Relatório do camarada Kim Il Sung na Conferência Conjunta dos Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul
21 de abril de 1948
Honrados representantes:
Antes de apresentar o relatório sobre a situação da Coreia do Norte, direi algumas palavras acerca do significado político da Conferência que estamos realizando.
Este evento tem grande importância, tanto nacional quanto internacional. Seu significado consiste, antes de tudo, no fato de que, pela primeira vez após a libertação de nossa pátria do domínio colonial do imperialismo japonês, os representantes dos partidos políticos e das organizações sociais da Coreia do Norte e do Sul se reúnem em um mesmo lugar. Por outro lado, sua importância reside no fato de que esta Conferência Conjunta do Norte e do Sul se realiza em circunstâncias nas quais o imperialismo ianque ocupou a metade sul da pátria e manobra abertamente para transformá-la em sua colônia. Em outras palavras, foi convocada em um momento crítico, quando se aproxima o perigo da divisão de nossa pátria.
Nesta histórica Conferência, devemos examinar profundamente a situação política vigente na Coreia do Norte e do Sul e tomar as medidas fundamentais para prevenir a crise da divisão nacional.
Senhores representantes:
A situação política atual em nossa pátria é muito complexa e aguda. Os imperialistas ianques manobram para dividir nossa nação e transformar nosso país em sua colônia, com o apoio dos pró-japoneses e dos traidores da nação. Para concretizar essa perversa ambição, procuram realizar na Coreia do Sul, sob a supervisão da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", eleições separadas destinadas a estabelecer um chamado "governo de toda a nação". A nação coreana, com seus 30 milhões de habitantes, corre o perigo de ser novamente escravizada. Diante dessa situação, o povo coreano intensifica como nunca a luta contra a política colonialista dos imperialistas estadunidenses. Essa luta, iniciada contra a política de escravização colonial dos imperialistas ianques sob o lema de se opor à farsa "eleitoral" na Coreia do Sul e construir uma Coreia democrática, reunificada e independente, está produzindo grandes resultados.
O que caracteriza a atual situação política de nossa pátria é que a nação coreana, com seus 30 milhões de habitantes e sua longa história de cinco milênios, foi artificialmente dividida pelo Paralelo 38. Assim dividido entre Norte e Sul, o povo coreano trava uma luta pelo orgulho, pela liberdade e pela independência de sua pátria.
O povo norte-coreano já alcançou êxitos notáveis na histórica causa da reconstrução democrática do país.
Entretanto, o povo sul-coreano, sob a cruel dominação dos elementos reacionários manipulados pelas tropas ianques, continua na mesma situação miserável que sofreu durante o período do imperialismo japonês.
Durante 36 anos, fomos vítimas da dominação colonial do imperialismo japonês. Esses 36 anos constituíram uma época sombria de escravidão para nossa nação. Embora o imperialismo japonês tenha construído algumas indústrias em nosso país, seu objetivo não era beneficiar a nação coreana, mas despojá-la de seus recursos, explorar nosso povo e preparar uma guerra de agressão contra a Ásia.
Naquela época, os saqueadores imperialistas japoneses submeteram o povo coreano a uma cruel exploração e opressão.
Considerando os coreanos uma "nação inferior", não lhes permitiam participar da administração das fábricas, empresas e instituições estatais.
Sob a proteção dos imperialistas japoneses encontrava-se apenas um punhado de pró-japoneses e traidores da nação que, afastados do povo, haviam se tornado confidentes e lacaios daqueles.
Com o objetivo de paralisar a consciência nacional do povo coreano, os imperialistas japoneses procuraram suprimir nossa cultura nacional, com sua longa história de cinco milênios, e impuseram à nossa nação sua língua, seus costumes, sua cultura e o chamado "xintoísmo".
Com a libertação de nossa pátria do jugo imperialista japonês, em agosto de 1945, chegou ao fim, para nossa nação, a época de desprezo e servidão que o povo sofrera nas profundezas de sua existência. Abriu-se diante do povo coreano um amplo caminho para uma nova vida.
As tropas agressoras dos imperialistas ianques entraram na Coreia do Sul assim que a guerra terminou, sem terem disparado um único tiro. Em um acordo firmado durante a guerra, os governos dos Estados Unidos e da União Soviética concordaram com a divisão temporária de nosso território ao longo do Paralelo 38 de latitude norte, ficando o exército soviético encarregado da zona ao norte do Paralelo e o exército ianque, da zona ao sul.
Assim, o Paralelo 38 era uma linha provisória estabelecida de acordo com o pacto concluído entre os dois países, a União Soviética e os Estados Unidos, durante a guerra. Entretanto, agora parece mais uma fronteira que divide nosso país em Norte e Sul. O fato de o exército soviético ter entrado na zona ao norte do Paralelo 38, enquanto as tropas ianques ocupavam a zona sul, fez com que o Norte e o Sul da Coreia seguissem caminhos opostos.
Como todos sabem, no final de 1945, a Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países adotou uma resolução sobre a Coreia, assinada tanto pela União Soviética quanto pelos Estados Unidos.
Não me deterei neste problema. Mas o que necessariamente deve ser ressaltado aqui é que o exército soviético, estacionado na Coreia do Norte, tem seguido invariavelmente o caminho da implementação da referida resolução; em contrapartida, as tropas agressoras do imperialismo ianque, ocupantes da Coreia do Sul, têm seguido o caminho da sabotagem dessa resolução.
Quanto à situação vigente na Coreia do Sul, me limitarei a falar de apenas um assunto, certo de que os representantes vindos daquela região se referirão a ela detalhadamente, com base nos inúmeros fatos que terão presenciado.
