segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Informe do camarada Kim Il Sung no ato festivo na cidade de Pyongyang por ocasião do 3º aniversário da libertação de 15 de agosto

14 de agosto de 1948

Queridos compatriotas:

Hoje comemoramos o terceiro aniversário da libertação de 15 de Agosto.

Já se passaram três anos desde o dia em que nossa nação se libertou do domínio colonial do bárbaro imperialismo japonês.

O prolongado domínio colonial do imperialismo japonês, que durou quase meio século, pôs em perigo a existência de nossa nação, que contava com uma longa história de cinco milênios.

Quando a tragédia nacional do povo coreano havia chegado ao extremo, o heroico Exército Revolucionário Popular da Coreia, juntamente com o exército soviético, libertou nossa pátria, expulsando de seu solo nacional o inimigo jurado, os bandidos imperialistas japoneses, e abriu em nossa terra o caminho do renascimento nacional.

Ao comemorarmos hoje este histórico dia festivo, dia do nosso ressurgimento nacional, vamos recordar, em grandes traços, os três anos de história percorridos pela pátria e pela nação após a libertação.

O Norte e o Sul da Coreia celebram o 3º aniversário da libertação de 15 de Agosto com resultados diametralmente opostos.

Após a libertação, a Coreia do Norte percorreu um brilhante caminho de construção democrática para assegurar a reunificação e a independência de nossa nação e fundar uma nova pátria, enquanto a Coreia do Sul seguiu o caminho da divisão da pátria e da escravidão colonial.

1. Êxitos da construção democrática da Coreia do Norte nos três anos seguintes à libertação

Compatriotas:

Os três anos transcorridos desde a libertação de 15 de Agosto até hoje constituem um período relativamente curto. Mas, nesses três anos, ocorreram na Coreia do Norte grandes mudanças em todos os domínios — político, econômico e cultural —, transformando-a numa sólida base democrática capaz de assegurar a reunificação e a independência da pátria.

Entre os acontecimentos políticos da Coreia do Norte nos três anos posteriores à libertação, merecem menção indispensável a abolição dos órgãos de dominação colonial do imperialismo japonês e o estabelecimento, pelo povo, do comitê popular, genuíno órgão do Poder Popular.

O comitê popular, composto por representantes de todas as classes e camadas do povo coreano, mantém laços consanguíneos com as massas populares, defende da maneira mais consequente seus interesses e desfruta de seu ativo apoio.

Os imensos êxitos alcançados na Coreia do Norte em todos os domínios — político, econômico e cultural — até a data em que celebramos o terceiro aniversário da libertação demonstram claramente que o comitê popular, nova forma de poder estabelecida pelo próprio povo coreano, é um genuíno Poder Popular, o mais adequado ao desenvolvimento de nossa pátria.

O comitê popular lutou, como órgão de poder, para concretizar as reformas democráticas em todos os domínios — político, econômico e cultural — e para restabelecer e expandir a economia nacional.

Sem as reformas democráticas, teria sido impossível abolir as relações feudais de propriedade da terra, recuperar e impulsionar a economia nacional e elevar o nível de vida material e cultural das amplas massas populares. Para cumprir os desejos do povo coreano, o comitê popular realizou na Coreia do Norte a reforma agrária, a nacionalização das indústrias, a Lei do Trabalho, a Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher e outras reformas democráticas.

Essas reformas realizadas na Coreia do Norte provocaram grandes mudanças na vida do nosso povo.

Graças à reforma agrária, foram abolidas as relações feudais de posse da terra, grilhões que impediam o desenvolvimento da economia rural; entre os camponeses, transformados em donos da terra, cresceram o entusiasmo patriótico em benefício do país e do povo e o interesse pela produção, e suas condições de vida material e cultural melhoraram radicalmente.

Os camponeses, donos da terra, resolveram, em linhas gerais, o problema do abastecimento de alimentos e aumentam a produção de cereais a cada ano. Já no final de 1947, a produção total de cereais na Coreia do Norte ultrapassou o nível de 1944, ano anterior à libertação, e neste ano superará o de 1939, quando a produção agrícola da Coreia, sob o domínio do imperialismo japonês, atingiu seu nível máximo.

Para consolidar os êxitos da reforma agrária e desenvolver a economia rural, o comitê popular fornece aos camponeses animais de tração, instrumentos agrícolas, sementes de primeira qualidade, fertilizantes, etc., e adota diversas medidas, como a ampliação dos sistemas de irrigação. Com o objetivo de desenvolver a economia rural, o comitê popular investiu, em 1947, mais de 155 milhões de wons e, em 1948, mais de 442 milhões na ampliação dos sistemas de irrigação.

Assim, em 1948, a superfície cultivada aumentou 4% em comparação com a de 1947 e 30% em comparação com a de 1946. Desse total, a área destinada às plantas industriais aumentou 23% em relação a 1947. Isso significa que a economia rural da Coreia do Norte está em condições não apenas de resolver o problema do abastecimento de alimentos, mas também de suprir as necessidades de matérias-primas da indústria.

Podemos constatar a melhoria das condições de vida dos camponeses da Coreia do Norte após a reforma agrária pelo exemplo de uma pequena aldeia, chamada comuna de Chongsan, no condado de Kangso, província de Phyongan Sul, por onde passei em junho passado. Nessa comuna, vimos que mais de 40 das 120 famílias camponesas que ali vivem recebiam jornais, mais de 50 adolescentes cursavam o ensino secundário e todas as crianças em idade escolar, sem exceção, frequentavam a escola primária. Eram raras as famílias que não possuíam uma vaca, um porco e mais de dez galinhas. Junho é, no campo, o período de maior escassez de alimentos, mas naquela comuna não havia uma única família que não os tivesse; em quase todas as casas, havia sacos de arroz empilhados.

A construção de mais de 101 mil moradias nas zonas rurais da Coreia do Norte após a reforma agrária é um exemplo eloquente de quanto melhoraram as condições de vida dos camponeses, agora donos da terra.

Sem a reforma agrária, não teríamos conseguido elevar a economia rural ao nível em que se encontra hoje, nem melhorar as condições de vida dos camponeses.

Também são muito importantes os êxitos alcançados pela população norte-coreana na indústria durante os três anos seguintes à libertação.

Após derrotarmos o imperialismo japonês em nosso território e libertarmos nossa pátria, todas as indústrias, os meios de transporte e as comunicações pertencentes ao imperialismo japonês passaram a ser patrimônio do povo coreano. Ao nacionalizar as principais indústrias, base material para enriquecer, fortalecer e desenvolver a pátria, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte colocou-as a serviço da prosperidade da pátria e do bem-estar do povo.

Antes de fugir de nossa pátria, os imperialistas japoneses destruíram impiedosamente 19 centrais hidrelétricas, 178 minas, 47 fábricas e empresas, entre elas a Fábrica de Fertilizantes de Hungnam, a Siderúrgica de Songjin, a Fundição de Ferro de Chongjin, a Fundição de Ferro de Hwanghae e a Fábrica Química de Pyongyang; inundaram 64 minas e paralisaram o transporte ferroviário em todas as localidades da Coreia do Norte. Em consequência do prolongado domínio colonial do nefasto imperialismo japonês, nossa pátria, ao ser libertada, carecia de quadros técnicos competentes e de técnicos de nível intermediário. Essas condições extremamente desfavoráveis criaram grandes dificuldades para a população norte-coreana restabelecer e desenvolver a indústria, setor fundamental da economia nacional, em seu esforço para realizar a obra de fundação de uma nova pátria.

Não obstante, todas as dificuldades foram superadas com êxito graças ao grande entusiasmo patriótico e ao trabalho heroico do nosso povo; até 1º de janeiro de 1947, já haviam entrado em funcionamento 822 fábricas e empresas.

Os operários da Fundição de Ferro de Hwanghae restauraram os altos-fornos, os fornos de coque e os fornos misturadores, chegando a produzir, em um ano, 100 mil toneladas de ferro-gusa e outras tantas de coque. Os operários da Siderúrgica de Chongjin repararam os fornos rotativos e possibilitaram a utilização dos minérios de ferro em pó produzidos em Musan; os da Fábrica Química de Pyongyang restauraram suas instalações e começaram a produzir fibras artificiais, o que desempenharia um papel importante no atendimento às necessidades de vestuário. Os operários da Mina de Musan restauraram essa empresa, de grande importância para o desenvolvimento da economia nacional, atendendo assim às necessidades da indústria siderúrgica em rápida expansão. Os operários da Siderúrgica de Kangson ampliaram sua fábrica, o que lhes permitiu aumentar consideravelmente a produção de aço em relação ao passado.

Esse movimento patriótico pelo aumento da produção, desenvolvido pelos operários e técnicos da Coreia do Norte nos três anos seguintes à libertação, é um grandioso movimento de construção nacional, que só pode ocorrer em um Estado como o nosso, onde o poder está nas mãos do povo e a indústria nacionalizada está a seu serviço.

Após a nacionalização das indústrias, aumentaram entre os operários, técnicos e empregados o entusiasmo político e o interesse pela produção em benefício da pátria e do povo; as riquezas do país passaram a ser patrimônio do povo e foram colocadas a seu serviço para melhorar as condições de vida material e cultural; os reacionários foram privados de sua base econômica.

Graças ao movimento patriótico promovido pela classe operária para elevar a produção industrial, o plano da economia nacional para 1947 foi cumprido em 102,5%, e o plano para o primeiro semestre de 1948, em 101,3%. Em particular, o plano da indústria de energia elétrica foi cumprido em 111,9%; o da metalurgia não ferrosa, em 103,3%; o da siderurgia, em 109,3%; e o da indústria química, em 110,4%. Os resultados da produção industrial no primeiro semestre deste ano aumentaram 74,3% em comparação com os do primeiro semestre de 1947.

Após a libertação, a população da Coreia do Norte não se limitou a recuperar as empresas industriais destruídas pelo imperialismo japonês, mas também as expandiu para além do nível alcançado durante o domínio japonês. Como resultado, o nível de produção de nossa indústria mecânica supera hoje em 118% o de 1944.

Graças à rápida recuperação e ao desenvolvimento da economia nacional, elevou-se, naturalmente, o nível de vida material da população da Coreia do Norte.

Graças à reforma monetária realizada no final de 1947, os preços dos produtos alimentícios caíram entre 20% e 40%, e, recentemente, reduzimos novamente de maneira significativa os preços das mercadorias em geral. Isso elevou ainda mais o nível de vida material e cultural dos operários, empregados e outros setores do povo.

O fato a seguir demonstra com absoluta clareza a elevação do nível de vida material e cultural do povo.

Graças aos grandes êxitos alcançados na recuperação industrial, já não há desempregados na Coreia do Norte; pelo contrário, sente-se falta de mão de obra.

Hoje, nossos operários e empregados utilizam as casas e os edifícios que pertenciam ao imperialismo japonês, e seus salários aumentam continuamente. Levando em consideração que, graças à reforma monetária e à redução dos preços, o custo das mercadorias diminuiu consideravelmente, o salário real dos operários e empregados é muito mais elevado.

Os fundos do seguro social passaram de 229,5 milhões de wons em 1947 para 264,5 milhões no presente ano. Muitos operários e empregados desfrutam de férias e recebem assistência médica em casas de repouso e sanatórios, algo com que nem sequer podiam sonhar na época do imperialismo japonês. Naquele tempo, não havia uma única casa de repouso nem um único sanatório; hoje, eles existem em quase todas as localidades pitorescas da Coreia do Norte.

Nos três anos de construção democrática, alcançamos grandes êxitos não apenas na economia rural e na indústria, mas também no ensino e na cultura.

O Comitê Popular da Coreia do Norte dedicou profunda atenção ao ensino e à cultura para educar as jovens gerações no espírito democrático e prepará-las para serem donas do futuro, cultas e capazes.

Durante seu domínio colonial em nosso país, os imperialistas japoneses inculcaram no povo coreano o espírito de servidão colonial por meio das chamadas doutrinas da divindade do imperador japonês, da superioridade do sistema estatal do Japão e da transformação dos coreanos em súditos do Império Japonês. Impuseram às nossas jovens gerações um ensino de escravidão colonial, tentando transformar nossa pátria num país de ignorância e obscurantismo. Em consequência disso, no momento da libertação, somente na Coreia do Norte havia mais de 2,3 milhões de analfabetos.

Desde os primeiros dias após a libertação, o Comitê Popular da Coreia do Norte adotou diversas medidas no campo do ensino e da cultura. Estabelecemos um novo sistema democrático de ensino e promovemos o movimento de alfabetização para eliminar a ignorância e o obscurantismo entre as amplas massas populares. Dessa maneira, nos três anos posteriores à libertação, já alfabetizamos 2,1 milhões de pessoas; hoje, restam apenas 200 mil analfabetos na Coreia do Norte. Se, em 1942, havia na Coreia do Norte apenas 1.339 escolas primárias, no novo ano letivo funcionarão 3.236. Quanto às escolas secundárias, seu número passou de 43, em 1942, para 674, em 1948, ou seja, aumentou quinze vezes, e chegará a 725 no novo ano letivo. A Coreia do Norte, que não possuía sequer um instituto de ensino superior na época do imperialismo japonês, conta agora com uma universidade e cinco institutos, e outros cinco serão inaugurados a partir do novo ano letivo.

As instituições de ensino e cultura que hoje se multiplicam rapidamente na Coreia do Norte servem de maneira consequente ao povo.

Nos três anos posteriores à libertação, o Comitê Popular da Coreia do Norte adotou diversas medidas para proporcionar ensino superior aos filhos do povo trabalhador. Em 1º de maio de 1948, o número de estudantes que cursavam escolas especializadas e institutos às expensas do Estado ultrapassava 16 mil, enquanto o número dos que estudavam em institutos estrangeiros chegava a 440.

Os êxitos da construção cultural também podem ser observados no notável desenvolvimento da literatura, da arte e das publicações, bem como no rápido aumento do número de teatros e clubes. Durante o domínio do imperialismo japonês, não havia na Coreia do Norte um único clube nem uma única sala de leitura rural. Entretanto, em 1947, o número de clubes e salas de propaganda democrática chegou a 8.985 e aumentará para 13.326 neste ano. Se, durante o domínio do imperialismo japonês, não havia uma única biblioteca, em 1946 já existiam 35, e neste ano o número chega a 103. Naquela época, havia apenas 76 teatros e cinemas; agora, funcionam 113.

A saúde pública também registra um rápido progresso. O número de hospitais aumenta de ano para ano, e clínicas funcionam em todas as localidades da Coreia do Norte.

Este é, em linhas gerais, o balanço das reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte por ocasião da comemoração do terceiro aniversário da libertação.

Esses honrosos êxitos das reformas democráticas foram possíveis porque o comitê popular, genuíno poder do povo, conduziu com passo firme o povo à vitória da democracia, enquanto este lutava heroicamente, manifestando elevado entusiasmo patriótico. Como resultado desse extraordinário impulso da construção democrática, a Coreia do Norte tornou-se hoje, de fato, uma sólida base para a reunificação e a democratização da pátria.

2. Resultados do domínio trienal na Coreia do Sul pelo bando de elementos pró-japóneses, traidores da nação e reacionários e pela administração militar estadunidense

Queridos compatriotas:

Com que êxitos a Coreia do Sul, onde estão estacionadas as tropas ianques, comemora o terceiro aniversário da libertação de 15 de Agosto?

Em consequência do domínio dos imperialistas estadunidenses, dos elementos pró-japoneses, dos traidores da nação e dos reacionários, a parte sul de nossa pátria transformou-se, após a libertação, no plano político, num Estado policial e terrorista, numa base para elementos pró-japoneses, traidores da nação e reacionários que vendem a pátria e sacrificam a independência da pátria e a honra da nação em favor dos imperialistas estadunidenses.

No plano econômico, a indústria da Coreia do Sul, construída com o suor e o sangue do povo coreano, foi completamente destruída. Neste momento, os operários do Sul são vítimas da fome e da miséria, e milhões de desempregados são obrigados a vagar pelas ruas.

Nos três anos de domínio dos imperialistas ianques, dos elementos pró-japoneses e dos traidores da nação, a economia rural da Coreia do Sul também foi completamente devastada. Outrora um celeiro, ela transformou-se numa região assolada pela fome, e as condições de vida dos camponeses chegaram ao extremo da ruína.

No plano cultural, a Coreia do Sul encontra-se na mesma situação da época do imperialismo japonês. Sob a proteção dos imperialistas estadunidenses, os elementos pró-japoneses e os traidores da nação destruíram todas as instituições democráticas de imprensa e cultura, forçaram as organizações democráticas a passar à clandestinidade e ameaçam os compatriotas sul-coreanos com a prisão, a tortura, a execução e o terror.

Tal é o trágico balanço dos três anos de domínio da Coreia do Sul pelos imperialistas ianques, pelos elementos pró-japoneses, pelos traidores da nação e pelos reacionários manipulados por eles.

Os reacionários da Coreia do Sul conspiraram com os imperialistas ianques, desempenhando o papel de traidores que vendem a pátria, para fazer fracassar a resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países. Esses reacionários traidores da pátria incitaram por todos os meios possíveis os imperialistas ianques a frustrar o trabalho da Comissão Conjunta URSS-EUA e a levar ilegalmente a questão da Coreia à ONU. Apoiaram a chamada "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", criada ilegalmente pelos imperialistas ianques, e, juntamente com estes, organizaram as pérfidas eleições separadas na Coreia do Sul.

Ao realizarem essas eleições em 10 de maio, os imperialistas estadunidenses, os elementos pró-japoneses e os traidores da nação da Coreia do Sul pretendiam transformar o Paralelo 38 numa fronteira permanente e fazer da Coreia uma colônia dos EUA.

Por meio das eleições separadas na Coreia do Sul, os imperialistas estadunidenses arquitetaram a formação de um governo fantoche composto por elementos pró-japoneses e traidores da nação, a fim de executar, por meio dele, sua sinistra política de escravização colonial de toda a Coreia. Estão tramando diversas maquinações para que a ONU o reconheça como governo de toda a Coreia, apesar de sua ilegitimidade.

Com esse governo fantoche, formado por traidores que vendem a pátria, os imperialistas ianques executarão de maneira ainda mais aberta sua política agressiva na Coreia do Sul. Pretendem permanecer indefinidamente nessa região e transformá-la em sua base militar no Extremo Oriente, alegando que isso é exigido pelo referido governo.

A esse respeito, gostaria de chamar a atenção para um fato grave.

A política dos EUA em relação ao Japão não consiste em eliminar, mas em preservar os elementos militaristas e as forças latentes da indústria bélica daquele país. Até hoje, as autoridades militares estadunidenses não puniram os principais criminosos de guerra japoneses, nem tomaram qualquer medida para punir os demais criminosos. O militarismo continua existindo no Japão como antes, e o perigo do ressurgimento do Japão imperialista aumenta ainda mais. O renascimento do imperialismo japonês, inimigo jurado de nossa nação, indigna o povo coreano e os povos de outros países asiáticos, suscitando profunda preocupação entre eles.

O povo coreano sabia o quanto as pérfidas eleições separadas na Coreia do Sul eram perigosas para o destino da pátria. Por isso, levantou-se como um só contra elas.

A Conferência Conjunta de Representantes de 56 partidos políticos e organizações sociais da Coreia do Norte e do Sul, convocada em oposição às referidas eleições de 10 de maio, adotou a histórica resolução de não participar delas, a fim de superar a crise nacional criada em nossa pátria. Essa Conferência Conjunta do Norte e do Sul revelou ao mundo os crimes contra a pátria cometidos pelos elementos pró-japoneses e pelos traidores da nação, que, manipulados pelos imperialistas estadunidenses, tentavam organizar eleições separadas na Coreia do Sul. Reconheceu que, na atual situação política, a retirada dos exércitos soviético e estadunidense constituía o caminho mais racional para solucionar a questão coreana e enviou aos governos dos dois países uma solicitação exigindo a retirada de suas tropas da Coreia.

Em resposta à solicitação da Conferência Conjunta do Norte e do Sul, o governo soviético declarou mais uma vez estar disposto a retirar seu exército da Coreia e, como primeiro passo para concretizar essa decisão, reduziu seus efetivos militares na Coreia do Norte.

Entretanto, o governo dos EUA não apenas deixou de responder à solicitação da Conferência Conjunta do Norte e do Sul, como também realizou, sob a proteção das baionetas, as eleições separadas que havia planejado na Coreia do Sul.

A Reunião Consultiva dos Dirigentes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul, realizada no final de abril, após a Conferência Conjunta do Norte e do Sul, decidiu convocar, depois da retirada dos exércitos soviético e estadunidense de nossa pátria, uma reunião política de toda a Coreia, em nome dos partidos políticos e das organizações sociais do Norte e do Sul, para estabelecer um governo democrático provisório da Coreia, eleger posteriormente o órgão legislativo supremo da Coreia por meio do sufrágio universal, igualitário, direto e secreto, promulgar a Constituição e fundar um governo democrático unificado da Coreia.

Não obstante, na Coreia do Sul, os elementos pró-japoneses e os traidores da nação, seguindo a política de escravização colonial dos imperialistas ianques, realizaram eleições separadas, elegeram um parlamento composto por eles próprios e formaram um governo reacionário fantoche, liderado por Ri Sung Man, alimentado com pão ianque.

Nessas condições, o povo coreano não podia limitar-se a esperar a retirada de nossa pátria do exército ianque, que nem sequer pensava em fazê-lo. Assim, no final de junho passado, foi convocada em Pyongyang uma nova Reunião Consultiva dos Dirigentes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul.

A Reunião decidiu colocar em vigor o quanto antes a Constituição da República Popular Democrática da Coreia e, com base nela, convocar eleições para deputados à Assembleia Popular Suprema da Coreia, estabelecendo assim um governo central coreano. Considerando que essa Reunião representava a vontade da esmagadora maioria do povo coreano, a Assembleia Popular da Coreia do Norte decidiu, em 10 de julho passado, realizar naquela parte do país eleições para deputados à Assembleia Popular Suprema da Coreia. A esmagadora maioria dos partidos políticos e das organizações sociais da Coreia do Sul também decidiu realizá-las naquela região.

O povo coreano sabe muito bem que, na situação atual de nossa pátria, esperar de braços cruzados, sem tomar qualquer medida para a salvação nacional, pela retirada do exército ianque constitui um crime que as gerações futuras jamais perdoarão.

Como todos sabem, o parlamento criado na Coreia do Sul após as fraudulentas eleições separadas de 10 de maio não conta com nenhum representante dos operários ou dos camponeses, nem dos partidos políticos e das organizações sociais de caráter democrático que lutam pela reunificação da pátria.

Os operários e os camponeses constituem a esmagadora maioria do povo coreano, e os partidos políticos e as organizações sociais que lutam pela reunificação da pátria representam a esmagadora maioria dos partidos e organizações de toda a Coreia.

Apesar disso, não há nenhum representante dessa esmagadora maioria no parlamento nem no governo separado da Coreia do Sul. Eis a razão pela qual a esmagadora maioria do nosso povo coreano não reconhece nem esse parlamento nem esse suposto governo, ambos reacionários e antipopulares.

O povo coreano, que anseia pela reunificação da pátria e pela democracia, deseja fundar um genuíno órgão supremo do Poder popular e um governo democrático unificado. Não há dúvida de que todo o povo da Coreia do Norte e do Sul acabará estabelecendo tais órgãos por meio de sua luta e de seus esforços patrióticos. Nenhuma força é capaz de fazer o povo coreano recuar em sua luta pela reunificação da pátria e pela democracia.

O povo coreano rejeitou unanimemente as pérfidas eleições separadas de 10 de maio e não participou delas. Os elementos pró-japoneses, os traidores da nação da Coreia do Sul e a administração militar ianque só conseguiram encenar essa farsa eleitoral recorrendo à coerção e à violência, ao engano e à falsidade. Agora, na Coreia do Sul, os elementos pró-japoneses, os traidores da nação e a administração militar ianque perpetram toda espécie de atos repressivos e brutais, mobilizando a polícia e grupos terroristas reacionários, tal como fizeram nas pérfidas eleições separadas de 10 de maio, a fim de frustrar as eleições para deputados à Assembleia Popular Suprema da Coreia.

Apesar disso, o povo coreano se unirá ainda mais firmemente na luta pela reunificação da pátria, e qualquer tentativa do inimigo de frustrar essas eleições fracassará inevitavelmente. Todos os acontecimentos ocorridos neste ano na Coreia do Sul demonstram que as forças democráticas, agrupadas e unidas na luta pela reunificação da pátria, são muito mais fortes do que as forças reacionárias.

3. Nossas tarefas

Compatriotas:

Hoje, a tarefa política mais importante que a população da Coreia do Norte enfrenta é realizar com êxito, em 25 de agosto, as eleições para deputados à Assembleia Popular Suprema da Coreia.

Essas eleições serão mais genuínas e democráticas, pois serão realizadas por meio do sufrágio universal, igualitário, direto e secreto. Com sua proximidade, constituem um importante acontecimento político na vida do nosso povo coreano, uma vez que, por meio delas, instituiremos a Assembleia Popular Suprema da Coreia e fundaremos um governo central coreano que lutará pela reunificação e pela independência da pátria e pela democracia.

A eleição do órgão legislativo supremo da Coreia constitui uma nova medida de salvação nacional para reunificar a pátria e conquistar a democracia. Por conseguinte, realizá-la com êxito é, neste momento, a tarefa suprema de todo o povo coreano.

Os comitês populares de todos os níveis, os partidos políticos e as organizações sociais da Coreia do Norte procurarão garantir que todos os eleitores participem das eleições sem falta e, sobretudo, as comissões eleitorais envidarão grandes esforços para assegurar que as eleições tenham um verdadeiro caráter democrático.

Participar ativamente das eleições é um honroso dever do cidadão. Todos os eleitores deverão participar como um só na votação de 25 de agosto para eleger os deputados à Assembleia Popular Suprema da Coreia e demonstrar mais uma vez o espírito combativo e patriótico do povo coreano pela reunificação e pela independência da pátria e pela democracia.

No plano econômico, cabe-nos a pesada tarefa de eliminar completa e o mais rapidamente possível as deformações coloniais da economia do nosso país.

O imperialismo japonês, que aplicou uma política econômica colonial na Coreia, transformou a indústria do nosso país num apêndice da indústria japonesa, tornando-a incapaz de se desenvolver de maneira independente. Por isso, uma tarefa importante que temos pela frente é eliminar completamente o caráter colonial da indústria do nosso país e conferir-lhe um caráter independente. O desenvolvimento geral da economia nacional do país está estreitamente relacionado com o desenvolvimento da indústria.

Antes de tudo, devemos fomentar a indústria mecânica, mãe das indústrias, e, especialmente, dedicar grande atenção e interesse à produção de máquinas-ferramentas. É necessário ampliar a Fábrica de Aparelhos Elétricos de Kangso, modernizá-la com instalações para fabricar transformadores e motores elétricos, bem como criar novos ramos de produção em algumas empresas.

Na indústria leve, é necessário fortalecer a indústria têxtil e aumentar ao máximo a produção de seda e fibras artificiais, a fim de fornecer ao povo uma maior variedade de roupas.

Na indústria de materiais de construção, é necessário envidar esforços para atender à demanda de cimento, tijolos, vidro e outros materiais, demanda que cresce à medida que se ampliam e desenvolvem as construções básicas.

Em resumo, nos próximos dois anos, devemos eliminar as deformações existentes na indústria do nosso país e criar novos ramos de produção para fomentar a indústria nacional e alcançar ou superar, na produção industrial, o nível de 1944.

Na economia rural, é necessário aumentar ainda mais a produção, sem nos contentarmos com o fato de já termos superado, na produção de cereais, o nível anterior à libertação.

Devemos tomar medidas para melhorar os métodos de cultivo atrasados e ampliar ao máximo a superfície dedicada ao cultivo de arroz. Para isso, é necessário realizar grandes obras de irrigação e concluir, nos próximos dois anos, a grandiosa obra de irrigação de Phyongnam.

Além disso, para atender satisfatoriamente à demanda de matérias-primas da indústria em desenvolvimento, é necessário ampliar ainda mais a superfície cultivada com plantas industriais. Dessa maneira, deveremos satisfazer integralmente, em dois anos, as necessidades alimentares do povo e as necessidades de matérias-primas da indústria.

O rápido desenvolvimento da economia nacional está estreitamente relacionado com o progresso do ensino, da cultura e da arte nacionais.

Nos próximos dois anos, devemos formar um grande número de quadros nacionais, aumentando rapidamente o número de institutos e escolas especializadas, dotando-os de instalações suficientes e elevando a qualidade de seu trabalho docente; devemos também aperfeiçoar os preparativos para a implantação do ensino primário obrigatório.

Só poderemos realizar com êxito todas essas importantes tarefas que temos pela frente se cumprirmos o plano da economia nacional para 1948. Portanto, devemos estabelecer o cumprimento desse plano como tarefa imediata da construção econômica e impulsioná-lo vigorosamente.

Essas são, em linhas gerais, nossas tarefas nos âmbitos político, econômico e cultural.

Esforçar-se pelo desenvolvimento político, econômico e cultural da nossa pátria é a tarefa necessária para estabelecer bases sólidas para a República Popular Democrática da Coreia.

Para realizar com êxito essas tarefas nacionais, devemos consolidar mais do que nunca o comitê popular, nosso órgão de poder, e a Frente Unida Nacional Democrática, poderosa união dos partidos políticos e das organizações sociais de caráter democrático da Coreia do Norte.

Alcançamos grandes êxitos na realização da grandiosa obra de construção democrática. Hoje, os elementos reacionários não dispõem de bases de apoio na Coreia do Norte.

Isso, porém, não significa que tenham renunciado às suas manobras contra a democracia. Eles recorrerão a todos os tipos de maquinações para impedir, ainda que minimamente, o desenvolvimento da nossa Coreia do Norte, contando com o apoio dos elementos pró-japoneses, dos traidores da nação e dos reacionários da Coreia do Sul. Por isso, a tarefa do nosso povo é permanecer no mais alto grau de vigilância. A vigilância é uma poderosa arma de combate para realizar com êxito a democratização da Coreia do Norte.

Todo o povo coreano, que hoje se prepara para as eleições dos deputados à Assembleia Popular Suprema, deve permanecer mais vigilante do que nunca.

Compatriotas:

São verdadeiramente extraordinários os êxitos alcançados pela população da Coreia do Norte na tarefa de consolidar as bases políticas, econômicas e culturais para a construção de um Estado democrático, unificado e independente.

Atualmente, lutamos tenazmente para conquistar novas vitórias na economia nacional, no ensino, na cultura e nos demais setores da construção democrática.

Também no futuro, continuaremos lutando vigorosamente pela reunificação de nossa pátria como um Estado democrático.

Viva a República Popular Democrática da Coreia!

Viva o terceiro aniversário da libertação de 15 de Agosto!

Viva o povo coreano libertado!

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