sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Conversa do camarada Kim Il Sung com o senhor Kim Ku

3 de maio de 1948

O senhor não teve nenhum incômodo durante sua permanência em Pyongyang? Como está sua saúde nestes dias? Afinal, para poder contribuir para a construção de um Estado unificado, soberano e independente, o mais precioso é que tenha saúde.

Considero a visita do senhor a Pyongyang, realizada através do Paralelo 38, rejeitando todas as intrigas obstrucionistas da administração militar estadunidense e dos reacionários, a fim de examinar conosco as medidas para a salvação nacional, uma grande contribuição histórica à nossa pátria e à nossa nação.

Com a exposição sincera e franca de opiniões positivas sobre as medidas para a salvação nacional, feita pelo senhor na recente Conferência Conjunta do Norte e do Sul, o senhor contribuiu para o bom êxito da Conferência. Expresso-lhe minha mais profunda gratidão pela intensa atividade desenvolvida para assegurar o bom andamento da Conferência Conjunta do Norte e do Sul.

Depois de visitar vários lugares durante sua permanência aqui, o senhor manifestou que ficou profundamente impressionado com a realidade do progresso da Coreia do Norte e avaliou positivamente a política que estamos levando a cabo no Norte. Consideramos isso um grande apoio e estímulo ao nosso trabalho.

Gostaria de conversar um pouco mais com o senhor sobre certas questões antes de seu regresso à Coreia do Sul.

Como o senhor também sabe, hoje nosso país enfrenta o perigo da divisão territorial e da cisão nacional. E tudo isso é culpa da ocupação da Coreia do Sul pelas tropas estadunidenses e de sua política de agressão contra a Coreia.

Os imperialistas ianques são invasores que há muito tempo vêm cometendo atos de agressão contra nosso país. Ajudaram ativamente os imperialistas japoneses em sua agressão à Coreia e também vieram aqui para saquear nossas riquezas econômicas. Entretanto, agindo dessa maneira, ao longo da história, nunca deixaram de se fingir de “simpatizantes” da independência da Coreia.

Aproveitando-se da derrota do imperialismo japonês na Segunda Guerra Mundial, os imperialistas ianques ocuparam o território de nosso país situado ao sul do Paralelo 38. Depois de ocupar o sul da Coreia, boicotaram a execução da resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países sobre a reconstrução da Coreia como um Estado soberano e independente, com base democrática, e fizeram fracassar intencionalmente o trabalho da Comissão Conjunta URSS-EUA. Em particular, ignorando a vontade unânime e a exigência de nosso povo de que as tropas soviéticas e estadunidenses se retirassem simultaneamente da Coreia e de que a questão coreana fosse confiada aos próprios coreanos, os imperialistas ianques submeteram ilegalmente essa questão à apreciação da ONU. Em seguida, puseram em funcionamento seu mecanismo de votação e criaram a “Comissão Provisória da ONU para a Coreia”, forçando a aprovação da injusta resolução sobre a realização de eleições separadas na Coreia do Sul.

A “Comissão Provisória da ONU para a Coreia”, criada dessa maneira pelo imperialismo ianque, não tem autoridade nem capacidade para resolver a questão coreana. Ela não pode fazer aqui outra coisa senão justificar a política de escravização colonial desse imperialismo na Coreia.

Agora, os imperialistas estadunidenses pretendem realizar eleições separadas sob a supervisão da “Comissão Provisória da ONU para a Coreia” e, se conseguirem pôr em prática essa maquinação, nossa pátria e nossa nação serão divididas para sempre, a Coreia do Sul se tornará uma colônia completa do imperialismo estadunidense e, futuramente, isso poderá provocar uma guerra fratricida.

Como nós, que outrora lutamos com abnegação pela libertação nacional e pela restauração da pátria, poderíamos permitir que o país fosse dividido em duas partes e ficar de braços cruzados, vendo nossa nação voltar a ser escravizada por agressores estrangeiros? Não, de maneira alguma. Nossa nação viveu em harmonia durante o longo período de cinco mil anos, em um território de três mil ris de extensão, belo como um bordado de ouro. Nossa nação não deve, de forma alguma, ser dividida em duas nem voltar a ser escravizada por imperialistas estrangeiros.

Suponho que, no passado, o senhor também tenha experimentado profundamente, na própria pele, as desgraças e a dor de se sentir um escravo privado de pátria. Não foi justamente por essas mesmas razões que o senhor enfrentou tantas dificuldades mesmo em terras estrangeiras, onde montanhas e rios não poderiam despertar em seu coração o mesmo afeto, preservando sua consciência e integridade nacionais?

Hoje, a maior tarefa de nossa nação consiste em empreender uma grande luta para estabelecer um governo unificado segundo os princípios democráticos, depois de deter e frustrar as manobras dos imperialistas ianques e de seus lacaios para criar um governo separado. De acordo com a resolução aprovada por unanimidade na recente Conferência Conjunta de Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul, devemos intensificar ainda mais a luta conjunta de toda a nação contra a tentativa dos imperialistas ianques e de seus lacaios de criar um “governo separado por meio de eleições separadas”.

Para frustrar essas intrigas dos imperialistas ianques e formar um governo unificado, o que mais precisamos, antes de tudo, é da estreita união de todas as forças patrióticas e democráticas do Norte e do Sul da Coreia que amam a pátria e a nação.

A união das forças democráticas é a garantia decisiva da vitória na luta pela salvação nacional. Seja qual for a luta, ela só será vitoriosa quando todas as forças que dela participam estiverem unidas. Essa é também uma lição histórica do movimento antijaponês de libertação nacional de nosso país. Como o senhor também sabe, uma das causas do fracasso das diversas formas do movimento antijaponês, como o movimento dos voluntários, o das tropas de independência e outros, que alcançaram tão ampla expansão em nosso país antes e depois da ocupação da Coreia pelo imperialismo japonês, reside precisamente no fato de seus participantes terem lutado dispersos em pequenos grupos.

E, se imediatamente após a libertação não conseguimos aproveitar devidamente a situação favorável na Coreia do Sul, isso também se deveu ao fracasso da unidade das forças democráticas. Reconheçamos que, após a libertação, a situação na Coreia do Sul era favorável à nossa nação. Entre a derrota do imperialismo japonês e o desembarque das tropas estadunidenses na Coreia do Sul transcorreu quase um mês, período em que a situação era favorável e o espírito combativo do povo estava elevado. Entretanto, em vez de desferirem golpes decisivos contra a reação, unindo todas as forças democráticas e aproveitando tão boa oportunidade, houve forças na Coreia do Sul que se envolveram em disputas sectárias para ampliar a influência de seus respectivos grupos e conquistar a hegemonia. Isso deu aos pró-japoneses e traidores da nação tempo suficiente para se recuperarem. Se tivéssemos desferido golpes decisivos contra as forças reacionárias, impedindo seu ressurgimento, organizado e mobilizado devidamente as massas populares na Coreia do Sul e unido estreitamente as forças democráticas, o desembarque das tropas estadunidenses não teria constituído um grande problema, nem teria surgido o perigo de divisão permanente que nossa nação enfrenta hoje.

A realidade atual exige urgentemente que toda a nação se una com mais força do que nunca. Sobretudo nas atuais circunstâncias, em que os imperialistas ianques promovem toda espécie de intrigas para instalar um governo fantoche de vendilhões da pátria por meio de eleições separadas na Coreia do Sul, somente a estreita união de toda a nação poderá desbaratar essas intrigas e afastar o perigo da divisão permanente do país e da nação. Portanto, é importante formarmos uma frente unida de salvação nacional, agrupando solidamente todas as forças patrióticas e democráticas da Coreia do Norte e do Sul que amam a pátria e a nação.

Já dispomos da base para formar essa frente unida de salvação nacional. Hoje, grande parte do povo patriótico, pertencente a todas as classes e camadas sociais, integrou-se à Frente Unida Nacional Democrática. O fato de a recente Conferência Conjunta do Norte e do Sul ter sido realizada com o envio de representantes, de ambas as partes do país, por 56 partidos políticos e organizações sociais com mais de 10 milhões de membros constitui uma prova incontestável de que é possível reunir todas as forças patrióticas e democráticas da Coreia do Norte e do Sul. Em ambas as partes, não apenas os operários e camponeses, mas também todas as demais classes e camadas das massas populares, incluindo até mesmo a burguesia nacional consciente, indignam-se e erguem suas vozes de protesto contra as intrigas dos imperialistas ianques e do grupo de Ri Sung Man para impor um “governo separado por meio de eleições separadas”. Assim, podemos unir estreitamente as amplas forças patrióticas e democráticas na frente unida de salvação nacional.