Após a libertação de nosso país do domínio colonial do imperialismo japonês, começaram imediatamente a ser criados comitês populares em todas as partes da Coreia do Norte e do Sul. Eles foram fundados pela vontade do povo e pelas próprias mãos deste. Isso expressava a legítima exigência popular de organizar, por si mesmo, os órgãos de poder na pátria libertada e estabelecer o mais rapidamente possível a ordem e a estabilidade da vida. Também é um fato universalmente conhecido que se tentou convocar em Seul um congresso dos comitês populares de toda a Coreia, com a participação dos representantes dos comitês populares assim organizados.
Mas essa tendência não agradava aos imperialistas ianques. Para estes, empenhados no sinistro plano de transformar nosso país em sua colônia, era mais conveniente transferir o poder para as mãos dos traidores da nação e de outros reacionários que lhes prestavam fiel serviço, renegando a pátria e o povo, do que entregá-lo ao povo. Foi assim que optaram por dissolver os comitês populares na Coreia do Sul por meio de métodos brutais sem precedentes.
Dessa maneira, a administração militar estadunidense privou completamente o povo sul-coreano do poder e, longe de executar a resolução da Conferência de Moscou, manobrou por todos os meios para sabotá-la.
Assim, tornou-se impossível na Coreia do Sul estabelecer o Poder popular por meio do movimento criador do povo e reconstruir a pátria pela via democrática. A Coreia do Sul transformou-se em um Estado policial submetido aos imperialistas ianques, como até mesmo um representante da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" teve de reconhecer.
1. Situação da Coreia do Norte
A situação da Coreia do Norte é diametralmente oposta à da Coreia do Sul. O exército soviético, aquartelado aqui, garantiu ampla liberdade ao povo norte-coreano, executando fielmente a resolução da Conferência de Moscou sobre a Coreia. Graças a isso, o povo pôde organizar os órgãos de poder com as próprias mãos.
Na Coreia do Norte, os comitês populares, longe de serem dissolvidos como na Coreia do Sul, passaram a desenvolver uma ampla gama de atividades livres, encarregando-se de estabelecer a ordem no país e estabilizar a vida do povo. Sob a direção dos comitês populares, realizou-se um grandioso trabalho de construção estatal destinado a restaurar a indústria, os transportes, as comunicações e o comércio.
Já em 1945 e 1946, os comitês populares alcançaram êxitos notáveis no trabalho de construção estatal e gozavam de grande prestígio entre amplas massas.
Os novos quadros dirigentes, oriundos do povo, foram formados e aperfeiçoados no decorrer de sua atividade prática nos órgãos do Poder popular, nos partidos políticos e nas organizações sociais da Coreia do Norte. Muitos trabalhadores que dedicaram seus esforços à criação dos comitês populares tornaram-se hoje dirigentes competentes dos órgãos do Poder popular.
Essa forma de Poder popular, comprovada na prática pela tarefa de destruir os aparelhos de dominação do imperialismo japonês e estabelecer novos órgãos de poder, é a forma de poder mais adequada às condições de nosso país. Isso se comprova claramente pelo fato de que o prestígio dos comitês populares cresce a cada dia.
Enquanto a Coreia do Norte experimentava um desenvolvimento crescente nos campos político, econômico e cultural, seu povo, com o objetivo de consolidar juridicamente essa forma de poder, realizou, no final de 1946, eleições para os comitês populares das províncias, cidades e condados, e, no início de 1947, eleições para os comitês populares de cantão e comuna.
As eleições para os comitês populares de todos os níveis foram realizadas de maneira consequentemente democrática, com base no princípio do sufrágio universal, igualitário e direto, por meio de votação secreta. Foram as primeiras eleições democráticas da história da Coreia realizadas mediante a expressão mais ampla e genuinamente livre da vontade popular. Representantes de todas as classes e camadas do povo, dos partidos políticos e das organizações sociais da Coreia do Norte participaram ativamente de sua preparação e realização. Nas comissões eleitorais das eleições para os comitês populares das províncias, cidades e condados trabalharam 80.470 pessoas. Destas, as mulheres representavam 9%. O número de pessoas excluídas das primeiras eleições, de acordo com o regulamento eleitoral, foi de apenas 4.387. Entre elas estavam pró-japoneses, pessoas com transtornos mentais e aquelas que haviam sido privadas do direito de voto por sentença judicial. Elas não chegavam a representar um milésimo do total de eleitores.
As eleições foram realizadas em uma atmosfera de intenso entusiasmo político geral. Nas primeiras eleições para os comitês populares de todos os níveis, participou 99,6% do total de eleitores. Isso demonstra que os comitês populares gozam de grande prestígio entre as massas.
Nas eleições para os comitês populares das províncias, cidades e condados e nas de cantão e de comuna, foram eleitas 70.217 pessoas. Esse número demonstra eloquentemente a ampla participação das massas populares nos órgãos de poder da Coreia do Norte.
Os comitês populares são compostos por representantes de todas as classes e camadas do povo: operários, camponeses, funcionários, intelectuais, comerciantes, empresários e religiosos. Também fazem parte deles representantes dos partidos políticos e das organizações sociais democráticas da Coreia do Norte. Entre os membros eleitos, as mulheres representam 13,5%.
Em fevereiro de 1947, realizou-se o congresso dos comitês populares, no qual foi constituída, por votação secreta, a Assembleia Popular da Coreia do Norte, órgão supremo do Poder popular. A Assembleia Popular, assim como os comitês populares, é composta por representantes de todas as classes e camadas do povo e dos diversos partidos políticos e organizações sociais da Coreia do Norte. Dessa maneira, as eleições para os comitês populares em todos os níveis da Coreia do Norte foram realizadas de forma consequentemente democrática. Essas eleições consolidaram legalmente os órgãos do Poder popular.
Já se passou um ano desde as eleições para os órgãos de poder de todos os níveis. Durante esse período, os comitês populares tornaram-se organismos mais sólidos. No decorrer da construção democrática, os quadros dirigentes do Poder popular acumularam muita experiência e adquiriram excelentes capacidades para resolver corretamente os complexos problemas que surgem na vida política, econômica e cultural do país. Essa realidade irrefutável reduz a nada a maligna propaganda dos imperialistas estadunidenses, que alardeiam falsamente que nossa nação ainda não está capacitada para administrar o Estado por conta própria.
