terça-feira, 20 de outubro de 2026

O que o Japão pretende com a reforma do sistema de informações?

O Conselho Nacional de Inteligência, criado pelas forças governantes japonesas como parte da reforma do sistema de informações, e a Agência Nacional de Inteligência, seu órgão administrativo, iniciaram suas atividades.

Há pouco tempo, as autoridades japonesas realizaram a segunda reunião do Conselho Nacional de Inteligência e uma chamada reunião de especialistas, na qual discutiram os métodos de implementação das políticas relacionadas às atividades de inteligência.

Segundo informações, foram debatidas principalmente questões relativas à Estratégia Nacional de Inteligência, que o governo deverá elaborar em breve, à chamada lei de prevenção da espionagem e à criação de uma Agência de Inteligência Externa, provisoriamente assim denominada e inspirada na Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, com o objetivo de fortalecer as funções de coleta e análise de informações relacionadas à segurança nacional.

Assim, iniciou-se uma nova etapa em que as atividades de inteligência, até agora realizadas separadamente por diversos setores, como defesa, diplomacia, economia e segurança pública, passam a ser dirigidas, controladas e administradas de maneira centralizada.

Uma das medidas planejadas antes mesmo da formação do regime neomilitarista, liderado por Takaichi, era precisamente a centralização do sistema de informações e a criação de uma versão japonesa da Agência Central de Inteligência.

A reforma do sistema nacional de informações é fruto das ambições militaristas há muito perseguidas pelas camadas dominantes reacionárias do Japão.

Considerando o contexto em que, nos últimos anos, o Japão avança vertiginosamente rumo à transformação em um Estado de guerra, estabelecendo um sistema integrado de comando das forças armadas e ampliando suas capacidades de ataque a longa distância e sua indústria bélica, fica evidente que isso não constitui uma simples reorganização dos órgãos administrativos gerais.

Essas movimentações do Japão demonstram que as forças de extrema direita pretendem acelerar de maneira abrangente a concentração de poder e a militarização do sistema de informações, e não simplesmente aperfeiçoar um sistema normal de segurança nacional.

Um meio de comunicação japonês também criticou a criação da Agência Nacional de Inteligência, afirmando que o próprio conceito de “inteligência” não pode ser dissociado das atividades militares.

A história das agressões japonesas ao longo dos tempos foi uma história em que a infiltração de espiões no exterior e as atividades de inteligência precederam as guerras, determinando o momento de desencadeá-las e abrindo caminho para os ataques.

O objetivo da criação de um sistema centralizado de inteligência pelas forças governantes japonesas é justamente fazer com que ele sirva de vanguarda para as agressões no exterior.

Meios de comunicação estrangeiros também analisam e avaliam que a centralização dos órgãos de inteligência pretendida pelo Japão está relacionada à expansão dos armamentos e que sua verdadeira intenção é construir um sistema de informações a serviço da expansão militar e dos preparativos para a guerra. Considerando os antecedentes históricos de como o Japão, no passado, roubou segredos político-militares de outros países e inventou pretextos para iniciar guerras de agressão, essa reforma constitui claramente uma etapa preparatória para a agressão e a expansão no exterior.

É evidente que, com a reforma do sistema de informações, a missão geral dos diversos órgãos de inteligência, incluindo os departamentos de informações do Ministério da Defesa, do Ministério das Relações Exteriores, da Agência Nacional de Polícia e outras organizações, inclusive do setor civil, será definida de modo a apoiar, por meio de atividades de inteligência, ataques preventivos e provocações militares contra os países vizinhos.

Outro objetivo das autoridades japonesas ao reformar o sistema de informações é acelerar a fascistização do regime interno.

Nos últimos anos, à medida que as temerárias políticas de guerra das forças governantes de direita se intensificam, aumentam ainda mais a inquietação e os protestos da população contra elas.

Somente neste ano, dezenas de milhares de pessoas cercaram repetidamente o edifício do parlamento, condenando e rejeitando o fato de as autoridades estarem conduzindo o país pelo caminho da guerra ao promover a legalização de políticas que agravam os riscos de conflito.

A outra sinistra intenção das autoridades de direita ao promoverem essa reforma do sistema de informações é reprimir o sentimento interno contrário à guerra e favorável à paz, além de impor e manipular o apoio social à revisão da Constituição e às políticas de expansão militar.

A periculosidade da reforma do sistema de informações reside precisamente na intenção de acelerar a militarização do país por meio da repressão aberta ao pensamento da população, depois de já terem tentado doutriná-la no militarismo mediante a inculcação de uma história distorcida e a legalização da bandeira “Hinomaru” e do hino “Kimigayo”, símbolos da agressão passada, como bandeira e hino nacionais.

Não é por acaso que a opinião pública, tanto dentro quanto fora do Japão, denuncia essas medidas como uma tentativa de reproduzir o período do imperialismo japonês, quando o país mobilizava diversos órgãos de repressão ideológica, incluindo a Polícia Superior Especial, conhecida como Tokko, para eliminar as forças contrárias à guerra, silenciar a opinião pública e arrastar toda a população para guerras de agressão.

O Japão está recorrendo a todos os meios possíveis para acelerar a militarização do país. A centralização do sistema de informações constitui, sem dúvida, parte desse processo.

Rodong Sinmun

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