O objetivo da formação da frente unida de salvação nacional é evitar o perigo da divisão permanente do território e da nação e estabelecer um governo democrático unificado. Portanto, essa frente deve ser, acima de tudo, uma união de autênticas forças patrióticas antiestadunidenses, favoráveis à criação de um governo unificado por meio de suas próprias forças, que se oponham e resistam aos imperialistas estadunidenses e defendam uma política democrática progressista em oposição à dominação terrorista da reação. Deverão integrar-se indissoluvelmente à frente unida de salvação nacional todas as forças patrióticas antiestadunidenses — operários, camponeses, intelectuais, empresários, comerciantes, religiosos, etc. —, sem distinção de filiação partidária, opinião política ou crença religiosa. Mesmo aqueles que cometeram crimes contra a nação no passado, se hoje se arrependerem sinceramente e se dispuserem a lutar contra as intrigas dos imperialistas ianques para impor um “governo separado por meio de eleições separadas”, deverão ter seus antecedentes esquecidos, e devemos estender-lhes a mão para que caminhem conosco.

Para que a formação da frente unida de salvação nacional seja bem-sucedida, é essencial que todos os partidos políticos, as organizações sociais e as personalidades das diversas classes e camadas sociais preocupados com o destino do país e da nação respeitem o princípio de não impor uns aos outros suas ideologias ou doutrinas, de respeitar-se mutuamente, cultivar a confiança recíproca e subordinar tudo aos interesses e à causa comuns da nação. Como o senhor disse, se não há pátria e a nação está arruinada, de nada valem as ideologias e as doutrinas.

Neste momento crítico, em que nuvens negras de divisão permanente da nação pairam sobre o solo pátrio, se os partidos políticos, as organizações sociais e as personalidades de todas as classes e camadas sociais se apegarem obstinadamente às suas ideologias e doutrinas, dominados por preconceitos mesquinhos, isso não só significará o abandono de suas obrigações e de sua consciência nacionais, como também ajudará os inimigos em suas tentativas de impedir a formação da frente unida de salvação nacional e, mais ainda, de dividir eternamente a nação.

Devemos, portanto, trabalhar pela formação da frente unida de salvação nacional, observando o princípio de colocar em primeiro lugar os interesses do país e da nação e subordinar tudo a esses interesses.

Estamos certos de que o senhor, que goza de prestígio entre os habitantes e as personalidades democráticas da Coreia do Sul, desempenhará um papel importante na formação da frente unida de salvação nacional.

Na formação dessa frente contra o imperialismo ianque, é importante que os comunistas e as personalidades democráticas cooperem entre si.

Não há nenhuma razão nem condição que impeça essa colaboração.

O senhor disse que antes considerava os comunistas homens indiferentes à nação, que negavam a pátria e rejeitavam os nacionalistas, mas que, depois de conhecê-los na Coreia do Norte, mudou de opinião. Isso é compreensível para nós. A maioria dos “comunistas” que o senhor conheceu antigamente em Xangai ou Chongqing eram faccionistas ou pseudocomunistas que fizeram naufragar o movimento de libertação nacional ao se envolverem em disputas sectárias, cegos pela ambição de poder e desprezando a pátria e a nação.

Como o senhor disse, os verdadeiros comunistas são autênticos patriotas que professam um amor fervoroso por sua pátria e sua nação. Os verdadeiros comunistas não ambicionam o poder nem disputam cargos. Consideram seu principal dever lutar com abnegação pelo bem da pátria e pela felicidade da nação.