Os comitês populares colheram abundantes frutos em todos os campos, entre os quais o mais importante foi a realização das reformas democráticas na Coreia do Norte. Essas reformas foram executadas pelo Poder popular com o apoio ativo e amplo das massas.
A implementação dessas reformas elevou enormemente o entusiasmo patriótico das massas populares na Coreia do Norte. O povo compreendeu, por meio da experiência prática, que os comitês populares por ele organizados concretizam da maneira mais fiel suas aspirações.
O prolongado domínio colonial do imperialismo japonês deixou consequências nefastas em nossa economia e cultura nacionais.
Os imperialistas japoneses conservaram as relações feudais no campo coreano, freando o desenvolvimento da economia rural. Os camponeses coreanos foram submetidos a uma dupla opressão e exploração por parte dos imperialistas japoneses e dos latifundiários nativos. Sofriam sob o peso de diversos impostos e de um sistema espoliador de contribuições, enquanto empobreciam cada vez mais devido às cruéis taxas de arrendamento. A renda da terra chegava, em média, a 50% da colheita, podendo alcançar até 90%. Segundo dados publicados pelos próprios imperialistas japoneses, em 1944 eles tomaram dos camponeses norte-coreanos 1.300.298 toneladas de cereais, de uma produção total de 2.167.163 toneladas.
Na Coreia do Norte, havia ao todo 1.004.600 famílias camponesas, das quais os latifundiários representavam apenas 4%. Apesar de serem tão poucos, eles arrendavam aos camponeses 1.144.900 hectares de terra, ou seja, 58,2% de toda a superfície cultivada da Coreia do Norte. Quase 80% das famílias camponesas não possuíam terras e eram obrigadas a cultivar, mediante arrendamento, as terras dos latifundiários, vivendo em condições semelhantes às dos servos. É natural, portanto, que, após a libertação, os camponeses coreanos desejassem tão ardentemente a reforma agrária.
O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou, em março de 1946, a Lei da Reforma Agrária. No decorrer da reforma agrária, foram confiscados, sem indenização, 1.000.325 hectares de terras dos latifundiários, distribuídos gratuitamente aos camponeses que as trabalhavam. Das 981.390 hectares de terras distribuídas no total, 22.387 foram entregues aos peões agrícolas, 603.407 aos arrendatários sem terra, 345.974 aos camponeses com pouca terra e 9.622 aos latifundiários que, transferidos para outros condados, tiveram de cultivar a terra com as próprias mãos. Como resultado da reforma agrária, mais de 700 mil famílias camponesas foram libertadas do jugo dos latifundiários.
O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou a Lei do Imposto Agrícola em Espécie com o objetivo de fomentar a economia rural e melhorar as condições de vida dos camponeses.
A reforma agrária criou condições para elevar rapidamente o nível de vida material e cultural dos camponeses. Eis alguns fatos que demonstram claramente o quanto suas condições de vida melhoraram após a reforma agrária.
Em apenas um ano, entre a realização da reforma agrária e o final de junho de 1947, por exemplo, na província de Phyongan Sul foram construídas 10.740 novas moradias e reconstruídas 7.000 casas camponesas. Das novas construções, 7.795 destinavam-se a antigos arrendatários que viviam em extrema pobreza durante o período do imperialismo japonês.
Além disso, após a reforma agrária, as forças produtivas do campo desenvolveram-se rapidamente. Até junho de 1947, os camponeses da província de Phyongan do Sul conseguiram 4.766 bois e cerca de 10.730 novos implementos agrícolas, incluindo 1.880 debulhadoras. Em todas as regiões rurais da Coreia do Norte, também foram executados em grande escala projetos de construção de instalações de irrigação. Somente em 1947, foram concluídas 55 obras de irrigação, com capacidade para irrigar mais de 20 mil hectares de arrozais.
A nacionalização das indústrias, dos transportes, das comunicações e dos bancos, realizada após a reforma agrária, privou os elementos reacionários e pró-japoneses da Coreia do Norte de sua base econômica. Ao perderem sua posição predominante no campo econômico, perderam automaticamente também sua influência política. Essa é uma das maiores vitórias alcançadas pelas massas populares.
Com a passagem das principais artérias econômicas para as mãos do povo, desencadeou-se entre os operários e empregados um grandioso movimento patriótico de produção, sem precedentes na história de nosso país.
Nas fábricas, empresas, minas de carvão e minas de outros minerais, a produtividade dos operários aumentou consideravelmente. Em 1947, no setor industrial, ela cresceu 51% em relação a 1946.
Os operários e empregados da Coreia do Norte estão eliminando com êxito as consequências nefastas que o domínio do imperialismo japonês deixou na indústria.
Já no início de 1947, os operários norte-coreanos conseguiram fabricar quase 70 variedades de produtos industriais, incluindo diversos tipos de tornos e transformadores, que não eram produzidos durante o imperialismo japonês e precisavam ser obtidos no Japão. Em 1948, produzirão mais de 100 tipos de novos produtos industriais, entre eles motores elétricos, diversas peças elétricas, máquinas agrícolas e máquinas para a mineração.
Durante o domínio do imperialismo japonês, os operários coreanos sofreram uma exploração cruel. Nas fábricas e empresas, eram submetidos a trabalhos extenuantes durante 12 a 14 horas por dia. A situação das operárias e dos operários adolescentes era ainda pior. Os imperialistas japoneses deixaram fisicamente incapacitados membros das novas gerações de nossa nação. Não existia nenhum sistema de proteção do trabalho nem de seguro social para os operários e empregados.
Hoje, porém, graças à Lei do Trabalho promulgada pelo Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, os operários e empregados alcançaram uma melhoria radical em suas condições de vida e de trabalho, além de terem seus direitos fundamentais garantidos.
Nos termos dessa Lei do Trabalho, foi estabelecida a jornada de oito horas para os operários e empregados e de sete horas para aqueles que trabalham em condições nocivas. Também foram estabelecidas jornadas de seis ou cinco horas para os operários adolescentes de 14 a 16 anos, e o trabalho de menores de 14 anos foi proibido por lei. Além disso, instituiu-se um sistema de férias remuneradas de duas semanas por ano para os operários e empregados e de um mês para os operários adolescentes. Ao mesmo tempo, foram adotadas todas as medidas necessárias para garantir o seguro social e a proteção do trabalho.
Com o rápido desenvolvimento da economia nacional em todos os seus setores, o desemprego desapareceu completamente na Coreia do Norte; pelo contrário, sente-se falta de mão de obra.
Como resultado da aplicação da Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher, as mulheres norte-coreanas participam da vida política, econômica e cultural do país com os mesmos direitos que os homens. Há 9.522 mulheres entre os membros dos comitês populares e 34 mulheres deputadas na Assembleia Popular. Assim, numerosas mulheres norte-coreanas estão se destacando como importantes ativistas sociais e estatais.
Sob o domínio do imperialismo japonês, nossa nação vivia na ignorância e na escuridão. Segundo dados estatísticos publicados pelo Governo-Geral da Coreia, em 1942 havia na Coreia do Norte 1.339 escolas primárias, frequentadas por 630 mil crianças, número que representava apenas 58% do total de crianças em idade escolar. Assim, mais de 400 mil crianças em idade escolar não conseguiam ingressar na escola a cada ano. É desnecessário dizer que eram filhos e filhas dos pobres. Em 1942, havia na Coreia do Norte 43 escolas secundárias masculinas e femininas, frequentadas por apenas cerca de 9.560 alunos, entre os quais quase não se encontravam filhos de camponeses pobres e de operários. Por exemplo, em 1942, entre as 647 alunas da Escola Secundária Superior Feminina de Somun, em Pyongyang, havia apenas uma filha de operário e duas filhas de camponeses pobres.
Com a reforma democrática no setor educacional, abriu-se o caminho para o estudo aos filhos e às filhas das amplas massas trabalhadoras.
Atualmente, três quartos do total de alunos da Coreia do Norte são filhos de operários e camponeses. Dessa maneira, também no campo da educação popular, as consequências nefastas do imperialismo japonês estão sendo eliminadas gradualmente. A rede escolar está se expandindo e a qualidade do conteúdo educacional está melhorando.
Hoje, há na Coreia do Norte 3.008 escolas primárias, frequentadas por mais de 1.340.000 crianças, número superior ao dobro do registrado em 1942. Existem também 629 escolas secundárias, com mais de 250 mil alunos, o que representa um aumento de mais de 26 vezes em relação à época do imperialismo japonês.
Se, durante o período do domínio do imperialismo japonês, havia na Coreia do Norte apenas três escolas técnicas secundárias especializadas e seis escolas normais, hoje existem 44 e 13, respectivamente. Naquela época, não havia sequer um instituto na Coreia do Norte, mas hoje funcionam uma universidade, um instituto tecnológico, um instituto de medicina e três institutos de formação de professores.
O Poder popular dedica grande atenção à tarefa de garantir os estudos dos alunos. Por decisão do Comitê Popular da Coreia do Norte, mais da metade dos estudantes de todos os institutos e escolas especializadas recebe bolsas de estudo estatais. Graças aos enormes esforços empreendidos pelo Poder popular para publicar livros didáticos na língua materna, em 1946 foram publicados mais de quatro milhões de exemplares de diversos tipos de livros didáticos e, em 1947, 7 milhões e 538 mil exemplares de 75 tipos.
Entre as amplas massas trabalhadoras, às quais o caminho dos estudos era vedado antigamente, a paixão pelo estudo cresce a cada dia. Atualmente, mais de um milhão e 394 mil trabalhadores estudam nas escolas de língua coreana e nas escolas para adultos, e mais de 800 mil pessoas foram libertadas do analfabetismo já em 1947. Além disso, temos atualmente em funcionamento 95 escolas secundárias para adultos.
Se, durante o período do imperialismo japonês, havia na Coreia do Norte apenas sete salas de leitura e nenhuma biblioteca, hoje temos 103 bibliotecas e 7.780 salas de propaganda democrática. Essas salas, distribuídas por todas as regiões rurais da Coreia do Norte, servem como centros culturais para as massas. Por toda parte, também se vê a construção de clubes. Na época do imperialismo japonês, a Coreia do Norte não possuía sequer um clube, mas hoje conta com 168. O número de teatros e cinemas também aumentou. Após a libertação, foram fundados os Estúdios Cinematográficos da Coreia do Norte, que já produziram quatro ou cinco documentários e, neste ano, produzirão um filme de ficção. Como se pode ver, nossa cultura nacional está sendo recuperada e desenvolvida rapidamente na Coreia do Norte.
As reformas democráticas na Coreia do Norte criaram condições favoráveis à restauração e ao desenvolvimento da economia nacional. Os esforços que o povo norte-coreano dedicou à construção dos alicerces de uma economia nacional independente e à edificação de uma pátria rica e poderosa refletem-se claramente nos resultados da produção alcançados em 1947.
Em 1947, o volume de produção de alguns importantes produtos industriais aumentou, em comparação com 1946, em 138% no caso do carvão, 133% no caso do ferro-gusa, 12 vezes no caso do aço, 95% no caso dos fertilizantes químicos, 117% no caso do carbureto, 16 vezes no caso dos artigos de uso diário e 96% no caso dos tecidos. Dessa maneira, o plano de recuperação e desenvolvimento da economia nacional para 1947 foi superado.
