domingo, 26 de julho de 2026

Sobre a formação do Comitê da Frente Unida Nacional Democrática

Relatório apresentado pelo camarada Kim Il Sung Conferência de Representantes dos Partidos Políticos e Organizações Sociais Democráticas da Coreia do Norte

22 de julho de 1946

Senhores;

Camaradas:

Após a libertação, no Norte da Coreia, nosso povo realizou com êxito reformas democráticas de grande significado histórico. Graças aos esforços conjuntos dos partidos políticos e das organizações sociais democráticas, foi estabelecida no Norte da Coreia uma sólida base para construir, no futuro, uma Coreia democrática unificada.

Sobretudo, depois da publicação da resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países sobre a questão da Coreia, as forças democráticas alcançaram um rápido fortalecimento no Norte da Coreia, incorporando milhões de pessoas aos partidos políticos e às organizações sociais democráticas.

As principais organizações sociais e o número de seus filiados:

Sindicatos

350 mil

União dos Camponeses

mais de 1 milhão e 800 mil

União da Juventude Democrática

quase 1 milhão

União das Mulheres

mais de 600 mil

Federação dos Artistas

mais de 10 mil

No Norte da Coreia estabelecemos o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, um genuíno poder do povo, baseado em uma ampla frente unida dos partidos políticos e das organizações sociais democráticas.

A primeira grande tarefa cumprida pelo Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte foi a reforma agrária, que liquidou as relações feudais de propriedade da terra e de exploração, as quais durante séculos haviam retardado e impedido o desenvolvimento social de nosso país, e distribuiu as terras entre os camponeses segundo o princípio de "a terra para quem a trabalha". A reforma agrária, realizada de forma resoluta mediante a mobilização de todo o povo, de todos os partidos políticos e das organizações sociais, abriu um amplo caminho para a democratização da Coreia e para o desenvolvimento da economia nacional, além de destruir a base socioeconômica dos pró-japoneses e dos traidores da nação.

Todas as instalações industriais e os equipamentos de transporte que haviam sido paralisados devido ao prolongado saque colonial e à destruição por parte dos imperialistas japoneses estão recuperando seu funcionamento normal, e os camponeses, agora proprietários da terra, travam uma vigorosa luta pelo aumento da produção de cereais.

Além disso, com o objetivo de eliminar os resquícios da exploração colonial e melhorar radicalmente as condições de trabalho e a situação material dos operários e empregados, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou a Lei do Trabalho democrática e a aplica com êxito. Essa lei liquidou completamente a opressão e a exploração coloniais e feudais sobre o trabalho, trazendo à nossa classe operária a libertação democrática. Assim, tornou-se possível melhorar as condições de trabalho e de vida dos operários e empregados de escritório, bem como restaurar e desenvolver a indústria.

Em seguida, foi estabelecido o sistema de imposto agrícola em espécie, que eliminou toda espécie de tributo imposto aos camponeses durante o período de dominação do imperialismo japonês, criando assim a possibilidade de melhorar rapidamente as condições materiais e culturais de vida dos camponeses e consolidar ainda mais a vitória da reforma agrária no campo. A implantação desse sistema incentivou os camponeses a participar mais ativamente do aumento da produção agrícola e da construção do Estado, promovendo um maior dinamismo nas áreas rurais. Dessa forma, nossos camponeses compreenderam ainda mais profundamente que o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte é um poder que defende plenamente os seus interesses, os interesses de todo o povo.

No Norte da Coreia, nossa cultura nacional também progride rapidamente, assim como os demais setores. As instituições educacionais e culturais, que antes serviam ao imperialismo japonês, estão sendo reorganizadas como organismos de caráter popular que servem inteiramente aos interesses de nossa nação, e uma nova cultura nacional de conteúdo democrático começou a se desenvolver.

Nos dias que se passaram, estabelecemos, no centro e em todas as localidades, instituições de ensino popular, diversas escolas e cursos para formar quadros nacionais, além de numerosas escolas para adultos. Já existem mais de quatro ou cinco escolas de nível central em funcionamento, entre elas a Escola Central de Quadros Políticos e a Escola de Quadros de Segurança. Além disso, estamos preparando a criação de uma universidade e de 16 escolas médias especializadas. Em breve estaremos em condições de enviar anualmente à linha de frente da construção do Estado milhares de quadros nacionais competentes, dotados de uma nova formação.

