terça-feira, 20 de outubro de 2026

Situação política criada em nossa pátria em relação às eleições separadas na Coreia do Sul e medidas de luta para reunificar a pátria

Informe do camarada Kim Il Sung à Reunião Consultiva de Dirigentes de Partidos Políticos e Organizações Sociais do Norte e do Sul da Coreia

29 de junho de 1948

Dirigentes dos partidos políticos e das organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia:

Reunimo-nos novamente aqui para encontrar uma maneira de superar o grave perigo que hoje paira sobre nosso país.

Faz apenas dois meses que se realizou a histórica Conferência Conjunta do Norte e do Sul, em meio à grande esperança e expectativa do povo coreano. Mas, nesses dois meses, a situação se agravou e se complicou consideravelmente. Na Coreia do Sul, a política de escravização colonial dos imperialistas ianques torna-se cada dia mais descarada.

A Conferência Conjunta de Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais do Norte e do Sul da Coreia, realizada em abril passado, foi uma reunião histórica destinada a superar a crise nacional provocada pela agressão dos imperialistas estadunidenses.

Essa Conferência demonstrou que todo o povo coreano, com exceção dos pró-japoneses e dos traidores da nação, opõe-se à política agressiva dos imperialistas ianques e às pérfidas eleições separadas na Coreia do Sul.

A Conferência de Abril demonstrou que os partidos políticos de caráter patriótico, apesar de suas diferentes opiniões políticas, podem unir-se com toda a segurança, tomar medidas para a salvação nacional unindo suas forças e desenvolver a luta de toda a nação para conquistar a liberdade e a independência da pátria, contra a política de escravização colonial e de divisão nacional promovida pelos imperialistas estadunidenses.

As pérfidas eleições separadas de 10 de maio na Coreia do Sul foram realizadas de maneira fraudulenta e hipócrita, à ponta de baioneta, apesar da oposição nacional de todo o povo coreano e da rejeição unânime por parte dos partidos políticos e das organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia, que somam mais de dez milhões de membros. Para realizar à força as “eleições” na Coreia do Sul, os imperialistas ianques não pouparam esforços nem meios. Sabiam que essas eleições não poderiam ser realizadas facilmente sem o recurso a meios e métodos ilegais, pois todo o povo coreano as rejeitava. Por isso, recorreram, durante sua realização, a métodos coercitivos e fraudulentos, mobilizando a polícia e grupos terroristas, enquanto, por outro lado, empregavam diretamente suas forças armadas estacionadas na Coreia do Sul.

Não vou me deter mais em demonstrar que essas pérfidas eleições separadas de 10 de maio foram realizadas de maneira fraudulenta e violenta. Todo o povo coreano sabe perfeitamente que essas eleições foram organizadas pelos imperialistas ianques e por seus fantoches: os pró-japoneses e os traidores da nação.

A esmagadora maioria do povo coreano rejeitou as eleições separadas na Coreia do Sul e não participou delas por considerá-las pérfidas. Participaram apenas um punhado de pró-japoneses e traidores da nação, além de um número reduzido de habitantes que foram conduzidos à força às “seções eleitorais”.

A Conferência Conjunta de Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais do Norte e do Sul da Coreia declarou ilegais as eleições separadas na Coreia do Sul, que seriam realizadas sob descarada intervenção estrangeira, e afirmou que o povo coreano jamais reconheceria um “governo” surgido de tais “eleições”.

Entretanto, os imperialistas estadunidenses realizaram as pérfidas eleições separadas em 10 de maio, desafiando os protestos do povo coreano e a oposição unânime dos partidos políticos e das organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia, que contam com mais de dez milhões de membros.

Para enganar os povos do mundo e falsificar a “legalidade” das eleições separadas, os imperialistas estadunidenses realizaram essa farsa de “eleições” sob a supervisão da chamada “Comissão Provisória da ONU para a Coreia”.

Senhores:

Em consequência dessas eleições separadas realizadas na Coreia do Sul sob a manipulação dos imperialistas ianques, o perigo de divisão da pátria aprofundou-se ainda mais, atingindo uma nova e grave fase.