A Assembleia Popular da Coreia do Norte já aprovou o plano de desenvolvimento da economia nacional para 1948. Os resultados da produção no primeiro trimestre deste ano nos convencem de que esse plano também será cumprido com êxito.
Graças a esse desenvolvimento da economia nacional, estamos em condições de abastecer satisfatoriamente o povo com alimentos e artigos de primeira necessidade. Os artigos de primeira necessidade são fornecidos a preços muito baixos aos operários e empregados, e aqueles que superam suas metas de produção recebem até mesmo rações adicionais.
O comércio e a indústria local desempenham um papel importante no abastecimento da população com artigos de primeira necessidade. Não apenas as empresas estatais e as cooperativas de consumo se empenham em seu desenvolvimento, mas também os comerciantes e industriais privados, que gozam de liberdade empresarial nos termos da lei.
A reforma monetária realizada no final de 1947 contribuiu consideravelmente para elevar a renda real dos operários e empregados.
Em março de 1948, os preços dos principais artigos de primeira necessidade foram reduzidos consideravelmente em relação aos praticados em 1º de dezembro de 1947. O preço do arroz por mal pequeno foi reduzido de aproximadamente 750 para 230 wons, e o do painço, de cerca de 700 para 200 wons.
Se não forem promovidos o comércio estatal e o comércio das cooperativas de consumo, e se não for desenvolvida a indústria local estatal, será impossível controlar os preços do mercado e, consequentemente, impedir que a renda real dos operários e empregados flutue de acordo com esses preços. Essa é uma das razões pelas quais dedicamos considerável atenção à promoção do comércio estatal e das cooperativas de consumo, bem como ao desenvolvimento da indústria local estatal.
O Comitê Popular da Coreia do Norte também dedicou grande atenção à melhoria da saúde pública. Nos dois anos e meio posteriores à libertação, o número de hospitais estatais aumentou 7,7 vezes, e o número de leitos disponíveis, 7,6 vezes. No mesmo período, o número de postos de consulta e clínicas aumentou 14 vezes. Com o desenvolvimento dos serviços de saúde pública, diversas epidemias diminuíram consideravelmente.
Como vimos, em pouco tempo após a libertação, o Comitê Popular da Coreia do Norte realizou feitos brilhantes.
No início de fevereiro do corrente ano, a Assembleia Popular da Coreia do Norte decidiu organizar uma comissão constitucional e submeter à discussão de todo o povo o projeto de Constituição provisória da Coreia que essa comissão elaborasse. O que chama a atenção no decorrer da atual discussão do projeto de Constituição é que a esmagadora maioria do povo, não apenas da Coreia do Norte, mas também da Coreia do Sul, apoia entusiasticamente esse projeto. Naturalmente, isso não é obra do acaso. O projeto de Constituição destina-se a consolidar juridicamente todas as reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte e a indicar claramente o caminho que o povo sul-coreano deve seguir.
A comissão constitucional recebeu 55 mil cartas de agradecimento, resoluções e recomendações em apoio ao projeto de Constituição. Isso comprova o profundo interesse do povo coreano pela adoção de uma verdadeira Constituição democrática. O fato de todo o povo coreano aprovar o projeto de Constituição provisória significa que aplaude as grandes transformações democráticas realizadas na Coreia do Norte e apoia plenamente a atuação do Comitê Popular da Coreia do Norte.
Senhores:
Para avaliar corretamente a situação da Coreia do Norte, não posso deixar de mencionar que o povo norte-coreano está firmemente unido e coeso na luta pela construção de um Estado democrático, independente e soberano. Sua unidade política possui bases sólidas. O povo norte-coreano está unido em torno do apoio ao comitê popular, seu órgão de poder, e às reformas democráticas.
A expressão concreta da coesão política do povo norte-coreano é a Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte, que abrange todos os partidos políticos e as organizações sociais da Coreia do Norte e reúne todas as classes e camadas do povo. Atualmente, essa frente conta com três partidos políticos, 16 organizações sociais e 17 sindicatos setoriais.
Os partidos políticos e as organizações sociais da Coreia do Norte compartilham posições idênticas sobre as questões políticas fundamentais. Apoiam o comitê popular e as reformas democráticas e lutam igualmente pela construção de um Estado unificado, democrático, independente e soberano. A Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte reúne mais de seis milhões de pessoas organizadas e já demonstrou sua grande força e sólida unidade. Um testemunho claro disso é o ardente apoio que as amplas massas deram aos candidatos indicados por essa frente nas eleições para os comitês populares.
Todos os fatos demonstram que todo o povo norte-coreano se levantou para lutar pela construção de um Estado democrático, independente e soberano.
Senhores representantes:
Em resumo, a situação da Coreia do Norte pode ser avaliada da seguinte maneira:
Primeiro, na Coreia do Norte, o poder está nas mãos do povo, que se tornou senhor absoluto de todos os campos da política, da economia e da cultura. Aproveitando as condições vantajosas criadas após a libertação, o povo norte-coreano organizou os comitês populares, seus órgãos de poder, e os consolidou e desenvolveu.
Segundo, como resultado da realização de reformas democráticas de acordo com os interesses das amplas massas populares, a base de sustentação dos reacionários foi completamente eliminada na Coreia do Norte.
Terceiro, as reformas democráticas na Coreia do Norte estabeleceram alicerces sólidos para a recuperação e o crescimento da economia nacional. Já foram alcançados êxitos brilhantes no desenvolvimento econômico, e o nível de vida material e cultural do povo elevou-se sensivelmente.
Quarto, os brilhantes êxitos alcançados na Coreia do Norte constituem uma sólida base material para unir monoliticamente o povo norte-coreano em torno dos comitês populares, os órgãos de poder do povo.