Além disso, está sendo instalado um grande número de estabelecimentos culturais, como bibliotecas, clubes, teatros, redações de jornais e editoras, e, fiéis à política do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, cientistas, artistas e muitos outros intelectuais multiplicam seus esforços para construir uma cultura nacional democrática na nova Coreia.

Esses fatos demonstram claramente que, no Norte da Coreia, as reformas democráticas e a construção econômica e cultural estão sendo realizadas com êxito, e que está sendo preparada de forma sólida a base da nova Coreia democrática.

Mas não podemos adormecer sobre os louros das vitórias já alcançadas. No futuro teremos de trabalhar muito mais e, superando obstáculos e dificuldades ainda maiores, construir sem falta um Estado independente, democrático, unificado, rico e poderoso. Para isso, devemos unir-nos de maneira ainda mais sólida e lutar com maior coragem e perseverança.

O fato de a Comissão Conjunta URSS-EUA, recentemente convocada em Seul, ter suspendido seus trabalhos exige que todos os patriotas e ativistas políticos da Coreia elevem ainda mais sua vigilância política. A interrupção das atividades dessa Comissão e a situação criada posteriormente no Sul da Coreia evidenciaram claramente diante do mundo a tradicional política colonial dos imperialistas estadunidenses em relação às nações fracas e pequenas e suas ambições sobre a Coreia. A camarilha de Ri Sung Man, chefe das forças pró-japonesas e traidoras da nação, em conluio com o imperialismo estadunidense, líder da reação mundial, vem se opondo por todos os meios vis à resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países, destinada a assegurar a independência nacional e o desenvolvimento democrático da Coreia, impedindo por todos os meios o estabelecimento de um governo provisório democrático da Coreia.

Entretanto, hoje o mundo caminha para a democracia. Os povos de diversos países europeus, libertados do jugo da Alemanha fascista, estabeleceram poderes populares democráticos, rejeitando as intrigas de todos os reacionários internos e externos, e impulsionam vigorosamente a reconstrução do Estado. Também no Oriente, o povo de um grande país como a China luta corajosamente pela liberdade e pela emancipação de sua pátria, enfrentando os imperialistas e as forças reacionárias internas. Em poucas palavras, o mundo avança e progride sob a bandeira da liberdade, da independência nacional e da democracia.

Também a questão da Coreia deve ser e será resolvida, sem falta, sob essa bandeira e pelo caminho seguido pelo mundo inteiro. O povo coreano jamais tolerará qualquer conspiração agressiva dos imperialistas e, além disso, acabará derrotando todas as manobras traiçoeiras dos traidores da nação, como Ri Sung Man.

O caminho que hoje a Coreia deve seguir não é o caminho antinacional, antipopular e antidemocrático que pretende fazer a roda da história retroceder, mas sim o caminho que assegura a completa independência de nossa nação, garante um novo desenvolvimento democrático e torna possível o avanço da história. Esse é precisamente o caminho que nosso povo empreendeu no Norte após a libertação para construir uma nova Coreia democrática, o caminho voltado ao estabelecimento de um governo provisório democrático unificado.

Dirigentes de todos os partidos políticos e das organizações sociais!

Seguindo esse caminho correto, devemos realizar a aspiração histórica de nossa nação e conquistar a completa soberania e independência democráticas da Coreia.

O mais importante para cumprir essa grande tarefa é alcançar uma sólida unidade e coesão, bem como uma colaboração ainda mais estreita entre todos os partidos políticos e as organizações sociais democráticas.

Até hoje, é verdade, realizamos com êxito muitos trabalhos com base na frente unida democrática de todos os partidos políticos e das organizações sociais. Mas não podemos nos dar por satisfeitos com isso. Para construir uma nova Coreia democrática, devemos colaborar de maneira ainda mais estreita, unir-nos firmemente como membros de uma mesma família e agrupar todo o povo coreano sob a bandeira da Frente Unida Nacional Democrática. Essa é precisamente a medida necessária para estabelecer o mais rapidamente possível um governo provisório democrático unificado da Coreia, a garantia mais importante para alcançar a completa soberania, a independência e o desenvolvimento democrático da Coreia.

Eis o principal objetivo que perseguimos ao nos reunirmos hoje neste lugar para formar o Comitê da Frente Unida Nacional Democrática.

Somente organizando esse Comitê poderemos desenvolver, de forma unificada e mais vigorosa, à frente de todo o povo, a luta contra o imperialismo estadunidense e seu lacaio, a camarilha vende-pátria de Ri Sung Man. E, por meio dessa luta, estabelecer um governo provisório democrático unificado e alcançar a plena soberania e independência democráticas da nova Coreia.

Por meio das atividades do Comitê da Frente Unida Nacional Democrática poderemos organizar e mobilizar de maneira mais ampla as forças patrióticas e democráticas das diferentes classes e camadas do povo, assegurar uma colaboração ainda mais estreita e a ação unificada de todos os partidos políticos e das organizações sociais, consolidando assim de forma ainda mais sólida a base democrática no Norte da Coreia.

É evidente que a tarefa hoje colocada de construir uma nova Coreia democrática não pode, de forma alguma, ser cumprida apenas pela força de um único partido político, mas sim pela força conjunta e pela luta unida de todos os partidos políticos e das organizações sociais democráticas. Tanto na luta política quanto na construção econômica e cultural, só poderemos sair vitoriosos se assumirmos conjuntamente essa responsabilidade e nos esforçarmos unidos para esse fim.

A Plataforma de 20 Pontos, que promulgamos às vésperas do estabelecimento de um governo provisório democrático, deve ser naturalmente o programa comum de nosso Comitê da Frente Unida Nacional Democrática e o guia de todas as atividades que desenvolvermos.

A justeza da Plataforma de 20 Pontos foi comprovada de maneira ainda mais clara na prática, e as tarefas nela estabelecidas vêm sendo realizadas gradualmente no Norte da Coreia. Com o objetivo de construir com êxito uma nova Coreia e desenvolvê-la em uma direção verdadeiramente democrática, devemos seguir infalivelmente a linha exposta na Plataforma de 20 Pontos. O governo provisório democrático unificado também deve ser estabelecido necessariamente com base nessa Plataforma. E isso igualmente só poderá ser alcançado com o esforço conjunto de todos os partidos, de todas as organizações sociais e de todo o povo.

Para fortalecer ainda mais o comitê popular, também é indispensável um organismo consultivo comum de todos os partidos políticos e das organizações sociais. É absolutamente necessário que assumamos conjuntamente essa responsabilidade, ajudando-nos mutuamente e envidando esforços em uníssono para consolidar ainda mais o Poder popular.

Hoje nos deparamos com a importante tarefa de impulsionar ainda mais o trabalho do comitê popular, baseado na Frente Unida Nacional Democrática. É urgente que o Comitê dessa Frente lhe preste ajuda com a máxima atenção e sinceridade em seu trabalho.

Para facilitar a ajuda mútua, a discussão e a solução oportuna dos problemas, mediante uma ligação mais estreita entre os representantes de todos os partidos políticos e das organizações sociais, precisamos de um organismo que coordene organicamente a atividade de cada um deles, e a situação geral atual exige com urgência a sua constituição. Tal organismo desempenhará um enorme papel na tarefa de influenciar a população do Sul da Coreia, animando-a e incentivando-a a realizar ali também, em curto espaço de tempo, reformas democráticas iguais às do Norte.

Até agora, os representantes de todos os partidos políticos e das organizações sociais limitavam-se a reunir-se de tempos em tempos para examinar algum assunto quando necessário, sem dispor de um organismo consultivo permanente. O comitê popular, evidentemente, foi criado com base na Frente Unida Nacional Democrática, mas, seja como for, é um órgão de poder e não pode ser o organismo consultivo de todos os partidos políticos e das organizações sociais.

Partindo da necessidade que acabo de mencionar, proponho formar nesta reunião dos dirigentes de todos os partidos políticos e das organizações sociais o Comitê Central da Frente Unida Nacional Democrática. E considero necessário organizar seus comitês em diferentes níveis, nas províncias, cidades e condados.

O Comitê da Frente Unida Nacional Democrática não deve ser um organismo manipulado arbitrariamente por algum partido, mas um órgão consultivo no qual todos os partidos possam expressar suas opiniões em igualdade de posição e de direitos. Por isso, proponho que sua presidência seja exercida de forma rotativa pelo responsável de cada partido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário