegacia de polícia, Sin Sang Gyu?

Resposta: Dizem que Sin Sang Gyu havia trabalhado em um campo de prisioneiros de guerra em Namyang durante o período colonial japonês. Naquela ocasião, Sin Sang Gyu veio junto com Harrison e disse que Harrison era o comandante das tropas estadunidenses estacionadas em Sinchon e que suas ordens deveriam ser obedecidas absolutamente.

Pergunta: Quando o réu entrou em Sinchon, vindo da ilha Paengnyong, tendo recebido uma missão de espionagem, disfarçado de quê o réu entrou?

Resposta: Entrei disfarçado de comandante de companhia do Exército Popular.

Pergunta: Em 20 de outubro, antes do massacre de cerca de 520 pessoas no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna, quando, na reunião preparatória, se discutia o método do massacre, o que o réu propôs?

Resposta: Naquela ocasião, Harrison perguntou se não havia uma maneira de matar secretamente aqueles que ele havia prendido e detido, sem que os cidadãos soubessem. Eu propus que fossem mortos no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna.

Pergunta: Há algo mais a acrescentar ou corrigir?

Resposta: Não.

O presidente do tribunal perguntou às partes envolvidas no processo se havia algo a acrescentar no interrogatório, e todas responderam que não havia.

O presidente do tribunal mandou o réu Ho Pil Sun retornar ao banco dos réus.

Interrogatório do réu Choe Han U

Presidente do tribunal: Réu Choe Han U, fale resumidamente sobre sua trajetória.

Choe Han U: Aos 16 anos, concluí a escola primária e me mudei para Sinchon, onde trabalhei durante três anos como balconista de uma loja de departamento. Depois, fui vendedor ambulante durante dois anos e, a partir dos 19 anos, trabalhei durante dois anos como secretário da Cooperativa Frutícola do condado de Sinchon. Como naquela época o recrutamento compulsório era intenso, consegui emprego como funcionário da Fundação Coreana de Alimentos e estava trabalhando quando ocorreu a libertação de 15 de agosto. Depois disso, voltei a trabalhar como vendedor ambulante e, a partir de 1948 até a retirada temporária do Exército Popular, trabalhei como secretário auxiliar do Comitê Popular do condado de Sinchon, exercendo também a função de chefe de unidade de vizinhança popular.

Pergunta: Fale resumidamente sobre os crimes cometidos pelo réu desde o início da invasão das tropas estadunidenses no condado de Sinchon até sua prisão.

Resposta: Em 17 de outubro de 1950, o tenente do Exército dos EUA Harrison, um intérprete e cerca de 50 soldados estadunidenses chegaram diante da sede do Partido do condado de Sinchon. Naquela ocasião, Harrison disse, por meio do intérprete, às pessoas reunidas diante da sede do Partido do condado que, a partir daquele momento, nós dirigiríamos a segurança e os demais assuntos administrativos. Em seguida, alegando a necessidade de manter a segurança pública, nomeou Sin Sang Gyu como chefe da delegacia de polícia, o ancião cristão Ri Yong Ryong como chefe do condado e outros, ao mesmo tempo em que organizou a polícia, os estudantes armados e outras forças.

Depois de organizar e nomear essas pessoas, Harrison disse que, no condado de Sinchon, suas ordens eram como a lei e quem as violasse seria condenado à morte; que, para salvar o norte da ameaça do comunismo, todos os vermelhos e seus familiares deveriam ser presos; e que, para isso, deveriam ser presos todos os membros do Partido do Trabalho e seus familiares, bem como aqueles que haviam servido nos órgãos do poder e aqueles que haviam ingressado no Exército Popular. Disse também que a ordem do chefe da delegacia de polícia, Sin Sang Gyu, era sua própria ordem e que deveriam obedecê-la fielmente, entre outras coisas nesse sentido.

Depois que Harrison terminou de falar, o chamado chefe da Delegacia de Polícia de Sinchon, Sin Sang Gyu, ordenou à polícia armada e aos estudantes armados que partissem imediatamente para executar as ordens de Harrison. Assim, fomos imediatamente para a sede do condado e prendemos cerca de 300 pessoas, entre membros do Partido do Trabalho, pessoas que haviam servido em órgãos estatais e organizações sociais, camponeses e trabalhadores engajados, além de seus familiares, e as mantivemos confinadas no segundo andar da sede do Partido do condado.

No dia seguinte, 18 de outubro, cerca de 50 ou 60 pessoas, incluindo o comandante estadunidense Harrison, o chefe do condado, o chefe da delegacia de polícia, soldados estadunidenses e estudantes armados, reuniram-se diante da sede do Partido do condado. Por ordem de Harrison, os cerca de 900 patriotas que haviam sido confinados na sala de reuniões do segundo andar da sede do Partido do condado foram retirados, todas as suas roupas foram arrancadas e seus braços foram amarrados com cordas. Em seguida, colocaram uma escada na vala do abrigo antiaéreo diante da sede do Partido e fizeram entrar cerca de 500 pessoas. Como Harrison as apressava, dizendo "Rápido, rápido", depois disso retiraram a escada e empurraram os cerca de 400 restantes para dentro com coronhadas e pontapés. Os soldados estadunidenses derramaram gasolina e atearam fogo, queimando-as até a morte. Naquela ocasião, eu estava de guarda a cerca de 20 metros de distância.

Depois que esse massacre terminou, Harrison e o chamado chefe da delegacia de polícia ordenaram novamente que fossem trazidos mais vermelhos. Recebi essa ordem e fui a Yangjang-ri, onde 27 pessoas já haviam sido presas, e escoltei-as até a sede do Partido do condado, mantendo-as confinadas na sala de reuniões do segundo andar. No dia seguinte, somando as pessoas que haviam sido capturadas e escoltadas até lá desde a região de Ongjin, o número chegou a mais de 520.

No dia 19, o chefe da delegacia de polícia, Sin Sang Gyu, dizendo que era uma ordem do comandante Harrison, ordenou que esses mais de 520 patriotas fossem escoltados até o abrigo antiaéreo situado atrás do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon. Nossos membros dos grupos armados os escoltaram junto com 20 soldados estadunidenses. Naquela ocasião, Harrison ordenou que suas roupas fossem retiradas, que fossem amarrados e que fossem colocados à força dentro do abrigo antiaéreo, e que a entrada do abrigo fosse bloqueada. Depois que essa ordem foi executada, ele novamente ordenou que se ateasse fogo ao estopim. Os soldados estadunidenses acenderam os estopins da dinamite previamente instalada dentro do abrigo antiaéreo, matando todos instantaneamente. Naquela ocasião, eu estava de guarda. No local estavam presentes, entre outros, o comandante Harrison, o chamado chefe da delegacia de polícia, o chefe do condado, o chefe da seção de inspeção e o chefe da seção de investigação. Depois de terminar o massacre, Harrison nos disse que havíamos trabalhado duro e distribuiu um cigarro para cada um de nós.

No dia 22 daquele mês, por ordem do chefe do condado, passei a trabalhar durante cerca de um mês nos departamentos de Finanças e Administração do governo do condado. Confiscamos à força cerca de 270 carroças puxadas por bois carregadas com os pertences das famílias de membros do Partido do Trabalho e de outros que estavam evacuando da região de Ongjin, e organizamos os objetos. Entre eles, os objetos de valor e os artigos de boa qualidade foram levados pelos soldados estadunidenses em nome do chefe do condado ou do chefe da delegacia, e quase todos os bois foram abatidos e consumidos.

A partir do final de novembro, passei a trabalhar na seção de investigação da chamada Delegacia de Polícia de Sinchon, encarregada de prender membros do Partido do Trabalho e produtores clandestinos de bebidas alcoólicas. Assim, identificamos Kim Jang Nyo e Jang Hak Su, que produziam bebidas alcoólicas clandestinamente, confiscamos deles 10 tambores de bebida alcoólica e seis sacos de arroz branco e os entregamos aos soldados estadunidenses.

Além disso, quando os soldados estadunidenses estavam em retirada, recebi do chefe da delegacia de polícia a ordem de prender e matar todos aqueles que tivessem ideias vermelhas, sem deixar sequer uma pessoa. Fui com quatro membros dos grupos armados ao norte e, ao chegar à delegacia local, carreguei em um caminhão 37 patriotas que estavam detidos ali e fui até Wonam-ri. Já havia cerca de 800 patriotas confinados no depósito de explosivos daquele lugar. Assim, também as pessoas que eu havia escoltado foram todas despidas; os homens foram colocados à força no depósito de explosivos inferior, e as mulheres e crianças no depósito superior. Depois que derramaram gasolina e atearam fogo, foi dada a ordem para lançar granadas, e eu também lancei uma das granadas que portava.

Pergunta: Quantas pessoas morreram, ao todo, nos dois depósitos naquela ocasião?

Resposta: Incluindo as pessoas que eu havia escoltado, cerca de 910 pessoas.

Pergunta: Fale sobre as circunstâncias em que o réu do processo recebeu a missão de espionagem.

Resposta: Depois que os soldados estadunidenses se retiraram, eu os segui até a ilha de Paengnyong. As pessoas que haviam fugido de Sinchon estavam incorporadas ao chamado 4º Batalhão e recebiam treinamento militar todos os dias no chamado Exército de Defesa Nacional. Eu fui ao órgão de inteligência militar estadunidense e recebi treinamento de espionagem durante cerca de uma semana. Junto com um grupo de dez espiões, desembarquei em Jangyon por volta do final de fevereiro de 1951 e cheguei a Sinchon. Como não podia agir devido à grande quantidade de soldados do Exército Popular estacionados ali, fui procurar minha família em Haeju e permaneci escondido, até ser preso em 17 de julho de 1951.

O presidente do tribunal declarou um recesso de 20 minutos e retirou-se às 11h40.

O julgamento foi retomado às 12 horas.

O presidente do tribunal convidou o procurador a interrogar o réu Choe Han U.

Procurador An Pyong Jin: Diga o conteúdo da proclamação de Harrison.

Réu Choe Han U: Ele disse que aqueles que ocultassem membros do Partido seriam tratados da mesma maneira que os membros do Partido e que aqueles que quisessem se deslocar deveriam obter uma autorização do chefe da delegacia de polícia.

Pergunta: O réu disse que trabalhava no departamento de Administração. O que era esse departamento?

Resposta: Dentro do departamento de Finanças do governo do condado havia o departamento de Administração, que cuidava da gestão e distribuição dos objetos confiscados do povo.

Pergunta: A quem eram entregues principalmente os objetos?

Resposta: Sob as ordens do chefe do condado, eram entregues principalmente aos soldados estadunidenses.

Pergunta: Qual foi o papel desempenhado pelo réu no local do massacre de 18 de outubro?

Resposta: Fiquei de guarda a uma distância de 2 metros do abrigo antiaéreo.

Pergunta: Descreva a cena horrível do massacre.

Resposta: Depois de derramarem gasolina, os soldados estadunidenses atearam fogo, e, junto com os gritos e os lamentos terríveis das crianças, que estavam sendo queimadas vivas, os adultos gritavam "Viva o general Kim!", "Viva a República Popular Democrática da Coreia!" e cantavam a canção do general Kim, enquanto rastejavam para fora das chamas em busca de uma maneira de sobreviver. Dezenas de soldados estadunidenses e membros dos grupos armados que faziam a guarda dispararam seus fuzis contra eles e os mataram. Embora ainda se ouvissem de dentro da vala gritos de agonia e de desespero, por ordem de Harrison, cobriram-nos com terra. Eu também, enquanto fazia a guarda naquela ocasião, disparei meu fuzil contra as pessoas que rastejavam para fora da vala.

Pergunta: Qual foi a razão para retirar todas as roupas e os sapatos das pessoas que seriam massacradas?

Resposta: Ao tirar suas roupas e queimá-las, mesmo que os cadáveres fossem posteriormente desenterrados, não seria possível identificar de quem eram. O objetivo era fazer parecer que haviam sido massacradas pelo Exército Popular durante a retirada para o norte, atribuindo a responsabilidade pelos massacres ao Exército Popular.

Pergunta: Qual era a razão para massacrar até mesmo as crianças ao massacrar o povo?

Resposta: Foi porque Harrison disse que, para impedir o surgimento de novos comunistas, era necessário exterminar até mesmo a semente, e ordenou que todos os familiares dos trabalhadores democráticos e dos membros do Partido, homens, mulheres, idosos e crianças, fossem capturados e mortos sem exceção.

Pergunta: Qual foi o papel desempenhado por Ho Pil Sun quando os patriotas foram massacrados no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado?

Resposta: Naquela ocasião, Ho Pil Sun comandou os estudantes armados, tirou as roupas das pessoas que haviam sido escoltadas até lá, empurrou-as para dentro do abrigo antiaéreo e praticou atrocidades como selar a entrada do abrigo.

Pergunta: Que ordem Harrison deu quando os soldados estadunidenses estavam em retirada?

Resposta: Disse que os soldados estadunidenses recuariam por cerca de dois meses por razões estratégicas e ordenou que as famílias dos membros do Partido do Trabalho que permanecessem e as pessoas que tivessem ideias comunistas fossem todas capturadas e mortas, sem deixar uma única pessoa. Ao mesmo tempo, por meio da falsa propaganda de que, depois da retirada dos soldados estadunidenses, seriam usadas bombas atômicas e de que, quando o Exército de Defesa Nacional chegasse, as pessoas seriam decapitadas e mortas, ordenou que todos os moradores fossem forçados a se deslocar para o sul, sem deixar uma única pessoa para trás.

Pergunta: De que maneira foi realizado o massacre do povo no depósito de Wonam-ri?

Resposta: Mais de 900 pessoas foram confinadas no depósito de Wonam-ri em 3 de dezembro, e o massacre ocorreu no dia 7 daquele mês. Depois de confiná-las, até o momento do massacre não lhes deram sequer um gole de água e as deixaram em um ambiente frio, sem qualquer instalação de aquecimento. Por isso, algumas delas morreram congeladas antes de serem assassinadas.

Pergunta: Como foram tratados os cadáveres depois que o massacre no depósito de Wonam-ri terminou?

Resposta: Depois de verificar se todos estavam mortos, deixaram os cadáveres dentro do depósito queimado e fugiram todos para o sul.

Pergunta: Entre as pessoas assassinadas naquela ocasião havia mulheres grávidas?

Resposta: Havia muitas mulheres grávidas, entre elas Kim Sun Bok, esposa de um secretário de comuna.

Pergunta: Além de massacrar o povo durante o período de ocupação, que outras atrocidades cometeram as tropas invasoras estadunidenses?

Resposta: Os soldados estadunidenses andavam em grupos de quatro ou cinco, estuprando mulheres, invadiam lojas e residências, saqueavam à vontade os bens do povo e faziam do consumo de bebidas e da vida depravada sua rotina. Levaram duas professoras da escola feminina de Sinchon para o centro do condado, estupraram-nas e depois as mataram a tiros. Além disso, iam dia e noite às fontes termais, bebiam e estupravam indiscriminadamente as mulheres, razão pela qual todas as mulheres andavam amedrontadas.

Pergunta: Que papel desempenhou o réu do processo quando os soldados estadunidenses estavam em retirada?

Resposta: Por ordem dos soldados estadunidenses, carreguei em um vagão arroz, bebidas alcoólicas, cobertores, couro, farinha de trigo e outros produtos, fui até Haeju e os entreguei aos soldados estadunidenses. Depois voltei a Sinchon e fiquei de guarda, até fugir para a ilha Paengnyong.

Pergunta: Como foi o treinamento de espionagem recebido na ilha Paengnyong?

Resposta: No serviço de inteligência militar estadunidense, aprendi métodos para detectar a situação do estacionamento do Exército Popular, métodos para destruir edifícios, pontes e outros alvos, métodos para tomar e utilizar os documentos de identidade e outros certificados dos soldados do Exército Popular mortos, e também métodos para transmitir por rádio os materiais de espionagem coletados.

Pergunta: Diga a data em que desembarcou para cumprir sua missão de espionagem e o conteúdo de seu trabalho efetivamente realizado.

Resposta: Em 3 de março de 1951, desembarquei em Jangyon junto com um grupo de dez espiões, liderado pelo chefe da seção de investigação Jang Gye Hwa. Recebemos a informação de que 200 membros de grupos armados estavam reunidos no monte Turi e fomos até lá para verificar. Quando chegamos, não havia sequer um membro dos grupos armados e havia muitos soldados do Exército Popular. Perguntamos então a moradores locais que havíamos capturado, e eles disseram que quase todos os membros dos grupos armados haviam sido mortos pelas unidades de perseguição do Exército Popular e que não sabiam o que havia acontecido depois com os sobreviventes. Por medo, não pudemos realizar o trabalho de espionagem e, como também não podíamos retornar à ilha, o grupo de espiões foi completamente dissolvido. Assim, fui para a casa de minha família em Haeju e permaneci escondido até ser preso.

Pergunta: O réu teve algum contato com Ho Pil Sun durante suas atividades de espionagem?

Resposta: Quando estávamos na ilha Paengnyong, eu sabia que Ho Pil Sun havia recebido uma missão de espionagem e entrado na região de Sinchon, mas depois disso não tivemos qualquer contato.

O procurador comunicou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório.

O presidente do tribunal convidou os acusadores sociais a interrogarem o réu Choe Han U e todos responderam que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal convidou os advogados de defesa a interrogarem o réu Choe Han U.

O advogado Kim Han Jun perguntou ao réu Choe Han U, se, antes do início da Guerra de Libertação da Pátria, havia ido alguma vez à região ao sul do paralelo 38.

Réu Choe Han U: Fui até lá como vendedor ambulante, para trocar mercadorias por gado.

Pergunta: Quando os patriotas foram massacrados na vala do abrigo antiaéreo diante da sede do Partido do condado, em 18 de outubro, e no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado, em 20 de outubro, o réu estava de guarda. Qual era o objetivo disso?

Resposta: Minha principal tarefa ao ficar de guarda era impedir que as pessoas que estavam sendo massacradas fugissem e impedir que os moradores passassem pelas proximidades.

Pergunta: Quando os membros do Partido do Trabalho eram presos, eram interrogados e classificados individualmente?

Resposta: Não eram interrogados. Se alguém fosse considerado membro do Partido do Trabalho, todos os seus familiares eram presos indiscriminadamente.

Pergunta: O que se passava no íntimo do réu ao ouvir os gritos terríveis e os gritos de "Viva!" das pessoas assassinadas, bem como o som da canção do general Kim?

O réu não conseguiu dar resposta alguma, baixou a cabeça e ficou de pé, enxugando o suor do rosto com um lenço.

O advogado Kim Hak Jun comunicou que havia terminado o interrogatório do réu Choe Han U.

O presidente do tribunal perguntou ao réu Choe Han U se ele havia recebido do serviço de inteligência militar estadunidense a missão de destruir edifícios, pontes e outros alvos.

Réu Choe Han U: Sim! Recebi.

Pergunta: Quando veio para cá com a missão de espionagem, quantos operadores de rádio trouxe consigo?

Resposta: Vieram dois.

Pergunta: Dê exemplos de métodos cruéis utilizados para massacrar o povo.

Resposta: Além dos métodos de massacre já mencionados, havia inúmeros métodos cruéis, impossíveis de enumerar: arrancar os olhos e cortar o nariz e as orelhas antes de matar; matar golpeando com enxadas; despedaçar os membros até a morte; matar colocando as pessoas no fogo; despir as mulheres e matá-las introduzindo estacas de madeira em seus órgãos genitais; despedaçá-las com objetos de ferro aquecidos ao fogo; pendurá-las de cabeça para baixo nas árvores e matá-las; cortar-lhes os membros com serras; enterrá-las vivas e matá-las, entre outros.

Pergunta: Há algo mais a declarar?

Resposta: Não.

O presidente do tribunal perguntou ao réu Ho Pil Sun se havia algo incorreto no que o réu Choe Han U havia declarado até então.

Ho Pil Sun respondeu que não havia nada incorreto.

O presidente do tribunal declarou um recesso de 15 minutos e retirou-se às 13h30.

A audiência foi retomada às 13h45.

Interrogatório do réu Ri Tu Hyon

Presidente do tribunal: Réu Ri Tu Hyon, fale resumidamente sobre sua trajetória.

Réu Ri Tu Hyon: Nasci em 1931, abandonei os estudos no segundo ano do ensino secundário e continuei trabalhando na agricultura.

Pergunta: Fale resumidamente sobre os crimes cometidos pelo réu desde a invasão das tropas estadunidenses no condado de Sinchon até sua prisão.

Resposta: Quando as tropas estadunidenses invadiram Sinchon em 17 de outubro de 1950, eu as recepcionei e ingressei como membro dos grupos armados da chamada Delegacia de Polícia de Sinchon. Em 18 de outubro, quando cerca de 900 patriotas foram massacrados na vala diante da sede do Partido do condado de Sinchon, fiquei de guarda ao redor do local e disparei cinco tiros com o fuzil que portava contra as pessoas que, procurando uma maneira de sobreviver, rastejavam para fora da vala em chamas. Por ordem de Harrison para que cobrissem rapidamente com terra, junto com os demais membros dos grupos armados, cobri de terra, enterrando vivas as pessoas que ainda gritavam.

Na madrugada do dia seguinte, também naquele local, depois de prenderem cerca de 320 patriotas e os fuzilarem sob a iluminação dos faróis dos automóveis, fiquei de guarda a cerca de 30 metros de distância e disparei três tiros com o fuzil que portava na direção do local onde estavam sendo fuzilados os patriotas.

Por volta das 3 horas da tarde do dia 23 daquele mês, participei do fuzilamento de 330 patriotas na vala atrás da sede do Partido do condado.

Além disso, entre os dias 24 e 28 do mesmo mês, em quatro ocasiões, quando transportavam grupos de 40 a 50 patriotas por vez em caminhões militares estadunidenses para os reservatórios e vales montanhosos, participei do serviço de guarda na estrada entre Jaeryong e Songhwa, impedindo a passagem de pessoas.

Depois disso, devido a uma doença, não participei de outros crimes.

O presidente do tribunal convidou o procurador a interrogar o réu Ri Tu Hyon.

O procurador An Pyong Jin perguntou quem eram as pessoas que participaram da organização dos diversos órgãos fantoches no condado de Sinchon quando o comandante das tropas estadunidense, Harrison, que havia invadido Sinchon em 17 de outubro de 1950, os organizou.

Réu  Ri Tu Hyon: Naquela ocasião, eram pessoas que haviam recepcionado as tropas estadunidenses, comerciantes, cristãos, pessoas que haviam sido afastadas de seus cargos em órgãos e estavam desempregadas, além de outros indivíduos ociosos, vagabundos e desordeiros. As pessoas que participaram da organização dos diversos órgãos fantoches eram aquelas que haviam recepcionado as tropas estadunidenses.

Pergunta: Qual foi o papel desempenhado pelo réu quando cerca de 900 pessoas foram massacradas no abrigo antiaéreo diante da sede do Partido do condado em 18 de outubro?

Resposta: Entre elas estavam também pessoas que, por ordem de Harrison em 17 de outubro, eu havia ido pessoalmente prender e trazido comigo. Tiraram suas roupas, empurraram-nas para dentro do abrigo antiaéreo e, enquanto eu fazia a guarda ao redor, atirei pessoalmente e matei cinco patriotas que rastejavam para fora do abrigo antiaéreo.

Pergunta: O que Harrison estava fazendo naquela ocasião?

Resposta: Quando derramaram gasolina e atearam fogo, as pessoas começaram a rastejar para fora do abrigo antiaéreo, gritando terrivelmente e clamando "Viva!". Harrison, assustado com a possibilidade de que elas fugissem, corria de um lado para outro segurando uma pá e dizia "Rápido!", "Rápido!", ordenando que cobrissem rapidamente com terra.

Pergunta: Qual foi o papel desempenhado pelo réu quando cerca de 320 patriotas foram massacrados na madrugada do dia 19?

Resposta: Por volta de 1 hora da madrugada daquele dia, houve uma convocação de emergência. Quando saí, o comandante dos grupos armados, Sin Ho Sik, disse que iriam executar as pessoas que haviam sido presas e detidas e que deveríamos ser mobilizados. Assim, cerca de 20 membros dos grupos armados, incluindo An Song Bok e Jang Jae Hwa, juntamente com soldados estadunidenses, escoltaram desde o segundo andar da sede do Partido do condado até o local da execução cerca de 200 homens e cerca de 100 mulheres e crianças pequenas que seriam massacrados. Eu fiquei de guarda nas proximidades e atirei e matei duas pessoas com o fuzil que portava.

Pergunta: Em quais outros crimes o réu participou depois disso?

Resposta: Por ordem do tenente do Exército dos EUA Harrison e do chamado chefe da Delegacia de Polícia, Sin Sang Gyu, participei do massacre de mais de 320 pessoas, colocando membros do Partido do Trabalho, trabalhadores democráticos e seus familiares em filas de quatro a seis pessoas e fuzilando-os com fuzis. Além disso, quando as pessoas destinadas ao massacre eram transportadas em caminhões militares estadunidenses para o reservatório do cantão de Nambu, participei, em quatro ocasiões, do serviço de guarda para bloquear o trânsito, a fim de impedir que os moradores vissem o transporte.

Pergunta: O réu chegou a prender alguém quando fazia patrulhas pelas ruas?

Resposta: Houve uma ocasião em que escoltei até o segundo andar da sede do Partido do condado cinco pessoas que haviam sido presas pelos guardas, fazendo com que fossem posteriormente massacradas, mas eu mesmo não prendi diretamente nenhuma pessoa.

Pergunta: Por que as crianças pequenas foram massacradas?

Resposta: Porque o tenente do Exército dos EUA Harrison ordenou, dizendo que era necessário eliminar a semente dos vermelhos, que todos os familiares e até parentes até o oitavo grau das pessoas que tivessem ideias comunistas, homens, mulheres, idosos e crianças, fossem todos capturados e mortos.

Pergunta: Como os soldados estadunidenses utilizaram a religião durante o período de ocupação?

Resposta: Os soldados estadunidenses andavam acompanhados de pastores, anciãos e outras pessoas vestidas de preto, faziam propaganda maliciosa contra o comunismo e, ao mesmo tempo, faziam propaganda para que as pessoas acreditassem no cristianismo.

Pergunta: Você sabe que os soldados estadunidenses instalaram um bordel nas proximidades das fontes termais de Sinchon, e violentaram mulheres?

Resposta: Sim. Sei. Mantiveram muitas mulheres confinadas, estupraram-nas e violentaram-nas e, posteriormente, levaram-nas para as montanhas e mataram todas a tiros.

Pergunta: Por que o réu traiu a pátria e, como lacaio dos invasores estadunidenses, participou de tais crimes?

Resposta: O tenente do Exército dos EUA Harrison disse que era necessário exterminar os comunistas para que se pudesse viver uma vida feliz, e por isso participei.

Pergunta: Por que você acha que os soldados estadunidenses vieram à Coreia e cometeram todo tipo de atrocidades?

Resposta: Para capturar e matar todos os patriotas coreanos e apoderar-se da Coreia.

O procurador comunicou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório.

O presidente do tribunal convidou os acusadores sociais a interrogarem o réu Ri Tu Hyon.

O acusador social Ju Hwang Sop perguntou ao réu Ri Tu Hyon quantos moradores foram mortos por metralhamento durante a retirada dos soldados estadunidenses, quando os moradores eram forçados a se deslocar sob a ameaça de bombas atômicas.

Resposta: Cerca de 3.000 moradores foram mortos pelo metralhamento dos soldados estadunidenses.

O acusador social Ju Hwang Sop comunicou que havia terminado o interrogatório.

O presidente do tribunal convidou os advogados a interrogarem o réu Ri Tu Hyon.

O advogado Hyon Chang Hyong perguntou ao réu Ri Tu Hyon por que, durante o período da ocupação inimiga, ela havia permanecido em casa em vez de fugir, embora os moradores de sua aldeia certamente soubessem dos atos criminosos que havia cometido.

Réu Ri Tu Hyon: Eu pensei que, depois de passar pela investigação, não aconteceria nada comigo, mas acabei sendo preso.

Pergunta: O que você pensa sobre os atos criminosos e as atrocidades cometidos durante o período da ocupação inimiga?

Resposta: Aquilo foi realmente desumano.

O advogado comunicou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório.

O presidente do tribunal perguntou ao réu Ri Tu Hyon qual havia sido sua impressão sobre Harrison, o comandante das tropas estadunidenses que havia invadido Sinchon naquela época.

Réu Ri Tu Hyon: Harrison era um homem alto, que usava um bigode.

Pergunta: Quando você conheceu Ho Pil Sun e como era seu comportamento habitual?

Resposta: Conheço Ho Pil Sun desde a época da escola primária. Quando era estudante, não estudava, roubava e ia a restaurantes beber, gostava de brigar com os colegas, não ouvia os ensinamentos dos professores e faltava às reuniões, perturbando a disciplina escolar. Por isso, foi expulso da escola e vivia fazendo travessuras, de modo que as pessoas passaram a chamá-lo de "delinquente".

Pergunta: O que os soldados estadunidenses diziam aos moradores que aconteceria caso não acreditassem no cristianismo?

Resposta: Diziam que aqueles que não acreditassem em Jesus seriam considerados comunistas e assassinados.

O presidente do tribunal perguntou aos réus Ho Pil Sun e Choe Han U se havia algo incorreto entre as declarações do réu Ri Tu Hyon, ao que os réus responderam que não havia nada.

O presidente do tribunal chamou todos os réus e testemunhas e, com isso, encerrou a segunda sessão do julgamento, declarando que a terceira sessão seria realizada a partir das 10 horas da manhã do dia seguinte, retirando-se em seguida da sala.

Sessão do julgamento de 27 de maio

O presidente do tribunal fez os réus e as testemunhas entrarem pontualmente às 10 horas da manhã e declarou o início da terceira sessão do julgamento.

O presidente do tribunal dirigiu-se à galeria para verificar se havia alguma testemunha que, tendo sido convocada pelo tribunal, comparecia hoje pela primeira vez. Da galeria, responderam que haviam comparecido as testemunhas Kang Hyong Do e Ri Buk Bae.

O presidente do tribunal chamou as testemunhas Kang Hyong Do e Ri Buk Bae e, após confirmar seus nomes, datas de nascimento, endereços, profissões e relações com os réus, explicou-lhes seus deveres durante o processo judicial. Advertiu-as de que, caso se recusassem a prestar depoimento ou prestassem deliberadamente declarações falsas, estariam sujeitas à responsabilidade criminal prevista nos artigos 239 e 241 do Código Penal da República Popular Democrática da Coreia, e fez com que as testemunhas apresentassem seus juramentos.

O presidente do tribunal ordenou que as testemunhas se retirassem para uma sala separada.

O presidente do tribunal perguntou aos réus Ho Pil Sun, Choe Han U e Ri Tu Hyon se havia algo a acrescentar ou corrigir entre as declarações que haviam prestado até então durante as audiências.

Réu Ho Pil Sun — Não há.

Réu Choe Han U — Não há.

Réu Ri Tu Hyon — Não há.

O presidente do tribunal perguntou ao procurador e aos acusadores sociais e advogados se havia algo a ser acrescentado no interrogatório, ao que todos responderam que não.

Interrogatório do réu Yun Myong Won

O presidente do tribunal ordenou ao réu Yun Myong Won que declarasse brevemente sua trajetória e os crimes que havia cometido durante o período de ocupação inimiga.

Réu Yun Myong Won — Aos 21 anos, formei-me na Escola Secundária Superior de Sinchon e fiquei em casa sem fazer nada. Quando as tropas estadunidenses entraram em Sinchon, em 17 de outubro de 1950, eu as recepcionei e, depois de entrar na sede do condado de Sinchon, ingressei na polícia. Em seguida, recebi do tenente estadunidense Harrison a ordem de prender e executar todos os membros do Partido do Trabalho, funcionários democráticos e suas famílias. Junto com outros sete policiais armados, prendemos 15 membros do Partido do Trabalho e os entregamos à polícia, fazendo com que fossem massacrados.

No dia seguinte, 18 de outubro, quando mais de 900 patriotas, incluindo mais de 200 crianças, foram massacrados no abrigo antiaéreo diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, fiquei encarregado da segurança ao redor do local do massacre.

No dia seguinte, 19 de outubro, à noite, saí novamente em patrulha na região diante da estação de Sinchon com o objetivo de prender membros do Partido do Trabalho, mas não conseguimos prender ninguém. Depois disso, fiquei em casa com a intenção de conseguir emprego em outra instituição, mas, como não consegui emprego, participei do massacre de mais de 910 patriotas no depósito de explosivos de Wonam-ri, em 7 de dezembro. Quando as tropas estadunidenses estavam em retirada, desembarquei na ilha Sunui e, como houve uma convocação de emergência dos policiais armados, reuni-me com eles. De repente, o Exército Popular começou a disparar projéteis, fazendo com que todos se dispersassem e fugissem de barco.

Depois disso, ingressei nas forças armadas do cantão de Nambu e, principalmente, saqueava os alimentos do povo para garantir a alimentação dos membros das forças armadas.

Além disso, como também havia recebido uma missão de espionagem, há o fato de que, em Undok-ri, cantão de Nambu, prendemos duas pessoas que passavam pela estrada e as entregamos às forças armadas.

Além disso, para conseguir alimentos, fui duas ou três vezes da ilha para a região de Sinchon e voltei.

O presidente do tribunal pediu ao procurador que procedesse ao interrogatório do réu Yun Myong Won.

Procurador An Pyong Jin — Por ordem de quem o réu Yun Myong Won participou do massacre dos membros do Partido do Trabalho e de suas famílias em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro?

Réu Yun Myong Won — Participei por ordem do chefe da polícia.

Pergunta — O método pelo qual os patriotas foram massacrados naquela ocasião é exatamente como foi declarado pelos corréus Ho Pil Sun, Choe Han U e Ri Tu Hyon?

Resposta — Sim. Não há diferença.

Pergunta — Até quando o réu permaneceu como membro das forças armadas?

Resposta — Permaneci como membro das forças armadas até o massacre do povo em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon; depois disso, estive na "Associação da Juventude Taehan".

Pergunta — O que era a "Associação da Juventude Taehan"?

Resposta — Era uma organização reacionária que, assim como os grupos terroristas da Juventude do Noroeste, massacrava e reprimia o povo.

Pergunta — Que tipo de pessoas organizava tais grupos?

Resposta — Eram organizados por grupos de traidores da nação.

Pergunta — Que tipo de atividades realizavam as pessoas que pertenciam a tais organizações?

Resposta — Principalmente prendiam em massa, torturavam e massacravam o povo, além de exercer repressão sobre ele.

Pergunta — Então, depois de ingressar nessa organização, que atividades o réu realizou?

Resposta — Recebi treinamento e também acompanhava aqueles que prendiam membros do Partido do Trabalho e suas famílias para massacrá-los.

Pergunta — Quantas vezes o réu participou do massacre de patriotas?

Resposta — Participei do massacre de mais de 900 pessoas em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro, e do massacre de mais de 900 pessoas no depósito de explosivos de Wonam-ri, em 7 de dezembro.

Pergunta — Por ordem de quem o réu participou do massacre de mais de 900 patriotas no depósito de Wonam-ri, em 7 de dezembro?

Resposta — Participei por ordem do chefe da polícia armada.

Pergunta — Que papel o réu desempenhou quando o povo foi massacrado no depósito de Wonam-ri, em 7 de dezembro?

Resposta — Fiquei encarregado da segurança ao redor do local.

Pergunta — Há algo incorreto nas declarações dos corréus Ho Pil Sun, Choe Han U e Ri Tu Hyon?

Resposta — Não há.

Pergunta — O réu professa alguma religião?

Resposta — Sim. Sou cristão.

Pergunta — Que artimanhas os estadunidenses empregaram sob o pretexto do cristianismo?

Resposta — Diziam que, se não acreditássemos em Jesus, seríamos tratados da mesma forma que os membros do Partido do Trabalho.

Pergunta — O réu sabe que os estadunidenses instalaram um prostíbulo de escravas sexuais?

Resposta — Não sei.

Pergunta — O réu sabe que os estadunidenses saquearam os bens dos cidadãos?

Resposta — Sim. Sei. Os estadunidenses saquearam bois, cavalos, porcos, galinhas e muitos outros bens do povo e os levaram consigo.

Pergunta — O réu não acompanhou os estadunidenses e os ajudou quando eles saqueavam os bens do povo?

Resposta — Não os acompanhei nem os ajudei.

Pergunta — Diga em que condições o réu recebeu uma missão de espionagem da unidade de informações estadunidense e atuou nela.

Resposta — Como a operação de repressão do Exército Popular era intensa, não consegui coletar informações.

Pergunta — Quantas pessoas entraram junto com o réu para cumprir a missão de espionagem?

Resposta — Três pessoas entraram.

Pergunta — Quem era o responsável entre essas três pessoas?

Resposta — Não havia ninguém designado especificamente como responsável; entramos juntos.

Pergunta — Quando entrou para cumprir a missão de espionagem, o que trouxe consigo?

Resposta — Não trouxe nada, entrei de mãos vazias.

Pergunta — Então, como pretendia transmitir os materiais de espionagem que coletasse?

Resposta — Havia um posto de contato designado.

Pergunta — Depois de receber a missão de espionagem e entrar, foi procurar o posto de contato designado?

Resposta — Não podia ir durante o dia e, quando ia à noite, às 23h30 a porta já estava fechada, por isso não consegui encontrar as pessoas do posto de contato.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia concluído o interrogatório do réu Yun Myong Won.

O presidente do tribunal pediu aos acusadores sociais que interrogassem o réu Yun Myong Won, ao que todos os acusadores sociais responderam que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal pediu aos advogados que interrogassem o réu Yun Myong Won.

Advogado Hyon Chang Hyong — Que responsabilidade o réu tinha quando participou do massacre de mais de 900 patriotas em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro?

Réu Yun Myong Won — Naquela ocasião, fiquei encarregado da segurança ao redor do local e participei.

Pergunta — O que fez quando ocorreu o massacre no depósito de Wonam-ri, em 7 de dezembro?

Resposta — Naquela ocasião também fiquei apenas encarregado da segurança.

Pergunta — Qual era a impressão do réu quando mais de 900 pessoas eram massacradas de uma só vez?

Resposta — Não tive nenhuma impressão especial; apenas pensei que deveria cumprir fielmente minha missão de ficar de guarda.

Pergunta — Quem comandava o massacre no local naquela ocasião?

Resposta — O tenente estadunidense Harrison comandava pessoalmente.

Pergunta — Então, o réu sentiu-se bem quando tantas pessoas estavam sendo mortas?

Resposta — Na primeira vez, tive a ideia de atacar, mas na segunda vez já não tive esse pensamento.

Pergunta — O que pensa agora sobre os atos que cometeu naquela ocasião?

Resposta — Penso que minha conduta naquela época estava errada e que cometi um grave crime diante do Estado e do povo.

O presidente do tribunal pediu aos jurados que interrogassem o réu Yun Myong Won, ao que todos os jurados responderam que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal perguntou ao procurador se havia algo mais a acrescentar no interrogatório, e o procurador respondeu que havia apenas mais uma pergunta, procedendo então da seguinte maneira.

Procurador An Pyong Jin— Quem matou os dois patriotas que o réu trouxe da aldeia quando os levou para Nambu?

Réu Yun Myong Won — Fui eu que os matei, atirando neles pessoalmente.

O procurador informou ao presidente do tribunal que não havia mais nada a acrescentar no interrogatório.

O presidente do tribunal perguntou ao réu Yun Myong Won desde quando ele professava o cristianismo.

Réu Yun Myong Won — Desde os seis anos.

Pergunta — Há algum trecho da Bíblia cristã que ordene matar muitas pessoas?

Resposta — Não há tal trecho na Bíblia.

Pergunta — Não foi por existir algo assim na doutrina cristã e por você querer obedecer à doutrina que participou do massacre de muitas pessoas?

Resposta — A doutrina cristã não diz para matar muitas pessoas.

Pergunta — As declarações dos corréus Ho Pil Sun, Choe Han U e Ri Tu Hyon estão corretas?

Resposta — Estão corretas.

Pergunta — O réu conhece Ho Pil Sun?

Resposta — Conheço-o bem, pois, na época da escola, Ho Pil Sun era aluno de uma série inferior.

Pergunta — Dizem que Ho Pil Sun é um arruaceiro de Sinchon. Isso é verdade?

Resposta — É o que tenho ouvido.

Pergunta — Por qual motivo ele é chamado assim?

Resposta — Dizem que é chamado de arruaceiro porque gosta de ir a restaurantes, beber e brigar com as pessoas, e porque não respeitava a disciplina na escola e só se comportava mal.

O presidente do tribunal verificou com os réus Ho Pil Sun, Choe Han U e Ri Tu Hyon se havia algo incorreto na declaração do réu Yun Myong Won.

Réu Hô Pil Sun — Não há nada incorreto.

Réu Choe Han U — Não há nada incorreto.

Réu Ri Tu Hyon — Não há nada incorreto.

O presidente do tribunal voltou a confirmar com os réus Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon e Yun Myong Won se havia algo incorreto em suas declarações prestadas até então, e todos os réus responderam que não havia nada incorreto.

O presidente do tribunal verificou com os réus se era correto que, por ordem de Harrison, comandante das tropas estadunidenses que ocuparam temporariamente Sinchon, um total de 35.383 pessoas havia sido massacrado no condado de Sinchon por numerosos soldados estadunidenses e suas forças auxiliares, as chamadas forças de polícia, as forças estudantis armadas e, além delas, diversos grupos de comerciantes, ao que todos os réus responderam que estava correto.

O presidente do tribunal dirigiu-se ao réu Ho Pil Sun.

Pergunta — Não é um fato incontestável que, durante o período de ocupação temporária, os estadunidenses massacraram pessoas não apenas na região do condado de Sinchon, mas em todas as regiões que ocuparam, e que, desde o primeiro dia em que desembarcaram na parte sul da Coreia, cometeram o crime de massacrar numerosos habitantes?

Resposta — Sim. Isso é verdade.

Pergunta — Afinal, qual é a opinião do réu sobre o motivo de os estadunidenses terem massacrado indiscriminadamente habitantes pacíficos que nem sequer eram combatentes?

Resposta — Penso que isso aconteceu porque, desde o primeiro dia em que os estadunidenses desembarcaram na Coreia do Sul, eles vêm massacrando todos os patriotas coreanos que se opõem à sua intenção de transformar a Coreia em sua colônia e os coreanos em seus escravos.

Pergunta — Quem hoje está lutando ativamente na vanguarda da luta contra essa política de agressão do imperialismo estadunidense na Coreia?

Resposta — São os membros do Partido do Trabalho da Coreia.

Pergunta — Se os estadunidenses massacram os membros do Partido do Trabalho por sua ambição de transformar a Coreia em uma colônia e escravizar o povo coreano, por que os réus, que não são estadunidenses, participaram do massacre dos membros do Partido do Trabalho?

Resposta — Interpretamos erroneamente a retirada temporária do Exército Popular como uma derrota permanente da República e, por ordem de Harrison, comandante das tropas estadunidenses estacionadas em Sinchon, ficamos responsáveis pelas forças estudantis armadas, uma força auxiliar dos estadunidenses, e acabamos participando do massacre dos patriotas coreanos.

Pergunta — Mesmo que tivessem pensado assim, sendo coreanos, poderiam participar de tais atrocidades e agir dessa maneira?

Resposta — Não poderíamos.

O presidente do tribunal informou novamente aos réus que, caso houvesse algo que não tivessem conseguido dizer durante os três dias anteriores de audiências, poderiam complementar suas declarações por meio do interrogatório das testemunhas e que, caso houvesse algum ponto nos depoimentos das testemunhas que divergisse de suas opiniões, também poderiam prestar declarações a respeito e refutá-lo.

O presidente do tribunal perguntou ao procurador, aos acusadores sociais e aos advogados de defesa se havia alguma objeção ao encerramento, naquele momento, da fase de julgamento dos réus, ao que o procurador, os acusadores sociais e os advogados responderam todos que não havia objeção.

O presidente do tribunal declarou um intervalo de dez minutos e retirou-se às 11 horas.

A sessão foi retomada às 11h10.

Interrogatório da testemunha Kim Man Sok

Presidente do tribunal — Testemunha Kim Man Sok, a partir de agora, relate detalhadamente tudo o que sabe sobre os crimes cometidos pelos presentes réus durante o período de ocupação inimiga e sobre as atrocidades cometidas pelas tropas estadunidenses que ocuparam o condado de Sinchon naquela época.

Testemunha Kim Man Sok — Quando as tropas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon, eu estava como membro das forças armadas da chamada polícia de Sinchon e, por ter participado junto com os presentes réus do massacre dos patriotas, fui posteriormente preso pelas autoridades do Departamento de Segurança Interna. Fui libertado graças à política de clemência do Governo da República Popular Democrática da Coreia e atualmente trabalho na agricultura.

Em 17 de outubro de 1950, as tropas estadunidenses invadiram a região de Sinchon. Naquela época, eu estava nas forças armadas e recebi do tenente estadunidense Harrison, comandante das tropas estadunidenses estacionadas em Sinchon que haviam ocupado Sinchon, a ordem de prender os membros do Partido do Trabalho e suas famílias e exterminar os comunistas. Junto com as chamadas forças armadas da polícia, as forças estudantis e outras, prendemos mais de 900 patriotas e os confinamos no segundo andar da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon. No dia seguinte, 18 de outubro, os estadunidenses os levaram para fora, fizeram-nos entrar à força em uma vala de aproximadamente 20 metros de profundidade escavada em frente à sede do Partido do Trabalho, cobriram suas cabeças com as roupas que haviam tirado deles, cobriram-nos novamente com palha, derramaram gasolina sobre eles e atearam fogo. Eu estava de guarda a aproximadamente 20 metros de distância.

Quando derramaram gasolina e atearam fogo, ouviam-se terríveis gritos vindos do interior da vala. Aqueles que conseguiam sair rastejando através das chamas eram chutados de volta para dentro pelos soldados estadunidenses e pelos membros das forças armadas que estavam ao lado, e empurrados para dentro com as coronhas dos rifles; depois, os soldados dispararam indiscriminadamente com seus fuzis contra aqueles que tentavam sair rastejando.

Naquele momento, do interior da vala ouviam-se, juntamente com o choro doloroso e terrível das crianças, os adultos gritando "Viva o General Kim Il Sung!", "Viva a República Popular Democrática da Coreia!", e cantando canções do General Kim e canções da luta popular.

No local do massacre estavam presentes Harrison, comandante das tropas estadunidenses estacionadas em Sinchon, e o chamado chefe da polícia de Sinchon, Sin Sang Gyu, que dirigiram pessoalmente o massacre. Por ordem de Harrison, antes que todas as pessoas na vala tivessem morrido, a entrada foi coberta com terra, enterrando-as vivas.

Depois de massacrarem completamente mais de 900 patriotas, jogando-os na vala após derramar gasolina sobre pessoas ainda vivas, atear fogo, disparar indiscriminadamente com fuzis e cobri-las com terra, Harrison entrou no chamado gabinete do chefe da polícia depois de dar um tapinha no ombro de Sin Sang Gyu, sorrir e dizer "OK", demonstrando satisfação.

No dia seguinte, Harrison mandou desenterrar o buraco onde mais de 900 pessoas haviam sido massacradas e chegou a fotografar os cadáveres com a câmera que trazia consigo. No dia 20 daquele mês, quando mais de 500 patriotas foram massacrados em um abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna, eu também estava de guarda nas proximidades. Da mesma forma, todas as roupas das vítimas foram retiradas, elas foram colocadas à força no abrigo e sua entrada foi selada com tábuas e sacos de terra. Em seguida, os soldados estadunidenses acenderam os pavios de dinamite que já haviam instalado no interior e as explodiram. Também naquela ocasião, Harrison foi pessoalmente ao local e dirigiu o massacre. Depois que o massacre terminou, ele nos disse que havíamos trabalhado bem e distribuiu um cigarro para cada um de nós.

Por volta do início de dezembro, cerca de 20 soldados estadunidenses foram à estação termal de Sinchon, prenderam pessoas que tinham a cabeça raspada e pessoas que usavam bonés e as massacraram. Naquela ocasião, meu irmão mais novo também foi preso e assassinado.

Além disso, os estadunidenses instalaram um prostíbulo de escravas sexuais nas proximidades da estação termal de Sinchon, mantiveram jovens mulheres confinadas, estupraram-nas e humilharam-nas e depois as fuzilaram. Mesmo depois da retirada dos estadunidenses, ainda havia marcas de sangue das mulheres fuziladas no local.

Por volta do início de dezembro, mais de 900 patriotas foram massacrados em dois depósitos de explosivos em Wonam-ri. Também naquela ocasião, eu estava de guarda a aproximadamente 20 metros de distância. Depois disso, segui as tropas estadunidenses em retirada até Ongjin, embarquei em um navio de guerra e fui para a ilha Ungho. Por volta de 16 de janeiro de 1951, retornei a Sinchon junto com Ho Pil Sun e fui preso pelas autoridades do Ministério do Interior. Enquanto estava sendo reeducado, fui libertado graças à política de clemência da República.

Pergunta — Você disse que a profundidade da vala em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon era de 20 metros. Não seria 2 metros?

Resposta — Não. A profundidade daquele buraco era de aproximadamente 20 metros.

O presidente do tribunal pediu ao procurador que interrogasse a testemunha Kim Man Sok.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Kim Man Sok, qual foi a atitude de Ho Pil Sun naquela ocasião em relação às pessoas que rastejavam para fora, tentando sobreviver, quando mais de 900 pessoas foram massacradas em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon?

Testemunha Kim Man Sok — Naquela ocasião, Hô Pil Sun, como comandante das forças estudantis armadas, ordenou aos seus subordinados que fuzilassem as pessoas que rastejavam para fora tentando sobreviver e, ao mesmo tempo, ele próprio disparou diretamente e de forma indiscriminada contra aqueles que tentavam sair rastejando.

Pergunta — A que unidade pertenciam as tropas estadunidenses que invadiram Sinchon?

Resposta — Não sei a que unidade pertenciam, mas usavam uma insígnia de paraquedas.

Pergunta — É correto que o comandante daquela unidade era Harrison?

Resposta — Está correto.

Pergunta — Qual era a aparência daquele chamado Harrison?

Resposta — Parecia ter cerca de 30 anos, era alto, tinha a parte frontal da cabeça bastante proeminente e uma aparência grosseira.

Pergunta — Qual foi a razão para Harrison desenterrar os cadáveres e fotografá-los no dia seguinte ao massacre de mais de 900 pessoas em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro?

Resposta — Era para fazer propaganda caluniosa, alegando que aquele massacre havia sido cometido pelo Exército Popular durante sua retirada quando eles invadiram a região.

Pergunta — Você disse que também ficou de guarda no depósito de Wonam-ri, onde mais de 910 pessoas foram confinadas em 3 de dezembro. Em que dia elas foram massacradas?

Resposta: Era a manhã de 7 de dezembro.

Pergunta: Como foram tratados os cerca de 910 patriotas do povo desde que foram presos até serem massacrados?

Resposta: No frio inverno, não lhes deram sequer um gole de água, quanto mais comida, deixando-os simplesmente passar fome.

Pergunta: De que maneira foram massacrados?

Resposta: Jogaram gasolina sobre eles e atearam fogo, colocaram gasolina em garrafas e fizeram-nas explodir, além de lançar numerosas granadas, massacrando-os de maneira atroz.

Pergunta: Que papel desempenhou Ho Pil Sun naquela ocasião?

Resposta: Colocou gasolina em garrafas, ateou fogo e as lançou, e também vi que disparou uma arma.

Pergunta: Depois de mantê-los presos durante 3 a 4 dias sem lhes dar absolutamente nada para comer, o que aconteceu com os bebês e as crianças pequenas?

Resposta: A maioria das crianças morreu de fome e de frio, e como a maioria delas cavou a terra com as unhas para tentar escapar da fome e do frio, suas unhas haviam se soltado e elas estavam cobertas de sangue.

Pergunta: Depois de massacrá-los, o que fizeram com seus cadáveres?

Resposta: Simplesmente os deixaram abandonados e fugiram.

Pergunta: É verdade que, depois de ir à ilha para receber uma missão de espionagem, você entrou em Sinchon junto com Yun Myong Won, Ho Pil Sun e outros?

Resposta: Sim. É verdade.

Pergunta: Enquanto a testemunha estava entre os membros armados, viu os soldados estadunidenses forçarem os moradores a se mudarem?

Resposta: Sim. Eu vi. Por volta do final de novembro, vi os soldados estadunidenses colocarem mais de 400 moradores de Sinchon em veículos militares e transferi-los para o sul.

Pergunta: Qual foi o resultado dessa transferência forçada?

Resposta: Não sei qual foi o resultado.

Pergunta: Que tipo de mulheres eram aquelas que foram estupradas e submetidas a outros abusos nos prostíbulos instalados pelos soldados estadunidenses?

Resposta: Eram donas de casa ou alunas de escolas secundárias femininas.

Pergunta: A testemunha viu soldados estadunidenses saquearem os bens dos cidadãos?

Resposta: Sim. Eu vi. Eles roubavam o gado dos moradores e o abatiam para comer, além de roubarem inúmeras outras propriedades.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Kim Man Sok.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Man Sok, mas todos responderam que não tinham mais perguntas.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Man Sok.

O advogado Ji Yong Dae perguntou por que o acusado Ho Pil Sung havia sido expulso da escola quando era estudante, ao que a testemunha Kim Man Sok respondeu: Ho Pil Sun, quando era estudante, embora gostasse de praticar esportes, não gostava de estudar; além disso, bebia, andava por aí brigando e perturbava a disciplina escolar, razão pela qual foi expulso.

Pergunta: Quando o povo foi massacrado em frente ao Comitê do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro, que papel desempenhou Ho Pil Sun?

Resposta: Ele chutava as pessoas que tentavam sair rastejando para salvar a vida, empurrando-as para dentro das chamas, e, além disso, disparava contra elas, participando diretamente do massacre.

Pergunta: Quando o povo foi massacrado no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna, que papel desempenhou o acusado Ho Pil Sun?

Resposta: Da mesma forma, comandou os membros armados do grupo de estudantes, fez as vítimas tirarem suas roupas, amarrou-as e as empurrou para dentro do abrigo antiaéreo.

Pergunta: Naquela ocasião, quem ateou fogo ao pavio da dinamite instalada no interior do abrigo antiaéreo?

Resposta: Foram os soldados estadunidenses.

Pergunta: O acusado Ho Pil Sun chegou a andar junto com Harrison?

Resposta: Como Ho Pil Sun era o comandante dos estudantes armados naquela época, Harrison sempre trabalhava diretamente com ele e também depositava bastante confiança nele.

O advogado Ji Yong Dae informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Kim Man Sok.

Advogado Hyon Chang Hyong — Quando a testemunha desembarcou junto com os acusados Yun Myong Won, Ho Pil Sun e outros, encarregados de uma missão de espionagem, o acusado Choe Han U não desembarcou junto?

Testemunha Kim Man Sok — Choe Han U não veio junto.

O acusador social Sin Song Sun informou ao presidente do tribunal que faria algumas perguntas à testemunha Kim Man Sok, e o presidente do tribunal concedeu-lhe a oportunidade de interrogá-la.

Acusador social Sin Song Sun — Entre as mais de 520 pessoas massacradas no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado, quantos eram homens e quantas eram mulheres e crianças pequenas? E, além disso, como foi realizado o massacre naquela ocasião?

Testemunha Kim Man Sok — Das mais de 520 vítimas, cerca de 300 eram homens e mais de 200 eram mulheres e crianças pequenas, entre as quais havia muitas mulheres grávidas e crianças pequenas de 1 a 3 anos de idade.

O método de massacre consistiu em despir homens, mulheres, idosos e crianças sem exceção, amarrá-los e empurrá-los para dentro do abrigo antiaéreo, selar a entrada do abrigo com tábuas e sacos de terra, fazendo-os morrer asfixiados, e depois atear fogo aos pavios da dinamite que já havia sido instalada no interior do abrigo, fazendo-os explodir.

Pergunta: O que fizeram com os sapatos das vítimas?

Resposta: Tiraram até os sapatos de todos eles, deixando-os vestidos apenas com uma peça de roupa íntima.

Pergunta: Quando eram enviados para dentro do abrigo antiaéreo, não houve pessoas que se recusassem a entrar?

Resposta: Quase todos não queriam entrar, mas foram empurrados à força com coronhadas e chutados para dentro.

O acusador social Sin Song Sun informou que havia terminado o interrogatório da testemunha Kim Man Sok. O presidente do tribunal perguntou à testemunha Kim Man Sok onde ela havia visto que soldados estadunidenses haviam estuprado Mun Ye Bin e seu irmão, ao que a testemunha Kim Man Sok respondeu: Vi quando os levaram para as montanhas atrás de Sinchon, os estupraram e depois os fuzilaram.

Pergunta: Por que as mais de 200 crianças pequenas que foram massacradas no armazém de Wonam-ri ficaram com as unhas das mãos e dos pés completamente desgastadas?

Resposta: Porque, vencidas pela fome e pelo frio, tentaram chegar ao lugar onde estavam seus pais e morreram durante a tentativa.

Pergunta: Dizem que uma aluna da escola secundária feminina de nível superior de Sinchon viu a testemunha e contou-lhe que havia sido estuprada por soldados estadunidenses. Quando, onde e o que ela disse?

Resposta: Foi por volta de meados de novembro. Eu havia ido ao cantão de Onchon para tomar banho nas águas termais e vi cerca de 20 mulheres jovens confinadas no pavilhão Jangbaeksan. Todas aquelas mulheres tinham o rosto pálido e os olhos abatidos. Entre elas havia uma aluna de 17 anos da escola secundária feminina de nível superior de Sinchon que, ao me ver, me chamou de irmão mais velho. Ao me ver, ela disse, chorando: "O que devemos fazer? Todas as mulheres que estão aqui foram estupradas pelos malditos soldados estadunidenses. Eles também encostaram o cano de um fuzil no meu peito e disseram que me matariam se eu não obedecesse, por isso, sem poder suportar a ideia de morrer, entreguei meu corpo."

Pergunta: Diga tudo o que sabe sobre os massacres cruéis cometidos pelos soldados estadunidenses contra o povo naquela época em que ocuparam Sinchon.

Resposta: Como já disse, os métodos de massacre foram extremamente cruéis, mas os métodos de assassinato individual foram ainda mais horríveis. Um membro do Partido do Trabalho que residia em Unbong-ri foi morto depois de ter sua pele arrancada, sob o pretexto de que era muito dedicado ao trabalho. O presidente da célula do Partido do Trabalho do mesmo local teve as palavras "comunista vermelho muito dedicado" queimadas em sua testa com a ponta de um ferro em brasa, foi arrastado pelas ruas e depois espancado até a morte. Em seguida, disseram: "Vá para Moscou, de que você sempre dizia gostar", e o mataram queimando todo o seu corpo com a ponta de um ferro em brasa. Além disso, outro presidente de ri foi morto com um prego cravado na testa, e houve inúmeros outros casos de mortes cruéis.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se, entre os depoimentos da testemunha Kim Man Sok, havia algo que fosse diferente dos fatos, duvidoso ou sobre o qual quisessem fazer alguma pergunta, e todos os acusados responderam que não.

Interrogatório da testemunha Pak Sol Hwa

Presidente do tribunal — Testemunha Pak Sol Hwa, declare tudo o que sabe sobre os crimes cometidos pelos presentes acusados durante o período da ocupação inimiga e sobre as atrocidades criminosas cometidas pelos soldados estadunidenses que ocuparam temporariamente Sinchon.

Testemunha Pak Sol Hwa — Vou prestar depoimento sobre os acontecimentos ocorridos em 17 de outubro de 1950, em Kyeje-ri, Sinchon, onde eu residia. Naquela época, testemunhei diretamente os danos sofridos pela minha família e pelos moradores da região durante o período da ocupação, bem como o processo de execução cruel dos membros do Partido do Trabalho. Também houve casos trágicos de danos sofridos por membros das famílias, incluindo idosos e crianças pequenas.

Além disso, assassinaram por enterro em vida a esposa Kim In Nyo de um agricultor exemplar de nossa aldeia, depois de submetê-la a torturas cruéis. Enquanto torturavam Kim In Nyo, fuzilaram também seu filho de cinco anos, que estava chorando. Além disso, quebraram os braços e as pernas das esposas dos membros do Partido do Trabalho da aldeia e as mataram, penduraram seus filhos de cabeça para baixo nas árvores e os mataram, entre tantos outros atos que é impossível enumerar um por um.

Eu também fui presa por aqueles malditos, mas consegui fugir e me escondi no condado de Anak, na província de Hwanghae. Depois que nosso Exército Popular avançou novamente, voltei à aldeia e procurei minha família que havia sido massacrada. Encontrei os cadáveres de seis crianças pequenas, mortas de maneira tão horrível que a carne e os ossos estavam todos misturados, tornando impossível distinguir de quem era cada cadáver.

Aqueles homens sentados ali também (nesse momento, a testemunha, olhando para os acusados com os olhos cheios de chamas de ódio e ressentimento, abaixa a cabeça e aponta com a mão para os quatro acusados, incluindo Ho Pil Sun e Choe Han U, sentados no banco dos acusados) massacraram minha família junto com os malditos soldados estadunidenses. (A testemunha começa a soluçar e, tomada pela tristeza, não consegue concluir a frase.)

Além disso, os malditos soldados estadunidenses prendiam as moças e mulheres bonitas que viviam no condado de Sinchon e as estupravam, e arrancaram à força das mulheres que eram estupradas cerca de 26 bebês que ainda mamavam, levando-os para as montanhas atrás da aldeia e matando-os.

Além disso, massacraram mais de 30 mulheres e crianças pequenas no reservatório de Sinchon. Não sabíamos disso e, na primavera do ano seguinte, quando abrimos as comportas do reservatório para irrigação e plantio, o forte cheiro de corpos humanos em decomposição chamou nossa atenção e, ao investigarmos, descobrimos o ocorrido.

Em nossa aldeia vivem 170 famílias. Quanto ao número de pessoas massacradas naquela época pelos malditos soldados estadunidenses, entre os 48 membros do Partido do Trabalho, 45 foram mortos; 40 esposas, 80 mulheres e 85 crianças, totalizando mais de 380 pessoas inocentes massacradas. Os diversos atos cruéis cometidos pelos malditos soldados estadunidenses quando vieram à nossa aldeia são indescritíveis.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha Pak Sol Hwa.

Procurador An Pyong Jin — Quantos membros da família da testemunha foram mortos pelos soldados estadunidenses naquela época?

Testemunha Pak Sol Hwa — Ao todo, até os parentes de quinto grau, 20 pessoas foram massacradas.

Pergunta: Qual era a idade das pessoas que foram massacradas?

Resposta: Eram 10 crianças pequenas, 4 jovens, 2 idosos de 80 anos, 2 mulheres de 40 anos, 1 mulher de 23 anos e meu pai, de 71 anos, totalizando 20 pessoas.

Pergunta: Segundo o depoimento da testemunha, mais de 370 pessoas foram massacradas pelas mãos dos soldados estadunidenses em Kyeje-ri durante o período da ocupação inimiga. Qual era a população total daquela aldeia?

Resposta: Cerca de 750 pessoas.

O procurador apresentou à testemunha Pak Sol Hwa a Prova nº 13 e perguntou se ela sabia o que estava representado na fotografia. A testemunha Pak Sol Hwa respondeu que a fotografia mostrava o cadáver de Kim In Ae, cujo irmão havia sido morto e cujo corpo foi encontrado nas montanhas atrás de Sangho-ri, em Sinchon; o bebê que estava preso às costas dela havia agarrado os cabelos da mãe e os dois morreram de maneira horrível, formando um único conjunto.

Pergunta: A testemunha sabe que os soldados estadunidenses que invadiram Sinchon saquearam os bens do povo?

Resposta: Como fui presa e mantida detida por aqueles malditos e, depois, fugi em 24 de outubro e fiquei escondida no condado de Anak, não sei em detalhes como eles saquearam os bens do povo.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Pak Sol Hwa.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Pak Sol Hwa, mas os acusadores sociais responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha Pak Sol Hwa, mas os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

Presidente do tribunal — Testemunha Pak Sol Hwa, como você entendeu quando os soldados estadunidenses massacraram o presidente da célula e disseram: "Vamos para o comitê do Partido que você gosta"?

Testemunha Pak Sol Hwa — Entendi porque disseram isso por meio de um intérprete.

O presidente do tribunal concedeu aos jurados a oportunidade de interrogar a testemunha Pak Sol Hwa, mas os jurados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se havia algum ponto incorreto no depoimento da testemunha Pak Sol Hwa, e os acusados responderam, cada um deles, que não havia.

Interrogatório da testemunha U Mal Je

Presidente do tribunal — Testemunha U Mal Jik, relate detalhadamente tudo o que sabe sobre os crimes cometidos pelos acusados Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon, Yun Myong Won e outros durante o período em que os soldados estadunidenses ocuparam Sinchon, bem como sobre as atrocidades criminosas cometidas pelos soldados estadunidenses.

Testemunha U Mal Je— Eu residia em Wonam-ri. Depois que nosso Exército Popular recuou temporariamente, os malditos soldados estadunidenses também entraram em nossa aldeia de carro.

Na manhã de 18 de outubro, três malditos soldados estadunidenses vieram à minha casa, agarraram meu marido e revistaram seu corpo. Quando encontraram nele a bandeira de nossa República, aqueles inimigos disseram ao meu marido: "Este homem é um verdadeiro comunista vermelho", amarraram-lhe todo o corpo, perfuraram suas orelhas e palmas das mãos com arame, pregaram na testa o certificado de condecoração de agricultor dedicado que meu marido havia recebido e o arrastaram pelas ruas, até que ele foi brutalmente massacrado. (Nesse momento, a testemunha chora, tomada de uma raiva e de um ressentimento insuportáveis contra os inimigos, e continua falando em tom extremamente exaltado.) Os malditos soldados estadunidenses mataram meu marido de maneira tão horrível e também assassinaram minha nora de uma forma tão cruel que é impossível descrevê-la com palavras humanas. Minha nora, que originalmente tinha um rosto bonito e uma personalidade muito bondosa, foi atacada por aqueles desgraçados que tentaram violentá-la. Ela resistiu obstinadamente, gritando: "Seus desgraçados! Mesmo que eu morra mil ou dez mil vezes, jamais entregarei meu corpo a inimigos mortais como vocês!" Então eles levaram minha nora para as montanhas, tiraram-lhe todas as roupas, penduraram-na em uma castanheira, arrancaram-lhe os seios com uma faca, cravaram uma estaca de madeira em seus órgãos genitais, atearam fogo nela e a queimaram até a morte. (A testemunha, tomada pela tristeza e pelo ressentimento, não consegue continuar falando e começa a soluçar. Somente depois de o presidente do tribunal adverti-la a não se exaltar demais e a prestar seu depoimento detalhadamente é que ela continua, em um tom entrecortado pelo choro, cheio de raiva e ressentimento contra os inimigos.) Um dos meus filhos havia ido servir no Exército Popular, enquanto outro ocupava o cargo de secretário do comitê popular do ri. Meu filho que era secretário foi capturado pelos soldados estadunidenses e morreu depois de ter seus membros despedaçados, e minhas três filhas também foram submetidas pelas mãos daqueles homens a massacres tão horríveis que não podem ser descritos em palavras.

E não foi só isso. Os malditos soldados estadunidenses capturaram mais de 30 membros das famílias de meus três irmãos, colocaram-nos de cabeça para baixo dentro de um poço e os mataram jogando sobre eles esteiras de palha e pedras.

Enquanto eu estava escondida nas montanhas, vi que, em um lugar, mais de 270 pessoas haviam sido queimadas vivas pelas mãos dos malditos soldados estadunidenses. Entre elas, vi bebês que ainda respiravam mamando no peito de suas mães mortas. Como poderei aplacar meu ressentimento se não matarmos todos esses inimigos semelhantes a demônios?

Pergunta: Qual é o nome do marido da testemunha?

Resposta: O nome do meu marido é Pak Do Sop.

Pergunta: Qual era a idade dele?

Resposta: Ele tinha 45 anos quando foi assassinado por aqueles homens.

Pergunta: Quais eram os nomes dos filhos da testemunha que foram massacrados pelos soldados estadunidenses?

Resposta: Os filhos que foram massacrados por aqueles homens eram meu filho mais velho, Pak Chang Gun, de 25 anos; meu terceiro filho, Pak Song Chan, de 15 anos; meu quarto filho, Pak Song Sop; minha filha mais velha, Pak Song Nyo; e minha segunda filha, Pak Chun Nyo.

O procurador solicitou ao presidente do tribunal autorização para interrogar a testemunha U Mal Je.

O procurador An Pyong Jin perguntou se havia alguém que tivesse acompanhado os soldados estadunidenses quando eles foram prender os familiares da testemunha na manhã de 18 de outubro, ao que a testemunha U Mal Je respondeu: "Os malditos soldados estadunidenses trouxeram consigo o filho da família Jang, antigos proprietários de terras que haviam sido expulsos e fugido para o sul."

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha U Mal Je.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha U Mal Je, mas os acusadores sociais responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha U Mal Je, mas os advogados responderam que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal concedeu aos jurados a oportunidade de interrogar a testemunha U Mal Je, mas os jurados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal perguntou aos réus se tinham alguma opinião sobre o depoimento da testemunha U Mal Je, ao que os réus responderam, cada um deles, que não tinham nenhuma opinião.

Interrogatório da testemunha Kim Son Nyo

O presidente do tribunal disse à testemunha Kim Son Nyo: Diga o que sabe sobre os crimes cometidos pelos presentes réus e sobre as atrocidades criminosas cometidas pelos soldados estadunidenses durante o período em que ocuparam Sinchon.

Testemunha Kim Son Nyo — Os soldados estadunidenses cometeram todo tipo de atrocidade durante o período em que invadiram Sinchon. Aqueles malditos, dizendo que meu pai Kim Jin Hae era um camponês exemplar, falaram: "Esse sujeito não pode simplesmente ser morto", reuniram os moradores da aldeia, rasgaram seu corpo aos poucos com uma faca e pregaram no peito, com uma faca, o certificado de condecoração de camponês entusiasta, depois o jogaram no reservatório e o mataram. Minha mãe foi cruelmente massacrada por aqueles sujeitos no abrigo antiaéreo. Os 13 membros da família do meu sogro foram amarrados firmemente por todo o corpo com cordas, colocados sobre uma pilha de lenha, e então atearam fogo, queimando-os até a morte. (Nesse momento, a testemunha, tomada pela emoção, chora.) Além disso, aqueles malditos prenderam o presidente do Comitê Popular do cantão e o presidente da célula do Partido do Trabalho de nossa aldeia, Ri Tong Gon, despiram-nos e amarraram-nos a um poste, torturando-os cruelmente de todas as formas, golpeando-os com facas por todo o corpo, quebrando-lhes as pernas e assim por diante, até finalmente massacrá-los de maneira miserável. Além disso, suas atrocidades incluíam prender inúmeras pessoas que haviam se escondido e transportá-las em caminhões militares, para depois despejá-las no reservatório e matá-las. Os malditos soldados estadunidenses foram realmente açougueiros humanos e cometeram todo tipo de atrocidade. Depois que eles bateram em retirada, procurei os cadáveres de meus familiares, mas todos haviam sido consumidos pela água e dilacerados pelas facas, restando apenas os ossos. Entre eles estava meu filho, que havia sido massacrado por aqueles sujeitos de maneira tão brutal que consegui encontrar e enterrar apenas seu pequeno corpo, sem cabeça nem pernas. Hoje, o que peço aos camaradas juízes é que castiguem severamente aqueles sujeitos imundos e repugnantes sentados ali (apontando com a mão para os réus), que, comportando-se como cães a serviço dos soldados estadunidenses, os açougueiros humanos, participaram do massacre de pessoas inocentes, para que assim possam aliviar, ainda que minimamente, meu ressentimento.

O presidente do tribunal recomendou ao procurador que interrogasse a testemunha Kim Son Nyo.

Procurador An Pyong Jin — Quantos membros da família da testemunha foram todos massacrados pelos soldados estadunidenses?

Testemunha Kim Son Nyo — Somando até meu primo mais velho, são cerca de 40 pessoas.

Pergunta — Quem prendeu os familiares que foram massacrados?

Resposta — Foram os soldados estadunidenses e os chamados membros armados da polícia que os prenderam e levaram.

Pergunta — Entre os réus sentados ali, não houve ninguém que tenha participado da prisão dos familiares da testemunha?

Resposta — Não houve nenhum entre aqueles sujeitos.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Kim Son Nyo.

O presidente do tribunal recomendou aos acusadores sociais que interrogassem a testemunha Kim Son Nyo, ao que os acusadores sociais responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal recomendou aos advogados que interrogassem a testemunha Kim Son Nyo, ao que os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal perguntou aos réus se tinham alguma opinião sobre o depoimento da testemunha Kim Son Nyo, ao que todos os réus responderam que não tinham nenhuma.

O presidente do tribunal declarou um recesso de 10 minutos e deixou a sala às 13h35. A audiência foi retomada às 13h50.

Interrogatório da testemunha Ri Man Sik

O presidente do tribunal disse à testemunha Ri Man Sik: Diga o que sabe sobre os fatos criminosos cometidos pelos réus e pelos soldados estadunidenses quando os soldados estadunidenses ocuparam Sinchon.

Testemunha Ri Man Sik — Os soldados estadunidenses prenderam minha mãe e meu irmão e os massacraram, alegando que meu pai era membro do Partido do Trabalho. Eu também fui preso por aqueles sujeitos e fiquei detido durante vários dias. Um dia, os soldados estadunidenses, juntamente com membros armados, amarraram em grupos de cinco as pessoas que estavam detidas conosco, levaram-nos para fora, até a margem do rio, colocaram-nos em fila e fuzilaram-nos.

Naquele momento, também fui atingido por uma bala e caí, mas, felizmente, não sofri um ferimento fatal. Os membros armados viram que o camarada ao meu lado havia sido atingido por um tiro, mas ainda não estava morto e gemia, então atiraram novamente nele e o mataram. Depois, foram andando de um lado para outro e golpearam novamente com baionetas as pessoas que haviam caído atingidas pelos tiros. Assim, também fui atingido por uma baioneta e fiquei inconsciente. Quando recuperei a consciência, rompi as cordas que me prendiam, segurei meus ferimentos e fui para a casa de minha irmã, em outra localidade, onde me escondi e tratei meus ferimentos. Quando fui levado por aqueles sujeitos ao local da execução, já havia ali centenas de cadáveres de pessoas que tinham sido fuziladas.

Depois que os soldados estadunidenses bateram em retirada, fui até a ponte do rio e vi que havia inúmeros cadáveres sendo levados pela maré e flutuando sobre a água. Eram tantos que não era possível sequer ver a água do rio.

E, quando a maré baixava, bandos de corvos devoravam aqueles cadáveres.

Pergunta — Onde a testemunha disse que foi atingida pelos tiros?

Resposta — Na margem do rio Sok, no cantão de Noul.

Pergunta — A testemunha não morreu mesmo depois de ter sido atingida por tiros e também perfurada por uma baioneta?

Resposta — Sim, é isso mesmo.

Pergunta — Então mostre os locais em seu corpo onde foi atingido pela bala e pela baioneta.

Resposta — Sim... (Nesse momento, a testemunha tira a parte de cima da roupa e mostra a marca de entrada e saída da bala no lado esquerdo do peito e a marca deixada pela perfuração de baioneta acima do mamilo esquerdo.)

O presidente do tribunal recomendou ao procurador que interrogasse a testemunha Ri Man Sik.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Ri Man Sik, quando foi ao local de execução na margem do rio em 21 de outubro, como estavam os cadáveres que já haviam sido massacrados naquela margem?

Testemunha Ri Man Sik — Na margem do rio havia cerca de 200 cadáveres dentro de uma vala com aproximadamente 30 metros de profundidade e 5 metros de comprimento, e na margem do rio vi dois cadáveres sendo trazidos pela maré.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Ri Man Sik.

O presidente do tribunal recomendou aos acusadores sociais que fizessem perguntas.

O acusador público Sin Song Sun perguntou à testemunha Ri Man Sik se era possível saber de que maneira haviam sido massacrados os cadáveres que flutuavam, sendo levados pela maré.

A testemunha Ri Man Sik respondeu: Os soldados estadunidenses levavam as vítimas para cima da ponte, empurravam-nas para que caíssem no rio e depois jogavam pedras nelas para matá-las.

O acusador público Sin Song Sun informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Ri Man Sik.

O presidente do tribunal recomendou aos advogados que interrogassem a testemunha Ri Man Sik, ao que os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal perguntou à testemunha Ri Man Sik qual era a altura da ponte do rio Sok.

Testemunha Ri Man Sik — Não sei exatamente, mas acho que aproximadamente 15 metros.

Pergunta — A água sob a ponte é profunda?

Resposta — Em tempos normais, não é tão profunda, mas, quando a maré sobe, fica profunda e os cadáveres que haviam afundado começam a flutuar.

O presidente do tribunal recomendou aos jurados que interrogassem a testemunha Ri Man Sik, ao que os jurados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal perguntou aos réus se havia algo incorreto no depoimento da testemunha Ri Man Sik, ao que os réus responderam, cada um deles, que não havia.

Interrogatório da testemunha Jon Kyong Ae

Presidente do tribunal — Testemunha Jon Kyong Ae, diga detalhadamente tudo o que ouviu e viu e sabe sobre os crimes cometidos pelos presentes réus e as atrocidades cometidas pelos soldados estadunidenses durante o período em que ocuparam Sinchon.

Testemunha Jon Kyong Ae — Quando os soldados estadunidenses ocuparam Sinchon, eu esperava que eles massacrassem o povo, mas jamais imaginei que realizariam um massacre tão indiscriminado e por métodos tão bárbaros, sem poupar idosos, mulheres ou crianças. Assim que aqueles malditos se arrastaram para dentro de nossa Sinchon, dizendo que era preciso eliminar até a semente dos comunistas, mataram incontáveis pessoas inocentes das maneiras mais cruéis. Em minha casa viviam felizes 12 membros da família, mas 9 deles foram massacrados por aqueles sujeitos. Além disso, na casa de meu tio, todos os 9 membros da família foram massacrados. Antes de falar aqui sobre as atrocidades dos soldados estadunidenses, quero primeiro falar sobre as condições de minha família.

Minha família originalmente trabalhava como arrendatária, mas, depois que nossa pátria foi libertada graças à benevolência do grande Exército soviético, recebemos terras por meio dos benefícios da reforma agrária sob a correta liderança do General Kim Il Sung. Meu pai, feliz por isso, dedicava-se com entusiasmo à agricultura, levando todos os dias várias cargas de adubo, a ponto de transformar suor em lágrimas, e chegou a receber uma condecoração como camponês exemplar. Assim, enquanto vivíamos uma vida próspera e feliz, os soldados estadunidenses se arrastaram para dentro de nossa região e, por meu pai ser um camponês exemplar, massacraram não apenas ele, mas toda a família. Naquela ocasião, também fui presa pelos soldados estadunidenses e mantida confinada no armazém em Talcheon, junto com 83 patriotas.

Os soldados estadunidenses, chamando a senhora Kim Ik Don de familiar de um comunista, espancaram-na inúmeras vezes com uma barra de ferro de cerca de 3 metros e com um cinto, matando-a, e o bebê de apenas 3 meses que ela carregava nas costas também morreu com a cabeça esmagada. Além disso, aqueles malditos fizeram com que uma professora chamada Ri Song Nyo fosse acusada de um crime e, dizendo que ela deveria crescer sobre uma almofada de agulhas, fizeram-na rolar sobre uma tábua cheia de pregos enquanto a espancavam inúmeras vezes, deixando todo o seu corpo coberto de sangue antes de massacrá-la miseravelmente. Ri Gyo Jong, que era chefe de unidade de vizinhança da aldeia, foi enterrado vivo junto com os seis membros de sua família em um buraco cavado no chão como um poço, sob o pretexto de que ele sempre fora entusiasta em seu trabalho. (Nesse momento, a testemunha continua falando enquanto chora de ressentimento e indignação pelas atrocidades dos inimigos.) E não foi só isso. Os inimigos também enterraram viva, depois de cavar um buraco, Ri Chun Ja, de 11 anos, a quem eu ensinava, sob o pretexto de que ela se dedicava aos estudos e participava das atividades da União das Crianças. Naquela ocasião, a menina implorava para que a deixassem viver e rastejava para fora do buraco, mas aqueles malditos assassinos, que não possuíam nem a menor sombra de consciência humana, chutaram violentamente a cabeça da menina para dentro e a enterraram.

Além disso, a mãe de Ri Yong Ha tinha então 80 anos e era uma idosa encurvada pela idade. Enganaram essa idosa, dizendo que a levariam até onde estava seu filho, arrastaram-na para fora, quebraram seus dois braços e a jogaram em uma vala com água, onde a mataram.

Eu vi diretamente com meus próprios olhos cenas tão miseráveis e não consegui conter o ressentimento e a indignação que cresciam dentro de mim contra os inimigos. Por isso, tomei a firme decisão de, de alguma maneira, escapar daquele lugar e vingar-me dos soldados estadunidenses assassinos. Assim, combinei com meu pai que fugiríamos juntos e, quando estávamos confinados no armazém, vi um membro armado chamado So Bok Tae que fazia a guarda e, fingindo que precisava ir ao banheiro, saí e consegui fugir.

Quando os soldados estadunidenses e os membros armados perceberam que havíamos fugido, perseguiram-nos e dispararam contra nós. Meu pai foi atingido pelos tiros daqueles sujeitos, caiu e foi capturado por eles, enquanto eu, felizmente, não fui atingida e continuei correndo, escondendo-me numa floresta. De lá, vi aqueles inimigos esfaquearem até a morte meu pai, que havia caído atingido pelos tiros. (Nesse momento, a testemunha olha com ressentimento e indignação para os réus sentados no banco dos acusados e diz: "Seus malditos, estão entendendo o que estou dizendo? Meu ódio contra vocês, que são os lacaios dos assassinos estadunidenses, é um ódio que se acumula..." ) Fugi dali e, por volta de 20 de outubro, fui à casa de meu irmão mais velho no cantão de Kuhong, mas ele também havia sido capturado pelos sujeitos por ser familiar de um membro do Partido do Trabalho. Assim, fui obrigada a seguir para a casa de minha tia e, quando cheguei às proximidades de Morae-ttegi, na mina de Monachi, vi três soldados estadunidenses e membros armados amarrando cerca de 150 patriotas e levando-os para o local de execução. Os gritos e lamentos das pessoas que eram levadas por aqueles sujeitos eram ensurdecedores. Quando chegaram ao local de Morae-ttegi, ouviu-se uma intensa sequência de tiros, depois os gritos e lamentos cessaram e só se ouviam a respiração ofegante dos sujeitos e suas risadas misturadas às suas canções. Ao ver essa cena carregada de ressentimento, fui até a casa de meu irmão mais velho e descobri que membros armados de Sinchon haviam ido até lá e levado preso meu irmão, minha cunhada e meu sobrinho de apenas 10 meses, restando apenas meu sobrinho de 15 anos. Enviei esse sobrinho à delegacia para descobrir o que havia acontecido com meu irmão e minha cunhada. Ao voltar, ele contou que meu irmão havia sido espancado com uma barra de ferro e desmaiado três vezes, mas, quando recuperou a consciência, aqueles sujeitos disseram: "Você é um verdadeiro comunista; vamos mandar você de avião para Moscou", penduraram-no no ar e o mataram. Minha cunhada também morreu depois de ser atingida por uma barra de ferro, enquanto o pequeno sobrinho, de apenas 10 meses, sem compreender nada, estava agarrado ao cadáver da mãe morta, mamando em seu peito e chorando.

Para vingar-me dos soldados estadunidenses, entrei no monte Kuwol e participei do movimento de guerrilha. Depois que eles bateram em retirada devido ao novo avanço do Exército Popular, desci a Sinchon em 24 de dezembro, encontrei o cadáver de meu pai e o enterrei. Tentei também encontrar o cadáver de minha mãe, que havia sido massacrada no abrigo antiaéreo do condado, mas todos os cadáveres que estavam ali haviam se transformado em uma única massa indistinguível, de modo que não consegui encontrá-la até o fim. Senhores juízes e procurador, aqueles malditos sentados ali (apontando com a mão para os réus sentados no banco dos acusados) mataram, juntamente com meus pais, numerosos patriotas e pessoas inocentes. Depois de sair do monte Kuwol e ir ao abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado, vi que inúmeras pessoas haviam sido massacradas, mas seus cadáveres estavam tão desfigurados que já não era possível reconhecê-los como corpos humanos.

Além disso, quando fui ao depósito de explosivos de Wonam-ri, vi cadáveres de crianças menores de 10 anos, despidas e empilhadas umas sobre as outras. Diziam que essas crianças haviam morrido congeladas e de fome, depois de terem sido despidas no frio inverno e privadas de comida. Havia marcas evidentes de que haviam tentado abrir caminho até onde estavam suas mães, cavando com as mãos a terra junto à porta fechada, até que suas unhas se soltaram e suas mãos ficaram cobertas de sangue.

Depois, quando fui às trincheiras de combate em Yongmun, pude testemunhar o local onde muitas pessoas haviam sido massacradas. Além disso, os 13 membros da família de Rim Hyong Sam, dirigente da União das Crianças da Escola Popular de Sinchon, foram todos mortos pelo fato de ele ter sido dirigente da União das Crianças.

Antes de ser massacrado, o menino Rim Hyong Sam escreveu e enviou ao irmão, que estava lutando no monte Kuwol, uma carta com o seguinte conteúdo: "Escrevo estas palavras tendo a morte diante dos meus olhos. Morrerei sem jamais me curvar. Irmão, lute corajosamente. Desejo que sua luta pelo comunismo seja vitoriosa."

Foi entregue por um camarada que havia sido confinado junto com o menino Rim Hyong Sam e que levou a carta até seu irmão.

Além disso, os inimigos, alegando que meu irmão mais velho era membro do Partido do Trabalho, arrancaram os dois olhos de meu tio, de 63 anos, e cortaram seus braços e pernas. Como ele ainda estava vivo, acabaram disparando contra ele e o fuzilaram. Minha mãe foi colocada dentro de uma caverna, à qual atearam fogo, queimando-a até a morte. Senhores juízes e procurador, se eu disser tudo o que tenho no coração, não haverá fim, por isso vou parar por aqui. Peço que façam um julgamento correto.

O presidente do tribunal recomendou ao procurador que interrogasse a testemunha Jeon Kyong Ae.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Jon Kyong Ae, até quando a testemunha ocupou o cargo de diretora do Departamento de Assuntos Infantis do Comitê Popular do Condado?

Testemunha Jon Kyong Ae — Até março deste ano.

Pergunta — Então, durante o período da ocupação inimiga, a testemunha chegou a investigar quantos meninos foram massacrados pelas mãos dos soldados estadunidenses dentro do condado de Sinchon?

Resposta — Aproximadamente 8.000 foram massacrados. Eu mesma vi o massacre de mais de 300 no cantão de Kumhong, de mais de 200 em Wonam-ri e de 26 na montanha atrás de Kyeongje-ri.

Pergunta — Diga quais foram as circunstâncias dos massacres cometidos pelos inimigos em Talchon-ri, local de residência da testemunha, durante o período da ocupação inimiga.

Resposta — Nossa aldeia tinha uma população total de aproximadamente 4.500 pessoas, das quais mais de 2.700 foram mortas pelos inimigos, ou seja, aproximadamente 60% da população total foi massacrada.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Jon Kyong Ae.

O presidente do tribunal recomendou aos acusadores sociais que interrogassem a testemunha Jon Kyong Ae.

O acusador público Sin Song Sun perguntou à testemunha Jon Kyong Ae: Diga como os meninos que foram massacrados pelos soldados estadunidenses lutaram corajosamente.

Testemunha Jon Kyong Ae — O dirigente da União das Crianças, o menino Rim Hyong Sam, não apenas não se curvou até o fim enquanto era massacrado pelos inimigos, como também escreveu e enviou ao irmão uma carta para encorajá-lo e estimulá-lo a demonstrar coragem na luta contra os inimigos. Também pode ser citado como exemplo o caso do menino Ri Kang Hyon, membro da União das Crianças, que, mesmo em uma situação de morte iminente, enterrou no chão os documentos da União das Crianças para que não caíssem nas mãos do inimigo.

Pergunta — Onde ocorreu o maior número de massacres de meninos dentro do condado de Sinchon?

Resposta — O maior número foi massacrado no cantão de Sinchon, chegando a mais de 500.

O acusador público informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Jon Kyong Ae.

O presidente do tribunal recomendou aos advogados que interrogassem a testemunha Jon Kyong Ae, ao que os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas.

O presidente do tribunal perguntou aos réus se tinham alguma objeção ao depoimento da testemunha, ao que cada um dos réus respondeu que não tinha objeção.

Com isso, o presidente do tribunal encerrou a audiência do terceiro dia e declarou que, no dia seguinte, às 10 horas da manhã, começaria pelo interrogatório da testemunha Kang Hyong Do, e deixou a sala.

Audiência de 28 de maio

Às 10 horas em ponto, o presidente do tribunal fez os réus e as testemunhas entrarem na sala, verificou a presença deles e declarou aberta a quarta audiência, fazendo com que as testemunhas que ainda não haviam sido ouvidas se retirassem para outra sala.

O presidente do tribunal recomendou ao procurador que realizasse um interrogatório complementar dos réus.

Procurador An Pyong Jin — Pergunto ao réu Choe Han U: o réu não participou da "operação de repressão" contra os guerrilheiros do monte Kuwol?

Réu Choe Han U — Entre a invasão de Sinchon pelos soldados estadunidenses e 22 de novembro de 1950, participei várias vezes, juntamente com os soldados estadunidenses, da "operação de repressão" contra os guerrilheiros do monte Kuwol e participei do massacre de numerosos patriotas.

Pergunta — Então, quantas pessoas foram massacradas sob o pretexto de realizar uma operação de repressão contra os guerrilheiros do monte Kuwol?

Resposta — Não sei exatamente o número de pessoas massacradas.

Procurador An Pyong Jin — Pergunto ao réu Ri Tu Hyon: o réu declarou que, quando mais de 900 pessoas foram massacradas em uma vala diante do Comitê do Partido do Condado em 18 de outubro de 1950, estava encarregado da guarda nas proximidades e disparou cinco tiros de fuzil contra as pessoas que tentavam sair rastejando do buraco para sobreviver. Isso é verdade?

Réu Ri Tu Hyon — Sim, é verdade.

Pergunta — E também declarou que estava encarregado da guarda quando mais de 330 pessoas foram massacradas nas valas atrás do Comitê do Partido do Condado em 23 de outubro daquele ano. Isso é verdade?

Resposta — Sim, é verdade.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório complementar dos réus.

Interrogatório da testemunha Kang Hyong Do

Presidente do tribunal — Testemunha Kang Hyong Do, declare o que sabe sobre os crimes cometidos pelos presentes réus e as atrocidades dos soldados estadunidenses durante o período da ocupação inimiga.

Testemunha Kang Hyong Do — Sou presidente da Comissão de Investigação dos Danos do Condado de Sinchon. Vou falar, com base na investigação que realizei, sobre os danos sofridos em nosso condado de Sinchon devido às atrocidades dos assassinos imperialistas estadunidenses. Em 17 de outubro de 1950, quando as tropas invasoras imperialistas estadunidenses entraram em nosso condado de Sinchon, o comandante estadunidense, o tenente Harrison, sob o pretexto enganoso de "manter a ordem pública", organizou, como "órgãos de manutenção da ordem pública", grupos assassinos como as chamadas unidades policiais, grupos armados e esquadrões de massacre, e, juntamente com eles, massacrou miseravelmente numerosos patriotas e pessoas inocentes das maneiras mais bárbaras e cruéis.

Em 10 de outubro de 1950, isto é, imediatamente antes da invasão dos soldados estadunidenses, a população do condado de Sinchon era de 69.159 homens e 73.629 mulheres, totalizando 142.788 habitantes. Desses, 19.149 homens e 16.234 mulheres, totalizando 35.383 pessoas, foram massacrados. Quanto à filiação dessas pessoas massacradas, havia 3.669 membros do Partido do Trabalho, 72 membros do Partido Democrático, 59 membros do Partido Chondoísta e 32 cristãos. Todos os demais eram camponeses exemplares, trabalhadores exemplares e familiares de membros do Exército Popular, sendo a maioria mulheres e crianças.

Além disso, a maior parte desses massacres ocorreu nos cantões de Sinchon e Onchon.

Quanto ao número de pessoas massacradas em Onchon. foram 4.589 homens, 5.495 mulheres e 1.446 estudantes. Particularmente em Unbong-ri, em Onchon, entre os 870 habitantes — 390 homens e 480 mulheres — foram massacrados 600, sendo 290 homens e 310 mulheres. Trata-se, de fato, de um número enorme de pessoas massacradas.

Entre as 591 pessoas massacradas nessa aldeia, havia mais de 10 crianças menores de 5 anos, 155 meninos e meninas de 6 a 15 anos e mais de 80 idosos com 50 anos ou mais. Em seguida, em Manguk-ri, de seus 891 habitantes, 773 foram massacrados, o que também corresponde a 90% da população total. As famílias inteiras de 12 lares, incluindo Ri Yong Gi, Kim Won Bok e Han Dong, que viviam nessa aldeia, foram exterminadas, totalizando mais de 60 pessoas.

No cantão de Sinchon, 3.428 pessoas foram massacradas de uma população total de 22.966.

Em Mujong-ri, no cantão de Sinchon, havia 1.344 homens e 1.523 mulheres, totalizando 2.868 pessoas.

Em seguida, 30 homens e mais de 60 mulheres foram massacrados.

Em seguida, entre os casos individuais de pessoas massacradas pelas mãos dos soldados estadunidenses e de seus lacaios, gostaria de citar alguns exemplos de pessoas que foram cruelmente assassinadas por métodos bestiais e bárbaros.

O menino, de 13 anos de idade naquele ano, irmão mais novo de Kim Jae Chun, que residia em Sanchon-ri, em Ongjin, teve os olhos arrancados e foi enterrado vivo. O dirigente da União das Crianças, Ri Pyong Jo, teve as mãos amarradas atrás das costas e foi imobilizado; depois, colocaram uma estaca atravessada sobre seu pescoço e, fazendo uma gangorra de cada lado, mataram-no. O camponês exemplar e fervoroso Pak Gi Hong, que residia em Chusang-ri, em Onchon, vivia em uma aldeia com seus irmãos, totalizando 31 pessoas, e todos foram exterminados. Seu filho, um menino de 5 anos de idade naquele ano, foi chutado e jogado em um poço no campo diante de sua casa, mas, quando tentou sair rastejando para sobreviver, foi novamente empurrado para dentro com uma estaca. Depois de irem embora, o menino voltou a sair rastejando e, chorando, andava pela rua procurando sua mãe. Os soldados estadunidenses, ao vê-lo, gritaram: "Esse filho da puta apareceu vivo de novo!" e, naquele mesmo instante, perfuraram-no com uma pá e o mataram. Além disso, Pak Ji Won, trabalhador exemplar da mina de Monachi, entrou em um chiqueiro e se escondeu para escapar dos olhos dos inimigos, mas foi descoberto por eles. Os soldados estadunidenses olharam para Pak Ji Won e disseram: "Este sujeito deve morrer como um porco"; depois, amarraram-no e cortaram sua garganta com uma faca afiada, matando-o. A senhora Kim Ung Yon, mãe de Kim Yu Taek, camponês exemplar e fervoroso que residia em Yuchon-ri, em Ongjin, era surda e tinha 89 anos naquele ano. Sem saber seu filho havia sido massacrado pelos inimigos, passou vários dias sem comer e, dizendo "Onde foi meu filho?", saiu à rua à sua procura. Os soldados estadunidenses, ao vê-la, amarraram uma corda de palha em seu pescoço, arrastaram-na e a enterraram viva em um campo de areia.

As massas populares, que vinham levando uma vida feliz graças à calorosa benevolência da República, mesmo no último momento de suas vidas, enquanto eram mortas pelas mãos dos monstros imperialistas estadunidenses, açougueiros humanos e vampiros, cantaram vivas à pátria e a canção do General Kim Il Sung, sem se submeterem nem um pouco aos inimigos.

Quanto aos assassinatos em massa nos quais os vergonhosos criminosos réus que hoje aparecem no banco dos réus desta audiência participaram sob a orientação direta do comandante Harrison, podemos citar como exemplos representativos o massacre de mais de 520 pessoas no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon, de mais de 900 diante do Comitê do Partido do Condado e de mais de 910 em dois armazéns de Wonam-ri.

Houve cenas terríveis nas quais numerosos moradores foram vítimas em várias regiões, incluindo os armazéns de Wonam-ri.

Segundo os registros da época, ocorreram danos aos moradores de diversas formas em várias regiões.

Também está registrado que, sobre uma ponte no cantão de Bukpu, numerosos moradores foram arrastados para o rio e morreram.

Além disso, numerosas vítimas foram registradas em locais como os reservatórios nos cantões de Nambu e Yongmun.

Ainda hoje, é relatado que os moradores dessas regiões tendem a evitar esses locais.

Também foram registrados saques dos bens dos moradores e do patrimônio do Estado. Entre os animais, 1.323 cabeças de gado, 28 cavalos e 2.610 porcos, além de numerosos outros animais, foram vitimados, a ponto de ser difícil encontrar vestígios de gado na região naquela época.

Segundo os registros, durante o avanço e a retirada das unidades militares estadunidenses, ocorreram ameaças e deslocamentos forçados dos moradores, e, durante o processo de deslocamento, também ocorreram infelizes incidentes nos quais numerosos moradores foram alvejados entre Sariwon e Haeju e acabaram mortos.

Os registros do período em que a região foi ocupada naquela época são os seguintes. Numerosos patriotas e pessoas inocentes foram massacrados por métodos verdadeiramente indescritíveis e bestiais: fuzilados, espancados até a morte, esmagados até a morte, cortados em pedaços com facas e mortos, enterrados vivos, queimados até a morte, jogados no rio e mortos, tendo os olhos arrancados e sendo mortos, tendo os braços e pernas cortados ou os membros dilacerados até a morte, cortados em três pedaços com serras, sufocados até a morte, mortos de fome, congelados até a morte, entre outros métodos.

Os cadáveres das pessoas que foram cruelmente massacradas por esses métodos bestiais ainda são encontrados ocasionalmente.

O presidente do tribunal recomendou ao procurador que interrogasse a testemunha Kang Hyong Do.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Kang Hyong Do, sabe de que maneira Pak Sa Su, que era da mesma aldeia de Ri Buk Bae, foi massacrada?

Testemunha Kang Hyong Do — Pak Sa Su, da mesma aldeia de Ri Buk Bae, era uma mulher de 22 anos naquele ano. Cravaram uma estaca em seus órgãos genitais e a mataram, e também enterraram vivo seu filho, Min Pyong Gyu, de 2 anos naquele ano, matando-o.

Pergunta — Apresentando à testemunha as provas nº 18 e nº 15, estas fotografias são, sem dúvida, cenas do massacre de Pak Sa Su e de seu filho Min Pyong Gyu sobre as quais a testemunha acabou de depor?

Resposta — Sim. Sem dúvida.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Kang Hyong Do.

O presidente do tribunal recomendou aos acusadores sociais que interrogassem a testemunha Kang Hyong Do, ao que cada um dos acusadores sociais respondeu que não tinha perguntas.

O presidente do tribunal recomendou aos advogados que interrogassem a testemunha Kang Hyong Do, ao que cada um dos advogados respondeu que não tinha perguntas.

O presidente do tribunal perguntou aos réus se tinham alguma objeção ao depoimento da testemunha Kang Hyong Do, ao que cada um dos réus respondeu que não.

Interrogatório da testemunha O Su Bok

O presidente do tribunal disse à testemunha O Su Bok: "Declare o que sabe sobre os fatos criminosos cometidos pelos presentes acusados e sobre as atrocidades cometidas pelos imperialistas estadunidenses quando estes invadiram Sinchon."

Testemunha O Su Bok — Eu resido em Hanjang-ri, condado de Sinchon, e quando os malditos imperialistas estadunidenses invadiram nossa Sinchon em 17 de outubro de 1950, antes de mais nada organizaram um grupo armado e iniciaram abertamente o caminho dos massacres contra o povo. No dia 19 daquele mês, também fui presa junto com uma criança e fiquei confinada em um armazém de gelo em Onchon.

Quando entrei no armazém, sendo chutada pelos pés daqueles malditos, já havia ali mais de 300 pessoas patrióticas confinadas. Algumas crianças que estavam confinadas naquele armazém choravam, batendo na porta e pedindo água, mas os inimigos, semelhantes a feras, não lhes deram sequer uma gota de água. Assim, a esposa do secretário da célula do Partido do Trabalho de nossa aldeia urinou em uma galocha de borracha e deu de beber à criança, mas ela morreu dois dias depois.

Vi os inimigos torturarem de todas as maneiras, de forma bestial, a esposa do chefe da oficina de beneficiamento de arroz de Onchon, exigindo que ela dissesse onde estava seu marido, e, por fim, torturá-la introduzindo uma garrafa em seus órgãos genitais, matando-a.

Certa noite, por volta das 11 horas, um membro da força de segurança chamado Paek Song Gun veio até a porta do armazém segurando uma arma e gritou: "Saia!" Olhei e ele mandou que eu saísse. Fui arrastada por aquele homem até a hospedaria Taechang, onde estavam detidas três estudantes, Han Ok Son, de 19 anos, Ri Bun Myong, de 20 anos, e Yu Yong Suk, de 17 anos. Ele as vigiava, ameaçando-as com uma pistola, e por volta das 2 horas da madrugada vieram três militares estadunidenses, que estupraram as estudantes e depois as levaram para fora e fuzilaram.

Naquela mesma noite fui arrastada pela força de segurança e novamente confinada no armazém de gelo. Cinco dias depois, aqueles mesmos homens da força de segurança mandaram que eu saísse. Fui levada ao pavilhão Jangbyoksan e, ao chegar lá, vi oito mulheres confinadas. Os militares estadunidenses vieram, estupraram e violentaram aquelas mulheres e depois as colocaram em um jipe, levaram-nas embora e fuzilaram todas. Eu me escondi dentro de um saco de palha usado como proteção antiaérea, junto à janela de vidro do quarto daquela casa, e consegui fugir. Mais tarde, soube que os militares estadunidense haviam instalado até um porão naquele pavilhão Jangbyoksan, ampliando o alcance de um prostíbulo de escravas, onde mantiveram confinadas mais de 70 mulheres e as estupraram e violentaram.

Quando nosso Exército Popular voltou à ofensiva e retornei a Onchon, onde eu residia, não restava sequer uma pessoa da minha família ou dos meus amigos. Enquanto percorria as ruas procurando minha família, encontrei uma mulher que havia sido confinada comigo no antigo armazém de gelo. Ela me segurou e disse que, depois que eu saí, aquele armazém "havia se transformado em um prostíbulo, e as numerosas mulheres que estavam confinadas ali foram estupradas e violentadas pelos malditos, e não consigo sequer dizer com palavras quantas foram massacradas de maneira tão miserável", chorando com os olhos cheios de lágrimas.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha O Su Bok.

Promotor An Pyong Jin— Testemunha O Su Bok, quando a senhora foi presa e em que dia foi levada à hospedaria Taechang?

Testemunha O Su Bok — Fui presa pelos malditos em 19 de outubro de 1950 e fui levada à hospedaria Taechang no dia 24 daquele mês.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha O Su Bok.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha O Su Bok. O acusador social Sin Song Sun perguntou à testemunha O Su Bok: Quantos membros de sua família foram massacrados?

Testemunha O Su Bok — Minha mãe foi considerada uma agricultora exemplar e foi brutalmente massacrada pelas mãos daqueles malditos no pátio diante do armazém de gelo, e meus dois irmãos foram enterrados vivos em Mangpung-ho.

Pergunta — Diz-se que mais de 70 mulheres foram confinadas no pavilhão Jangbyoksan, estupradas e depois massacradas. A senhora sabe de que maneira elas foram massacradas?

Resposta — Não sei de tudo, mas vi pessoalmente os cadáveres de Han Ok Son e Ri Gun Yong, e elas haviam sido fuziladas.

O acusador social Sin Song Sun informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha O Su Bok.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha O Su Bok, mas os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se tinham alguma objeção às declarações da testemunha O Su Bok, e os acusados responderam, cada um deles, que não tinham objeções.

Interrogatório da testemunha O Tae Sin

O presidente do tribunal disse à testemunha O Tae Sin: "Diga o que sabe sobre os fatos criminosos cometidos pelos acusados durante o período de ocupação pelo inimigo e sobre as atrocidades criminosas cometidas pelos imperialistas estadunidenses."

Testemunha O Tae Sin — Quando os imperialistas estadunidenses ocuparam temporariamente Sinchon em 17 de outubro de 1950, eu fazia parte do chamado grupo armado organizado por eles, por isso vou relatar algumas das atrocidades criminosas cometidas naquela época pelos militares estadunidenses e pelo presente acusado Ho Pil Sun, que testemunhei pessoalmente.

Quando os militares estadunidenses invadiram Sinchon em 17 de outubro de 1950, o comandante estadunidense, tenente Harrison, ordenou, por meio dos chamados "quadros", como o chefe de polícia Sin Sang Gyu e o comandante do grupo de estudantes armados Ho Pil Sun, que todos os membros do Partido do Trabalho e suas famílias fossem presos e massacrados. Essa ordem foi imediatamente posta em execução pelos militares estadunidenses e suas unidades auxiliares, as forças de segurança, a polícia armada e o grupo de estudantes armados, que prenderam centenas de membros do Partido do Trabalho e suas famílias e os confinaram na sala de reuniões do comitê de Sinchon do Partido do Trabalho.

Na manhã do dia 18, Harrison e Sin Sang Gyu inspecionaram a situação dos presos e confinados e, por volta das 6 horas da tarde, ordenaram que todos fossem massacrados. Assim, primeiro tiraram suas roupas, amarraram-nos e começaram a jogá-los no abrigo antiaéreo em frente ao comitê do condado. Nesse momento, os habitantes resistiram, não querendo entrar naquele poço de morte, mas mais de 30 militares estadunidenses e os membros do grupo de estudantes armados sob o comando de Harrison os ameaçaram com baionetas e chutaram-nos, forçando todos a entrar. Em seguida, os soldados estadunidenses derramaram dois tambores de gasolina sobre suas cabeças e atearam fogo.

Naquele momento, de dentro do abrigo antiaéreo ouviam-se claramente, junto aos gritos de dor das crianças, os gritos de "Viva o General Kim!", "Viva a República Popular Democrática da Coreia!" e "O fim dos seus destinos, seus malditos inimigos, não está longe!". Mesmo em meio àquelas terríveis chamas, houve pessoas que saíram para tentar sobreviver. Ao vê-las, Harrison disparou indiscriminadamente contra elas e ordenou aos membros do grupo de estudantes armados que as fuzilassem. Naquela ocasião, eu estava de guarda nas proximidades e testemunhei pessoalmente aquela cena miserável.

Além disso, em meados de novembro daquele ano, vi mais de 500 patriotas sendo colocados em caminhões militares estadunidenses, cobertos com lonas e transportados para o sul. Também testemunhei pessoalmente a cena miserável em que mais de 1.600 habitantes patrióticos foram empurrados para dentro do reservatório de água de Namyang e massacrados.

Antes de sua retirada, os militares estadunidenses realizaram uma reunião na chamada sala do chefe de polícia. Naquela ocasião, Harrison sacou sua pistola, colocou-a sobre a mesa e deu uma ordem cujo teor era: "O Exército estadunidense recuará temporariamente por razões estratégicas. Antes de nossa retirada, exterminem completamente todos os germes vermelhos." Essa ordem foi imediatamente executada em cada cantão. No depósito de pólvora em Wonam-ri, havia cerca de 200 homens e mais de 700 mulheres e crianças presos e confinados. Durante quatro ou cinco dias, não lhes deram sequer uma gota de água, e vi crianças chorando e pedindo água, enquanto as mães imploravam para que lhes permitissem abraçar seus filhos ao menos uma vez.

Por volta de 7 de dezembro, massacraram todos os mais de 900 habitantes patrióticos confinados naqueles depósitos. Espalharam gasolina dentro dos armazéns, atearam fogo e lançaram inúmeras granadas para massacrá-los. Naquela ocasião, o presente acusado Ho Pil Sun e os demais estudantes armados que os comandavam lançaram granadas e dispararam suas armas.

Depois disso, segui o inimigo em retirada até Haeju, retornei dois dias depois e me entreguei. Beneficiei-me da política de clemência da República e atualmente vivo naquela região.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha O Tae Sin.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha O Tae Sin, desde quando o senhor conhece Ho Pil Sun?

Testemunha O Tae Sin — Conheço-o desde muito tempo.

Pergunta — Diga se sabe a razão pela qual Ho Pil Sun foi expulso da escola.

Resposta — Ho Pil Sun foi expulso quando estava no segundo ano do ensino secundário. A razão foi que, como estudante, não respeitava as regras da escola, bebia muito e gostava de brigar, tendo ficado famoso em Sinchon como um arruaceiro, razão pela qual foi expulso.

Pergunta — De onde vinha o dinheiro para beber?

Resposta — Às vezes roubava objetos de outras pessoas.

Pergunta — Quando o senhor se entregou?

Resposta — Entreguei-me em dezembro de 1950.

Pergunta — Diga o conteúdo do discurso que Harrison fez aos membros do grupo armado quando os militares estadunidenses ocuparam Sinchon.

Resposta — Na manhã de 18 de outubro, durante a formação matinal, cerca de 200 membros do grupo armado estavam reunidos diante do comitê do condado. Harrison saiu junto com Sin Sang Gyu, Ho Pil Sun e outros e, por meio de seu intérprete, disse: "Nós lutamos contra os comunistas. É preciso exterminar os comunistas para que vocês possam viver bem. Portanto, prendam e executem todos os comunistas, seus familiares e seus simpatizantes, sem deixar sequer um deles."

Pergunta — Qual foi a razão pela qual, quando as tropas de Harrison, sob seu comando direto, e os vários grupos armados que constituíam suas unidades auxiliares realizaram massacres em massa contra o povo, retiraram todas as roupas das vítimas?

Resposta — Isso tinha o objetivo de evitar que, mesmo que os corpos das pessoas massacradas fossem posteriormente desenterrados, fosse possível saber quem eram, para assim escapar da responsabilidade pelos massacres cometidos contra elas.

Pergunta — Segundo o que a testemunha declarou no interrogatório preliminar, retirar todas as roupas das vítimas tinha como objetivo, conforme o senhor acaba de dizer, impedir que fosse possível identificar de quem eram os cadáveres e atribuir a responsabilidade pelos massacres aos trabalhadores democráticos da nossa República. Isso é verdade?

Resposta — Sim. Isso é verdade.

Pergunta — De quem o senhor ouviu isso?

Resposta — Ouvi diretamente Harrison dizendo isso junto com Sin Sang Gyu, Ho Pil Sun e outros.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha O Tae Sin.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha O Tae Sub, mas eles responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha O Tae Sin.

O advogado Ji Yong Dae perguntou: "Quando centenas de habitantes patrióticos foram massacrados diante do comitê do condado em 19 de outubro de 1950, o senhor não participou?"

Testemunha O Tae Sin — Naquela ocasião, não participei.

O advogado Ji Yong Dae informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha O Tae Sin.

Presidente do tribunal — Testemunha O Tae Sin, o senhor conhece Harrison?

Testemunha O Tae Sin — Sim, conheço.

Pergunta — Como ele é fisicamente?

Resposta — Ele é um homem muito alto, com rosto comprido, nariz alto, cabelos amarelos, queixo pontudo e barba um pouco comprida.

Presidente do tribunal — Acusado Ho Pil Sun, conhece a testemunha O Tae Sin?

Acusado Ho Pil Sun — Sim, conheço.

Pergunta — É verdade que a testemunha O Tae Sin participou do grupo armado?

Resposta — Sim. Ele participou do grupo armado.

Pergunta — O acusado tem alguma objeção ao depoimento da testemunha O Tae Sin?

Resposta — Não, não tenho objeção.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se tinham alguma objeção às declarações da testemunha O Tae Sin, e todos os acusados responderam que não tinham objeção.

Interrogatório da testemunha Kim Hye Suk

Presidente do tribunal — Testemunha Kim Hye Suk, diga tudo o que sabe sobre os fatos criminosos cometidos pelos presentes acusados e sobre as atrocidades cometidas pelos imperialistas estadunidenses durante o período de ocupação pelo inimigo.

Testemunha Kim Hye Suk — Eu originalmente residia em Jangyon, mas, durante o período de retirada, como meu marido era funcionário do Ministério do Interior e estava se retirando, refugiei-me com meus dois filhos pequenos na casa de minha família em Sinchon. Certo dia, cinco militares estadunidenses vieram e me disseram para ir depressa com eles. Meus filhos choravam, perguntando o que aconteceria com eles. Quando disse que deixaria as crianças em casa e iria sozinha, aqueles malditos disseram que era preciso eliminar até a semente dos vermelhos e insistiram em levar as crianças também. Não tive alternativa senão levar meus dois filhos e segui-los até a sala de propaganda democrática daquele lugar. Eles estavam transformando a sala de propaganda democrática em uma sala da força de segurança. Mandaram-me entrar e, quando olhei para dentro, havia apenas pessoas já espancadas por aqueles malditos até ficarem cobertas de sangue e outras sentadas sem forças, debilitadas pela fome.

Às pessoas confinadas ali, davam uma pequena quantidade de comida apenas uma vez a cada três dias, tão pouca que não chegava nem a satisfazer a fome. Vi um velho que havia passado vários dias sem comer tentar receber o pequeno pedaço de comida que lhe davam, mas, sem forças, caiu.

Depois de torturá-los tão cruelmente e deixá-los sem comida, aqueles malditos os levavam para fora e os queimavam vivos. Eles disseram, referindo-se a mim: "Para capturar o marido desta mulher, primeiro é preciso matar seus filhos". Então aqueles malditos, semelhantes a bestas, arrancaram dos meus braços meus dois filhos pequenos, que tinham apenas 6 e 4 anos e choravam agarrados a mim, sem querer se separar, levaram-nos à força para fora, derramaram querosene sobre eles e atearam fogo, queimando-os vivos.

Aqueles malditos, semelhantes a demônios, mataram crianças inocentes de maneira tão miserável e, ao voltar, chegaram ao ponto de latir como cães: "Foi muito divertido ver aquelas crianças morrerem queimadas." (Nesse momento, a testemunha chora de indignação e ressentimento.)

O membro do grupo armado Hong Sun Gil chamou o presidente do comitê de Nambu, Ri, levou-o para fora, agarrou-lhe o nariz com um fio de ferro, passou uma ponta do fio por cima do próprio ombro e arrastou-o pelas ruas. Depois, ao voltar, amarrou seu nariz a um pilar dentro do armazém onde eu estava confinada e, quando lhe perguntaram se tinha algum último desejo, o presidente do comitê disse: "Hoje morrerei pelas mãos de vocês, malditos, mas atrás de mim existem numerosos membros do Partido do Trabalho e existe minha pátria, a República Popular Democrática da Coreia. Minha pátria e meus camaradas certamente vingarão hoje o meu inimigo. Viva a República Popular Democrática da Coreia! Viva o General Kim Il Sung!" Depois disso, eles o levaram novamente para fora, derramaram gasolina sobre ele e atearam fogo, queimando-o vivo. Eu vi pessoalmente essa cena.

A esposa do presidente Ri, Pak Byong Suk, havia sido espancada tão brutalmente pelos malditos que estava sem forças. Enquanto estava no armazém, ela disse: "Mesmo que eu morra, vou me vingar daqueles malditos", e tentou fugir, mas foi descoberta por eles. Os inimigos tiraram completamente as roupas da senhora Pak Byong Suk, amarraram-na a uma cadeira e espancaram-na inúmeras vezes. Depois cavaram um buraco, colocaram lenha dentro, derramaram gasolina, fizeram-na sentar sobre a lenha e atearam fogo, realizando o miserável espetáculo de cremar viva uma pessoa.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Hye Suk.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Kim Hye Suk, por quantos dias a senhora ficou confinada na sala de propaganda democrática de Nambu?

Testemunha Kim Hye Suk — Fiquei confinada durante 15 dias.

Pergunta — Durante esse período, quantas pessoas foram massacradas naquela sala de propaganda?

Resposta — Não sei o número exato, mas todas as madrugadas levavam de 20 a 30 pessoas para fora e as queimavam vivas.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Kim Hye Suk.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Hye Suk, mas eles responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Hye Suk, mas os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

Presidente do tribunal — Testemunha Kim Hye Suk, como a senhora conseguiu escapar do massacre naquele armazém?

Testemunha Kim Hye Suk — Quando aqueles malditos transferiram o local de sua sede, fugi e fiquei alguns dias em casa. Depois, quando vinham me buscar, ouvi dizer que o Exército Popular estava avançando novamente. Então, evitando os olhos daqueles malditos, fui para Jangyon.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se tinham alguma objeção ao depoimento da testemunha Kim Hye Suk, e os acusados responderam, cada um deles, que não tinham objeção.

Interrogatório da testemunha Kim Chan O

Presidente do tribunal — Testemunha Kim Chan O, diga o que sabe sobre as atrocidades cometidas pelos presentes acusados e pelos imperialistas estadunidenses durante o período de ocupação pelo inimigo.

Testemunha Kim Chan O — Em 17 de outubro de 1950, o 17º Regimento de Infantaria da 24ª Divisão dos Estados Unidos invadiu Jaeryong. Eu morava em Jaeryong e, como sabia um pouco de inglês, passei a atuar como intérprete deles. Tornei-me intérprete porque, assim que os malditos invadiram Jaeryong, tentaram estuprar mulheres. Naquela ocasião, eu lhes disse em inglês que aquilo era errado. Dois dias depois, eles me disseram para ir à sua unidade e trabalhar como intérprete, e, sem alternativa, passei a atuar como intérprete deles a partir de então.

Depois de invadirem Jaeryong, os malditos diziam que haviam entrado "para libertar os diversos compatriotas do Norte", reuniram cerca de 70 jovens reacionários de ideologia extremamente retrógrada e organizaram os chamados grupos de segurança da polícia e outras organizações assassinas reacionárias, como a de Han Song. Prenderam numerosos membros do Partido do Trabalho e suas famílias e, sob o pretexto de transferi-los para Taeju, colocaram-nos em caminhões militares, levaram-nos a um ponto situado a cerca de 10 a 15 ri de distância, empurraram-nos para dentro de um fosso e fuzilaram-nos. Também vi pessoalmente quando saquearam os objetos de valor do povo.

Além disso, vi soldados andando com latas de comida enlatada, agarrando mulheres e exigindo: "Vou lhe dar isto, portanto entregue sua castidade". Quando elas se recusavam, alguns deles as estupravam à força. Apesar disso, os malditos obrigavam o povo a chamá-los de tropas da ONU.

Os chamados quadros das diversas organizações assassinas reacionárias que eles organizaram eram todos cristãos.

Embora os militares estadunidenses cometessem assassinatos, estupros e saques dessa maneira, também faziam acompanhar suas tropas por uma unidade especial chamada "chaplain", composta por pastores ou padres. Eles distribuíam Bíblias ao povo e faziam propaganda caluniosa, dizendo: "Somos um exército de salvação" e que suas ações eram "a vontade de Deus", fazendo propaganda caluniosa para apresentar seus atos como os mais humanitários.

Minha esposa também foi massacrada pelas mãos deles. Imediatamente, por hostilidade contra aqueles malditos, abandonei meu trabalho como intérprete dos militares estadunidenses e voltei para casa. Agora estou me entregando graças à política de clemência da República.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Chan O.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Kim Chan O, de qual departamento dos militares estadunidenses o senhor era intérprete?

Testemunha Kim Chan O — Eu era intérprete do departamento de assuntos civis.

Pergunta — Que tipo de trabalho era realizado pelo departamento de assuntos civis?

Resposta — Fazia a mediação entre as unidades militares estadunidenses estacionadas e os habitantes.

Pergunta — Qual era a relação entre o departamento de assuntos civis e os diversos órgãos-fantoches?

Resposta — Quando os diversos órgãos-fantoches recebiam alguma ordem dos militares estadunidenses, obrigatoriamente tinham de passar pelo departamento de assuntos civis.

Pergunta — Quando o senhor trabalhou como intérprete dos militares estadunidenses?

Resposta — Por volta de meados de novembro de 1950.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Kim Chan O.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Chan O, mas os acusadores sociais responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se tinham alguma objeção às declarações da testemunha Kim Chan O, e os acusados responderam, cada um deles, que não tinham.

Interrogatório da testemunha Ri Un Ha

Presidente do tribunal — Testemunha Ri Un Ha, diga o que sabe sobre os fatos criminosos cometidos pelos presentes acusados e sobre as atrocidades cometidas pelos imperialistas estadunidenses durante o período de ocupação pelo inimigo.

Testemunha Ri Un Ha — Em 17 de outubro de 1950, três militares estadunidenses acompanhados de dois soldados sul-coreanos vieram à nossa aldeia. Primeiro, prenderam meu irmão mais velho, que era presidente da célula, e depois prenderam minha irmã, que era presidente do comitê da União das Mulheres. Eles olharam para meus irmãos e disseram: "Estes são verdadeiros vermelhos", rasparam seus cabelos, pintaram seus rostos, tiraram todas as suas roupas, penduraram suas carteiras do Partido no pescoço e desenharam a bandeira da República em suas costas. Depois levaram meu irmão pelas três aldeias e disseram: "Você ainda está longe de ir a Moscou, então, se tem algo a dizer, diga antes de ir". Meu irmão e minha irmã responderam: "Mesmo que morramos, jamais nos submeteremos a vocês, malditos. Se vão nos matar, matem-nos logo. Atrás de mim estão meus camaradas, membros do Partido do Trabalho. Certamente vingaremos nossos inimigos!" Então aqueles malditos despedaçaram os membros de meu irmão e de minha irmã, matando-os.

Mesmo depois disso, como se ainda não fosse suficiente, vi a cena miserável em que aqueles malditos abriram com uma faca o ventre de minha irmã, que havia morrido quando seu bebê tinha apenas 10 meses.

Depois, os inimigos levaram também oito membros da família de meu irmão mais novo e meus quatro filhos e, depois de submetê-los a cruéis torturas, enterraram-nos vivos e os massacraram. Meu filho, de 6 anos, conseguiu sair rastejando do buraco onde estava sendo enterrado vivo e implorou: "Vou fazer tudo o que vocês mandarem, vou até acender o fogo e buscar água, portanto, por favor, deixem-me viver". Aqueles malditos, semelhantes a bestas, perfuraram-no com uma lança e o jogaram de volta no buraco.

Ouvi dizer que toda a família de Pak Gyong Han foi morta e que sua filha de 18 anos foi levada a Onchon e, durante o processo de ser estuprada por um militar estadunidenses, mordeu os órgãos genitais dele e foi fuzilada no local. Nas mãos dos militares estadunidenses, semelhantes a bestas, 47 membros de minha família e parentes foram massacrados, restando agora apenas 9. Depois que o Exército Popular voltou a avançar, procurei e enterrei os cadáveres de minha família e parentes, mas eles haviam sido submetidos a torturas tão severas e mortos de maneira tão brutal que não consegui suportar olhar para eles.

Presidente do tribunal, nós, membros do Partido do Trabalho, somos pessoas que lutam concretamente pela pátria e pelo povo. Só em nossa aldeia, o número de pessoas massacradas chega a mais de 120. Atualmente, nossa aldeia é chamada de "aldeia das viúvas".

Eu também fui espancada tão severamente pelos malditos que cheguei a perder a consciência e eles, acreditando que eu estava morta, abandonaram-me. Por sorte, recuperei a consciência, consegui fugir e sobrevivi.

Presidente do tribunal, membros do júri, eu desejo que aqueles acusados sentados hoje neste tribunal do Partido sejam, por favor, mortos.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha Ri Un Ha.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Ri Un Ha, entre os 47 membros de sua família e parentes que, segundo declarou, foram massacrados, quantos eram membros mais próximos de sua família?

Testemunha Ri Un Ha — Meus quatro filhos pequenos.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Ri Un Ha.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Ri Un Ha.

Acusador social Sin Song Sun — Testemunha, com o que os sujeitos a espancaram?

Testemunha Ri Un Ha — No início, eles me bateram com porretes e, depois, aqueceram uma ponta de ferro no fogo e queimaram minhas costas com ela.

Pergunta — A senhora tem as cicatrizes das queimaduras causadas pelo ferro aquecido?

Resposta — Sim, tenho.

(Nesse momento, o acusador social Sin Song Sun pediu à testemunha que mostrasse a cicatriz, e a testemunha mostrou-lhe o ferimento.)

O acusador social Sin Song Sun informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Ri Un Ha.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha Ri Un Ha, mas os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se tinham alguma objeção às declarações da testemunha, e os acusados responderam, cada um deles, que não tinham.

Em seguida, o presidente do tribunal declarou um intervalo de 15 minutos e suspendeu a sessão às 12h45.

A sessão foi retomada às 13 horas.

Interrogatório da testemunha Pae Myon Sik

Presidente do tribunal — Testemunha Pae Myon Sik, diga tudo o que sabe sobre as atrocidades cometidas pelos presentes acusados e pelos imperialistas estadunidenses durante o período de ocupação pelo inimigo.

Testemunha Pae Myon Sik — Em 17 de outubro de 1950, os militares estadunidenses invadiram nossa Sinchon. Aqueles malditos imediatamente organizaram os chamados grupos armados, forças policiais e outras organizações assassinas reacionárias e iniciaram os massacres contra o povo.

Assim, minha irmã também foi massacrada pelas mãos daqueles malditos. Naquela ocasião, para evitar ser vítima deles, eu trabalhava no chamado escritório de assuntos gerais. Naquela época, ouvi Ho Pil Sun dizer que estavam eliminando os comunistas para os Estados Unidos e que iriam massacrar mais de 900 membros do Partido do Trabalho e suas famílias no abrigo antiaéreo diante do comitê do condado.

Os militares estadunidenses, usando símbolos de cruz no peito, foram ao chamado escritório do condado e, dizendo que estavam realizando uma avaliação dos funcionários, afirmavam: "Se você não acredita em Jesus, não tem valor como ser humano. Se não acredita em Jesus, não poderá conseguir emprego no futuro", obrigando as pessoas a acreditar em Jesus.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha Pae Myon Sik.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Pae Myon Sik, o senhor conhece bem o acusado Ho Pil Sun?

Testemunha Pae Myon Sik — Sim, conheço muito bem.

Pergunta — Se sabe alguma coisa sobre as atrocidades cometidas pelo acusado Ho Pil Sun durante o período de ocupação pelo inimigo, relate detalhadamente.

Resposta — Ho Pil Sun, como comandante do grupo de estudantes armados, no final de outubro, foi visto junto com seus homens colocando cerca de 150 habitantes patrióticos em vários caminhões e levando-os em direção a Yongmun. Mais tarde, soube que todos eles haviam sido massacrados.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Pae Myon Sik, mas eles responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha Pae Myon Sik, mas os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

Presidente do tribunal — Testemunha Pae Myon Sik, os militares estadunidenses disseram que aqueles que não acreditassem em Jesus seriam tratados como membros do Partido do Trabalho e mortos. Isso é verdade?

Testemunha Pae Myon Sik — Sim, é verdade.

Pergunta — Como as pessoas de sua aldeia veem o acusado Ho Pil Sun?

Resposta — Ele é meu colega de escola e, desde os tempos de estudante, tinha má conduta. Como continuou da mesma maneira depois, os moradores o chamavam de verdadeiro arruaceiro.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se tinham alguma objeção às declarações da testemunha Pae Myon Sik, e os acusados responderam, cada um deles, que não tinham.

Interrogatório da testemunha Kim Hyon Chun

Presidente do tribunal — Testemunha Kim Hyon Chun, diga o que sabe sobre as atrocidades criminosas cometidas pelos presentes acusados e pelos imperialistas estadunidenses durante o período de ocupação pelo inimigo.

Testemunha Kim Hyon Chun — Em 17 de outubro de 1950, os militares estadunidenses também invadiram nossa aldeia e organizaram um grupo de estudantes armados, prendendo inclusive nossos estudantes e submetendo-os a todos os tipos de torturas cruéis. Eu também fui levado pelos malditos junto com Ri Pyong Jo, Ri San Ok, Kim Sun Nyo e outros dirigentes da organização juvenil da Escola Secundária de Yechon. Os militares estadunidenses nos disseram que éramos elementos ativos que estudavam bem na escola e também trabalhavam bem na organização juvenil, e nos penduraram de cabeça para baixo, deram-nos água com pimenta e bateram violentamente em nossos estômagos com porretes.

Naquela ocasião, depois de sofrer uma tortura tão cruel pelas mãos daqueles malditos, perdi a consciência e caí. Quando alguém veio me levantar e recuperei a consciência, vi que os inimigos já haviam fugido e que os camaradas do Exército Popular haviam chegado. Fiquei tão feliz que tentei me levantar, mas, como havia sido espancado demais, estava sem forças e não conseguia me levantar.

Naquela ocasião, vi o cadáver de nosso dirigente da organização juvenil, Ri Pyong Jo. Os malditos colocaram uma lança atravessada sobre seu pescoço e o esmagaram pisando sobre ela. Sangue escorria de seus olhos, nariz, boca e ouvidos.

Junto com os camaradas do Exército Popular, enterrei o cadáver do camarada Ri Pyong Jo. Depois, entrei no monte Kuwol com aqueles camaradas e, enquanto permanecia na unidade popular, passei a frequentar a escola criada por aquela unidade.

Depois que nosso Exército Popular voltou a entrar, fui para casa e descobri que, dos 16 membros de minha família, eu era o único que restava; todos os demais haviam sido massacrados pelos malditos. Procurei e enterrei todos os cadáveres de minha família. Meu avô, de 70 anos, e minha avó, de 65 anos, foram amarrados com fios de ferro com as mãos para trás pelos malditos, tiveram pedras colocadas na boca e foram submetidos a torturas cruéis antes de serem fuzilados. Minha mãe e meus irmãos mais novos foram enterrados vivos, e meu irmão de 12 anos foi morto depois que lhe arrancaram os olhos com um atiçador, sob o pretexto de que era dirigente de uma célula da organização juvenil.

Quando fui enterrar o corpo de minha mãe, tirei suas meias novas, que eu queria colocar nela, e encontrei dentro delas sua carteira de membro do Partido do Trabalho. Naquele momento, ao ver aquilo, compreendi pela primeira vez o quanto minha mãe valorizava sua carteira do Partido e decidi que, no futuro, também seguiria os passos de minha mãe e me tornaria um membro fiel do Partido do Trabalho.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Hyon Chun.

Procurador An Pyong Jin — Testemunha Kim Hyon Chun, o senhor declarou que, dos 16 membros de sua família, 15 foram massacrados pelos malditos e apenas o senhor sobreviveu. Isso é verdade?

Testemunha Kim Hyon Chun— Sim, é verdade.

Pergunta — Quantos de seus parentes foram massacrados?

Resposta — Nas mãos dos militares estadunidenses, 11 membros da família de meu tio materno foram massacrados, minha tia foi enterrada viva enquanto carregava uma criança nas costas, e nove membros da família de minha outra tia também foram enterrados vivos. Além disso, os inimigos despedaçaram e mataram o filho de 6 anos de meu tio em quinto grau, sob o pretexto de que meu tio era presidente do comitê.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Kim Hyon Chun.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Hyon Chun, mas eles responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Hyon Chun, mas os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se tinham alguma objeção às declarações da testemunha Kim Hyon Chun, e os acusados responderam, cada um deles, que não tinham objeção.

Interrogatório da testemunha Kim Sun Mo

Presidente do tribunal — Testemunha Kim Sun Mo, diga o que sabe sobre os fatos criminosos cometidos pelos presentes acusados e sobre as atrocidades cometidas pelos imperialistas estadunidenses quando invadiram temporariamente Sinchon.

Testemunha Kim Sun Mo — Quando os malditos militares estadunidenses se infiltraram em nossa Sinchon em 17 de outubro de 1950, ouvi dizer que eles massacrariam não apenas os membros do Partido do Trabalho e suas famílias, mas também seus parentes até o sétimo ou oitavo grau. Como meu irmão era membro do Partido do Trabalho e também ocupava o cargo de presidente do comitê popular da aldeia, nossa família, temendo ser massacrada pelos malditos, não saía de casa e permanecia escondida. Depois de ouvirmos que o Exército Popular estava avançando novamente, começamos a sair de casa com alguma cautela. Em 3 de dezembro, fui preso por três membros da polícia armada. Primeiro fui levado ao prédio do comitê popular da aldeia e depois transferido para a chamada sede da polícia. Ali, centenas de habitantes patrióticos já estavam presos, incluindo meu professor. Aqueles malditos nos colocaram em fila na estrada principal e disseram que quem tentasse fugir dali seria fuzilado. Depois nos levaram até Wonam-ri e mandaram que entrássemos em um armazém.

Naquela ocasião, sabíamos que morreríamos se entrássemos naquele armazém e, por isso, todos nos recusamos a entrar. Então numerosos membros do grupo armado dispararam simultaneamente suas armas, e fomos obrigados a entrar. Quando fomos empurrados para dentro do armazém, ouviam-se os gritos ensurdecedores das crianças confinadas ali, chamando por suas mães e pedindo comida. Depois de nos empurrarem para dentro do armazém, aqueles malditos disseram: "Agora os militares estadunidenses estão realizando uma operação de extermínio contra os guerrilheiros que estão no monte Kuwol. Como existe o risco de vocês terem contato com esses guerrilheiros, estão confinados desta maneira. Permaneçam aqui até que a operação termine."

Depois de 23 dias, eles nos mandaram sair do armazém e saímos. Algumas pessoas, porém, não conseguiram sair porque estavam sem forças devido a vários dias de fome e acabaram desmaiando.

Eles nos levaram para fora e separaram os adultos das crianças, enviando todas as crianças para um armazém ao sul. Naquela ocasião, fui levado para o armazém do sul. Aproveitei a oportunidade e decidi fugir de qualquer maneira. De propósito, coloquei terra em um buraco e, enquanto fingia retirá-la, consegui escapar através de uma trincheira.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Sun Mo.

Procurador An Pyong Jin — Quantos de seus parentes foram massacrados pelos sujeitos?

Testemunha Kim Sun Mo — Seis pessoas.

Pergunta — Quando o senhor estava confinado no armazém, entre os membros do grupo armado que estavam lá havia também algum dos presentes acusados?

Resposta — Como eu havia planejado fugir desde o início, mantinha sempre a cabeça baixa para não ser visto por aqueles malditos, por isso não consegui saber com certeza.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Kim Sun Mo.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Sun Mo, mas os acusadores sociais responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha Kim Sun Mo, mas os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal perguntou aos acusados se tinham alguma objeção às declarações da testemunha Kim Sun Mo, e os acusados responderam, cada um deles, que não tinham objeção.

Interrogatório da testemunha Ri Buk Bae

Presidente do tribunal — Testemunha Ri Buk Bae, diga o que sabe sobre os fatos criminosos cometidos pelos presentes acusados e sobre as atrocidades cometidas pelos imperialistas estadunidenses quando ocuparam temporariamente Sinchon.

Testemunha Ri Buk Bae — Em 17 de outubro de 1950, os malditos militares estadunidenses se infiltraram em nossa Sinchon e, alegando que meu marido havia sido presidente da célula e se juntado ao Exército Popular, massacraram todos os 10 membros de minha família. Minha mãe foi espancada tão brutalmente pelos malditos que acabou não resistindo aos ferimentos e morreu. Meu irmão mais novo, de 21 anos, foi morto depois que lhe cravaram uma estaca nos órgãos genitais. Depois também me submeteram a torturas insuportáveis, exigindo que eu dissesse onde estava meu marido, e disseram que iriam prendê-lo e matá-lo junto comigo.

Entre os fatos que conheço, um homem de cerca de 60 anos que residia no cantão de Sinchon foi levado pelas ruas e fuzilado sob o pretexto de ser um agricultor ativo. Além disso, em nossa aldeia, numerosas esposas de membros do Partido do Trabalho foram estupradas e depois fuziladas. Dessa maneira, em nossa aldeia, de uma população de mais de 870 habitantes, mais de 580 foram massacrados pelos malditos. Depois, também fui arrastada por eles para o local de execução, mas, como naquela ocasião já estava escuro, consegui escapar, evitando os olhos dos malditos.

O presidente do tribunal concedeu ao procurador a oportunidade de interrogar a testemunha Ri Buk Bae.

Procurador An Pyong Jin — Quantos membros da família da testemunha foram massacrados?

Testemunha Ri Buk Bae — Dos 11 membros de minha família, 10 foram massacrados pelas mãos dos militares estadunidenses e dos membros do grupo armado, restando apenas eu.

O procurador informou ao presidente do tribunal que havia terminado o interrogatório da testemunha Ri Buk Bae.

O presidente do tribunal concedeu aos acusadores sociais a oportunidade de interrogar a testemunha Ri Buk Bae, mas eles responderam que não tinham perguntas a fazer.

O presidente do tribunal concedeu aos advogados a oportunidade de interrogar a testemunha Ri Buk Bae, mas os advogados responderam, cada um deles, que não tinham perguntas a fazer.

O juiz perguntou aos réus se tinham alguma objeção ao depoimento da testemunha Ri Buk Bae, ao que cada um dos réus respondeu que não tinha nenhuma.

O juiz informou às partes do processo que ainda havia três testemunhas que não tinham sido interrogadas: O Yong Jin, Choe Gwan Ik e Kim Sun O. Como os depoimentos que essas testemunhas prestariam não diferiam muito dos das testemunhas que já haviam deposto e os depoimentos das demais testemunhas ouvidas neste tribunal já tinham esclarecido suficientemente os fatos do caso, propôs dispensar o interrogatório das testemunhas restantes e perguntou se havia alguma objeção. O procurador e os acusadores sociais propuseram interrogar apenas a testemunha Kim Sun O, enquanto os advogados concordaram com a opinião do juiz.

Após deliberar com os jurados, o juiz declarou que os depoimentos das testemunhas já interrogadas haviam esclarecido suficientemente a verdade sobre as atrocidades cometidas pelos réus deste processo e pelos soldados estadunidenses, considerando, portanto, desnecessário também interrogar a testemunha Kim Sun O. Por esse motivo, anunciou que rejeitava a proposta do procurador e dos acusadores sociais.

O juiz dispensou as testemunhas O Yong Jin, Choe Gwan Ik e Kim Sun O, comunicando que seus interrogatórios seriam dispensados.

O juiz pediu às testemunhas já interrogadas que prestassem novamente depoimento caso houvesse algum fato omitido ou algo a acrescentar aos testemunhos anteriores.

Depoimento complementar da testemunha Jon Kyong Ae

Testemunha Jon Kyong  Ae — No meu depoimento anterior, falei apenas de maneira geral sobre as atrocidades daqueles canalhas. Por isso, gostaria de apresentar agora fatos mais concretos.

Durante o período em que os inimigos estadunidenses invadiram nossa região de Sinchon, a vida do povo foi verdadeiramente miserável, a ponto de ser impossível descrevê-la em palavras.

Durante o período do domínio japonês, minha família passou por uma vida extremamente difícil e insuportável. Após a libertação de 15 de agosto, alcançada graças à benevolência do glorioso Exército soviético, recebemos terras por meio da reforma agrária, graças às justas medidas políticas do General Kim Il Sung, e, a partir de então, passamos a levar uma vida verdadeiramente feliz.

Quando os soldados estadunidenses, semelhantes a bestas, invadiram nossa região de Sinchon, minha família feliz mergulhou de repente numa situação de infortúnio.

Meu pai e eu fomos capturados e encarcerados pelos canalhas. Para escapar da morte, fugimos juntos, mas meu pai foi capturado novamente pelos inimigos. Não tive outra escolha senão fugir sozinha em direção ao monte Malsok, na região do monte Kuwol. Ao olhar para trás, na direção de onde meu pai estava, vi que os inimigos, depois de o capturarem novamente, haviam-lhe arrancado a carne das pernas com facas e cortado ambos os braços, massacrando-o miseravelmente da maneira mais bárbara.

Mais tarde, ao ouvir que nosso Exército Popular havia voltado a avançar, regressei para casa e encontrei-a reduzida a cinzas pelo fogo.

Procurei o corpo de meu pai para realizar seu funeral, mas, sem saber o que fazer, estava aflita quando o comitê do Partido do Trabalho do condado de Sinchon me prestou toda a assistência necessária e possibilitou a realização do funeral de meu pai. Depois, vaguei por toda parte à procura do corpo de minha mãe, até que alguns camaradas me contaram que ela havia sido enterrada viva pelos inimigos num abrigo antiaéreo diante da sede do partido do condado e ali fora brutalmente assassinada. Foi então que tomei conhecimento do ocorrido.

Testemunho que o objetivo da vinda dos soldados estadunidenses ao nosso território era massacrar o povo coreano e saquear e destruir seus bens.

Também ouvi dizer que minha irmã havia sido assassinada pelos canalhas na mina de Monachi. Quando fui até lá, encontrei-a morta, com o crânio esmagado por algum objeto. A criança que ela carregava nas costas também havia morrido, segurando os cabelos da mãe.

Em seguida, fui à aldeia de Unbong-ri, no cantão de Onchon, para investigar as circunstâncias do massacre das crianças. À beira do lago daquela localidade, encontrei mais de vinte mulheres jovens chorando enquanto retiravam água com cabaças. Quando lhes perguntei por que estavam retirando água e chorando, responderam que os soldados estadunidenses haviam colocado mais de oitenta crianças de cabeça para baixo naquele lago e as matado, e que estavam procurando os corpos.

E não foi apenas isso. Em Onchon, 29 meninos foram assassinados, e em Samsok também houve inúmeros casos de meninos enterrados vivos na areia.

Os soldados estadunidenses massacraram nosso povo em grande escala e empregaram métodos de assassinato extremamente cruéis.

O filho da testemunha U Mal Je, que compareceu a este tribunal, havia trabalhado como responsável do comitê popular de nossa aldeia e, por esse motivo, foi perseguido e morto. Mais tarde, quando procuramos seu corpo para enterrá-lo, não conseguimos encontrar todos os restos mortais.

Além disso, a senhora Yang Gum Sun, residente em Suwon-ri, foi brutalmente assassinada junto com toda a sua família por ser membro do Partido do Trabalho.

O juiz perguntou às partes do processo se desejavam fazer perguntas complementares às testemunhas, ao que todas responderam que não tinham perguntas.

O juiz declarou encerrada a quarta sessão do julgamento e anunciou que a quinta sessão seria aberta no dia seguinte, 29 de maio, exatamente às 10 horas da manhã. Em seguida, retirou-se.

Sessão de 29 de maio

Às 10 horas da manhã, em ponto, o juiz ordenou a entrada dos réus e das testemunhas e declarou aberta a quinta sessão do julgamento.

O juiz convidou as partes do processo a fazer perguntas complementares aos réus e às testemunhas, mas todas responderam que não tinham perguntas.

O juiz perguntou aos réus se, durante as audiências realizadas nos quatro dias anteriores, havia algo nos depoimentos dos réus ou das testemunhas que lhes parecesse duvidoso ou que precisasse ser complementado. Cada um dos réus respondeu que não havia nada a acrescentar.

Após deliberar com os jurados, o juiz declarou encerrada a apuração dos fatos e anunciou que, a partir daquele momento, ouviria as alegações finais dos acusadores e as defesas dos advogados.

Declaração dos acusadores sociais e conclusão do procurador do Estado

Declaração do acusador social Sin Song Sun, em representação do povo do condado de Sinchon

Camaradas juízes e jurados do Supremo Tribunal!

Hoje, neste processo, em representação do povo do condado de Sinchon, província de Hwanghae, que foi vítima direta desses crimes, pretendo expor e condenar as atrocidades criminosas perpetradas com uma crueldade inimaginável para um homem, diretamente autorizadas e ordenadas pelos comandantes das forças de agressão estadunidenses ou cometidas sob suas medidas e orientação diretas.

Os imperialistas estadunidenses, movidos pela ilusão de dominar o mundo, durante quase meio século no passado, recorreram a toda sorte de conspirações para transformar nossa Coreia numa base de agressão no Extremo Oriente. É um fato conhecido por todo o mundo que chegaram ao ponto de tolerar e auxiliar covardemente a ocupação da Coreia pelo imperialismo japonês.

Nossa Coreia, libertada do domínio imperialista japonês, que se prolongara por meio século, graças ao papel decisivo do glorioso Exército soviético, viu as tropas estadunidenses entrarem na parte sul de seu território, artificialmente dividida pela linha do paralelo 38.

Como afirmou o camarada Kim Il Sung, primeiro-ministro e Líder de nosso povo, desde o início, o imperialismo estadunidense "executou de maneira consequente o plano que já havia preparado para colonizar nossa pátria, escravizar nosso povo e transformar o território de nossa pátria numa base de agressão no Extremo Oriente". Por essa razão, valeu-se da camarilha de Ri Sung Man, traidora do povo coreano, como seus lacaios, fabricou um novo governo fantoche e tentou perpetuar a divisão de nossa pátria, revelando um quadro sombrio de repressão e massacre impiedosos contra nosso povo pacífico, digno da obscuridade da Idade Média.

Como nos ensinou há muito tempo nosso sábio Líder, o General Kim Il Sung: "Imediatamente após a libertação, deveríamos consolidar os comitês populares estabelecidos por iniciativa do povo em todas as regiões da Coreia, garantir a liberdade de expressão, de imprensa, de publicação e de reunião, organizar e fortalecer as organizações sociais democráticas, como os sindicatos dos trabalhadores, a União dos Camponeses, a União da Juventude Democrática e a União das Mulheres, realizar a reforma agrária, nacionalizar as fábricas, manufaturas, ferrovias, minas, bancos e outras instalações que pertenciam aos japoneses e aos traidores, restaurar rapidamente as fábricas e empresas destruídas, elevar o nível de vida material e cultural do povo, formar os quadros necessários à administração do Estado e estabelecer um sistema educacional democrático, ampliando, fortalecendo e criando instituições escolares". Graças aos esforços criativos e à luta patriótica que desenvolvemos para cumprir essas tarefas, alcançamos enormes êxitos.

Entretanto, essas atividades criadoras, que determinavam o destino da pátria e das gerações futuras, só foram concretizadas na parte norte do país, onde estavam estacionadas as gloriosas tropas soviéticas. Além disso, movidos pelo desejo urgente de todo o povo de evitar a tragédia de uma guerra fratricida e alcançar a reunificação e a independência da pátria, empreendemos continuamente todos os esforços possíveis por meios pacíficos. Contudo, os imperialistas estadunidenses incitaram a camarilha de Ri Sung Man a provocar numerosos confrontos armados ao longo da linha do paralelo 38 e, por fim, seguindo um plano minuciosamente elaborado que vinham preparando havia muito tempo, atearam o fogo da guerra em nosso território pátrio.

Hoje, os imperialistas estadunidenses perturbam a paz mundial e provocam conflitos nacionais, de classe e até religiosos entre os países e povos mais fracos, com o objetivo de encher os próprios bolsos. Esse é o método habitual desses canalhas.

No verão de 1950, o chamado "Exército de Defesa Nacional", que a camarilha de Ri Sung Man alardeava ser uma força poderosa, equipada com armamentos modernos de fabricação estadunidense, muito superior ao que os próprios inimigos haviam inicialmente previsto, sofreu golpes devastadores diante do avanço impetuoso do heroico Exército Popular. Em apenas alguns dias após o início da guerra, nosso Exército Popular libertou a capital, Seul, e continuou perseguindo as forças inimigas até além do rio Rakdong, libertando a maior parte de todo o território coreano. Tomados pelo pânico, os imperialistas estadunidenses desrespeitaram todas as normas e convenções internacionais e recorreram especialmente à sua força aérea para intervir militarmente de maneira direta contra nossa República.

Durante essa guerra, esses canalhas cometeram atrocidades bestiais por meio de toda sorte de métodos cruéis e incontáveis, que jamais ousariam sequer imaginar se possuíssem um mínimo de humanidade.

Em outras palavras, a República inteira foi reduzida a ruínas por atos como os bombardeios indiscriminados contra pacíficas zonas rurais, a destruição de cidades desmilitarizadas, os assassinatos em massa e as torturas de civis pacíficos, bem como a destruição e a pilhagem descaradas de relíquias culturais, escolas, igrejas, propriedades públicas e bens particulares. Tanto pela dimensão quanto pela natureza cruel, essa devastação foi verdadeiramente sem precedentes na história.

Esses fatos foram comprovados e expostos publicamente, tal como ocorreram, pelas investigações sobre as atrocidades bestiais dos imperialistas estadunidenses e de seus lacaios, realizadas pela delegação de investigação da Federação Democrática Internacional das Mulheres, que visitou nosso país em maio do ano passado, e pela delegação enviada pela Associação Internacional de Juristas Democráticos em março deste ano. Isso provocou a indignação e os veementes protestos dos povos pacíficos de todo o mundo.

Examinemos agora, em linhas gerais, as atividades desses indivíduos durante a ocupação temporária de nosso condado de Sinchon.

Quando as tropas de agressão imperialistas estadunidenses e seus lacaios, as tropas fantoches, entraram em nosso condado de Sinchon, em 17 de outubro de 1950, o tenente Harrison, comandante das tropas estadunidenses, reuniu indivíduos vis e perversos como os réus, entre eles Ho Pil Sun, que estão sendo julgados neste tribunal, e organizou grupos reacionários, tais como os chamados destacamentos policiais, grupos de chefes de aldeia e grupos de segurança pública, transformando-os em seus lacaios.

No dia seguinte, 18 de outubro de 1950, o tenente estadunidense Harrison convocou uma reunião e declarou, sob ameaça de fuzilamento, que sua ordem era uma "lei" e que qualquer pessoa que a violasse seria executada. Ao mesmo tempo, proclamou que os comunistas seriam eliminados para salvar a Coreia do Norte da ameaça comunista e que todos os seus simpatizantes seriam tratados da mesma maneira que os próprios comunistas. Em seguida, pôs essas ordens em prática.

Assim, ordenou aos soldados sob seu comando e aos membros dos grupos armados que prendessem todos os patriotas do condado de Sinchon, os familiares dos soldados do Exército Popular que se encontravam na retaguarda, bem como os funcionários dos órgãos estatais e das organizações sociais e seus familiares. Desse modo, massacrou inúmeros habitantes e, por meio de toda sorte de métodos cruéis, matou indiscriminadamente homens e mulheres, idosos e jovens, sem poupar ninguém. Isso basta para compreender que tais atos constituíam uma série de ações deliberadas destinadas a exterminar o povo coreano.

Como já foi comprovado aqui pelas declarações de Ho Pil Sun, Choe Han U e outros traidores desprezíveis, que não passavam de lacaios do tenente Harrison, oficial das tropas de agressão imperialistas estadunidenses, o número de patriotas massacrados pelos inimigos no condado de Sinchon atingiu a cifra impressionante de mais de 19 mil homens e mais de 16 mil mulheres, totalizando mais de 35 mil pessoas.

Além disso, os registros descrevem detalhadamente os diversos atos cruéis e massacres perpetrados naquela época, bem como os métodos violentos de assassinato infligidos aos habitantes, incluindo mulheres e crianças.

Esses atos foram registrados como práticas bárbaras cometidas contra o povo coreano naquela época.

Camaradas!

Ao recordar mais uma vez as nobres qualidades e o espírito revolucionário que nossos patriotas preservaram até o fim, gostaria agora de falar sobre os trágicos acontecimentos daquele período.

Segundo os registros, em 18 de outubro de 1950, o tenente Harrison, comandante das tropas estadunidenses que ocupavam o condado de Sinchon, emitiu uma ordem para prender, sob determinados pretextos, centenas de crianças e habitantes, incluindo mulheres grávidas, e assassiná-los cruelmente em locais como o pátio diante da sede do comitê do Partido do condado de Sinchon. 

Os responsáveis militares e demais envolvidos continuaram perpetrando atos desumanos em meio àquela terrível carnificina.

Eles atiravam nas pessoas e as faziam cair novamente na vala.

Em 21 de outubro de 1950, cinco caminhões de carga estadunidenses transportaram pessoas em grande quantidade e as lançaram no reservatório do sul, onde foram massacradas. Nos abrigos antiaéreos e nas valas do comitê do Partido do Trabalho, situado nas proximidades, centenas de homens, mulheres e idosos foram mortos por meio de cremações, fuzilamentos e outros métodos. Somando-se as pessoas que foram repetidamente lançadas no reservatório ou nas valas e massacradas, ficou comprovado que o número total chegou a nada menos que 2.093.

Outro exemplo de massacre em massa ocorreu em meados de novembro. Como guerrilheiros populares coreanos estavam estabelecidos no monte Kuwol, situado na região de Sinchon, o tenente estadunidense Harrison enviou uma chamada unidade de operações de extermínio, mas ela fracassou. No caminho de volta, os oficiais estadunidenses entraram numa aldeia e ordenaram que todos os habitantes fossem presos. Em seguida, conduziram cerca de 500 pessoas inocentes, incluindo mulheres e crianças, mas acabaram por massacrá-las com as metralhadoras dos soldados estadunidenses.

Em 20 de outubro de 1950, após discutir de várias maneiras como executar mais de 520 patriotas, Harrison decidiu que, durante a noite, todos, homens e mulheres indistintamente, fossem despidos em segredo e amontoados como feixes de palha num abrigo antiaéreo. Enquanto as pessoas gritavam em estado de asfixia, ouvia-se ressoar vigorosamente o brado "Viva a República!" e o coro da majestosa Canção do General Kim. Então, a entrada do abrigo foi completamente selada com tábuas e terra, e os explosivos previamente instalados pelos soldados estadunidenses foram detonados, matando todos os que estavam lá dentro. Ainda hoje, é possível observar o mau cheiro que emana daquele abrigo e a película de óleo que flutua na água que dele escorre.

Além disso, pouco antes de recuarem diante do avanço do nosso Exército Popular e do Corpo de Voluntários do Povo Chinês, em 3 de dezembro de 1950, Harrison convocou uma reunião no gabinete do chefe da delegacia de polícia e dirigiu-se aos oficiais estadunidenses e aos oficiais das tropas fantoches, declarando: "Os habitantes que estão aqui devem ir para o sul junto com as tropas estadunidenses. Quem permanecer aqui será, na prática, tratado como inimigo, e contra essas pessoas serão utilizadas bombas atômicas. Todos os seguidores dos comunistas devem ser exterminados." Também ordenou que todos os familiares dos integrantes do Exército Popular da Coreia e dos funcionários públicos fossem considerados comunistas. Essas ordens foram efetivamente executadas pelos soldados estadunidenses, que chegaram a metralhar e massacrar com aviões os habitantes inocentes que, enganados pelos inimigos, os seguiram parcialmente em direção ao sul.

Em obediência a essas ordens insanas de Harrison, os soldados estadunidenses e alguns dos seus cúmplices reacionários prenderam indiscriminadamente os habitantes inocentes.

A partir de 3 de dezembro de 1950, começaram a prender pessoas e confinaram mais de 900 delas em dois armazéns na região de Wonam-ri, condado de Sinchon. Mais de 200 crianças pequenas foram separadas de suas mães, trancadas à parte e deixadas sem comida. Os gritos das crianças famintas eram impossíveis de ouvir sem sentir angústia. Desesperadas à procura de alimento, elas tentavam arrancar as tábuas do assoalho, ferindo os dedos até que sangrassem. Por fim, esforçaram-se ao máximo para rastejar até a porta. Como resultado, os corpos das crianças mortas ficaram amontoados junto à entrada e por todos os cantos dos armazéns. Em 7 de dezembro, os inimigos espalharam palha sobre a cabeça das pessoas confinadas em outro armazém, derramaram gasolina e atearam fogo. Como se isso não bastasse, lançaram granadas de mão para massacrá-las. Os fatos revelados posteriormente mostraram que a cena era tão terrível que ninguém conseguia suportar contemplá-la de olhos abertos.

O massacre de mais de 35 mil pessoas no condado de Sinchon constitui um exemplo que demonstra a natureza exterminadora dos planos dos estadunidenses. Em Mangung-ri, no condado de Sinchon, havia uma população total de 891 habitantes, dos quais 773 foram massacrados, o que corresponde a nada menos que 87% da população, configurando praticamente o extermínio total.

Ao lado desses assassinatos em massa, os inimigos também revelaram uma crueldade sem precedentes na história por meio de atos individuais. Vejamos alguns exemplos.

No final de outubro de 1950, em Kyongji-ri, depois de matarem as mães, os inimigos alinharam 23 crianças numa vala situada na colina atrás do comitê popular daquela circunscrição e as enterraram vivas. Quando os corpos foram posteriormente desenterrados, constatou-se que, enquanto a terra era lançada com pás, ela entrava na boca das crianças que choravam e as sufocava. A cena de seus pequenos corpos mortos, com as mãos agarradas à própria cabeça em desespero, permanecia nitidamente visível.

Em 18 de outubro de 1950, o diretor da Escola Popular de Wonjong, no cantão de Chori, foi capturado pelos estadunidenses e sentado à força na sala dos funcionários da escola. Diante da população reunida, os inimigos serraram seu corpo ao meio com uma serra, começando pela testa e seguindo até o abdômen, dividindo-o praticamente em duas partes e matando-o para intimidar os habitantes inocentes. Contudo, esse ato apenas expôs a barbárie canibal dos estadunidenses.

Além disso, depois de massacrarem os seis familiares do camarada Yang Gum Son, residente em Suwon-ri, os inimigos penduraram a própria Yang Gum Son, ainda viva e de cabeça para baixo, num galho de árvore e a queimaram até a morte. O camarada Han Chang Se, responsável pela loja cooperativa de consumo de Onchon, foi trancado num armazém, onde os inimigos soltaram três cães da raça pastor-alemão para que o mordessem e devorassem. Somente uma semana depois, quando já estava morrendo, foi fuzilado. O camarada Kim Chang Jo, responsável pela contabilidade da mesma loja, foi morto depois de ter o corpo cortado em pedaços.

Como ficou claramente comprovado pelos depoimentos das testemunhas neste tribunal, por volta das 10 horas da manhã de 18 de outubro de 1950, cerca de vinte soldados estadunidenses e dez soldados das tropas fantoches foram até Kyongji-ri e prenderam o senhor Pak Do Sop, marido da senhora U Mal Je, sob a acusação de ser um camponês dedicado.

Os inimigos passaram um arame pelo nariz e pelas orelhas dele, perfuraram ambas as mãos com baionetas e as amarraram firmemente. Em seguida, pregaram-lhe na testa, com um prego, o certificado de mérito que recebera como camponês exemplar. Nas costas, escreveram palavras ordenando a morte dos comunistas. Depois, arrastaram-no pelas ruas da cidade, proclamando que as balas eram preciosas demais para serem desperdiçadas com os comunistas e que estes deveriam ser mortos daquela maneira.

Ao ver aquela cena cruel, sua nora tentou intervir, mas os soldados estadunidenses agarraram-na pelos cabelos e tentaram estuprá-la. Quando ela resistiu, despiram-na à força, arrastaram-na para a colina atrás da aldeia, amarraram-lhe os quatro membros a uma árvore, cravaram uma estaca em seus órgãos genitais, derramaram gasolina sobre ela e atearam fogo.

Assim, os sete membros da família, incluindo os filhos, foram todos massacrados de maneira atroz pelos inimigos. A senhora U Mal Je também foi presa e submetida a toda sorte de atrocidades, sendo posteriormente trancada num armazém. Em meados de novembro, conseguiu escapar graças à ajuda dos nossos guerrilheiros populares que se encontravam no monte Kuwol.

Tais atrocidades são atos indescritíveis, tão perversos que não se encontram em nenhum outro lugar do mundo.

A senhora Sin Yu Jin, residente em Myongsa-ri, cantão de Karyon, no condado de Sinchon, foi presa por ser uma camponesa dedicada por volta das 17 horas de 5 de novembro de 1950. Os inimigos passaram-lhe um arame pelo nariz, suspenderam um ferro de marcar aquecido e queimaram-lhe a cabeça e os seios. Também lhe cortaram os dedos das mãos com uma faca e a submeteram a toda sorte de torturas cruéis. Na manhã seguinte, arrastaram-na pelas ruas da aldeia e, por volta das 13 horas, levaram-na a um local onde a espancaram brutalmente e depois a fuzilaram.

Yu Gum Nyeo, residente em Jinu-ri, foi presa em 28 de outubro de 1950, por volta das duas horas da tarde, por um indivíduo chamado Han Jong Sin, chefe do destacamento de segurança, que levou consigo seus subordinados. Depois de a despirem, espancaram-na inúmeras vezes com bastões, amarraram-lhe as mãos atrás das costas e escreveram num pedaço de tecido de algodão a palavra "militante dedicada", que lhe penduraram nas costas. Em seguida, arrastaram-na pelas ruas da aldeia até uma colina ao lado de uma estrada, onde a espancaram até quase a morte com um galho de acácia espinhosa. Depois, cortaram-lhe uma orelha. Um oficial estadunidense declarou que aquela mulher só havia vivido na Coreia do Norte e, por isso, desconhecia a situação dos Estados Unidos e da "República da Coreia", ordenando que lhe arrancassem os dois olhos e a pendurassem num galho alto de uma árvore. Essa ordem foi executada, e ela foi morta. Com tais atos cruéis, os próprios inimigos demonstraram a natureza habitual dos métodos dos saqueadores estadunidenses.

A senhora Kim Jong Ae, de 34 anos, residente em Kyongji-ri, foi presa e condenada à morte por ser uma camponesa dedicada. Um oficial estadunidense declarou que seria um desperdício de munição matá-la com balas. Por isso, amarraram-lhe as mãos e os pés e mataram-na a golpes de lança, juntamente com a criança de dois anos que ela carregava às costas. Enquanto gritava "Viva o General Kim Il Sung! Viva a República!", cortaram-lhe a língua, arrancaram-na e enterraram-na viva.

Uma jovem de 20 anos que estudava numa escola de formação de enfermeiras foi capturada pelos estadunidenses, que lhe perfuraram as orelhas, pregaram pregos nas costas e colocaram-lhe um tambor às costas, arrastando-a pelas ruas como se fosse um animal. Depois de a encarcerarem, tentaram estuprá-la, mas, quando ela resistiu, mataram-na com uma lança.

No sanatório do cantão de Onchon, os inimigos transformaram as instalações num lugar de devassidão. Mulheres jovens e adolescentes eram capturadas indiscriminadamente e amontoadas ali. Soldados estadunidenses e britânicos das forças de agressão cometiam todo tipo de violência sexual, dia e noite, sem descanso. Apenas três mulheres conseguiram sair vivas; todas as demais foram transportadas em caminhões de carga e lançadas no reservatório, onde foram mortas.

Saliento enfaticamente que tais atrocidades, cometidas apenas em nosso condado, não foram uma particularidade dos métodos de Harrison, mas constituíram parte integrante da conduta extremamente vil dos mercadores de guerra imperialistas estadunidenses e de suas forças de agressão.

Senhores juízes do Supremo Tribunal!

Considero desnecessário continuar enumerando as incontáveis atrocidades desses canalhas.

O que demonstram esses fatos criminosos, tão abomináveis que revoltam o céu e a humanidade?

A crueldade desumana desses canalhas não conhece limites. Na tentativa de reverter suas derrotas militares e políticas, recorreram até mesmo à mais extrema brutalidade e continuaram utilizando em nosso território armas bacteriológicas, que provocam repulsa e ódio entre os povos de todo o mundo. Esses atos criminosos não constituem apenas atrocidades destinadas a exterminar nosso povo; posso afirmar sem hesitação que também representam uma ameaça capaz de trazer a maior desgraça aos povos amantes da liberdade em todo o mundo.

O ódio profundo e inabalável de nosso povo patriótico, submetido às mais diversas torturas e atrocidades dos inimigos e que perdeu injustamente inúmeros compatriotas, jamais desaparecerá.

Os crimes abomináveis desses malfeitores nunca poderão ser esquecidos.

Creio ser necessário recordar mais uma vez as palavras da delegação de investigação da Federação Democrática Internacional das Mulheres, que avaliou que os massacres — nos quais centenas de milhares de civis pacíficos, idosos e jovens, continuavam sendo torturados, queimados vivos, espancados até a morte, enterrados vivos ou mortos de fome nas prisões sem qualquer culpa, julgamento ou sentença, enquanto cidades reduzidas a escombros, cujos habitantes sobreviventes viviam em abrigos subterrâneos, continuavam sendo bombardeadas para nos subjugar psicologicamente e enfraquecer fisicamente — ultrapassavam até mesmo as atrocidades cometidas por Hitler no passado.

Ao relatar alguns dos acontecimentos ocorridos em nosso condado de Sinchon durante a ocupação inimiga, considero que uma pessoa dotada de sentimentos humanos comuns teria dificuldade em aceitar de imediato fatos tão terríveis. Contudo, todos os materiais que receberam um julgamento internacional imparcial, bem como os inúmeros testemunhos oculares e as provas materiais existentes em nosso condado, demonstram concretamente que as atrocidades que descrevi foram ainda mais numerosas.

Camaradas juízes, dignos de respeito!

Por mais cruéis que sejam as atrocidades cometidas pelos inimigos e por mais armas de extermínio em massa que utilizem, jamais conseguirão quebrar o espírito indomável do povo coreano. Com o apoio e a assistência calorosos dos povos amantes da liberdade de todo o mundo, incluindo os povos soviético e chinês, conquistaremos, sem falta, a vitória final.

Os imperialistas estadunidenses, sucessores do renascido monstro fascista Hitler, violaram todos os princípios humanitários e desprezaram as normas internacionais. Mais cedo ou mais tarde, serão inevitavelmente submetidos a severa punição perante os povos do mundo. Embora o principal responsável direto pelas atrocidades cruéis e pelos massacres monstruosos em nossa Coreia seja o agressor imperialista estadunidense, seus fiéis lacaios Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon e Yun Myong Won, que traíram a própria pátria e o próprio povo, cegados pelos dólares ensanguentados dos estadunidenses e transformados em criminosos sedentos de sangue, sem qualquer resquício de compaixão humana, também não podem escapar à responsabilidade por seus crimes.

Mesmo que esses indivíduos fossem mortos mil vezes, jamais conseguiriam expiar os crimes que cometeram.

Quanto aos agentes armados estadunidenses e aos seus lacaios traidores, só nos resta cerrar os dentes de ódio e fazer com que paguem por todo o sofrimento e ressentimento acumulados pelo nosso povo.

Por isso, em representação do povo do condado de Sinchon e como cidadão fiel da República, movido por um ódio ardente contra os inimigos do povo, proponho solenemente a este tribunal que os quatro réus sejam condenados à pena máxima prevista pelo Código Penal de nossa República.

29 de maio de 1952

Declaração do acusador social Ju Hwang Sop, em representação da Frente Democrática para a Reunificação da Pátria

Senhores juízes e jurados do Supremo Tribunal!

Como um dos acusadores sociais, em representação da Frente Democrática para a Reunificação da Pátria, condeno os crimes cruéis e desumanos cometidos pelos réus deste processo contra o povo e denuncio sua responsabilidade como inimigos abomináveis do povo. Ao mesmo tempo, quero denunciar os atos monstruosos e indignos da humanidade perpetrados pelos canibais imperialistas estadunidenses, inimigos da humanidade, que, agindo nos bastidores e manipulando esses indivíduos, fizeram com que coreanos massacrassem cruelmente, em grande escala, outros coreanos inocentes.

Senhores!

Penso que, por meio dos depoimentos de várias testemunhas, prestados em uma atmosfera de liberdade desde o primeiro dia em que se iniciou a audiência do presente julgamento até hoje, e das provas materiais encontradas nas residências dos réus e em outros locais, os fatos da acusação deste processo foram plenamente comprovados, sem qualquer dúvida.

Entretanto, para esclarecer cabalmente a verdade sobre os fatos da acusação neste processo e chegar a um julgamento político e jurídico correto, devo enfatizar que não basta considerar simplesmente cada fato isolado e a avaliação jurídica correspondente. É necessário realizar uma análise política ainda mais profunda e incisiva da conduta do oficial estadunidense Harrison, o verdadeiro responsável pelos crimes deste processo, que os dirigiu diretamente nos bastidores.

Isso porque, quando observamos apenas os crimes que vieram à tona nas regiões temporariamente ocupadas pelo inimigo, os acontecimentos de traição e massacre parecem ter sido cometidos por coreanos contra outros coreanos. Na realidade, porém, por trás deles estavam escondidos os canibais estadunidenses. Da mesma forma, neste processo, embora os réus coreanos tenham sido os executores diretos dos crimes, quem desempenhou o papel principal nos bastidores foi Harrison, tenente do Exército dos Estados Unidos em serviço ativo, pertencente às forças armadas estadunidenses. Como esses crimes foram cometidos sob sua orientação direta, para esclarecer todo o quadro do caso, não devemos observar superficialmente apenas os acontecimentos que vieram à tona, mas, necessariamente, investigar a fundo as origens dos crimes ocultas nos bastidores. Somente assim poderemos alcançar esse objetivo.

Não há necessidade de longas explicações: como demonstram os materiais já reunidos e as provas já confirmadas, a verdadeira natureza deste caso já foi revelada. Não se tratou de crimes isolados, cometidos casualmente por iniciativa individual dos réus ou do oficial estadunidense Harrison, mas de atos perpetrados como parte das ações agressivas do imperialismo estadunidense, que tinham um plano interno e foram executadas em numerosas regiões ocupadas. Os responsáveis por trás disso são os incendiários da guerra de Wall Street, e aqueles que executaram diretamente seus desígnios na Coreia foram MacArthur, Ridgway e Mark Clark.

Por isso, para emitir um julgamento correto sobre este caso, é necessário conhecer o contexto político, os objetivos e a essência desses crimes, bem como examinar as relações políticas entre eles e os numerosos atos semelhantes cometidos por métodos análogos. É isso que desejo enfatizar especialmente.

Penso também que somente dessa maneira poderemos contribuir para esclarecer nitidamente a verdade sobre os numerosos massacres cometidos durante o período de ocupação inimiga e explicar com precisão a verdadeira natureza da invasão da Coreia pelos canibais imperialistas estadunidenses.

Senhores juízes e jurados!

Ao longo deste julgamento, pudemos compreender claramente quão cruéis e atrozes foram os crimes cometidos pelos réus.

Entre as pessoas comuns que amam a paz e defendem a justiça, quem poderia deixar de sentir ódio e indignação diante dos atos monstruosos dos réus e dos soldados estadunidenses, atos que revoltam toda a humanidade? E como poderia um coreano deixar de sentir vergonha e indignação nacionais? Como todos sabem, desde os tempos antigos, nosso povo coreano jamais adotou como princípio moral invadir outros países, escravizar seus povos ou massacrar cruelmente seus habitantes. Somos conhecidos no mundo como um povo amante da paz, com uma tradição de luta corajosa e ininterrupta, transmitida desde nossos antepassados, contra os agressores estrangeiros que tentaram invadir nossa pátria. Por isso, mesmo sabendo que os réus, criados nesses costumes e tradições, eram criminosos extremamente perversos que traíram sua pátria e seu povo, era difícil acreditar que pudessem ter cometido atos tão cruéis, desumanos e bárbaros.

Mas qual é a realidade?

Agora, com base nas confissões dos próprios réus, quero recordar mais uma vez a crueldade de seus atos. Em 18 de outubro de 1950, por ordem de Harrison, os réus amarraram com cordas e cordões mais de 900 patriotas e seus familiares, incluindo crianças pequenas que sequer compreendiam o que estava acontecendo. Depois, empurraram-nos com baionetas para dentro de uma vala, derramaram gasolina sobre suas cabeças e atearam fogo. Quando, incapazes de suportar o sofrimento terrível, as vítimas reuniram suas últimas forças para tentar escapar, os réus e os soldados estadunidenses responderam com disparos. Quando aqueles que ainda não haviam morrido gritavam desesperadamente e se lançavam para fora, tentando sobreviver, os criminosos cobriram-nos com torrões de terra e enterraram-nos vivos.

Em 2 de outubro, ao massacrarem 520 pessoas, os criminosos primeiro as colocaram dentro de um abrigo antiaéreo e depois bloquearam sua entrada com terra e outros materiais, fazendo com que morressem sufocadas. Ao presenciar essa cena, o canibal Harrison sorriu satisfeito, exclamou "OK", tirou fotografias e, em seguida, ofereceu cigarros aos réus, segundo o depoimento.

Essas atrocidades terríveis, que nos fazem estremecer só de pensar nelas, constituem a expressão máxima da perversidade humana e jamais serão apagadas de nossa memória.

Quando imagino as sombras de tantos patriotas assassinados pela conduta brutal dos canibais estadunidenses e de seus cúmplices, os réus, rondando os arredores deste tribunal e clamando para que não se poupe nenhum dos réus nem seus senhores estadunidenses, mas que todos sejam mortos pelos mesmos métodos cruéis, sinto um arrepio percorrer meu corpo e não consigo conter a imensa compaixão, a tristeza, a indignação e o ressentimento.

Os patriotas e seus familiares assassinados por métodos tão cruéis e horrendos somam centenas de milhares em todas as partes das regiões temporariamente ocupadas pelo inimigo.

A natureza cruel e desumana dos réus certamente contribuiu para esses crimes, mas a causa principal reside na crueldade monstruosa e odiosa do imperialismo estadunidense, cujos canibais, sedentos de sangue, não hesitam em recorrer a quaisquer meios, métodos ou alvos para satisfazer sua ambição de agressão. Para comprovar isso, citarei apenas alguns exemplos extraídos dos materiais do relatório da Comissão de Investigação da Frente Democrática pela Reunificação da Pátria, que investigou as atrocidades bestiais cometidas pelos canibais estadunidenses no norte e no sul da Coreia.

O documento nº 3 dessa comissão registra o seguinte: "Durante o período em que a cidade de Pyongyang esteve temporariamente ocupada, os agressores estadunidenses e as tropas de Ri Sung Man assassinaram numerosos cidadãos pacíficos e inocentes.

Eles prenderam, assassinaram, fuzilaram e estrangularam os funcionários dos órgãos do poder popular, especialmente os membros do Partido do Trabalho, e também prenderam, encarceraram, torturaram e massacraram seus familiares, sem distinguir mulheres, crianças ou idosos.

Durante o período em que as tropas estadunidenses e as forças de Ri Sung Man ocuparam Pyongyang, cometeram atrocidades dessa natureza e, na cidade, foram massacrados mais de 15 mil habitantes. Por meio de ameaças e intimidações, obrigaram os cidadãos a fugir para a margem sul do rio Taedong, proclamando que considerariam comunistas e puniriam aqueles que não deixassem Pyongyang. Aterrorizados, os cidadãos, homens e mulheres, jovens e idosos, começaram a atravessar o rio Taedong em grupos nos dias 3 e 4 de dezembro, mas os soldados estadunidenses e os bandidos de Ri Sung Man explodiram a ponte quando ela estava repleta de pessoas que tentavam atravessá-la.

Os aviões de combate estadunidenses metralharam as pessoas aglomeradas nas margens do rio.

Nos dias 3 e 4 de dezembro, os estadunidenses e os bandidos de Ri Sung Man assassinaram assim cerca de 4 mil habitantes inocentes.

Segundo testemunhas oculares, em 4 de dezembro, o rio Taedong estava repleto de pessoas, e suas águas haviam ficado vermelhas com o sangue das vítimas assassinadas", registra o documento. Em outra passagem, lê-se o seguinte:

"Quando se retiraram de Pyongyang, após ocupá-la temporariamente, unidades especiais das tropas estadunidenses e de Ri Sung Man explodiram e incendiaram empresas industriais, edifícios e instalações da cidade. Antes de abandonar Pyongyang, os imperialistas estadunidenses e os bandidos de Ri Sung Man destruíram as instalações da fábrica química de Pyongyang e incendiaram os edifícios da fábrica e os alojamentos coletivos.

Destruíram completamente as instalações e os edifícios que haviam escapado aos bombardeios, entre eles a Fábrica Têxtil de Pyongyang, a Fábrica de Construção de Máquinas de Pyongyang, a Mina de Carvão de Sadong, a Fábrica de Malhas, a Fábrica de Tabaco de Pyongyang, a Fábrica de Doces de Pyongyang e a Loja de Departamentos Central.

Os imperialistas estadunidenses e os bandidos de Ri Sung Man destruíram a Universidade Kim Il Sung, construída com os esforços e pelas mãos do povo da parte norte da República, e arrasaram completamente os edifícios da Universidade de Língua Russa, da Escola Normal, das escolas profissionais, da Universidade Industrial, da Escola Central do Partido do Trabalho, das escolas secundárias básicas nº 1, nº 2, nº 3, nº 4, nº 6 e nº 10, da Escola Secundária Superior Feminina nº 2, da Escola Secundária Básica Feminina nº 5 e das escolas populares nº 14, nº 19, nº 38 e nº 39. Derramaram gasolina sobre os materiais de pesquisa e os instrumentos, queimando-os ou utilizando-os como combustível.

Também destruíram os edifícios do Hospital Central, do Teatro Nacional de Arte, do Palácio das Crianças de Pyongyang, do jornal Rodong Sinmun e de outras instituições culturais.

Os imperialistas estadunidenses e os bandidos de Ri Sung Man queimaram centenas de milhares de livros pertencentes à Biblioteca Central Nacional, à biblioteca da Universidade Kim Il Sung, às bibliotecas de diversas instituições, às livrarias e às bibliotecas particulares.

Destruíram o Museu de Pyongyang e danificaram as peças expostas. Também destruíram numerosas relíquias históricas, entre elas os túmulos de Rakrang e o Pavilhão Pubyok, uma das oito relíquias históricas mais preciosas da Coreia, além de saquear a estátua dourada do templo Yongmyong. Os agressores imperialistas estadunidenses explodiram e destruíram as instalações de abastecimento de água e os reservatórios que forneciam água potável aos 400 mil habitantes de Pyongyang, destruíram os equipamentos de distribuição de eletricidade que abasteciam a cidade e arrasaram completamente a ponte sobre o rio Taedong, as passarelas para pedestres e os trilhos dos bondes urbanos.

Os imperialistas estadunidenses e os bandidos de Ri Sung Man destruíram os edifícios do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, do Conselho de Ministros, do Ministério do Interior, do Ministério da Justiça, do Comitê Popular da Cidade de Pyongyang, do Departamento do Interior, da Central Telefônica e Telegráfica de Pyongyang, do Banco Central, do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e do Comitê Central da União da Juventude Democrática da Coreia do Norte, bem como muitos outros edifícios da cidade."

Assim, o documento expõe plenamente suas atrocidades. Contudo, trata-se apenas de um conjunto parcial de materiais referentes à região de Pyongyang.

As atrocidades cometidas por eles nas diversas cidades e zonas rurais foram várias vezes mais horríveis e cruéis. As que perpetraram na Coreia do Sul foram ainda mais terríveis. Como já havia sido claramente registrado, muito tempo atrás, no relatório de investigação da Comissão de Investigação da Frente Democrática pela Reunificação da Pátria sobre as atrocidades cometidas pelo governo militar estadunidense na Coreia do Sul e por seus fantoches da camarilha de Ri Sung Man, os imperialistas estadunidenses apoiavam seus lacaios policiais e terroristas e, ao menor sinal de oposição à sua política de agressão, prendiam, encarceravam e assassinavam impiedosamente os opositores. Utilizavam métodos cruéis e bárbaros para matar. Perfuravam os seios das mulheres e introduziam estacas em suas partes íntimas, submetendo-as a humilhações abaixo da dignidade humana antes de matá-las. Empurravam patriotas para dentro de armazéns e soltavam animais famintos para que arrancassem pedaços de sua carne. Ao contemplar o espetáculo terrível dos patriotas gemendo e agonizando sob esse sofrimento, aqueles monstros, semelhantes a demônios famintos, demonstravam satisfação.

Não há sequer necessidade de apresentar novas provas de que, por onde quer que passassem os estadunidenses, os povos desses países eram submetidos a mortes tão horríveis.

Considerando todos esses fatos, bem como as ações bestiais dos imperialistas estadunidenses durante a atual guerra, quando ignoram as leis da guerra e os tratados internacionais, bombardeiam indiscriminadamente cidades e zonas rurais desprovidas de quaisquer instalações militares, reduzem-nas a montes de cinzas e espalham insetos portadores de terríveis germes para exterminar o povo coreano, penso que podemos compreender claramente a verdade e a essência dos crimes deste processo.

Senhores juízes e jurados!

Como todos sabem, depois de se libertarem do longo domínio colonial japonês, todos os coreanos dedicaram suas capacidades e seus talentos à construção de um Estado independente e soberano. Uniram-se firmemente sob a bandeira da Frente Democrática pela Reunificação da Pátria e lutaram ativamente contra a interferência dos imperialistas estrangeiros.

Mas o que os imperialistas estadunidenses ofereceram às aspirações de toda a nossa nação? Desde o primeiro dia em que desembarcaram em Inchon, em setembro de 1946, e se instalaram na região da Coreia do Sul, ao sul do paralelo 38, eles frustraram e difamaram nossas aspirações, prenderam, encarceraram e massacraram numerosos patriotas e proibiram a publicação de diversas publicações democráticas. Assim, privaram completamente o povo sul-coreano das liberdades de expressão, imprensa, reunião e associação, deixando toda a população, com exceção de alguns grupos de traidores e magnatas, sem outra alternativa senão vagar entre a fome e os bombardeios.

Quando, diante desse sofrimento e dessa opressão, o povo sul-coreano se levantou em massa sob o lema "É melhor lutar do que ficar sentado esperando a morte", eles o reprimiram com armas e baionetas e massacraram numerosos patriotas por métodos cruéis, a fim de satisfazer suas ambições agressivas. Esses fatos já são conhecidos em todo o mundo.

Os senhores de Wall Street, que pretendem escravizar os povos do mundo inteiro e construir para si um reino de felicidade eterna, consideravam prioritária a invasão da Coreia como base para a agressão à Ásia. Por isso, desde o incidente do General Sherman, em 1866, quase um século atrás, passando pelo incidente de Kanghwa, em 1871, e pelo chamado Tratado de Amizade entre a Coreia e os Estados Unidos, em 1882, interferiram nos assuntos internos da Coreia e conquistaram numerosos privilégios. Quando o Japão foi derrotado na Segunda Guerra Mundial, eles ocuparam a Coreia do Sul para concretizar suas antigas ambições. Em seguida, violaram descaradamente as disposições sobre a questão coreana decididas nas conferências de Potsdam e Yalta, sabotaram por todos os meios as negociações da Comissão Conjunta URSS-EUA, fundamentadas nas decisões da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores, e, apesar de as tropas soviéticas estacionadas na Coreia do Norte proporem a retirada simultânea das forças estrangeiras, permaneceram na Coreia do Sul.

Além disso, sob o rótulo das Nações Unidas e mediante o emprego de armas e baionetas, organizaram as chamadas eleições parlamentares separadas de 10 de maio, que condenaram a nação à ruína. Por meio delas, criaram um governo fantoche na Coreia do Sul, tendo à frente o traidor Ri Sung Man e seu bando de lacaios. Em agosto de 1948, concluíram o chamado Acordo Militar entre a Coreia e os Estados Unidos e, em dezembro do mesmo ano, o chamado Acordo de Assistência Econômica entre a Coreia e os Estados Unidos, além de uma série de outros acordos de traição nacional. Com base no chamado acordo sobre a presença de tropas estadunidenses na Coreia do Sul, aprovado pela Assembleia Nacional fantoche em novembro daquele ano, assumiram o comando das forças armadas e da polícia sul-coreanas, reforçaram seu treinamento e equipamento e concentraram nas mãos do comando militar estadunidense o controle político, econômico e militar da Coreia do Sul. Esses fatos já são bem conhecidos de todos nós.

Entretanto, o povo coreano, que havia sofrido duramente sob o longo domínio colonial japonês, não queria voltar a suportar a humilhação da escravidão colonial. Por isso, opôs-se aos planos dos imperialistas estadunidenses e, sob o lema natural de que a questão coreana deveria ser resolvida pelos próprios coreanos, levantou-se em massa, desejando alcançar pacificamente a reunificação da pátria. Eles não apenas recorreram ao seu método habitual de repressão com armas e baionetas, mas também procuraram conquistar a parte norte da Coreia, bastião da democracia e da liberdade, para escravizar eternamente o povo coreano, chegando a preparar a chamada expedição ao norte. Também conhecemos bem esses fatos.

Como prova documental disso, basta considerar as estatísticas publicadas pelo Departamento de Polícia do Governo Militar estadunidense. Segundo esses números, de abril de 1946 a março de 1947, ao longo de um ano, o número de prisões chegou a 120.041 casos, e, somente em 1946, o número de pessoas assassinadas por eles atingiu 4.200.

Essa repressão tornou-se ainda mais brutal durante os vinte dias em torno de 15 de agosto de 1949, quando se realizava a segunda reunião da Comissão Conjunta URSS-EUA. O número total de pessoas detidas em diversas regiões do país chegou a 11.039, e, somente em Seul, 916 pessoas foram vítimas de atos terroristas. Posteriormente, durante a luta de 27 de fevereiro e as eleições parlamentares separadas de 10 de maio, a repressão tornou-se ainda mais feroz. Somente em 10 de maio, 500 patriotas foram massacrados. Depois da proposta de reunificação pacífica da pátria, apresentada em junho de 1949, refletindo a vontade de todo o povo coreano, a repressão tornou-se ainda mais cruel e intensa. Nos seis meses entre julho e dezembro daquele ano, o número de pessoas assassinadas chegou a mais de 62 mil, enquanto nada menos que 150 mil casas camponesas foram incendiadas sob o pretexto de eliminar as bases de apoio dos guerrilheiros.

Como demonstram esses fatos, desde o primeiro dia da presença das tropas estadunidenses na Coreia do Sul até hoje, sua política permaneceu invariavelmente marcada por massacres sangrentos, torturas cruéis, destruição e outras atrocidades. Mataram coreanos como se mata moscas.

Essa é a chamada civilização, a assistência e a moralidade dos estadunidenses. As atrocidades cometidas hoje pelos imperialistas estadunidenses, os diversos atos terroristas e massacres perpetrados nas regiões da parte norte durante a ocupação temporária pelo inimigo e a política de terror já aplicada na parte sul são manifestações de uma mesma natureza. A conduta de Harrison, tenente do Exército dos Estados Unidos que comandava a região de Onchon e arredores do condado de Sinchon, onde foram cometidos os crimes deste processo, não pode ser atribuída apenas a uma crueldade individual. Sua origem está na instigação dos imperialistas estadunidenses e ela não passa de uma manifestação de sua antiga política de agressão.

Diante dessa última e desesperada investida do imperialismo estadunidense, que hoje recai sobre nós, coreanos, quem pode garantir que amanhã não será o povo de outro país a sofrer o mesmo destino?

Por isso, os assassinos e bandidos imperialistas estadunidenses, semelhantes a demônios famintos, tornaram-se inimigos comuns de toda a humanidade. Nossa atual Guerra de Libertação da Pátria é, sem dúvida, justa e conta com o apoio e a solidariedade dos povos amantes da liberdade de todo o mundo.

A certeza da vitória da justiça nos inspira um espírito de vitória inevitável, pois as ações agressivas, monstruosas e brutais desses criminosos, que violam a moral humana e destroem a felicidade de toda a humanidade, estão destinadas a terminar em derrota num futuro próximo.

Senhores juízes e jurados do Supremo Tribunal!

Acima, expus longamente, talvez até de maneira excessiva, os fatos que demonstram que os crimes cometidos pelos réus neste processo não foram apenas atos individuais, mas foram perpetrados sob a instigação dos imperialistas estadunidenses, inimigos cruéis e desumanos da humanidade.

Isso, porém, não diminui em absolutamente nada a responsabilidade dos réus pelos crimes contra o povo, que cometeram com os métodos mais cruéis, apesar de serem coreanos e de tais atos serem incompatíveis com a condição de membros do povo coreano. Quando todo o povo coreano lutava, coberto de sangue, nas frentes de combate e na retaguarda contra o imperialismo estadunidense, para nunca mais voltar a ser escravo colonial, os réus tornaram-se lacaios e traíram seus próprios compatriotas, massacrando impiedosamente os patriotas e seus familiares. Esses crimes constituem uma infâmia que jamais poderá ser apagada.

Por mais freneticamente que os inimigos conspirem e tramem, jamais conseguirão quebrar a determinação do povo coreano, que não teme sacrifício nem dificuldade quando se trata de defender a liberdade e a honra de sua pátria. Embora os malditos réus, lacaios do inimigo, tenham massacrado em grande escala nossos amados patriotas e seus familiares, o sangue leal que eles derramaram jamais terá sido em vão.

Os camaradas e companheiros de armas dos numerosos patriotas tombados pelas balas inimigas continuam lutando nas frentes de combate e na retaguarda, avançando sobre os corpos de seus companheiros caídos. Mesmo diante das mesas de tortura e das balas, permanecem firmes e, ainda neste momento, lançam impetuosamente uma chuva de golpes mortais contra o coração dos inimigos.

O elevado patriotismo do povo coreano, posto à prova e fortalecido nas duras batalhas contra os inimigos, manifesta-se na unidade política e ideológica de todo o povo coreano. Expressa-se claramente na elevada consciência de combate e nos feitos brilhantes dos heroicos combatentes do Exército Popular da Coreia, que dedicam à pátria até a última gota de sangue para aniquilar os inimigos.

O fato de o povo coreano dedicar sem reservas toda a sua vida, inteligência e riqueza à justa Guerra de Libertação da Pátria, destinada a derrotar o bando agressor do imperialismo estadunidense, deve-se à sua experiência de vida durante os sete anos transcorridos desde a libertação. Essa experiência permitiu-lhe reconhecer claramente a firmeza inabalável e a superioridade do sistema sociopolítico da República, que segue o caminho da democracia popular, bem como compreender profundamente que nossa guerra é uma justa guerra de libertação para conquistar a liberdade e a independência da pátria e que está avançando vitoriosamente com o apoio absoluto do campo democrático internacional.

A força inquebrantável desse povo é tão grande que até aqueles que, como os réus, receberam a maldição do povo por serem seus inimigos e consideraram a ocupação temporária pelo inimigo como uma derrota eterna da República, desprezando a força inesgotável das massas populares, estão, com o passar dos dias, reconhecendo amargamente seus erros e suas culpas e retornando voluntariamente ao generoso seio da República.

Entretanto, embora já lhes tivesse sido aberto o caminho da rendição voluntária, com base na generosa política da República, os réus não se arrependeram de seus crimes e persistiram até o fim em sua tentativa de destruir a República como lacaios do imperialismo estadunidense. Não há absolutamente nenhuma razão para demonstrar compaixão por eles: devemos considerá-los inimigos perversos do povo.

O destino dos traidores só pode ser a maldição e a condenação, e o povo lançará sobre seus cadáveres repugnantes um espinheiro repleto de desprezo e escárnio.

Hoje, os réus malditos estão sendo julgados pelo povo, mas os traidores que arruinaram a nação, liderados por Ri Sung Man, e seus senhores, os incendiários da guerra, também terão de enfrentar exatamente o mesmo julgamento diante do povo. Os traidores que estão à beira da ruína devem compreender isso claramente.

29 de maio de 1952

Conclusão do procurador do Estado

Camaradas juízes e jurados do Supremo Tribunal!

Durante quatro dias, os senhores conduziram um exame minucioso e imparcial deste processo. Todos os materiais apresentados no decorrer deste julgamento, incluindo as declarações dos réus e os depoimentos de numerosas testemunhas, confirmaram inequivocamente os crimes terríveis dos réus neste processo, fornecendo provas suficientes e incontestáveis. Entretanto, o significado deste julgamento não se limita, de modo algum, ao âmbito restrito de confirmar os crimes de alguns traidores vergonhosos e desprezíveis que hoje ocupam o banco dos réus e determinar suas responsabilidades individuais. Sua importância reside no fato de ter exposto claramente a natureza bestial dos saqueadores imperialistas estadunidenses, que, tomados pelo frenesi de ocupar territórios de outros países e escravizar seus povos, não hesitam em cometer atrocidades de qualquer espécie para executar sua política de agressão. Além disso, embora o objeto direto deste julgamento seja apenas uma pequena parcela dos crimes monstruosos cometidos pelas tropas agressoras estadunidenses contra o povo coreano, juntamente com seus lacaios, no condado de Sinchon, na província de Hwanghae, durante sua ocupação temporária, devemos enfatizar que o significado deste julgamento não se restringe, de modo algum, a esclarecer as características particulares dos crimes cometidos pelas tropas agressoras estadunidenses em uma única região.

Como demonstram mais uma vez todos os materiais comprovados durante a investigação deste processo, o massacre de mais de 35 mil patriotas coreanos e habitantes inocentes, perpetrado pelos métodos mais perversos e cruéis em uma pequena região como o condado de Sinchon, na província de Hwanghae, constitui uma parte inseparável dos crimes gerais e em grande escala cometidos pelos agressores imperialistas estadunidenses em todas as partes da Coreia onde estenderam suas mãos ensanguentadas. Esse massacre é também um exemplo típico que simboliza a amplitude e as terríveis consequências das atrocidades canibalescas dos agressores imperialistas estadunidenses. Por outro lado, este processo demonstra claramente que esses crimes monstruosos não foram atos excepcionais cometidos em consequência da crueldade particular de determinados oficiais ou soldados das tropas agressoras estadunidenses, como o tenente Harrison, cujo nome maldito foi pronunciado repetidas vezes neste tribunal, ou outros de seus lacaios. Pelo contrário, foram o resultado orgânico da política de extermínio do povo coreano, executada sistematicamente pelos agressores imperialistas estadunidenses com base em planos previamente elaborados e métodos escolhidos de antemão.

É precisamente nesses aspectos que reside a particular importância deste julgamento. Assim, este processo expõe plenamente, diante dos povos de todo o mundo, a natureza canibalesca e bestial dos saqueadores imperialistas estadunidenses, inimigos da paz que se levantaram contra a civilização humana a serviço dos interesses dos comerciantes de guerra de Wall Street.

Em todos os materiais revelados neste tribunal, os senhores ouvirão os gritos de ressentimento dos numerosos patriotas coreanos e habitantes inocentes que sofreram mortes injustas e horríveis nas mãos das bestas imperialistas estadunidenses. Esses gritos apelam ao povo coreano, que se levantou em defesa da independência e da liberdade de sua pátria contra os malditos agressores imperialistas estadunidenses, para que intensifique e aprofunde ainda mais sua vingança contra esses inimigos detestáveis.

Esses gritos também advertem os homens honestos e comuns de todo o mundo de que as atrocidades cometidas hoje pelas bestas imperialistas estadunidenses contra o povo coreano ameaçam, amanhã, o destino de outros povos do mundo e de suas gerações futuras. Apelam para que se unam ainda mais firmemente nas fileiras da defesa da paz, contra o imperialismo estadunidense, inimigo monstruoso da humanidade e da civilização, e para que punam, sem deixar escapar nenhum deles, os criminosos imperialistas estadunidenses.

É precisamente nisso que reside a importância particularmente grande deste julgamento.

Senhores juízes e jurados do Supremo Tribunal!

À luz dessa importância do presente julgamento e para avaliar justamente os atos criminosos e a responsabilidade de cada um dos réus que hoje se encontram no banco dos acusados, não posso deixar de abordar, com algum detalhe, os crimes de agressão e as atrocidades desumanas cometidos pelos imperialistas estadunidenses contra o povo coreano em geral.

Neste processo, o principal objeto da investigação foi o crime de massacre de 35.383 habitantes civis, entre os quais 1.624 mulheres, cometido pelas tropas agressoras estadunidenses durante a ocupação temporária do condado de Sinchon, na província de Hwanghae, ao longo de aproximadamente um mês e meio, entre 17 de outubro e 7 de dezembro de 1950.

Naturalmente, a política de extermínio do povo praticada pelos imperialistas estadunidenses não começou apenas quando ocuparam temporariamente a parte norte da República.

Desde o primeiro dia em que desembarcaram na parte sul da República, em consequência do fim da Segunda Guerra Mundial, os imperialistas estadunidenses surgiram como carrascos sem escrúpulos, empenhados em massacrar o povo coreano patriótico.

Assim, violando descaradamente as obrigações internacionais relativas à Coreia que haviam assumido em virtude de diversos acordos internacionais, os imperialistas estadunidenses têm se empenhado incessantemente, desde então, em impor pela força das baionetas sua política de agressão contra a Coreia, que possui uma longa história.

É amplamente conhecido que o primeiro contato histórico entre nosso país e os imperialistas estadunidenses começou justamente com a repulsão das mãos agressoras desses saqueadores coloniais.

Já em 1866, os bandidos colonialistas estadunidenses invadiram as águas territoriais de nosso país a bordo do navio armado General Sherman, penetraram até as proximidades de Pyongyang e cometeram atos de pirataria, acabando por ser completamente exterminados por nossos antepassados daquela época. Esse acontecimento constituiu o primeiro contato histórico entre a Coreia e o imperialismo estadunidense. Assim, desde o início, as relações dos imperialistas estadunidenses com o povo coreano foram marcadas por crimes de agressão e saque, inscritos nas páginas da história.

Posteriormente, em 1871, cinco navios de guerra estadunidenses, transportando 1.230 mercenários, invadiram a ilha de Kanghwa, em nosso país, ocuparam temporariamente a região circundante e acabaram sendo novamente repelidos.

Apesar de seus repetidos fracassos, os saqueadores colonialistas imperialistas estadunidenses perseguiram obstinadamente suas ambições de agressão contra a Coreia. Em 1882, enganando e subornando a corrupta e decadente classe governante coreana daquela época, os imperialistas estadunidenses impuseram o chamado Tratado de Amizade e Comércio entre a Coreia e os Estados Unidos, um acordo desigual que violava os direitos soberanos da Coreia. A partir daí, seus tentáculos de agressão penetraram ainda mais profundamente. Na corte real da decadente dinastia feudal Ri e nos círculos superiores da política da época, os chamados "conselheiros" estadunidenses instalaram-se e se empenharam freneticamente em ampliar e consolidar a influência dos Estados Unidos, enquanto saqueavam os importantes recursos subterrâneos e os interesses econômicos da Coreia.

Dessa maneira, os imperialistas estadunidenses apoderaram-se dos direitos de exploração da mina de ouro de Unsan, da mina de cobre de Suan e de numerosas outras minas. Desde o final do século XIX até o início do século XX, também se apropriaram de direitos como o de construção da ferrovia de Kyongin, o de instalação de bondes em Seul e os de implantação de redes elétricas e telefônicas.

Além disso, enviaram à Coreia numerosos agentes da agressão imperialista estadunidense disfarçados de pregadores cristãos e médicos. Desenvolveram intensa atividade para entorpecer ideologicamente o povo coreano e incutir nele a cultura estadunidense.

Mais tarde, com o objetivo de consolidar sua influência nas Filipinas e em outras regiões do Extremo Oriente, os imperialistas estadunidenses se aliaram aos militaristas japoneses e realizaram uma transação vergonhosa à custa da Coreia, assumindo o papel desprezível e traiçoeiro de auxiliar ativamente a ocupação da Coreia pelo imperialismo japonês.

Não considero necessário aprofundar ainda mais a longa história da agressão e dos crimes dos imperialistas estadunidenses contra o povo coreano. Basta recordar aos senhores, com esses poucos fatos apresentados resumidamente, há quanto tempo se prolonga historicamente a série de crimes e atrocidades cometidos pelos imperialistas estadunidenses, incluindo os atos deste processo, perpetrados durante a Guerra da Coreia que eles próprios provocaram. Isso é suficiente para demonstrar que os diversos crimes que os bandidos imperialistas estadunidenses continuam cometendo até hoje não são, de modo algum, acontecimentos acidentais ou explosões repentinas de violência.

Para os imperialistas estadunidenses, que desde o início de seu contato com a Coreia ambicionavam invadi-la e saqueá-la, a oportunidade de desembarcar na parte sul de nossa pátria, em setembro de 1945, foi considerada uma ocasião sem igual para satisfazer suas antigas ambições de bandidos: escravizar o povo coreano e transformar a Coreia em sua colônia. Na realidade, desde que as tropas agressoras estadunidenses se instalaram na metade sul de nossa pátria até hoje, todas as ações concretas dos imperialistas estadunidenses, apesar de suas palavras hipócritas, constituem provas evidentes e irrefutáveis disso.

Depois de fincarem suas sujas garras na parte sul de nossa pátria, os imperialistas estadunidenses comportaram-se como senhores, substituindo os militaristas japoneses, e procuraram impor novamente ao povo coreano a condição humilhante de escravidão. Contudo, cometeram um grave erro de cálculo. Não levaram em conta que o povo coreano já não era o mesmo dos tempos em que o imperialismo japonês ocupava a Coreia: havia amadurecido e se fortalecido politicamente a ponto de rejeitar categoricamente, em quaisquer circunstâncias, voltar a ser escravo de imperialistas estrangeiros, e estava suficientemente preparado para defender sua liberdade e independência.

Desde o primeiro momento, o povo coreano percebeu claramente, por meio das ações concretas dos imperialistas estadunidenses na Coreia, sua sinistra política de subjugação colonial e levantou-se em uníssono na luta pela reunificação e independência da pátria. Dessa forma, as conspirações perversas dos imperialistas estadunidenses e seus lacaios, os traidores da camarilha de Ri Sung Man, foram frustradas a cada passo. Isso, porém, não significa, de modo algum, que os imperialistas estadunidenses tenham abandonado suas ambições agressivas contra nossa pátria.

Sobretudo na parte norte, onde o povo coreano pôde contar com a ajuda das gloriosas tropas soviéticas libertadoras, à medida que o próprio povo se tornou mestre do país, eliminou os efeitos perniciosos do domínio japonês nos campos político, econômico e cultural e alcançou um rápido desenvolvimento, construindo uma sólida base para uma Coreia democrática e unificada, a ansiedade e o desespero dos imperialistas estadunidenses tornaram-se ainda maiores.

Nessas circunstâncias, os imperialistas estadunidenses mergulharam o povo da parte sul em uma situação miserável de privação de direitos políticos, pobreza econômica e decadência cultural, ao mesmo tempo que reforçaram o sistema de terror policial fascista. Deixando de lado, por um momento, os incontáveis patriotas coreanos que foram presos, torturados e encarcerados, basta considerar o número de patriotas massacrados pelos bandidos de Ri Sung Man, sob a direção dos imperialistas estadunidenses, durante esse período na parte sul: mais de 4.200 em 1946, mais de 3.800 em 1947, mais de 3.200 em 1948 e mais de 109 mil em 1949.

Quando ficou claro que nem a repressão brutal e traiçoeira dos lacaios dos Estados Unidos nem a vil política de divisão nacional poderiam quebrar a vontade do povo coreano, que não desejava tornar-se escravo, esses inimigos depositaram, por fim, suas últimas esperanças numa política aberta de agressão.

Senhores juízes e jurados!

As numerosas provas que não deixam margem a qualquer controvérsia já explicam suficientemente como o imperialismo estadunidense levou a cabo sua política de divisão e extermínio de nosso povo e como preparou e executou a provocação de uma guerra civil e a subsequente intervenção armada na Coreia. Além disso, tudo isso já é amplamente conhecido.

Não pretendo me alongar novamente sobre esse ponto. Quero apenas destacar algo que deve ser necessariamente assinalado: apesar de o povo coreano ter mantido, de maneira consequente e inabalável, a linha de reunificação pacífica de nossa pátria, a fim de evitar a vergonhosa guerra civil fratricida com a qual os odiosos inimigos procuravam banhar em sangue nossa bela pátria para concretizar sua sinistra política de subjugação colonial, conforme declarou o estimado Líder camarada Kim Il Sung, Primeiro-Ministro, como responderam esses abomináveis inimigos à luta do povo coreano em cada etapa da busca de uma solução pacífica para a questão coreana?

O Primeiro-Ministro Kim Il Sung formulou a seguinte definição inequívoca:

"Ou seja, os imperialistas estadunidenses e os traidores da pátria, a camarilha de Ri Sung Man, responderam à implementação das decisões da Conferência dos Ministros das Relações Exteriores de Moscou e à garantia do êxito dos trabalhos da Comissão Conjunta URSS-EUA com as chamadas 'obstruções' e a sabotagem; responderam à justa proposta do Governo soviético de retirada simultânea das tropas soviéticas e estadunidenses com a permanência prolongada das tropas estadunidenses e o fortalecimento do aparelho policial repressivo e antipopular na Coreia do Sul; responderam à proposta de reunificação pacífica da pátria por meio de eleições gerais em todo o Norte e o Sul da Coreia, apresentada na Conferência Conjunta de Abril pelos representantes de 56 partidos políticos e organizações sociais da Coreia do Norte e do Sul, que reuniam mais de 12 milhões de membros e integrantes, com as eleições separatistas, desastrosas para a nação, de 10 de maio de 1948, impostas pela força e pelo terrorismo; responderam às duas propostas pacíficas de reunificação da pátria apresentadas pela Frente Democrática para a Reunificação da Pátria com o início, em 25 de junho de 1950, de uma inesperada invasão armada contra o território da parte norte da República e com a provocação de uma guerra civil fratricida; e os imperialistas estadunidenses responderam com a invasão armada por terra, mar e ar, destinada a conquistar nossa pátria e nosso povo e transformá-los em escravos coloniais.

Camaradas juízes e jurados do Supremo Tribunal!

Assim, em consequência das provocações planejadas e preparadas pelos imperialistas estadunidenses e pela camarilha traidora de Ri Sung Man, o período de criação pacífica de nosso povo teve de ser interrompido, e nossa pátria transformou-se num campo de batalha, num palco para a execução dos mais hediondos crimes dos imperialistas estadunidenses e de seus seguidores.

Os bárbaros imperialistas estadunidenses cometeram, na Guerra da Coreia que eles próprios provocaram, inúmeros crimes cruéis, diante dos quais até a Alemanha hitlerista e os imperialistas japoneses teriam vergonha de sua própria brutalidade. E continuam a cometê-los até mesmo neste exato momento.

Desde o início da guerra, os bárbaros imperialistas estadunidenses bombardearam cidades e aldeias indefesas da Coreia, atacando e destruindo indiscriminadamente alvos não militares à sua vontade, transformando nossa pátria num monte de ruínas.

Não é necessário apresentar qualquer prova dos atos criminosos desses piratas aéreos estadunidenses. Basta que qualquer pessoa no mundo, dotada de olhos e de objetividade na observação dos fatos, ponha os pés por um breve instante em qualquer região da Coreia para confirmar essa realidade evidente e incontestável. Existe alguma cidade ou aldeia que tenha permanecido intacta, mesmo estando longe da frente de combate e sem qualquer relação com instalações militares? Esses piratas aéreos incendeiam com bombas incendiárias aldeias pacíficas e remotas do interior, onde se encontram apenas algumas casas de camponeses, e metralham seus habitantes. Bombardeiam deliberadamente hospitais civis, cujas cruzes vermelhas estão claramente visíveis e permitem identificá-los sem dificuldade, destruindo suas instalações e matando ou ferindo os pacientes. Esses piratas aéreos também bombardeiam e metralham campos de prisioneiros de guerra pertencentes ao seu próprio lado, cujos símbolos haviam sido claramente assinalados de acordo com o entendimento mútuo e cuja localização lhes fora comunicada.

Esses mesmos bárbaros também metralham, voando a uma altitude extremamente baixa, as camponesas que semeiam e capinam os campos, espalhando seus corpos pelo chão juntamente com os bebês que carregam nas costas. É evidente para qualquer pessoa que nada disso pode ser justificado sob qualquer pretexto de necessidade militar. Esses atos só podem ser explicados e compreendidos como a execução do sinistro plano dos bárbaros imperialistas estadunidenses de transformar a Coreia inteira num deserto e exterminar o povo coreano.

A política de extermínio do povo coreano pelo imperialismo estadunidense fica ainda mais claramente demonstrada pelo fato de esses bárbaros utilizarem amplamente armas bacteriológicas, gases tóxicos e outras armas químicas na Coreia e no território chinês.

Os bárbaros imperialistas estadunidenses do século XX, que se disfarçam sob o manto da civilização, violam descaradamente as disposições inequívocas do direito internacional e pisoteiam até os últimos vestígios da moralidade e da humanidade, espalhando em grande escala moscas e outros insetos, bem como diversos objetos contaminados artificialmente com bactérias da peste, do cólera e de outras doenças, com o objetivo de disseminar enfermidades mortais entre nossos combatentes e a população civil. Mesmo segundo estatísticas extremamente incompletas, entre 28 de janeiro e 31 de março de 1952, os estadunidenses lançaram bombas bacteriológicas em massa sobre o território da parte norte de nossa pátria em nada menos que 804 ocasiões. Ficou também comprovado, sem qualquer dúvida, que tais atrocidades se estenderam até regiões distantes do território chinês.

Para encobrir esses crimes abomináveis, os canibais imperialistas estadunidenses recorreram a todo tipo de mentiras fabricadas e cortinas de fumaça, mas tudo isso acabou inevitavelmente desmoronando diante dos fatos implacáveis. Além de todas as investigações científicas realizadas anteriormente, recentemente a verdade sobre as monstruosas atrocidades bacteriológicas dos imperialistas estadunidenses foi mais uma vez claramente revelada aos povos do mundo pelas próprias declarações de seus mercenários, que haviam lançado diretamente as bombas bacteriológicas. Graças às medidas rápidas e adequadas do Governo da República, às atividades dos trabalhadores do setor sanitário e à elevada vigilância de todo o povo, essas vergonhosas atrocidades dos agressores imperialistas estadunidenses vêm sendo frustradas. Isso, naturalmente, não diminui nem um pouco a gravidade dos crimes cometidos por esses inimigos da humanidade, tampouco os exime de sua responsabilidade. Também já foi confirmado perante o mundo que os bárbaros imperialistas estadunidenses utilizaram não apenas armas bacteriológicas, mas igualmente gases tóxicos e outras armas químicas desde o início da Guerra da Coreia.

Mesmo depois de receberem severos protestos e condenações dos povos do mundo, esses bárbaros continuam com suas atrocidades bestiais. Num período extremamente recente, de 27 de fevereiro a 9 de abril deste ano, as tropas agressoras estadunidenses utilizaram armas de gás tóxico em grande escala em 33 ocasiões nas regiões da frente de combate e da retaguarda de nosso lado. Assim, os bárbaros imperialistas estadunidenses abusam das conquistas da ciência, que deveriam servir à felicidade da humanidade, zombando da preciosa civilização e da consciência humana.

Os crimes cometidos pelos agressores imperialistas estadunidenses na Coreia são tão numerosos que seria impossível enumerá-los todos aqui, mesmo que mencionássemos apenas uma fração deles.

As atrocidades cruéis e de enorme alcance dos agressores imperialistas estadunidenses, capazes de fazer estremecer qualquer pessoa que delas ouça falar, não poderiam deixar de despertar a opinião pública de centenas de milhões de pessoas comuns do mundo inteiro, que amam a paz e possuem moralidade e consciência, levando-as, com toda a razão, a erguer suas vozes de condenação.

Como resultado, é de conhecimento geral que, em maio de 1951, uma comissão de investigação da Federação Democrática Internacional das Mulheres e, em março de 1952, uma comissão de investigação da Associação Internacional dos Juristas Democráticos visitaram a Coreia com o objetivo de investigar e determinar pessoalmente, no local, os crimes dos bárbaros imperialistas estadunidenses.

As atrocidades criminosas dos agressores imperialistas estadunidenses, estabelecidas com base nas provas diretas que essas comissões presenciaram e recolheram pessoalmente, foram claramente registradas em seus relatórios, ainda que se tratasse apenas de fatos parciais e limitados.

Tendo em mente todas essas circunstâncias, pretendo abordar um pouco mais detalhadamente apenas os massacres e as atrocidades desumanas cometidos pelas tropas agressoras imperialistas estadunidenses contra a população civil nas regiões temporariamente ocupadas.

Isso porque tais fatos têm uma relação muito mais direta com a compreensão da essência do processo tratado neste julgamento. A respeito dos atos criminosos de natureza canibalesca cometidos pelos bárbaros imperialistas estadunidenses pertencentes a essa categoria, Pak Hon Yong, então ministro das Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coreia, já havia enumerado numerosos casos concretos em seu protesto enviado às Nações Unidas.

Fatos dolorosos foram relatados detalhadamente neste tribunal ao longo de duas semanas.

Os massacres foram cometidos em escala particularmente ampla contra mulheres, crianças e idosos.

Que atrocidades enlouquecidas são essas, perpetradas pelos canibais imperialistas estadunidenses, sedentos de sangue! Não constituem elas exemplos vivos que demonstram claramente a política de extermínio do povo coreano?

Camaradas juízes e jurados do Supremo Tribunal!

Ao analisar os crimes deste processo, devo necessariamente assinalar os métodos utilizados para massacrar a população. Os bárbaros imperialistas estadunidenses não se limitaram a matar os habitantes pacíficos de maneira simples. Ao massacrá-los por métodos especiais, de uma crueldade que ultrapassa os limites da imaginação humana, satisfizeram os prazeres vis e sanguinários próprios de canibais.

Como ficou claramente revelado durante o julgamento, duas características se destacam nas formas de massacre de nossos irmãos e irmãs pelos bárbaros imperialistas estadunidenses.

Uma delas é o caráter coletivo e massivo; a outra é sua crueldade atroz e desumana.

Conforme confessaram unanimemente os próprios réus e declararam as testemunhas, os bárbaros imperialistas estadunidenses e seus vis cúmplices massacravam, de uma só vez e no mesmo local, centenas de pessoas. Assim, por volta das seis horas da tarde de 18 de outubro de 1950, na vala situada no pátio diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, mais de 900 habitantes foram mortos pelos estadunidenses, que os queimaram vivos com gasolina, numa ação da qual participaram os quatro réus deste processo, juntamente com mais de 30 soldados estadunidenses, sob o comando de Harrison.

O réu Ho Pil Sun declarou que, entre essas vítimas, havia aproximadamente 400 homens, 300 mulheres e cerca de 200 crianças pequenas e idosos.

No massacre cometido por volta da uma hora da madrugada de 19 de outubro, numa vala nos arredores do condado de Sinchon, do qual o réu Ri Tu Hyon participou pessoalmente, mais de 320 pessoas foram mortas em massa no mesmo local.

Na noite de 20 de outubro, por ordem do tenente Harrison, os réus Ho Pil Sun, Choe Han U e outros participaram, juntamente com mais de 20 soldados estadunidenses, de outro massacre, cometido no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon. Os estadunidenses detonaram a dinamite previamente instalada no interior do abrigo, matando mais de 520 pessoas.

O réu Ho Pil Sun declarou que, entre as vítimas, havia mais de 150 mulheres e cerca de 100 crianças pequenas e idosos.

No massacre cometido por volta das três horas da tarde de 23 de outubro, numa vala diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, do qual o réu Ri Tu Hyon participou, foram assassinados mais de 330 habitantes.

No massacre de 7 de dezembro do mesmo ano, mais de 910 habitantes foram cruelmente mortos de uma só vez, entre eles mais de 400 mulheres e cerca de 200 crianças. Os réus Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon e outros participaram diretamente dessas atrocidades, obedecendo às ordens dos estadunidenses. Esses são apenas alguns exemplos, não a totalidade dos casos.

Neste julgamento, ficou claramente demonstrado que massacres semelhantes eram cometidos habitualmente em toda parte, com a participação de dezenas de soldados estadunidenses sob o comando do tenente Harrison.

Passemos agora a examinar a outra característica dos crimes deste processo.

Como já mencionei, trata-se de sua crueldade atroz e desumana.

Os canibais imperialistas estadunidenses não se limitavam a tirar a vida das pessoas de maneira simples. Utilizavam métodos destinados a infligir às vítimas a maior humilhação e o sofrimento mais insuportável para um ser humano, recorrendo a meios bestiais, terrivelmente cruéis e impiedosos para massacrar habitantes indefesos.

Todos os métodos de crueldade eram empregados sem exceção, tanto nos assassinatos coletivos quanto nos assassinatos individuais. Todos os fatos revelados durante este julgamento o comprovam.

Por exemplo, de que maneira foi executado o massacre de mais de 900 pessoas em 18 de outubro?

Tomamos conhecimento disso pelos depoimentos concordantes do réu Ho Pil Sun, que participou diretamente do massacre, e dos demais réus.

Sob o comando do tenente Harrison, mais de 30 soldados estadunidenses e os chamados membros dos grupos armados amarraram as mãos das vítimas com cordas ou cordões de palha, empurraram-nas com baionetas para dentro de uma vala e, em seguida, derramaram gasolina sobre suas cabeças e atearam fogo, queimando-as vivas. Atiraram naqueles que tentavam escapar daquele sofrimento e, como os gritos dos que ainda não haviam morrido se tornavam insuportáveis, escavaram a terra amontoada ao redor da vala e enterraram as vítimas vivas.

O canibal Harrison, aparentemente satisfeito ao ver pessoas vivas serem cobertas de terra, voltou para seu alojamento e, algum tempo depois, retornou para inspecionar novamente o local.

No massacre de mais de 520 pessoas, em 20 de outubro, foram empregados métodos ainda mais cruéis. As vítimas foram despidas, forçadas a entrar num abrigo antiaéreo e ali confinadas, com a entrada hermeticamente fechada com tábuas e terra, para que morressem sufocadas. Em seguida, os estadunidenses detonaram dois cartuchos de dinamite previamente colocados no interior do abrigo, massacrando-as. Harrison, que comandava pessoalmente a operação no local, demonstrou sua satisfação oferecendo um cigarro a cada um dos seus subordinados, os carrascos que haviam executado o massacre.

No massacre de mais de 910 pessoas, em 7 de dezembro, foram utilizados dois armazéns: crianças e adolescentes foram confinados separadamente num deles, enquanto os adultos foram encerrados no outro. Cobriram-nos com palha, derramaram gasolina sobre eles e atearam fogo, ao mesmo tempo que lançavam cerca de cem granadas de mão, massacrando-os.

A testemunha Kim Man Sok, que participou da exumação dos cadáveres dessas vítimas imediatamente após a libertação do condado de Sinchon da ocupação inimiga, declarou o seguinte neste tribunal sobre o estado dos corpos que viu pessoalmente:

Quando abrimos pela primeira vez a porta do armazém, havia uma pilha de cadáveres de crianças junto à entrada. Era evidente que todas haviam tentado sair pela porta.

Além dos cadáveres de pessoas que morreram congeladas ou de fome, havia também muitos corpos queimados até a morte. A maioria das crianças tinha todas as unhas arrancadas, e as mãos estavam cobertas de sangue. Isso demonstrava claramente que, até o instante anterior à morte, elas haviam feito todos os esforços possíveis, lutando desesperadamente para escapar daquele sofrimento, até finalmente sucumbirem.

A testemunha Kim Sun Mo, que foi confinada nesse armazém e conseguiu escapar, relatou aqui as condições que presenciou em seu interior.

Testemunhou que, durante vários dias, as vítimas não receberam sequer um bocado de comida nem uma gota de água, e que a fome e o frio intenso eram terríveis. A situação mais lastimável era, em particular, o choro dos bebês de colo e das crianças, que sofriam com o frio e a fome. Como as mães já não tinham leite, seus gritos tornavam-se cada vez mais altos.

Esses métodos bárbaros de massacre eram ainda mais cruéis nos assassinatos individuais do que nos coletivos. Ouvimos o depoimento da testemunha U Mal Je.

Em 18 de outubro de 1950, mais de 20 soldados estadunidenses e cerca de 10 soldados do exército fantoche de Ri Sung Man Wolsan-ri, cantão de Chori, condado de Sinchon, onde vivia essa testemunha, e naquele mesmo dia massacraram todos os sete membros de sua família. Seu marido era um camponês exemplar. Por esse único motivo, os canibais perfuraram-lhe o nariz e as orelhas com arame de ferro, cravaram baionetas em suas duas mãos e pregaram com um prego, em sua testa, a condecoração que recebera como camponês exemplar. Depois, arrastaram-no pela aldeia, zombando dele e dizendo: "Não vale a pena desperdiçar balas com um camponês como este; é assim que se deve fazer."

Quando a nora de U Mal Je tentou impedir esse tratamento bárbaro contra o sogro, os soldados estadunidenses agarraram-na pelos cabelos e tentaram estuprá-la. Diante de sua resistência obstinada, as feras imperialistas estadunidenses amarraram essa mulher a uma árvore no sopé da montanha atrás da aldeia, introduziram em seus órgãos genitais uma estaca embebida em gasolina e atearam fogo, queimando-a viva.

Outro fato relatado pela testemunha Ri Buk Bae não é menos horrível. Os estadunidenses prenderam O Myong Hwa, uma dona de casa que residia em Unbong-ri, cantão de Onchon, condado de Sinchon, arrancaram-lhe dos braços o filho de três anos e o espancaram até a morte. Quanto à senhora Myong Hwa, que estava grávida de sete meses, ameaçaram-na de maneira vil e desumana, dizendo que a poupariam se ela abortasse, mas que a matariam caso contrário. Diante de sua recusa categórica, esses indivíduos assassinaram a mulher indefesa a tiros, na montanha atrás da aldeia.

Segundo outro relato fornecido pelo testemunho Kim Hyon Chun, ele próprio escapou da morte por um triz, mas 14 membros de sua família, incluindo seus pais, foram brutalmente massacrados pelos soldados canibais estadunidenses. Além disso, por ser presidente da organização da União das Crianças numa escola secundária, um jovem foi preso pelos estadunidenses. Amarraram-lhe as mãos atrás das costas com uma corda, deitaram-no de costas e atravessaram-lhe o pescoço com uma estaca, pressionando-a de ambos os lados com tábuas até esmagá-lo e matá-lo.

Essa testemunha também havia sido levada ao mesmo local e aguardava a própria morte. Por isso, viu com os próprios olhos o sangue escorrer dos olhos, do nariz e das orelhas do jovem enquanto ele era submetido àquela morte atroz.

Camaradas juízes do Supremo Tribunal!

Naturalmente, os exemplos que acabo de apresentar não constituem a totalidade dos casos, tampouco são acontecimentos excepcionais. Contudo, creio que não é necessário dizer mais. Todos viram como, ao relatarem os numerosos casos em que seus familiares e parentes próximos sofreram mortes tão horrendas pelas mãos dos canibais estadunidenses, as testemunhas tinham seus depoimentos repetidamente interrompidos pelas lágrimas, com os rostos tomados pela tristeza e pela indignação. Afirmo que as pessoas comuns do mundo inteiro não podem deixar de sentir profunda vergonha e humilhação diante do fato de compartilharem este planeta, mesmo neste momento, com os soldados canibais estadunidenses que cometeram sem hesitação essas atrocidades bestiais.

Este julgamento também demonstrou claramente que os agressores imperialistas estadunidenses perpetraram deliberada e sistematicamente os massacres da população por meio dos métodos acima descritos.

As tropas agressoras imperialistas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon em 17 de outubro de 1950. Já no dia seguinte, 18 de outubro, o tenente Harrison convocou uma reunião na qualidade de suposto representante das chamadas "forças da ONU" e deu ordens a um grupo que havia organizado como força auxiliar para exterminar os habitantes: funcionários dos órgãos estatais, ativistas de organizações sociais, seus familiares e os familiares dos integrantes do Exército Popular. Os soldados estadunidenses, sedentos de sangue, puseram imediatamente essas ordens em prática.

Os depoimentos dos réus e das testemunhas O Tae Sin e Kim Man Sok revelam concretamente o conteúdo dessas ordens de massacre. Além disso, a característica temporal dos massacres anteriormente mencionados — de mais de 900, 320, 520 e 330 pessoas —, todos perpetrados nos primeiros dias após a invasão do condado de Sinchon pelas tropas agressoras estadunidenses, confirma ainda mais que esses crimes executavam um plano previamente elaborado pelos estadunidenses.

Nesse contexto, também podemos compreender corretamente a meticulosidade com que Harrison, acompanhado sempre por dezenas de soldados estadunidense, comparecia pessoalmente a todos esses massacres, instruía os métodos de execução, participava diretamente dos assassinatos e, depois, fotografava as cenas com sua própria máquina fotográfica.

O depoimento da testemunha Kim Chan O, que trabalhou como intérprete de uma unidade das tropas agressoras imperialistas estadunidenses durante a ocupação do condado de Sinchon e das regiões vizinhas, revelou os métodos habituais empregados por essas tropas para organizar sistematicamente os massacres da população nas regiões que ocupavam.

Essa testemunha declarou o seguinte:

Em 17 de outubro de 1950, as tropas estadunidenses invadiram Jaeryong, localidade vizinha a Sinchon. No dia seguinte, 18 de outubro, reuniram todos os habitantes de Jaeryong e separaram os idosos, as mulheres e as crianças, levando-os para uma escola primária situada a cerca de dois quilômetros dali. Durante vários dias, não deixaram uma única pessoa nas casas da cidade. Em seguida, reuniram cerca de 70 reacionários particularmente cruéis e, sob o pretexto de manter a chamada ordem pública, ordenaram-lhes que organizassem um posto de segurança, uma administração local e uma organização da Associação da Juventude Taehan. Depois de criadas essas instituições, colocaram em cada uma delas um intérprete permanente para transmitir diretamente suas instruções e ordens.

Os quatro traidores que agora se encontram no banco dos réus também foram indivíduos que acabaram se tornando instrumentos vergonhosos dessa pérfida política dos imperialistas estadunidenses. Assim, as tropas agressoras imperialistas estadunidenses utilizaram bandidos e traidores da pátria para executar em grande escala sua política de extermínio do povo coreano.

Depois de cometerem massacres sucessivos durante os primeiros dias após a invasão do condado de Sinchon, Harrison passou a percorrer cada cantão e aldeia do condado acompanhado por dezenas de seus soldados, continuando a massacrar a população local. O réu Ho Pil Sun, que o acompanhou diversas vezes nessas rondas, prestou um depoimento detalhado sobre essa situação, corroborado pelos relatos de numerosas testemunhas residentes na região.

Somente no centro de Sinchon, entre o final de outubro e o fim de novembro do mesmo ano, mais de 1.640 habitantes foram levados para valas nas montanhas e reservatórios de água de Yongmun e Nambu, no condado de Sinchon, e ali massacrados. O réu Ho Pil Sun reconheceu esses fatos. Não demonstram tais acontecimentos que os massacres da população prosseguiram incessantemente durante a ocupação estadunidense e que o extermínio de seres humanos foi executado de maneira sistemática?

Entretanto, nem mesmo todas essas atrocidades conseguiram exterminar o povo coreano ou quebrar sua vontade. Quando as tropas agressoras imperialistas estadunidenses, obrigadas a bater em retirada diante dos contra-ataques do heroico Exército Popular da Coreia e das unidades do Corpo de Voluntários do Povo Chinês, se viram em situação desesperadora, intensificaram ainda mais os massacres indiscriminados da população. O massacre de 910 pessoas, em 7 de dezembro, é um exemplo disso.

O julgamento também revelou como os canibais imperialistas estadunidenses, enquanto perpetravam pessoalmente esses atos cruéis e vis de extermínio humano, recorreram à pérfida e desprezível manobra de ocultar a responsabilidade por seus crimes hediondos e transferi-la para o povo coreano.

Segundo os depoimentos do réu Ho Pil Sun e da testemunha O Tae Sin, quando esses bárbaros realizavam massacres, gostavam de despir as vítimas e queimá-las vivas. Faziam isso com o propósito de impedir que as vítimas fossem identificadas e de criar a falsa impressão de que haviam encontrado esses cadáveres nessas condições depois da retirada das autoridades locais do poder popular da República.

Os canibais imperialistas estadunidenses também ameaçaram utilizar bombas atômicas durante sua retirada, obrigando a população a deslocar-se para o sul. Na estrada entre Sariwon e Haeju, esses bárbaros estadunidenses metralharam do ar mais de 30.000 habitantes inocentes, massacrando-os. Depois, divulgaram pelo rádio a absurda mentira de que o Exército Popular da Coreia e as unidades do Corpo de Voluntário do Povo Chinês haviam matado pessoas disfarçadas de refugiados.

Também ficou demonstrado que unidades especiais compostas por pastores e sacerdotes, os quais invocavam "Jesus" e seguravam a Bíblia numa das mãos enquanto organizavam e dirigiam astutamente os massacres da população, foram utilizadas com o mesmo objetivo.

Camaradas juízes do Supremo Tribunal!

Acabo de resumir algumas das características dos massacres examinados neste processo, cometidos pelos bárbaros imperialistas estadunidenses e seus lacaios.

Considerando o caráter organizado e sistemático desses massacres da população, bem como o fato de constituírem um fenômeno comum a todas as regiões ocupadas pelas tropas agressoras, é evidente que tais crimes não podem ser considerados atos isolados e excepcionais de alguns soldados, oficiais ou comandantes estadunidenses.

É particularmente claro que esses crimes constituíram a execução de uma política planejada, determinada pela vontade e pelas instruções das classes dominantes do imperialismo estadunidense, política que orientava todos os responsáveis pela provocação e condução da Guerra da Coreia, desde seus instigadores e comandantes, incluindo MacArthur, Ridgway e Clark, até os executores individuais.

Não mencionarei aqui os numerosos outros crimes cometidos pelas tropas agressoras imperialistas estadunidenses durante a ocupação do condado de Sinchon, além dos massacres da população. Os depoimentos das testemunhas O Su Bok, Kim Chan O e Pae Myon Sik, assim como a declaração do réu Choe Han U, são suficientes para comprovar os estupros e outros atos desumanos de violência contra as mulheres, bem como os roubos, como a extorsão de dinheiro dos habitantes e a retirada à força dos relógios que usavam nos pulsos, diante de seus próprios olhos.

Por isso, passarei a esclarecer em que medida os réus, que traíram sua pátria e se tornaram instrumentos dos imperialistas estadunidenses, participaram dos crimes organizados e dirigidos pelos bárbaros estadunidenses, bem como as responsabilidades individuais que devem assumir por seus atos.

Em primeiro lugar, deve-se assinalar que, embora os organizadores, comandantes e principais executores diretos desses crimes fossem as tropas agressoras imperialistas estadunidenses, isso de modo algum diminui a grave responsabilidade dos réus que traíram sua pátria e participaram diretamente dessas ações como seus vis cúmplices.

Em primeiro lugar, o réu Ho Pil Sun desempenhou um papel importante nesses crimes. Desde os primeiros momentos da invasão do condado de Sinchon pelas tropas agressoras imperialistas estadunidenses, esse traidor desprezível atuou como lacaio dos saqueadores imperialistas estadunidenses e, disfarçado de comandante do chamado "grupo armado de estudantes" que eles organizaram, praticou continuamente as atrocidades mais cruéis.

No massacre de 900 pessoas, em 18 de outubro de 1950, esse carrasco desprezível, sob as ordens de Harrison, não apenas comandou diretamente mais de dez integrantes do grupo armado para empurrar as vítimas para dentro da vala, como também se aproximou daqueles que tentavam escapar do destino de serem queimados vivos e disparou pessoalmente 15 tiros contra eles, executando-os.

No massacre de 520 pessoas em 20 de outubro, também mobilizou, por ordem de Harrison, cerca de dez membros armados para montar guarda. No crime de massacrar mais de 1.640 pessoas nos vales montanhosos de Yongmun e Nambu, igualmente comandou os grupos armados e, no local de execução de Yewon, onde havia estado escondido, massacrou dezenas de pessoas com as próprias mãos, participando diretamente da escolta das vítimas, de sua execução e de seu sepultamento.

No massacre de 910 pessoas em 7 de dezembro, além de comandar a guarda, praticou o ato cruel de lançar pessoalmente no interior do armazém as 15 granadas de mão que possuía.

Depois de cometer crimes que demonstravam sua traição à pátria e a completa ausência de consciência humana, este acusado fugiu junto com os inimigos que também estavam em fuga, tentando escapar do julgamento do povo que lhe cabia enfrentar. Assim, ficou comprovado neste julgamento que, no final de janeiro de 1951, ele voltou a infiltrar-se no condado de Sinchon, depois de receber treinamento e instruções dos órgãos de espionagem estadunidenses em uma ilha na costa ocidental, onde estavam baseadas as tropas agressoras imperialistas estadunidenses, com o objetivo de investigar e reunir segredos estatais e militares da República.

Desde a infância, este acusado era um desordeiro e vagabundo que se dedicava a brigas e roubos, acabando por renunciar à honra de cidadão e transformar-se em um subordinado dos canibais, semelhante a um demônio devorador de homens, a serviço dos agressores imperialistas estadunidense.

O acusado Choe Han U também se juntou ativamente a esse bando de canibais desde o primeiro dia da entrada das tropas agressoras imperialistas estadunidenses no condado de Sinchon.

Assim, nos massacres anteriormente mencionados, ocorridos em 18 e 20 de outubro e em 7 de dezembro, ele se armou e montou guarda por ordem de Harrison, participando diretamente e em conjunto da execução desses crimes.

Além disso, por volta de 21 de novembro de 1950, participou várias vezes, junto com dezenas de canibais estadunidenses, de operações de busca e extermínio dos guerrilheiros do monte Kuwol, causando a morte de quatro guerrilheiros que eram verdadeiros patriotas. Durante a ocupação inimiga, também prendeu pessoalmente, em três ocasiões, mais de vinte patriotas e seus familiares, entre eles o chefe da seção de Comércio e Indústria do Comitê Popular do condado de Sinchon, entregando-os para serem massacrados.

Além disso, antes de trabalhar como investigador no chamado Departamento de Polícia de Sinchon durante a ocupação inimiga, esse traidor havia trabalhado por algum tempo na chamada seção de administração de propriedades do governo do condado de Sinchon. Valendo-se das tropas agressoras imperialistas estadunidenses, ele se apoderou ilegalmente dos bens armazenados nos depósitos dos órgãos estatais, distribuindo-os, e ameaçou e roubou em grande escala os bens particulares dos cidadãos, entregando-os aos seus mestres, os agressores imperialistas estadunidenses.

Esse vagabundo, que também fugiu seguindo as tropas agressoras imperialistas estadunidenses em retirada, foi contratado como espião pelos órgãos de espionagem estadunidenses na ilha Paengnyong, na província de Hwanghae, com o objetivo de investigar e transmitir segredos estatais e militares da República. Em janeiro de 1951, infiltrou-se novamente no condado de Sinchon e se lançou freneticamente em atividades de espionagem.

O acusado Ri Tu Hyon também assumiu o papel de fiel servidor dos canibais imperialistas estadunidenses desde o início da entrada das tropas agressoras imperialistas estadunidenses no condado de Sinchon, mantendo essa conduta durante todo o período de ocupação. Assim, no massacre de 18 de outubro, além de montar guarda armado sob as ordens de Harrison, disparou cinco tiros de fuzil contra as vítimas que tentavam escapar da vala de extermínio. No massacre de 320 pessoas, em 19 de outubro, também ficou encarregado da guarda e disparou três tiros de fuzil.

Posteriormente, desempenhou o mesmo papel no massacre de 330 pessoas, em 23 de outubro.

Por fim, o acusado Yun Myong Won tornou-se membro dos chamados grupos armados organizados pelos estadunidenses e da chamada Associação da Juventude Taehan após a entrada das tropas agressoras imperialistas estadunidenses no condado de Sinchon, participando diretamente dos massacres de 18 de outubro e 7 de dezembro. Nos dois massacres, o acusado Yun Myong Won ficou encarregado da guarda armada, participando diretamente desses crimes. Posteriormente, fugiu diante do avanço do Exército Popular e tornou-se espião contratado pelos órgãos de espionagem estadunidenses na ilha de Sunwi, na costa ocidental. Assim, em meados de janeiro de 1951, infiltrou-se armado no condado de Sinchon, encarregado de missões de espionagem e sabotagem, e, em meio às suas atividades frenéticas, no início de fevereiro do mesmo ano, assassinou dois familiares de membros do Partido do Trabalho residentes no cantão de Tura.

Camaradas juízes do Supremo Tribunal!

Os acusados confessaram detalhadamente todos os fatos acima durante este julgamento. Será que isso pode ser considerado um sinal de que ainda lhes resta um fragmento de consciência, levando esses subordinados dos canibais que agora estão sentados no banco dos réus, a arrepender-se de seus crimes terríveis?

É claro que não é absolutamente assim. No condado de Sinchon, onde esses crimes foram cometidos, o povo coreano continua vivendo até hoje. Além das numerosas testemunhas que interrogaram, ainda existem muitas vítimas e testemunhas oculares vivas. Portanto, a atitude desses acusados só pode ser explicada como uma confissão de derrota, à qual foram obrigados diante de provas e testemunhos incontestáveis, dos quais não podiam escapar. Considero que os crimes de massacre cometidos neste caso pelos quatro acusados se enquadram no artigo 1.º do Decreto do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, de 17 de abril de 1951, e que os atos de espionagem dos acusados Heo Pil Sun, Choe Han U e Yun Myong Won se enquadram no artigo 71.º do Código Penal. Por conseguinte, considero que eles devem receber as penas mais severas previstas nesses dispositivos legais.

Como procurador do Estado, como um coreano que luta contra os agressores imperialistas estadunidenses pela liberdade e independência da pátria e como um homem comum do mundo que preza a civilização, a moral e a consciência e ama a paz e a liberdade, tenho a convicção de que o julgamento justo dos juízes atenderá plenamente a essa exigência.

Camaradas juízes!

Ao mesmo tempo, considero que a sentença não deve limitar-se exclusivamente a impor penas pelos crimes já cometidos pelos acusados sentados no banco dos réus.

Infelizmente, os verdadeiros organizadores e dirigentes dos crimes deste processo não estão sentados no banco dos réus. Não estão aqui Harrison e seus subordinados, nem os chefes e principais responsáveis dos agressores imperialistas estadunidenses que o manipularam e comandaram.

Entretanto, assim como os povos do mundo jamais poderão esquecer os crimes que eles cometeram contra a humanidade, não há dúvida de que, em um futuro próximo, eles terão o mesmo destino dos acusados que estão diante de nós.

A sentença que proferirem neste processo deve servir de severa advertência a todos os principais responsáveis pelos crimes cometidos durante a Guerra da Coreia e a todos aqueles que incendeiam uma nova guerra mundial.

Além disso, deve permitir que os grupos vis e desprezíveis que traem a própria pátria e se tornam servos dos agressores estrangeiros reconheçam claramente seu destino inevitável ao observarem a sentença proferida contra esses acusados.

Camaradas juízes!

Todo o povo coreano e os povos amantes da paz do mundo inteiro confiam e esperam que a sentença satisfaça plenamente essa exigência unânime.

An Pyong Jin, procurador da Procuradoria Suprema da República Popular Democrática da Coreia

29 de maio de 1952

Pyongyang

Defesa dos advogados

Defesa do advogado Ji Yong Dae (defesa de Ho Pil Sun)

Senhor presidente do tribunal e camaradas jurados! Estou aqui hoje na qualidade de advogado de defesa do acusado Ho Pil Sun. Contudo, conforme ficou claramente estabelecido durante os quatro dias de julgamento, os crimes do acusado Ho Pil Sun, que traiu a pátria e o povo e assassinou pessoas inocentes, bem como os crimes dos demais acusados acima mencionados, são tão cruéis, bestiais, desumanos e extremamente graves que, mais do que as palavras de defesa de um advogado, são a indignação que transborda em meu peito como um membro do povo coreano e o ódio crescente contra os inimigos que me atormentam, impedindo-me de conter o sentimento de profunda tristeza.

Entretanto, minha função ao comparecer perante este tribunal é, como advogado da República, garantir de maneira ainda mais plena o direito de defesa concedido pela Constituição da nossa República a todos os acusados. Uma vez que também me cabe prestar assistência legítima ao julgamento conduzido pelo tribunal para esclarecer corretamente as circunstâncias do caso e apresentar perante ele as condições que possam atenuar a culpa do acusado e todas as circunstâncias que lhe sejam favoráveis, devo cumprir fielmente minha missão.

Se compararmos a situação atual com os fatos ocorridos na parte sul da nossa pátria, onde a camarilha de Ri Sung Man, longe de garantir o direito de defesa aos nossos combatentes patrióticos, condenam-nos e massacram-nos ilegalmente, sem qualquer julgamento ou investigação, perceberemos como o acusado Ho Pil Sun, que se encontra no banco dos réus, deve sentir-se comovido e reconhecer a legitimidade das leis da República e o caráter popular e democrático do sistema judicial democrático. Apesar da extrema gravidade dos crimes que cometeu, ele está recebendo um julgamento atencioso e, além disso, o próprio tribunal designou um advogado de defesa para proteger seus legítimos interesses. Partindo dessa perspectiva, começo minha defesa do acusado Ho Pil Sun, com o objetivo de contribuir para a imparcialidade do processo judicial.

O procurador do Estado, citando e analisando de maneira lógica os depoimentos do acusado durante o julgamento e os testemunhos de várias testemunhas, demonstrou a gravidade dos crimes do acusado. Além disso, ao apresentar numerosos documentos e fotografias examinados durante a análise das provas, comprovou de maneira firme e lógica os crimes de Ho Pil Sun. Por isso, no que diz respeito ao estabelecimento dos fatos, não pretendo contestar novamente as acusações e as alegações do procurador, nem questionar a aplicação dos dispositivos legais.

Quero apenas falar sobre os pontos que devem ser levados em consideração e as circunstâncias que precisam ser ponderadas para que o tribunal profira uma sentença justa.

Senhor presidente do tribunal e camaradas jurados! Conforme consta da acusação, os crimes do acusado Ho Pil Sun consistiram em participar diretamente dos assassinatos em massa de centenas de patriotas e pessoas inocentes, executados de maneira bestial e cruel. Em 18 de outubro de 1950, isso ocorreu na vala em frente à sede do Partido do Trabalho da Coreia no condado de Sinchon; em 20 de outubro do mesmo ano, no abrigo antiaéreo do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon; do final de outubro ao final de novembro daquele ano, nos cantões de Nambu e Yongmun; e, em 7 de dezembro do mesmo ano, durante a retirada dos inimigos, no depósito de explosivos. Como o próprio acusado reconheceu esses fatos, eu, como seu advogado de defesa, também reconheço que Ho Pil Sun cometeu crimes graves contra o povo coreano, crimes pelos quais não há como expiar sua culpa.

Entretanto, considero de grande importância, para esclarecer e avaliar minuciosamente os atos criminosos do acusado neste processo, examinar quem organizou, dirigiu e ordenou diretamente esses crimes desumanos, atrozes e aterrorizantes, de uma crueldade sem precedentes na história da humanidade. Quem foi, de fato, o responsável por organizar e dirigir diretamente essas atrocidades bestiais e homicidas? Conforme foi amplamente revelado nos autos da investigação preliminar e durante o julgamento, pelos depoimentos dos acusados e das testemunhas, o principal instigador e responsável pelos graves crimes do massacre de Sinchon foi o assassino, tenente estadunidense Harrison, juntamente com os mais de vinte soldados mercenários estadunidenses sob seu comando. O fato de Harrison, mercenário dos imperialistas estadunidenses, e seus soldados terem invadido o condado de Sinchon, na província de Hwanghae, território da nossa República, e se transformado em carrascos ferozes e cruéis do povo, ultrapassando os limites da humanidade e perpetrando atrocidades que não encontram paralelo em nenhum lugar da Terra ou em qualquer época da história humana, não foi algo acidental. Ele não passava de um mercenário dos imperialistas estadunidenses, que, desde o primeiro dia da invasão da Coreia, começou a executar diretamente a política de agressão contra o país e de extermínio do povo coreano.

Como afirmou certa vez o camarada Lenin, a República idealizada pela burguesia apresenta-se, na prática, como a forma mais frenética de imperialismo e a forma mais descarada de opressão e asfixia dos povos das nações fracas. Aquilo que ele demonstrou teoricamente manifesta-se hoje diante do povo coreano como uma realidade concreta e incontestável.

Senhor presidente do tribunal e camaradas jurados!

Para implementar sua política expansionista, os imperialistas estadunidenses estão criando alianças atlânticas, incluindo a Aliança do Mediterrâneo e a Organização do Tratado do Atlântico Norte, com o objetivo de dominar os países da Europa Ocidental e do Oriente destruídos pela guerra e, posteriormente, conquistar o mundo inteiro. No Extremo Oriente, procuram transformar a Ásia em uma base para a invasão e a agressão contra a China e a União Soviética.

Com o objetivo de subjugar os povos e transformá-los em seus escravos, ocupam importantes bases militares ao longo da costa do Pacífico, procuram restaurar o militarismo japonês e converter a Coreia em uma colônia.

Por isso, desde o primeiro dia em que os imperialistas estadunidenses pisaram com seus pés ensanguentados na parte sul da nossa pátria, passaram a executar uma política destinada a transformar a Coreia em sua colônia, escravizá-la e subordiná-la a si próprios.

Depois de estenderem suas garras de agressão sobre a parte sul da nossa pátria, começaram, no plano econômico, a aplicar uma política de subordinação econômica da Coreia, destruindo deliberadamente fábricas e empresas para impedir o desenvolvimento da indústria nacional e da economia do país. Ao mesmo tempo, no plano político, reprimiram e eliminaram todas as iniciativas democráticas e as forças democráticas do povo coreano libertado que pudessem atrapalhar sua política colonial de escravização. Executaram habilmente uma política pérfida de divisão interna e de conflito entre coreanos, impedindo a unificação e a independência da Coreia e provocando o caos político. Para isso, apoiaram toda sorte de forças reacionárias, inimigas do povo, que favoreciam sua política de subordinação colonial.

Enviaram Hodge e Arnold ao sul da Coreia para executar esse plano e protegeram Ri Sung Man, o traidor vendido ao estrangeiro e inimigo irreconciliável do povo coreano, permitindo que se disfarçasse de patriota e enganasse o povo. Ao mesmo tempo, estimularam e protegeram todas as forças reacionárias traidoras e mantiveram e aplicaram o sistema policial opressivo herdado do imperialismo japonês. Dessa maneira, reprimiram e exploraram o povo, eliminaram completamente todas as liberdades políticas, incluindo as de expressão, imprensa, reunião, associação, pensamento e religião. Além disso, prenderam, encarceraram e massacraram patriotas coreanos que amavam a pátria e lutavam pela reunificação, independência e democracia do país. Sob a proteção ostensiva da polícia estadunidense, organizaram as forças reacionárias traidoras para destruir partidos políticos e organizações sociais democráticas. Antes mesmo da guerra, massacraram mais de 150 mil patriotas, prenderam e encarceraram cerca de 480 mil pessoas e dissolveram mais de 130 partidos políticos e organizações sociais patrióticas.

Assim, os imperialistas estadunidenses, agindo como bandidos, impediram a reunificação democrática e a independência da pátria, tão ardentemente desejadas pelo povo coreano, e procuraram concretizar suas ambições de dominação mundial e seus planos de agressão ao Extremo Oriente, que vinham preparando havia muito tempo. Por fim, em 25 de junho de 1950, fizeram com que seus subordinados, os sujeitos da camarilha fantoche de Ri Sung Man, provocassem a guerra civil e, desprezando abertamente a Carta das Nações Unidas e as normas do direito internacional, iniciaram ilegalmente uma intervenção armada na Coreia.

Como já é amplamente conhecido pelos povos do mundo inteiro graças aos relatórios das delegações de investigação da Federação Democrática Internacional das Mulheres e da Associação Internacional de Juristas Democráticos, os imperialistas estadunidenses intensificaram sua guerra de agressão na Coreia, destruindo cidades desarmadas com aviões e massacrando a população pacífica. Mas isso não é tudo. Durante a segunda etapa da Guerra de Libertação da Pátria, quando o Exército Popular da nossa República realizou uma retirada estratégica temporária, os canibais imperialistas estadunidenses penetraram em parte do território da nossa República e cometeram inúmeras atrocidades bestiais. Em todos os lugares por onde passaram com seus pés ensanguentados, a bela terra da pátria transformou-se em um matadouro do povo, formando um inferno humano de sangue, ainda mais terrível e desolador do que os campos de extermínio de Treblinka, criados pela camarilha fascista de Hitler, com os quais nem sequer se pode estabelecer comparação.

Os imperialistas estadunidenses cometem essas atrocidades desumanas e cruéis em nosso território porque são a escória, incendiários de uma nova guerra, carrascos dos povos do mundo e os bandidos mais descarados. Eles perderam a consciência e a humanidade, ultrapassaram os limites do comportamento humano e degradaram-se a ponto de se tornarem as mais cruéis feras entre as feras. Para alcançar seus objetivos agressivos, não hesitam em recorrer a quaisquer meios ou métodos.

Precisamente Harrison, o principal responsável pelo massacre da população do condado de Sinchon neste processo, era um desses bandidos, um mercenário dos imperialistas estadunidenses que executava fielmente a política de extermínio do povo.

Esse mercenário estadunidense, executor de massacres humanos, chamado Harrison, começou a agir freneticamente para manifestar sua natureza bestial e cruel desde o primeiro dia da ocupação temporária de Sinchon.

Segundo o depoimento registrado na página 18 dos autos da declaração prestada pelo acusado Ho Pil Sun ao investigador da investigação preliminar Om Jong Sop, em 19 de janeiro de 1952, Harrison, assim como MacArthur havia iniciado a política de escravização do povo coreano ao impor o governo militar no sul e ameaçar com punições severas, por meio de suas Proclamações n.º 1 e n.º 2, aqueles que não obedecessem às suas ordens. Declarou em sua própria proclamação, desde o primeiro dia da invasão: "A partir de agora, dirigirei todos os assuntos de Sinchon, e minhas ordens serão a lei. Quem não obedecer às minhas ordens será fuzilado". Em seguida, começou a organizar o massacre de patriotas e pessoas inocentes. Reuniu religiosos reacionários e bandos de jovens delinquentes e organizou e dirigiu a polícia, os grupos armados, as forças de segurança e a Associação da Juventude Taehan. Entre aqueles que surgiram como subordinados de Harrison, mercenário dos imperialistas estadunidenses e assassino em massa, estavam o chefe de polícia Sin Sang Gyu e Kim Jang-seong, enquanto o acusado Ho Pil Sun participou como chefe dos grupos estudantis.

O assassino Harrison manipulava habilmente seus subordinados e, em 18 de outubro de 1950, convocou uma chamada reunião de dirigentes, na qual participaram Sin Sang Gyu, o acusado Ho Pil Sun e outras pessoas, ordenando expressamente o massacre da população e indicando os locais, os meios e os métodos de execução.

Esse assassino semelhante a um demônio não apenas organizou e mobilizou os responsáveis pelo massacre da população de Sinchon, como também foi pessoalmente ao local para dirigir os massacres. Para eliminar as provas irrefutáveis de seus crimes contra o povo, ordenou que as vítimas fossem despidas, retirando-lhes todas as roupas e os sapatos antes de serem mortas. Em seguida, fotografou os cadáveres, cujas mãos, pés e cabeças estavam separados dos corpos, usando a câmera que carregava sempre consigo, com um sorriso diabólico e sentindo prazer com a cena.

Esses fatos foram claramente comprovados pelo depoimento da testemunha Oh Yong Jin, prestado em 5 de fevereiro de 1952, no qual declarou: "Vi Harrison, junto com Sin Sang Gyu, apontando com a mão na direção do abrigo antiaéreo e vigiando o local" (p. 87), bem como pelo depoimento prestado pela testemunha Oh Rae Sin durante a investigação preliminar, em 11 de fevereiro de 1952 (p. 130), e por seu testemunho durante o julgamento.

Como demonstrei acima, o principal responsável por organizar e mobilizar os massacres da população foi Harrison, mercenário dos imperialistas estadunidenses e assassino em massa. A pessoa que dirigiu pessoalmente as execuções no local, supervisionando-as e pressionando os responsáveis, e que ainda tentou eliminar as provas dos crimes, foi o tenente Harrison, estacionado no condado de Sinchon. Portanto, essas provas confirmam claramente que o acusado Ho Pil Sun, que ocupava o cargo de chefe dos grupos estudantis armados da chamada polícia do condado de Sinchon, cometeu crimes que o marcaram como inimigo do povo, agindo como instrumento de Harrison, que o manipulava habilmente.

Naturalmente, como o procurador já apontou em sua acusação, essas circunstâncias não podem alterar a culpa do acusado. Entretanto, se compararmos os atos de Harrison com os do acusado Ho Pil Sun, veremos que os crimes de Harrison, que manipulou e dirigiu os acontecimentos nos bastidores e levou Ho Pil Sun a cometer esses crimes, foram ainda mais graves do que os do próprio acusado. Harrison merece, portanto, a maldição e a vingança do povo coreano e deve ser considerado inimigo dos povos amantes da paz.

Passando agora ao acusado Ho Pil Sun, o que o levou a degradar-se e tornar-se instrumento dos cruéis imperialistas estadunidenses, seguindo o caminho da traição nacional que lhe valeu o ódio e a maldição do povo coreano? Isso se deveu à política pérfida e habilmente dissimulada dos imperialistas estadunidenses e ao fato de o acusado Ho Pil Sun ser, naquela época, muito jovem e pouco instruído.

O acusado Ho Pil Sun nasceu em 6 de junho de 1932, na família do camponês Ho Min, como terceiro filho, no endereço de sua família, n.º 156, na aldeia de Pyongsong-ri, cantão de Anak, condado de Anak, província de Hwanghae. Frequentou a Escola Popular de Misu e a Escola Secundária de Shinwon. Em setembro de 1948, ingressou na Escola Secundária Superior de Jaemyong, transferindo-se posteriormente para a Escola Secundária Superior de Sinchon. Desde o início, tinha uma personalidade que o levava a gostar de esportes e não de estudar, demonstrava negligência nos estudos e apresentava uma conduta inadequada. Por isso, chegou a ser expulso da escola e, depois disso, perdeu a oportunidade de receber uma educação adequada nos princípios democráticos, passando a levar uma vida atrasada e desregrada.

Assim, embora aquele fosse um período em que os jovens coreanos se posicionavam na linha de defesa da pátria contra os invasores imperialistas, lutando pelo país e pelo povo com toda a sua dedicação, coragem e patriotismo, o acusado não conseguiu despertar para as novas circunstâncias e continuou levando uma vida atrasada. Quando se deparou com a situação caótica provocada pela retirada estratégica temporária do nosso Exército Popular, não soube discernir corretamente o caminho que deveria seguir como jovem da nova Coreia, em prol da pátria e do povo. Acabou caindo nas garras dos imperialistas estadunidenses e, tornando-se instrumento deles, deu os primeiros passos no caminho da prática de crimes extremamente graves, pelos quais não há como expiar sua culpa.

Os imperialistas estadunidenses sempre empregam habilmente a política de transformar primeiro determinados elementos em inimigos do povo, a fim de fazê-los obedecer fielmente à sua política.

O assassino bestial Harrison também, para pôr em prática essa mesma política astuciosa, conferiu ao réu o título de chefe dos estudantes armados em Sinchon e começou a utilizá-lo na política de massacre do povo. Como sua primeira tarefa, Harrison fez com que o réu Ho Pil Sun participasse, em 18 de outubro de 1950, do primeiro massacre, realizado na vala em frente à sede do Partido do condado de Sinchon, criando assim a ocasião para transformar o réu em inimigo do povo. Enganado dessa maneira pela pérfida política do imperialismo estadunidense e transformado em inimigo mortal do povo, o réu, a partir daquele momento, já não podia encontrar uma saída para sua situação em outro lugar, restando-lhe apenas obedecer às ordens de Harrison. Foi também nesse contexto que ele se tornou um fiel instrumento de Harrison e passou a cometer repetidamente crimes terríveis.

Se o réu tivesse realmente compreendido a essência da política dos imperialistas estadunidenses em relação à Coreia, que, sob o pretexto da ameaça comunista, enganavam o povo, instigavam a luta fratricida e, por meios tão pérfidos e cruéis, procuravam exterminar a nação coreana, então, por mais jovem e inexperiente que fosse, Ho Pil Sun não teria se deixado utilizar por eles nem obedecido às suas ordens, desde que ainda conservasse a condição humana. Como o réu Ho Pil Sun respondeu francamente durante o interrogatório complementar realizado por este advogado de defesa no tribunal, considero que ele obedeceu sem compreender profundamente a crueldade dos imperialistas estadunidenses.

Por isso, ao avaliar os crimes do réu Ho Pil Sun e examinar as circunstâncias dos diversos acontecimentos, peço que levem em consideração o ambiente e as condições existentes na época em que ele cometeu os crimes.

O réu arrepende-se aqui de seus atos criminosos e reconhece claramente que os crimes que cometeu contra o povo coreano foram tão graves que nada poderá expiá-los. É precisamente por isso que confessou minuciosamente seus atos perante o tribunal, sem ocultar absolutamente nada.

Presidente do tribunal e camaradas jurados!

Atualmente, o réu Ho Pil Sun reconhece que seus crimes perante o povo são extremamente graves e, de cabeça baixa, limita-se a aguardar o julgamento justo do povo, de acordo com as leis da República.

Naturalmente, estou convencido de que o presidente do tribunal e os jurados, defendendo a dignidade das leis da República e agindo em prol dos interesses do povo, bem como da paz duradoura e da estabilidade da humanidade, proferirão uma sentença justa. Ainda assim, peço que levem em consideração todos os pontos que mencionei e, com isso, encerro minha defesa.

Defesa do advogado Kim Han Jun (defensor de Choe Han U)

Presidente do tribunal e camaradas jurados!

A partir de agora, desejo apresentar minha defesa em favor do réu Choe Han U. Antes de entrar na defesa relativa aos fatos do processo, gostaria de dizer que conheço bem os sentimentos de cada um dos presentes neste julgamento: os quatro réus deste processo, seus familiares, os demais espectadores e aqueles que acompanham o julgamento por meio da transmissão de rádio. Acredito que, entre todos, os réus, em particular, sintam uma emoção especial diante do sistema judiciário de nossa República. Isso se deve ao fato de que, em contraste com os próprios réus e os estadunidenses, que repetidamente cometeram o ato criminoso de massacrar cruelmente pessoas inocentes e bondosas, sem qualquer procedimento legal, os réus, apesar de serem criminosos extremamente perversos, estão sendo julgados de maneira imparcial e justa perante o povo, mediante um processo judicial conduzido segundo os procedimentos legais estabelecidos. Acredito que esse fato lhes cause uma emoção imensa. Durante o processo de julgamento, os réus tiveram ampla oportunidade de se defender de seus atos, receberam a garantia do direito de solicitar provas que lhes fossem favoráveis e tiveram assegurado o direito de prestar depoimento livremente.

Os réus, diante do fato de que inúmeros patriotas e pessoas inocentes e bondosas foram massacrados sem que lhes fosse concedido qualquer procedimento legal, certamente sentem uma imensa emoção por esse motivo.

Desde o primeiro dia da ocupação da parte sul de nossa pátria, os imperialistas estadunidenses vêm colocando em prática sua verdadeira natureza por meios astutos e perversos. Sua natureza imperialista sempre os levou a procurar destruir tudo o que é democrático e popular. Em outras palavras, por meios ardilosos, atraíram para seu lado elementos desordeiros e degenerados, utilizaram os pró-japoneses e traidores da nação, inimigos do povo, para reprimir e dissolver secretamente os partidos políticos e organizações sociais democráticos, obrigando-os a passar à clandestinidade. Fabricaram fatos falsos contra personalidades democráticas e patriotas, atribuindo-lhes a responsabilidade, e, sem qualquer motivo, prenderam, torturaram e massacraram aqueles que não lhes agradavam.

Assim, ao executar sua política de massacre do povo na parte sul de nossa pátria, os imperialistas estadunidenses não apenas se colocaram na linha de frente, mas também utilizaram os inimigos do povo e reuniram os elementos mais fracos das camadas populares, isto é, os elementos degenerados e atrasados. Organizaram bandos de bandidos e os instigaram a cometer crimes contra o povo, a fim de intensificar ao máximo as divisões entre as massas, impedir sua unidade e provocar uma guerra civil fratricida. Desse modo, os imperialistas estadunidenses puseram em prática sua natureza imperialista, baseada na política de transformar os países fracos em colônias e escravizar seus povos.

Essa política dos imperialistas estadunidenses não se limitou à parte sul de nossa pátria, tendo ampliado seu campo de aplicação durante a guerra de agressão que eles próprios provocaram por meio de suas maquinações. Em outras palavras, isso também ocorreu quando, aproveitando-se da retirada estratégica de nosso Exército Popular, ocuparam temporariamente algumas regiões da parte norte do país. Naquela época, além de massacrarem diretamente o povo por meio de seus mercenários, os imperialistas estadunidenses utilizaram, em cada localidade ocupada, elementos desordeiros e degenerados que se opunham secretamente às diversas reformas democráticas da República ou estavam insatisfeitos com elas, transformando-os em instrumentos de sua política de massacre e de incitação à discórdia entre as pessoas.

Os elementos fracos e atrasados acabam sendo utilizados pelos imperialistas estadunidenses, caem em suas armadilhas e cometem os piores crimes contra o povo. Dessa maneira, são reduzidos a uma situação da qual já não conseguem escapar. Os agentes do imperialismo estadunidense os empurram para o abismo, pressionando-os para que jamais consigam sair dele. A partir do momento em que chegam a essa situação, esses elementos não têm outra alternativa senão se tornarem inteiramente instrumentos dos imperialistas, executando a política de massacre do povo e de incitação à discórdia. Os réus que hoje estão sendo julgados neste tribunal são precisamente pessoas que caíram na armadilha do imperialismo estadunidense.

Em 17 de outubro de 1950, quando as tropas estadunidenses ocuparam o condado de Sinchon, na província de Hwanghae, o tenente Harrison e os soldados sob seu comando não apenas massacraram diretamente e em grande escala o povo coreano, mas também não se esqueceram de recorrer ao seu método habitual de utilizar os elementos mais fracos das camadas populares para perpetrar massacres.

Por meio dos planos dos imperialistas estadunidenses, os réus foram utilizados por eles e, instigados por seus agentes, cometeram crimes contra o povo. Em 18 de outubro de 1950, os réus que participaram do massacre do povo na vala em frente à sede do Partido do condado de Sinchon passaram facilmente para o lado dos inimigos do povo, tanto em razão dos planos tramados pelos estadunidenses quanto de seus próprios elementos impuros. Depois de se tornarem inimigos do povo e reconhecerem essa realidade, Choe Han U e os demais réus ficaram sem possibilidade de imaginar outro caminho. Ao chegarem a essa situação, esses réus passaram a acreditar que, para sobreviver dali em diante, querendo ou não, só lhes restava ser leais aos soldados estadunidense e ao imperialismo estadunidense. Por isso, antes de examinar os próprios crimes cruéis cometidos por todos os réus, incluindo Choe Han U, cuja defesa me foi confiada neste processo, peço mais uma vez ao sensato presidente do tribunal e aos camaradas jurados que considerem as causas que levaram essas pessoas a cair em um abismo tão terrível.

Passarei agora a expor brevemente os principais fatos da acusação contra o réu Choe Han U. Ele era comerciante ambulante e, enquanto trabalhava como investigador na seção de investigação do destacamento policial organizado pelo tenente Harrison, estacionado no condado de Sinchon e cuja principal finalidade era massacrar o povo, cometeu os seguintes atos:

1. Em 18 de outubro de 1950, participou do massacre de mais de 900 civis na vala em frente à sede do Partido do condado de Sinchon.

2. Em 20 de outubro de 1950, participou do massacre de mais de 520 personalidades patrióticas no abrigo antiaéreo do departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon.

3. Em 7 de dezembro de 1950, participou do massacre de 910 civis pacíficos em um armazém em Wonam-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon.

4. Seguindo o inimigo em retirada até Haeju, recebeu dos estadunidenses a missão de obter informações militares sobre o Exército Popular e infiltrou-se no condado de Sinchon para coletar informações.

Nos crimes dessa natureza, a conduta do tenente Harrison, estacionado no condado de Sinchon, do chefe da polícia do condado, que agia segundo suas ordens, e dos réus que os seguiam e obedeciam é desumana e imoral, a ponto de provocar a indignação de toda a humanidade. Seus crimes são atos que os tornam inimigos irreconciliáveis do povo coreano, e ninguém pode contestar que também constituem crimes contra todos os povos amantes da paz.

Presidente do tribunal e camaradas jurados!

Considero que os fatos da acusação neste processo foram comprovados pelos depoimentos dos réus, desde a investigação preliminar até o julgamento, pelas declarações das testemunhas e pelas provas materiais reunidas durante a investigação preliminar. Por isso, não pretendo voltar a discutir esses fatos. Entretanto, com base na Constituição da República Popular Democrática da Coreia, desejo apresentar agora alguns aspectos que poderão contribuir para os interesses do réu e para que seja proferida uma sentença justa, especialmente no que diz respeito à sua origem social, sua trajetória e seu papel.

O réu Choe Han U nasceu em 1º de setembro de 1921, em uma família de camponeses pobres. Depois de concluir a escola primária, trabalhou sucessivamente como balconista de loja de departamento, comerciante ambulante de artigos diversos, secretário de uma associação de vigilância e funcionário administrativo de um moinho de arroz. Após a libertação de nossa pátria, em 15 de agosto de 1945, voltou a trabalhar como comerciante ambulante de artigos diversos e, enquanto permanecia ao sul do paralelo 38, dedicou-se ao comércio clandestino. Não tinha ocupação fixa e não teve oportunidade de receber formação ideológica e política. Quando as tropas estadunidenses ocuparam o condado de Sinchon, em 17 de outubro de 1950, durante a retirada estratégica do Exército Popular, passou a trabalhar como funcionário do setor de administração de bens da seção financeira da administração do condado de Sinchon, organizada pelos estadunidenses, e como investigador na delegacia de polícia. A partir daí, passou a obedecer às ordens diretas de Harrison e às instruções do chefe da polícia, Sin Sang Gyu ou Kim Jang Song.

Embora não houvesse absolutamente nenhuma circunstância que o levasse a nutrir ressentimento contra as diversas reformas democráticas da República ou contra suas políticas, ele participou do massacre de mais de 900 pessoas em 18 de outubro de 1950. Considero que isso se deveu ao fato de ter sido utilizado por aqueles indivíduos e submetido à sua autoridade.

Esse primeiro crime cometido pelo réu foi tão pérfido que qualquer pessoa ficaria profundamente horrorizada ao conhecê-lo. Considero que todos os crimes posteriores decorreram da situação em que Choe Han U se encontrava após ter cometido seu primeiro crime contra o povo: dali em diante, acreditava que o único apoio que lhe restava era obedecer às ordens das tropas estadunidenses. O fato de o réu Choe Han U ter desempenhado um papel passivo, e não de liderança, durante a execução dos crimes, repetindo-os como instrumento do imperialismo estadunidense, demonstra isso.

Que o réu não ocupava uma posição importante também pode ser constatado nos registros da investigação e em suas declarações perante o tribunal. No depoimento de interrogatório das páginas 68 e 69 dos autos, ele declarou, em essência: "Como eu não fazia parte do grupo dirigente, não podia participar das reuniões dos dirigentes. Entretanto, conhecia seu conteúdo porque o chefe da polícia me transmitia as informações". Isso também comprova o que acabo de dizer.

Quanto à obtenção de informações militares, ele permaneceu escondido durante quatro meses, temendo que sua verdadeira identidade fosse descoberta, e, na realidade, não forneceu ao inimigo nenhuma informação. Além disso, o réu Choe Han U confessou sinceramente seus erros passados, sem ocultar nada, e expressou seu arrependimento pelos crimes cometidos. (Páginas 22 e 23 dos autos.) No depoimento de Choe Han U consta o seguinte:

"Os verdadeiros patriotas da Coreia, os gritos do povo, o choro das crianças chamando por suas mães e as mães chamando seus filhos pelo nome... Não consigo descrever mais aquela cena tão trágica.

Entretanto, uma coisa me impressionou: mesmo enquanto tombavam de maneira tão trágica, continuavam a gritar com voz poderosa e sincera até o último instante: 'Viva o General Kim Il Sung! Viva a República Popular Democrática da Coreia! Abaixo o imperialismo estadunidense e seus lacaios traidores! A destruição de vocês não tardará!'"

Na página 28 dos autos também consta que as pessoas detidas ilegalmente "cantavam canções de luta popular em homenagem ao General Kim e defenderam até o fim suas convicções. Até eu, um assassino, não pude deixar de me admirar". O réu prestou declarações nesse mesmo sentido durante o julgamento.

Na época em que cometeu esses crimes, o réu Choe Han U provavelmente ainda não sentia verdadeiramente a tragédia dos gritos desesperados do povo. Entretanto, considero que as declarações acima constituem a expressão do réu de hoje, que, ao recordar seu passado, amaldiçoa diante do povo as atrocidades que cometeu.

Os gritos de elevado patriotismo que os patriotas de nossa República continuaram a proclamar em defesa do Partido e do Estado até o momento de sua morte fizeram com que aquele que havia sido um assassino refletisse profundamente. No depoimento de interrogatório do réu Choe Han U, na página 79 dos autos, consta a seguinte declaração:

"Depois de demonstrar toda a minha lealdade aos estadunidenses, cometi atrocidades assassinas, perdendo a razão que deveria distinguir um ser humano de outro. Quando penso agora naquela situação bestial e terrível, percebo que cometi atos que um ser humano jamais deveria cometer."

O réu Choe Han U prestou declarações nesse mesmo sentido também perante o tribunal.

Considero que os fatos que acabo de expor devem necessariamente ser levados em consideração pelo tribunal ao determinar a pena do réu Choe Han U.

Presidente do tribunal e camaradas jurados!

Ao concluir minha defesa do réu Choe Han U nos termos que apresentei, confio em que os fundamentos de minha argumentação não contrariem os fatos, que minha defesa seja considerada por Vossas Excelências e que ela possa contribuir, ainda que modestamente, para a sentença imparcial e justa que proferirão. Com isso, encerro minha defesa do réu Choe Han U.

Defesa do advogado Hyon Chang Hyong (defensor de Ri Tu Hyon e Yun Myong Won)

Presidente do tribunal e camaradas jurados!

A partir de agora, apresentarei a defesa dos réus Ri Tu Hyon e Yun Myong Won.

Com base nos autos deste processo, os fatos relativos aos crimes dos réus Ri Tu Hyon e Yun Myong Won são os seguintes.

Ri Tu Hyon concluiu o segundo ano do ensino secundário e, após abandonar os estudos, não tinha ocupação fixa. Quando as tropas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon, ingressou no grupo armado organizado pelo oficial estadunidense Harrison, cuja principal finalidade era massacrar o povo, e passou a atuar nele, cometendo os seguintes crimes:

1. Em 18 de outubro de 1950, participou diretamente do massacre de mais de 900 civis pacíficos na vala em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon.

2. Em 19 de outubro de 1950, participou diretamente do massacre de mais de 310 patriotas e seus familiares na vala em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon.

3. Em 23 de outubro de 1950, participou diretamente do massacre de mais de 330 civis pacíficos na vala em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon.

Yun Myong Won era cristão. Quando as tropas estadunidenses invadiram o condado de Sinchon, ingressou no destacamento policial organizado pelo oficial estadunidense Harrison, cuja principal finalidade era massacrar o povo, e passou a atuar nele, cometendo os seguintes crimes:

1. Em 18 de outubro de 1950, participou diretamente do massacre de mais de 900 civis pacíficos na vala em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon.

2. Em 7 de dezembro de 1950, participou diretamente do massacre de 910 civis pacíficos em um armazém situado em Wonam-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon.

3. Em meados de dezembro de 1950, após o avanço do Exército Popular, fugiu para a ilha Sunui no condado de Jangyon, onde recebeu dos estadunidenses a missão de obter informações militares sobre o Exército Popular. Em seguida, infiltrou-se no condado de Sinchon e passou a coletar informações.

Os réus Ri Tu Hyon e Yun Myong Won confessaram e reconheceram sinceramente todos esses fatos da acusação perante o tribunal, sem ocultar absolutamente nada.

Como ficou demonstrado durante o julgamento, os crimes dos réus constituem graves delitos contra todo o povo coreano, crimes que o povo não pode perdoar.

Por isso, não há motivo para prolongar a discussão sobre esses crimes. Entretanto, não posso deixar de salientar que existem alguns aspectos que devem necessariamente ser considerados ao analisar a conduta criminosa dos réus e determinar suas penas.

Desde setembro de 1945, quando os imperialistas estadunidenses puseram pela primeira vez seus pés ensanguentados na parte sul da República, começaram a escravizar o povo coreano e a transformar a Coreia em uma base para a agressão à Ásia. Dissolveram os comitês populares criados pelas próprias mãos do povo coreano, empurraram para a clandestinidade os partidos políticos e as organizações sociais democráticos da parte sul do país e organizaram massacres do povo coreano.

Ao massacrar o povo coreano, os imperialistas estadunidenses não apenas executaram pessoalmente esses crimes, mas também se apoiaram nos pró-japoneses e nos traidores da nação, inimigos do povo coreano, ou reuniram determinados elementos degenerados para organizar grupos reacionários, instigando-os a massacrar os coreanos. Desse modo, fizeram com que essas pessoas cometessem crimes gravíssimos contra o povo coreano, transformando-as em inimigos irreconciliáveis da nação.

Agindo assim, os imperialistas estadunidenses provocaram conflitos fratricidas entre os coreanos e executaram sua política de massacre do povo. Quando desembarcaram ilegalmente no continente americano e exterminaram os povos indígenas, para fundar os Estados Unidos da América, os imperialistas estadunidenses aplicaram uma política de pilhagem. Agora, tentam aplicar novamente essa mesma política à nossa Coreia, mas o povo coreano, que luta resolutamente pela construção de um Estado independente e soberano em sua pátria, jamais permitirá tais atrocidades.

Diante da força unida do heroico povo coreano, que recebe o apoio absoluto da grande União Soviética, da República Popular da China e dos demais países democráticos, bem como dos povos amantes da paz em todo o mundo, a política de agressão dos imperialistas estadunidenses acabará inevitavelmente fracassando.

A agonia final e o desespero dos invasores imperialistas estadunidenses manifestaram-se de maneira ainda mais cruel durante a ocupação temporária de algumas regiões da parte norte da República, em outubro de 1950.

Os bandidos das tropas invasoras imperialistas estadunidenses que ocuparam a parte norte da República não apenas massacraram diretamente o povo, mas também se apoiaram nos pró-japoneses e traidores da nação, afastados das massas populares, ou reuniram e instigaram determinados elementos degenerados do ponto de vista ideológico. Organizaram, como instrumentos de invasão e de massacre, as chamadas delegacias de polícia, os destacamentos de segurança e outras organizações reacionárias, obrigando-as a massacrar patriotas e a provocar conflitos fratricidas.

Dessa maneira, tramaram transformar os elementos degenerados que ingressaram nas organizações reacionárias em inimigos do povo e os instigaram a executar atrocidades de toda espécie.

Foi precisamente esse tipo de crime que também se manifestou em Sinchon.

Em 17 de outubro de 1950, depois de ocupar Sinchon, o tenente  Harrison, das tropas invasoras imperialistas estadunidenses, proclamou: "A partir de hoje, toda a administração será executada sob as ordens deste oficial, e todos os comunistas serão presos e executados. Quem violar esta ordem será fuzilado."

Em seguida, organizou um grupo de traidores da pátria e do povo, tendo como figuras centrais pastores e anciãos cristãos pró-EUA, formados anteriormente pelos missionários enviados pelos imperialistas estadunidenses. No dia 18 do mesmo mês, Harrison reuniu os traidores no campo de esportes em frente à sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon e ordenou: "Para salvar a Coreia do Norte da ameaça comunista, é necessário prender e executar os membros do Partido do Trabalho, bem como seus familiares e parentes. Exterminem até a semente dos vermelhos!"

Com essa política destinada a exterminar a nação coreana, os imperialistas estadunidenses massacraram mais de 900 patriotas em 18 de outubro de 1950 e organizaram massacres praticamente todos os dias, nos dias 19, 20 e 23. Quando foram obrigados a recuar diante do avanço do heroico Exército Popular da Coreia e do glorioso Corpo de Voluntários do Povo Chinês, cometeram, em seu desespero final, o massacre de mais de 910 civis pacíficos no armazém de Wonam-ri. Ao longo desse período, fizeram com que traidores da nação coreana participassem das atrocidades que resultaram no massacre de 35.383 coreanos no condado de Sinchon.

Os réus Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon e Yun Myong Won foram vítimas dessa política bárbara dos imperialistas estadunidenses.

O réu Ri Tu Hyon, por ser jovem e ideologicamente atrasado, caiu nas armadilhas de Harrison e ingressou no grupo armado organizado diretamente por ele. Participou das atrocidades execráveis e aterrorizantes que resultaram no massacre de numerosos patriotas nos dias 18, 19 e 23 de outubro de 1950, cometendo assim crimes graves e imperdoáveis contra o povo e tornando-se seu inimigo. Depois de participar do massacre em massa de 18 de outubro, o réu Ri Tu Hyon já não teve outra alternativa senão fazer o que Harrison lhe ordenava e, de fato, assim procedeu.

O réu Ri tU Hyon sabia que, por ter cometido crimes graves contra o povo, não poderia ser perdoado. Por isso, quanto mais a situação se agravava, mais se submetia cegamente e com absoluta lealdade a Harrison. Ao determinar a pena, deve-se levar em consideração que, por ser jovem e atrasado, o réu não compreendia que havia caído nas garras dos imperialistas estadunidenses e estava sendo utilizado por eles quando cometeu seus crimes.

Quanto ao réu Yun Myong Won, era um cristão ideologicamente atrasado. Essa era uma das condições que permitiam aos imperialistas estadunidenses utilizá-lo e constituía o ponto fraco pelo qual ele poderia cair em suas garras.

O tenente Harrison, estacionado em Sinchon, explorou precisamente essa circunstância. Harrison instigou uma unidade especial chamada "chaplain" a propagar o seguinte sermão: "Na Coreia, que recebe a ajuda de Deus, somente aqueles que professam o cristianismo podem ter influência. Vocês que vivem em Sinchon devem, a partir de agora, professar sinceramente o cristianismo, sejam homens ou mulheres, jovens ou idosos."

Assim, utilizaram o cristianismo como instrumento de sua bárbara política de massacres, e o réu Yun Myong Won acreditava nas palavras dos estadunidenses e dos pastores cristãos como se fossem artigos de fé.

Como se pode ver pelo que foi exposto, o réu Yun Myong Won estava suscetível a cair nas armadilhas da política bárbara dos imperialistas estadunidenses e foi efetivamente utilizado por eles. Por isso, não teve outra alternativa senão obedecer às ordens do oficial das tropas invasoras imperialistas estadunidenses, Harrison.

Esse foi precisamente o motivo que o levou a participar dos crimes de 18 de outubro de 1950.

Depois de agir dessa maneira uma vez, passou a acreditar que, por ter cometido crimes imperdoáveis contra o povo, só poderia sobreviver apoiando-se nos imperialistas estadunidenses. Consequentemente, continuou a praticar atos hostis ao povo e cometeu repetidamente crimes cruéis.

Pelo que expliquei, pudemos compreender bem o quanto são perversas e bárbaras as práticas e a política dos imperialistas estadunidenses, bem como perceber que aqueles que são enganados pelos canibais acabam, até o fim, reduzidos a verdadeiros monstros sanguinários.

Peço que o senhor juiz e os senhores jurados levem em consideração que os réus, devido ao seu atraso ideológico e à sua pouca idade, foram enredados pelas garras do imperialismo estadunidense, e que tenham isso em conta ao considerar a determinação da pena.

Os réus Ri Tu Hyon e Yun Myong Won não apresentaram nenhuma justificativa para os crimes que cometeram, confessando-os e reconhecendo-os francamente. Isso se deve, por um lado, ao fato de que os crimes foram comprovados de maneira muito clara e evidente, mas também devemos considerar que a afirmação de que praticaram atos desumanos por causa dos imperialistas estadunidenses constitui uma expressão de profundo arrependimento.

Senhor juiz e senhores jurados!

Encerro minha defesa, esperando que ela contribua para a determinação das penas dos réus.

O juiz declarou encerradas as declarações dos advogados e concedeu aos três réus a oportunidade de apresentarem suas últimas declarações.

Últimas declarações dos réus

Última declaração do réu Ho Pil Sun

Agradeço aos senhores do tribunal por me concederem a oportunidade de fazer uma última declaração, apesar de eu ser um criminoso tão desprezível como sou.

Não tenho mais nada a dizer sobre meus crimes. Apenas espero que o senhor juiz e os senhores jurados profiram uma sentença justa, condizente com os crimes que cometi.

Última declaração do réu Choe Han U

Não tenho como justificar os crimes que cometi. Por isso, aceitarei de bom grado qualquer pena que me seja imposta.

Sinto vergonha dos meus atos, pois, em vez de me tornar um verdadeiro cidadão no seio da pátria, massacrei patriotas. Como inimigo do povo, submeto-me a uma severa punição.

Última declaração do réu Ri Tu Hyon

Agradeço aos senhores do tribunal por terem designado um advogado para me defender, apesar de eu ser um criminoso como sou, e por terem me concedido essa defesa.

Agradeço também ao advogado que me defendeu, apesar de eu ser um pecador como sou. Durante este julgamento e o processo de audiência, refleti seriamente sobre meus atos criminosos. Hoje, lamento que entre os réus não estejam os demônios assassinos imperialistas estadunidenses e aqueles que, juntamente comigo, participaram de suas atrocidades assassinas. Peço que eles também sejam submetidos ao julgamento do povo, assim como eu.

Última declaração do réu Yun Myong Won

Confessei com toda a sinceridade todos os crimes que cometi, tanto durante a investigação preliminar quanto neste julgamento público.

Sinto um ódio intenso pelos estadunidenses que me levaram a cometer tais crimes.

Doravante, dedicarei até a última gota do meu sangue à causa da pátria da República.

Peço que seja proferida uma sentença justa em relação aos meus atos criminosos.

O juiz declarou encerradas as últimas declarações dos réus.

Às 12 horas, o tribunal retirou-se para elaborar a sentença.

A audiência foi retomada às 14h10.

O juiz proferiu a sentença.

Sentença

Em nome da República Popular Democrática da Coreia

De 25 a 29 de maio de 1952, a Seção Penal do Supremo Tribunal da República Popular Democrática da Coreia, composta pelo juiz Pak Kyong Ho e pelos jurados Ri Hong Ryol e Kim Mun Sok, tendo Kim Yong Ju como secretário, examinou, em audiência pública, sob a presença do procurador An Pyong Jin, dos acusadores sociais Ju Hwang Sop e Sin Song Sun e dos advogados de defesa Ji Yong Dae, Hyon Chang Hyong e Kim Han Jun, os processos dos quatro réus Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon e Yun Myong Won, acusados de crimes previstos no artigo 71 do Código Penal, conforme o artigo 1º do Decreto do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, de 17 de abril de 1951.

1. Ho Pil Sun, nascido em 6 de junho de 1932
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: sem ocupação

2. Choe Han U, nascido em 1º de setembro de 1921
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: vendedor ambulante

3. Ri Tu Hyon, nascido em 6 de junho de 1931
   Endereço: Chokso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: sem ocupação

4. Yun Myong Won, nascido em 6 de agosto de 1932
   Endereço: Sajik-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, província de Hwanghae
   Profissão: eletricista

Com base nas provas apresentadas durante a investigação preliminar e o julgamento público, este tribunal confirmou os seguintes fatos.

Desde que desembarcaram na Coreia do Sul, em 6 de setembro de 1945, os imperialistas estadunidenses violaram flagrantemente todos os acordos internacionais relativos à questão coreana, reuniram e protegeram o traidor nacional Ri Sung Man, inimigo irreconciliável do povo coreano, e levaram a cabo, na parte sul da República, uma política de terror e massacres de caráter fascista, militar e policial. Ignorando até o fim as vigorosas exigências e os esforços perseverantes de todo o povo coreano patriótico pela reunificação pacífica da pátria, fizeram com que os traidores nacionais, incapazes de dormir sequer uma noite tranquila, fabricassem um regime sanguinário, e continuaram a protegê-los. De acordo com o plano de invasão do norte que já vinham preparando havia muito tempo, em 25 de junho de 1950, lançaram finalmente uma agressão armada contra a parte norte da República, provocando uma guerra fratricida. Poucos dias depois, por ordem de Truman, capanga de Wall Street, mobilizaram todas as forças aéreas e navais estadunidenses estacionadas na costa do Pacífico e iniciaram uma intervenção militar direta contra nosso país.

Entretanto, diante da vergonhosa derrota que se aproximava em consequência dos ferozes contra-ataques do heroico Exército Popular da Coreia, os agressores imperialistas estadunidenses mobilizaram até mercenários de diversos países satélites sob a bandeira da ONU, intensificando ainda mais a guerra. Violando todas as convenções, leis e normas consuetudinárias da guerra, bem como a moral humana, realizaram bombardeios indiscriminados contra cidades e aldeias indefesas, monumentos históricos, escolas e hospitais. Além disso, em todos os lugares por onde passaram, perpetraram, sem limites, massacres de civis inocentes, empregando métodos bárbaros e canibalescos de extermínio, comparáveis aos das tropas de Himmler, de Hitler. Em seu desespero final, os invasores cometeram crimes sem precedentes na história da humanidade, recorrendo ao uso de gases tóxicos e armas bacteriológicas.

Em particular, como ficou demonstrado durante a investigação preliminar e o julgamento público deste processo, os incontáveis crimes cometidos contra o povo coreano pelos agressores imperialistas estadunidenses durante a ocupação temporária de algumas regiões da parte norte da República constituem atos criminosos de uma crueldade bestial, capazes de despertar uma ira e uma condenação sem limites em toda a sociedade humana contemporânea e nas gerações futuras.

Em 17 de outubro de 1950, quando as tropas estadunidenses entraram na região do condado de Sinchon, na província de Hwanghae, o comandante estadunidense, Harrison, declarou ameaçadoramente que suas ordens eram a própria "lei" e que qualquer um que as desobedecesse seria fuzilado sem exceção. Sob o pretexto hipócrita e absurdo de que pretendia "salvar a Coreia do Norte da ameaça do comunismo", reuniu numerosos traidores nacionais e organizou grupos assassinos denominados forças policiais, grupos armados e forças de segurança, com o objetivo de massacrar todos os patriotas coreanos, rotulando-os de comunistas ou simpatizantes do comunismo. Transformou esses grupos em forças auxiliares do exército estadunidense de assassinos e, empregando o método traiçoeiro de incitar coreanos a matar outros coreanos, uma prática habitual dos imperialistas estadunidenses organizou, dirigiu e executou diretamente massacres da população civil.

Assim, ao anoitecer de 18 de outubro de 1950, o carrasco imperialista estadunidense Harrison ordenou o extermínio de aproximadamente 900 civis pacíficos, incluindo cerca de 300 mulheres e crianças que haviam sido detidas por sua ordem.

A ordem foi imediatamente executada no pátio diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, sob a direção pessoal de Harrison, que se encontrava no local. Mais de 30 soldados estadunidenses, subordinados diretamente a ele, e integrantes das chamadas forças policiais e grupos armados auxiliares participaram da execução. As vítimas, mais de 900 pessoas, foram obrigadas a tirar as roupas e amarradas, sendo depois empurradas para dentro de uma única vala. Em seguida, despejaram gasolina sobre as pessoas e atearam fogo. Contra aqueles que corriam desesperadamente, tentando escapar das chamas, dispararam rajadas de tiros.

O réu Ho Pil Sun, que ocupava o cargo de chefe dos estudantes armados da chamada Delegacia de Polícia de Sinchon, conduziu mais de dez subordinados, entre eles Jang Un Chan, Mi Dok Jun e Ha Dong Ik, e participou desse crime juntamente com os assassinos estadunidenses. Além de incitar e comandar seus subordinados na execução dessas atrocidades criminosas, ele próprio despiu muitas vítimas e amarrou-lhes as mãos. À frente dos assassinos, gritava enquanto empurrava as pessoas amarradas para dentro da vala e circulava despejando gasolina sobre suas cabeças, junto com os soldados estadunidenses. Depois que os estadunidenses atearam fogo, disparou com um fuzil contra as pessoas que gritavam desesperadamente e tentavam escapar das chamas, matando 15 delas.

O réu Ri Tu Hyon também era integrante dos chamados grupos armados da Delegacia de Polícia de Sinchon e participou diretamente desse crime, disparando contra as pessoas que tentavam escapar do incêndio. O réu Choe Han U, funcionário do setor de investigação da chamada Delegacia de Polícia de Sinchon, e o réu Yun Myong Won, integrante dos grupos armados dessa mesma delegacia, também participaram do crime.

Enquanto algumas vítimas ainda agonizavam, Harrison ordenou que fossem enterradas vivas. Somente depois de inspecionar minuciosamente o local e confirmar que o assassinato coletivo, executado por métodos tão bestiais, havia sido concluído pelas tropas estadunidenses de assassinos e pelas forças auxiliares às quais pertenciam os réus deste processo, Harrison deixou o local.

À uma hora da madrugada de 19 de outubro de 1950, por ordem de Harrison, mais de 20 civis pacíficos foram assassinados pelos soldados estadunidenses e seus auxiliares armados. Conforme ficou demonstrado pelo depoimento do réu Ri Tu Hyon, que participou diretamente desse crime, naquela noite os assassinos imperialistas estadunidenses reuniram aproximadamente 320 civis em uma vala escavada ao redor da sede do Partido do Trabalho em Sinchon. Amarraram-nos em grupos de cinco ou seis, jogaram-nos na vala e os fuzilaram, iluminando o local com os faróis dos automóveis. O réu Ri Tu Hyon participou desse crime e disparou cinco tiros de fuzil juntamente com os soldados estadunidenses.

Em 20 de outubro de 1950, Harrison ordenou novamente às forças auxiliares, compostas por soldados estadunidenses e grupos armados, que massacrassem aproximadamente 520 civis. O massacre foi executado em um abrigo antiaéreo atrás do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon. Mais de 520 pessoas, incluindo mais de 150 mulheres e crianças, foram completamente despidas e empurradas para dentro do abrigo.

Conforme declararam os réus Ho Pil Sun e Choe Han U, essa medida foi tomada por ordem de Harrison para impedir que as vítimas fossem identificadas pelos cadáveres e, posteriormente, depois de desenterradas, permitir que os imperialistas estadunidenses propagassem fraudulentamente que haviam sido assassinadas pelos comunistas durante sua retirada, transferindo assim a responsabilidade pelos massacres para o próprio povo coreano.

Depois que as duas únicas entradas do abrigo, onde haviam sido amontoadas mais de 520 pessoas, foram completamente fechadas com tábuas de pinheiro e sacos de terra, os soldados estadunidenses acenderam, do lado de fora, as mechas conectadas às cargas de dinamite instaladas em dois pontos no interior do abrigo. Dessa maneira, mais de 520 civis foram brutalmente assassinados por asfixia e pela explosão no interior do abrigo. Entre as vítimas estavam Kim Sun Gyo, presidente do comitê popular do cantão de Sinchon, condado de Sinchon; Kim Pyon Hwa, uma mulher da mesma aldeia; Hong, diretor da escola popular Tokju; e Choe Jin Hui, professora da Escola Secundária Feminina de Sinchon.

O réu Ho Pil Sun conduziu mais de dez integrantes dos grupos de estudantes armados, entre eles Jang Ung Chan, Kim Chang Su e Mi Won Yong, e participou de uma reunião diante de Harrison, juntamente com cerca de 20 soldados estadunidenses, para discutir como tratar os civis detidos. Nessa reunião, propôs diversos métodos cruéis de assassinato. Participou do massacre junto com os soldados estadunidenses e os estudantes armados sob seu comando, despindo numerosas vítimas, amarrando-as e empurrando-as para dentro do abrigo, além de empilhar sacos de terra nas entradas.

O réu Choe Han U também participou desse crime juntamente com os soldados estadunidenses. À frente de mais de dez integrantes dos grupos armados, entre eles Pak Hae Hwa, fez com que 27 pessoas, incluindo o chefe do Departamento de Comércio e Indústria do Comitê Popular do condado de Sinchon, cujo nome não foi identificado, morressem asfixiadas e fossem mortas pela explosão dentro do abrigo. Depois de confirmar no local que todos haviam sido mortos pela explosão, Harrison agradeceu aos participantes do crime, incluindo os soldados estadunidenses, dizendo que haviam feito um bom trabalho, e distribuiu um cigarro a cada um.

A partir das três horas da tarde de 23 de outubro de 1950, por ordem de Harrison, mais de 330 civis pacíficos foram novamente fuzilados pelos soldados estadunidenses e suas forças auxiliares na vala diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon. O réu Ri Tu Hyon participou diretamente desse crime, misturado entre os soldados estadunidenses.

Desde a invasão das tropas estadunidenses, os massacres de civis pacíficos continuaram ininterruptamente durante vários dias. Naturalmente, os massacres bestiais perpetrados pelos assassinos imperialistas estadunidenses prosseguiram sem cessar, em todos os lugares por onde passaram.

Do final de outubro até o fim de novembro de 1950, por ordem de Harrison, o réu Ho Pil Sun conduziu grupos de estudantes armados e, em mais de 40 ocasiões, participou, juntamente com os soldados estadunidenses, do fuzilamento de mais de 1.640 civis nas regiões de Nambu e Yongmun, no condado de Sinchon. Além disso, acompanhou Harrison e os soldados estadunidenses em duas rondas pelas 14 divisões administrativas do condado. No início de novembro daquele ano, ao chegarem a Kunghung, fuzilaram outros 15 civis. Durante as rondas, Harrison inspecionou mais de 1.100 pessoas detidas nas regiões percorridas, ordenou que fossem executadas rapidamente, explicou os métodos de massacre e demonstrou pessoalmente, por meio de suas ações, um "exemplo" de como fazê-lo.

Quando as ambições dos imperialistas estadunidenses de subjugar o povo coreano foram frustradas pelo avanço do heroico Exército Popular da Coreia e do Corpo de Voluntários do Povo Chinês, colocando-os diante de uma derrota desesperadora, a fúria dos canibalescos imperialistas estadunidenses tornou-se ainda mais feroz.

Em 7 de dezembro de 1950, por ordem desesperada de Harrison, que se preparava para fugir, 910 civis, incluindo mais de 200 crianças de colo, foram queimados vivos em dois armazéns.

Os soldados estadunidenses e seus cúmplices espalharam palha e madeira, incluindo galhos de macieira, sobre as cabeças das pessoas aprisionadas, despejaram gasolina e atearam fogo. Em seguida, lançaram todas as granadas disponíveis para dentro dos armazéns em chamas.

Entre os cadáveres encontrados no interior desses armazéns, foi possível identificar apenas alguns: os membros de uma família, incluindo a mãe, e Jong Song Nyo, menina de 16 anos, Jong Ok Nyo, menina de 14 anos, e Jong Jang Su, menino de 24 meses, residentes do cantão de Sinchon, condado de Sinchon; Ri Yong Guk, esposa grávida de Kim Sun Gyo, presidente do comitê popular de Choso-ri, cantão de Sinchon, e seu filho de três anos, Kim Song Min; Choe Yong Hwa, trabalhador braçal de Sajik-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, de 38 anos, sua esposa, de 32 anos, cujo nome não foi identificado, suas três filhas, de 3, 7 e 10 anos, e seu filho, de 13 anos; Kim Yun Guk, de 39 anos, residente no setor 5, quarteirão 7, de Chaekso-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, seu pai, de 65 anos, cujo nome não foi identificado, e sua esposa, que havia dado à luz havia dois meses, juntamente com o bebê; Kim Man Son, de 41 anos, professor da escola secundária de Sajik-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, sua esposa Mun Suk Hwa e seus três filhos; Yu Gam Su, que trabalhava na farmácia do Hospital Popular de Sinchon; e Ri Han Gu, funcionário da cooperativa de consumo do condado de Sinchon.

No interior do outro armazém, os cadáveres de mais de 200 crianças de colo estavam amontoados junto à entrada. Muitas dessas crianças, que morreram de fome e frio, haviam se arrastado desesperadamente em meio à agonia da morte, tentando escapar, e por isso tinham as unhas das mãos e dos pés desgastadas e ensanguentadas.

O réu Ho Pil Sun ordenou a mais de dez integrantes dos grupos de estudantes armados que comandava e com os quais participava do crime, entre eles Jang Ung Chan e Ri Won Tong, que lançassem mais de 80 granadas. Juntamente com os assassinos estadunidenses, também despiu muitas vítimas e as empurrou para dentro dos armazéns. Em seguida, lançou 15 granadas para dentro dos armazéns em chamas. O réu Yun Myong Won também participou diretamente desse crime. O réu Choe Han U participou do massacre junto com os soldados estadunidenses, transportando palha e colocando-a sobre as vítimas, antes de despejar gasolina sobre ela. As 38 mulheres e crianças de colo que ele havia capturado na região norte do condado de Sinchon e levado para lá, juntamente com o integrante dos grupos armados, também foram brutalmente assassinadas dentro desses armazéns.

Os réus Ho Pil Sun, Choe Han U, Ri Tu Hyon, Yun Myong Won e outros não se limitaram a participar diretamente desses massacres bestiais, ao lado dos assassinos estadunidenses, mas, por ordem de Harrison, também difundiram entre as amplas massas populares a mentira de que os imperialistas estadunidenses usariam bombas atômicas após sua retirada, recorrendo a esse pretexto para expulsar os habitantes para o sul. Isso foi uma medida tomada em conformidade com o plano dos imperialistas estadunidenses, esses canibais, que pretendiam expulsar todos os habitantes para o sul, sem deixar ninguém para trás, e exterminá-los, a fim de impedir o surgimento de "novos sucessores do comunismo".

Os massacres perpetrados pelos imperialistas estadunidenses contra os habitantes pacíficos foram cometidos sem exceção em todo o território invadido pelas demais feras imperialistas estadunidenses. Contudo, a crueldade e a bestialidade sem limites dos imperialistas estadunidenses não se manifestaram apenas nos assassinatos coletivos em massa mencionados acima, mas também se expressaram em diversas outras formas de violência, tão terríveis que mal podem ser descritas em palavras.

Em meados de novembro de 1950, em Ungbong-ri, cantão de Onchon, condado de Sinchon, o velho agricultor Yun In Jun, de 84 anos, teve todo o corpo do sogro, Yu Hung Yon, queimado com um ferro em brasa e, por fim, foi morto a golpes de picareta.

No final de outubro de 1950, em Ungbong-ri, cantão de Onchon, condado de Sinchon, dez membros da família de Ri Gwa foram massacrados sob a acusação de serem familiares de soldados do Exército Popular. Apenas o filho de Ri Gwa, Min Kyong Gwon, de 24 anos, e as crianças Min Kyong Ja, de 9 anos, e Min Kyong Yon, de 5 anos, foram enterrados vivos, enquanto o genro, Pak Su, de 22 anos, e sua esposa foram assassinados, cada um com uma estaca cravada nos órgãos genitais.

Em 17 de outubro de 1950, Song In Su, presidente do Comitê Popular de Kyongji-ri, cantão de Sinchon, condado de Sinchon, foi assassinado com um prego cravado no crânio. No mesmo dia, Kim In Yong, de 22 anos, esposa de um funcionário público e irmã mais velha de Kim In Ae, no cantão de Sinchon, condado de Sinchon, foi enterrada viva com seu filho de dois anos.

Pak Do Sop, de 54 anos, marido de U Mal Je, residente em Wolsan-ri, teve as mãos, as orelhas e o nariz perfurados com arame. Depois, uma placa de reconhecimento concedida a agricultores exemplares foi cravada em sua testa, e ele foi submetido a torturas cruéis até morrer. Sua nora, Ri Ok Yong, de 23 anos, que protestou contra essa atrocidade, foi presa e amarrada a uma estaca; em seguida, uma estaca foi cravada em seus órgãos genitais, e, por fim, ela foi morta depois de ser encharcada com gasolina e incendiada. Além disso, os filhos de U Mal Je — Pak Song Gwon, de 25 anos, Pak Jong Gwan, de 14 anos, Pak Song Il, de 7 anos, Pak Song Nyo, de 12 anos, e Pak Sun Hui, de 5 anos — foram todos espancados até a morte com martelos no próprio local. Por ser filho de um agricultor que cultivava a terra em grande escala, o menino Kim Jae Sun, de 13 anos, teve os dois olhos arrancados e foi assassinado. Em meados de outubro de 1950, o jovem Ri Pyong Jo, de 17 anos, dirigente da organização da União das Crianças em uma escola secundária, foi morto quando seus algozes pressionaram com os pés, de ambos os lados, uma estaca colocada transversalmente atrás de seu pescoço.

Em 3 de dezembro de 1950, dois soldados estadunidenses estupraram a professora Mun Ye Bin, de uma escola secundária feminina, que estava detida, e sua irmã mais nova, e depois as fuzilaram. As feras imperialistas estadunidenses também mantiveram presas em Onchon, condado de Sinchon, as mulheres Ri Gun Yon, de 20 anos, Paek Yon Hwa, de 17 anos, Pak Chun Ja, de 21 anos, Han Ok Son, de 19 anos, Yu Myong Ok, de 18 anos, e Kim Kwang Nyo, de 16 anos, entre muitas outras, estuprando-as antes de fuzilá-las.

Assim, ficou comprovado de maneira incontestável, por meio do julgamento público realizado por este Tribunal, que a justificativa absurda e bestial apresentada pelos imperialistas estadunidenses para seus massacres — segundo a qual pretendiam eliminar os comunistas ou os membros do Partido do Trabalho a fim de salvar o norte da Coreia do "perigo do comunismo" — partia, na realidade, do plano sinistro de considerar todo o povo coreano patriótico como inimigo, exterminando-o.

Nos massacres indiscriminados contra os habitantes pacíficos, não foram mobilizados apenas os soldados estadunidenses e seus auxiliares, os fantoches sul-coreanos, mas também unidades especiais disfarçadas sob o manto da religião, compostas por capelães militares ou sacerdotes, os chamados "chaplains". Esses supostos pastores ou sacerdotes não eram apenas propagandistas do anticomunismo e da adoração aos Estados Unidos, mas também participaram diretamente dos crimes de massacre. Além disso, os estadunidenses, começando por Harrison, transportaram à força para o sul muitos dos patriotas que haviam prendido, para dar-lhes um destino determinado. Em novembro de 1950, mais de 490 patriotas presos em Munhwa, condado de Sinchon, foram levados à força para o sul por ordem de Harrison. O réu Ho Pil Sun transportou esses mais de 490 patriotas de Munhwa até Sinchon e os entregou aos estadunidenses.

Dessa maneira, sob o comando direto de Harrison, as feras imperialistas estadunidenses massacraram, em menos de dois meses de ocupação temporária, um total de 35.383 habitantes pacíficos somente no condado de Sinchon, incluindo 16.224 mulheres.

Essas atrocidades de massacre cometidas pelas feras imperialistas estadunidenses eram invariavelmente acompanhadas, como uma sombra, pelo saque dos bens do povo coreano. Os invasores saqueavam à vontade as enormes riquezas, os metais preciosos, os artigos de uso diário, as roupas, os alimentos, o dinheiro e os animais domésticos que o povo coreano havia acumulado graças aos frutos da construção democrática. Durante o período de ocupação temporária, somente no condado de Sinchon, saquearam os bens de numerosos agricultores, incluindo mais de 1.320 cabeças de gado bovino, 280 cavalos, 2.610 porcos e mais de 5.630 galinhas.

Mesmo depois de sofrerem golpes decisivos infligidos pelo heroico Exército Popular da Coreia e pelo Corpo de Voluntários do Povo Chinês, sendo expulsas em vergonhosa derrota, as feras imperialistas estadunidenses persistiram em suas ilusões de agressão. Começaram a enganar e intimidar as pessoas da parte norte que haviam levado consigo ou que as haviam seguido, recrutando-as e treinando-as como espiões militares para utilizá-las na condução da guerra de agressão. Assim, infiltraram como espiões militares na região de Sinchon os réus Ho Pil Sun, Choe Han U, Yun Myong Won e outros, que haviam fugido para o sul em seu encalço.

O réu Ho Pil Sun, depois de se tornar espião militar dos invasores, infiltrou-se na região de Sinchon em meados de fevereiro de 1951, disfarçando-se de comandante de companhia do Exército Popular. Na região de Sinchon, recolheu informações sobre as disposições militares, os movimentos das tropas, as instalações militares e a localização de instituições importantes. Quando se dirigia para entregá-las ao inimigo, foi capturado pelo Exército Popular, mas conseguiu fugir, voltou a infiltrar-se na região de Sinchon e continuou suas atividades de espionagem. O réu Choe Han U tornou-se espião militar em meados de março de 1951 e recebeu a missão de destruir instalações militares para facilitar a sabotagem da retaguarda. Infiltrou-se na região de Sinchon e continuou suas atividades. O réu Yun Myong Won tornou-se espião militar no início de fevereiro de 1951 e, juntamente com outros quatro, incluindo Kim Tok Jun, infiltrou-se na região de Sinchon. Durante o trajeto, no cantão de Tura, condado de Sinchon, capturou dois familiares de membros do Partido do Trabalho, levou-os à força até Nungdong-ri, na parte sul do condado de Sinchon, e os massacrou, prosseguindo depois com suas atividades de espionagem. Entretanto, esses espiões militares acabaram sendo capturados durante suas atividades, sem conseguirem alcançar seus objetivos.

Confirmando que os fatos ocorridos na região de Sinchon, na província de Hwanghae, da República, comprovados acima, constituem apenas uma parte das atrocidades criminosas cometidas pelos invasores imperialistas estadunidenses na Coreia, mas demonstram concretamente um conjunto representativo dessas atrocidades, este Tribunal reconhece os crimes cometidos individualmente por cada réu nos seguintes termos.

1. O réu Ho Pil Sun foi expulso do segundo ano da Escola Secundária Superior de Sinchon por embriaguez, vida dissoluta e pequenos furtos. Depois, viveu como delinquente, sem profissão. Quando os estadunidenses invadiram Sinchon, tornou-se chefe dos estudantes da chamada unidade de estudandes armados organizada por Harrison e:

(a) Participou diretamente, como um dos executores dos massacres, no assassinato de mais de 900 habitantes diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro de 1950; no massacre de mais de 520 pessoas no abrigo antiaéreo atrás do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon, em 20 de outubro do mesmo ano; no massacre de mais de 1.640 pessoas em Yongmun e Nambu, no condado de Sinchon, entre o final de outubro e o final de novembro daquele ano; e no massacre de mais de 910 pessoas em dois armazéns situados em Wonam-ri, no condado de Sinchon, em 7 de dezembro do mesmo ano.

(b) Seguiu os estadunidenses em retirada para o sul em dezembro de 1950, tornou-se espião militar e infiltrou-se na região de Sinchon em fevereiro de 1951 para realizar atividades de espionagem.

2\. O réu Choe Han U era comerciante ambulante. Assim que os estadunidenses invadiram Sinchon, tornou-se investigador da chamada unidade policial e:

(a) Participou diretamente do massacre de mais de 900 habitantes na vala diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro de 1950; do massacre de mais de 520 pessoas no abrigo antiaéreo atrás do Departamento de Segurança Interna do condado de Sinchon, em 20 de outubro do mesmo ano; e do massacre de mais de 910 pessoas em dois armazéns situados em Wonam-ri, no condado de Sinchon, em 7 de dezembro daquele ano.

(b) Fugiu para o sul em dezembro de 1950, acompanhando as forças inimigas em retirada. Depois, tornou-se espião militar, infiltrou-se na região de Sinchon em março de 1951, realizou atividades de espionagem e acabou sendo capturado.

3\. O réu Ri Tu hYon estava desempregado. Quando os estadunidenses entraram na região de Sinchon, juntou-se à chamada unidade armada e participou diretamente do massacre de mais de 900 habitantes na vala diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro de 1950; do massacre de mais de 320 pessoas na mesma vala, em 19 de outubro daquele ano; e do massacre de mais de 330 pessoas na vala ao redor da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 23 de outubro.

4\. O réu Yun Myong Won era cristão. Assim que os estadunidenses invadiram a região de Sinchon, juntou-se à chamada unidade policial e:

(a) Participou diretamente do massacre de mais de 900 habitantes na vala diante da sede do Partido do Trabalho do condado de Sinchon, em 18 de outubro de 1950, e do massacre de mais de 910 pessoas em dois armazéns situados em Wonam-ri, no condado de Sinchon, em 7 de dezembro do mesmo ano.

(b) Fugiu para o sul acompanhando os estadunidenses em retirada, em dezembro de 1950. Posteriormente, tornou-se espião militar dos EUA, assassinou dois habitantes pacíficos, infiltrou-se na região de Sinchon e realizou atividades de espionagem.

Os fatos acima foram comprovados pelas 28 fotografias apresentadas como provas de número 1 a número 28 durante o julgamento público, pelos depoimentos de 16 testemunhas, entre elas O Tae Sin, Kim Man Sok, U Mal Je, Kim Hyon Chun, O Su Bok, Ri Buk Bae e Pak Sol Hwa, bem como pelas confissões dos próprios réus.

Os atos criminosos do réu Ho Pil Sun descritos na alínea (a), os atos criminosos do réu Choe Han U descritos na alínea (a), os atos criminosos do réu Yun Myong Won descritos na alínea (a) e os atos criminosos do réu Ri Tu Hyon constituem, cada um, crimes graves contra o Estado, cometidos em conluio com o inimigo nas regiões ocupadas pelos imperialistas estadunidenses, traindo a pátria e recorrendo a todos os meios cruéis para aterrorizar e massacrar inúmeros patriotas e habitantes. Cada um desses atos constitui crime previsto no artigo 1.º do Decreto n.º 1, de 17 de abril de 1951, do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia.

Além disso, os atos criminosos do réu Ho Pil Sun descritos na alínea (b), os atos criminosos do réu Choe Han U descritos na alínea (b) e os atos criminosos do réu Yun Myong Won descritos na alínea (b), consistentes em tentar descobrir informações militares confidenciais da República e fornecê-las ao inimigo por meio de espionagem, constituem crimes previstos no artigo 71.º do Código Penal da República Popular Democrática da Coreia. Após reconhecer esses fatos, este Tribunal profere a sentença nos termos dos artigos 223.º, 228.º, inciso 1, e 237.º do Código de Processo Penal.

Dispositivo

Quanto ao réu Ho Pil Sun, aplica-se a pena de morte por enforcamento, nos termos do artigo 1.º do Decreto n.º 1, de 17 de abril de 1951, do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, e a pena de 15 anos de prisão, nos termos do artigo 71.º do Código Penal. De acordo com o artigo 50.º, inciso 1, do Código Penal, condena-se o réu à pena de morte por enforcamento, prevista no artigo 1.º do Decreto de 17 de abril de 1951 do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia. Todos os seus bens serão confiscados.

Quanto ao réu Choe Han U, aplica-se a pena de morte por enforcamento, nos termos do artigo 1.º do Decreto n.º 1, de 17 de abril de 1951, do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, e a pena de 10 anos de prisão, nos termos do artigo 71.º do Código Penal. De acordo com o artigo 50.º, inciso 1, do Código Penal, condena-se o réu à pena de morte por enforcamento, prevista no artigo 1.º do Decreto de 17 de abril de 1951 do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia. Todos os seus bens serão confiscados.

O réu Ri Tu Hyon é condenado à pena de morte por enforcamento, nos termos do artigo 1.º do Decreto de 17 de abril de 1951 do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia. Todos os seus bens serão confiscados.

Quanto ao réu Yun Myong Won, aplica-se a pena de morte por enforcamento, nos termos do artigo 1.º do Decreto n.º 1, de 17 de abril de 1951, do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia, e a pena de 5 anos de prisão, nos termos do artigo 71.º do Código Penal. De acordo com o artigo 50.º, inciso 1, do Código Penal, condena-se o réu à pena de morte por enforcamento, prevista no artigo 1.º do Decreto de 17 de abril de 1951 do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia. Todos os seus bens serão confiscados.

29 de maio de 1952

República Popular Democrática da Coreia

Seção Penal do Supremo Tribunal

Juiz presidente: Pak Kyong Ho

Jurados: Ri Hong Ryol e Kim Mun Sok

O presidente do tribunal anunciou a sentença e informou aos réus que, caso tivessem objeções à presente decisão, poderiam apresentar um pedido de indulto ao Presidium da Assembleia Popular Suprema.

A sessão pública foi encerrada às 15 horas.

Publicado pela Editora Nacional em 30 de novembro de 1952

Tradução: Lenan Menezes da Cunha

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