Na Coreia do Sul, a outra metade de nosso território pátrio, criou-se uma situação inteiramente oposta à que acabo de expor. Ali, o poder passou para as mãos dos imperialistas ianques, e o povo foi privado da possibilidade de administrar e governar o país. Na Coreia do Sul, não foram realizadas reformas democráticas nem concretizadas as aspirações seculares do povo. Atualmente, as autoridades da administração militar estadunidense alardeiam que realizarão uma "reforma agrária" na Coreia do Sul, o que não passa de um estratagema para iludir e enganar os camponeses sul-coreanos.
Na Coreia do Sul, a economia caminha para a bancarrota, e as condições de vida do povo pioram cada vez mais. Sob a proteção da administração militar estadunidense, as forças reacionárias sul-coreanas lançam ataques furiosos contra as forças democráticas que lutam pela liberdade, pela independência e pela melhoria das condições de vida. Hoje, a Coreia do Sul transformou-se em um mundo anárquico, onde o terrorismo é praticado em plena luz do dia. Os imperialistas ianques procuram transformar a Coreia do Sul em sua colônia permanente e em sua base militar para a agressão contra a Ásia.
Nossa pátria enfrenta agora o grave perigo nacional de se tornar vítima da agressão do imperialismo ianque. Os habitantes da Coreia do Norte preocupam-se dia e noite com o destino de seus pais e irmãos que vivem ao sul do Paralelo 38 e, movidos pelos laços de compatriotas, manifestam caloroso apoio à luta patriótica de salvação nacional travada pelo povo sul-coreano contra a agressão dos imperialistas estadunidenses, pela liberdade e pela independência do país.
O povo norte-coreano, firmemente unido ao povo sul-coreano, dedicará todas as suas forças à luta pela construção de um Estado democrático, soberano e independente.
2. Luta contra os imperialistas estadunidenses que pretendem dividir a Coreia
Senhores representantes:
Desde o primeiro dia de sua chegada à Coreia do Sul, os imperialistas ianques têm posto abertamente em prática seus sinistros objetivos de agressão.
Como já disse, a Conferência dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países — União Soviética, Estados Unidos e Inglaterra —, realizada em Moscou em dezembro de 1945, aprovou uma resolução conjunta sobre a Coreia. Essa resolução estabelecia que nossa pátria deveria ser reconstruída sobre bases democráticas como um Estado soberano e independente. Entretanto, ela não pôde ser executada. Os trabalhos da Comissão Conjunta URSS-EUA, que se reuniu em duas ocasiões, fracassaram.
O povo coreano sabe bem onde está a causa desse fracasso e quem é o responsável por ele. Diante do fracasso da Comissão, o governo soviético propôs, em 26 de setembro de 1947, a retirada simultânea das tropas dos dois países, a União Soviética e os Estados Unidos, da Coreia, no início de 1948. Essa medida abria diante do povo coreano um novo caminho para resolver por conta própria os problemas de seu país. Em outras palavras, o povo teria então a possibilidade de escolher independentemente o órgão legislativo supremo, estabelecer um governo democrático unificado, formar um exército nacional e reconstruir democraticamente a vida política e econômica do país, sem interferência estrangeira.
Todo o povo coreano apoiou entusiasticamente essa proposta do governo da União Soviética e decidiu resolver por seus próprios meios a questão da reunificação da pátria, após conseguir a retirada imediata das tropas soviéticas e estadunidenses.
Entretanto, os pró-japoneses e traidores da nação na Coreia do Sul, cientes de que não poderiam continuar agindo contra o povo e vendendo a pátria caso as tropas ianques se retirassem dali, opuseram-se obstinadamente a essa proposta. A camarilha de Ri Sung Man, ao se opor à retirada das tropas do imperialismo ianque, revelou mais uma vez, diante do mundo inteiro, ser um grupo de fiéis lacaios desse imperialismo e de vende-pátrias.
Os imperialistas ianques, que pretendiam transformar a Coreia em sua colônia a qualquer custo, também rejeitaram a proposta do governo da União Soviética. Embora a questão da Coreia, como uma das questões a serem resolvidas no pós-guerra, não estivesse dentro da competência da ONU, o governo dos Estados Unidos levou-a ilegalmente à Assembleia Geral da ONU e manobrou para que fosse decidida ali em seu próprio benefício.
Utilizando sua máquina de votação, composta por países econômica e politicamente dependentes dos monopolistas estadunidenses, o governo dos Estados Unidos rejeitou a proposta soviética de retirada simultânea das tropas dos dois países da Coreia e impôs uma resolução ilegal que apoiava seu plano de agressão imperialista contra a Coreia.
Como todos sabem, de acordo com a resolução da Assembleia Geral da ONU, foi constituída a chamada "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", que pretende supervisionar na Coreia as eleições, a formação de um governo, a criação de um exército nacional, etc. O povo coreano não reconheceu nem jamais reconhecerá essa resolução. No final do ano passado, após a aprovação de uma resolução tão injusta, foram realizadas numerosas manifestações e concentrações de protesto em todas as regiões da Coreia do Norte e do Sul.
O povo coreano esperava que, como seria natural, um representante seu fosse convidado a participar da discussão da questão coreana na Assembleia Geral da ONU.
Nessa Assembleia, o delegado soviético insistiu que a questão coreana não deveria ser discutida sem a participação de um representante da Coreia. Sua posição recebeu o apoio dos representantes dos países democráticos. Entretanto, sob a pressão do delegado estadunidense, que temia que fosse revelada a política de escravização colonial promovida por seu país na Coreia, a Assembleia Geral da ONU negou o convite a um representante do povo coreano. Tratou-se de um ato descarado que violou os direitos nacionais desse povo.
Nosso povo não podia consentir que seu destino fosse decidido sem a voz de um representante seu. Não podia conter sua indignação diante dessa discussão ilícita da questão coreana na Assembleia Geral da ONU e viu-se obrigado a apresentar um vigoroso protesto.
O problema não reside apenas no fato de a Assembleia Geral da ONU ter deliberado injustamente sobre a questão da Coreia, mas também em ter aprovado uma resolução contrária aos interesses do povo coreano, imposta pelos imperialistas ianques.
Como se chegou a essa situação? Por que a Assembleia Geral da ONU votou a favor da constituição da chamada "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", hostil ao povo coreano, rejeitando a proposta mais justa, que consistia em retirar imediatamente as tropas estrangeiras da Coreia e confiar ao próprio povo coreano a formação de um governo nacional? Porque a Assembleia Geral da ONU está se transformando em um instrumento da política expansionista do imperialismo ianque, enquanto os países dependentes dos Estados Unidos dançam conforme os movimentos dos imperialistas ianques.
Como disse anteriormente, a retirada das tropas imperialistas estadunidenses da Coreia não condiz com sua política de agressão. Eles tramam manter nosso país perpetuamente dividido e impor um governo separado na Coreia do Sul. A "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" não passa de um instrumento de agressão nas mãos dos imperialistas ianques, destinado a "legalizar" sua política de agressão contra a Coreia e instalar esse governo na Coreia do Sul por meio da encenação de uma farsa de "eleições".
Como o povo coreano conhece bem os objetivos e as intenções da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", encara-a com aberta hostilidade. E exige energicamente sua retirada imediata de nosso país.
Insistimos em que nos seja dada a possibilidade de formar, de maneira independente e sem ingerência estrangeira, um governo nacional democrático e unificado.
Ao constatar que todo o povo coreano se opunha com todas as suas forças à instalação de um governo separado no Sul, a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" solicitou à "Pequena Assembleia da ONU" orientações sobre suas atividades posteriores, a fim de fugir à responsabilidade pela divisão da Coreia. Sob as ordens dos imperialistas ianques, a "Pequena Assembleia da ONU" aceitou o pedido dessa "Comissão" para autorizar a realização de eleições apenas na Coreia do Sul, decidindo que elas fossem realizadas separadamente naquela região e que ali fosse constituído um governo separado. Trinta e um países votaram a favor da resolução, dois votaram contra e onze se abstiveram.
Aproveitando-se da ausência de representantes da União Soviética e de outros países democráticos da Europa Oriental entre os membros da "Pequena Assembleia da ONU", os Estados Unidos recorreram a toda sorte de subterfúgios para obter apoio total à sua proposta, mas nem mesmo na "Pequena Assembleia" conseguiram a unanimidade dos votos.
Quando a "Pequena Assembleia da ONU" debatia a resolução sobre a questão coreana, os representantes da Suécia e da Noruega opuseram-se à realização de eleições separadas na Coreia do Sul. O delegado sueco, Grafström, opôs-se a essas eleições separadas, afirmando que não só não havia dados oficiais sobre a situação coreana, como também a Organização das Nações Unidas não havia sido constituída como um fórum para a resolução dos problemas do pós-guerra. O representante norueguês, Finn Moe, afirmou que a aprovação do projeto de resolução estadunidense pela "Pequena Assembleia da ONU" significava um abuso dos poderes que lhe haviam sido concedidos pela Assembleia Geral.
Até mesmo um representante da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" afirmou que ninguém além de Ri Sung Man, fiel lacaio dos Estados Unidos, e do Partido Democrático da Coreia do Sul, dirigido por Kim Song Su e composto por grandes latifundiários pró-japoneses e empresários coreanos, apoiava a formação de um governo separado na Coreia do Sul. Ele não pôde deixar de admitir que não apenas os homens de esquerda e de centro, mas também um grande número de dirigentes de direita se opunha à constituição de um "governo nacional" por meio de eleições separadas na Coreia do Sul.
Também na "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", quando a proposta relativa às mencionadas eleições foi submetida à votação, apenas quatro dos oito países votaram a favor, dois votaram contra e outros dois se abstiveram.
Entretanto, o representante ianque, comportando-se como se fosse o senhor da "Pequena Assembleia da ONU", reprimiu a justa oposição dos representantes de vários países. Os imperialistas ianques haviam tirado a máscara e exposto seu verdadeiro propósito de manter a dominação colonial na Coreia do Sul, impondo à "Pequena Assembleia da ONU" uma resolução que servisse a seus planos de agressão.
Na Coreia do Sul, a administração militar estadunidense está agora preparando ativamente as eleições separadas sob a proteção da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia".
3. Luta do povo coreano pelo estabelecimento de um governo democrático unificado
As eleições separadas que se pretende realizar em 10 de maio de 1948 na Coreia do Sul resultarão na divisão perpétua de nossa pátria e na transformação da Coreia do Sul em colônia eterna e base militar dos imperialistas ianques. Como a nação coreana, com seus cinco milênios de história, poderia permitir que se concretizasse o plano agressivo, reacionário e antipopular dos Estados Unidos? Todo o povo, tanto no Norte como no Sul da Coreia, opõe-se à intervenção estrangeira em nosso país e exige energicamente a retirada da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia". Multidões de operários e empregados no Sul declaram greves em repúdio a essa "Comissão", greves que tiveram início em 8 de janeiro do corrente ano, precisamente no dia em que a "Comissão" chegou ao território de nossa pátria.
Como todos sabem, em 8 de janeiro deste ano, os operários e empregados de várias fábricas de Seul entraram em greve. Em 19 de janeiro, os operários da Companhia Elétrica de Kyongsong e muitos outros também declararam greve. No início de fevereiro, eclodiu uma grande greve nos setores das comunicações e ferroviário, que se estendeu por toda a Coreia do Sul. Segundo informou a "Agência de Notícias da Coreia", de Seul, essa greve interrompeu o tráfego e as comunicações em toda a Coreia do Sul.
Os operários em greve exigiram energicamente do tenente-general Hodge, comandante das tropas estadunidenses estacionadas na Coreia do Sul, a retirada da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" e das tropas estadunidenses.
Até mesmo os jornalistas estadunidenses credenciados em Seul viram-se obrigados a informar que, na Coreia do Sul, eram realizadas grandes manifestações populares contra essa "Comissão", provocando-se frequentemente confrontos sangrentos com a polícia.
As greves ainda persistem. Creio que aqueles que vieram da Coreia do Sul sabem disso melhor do que ninguém. Não são apenas os operários, mas também todos os demais setores da população do Sul — camponeses, pequena burguesia urbana, jovens, estudantes e intelectuais — que lutam pela reunificação da pátria e pelo estabelecimento de um governo democrático unificado.
Representantes da Coreia do Sul: toda a população da Coreia do Norte expressa seu fervoroso apoio fraternal à sua luta heroica contra a divisão da pátria e a apoia com todo o entusiasmo.
A população norte-coreana encontra-se numa situação diametralmente oposta à da população sul-coreana. Hoje, ela é dona do poder e tem em suas mãos a terra e as indústrias. A Coreia do Norte empreendeu com segurança o caminho do desenvolvimento democrático, no qual já alcançou grandes êxitos.
Entretanto, o Norte e o Sul da Coreia ainda não foram reunificados, nem foi formado um governo democrático unificado, o que constitui um obstáculo a um desenvolvimento ainda maior dessas conquistas.
Os coreanos do Norte lutarão energicamente, firmemente unidos a seus pais e irmãos do Sul, para que este também siga o caminho do desenvolvimento democrático, como o Norte, e sua população desfrute da mesma liberdade e felicidade de que se goza no Norte.
A constituição de um governo separado na Coreia do Sul colocará novamente seus habitantes na condição de escravos de uma colônia.
A população da Coreia do Norte se opõe resolutamente à formação de um governo separado no Sul e continuará agindo incansavelmente pela reunificação das duas partes.
Propõe-se como tarefa de máxima urgência travar uma luta conjunta de toda a nação, juntamente com a população sul-coreana, nossa irmã de mesmo sangue, para frustrar o plano de agressão com o qual os imperialistas estadunidenses tentam dividir nosso país.
Rejeitar e frustrar as eleições que estão sendo preparadas na Coreia do Sul, por serem antipopulares e conduzirem o país à ruína, é a tarefa política mais urgente que nossa nação enfrenta hoje.
A população norte-coreana expressou sua atitude resoluta por meio de vigorosas manifestações e concentrações de massas contra as atividades ilícitas da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia" na Coreia do Sul, bem como mediante numerosas cartas de protesto, resoluções e declarações que denunciavam a ingerência estrangeira nos assuntos coreanos.
As massas populares da Coreia do Norte fazem um apelo a seus irmãos do Sul para que boicotem as eleições separadas e se levantem resolutamente na luta de salvação nacional pela liberdade e independência do país.
Os representantes da Coreia do Sul podem ter a firme certeza de que a população norte-coreana, compartilhando com seus irmãos do Sul a vida e a morte, a alegria e a tristeza, lutará até o fim contra as eleições e o governo que se pretende impor separadamente.
Aqueles que, neste momento, apoiam essas eleições são vende-pátrias e traidores da nação ainda mais perversos do que Song Pyong Jun e Ri Wan Yong.
Já nos referimos ao vende-pátria Ri Sung Man. Ele é um fiel lacaio dos imperialistas ianques, criado por eles durante quase quarenta anos, um vende-pátria sem escrúpulos, odiado por toda a nação, sempre disposto a cumprir todas as ordens de seus amos ianques.
Desmascaremos e isolemos todos os traidores dessa espécie, fazendo com que toda a nação os odeie e os repudie.
Ao mesmo tempo, temos de explicar pacientemente ao povo a natureza antipopular e antinacional das eleições separadas na Coreia do Sul. Os verdadeiros patriotas devem compreender que essas eleições empurrarão inevitavelmente a Coreia do Sul para o abismo da bancarrota e a transformarão em colônia estadunidense.
Todos aqueles que amam verdadeiramente a pátria devem rejeitar categoricamente as eleições separadas que a conduzem à ruína. Nesta luta de dimensões nacionais, todos os homens que se preocupam com o destino do país e da nação devem unir-se necessariamente, acima de suas filiações partidárias e religiosas e de seus pontos de vista políticos.
Somente a unidade poderá assegurar nossa vitória. Nesta reunião, devemos tomar sem falta medidas sobre como lutar e o que fazer para alcançar a unidade e a coesão das forças de toda a nação e levar a cabo a causa histórica da formação de um governo democrático unificado.
Este é, em linhas gerais, o resumo da situação política na Coreia do Norte e dos problemas mais urgentes que nossa nação enfrenta hoje. Nesta reunião, devemos examinar sem falta, com toda a sinceridade e sem rodeios, a situação política na pátria e adotar medidas para ações conjuntas contra as maquinações da "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", destinadas a dividir nosso país para sempre, e contra as eleições separadas na Coreia do Sul.
Unamos todas as forças patrióticas do Norte e do Sul da Coreia para frustrar os desígnios agressivos dos imperialistas estadunidenses.
Devemos compreender que, se neste momento grave, em que enfrentamos o perigo da divisão da pátria, não lutarmos unidos nem adotarmos medidas vigorosas de salvação nacional para repelir a agressão dos imperialistas ianques, cometeremos um crime imperdoável contra a nação e as gerações vindouras.
Temos de desenvolver em escala nacional a luta pela construção de um Estado unificado, soberano e independente e pela formação de um governo único com base nos princípios democráticos, mobilizando todas as nossas forças.
Viva a Frente Unida Nacional Democrática!
Fora de nossa pátria a "Comissão Provisória da ONU para a Coreia"!
Vitória e glória aos patriotas e a todo o povo coreano que luta abnegadamente contra os agressores imperialistas ianques!
Viva as grandes reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte!

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