O senhor me disse que será difícil colaborar com os comunistas da Coreia do Sul porque eles têm uma visão estreita e são egoístas, mas está enganado. É claro que, entre os comunistas, não são poucos os que apresentam certos defeitos em seu estilo de trabalho, por ainda não terem sido suficientemente aperfeiçoados. Mas isso é, em todo caso, uma questão restrita ao estilo de trabalho de alguns indivíduos, e de maneira alguma um problema que afete os comunistas em geral. Será que é lógico que o senhor, que luta pela grande causa da salvação nacional, considere impossível colaborar com os comunistas porque alguns deles cometem erros em seu estilo de trabalho? A meu ver, o senhor deveria, com grande elevação de espírito, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para conseguir a colaboração com os comunistas da Coreia do Sul, demonstrando compreensão para com eles ou criticando-os, caso alguns apresentem defeitos em seu estilo de trabalho.

A frente unida de salvação nacional deve ser, do princípio ao fim, uma frente de luta destinada a deter e destruir as manobras dos imperialistas ianques e de seus lacaios para criar um “governo separado por meio de eleições separadas”.

Se, depois de formada, não organizar a luta, a frente unida de salvação nacional será uma organização inútil. Portanto, é importante realizar um trabalho organizativo eficaz para que a população patriótica de todos os setores possa participar da luta contra a imposição de um “governo separado por meio de eleições separadas”. Em estreita ligação com os dirigentes dos partidos políticos e das organizações sociais de caráter democrático da Coreia do Sul, o senhor poderia organizar amplamente uma espécie de comitê de luta contra a criação do “governo separado por meio de eleições separadas”, uma manobra reacionária dos imperialistas ianques. Somente com um comitê assim será possível organizar e dirigir de maneira unificada e eficaz a luta do povo para desbaratar essa manobra.

Seria conveniente que esse comitê fosse constituído como uma coalizão de todos os partidos políticos e organizações sociais e se estendesse a todas as localidades e áreas: províncias, cidades, condados, cantões, fábricas, oficinas, aldeias, estabelecimentos comerciais, repartições públicas, etc., ou seja, a todos os lugares onde haja nossos compatriotas.

Por meio desse comitê e do fortalecimento de seu papel, deve-se organizar e dirigir corretamente, entre as massas populares, diversas formas de luta contra as maquinações dos imperialistas estadunidenses e de seus lacaios. Nas fábricas, oficinas, minas, cidades, aldeias, povoados pesqueiros, escolas e, enfim, em todos os setores e unidades, é preciso desenvolver ativamente diversas formas de luta, como sabotagens, greves de operários e estudantes, comícios, manifestações, etc., contra os planos dos imperialistas ianques de instalar um “governo separado por meio de eleições separadas”.

Unida dessa maneira e estreitamente sob a bandeira da luta antiestadunidense pela salvação nacional, toda a população da Coreia do Norte e do Sul deterá e frustrará esses propósitos do imperialismo ianque.

Tão importante quanto a unidade na luta para desbaratar as manobras dos imperialistas ianques destinadas à criação de um “governo separado por meio de eleições separadas” e para estabelecer um governo democrático unificado é não depender de forças estrangeiras.

A questão de nossa nação deve ser resolvida exclusivamente por nossa própria nação, por meio de discussões, e jamais por potências estrangeiras. Seria uma desonra para a nação coreana não conseguir resolver seus próprios problemas.

Tentar resolver os problemas de nossa nação com o apoio de forças estrangeiras significa subserviência às grandes potências, e dessa maneira nunca se conseguirá a reunificação do país.

As potências imperialistas não desejam a reunificação de nosso país nem a prosperidade de nossa nação. Historicamente, dividiram outras nações para dominá-las. Apoiar-se em forças estrangeiras significa caminhar para a escravidão e conduzir o país à ruína.

Por estar situada entre grandes países, nossa Coreia sofreu muito, historicamente, com a subserviência às grandes potências. Essa subserviência levou outrora o país à ruína e impediu nossa nação de lutar unida contra os invasores estrangeiros. Não cometamos novamente esse erro. Por que devemos esperar a ajuda das grandes potências quando nossa nação, se estiver unida, poderá resolver seus problemas por conta própria? Não permitamos, de maneira alguma, que as potências estrangeiras intervenham nos assuntos internos de nosso país.

Quanto às tropas soviéticas que se encontram na Coreia do Norte, elas diferem radicalmente das tropas dos Estados Unidos, país imperialista que ocupa a Coreia do Sul e pratica uma política de escravização colonial. Entretanto, também pedimos às tropas soviéticas, por serem um exército estrangeiro, que se retirem. O Exército Soviético prometeu retirar-se de nosso país e cumprirá essa promessa em um futuro não muito distante.

Nossa nação coreana tem força suficiente para alcançar, por si só, a reunificação e a independência do país, eliminando o perigo de sua divisão permanente.

Nossa nação é inteligente e criou uma cultura brilhante ao longo de sua história de cinco milênios. É também uma nação corajosa, que combateu os invasores estrangeiros até alcançar a vitória pela independência do país.

Hoje, nossa nação dispõe de uma sólida base democrática na Coreia do Norte. Aqui, os partidos políticos, as organizações sociais e toda a população estão unidos, e a economia está sendo restaurada e desenvolvida como uma poderosa economia nacional independente. Além disso, existe um poderoso exército nacional capaz de defender a pátria e a nação dos ataques dos agressores estrangeiros. A sólida base democrática estabelecida nos âmbitos político, econômico e militar na Coreia do Norte constitui uma garantia segura para alcançar a reunificação e a independência do país, eliminando o perigo da divisão permanente da nação.

É nosso dever reunificar a pátria com nossos próprios meios e instituir um governo democrático unificado, evitando a divisão da nação e sem jamais nos apoiarmos em forças estrangeiras.

Para concluir, gostaria de me referir a algumas questões que o senhor levantou.

O senhor pediu que retomássemos o fornecimento de água dos reservatórios de Kuam e Riey aos camponeses da planície de Yombek, na Coreia do Sul, para fins de irrigação. Se os camponeses sul-coreanos desejarem isso sinceramente, assim faremos.

A Coreia do Norte interrompeu o fornecimento de água para irrigação à região de Yombek, no Sul, porque o exército ianque não cumpriu a promessa que havia feito. Ordenarei a retomada do fornecimento de água para irrigação à região de Yombek, mas deverá ser proibido ao exército estadunidense cobrar dos camponeses qualquer imposto pelo seu uso.

O senhor me disse que, embora desejasse permanecer na Coreia do Norte, precisava voltar ao Sul para evitar que os inimigos espalhassem rumores de que havia sido detido no Norte. A meu ver, tomou a decisão correta.

O senhor também disse que, se enfrentasse sérias dificuldades em suas atividades na Coreia do Sul, voltaria novamente ao Norte, e concordo com isso. Receberemos cordialmente o senhor na Coreia do Norte quando quiser vir para cá. Se vier, daremos ao senhor a possibilidade de viver tranquilamente o resto de sua vida, cuidando de um pomar, como é seu desejo. Não serei eu quem lhe dará o pomar, mas sim o órgão de nosso Poder Popular. A lei do Poder Popular estabelece que se deve conceder tratamento privilegiado àqueles que tenham méritos na luta pela pátria e pelo povo.

Também lhe forneceremos os pincéis e o papel que o senhor pediu como presente. Como poderíamos deixar de lhe dar coisas de que necessita para preparar os escritos que convocarão o povo à luta contra os planos do imperialismo ianque de implantar um “governo separado por meio de eleições separadas”?

Quanto ao selo do “Governo Provisório de Xangai” que o senhor me entregou, leve-o consigo. Para que eu precisaria dele? Basta-nos contar com a profunda confiança das massas populares.

No futuro, a luta poderá tornar-se mais árdua. O senhor enfrentou muitas dificuldades em seu caminho para a Coreia do Norte, mas, ao regressar à Coreia do Sul, os imperialistas ianques e seus lacaios recorrerão a toda espécie de calúnias e difamações contra o senhor, chegando até mesmo a ameaçá-lo e chantageá-lo. Mantenha-se sempre bem vigilante.

Nós, compatriotas da Coreia do Norte, apoiaremos e ajudaremos sempre, com vigor, material e moralmente, nossos compatriotas do Sul em sua luta anti-EUA pela salvação nacional. Nossa luta triunfará, sem falta, porque é justa. Estou certo de que o senhor combaterá na vanguarda das massas populares do Sul pela reunificação e pela independência da pátria. Desejo-lhe, de todo o coração, boa saúde para que possa celebrar o dia da reunificação da pátria.

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