Hoje, é iminente o estabelecimento, na Coreia do Sul, de um governo fantoche que venderá a pátria, composto de pró-japoneses e traidores da nação.

Os imperialistas ianques criaram o chamado “parlamento”, composto de pró-japoneses e traidores da nação, e proclamam aos gritos que se trata de um “parlamento para toda a Coreia”, que representa o povo coreano. Em que medida o chamado “parlamento” de que falam representa o povo coreano? Isso fica claramente demonstrado pelo fato de que entre os “parlamentares” não há nenhum representante dos operários ou dos camponeses.

A “constituição” em torno da qual os que vendem a pátria debatem no suposto “parlamento” serve, do princípio ao fim, para proteger os interesses dos pró-japoneses, dos traidores da nação, dos latifundiários e dos capitalistas reacionários, sem dizer uma única palavra sobre as reformas democráticas exigidas pelo povo coreano. Como é possível reconhecer como representante do povo coreano um “parlamento” no qual não figura um único representante dos operários e camponeses, que constituem a esmagadora maioria da população? E como considerar um “parlamento nacional para toda a Coreia” um “parlamento” elaborado por meio da violência e da fraude, traindo a vontade do povo coreano e sob a ameaça das baionetas?

O povo coreano não reconhece de modo algum esse “parlamento”, considerando-o, ao contrário, um covil de traidores.

Mas a questão não se resolve simplesmente rejeitando ou denunciando o chamado “parlamento” da Coreia do Sul. Por isso, não devemos nos limitar a manifestar nossa posição mediante a publicação de uma declaração ou resolução sobre o “parlamento” sul-coreano, mas devemos tomar medidas decisivas para a salvação nacional.

Como sabem, após a Conferência Conjunta de Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais do Norte e do Sul da Coreia, os dirigentes desses partidos e organizações realizaram uma reunião consultiva em 30 de abril e publicaram uma declaração conjunta sobre as medidas para a salvação nacional.

Essa declaração conjunta insistia, em primeiro lugar, em que os Estados Unidos deveriam garantir efetivamente a independência da Coreia, retirando suas tropas da Coreia do Sul em cumprimento à proposta da União Soviética, pois a retirada simultânea das tropas estrangeiras de nosso território, conforme previsto nessa proposta, constitui, neste momento, o único caminho justo para a solução da questão coreana.

Em segundo lugar, garantia que, após a retirada das tropas estrangeiras de nosso território, não eclodiriam uma guerra civil nem outras perturbações.

Em terceiro lugar, sustentava que, após a retirada das tropas estrangeiras, os partidos políticos e as organizações sociais do Norte e do Sul deveriam convocar conjuntamente uma reunião política de toda a Coreia e estabelecer um governo provisório democrático que representasse todas as classes e camadas do povo coreano.

Em quarto lugar, declarava que as “eleições” separadas na Coreia do Sul, às quais se opunha a esmagadora maioria dos eleitores, não poderiam de maneira alguma refletir a vontade de nossa nação, pois eram rejeitadas pelos partidos políticos e pelas organizações sociais do Norte e do Sul da Coreia, que contam com mais de dez milhões de membros, e que o povo coreano não reconheceria nem apoiaria, sob nenhuma circunstância, qualquer governo separado estabelecido com base em semelhantes “eleições”.

Mas o que aconteceu depois da publicação de nossa declaração conjunta?

Os imperialistas ianques, que querem transformar nossa pátria em sua colônia, impedem-nos de executar as tarefas que nos propusemos nesse documento.

Como todos sabem, o governo soviético tem defendido invariavelmente, até hoje, a retirada simultânea das tropas soviéticas e estadunidenses, questão proposta na Comissão Conjunta URSS-EUA, e reduziu unilateralmente suas tropas estacionadas na Coreia do Norte. Se os imperialistas estadunidenses tivessem aceitado a proposta da União Soviética, o problema do estabelecimento de um governo unificado, conforme estabelecido na declaração conjunta, teria sido resolvido facilmente.

Entretanto, os Estados Unidos, rejeitando obstinadamente a proposta soviética de retirada simultânea das tropas dos dois países, não apenas negam ao nosso povo a possibilidade de resolver a questão coreana com suas próprias forças, como também realizaram eleições separadas na Coreia do Sul sob a intervenção direta de suas forças armadas e enveredaram pelo caminho do agravamento ainda maior da política de escravização colonial, procurando continuar ocupando a Coreia do Sul.

A parte estadunidense não dá resposta sequer à solicitação enviada aos governos soviético e estadunidense em nome da Conferência Conjunta do Norte e do Sul.

Senhores:

Que atitude devemos adotar e que medidas devemos tomar nesta situação?

Não podemos ser meros espectadores diante do fato de que os imperialistas estadunidenses transformam a parte sul de nossa pátria em uma colônia permanente.

Tampouco podemos nos limitar a condenar os atos pérfidos dos elementos pró-japoneses e dos traidores da nação que, mais uma vez, entregam a pátria e a nação aos imperialistas ianques como se fossem mercadorias em liquidação.

Essa passividade e indiferença significam capitular diante dos imperialistas ianques e de seus lacaios.

Na situação atual, permitir que os pró-japoneses e os traidores da nação na Coreia do Sul consolidem o “poder” reacionário que vende a pátria, limitando-nos a esperar a retirada das tropas ianques, significa cometer um crime imperdoável contra a nação e nossos descendentes. Se não tomarmos medidas decisivas para a salvação nacional, o povo coreano guardará eterno rancor contra nós.

Devemos criar sem demora um órgão legislativo supremo para toda a Coreia que represente a vontade do povo coreano e promulgar a Constituição da República Popular Democrática da Coreia. Dessa maneira, devemos constituir não um governo separado, mas um governo para toda a Coreia, com representantes dos partidos políticos e das organizações sociais do Norte e do Sul do país.

Nossa posição é invariável. Desejamos construir um Estado unificado, democrático e independente e travamos uma luta incansável por esse objetivo. Nenhuma força será capaz de abalar nossa vontade, e não há dúvida de que levaremos a cabo a tarefa de construir um Estado unificado, democrático e independente.

Dispomos de sólidas bases políticas e econômicas para pôr em vigor a Constituição da República Popular Democrática da Coreia.

Todo o povo do Norte e do Sul da Coreia apoia nossa linha e se levanta para lutar pela construção de um Estado unificado, democrático e independente. Estabelecemos o Poder Popular e realizamos grandes reformas democráticas na Coreia do Norte. A população norte-coreana desfruta de verdadeira democracia e liberdade.

Na Coreia do Norte, o espírito fundamental da Constituição da República Popular Democrática da Coreia já está se concretizando na vida real.

Os grandes êxitos alcançados por nosso povo na realização das reformas democráticas na Coreia do Norte constituem uma garantia incontestável de que poremos em vigor a Constituição da República.

Por isso, devemos promulgar o quanto antes a Constituição da República Popular Democrática da Coreia e estabelecer um órgão supremo de poder para toda a Coreia, que represente a totalidade do povo, tanto do Norte quanto do Sul. Isso é exigido pela premente situação política atual de nosso país e desejado por todo o povo coreano.

O povo coreano, que aguarda ansiosamente a reunificação, a liberdade e a independência da pátria, apoiará ardorosamente essas nossas medidas de salvação nacional.

A população norte-coreana participará unanimemente das eleições dos deputados à Assembleia Popular Suprema de toda a Coreia, em um ambiente de máxima liberdade; a população sul-coreana também participará, sem falta, dessas eleições, desafiando todo tipo de repressão e perseguição por parte dos imperialistas ianques e de seus lacaios. As personalidades patrióticas que se preocupam com o futuro do país e da nação devem lutar com todas as suas forças para pôr em prática essas medidas de salvação nacional.

Tenho certeza de que vocês, dirigentes dos partidos políticos e das organizações sociais de caráter patriótico do Norte e do Sul da Coreia, estarão de acordo com esta minha proposta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário