A medicina Coryo faz parte do precioso patrimônio médico criado e desenvolvido pelos coreanos ao longo de um longo processo histórico.
Durante o período de Cojoson (início do século XXX a.C. – 108 a.C.), os ancestrais procuravam curar doenças com base na concepção primitiva de que a vida humana e as enfermidades estavam relacionadas às condições físicas, ao regime de vida e aos remédios.
Um registro histórico sobre a artemísia e o alho presente no "Mito do Rei Tangun", relato lendário sobre a fundação de Cojoson (Coreia Antiga), mostra que os coreanos já utilizavam essas plantas como medicamentos naquela época.
Diz-se que, naqueles tempos, eles desfrutavam de uma vida relativamente longa graças ao desenvolvimento de diversos métodos terapêuticos que utilizavam abundantes substâncias medicinais.
Os povos dos países vizinhos chamavam Cojoson de Kunjabulsajiguk (país de pessoas virtuosas que desfrutam de longevidade) e frequentemente o visitavam para obter o "elixir da vida" ou a "erva da juventude eterna".
Naquela época, os coreanos criaram e desenvolveram uma terapia baseada no uso de agulhas de pedra.
A esse respeito, um antigo livro de história estrangeiro registrou que os coreanos eram propensos a carbúnculos por apreciarem peixe e alimentos salgados, utilizando agulhas de pedra como um excelente tratamento para essa enfermidade.
Em particular, o povo de Cojoson empenhava-se em manter afastadas as coisas sujas e desordenadas, pois aspirava à limpeza e à pureza, sendo amplamente incentivado a adotar um modo de vida higiênico.
As ciências médicas desenvolveram-se e enriqueceram-se ainda mais durante o período do Reino de Coguryo (277 a.C. – 668 d.C.).
O povo de coguryo utilizava insam (ginseng) para o tratamento e a prevenção de doenças, além de exportar substâncias medicinais vegetais, como pinhões, Schizandra chinensis, raiz de Asarum e Aconitum coreanum, bem como materiais medicinais de origem animal, como a centopeia Scolopendra mutilans.
Em particular, o uso de algas marinhas para o tratamento de doenças da tireoide constitui o registro mais antigo do mundo sobre a utilização de uma substância medicinal contendo iodo.
Durante o período da Dinastia Coryo (918–1392), os coreanos criaram e desenvolveram técnicas médicas baseadas nos medicamentos tradicionais, aperfeiçoando continuamente sua excelente medicina tradicional herdada ao longo de sua extensa história.
Sobre isso, estrangeiros afirmavam que os médicos de Coryo "não utilizavam mais do que três substâncias medicinais para tratar uma doença".
Os médicos da época sistematizaram amplamente seus conhecimentos sobre medicamentos tradicionais, publicando e difundindo livros de medicina que registravam de forma organizada as técnicas e experiências relacionadas ao uso desses medicamentos, incluindo os métodos de cultivo das ervas, sua coleta e processamento, bem como a preparação dos remédios, além de promoverem intercâmbios com outros países.
Hyangyakhyemingyonghombang, compilado nos últimos anos de Coryo, é um livro de medicina que apresenta prescrições capazes de curar facilmente doenças por meio de medicamentos tradicionais. A obra foi utilizada como livro didático para a formação de médicos nos primeiros anos da dinastia feudal de Joson (1392–1910).
Durante esse período, as ciências médicas baseadas nos medicamentos tradicionais passaram a fundamentar-se em bases científicas e sistemáticas, enquanto o sistema de ensino da medicina foi aperfeiçoado.
Os ancestrais acumularam vasta experiência tanto no cultivo quanto na coleta de ervas medicinais.
Em especial, o êxito no cultivo experimental do alcaçuz levou o Estado a adotar medidas para difundir seu cultivo em todo o país e, com o início do cultivo do insam, foram adquiridas valiosas experiências que permitiram o aperfeiçoamento de seus métodos de cultivo.
A técnica de produção do rabyak possibilitou ao setor farmacêutico utilizar os medicamentos tradicionais de forma mais eficaz.
Rabyak refere-se a um medicamento preparado com água do degelo ou do orvalho recolhida imediatamente antes ou depois do rabil (terceiro ou quarto dia após 22 ou 23 de dezembro). Esses medicamentos também eram exportados para outros países como uma especialidade coreana.
Também foram alcançados importantes êxitos no campo da cirurgia.
Naquela época, o método de tratar feridas mediante a aplicação de agulhas para desintoxicação, seguido da limpeza com água salgada fervida antes da aplicação de medicamentos de uso externo, bem como a técnica cirúrgica de incisar abscessos e remover o pus, contribuíram significativamente para o desenvolvimento da cirurgia.
Foi estabelecido um sistema teórico da acupuntura e da moxabustão ao estilo coreano, e a vacinação contra a varíola foi introduzida, marcando uma transformação inovadora na prevenção das doenças infecciosas.
A teoria médica das quatro constituições físicas, desenvolvida nos últimos anos da dinastia feudal de Joson, constitui um elemento do patrimônio da medicina Coryo que deixou uma marca indelével na história do desenvolvimento da medicina tradicional coreana e das ciências médicas modernas.
Além disso, o povo coreano criou e desenvolveu técnicas médicas originais adequadas às suas constituições físicas por meio de terapias como a moxabustão e a ventosaterapia.
Ryo Kyong Son, vice-diretor responsável pelos assuntos técnicos do Hospital Geral de Medicina Coryo.

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