quarta-feira, 29 de julho de 2026

Poetisa que rompeu as amarras do feudalismo

Doutora e Professora Associada Ok Myong Sim

Faculdade de Língua e Literatura Coreanas da Universidade Kim Il Sung

O grande Líder camarada Kim Il Sung ensinou:

“No passado, as mulheres coreanas foram desprezadas e discriminadas durante séculos tanto na sociedade quanto na família em consequência da velha ideologia feudal da superioridade masculina e da inferioridade feminina. Para elas, participar da vida social era algo inimaginável.”

Nas épocas históricas passadas, as mulheres coreanas eram socialmente desprezadas e discriminadas simplesmente por serem mulheres e, além disso, em razão das amarras da moral e da ética feudais, não podiam sequer exercer sua dignidade e seus direitos como seres humanos.

Na primeira metade do século XIX, quando a sociedade feudal, que havia perdurado por muito tempo, começou a desmoronar, fortaleceu-se entre as mulheres, que nem sequer podiam sair de casa devido aos velhos costumes da superioridade masculina e da inferioridade feminina, a tendência de buscar uma vida livre e libertar-se das amarras do feudalismo.

Uma das mulheres que representaram essa tendência foi a célebre poetisa Kim Kum Won (1804–?).

Desde a infância, ela era conhecida por sua beleza, seu temperamento alegre e seu notável talento poético.

Kim Kum Won desejava que as mulheres também pudessem deixar os limites do lar feudal e viver livremente no amplo mundo.

Sobre isso, ela escreveu o seguinte em "Hodong Sorakki":

“Se também as mulheres são seres humanos, por que devem passar a vida encerradas nos profundos aposentos do palácio ou nos recantos ocultos da casa, sem poder entrar e sair livremente? Não é isso o mesmo que estar preso numa cela sem ter cometido crime algum? As flores que desabrocham, a lua que se eleva, as montanhas célebres e os grandes rios estão logo além da porta, mas não podemos contemplá-los nem passear livremente. Não significa isso esmagar até mesmo a menor aspiração que nos seria permitido desfrutar?”

Essas palavras exprimiam seu lamento pela condição de ter nascido mulher e, ao mesmo tempo, constituíam uma condenação da irracional sociedade feudal que restringia a liberdade de ação das mulheres.

A partir de então, Kim Kum Won finalmente rompeu as barreiras de sua casa e partiu para conhecer o mundo, compondo poemas em todos os lugares por onde passava, inspirados naquilo que via e sentia.

O primeiro lugar que visitou foi o Monte Kumgang, considerado a mais bela paisagem sob o céu.

Ao percorrer o célebre Monte Kumgang numa cálida primavera, quando toda a natureza despertava para a vida, ela encheu-se de alegria sem limites e, profundamente encantada por sua paisagem singular e natureza deslumbrante, deixou fluir de seus lábios sucessivos versos de admiração.

"Ao chegar a este famoso lugar, a paisagem parece ainda mais nova.

Enquanto as flores caem e os pássaros cantam, lamento os dias que passaram.

A floresta, coberta pelo esplendor da primavera, é bela como uma pintura,

E o murmúrio do riacho no vale traz alívio ao coração."

Esse é um trecho do poema "Ao Entrar no Monte Kumgang".

Quanto mais contemplava a magnífica paisagem do Monte Kumgang, que revelava uma nova beleza a cada passo, mais lamentava os dias em que permanecera confinada ao quarto interior de sua casa.

Kim Kum Won permaneceu durante vários meses no Monte Kumgang, percorrendo todas as suas paisagens deslumbrantes e seus famosos sítios históricos, deixando, por onde passava, preciosos poemas.

Posteriormente, enquanto desfrutava plenamente da beleza serena das montanhas e rios de sua pátria, compôs poemas como "A Canção do Barco em Ryongsan", "Chuvisco", "Ao Subir o Pavilhão Mangsin" e "No Pavilhão Tonggun", nos quais cantou com orgulho a beleza natural de sua terra natal.

Assim, embora Kim Kum Won não tenha dedicado sua poesia aos graves problemas sociais de seu tempo, diferentemente das poetisas comuns que lamentavam a vida reclusa em seus aposentos ou entoavam amores impossíveis na saudade do amado, ela foi uma poetisa talentosa que ansiava por uma vida livre como ser humano, teve a coragem de colocar esse ideal em prática e possuía a habilidade de transformar em poesia tudo aquilo que contemplava no mesmo instante. Sua coletânea de poemas, "Kumwon Sicho", chegou até os dias de hoje.

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