15 de agosto de 1946
Queridos compatriotas:
Hoje comemoramos um aniversário histórico: completa-se um ano desde que a nossa nação coreana se libertou da opressão dos imperialistas japoneses.
Por ocasião do primeiro aniversário da libertação, envio calorosas felicitações aos meus queridos compatriotas. Ao mesmo tempo, presto homenagem aos nossos mártires revolucionários que tombaram pela libertação da Coreia.
O 15 de agosto é o grande dia da libertação em que a nossa nação começou a forjar uma nova história. Neste exato dia, nós, coreanos, encontramos a aurora após uma longa vida de trevas. Finalmente, o nosso povo recuperou a liberdade de expressão, de imprensa, de reunião, de associação e de crença religiosa, liberdade pela qual havia aspirado e ansiado durante muito tempo. Agora, também nós, coreanos, temos a possibilidade de organizar tranquilamente a nossa vida, erguer o nosso próprio Estado e desenvolver a nossa própria cultura nacional.
Sabemos bem que essas liberdades do povo coreano foram conquistadas ao preço do sangue de numerosos mártires revolucionários que demonstraram coragem e heroísmo sem limites no longo curso da luta contra os inimigos, e à custa dos indizíveis sofrimentos e da luta inflexível do povo.
O ano transcorrido desde a libertação, embora tenha sido um período curto, constituiu uma etapa de mudanças transcendentes na história da nossa nação.
As grandes reformas democráticas realizadas em apenas um ano pelo nosso povo na Coreia do Norte representam uma magnífica realidade daquilo que não havia podido alcançar durante séculos.
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Durante os 36 anos passados, a nação coreana esteve gemendo sob a violenta opressão política do imperialismo japonês, a sua exploração econômica e a sua opressão cultural.
Depois de ocupar a Coreia, os imperialistas japoneses, para se apoderarem de todas as riquezas do nosso país e convertê-lo totalmente num mercado para os seus produtos, permitiram que aqui se desenvolvessem apenas a indústria de extração de matérias-primas e uma insignificante indústria de produtos semielaborados, restringindo por todos os meios o desenvolvimento da indústria pesada, base da indústria moderna, e o progresso da indústria leve. Investiram o seu capital na Coreia para saquear ilimitadamente as suas riquezas e sugar o sangue do seu povo. Assim, converteram a Coreia em fonte de produção de matérias-primas e mercado do Japão, bem como em campo de investimento dos seus plutocratas militares. Impediram o desenvolvimento independente da economia coreana, conduziram o povo coreano à bancarrota econômica, à fome e à miséria e, explorando a mão de obra barata da Coreia, levaram para o Japão lucros colossais.
Ao monopolizarem o comércio exterior do nosso país, os imperialistas japoneses romperam os vínculos da economia coreana com o mercado mundial, convertendo-a completamente num apêndice do Japão. Para favorecer a expansão do capital monopolista japonês, travaram por todos os meios o crescimento do capital nacional coreano.
O imperialismo japonês, que havia ocupado a Manchúria em setembro de 1931 para preparar a guerra de agressão contra a União Soviética, começou a criar na Coreia bases de metalurgia, indústria química e outras indústrias bélicas, construiu mais linhas férreas, ampliou os portos e outros meios de transporte com fins estratégicos e para transportar matérias-primas. Para realizar todas essas obras, explorou ainda mais cruelmente o povo coreano.
Em consequência dessa política de pilhagem do imperialismo japonês, toda a economia da Coreia ficou sob o controle do capital monopolista japonês, fato plenamente confirmado pelas próprias estatísticas japonesas, segundo as quais, do total do capital interno da Coreia, os japoneses possuíam 93%; outros estrangeiros, 2%; e o capital coreano não ultrapassava 5%.
Os imperialistas japoneses pagavam baixos salários aos operários e empregados de escritório coreanos; sobretudo às operárias e às crianças pagavam um salário miserável de 30 a 50 jons em troca de 12 a 16 horas de trabalho forçado, o que lhes permitia obter enormes e inauditos lucros coloniais. Nas fábricas, minas e empresas, as condições de trabalho eram tão miseráveis quanto as das próprias prisões, onde os imperialistas japoneses exploravam os operários coreanos como se fossem prisioneiros. Em suma, impuseram ao povo coreano uma existência de escravidão em condições desumanas.
Além disso, os imperialistas japoneses impediram ao máximo o desenvolvimento da economia rural na Coreia. Desde os primeiros dias da ocupação da Coreia, aplicaram uma política destinada a tomar dos coreanos grandes extensões de terra, arruinaram a economia camponesa com métodos de exploração feudal, destruíram inclusive o artesanato rural, impuseram elevadas rendas de arrendamento, numerosos tributos, bem como a usura e o trabalho forçado, lançando os camponeses num abismo de fome. Todos os anos levavam para o Japão mais de 10 milhões de soks de arroz, fruto do trabalho dos nossos camponeses. Assim, um grande número de coreanos sobrevivia com dificuldade alimentando-se de ervas, cascas de árvores e milhete trazido da Manchúria, e muitos camponeses, que ficaram sem terra, viram-se obrigados a mudar-se para as cidades, aumentando a multidão de indigentes.
Ao mesmo tempo, os imperialistas japoneses impuseram uma política de terror medieval sem precedentes na história do mundo pela sua ferocidade. Retiraram todos os direitos e liberdades da nação coreana, proibindo até mesmo a mais mínima liberdade de palavra, de imprensa, de reunião, de associação e de crença religiosa. Para manter a sua dominação colonial, instalaram em mais de 2.500 locais da Coreia organismos policiais e de gendarmaria, mantiveram permanentemente mais de três divisões das forças armadas e perpetraram repressões armadas e massacres.
O imperialismo japonês levou a cabo igualmente uma política nefasta no campo da cultura. A sua política cultural na Coreia tinha por objetivo suprimir a vontade de luta e o espírito patriótico dos coreanos, que se opunham à opressão imperialista e feudal, e convertê-los em seus escravos eternos. Monopolizou a totalidade das instituições científicas, educacionais e culturais e, valendo-se delas, procurou erradicar as tradições, a língua, a consciência e o orgulho nacionais do povo coreano. Em vez de difundir a ciência e a tecnologia, propagou o obscurantismo e o misticismo e impôs à força ideias escravizantes, suprimindo o espírito de independência com o objetivo de apagar o valioso patrimônio cultural da nação coreana e transformar o seu povo, que possuía uma longa tradição cultural de cinco milénios, numa nação ignorante e bárbara. Além disso, prendeu e assassinou indiscriminadamente os melhores cientistas, escritores e artistas da nossa nação.
A ferocidade da política colonial do imperialismo japonês atingiu o seu grau extremo depois do Incidente de 18 de setembro de 1931 e, sobretudo, após o início da Guerra do Pacífico, em 1941. Nesse período, impôs ao povo coreano uma cruel opressão e exploração por meio do recrutamento forçado, do trabalho obrigatório, da entrega compulsória de cereais e de outras medidas semelhantes.
Apesar desse despotismo político, econômico e cultural do imperialismo japonês, a nação coreana não se submeteu, mas lutou vigorosamente pela restauração e pela honra da pátria.
Com o passar do tempo, cresciam a aspiração nacional e a vontade de luta revolucionária do nosso povo para derrotar o imperialismo japonês, que oprimia e explorava a nação coreana, e as forças feudais, que constituíam a base social desse imperialismo, derrubar o regime semifeudal e colonial e fundar um Estado coreano democrático e independente. Nem as baionetas e as prisões, nem as torturas e os massacres puderam impedir a heroica luta de amplos setores de operários, camponeses, intelectuais progressistas e outros patriotas da Coreia pela libertação da pátria e pela independência nacional.
Um duro golpe para os bandidos japoneses foi o movimento antijaponês dos voluntários, que se desenvolveu durante quase 10 anos, antes e depois da perda do país ocorrida em 1910. Embora esse movimento tenha fracassado devido à repressão bárbara dos inimigos, a luta antijaponesa da nação coreana prosseguiu até desenvolver-se posteriormente na Manchúria como um movimento do Exército da Independência. Durante os 10 anos posteriores à perda do país, o movimento de libertação nacional desenvolveu-se incessantemente: no interior do país, onde imperava a política despótica do imperialismo japonês, manifestou-se sob a forma de associações secretas e campanhas culturais patrióticas; no exterior, por meio da criação de organizações revolucionárias ou da promoção da luta antijaponesa.
A vitória da Grande Revolução Socialista de Outubro abriu uma nova era de conscientização e de ascensão das tempestades revolucionárias das nações oprimidas do Oriente.
Também na Coreia eclodiu o Movimento de Primeiro de Março, um levante antijaponês de âmbito nacional que abalou todo o território do país. Nesse dia, a nação coreana lutou heroicamente pela independência e pela liberdade da Coreia. Esse levante, de grande significado para a luta de libertação nacional do povo coreano, embora tenha fracassado devido à repressão selvagem do imperialismo japonês e à debilidade das nossas forças internas, desferiu duros golpes contra a dominação colonial do imperialismo japonês e elevou extraordinariamente a consciência nacional dos coreanos.
Após o Movimento de Primeiro de Março, os dirigentes do movimento nacionalista provenientes da classe proprietária renegaram a luta, rendendo-se em sua maioria ao inimigo devido à sua inconsistência política, à política de suborno do imperialismo japonês e, sobretudo, ao medo que sentiam diante de um levante revolucionário das massas trabalhadoras. De "personalidades patrióticas", passaram a ser fiéis lacaios do inimigo que dominava a nação coreana.
Depois do Movimento de Primeiro de Março, a luta de libertação nacional do povo coreano foi levada adiante principalmente pelos filhos e filhas da classe operária e das demais massas trabalhadoras.
A heroica resistência antijaponesa prosseguiu sem cessar: a Manifestação pela Independência de 10 de Junho de 1926, as insurreições camponesas ocorridas em toda a província de Hamgyong desde o fim da década de 1920 até o início da década de 1930, a greve geral dos operários de Wonsan em 1929 e a luta antijaponesa do movimento estudantil coreano em escala nacional por ocasião do Incidente Estudantil de Kwangju, ocorrido nesse mesmo ano. Quando a repressão do imperialismo japonês, após o "Incidente da Manchúria", tornou-se ainda mais cruel, a luta de libertação nacional no interior do país foi obrigada a passar gradualmente à clandestinidade. Mas a luta antijaponesa não cessou nem por um só momento.
Especialmente na Manchúria e no interior do país, os comunistas e patriotas coreanos, de armas na mão, desenvolveram sem descanso a luta guerrilheira contra o imperialismo japonês. Convictos de que alcançariam a libertação da Coreia, tomaram sobre os seus ombros o destino da nação e travaram uma prolongada e sangrenta luta contra os inimigos japoneses.
Por fim, foi alcançada a libertação da pátria, aspiração dos patriotas coreanos e de todo o povo, que lutaram heroicamente por essa causa.
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Como uma erupção vulcânica, o povo coreano acolheu com júbilo e emoção a libertação de 15 de agosto e começou a construção de uma Coreia nova e democrática.
Em toda parte criou comitês populares como órgãos autônomos, para tomar em suas mãos o poder administrativo, manter a segurança e proteger e administrar as instituições públicas, as instalações industriais e os transportes. Os comitês populares, em diferentes níveis, estabelecidos com os esforços e a iniciativa do povo, ficaram organizados, até o final de novembro do ano passado, nas seis províncias da Coreia do Norte, iniciando-se assim a construção de uma nova vida democrática.
Consequentemente, em todas as localidades esses comitês defenderam os interesses das massas populares, mobilizando-as em ampla escala para cumprir as tarefas democráticas fundamentais. Desse modo, tornou-se possível que os operários, camponeses e mulheres que, durante o período de dominação do imperialismo japonês, não tinham qualquer direito de participar da vida sociopolítica, passassem a participar ativamente do trabalho dos comitês populares e elegessem os seus representantes como quadros dirigentes dos mesmos.
Os comitêss populares empenharam-se em eliminar os elementos pró-japoneses, traidores da nação e reacionários infiltrados em seu seio, consolidando a sua firme base entre as massas populares e, ao mesmo tempo, dedicavam todas as suas energias a restaurar e colocar em funcionamento as instalações da indústria, dos transportes e das comunicações destruídas pelos imperialistas japoneses após a derrota, bem como a restabelecer os centros educacionais e culturais para normalizar a vida democrática do nosso povo.
As massas populares da Coreia, que durante tanto tempo estiveram privadas da liberdade de palavra, de imprensa, de reunião e de associação, cruelmente maltratadas sob a opressão do imperialismo japonês, entraram no cenário político apresentando as mais urgentes reivindicações dos diversos setores e formando partidos políticos e organizações sociais e culturais de caráter democrático, no ambiente de liberdade criado imediatamente após a libertação. Foram fundados o Partido Comunista da Coreia do Norte, o Partido Neodemocrático da Coreia, o Partido Democrático da Coreia e o Partido Chondoísta Chongu; os operários e empregados organizaram-se na Federação Geral dos Sindicatos, os camponeses na União dos Camponeses, os jovens na União da Juventude Democrática, as mulheres na União das Mulheres e os representantes da cultura e das artes na Federação dos Artistas, tornando assim possível reunir amplas forças patrióticas e democráticas em torno dos comitês populares.
Os operários, camponeses, intelectuais, artesãos, empresários, comerciantes, enfim, todas as massas populares, com exceção dos pró-japoneses, dos traidores da nação e dos reacionários, apoiaram e sustentaram o poder do povo, participando ativamente do trabalho dos comitês populares.
Dessa maneira, desde a libertação até hoje, foi possível manter normalmente a segurança e a ordem em toda parte, e a vida política, econômica e cultural do povo ganhou novo vigor em todos os seus aspectos.
A Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países, realizada naquela época, adotou uma resolução justa sobre o desenvolvimento democrático da Coreia libertada. O projeto apresentado inicialmente pela parte estadunidense tinha por objetivo privar o povo coreano da liberdade de estabelecer um Estado independente, implantar na Coreia uma administração militar por um período superior a dez anos e converter, por fim, o nosso país numa colônia. Porém, graças à firme oposição da União Soviética, esse projeto foi rejeitado e foi aprovada uma resolução que propunha entregar o poder ao povo coreano, estabelecer um governo democrático provisório, liquidar os vestígios da dominação do imperialismo japonês e garantir o desenvolvimento democrático da Coreia. Tratava-se de uma resolução verdadeiramente justa e razoável, conforme aos interesses da nação coreana, que refletia fielmente os seus desejos e aspirações e proibia qualquer ato de agressão contra a Coreia por parte do imperialismo.
Por essa razão, assim que foi divulgada a resolução sobre a Coreia da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países, todos os coreanos do Norte e do Sul que aspiravam à liberdade e à democracia a aprovaram com entusiasmo. A atitude em relação a essa resolução serviu de pedra de toque para definir a posição de todas as forças políticas da Coreia. Na situação política da Coreia tornou-se evidente a divisão entre as forças patrióticas e democráticas de todo o povo, que aspiravam à soberania e à independência democráticas do nosso país conforme previa a resolução da Conferência, e a ínfima minoria de forças reacionárias vende-pátria que se opunham a essa resolução e procuravam entregar o país ao imperialismo estadunidense.
Na Coreia do Norte, o nosso povo criou, em 8 de fevereiro do corrente ano, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, órgão central do Poder que representa genuinamente a sua vontade e os seus interesses. Esse órgão foi criado com o objetivo de lançar as bases necessárias para construir a nova Coreia democrática em conformidade com a resolução da Conferência de Moscou dos Ministros das Relações Exteriores dos Três Países sobre a Coreia, acelerar o estabelecimento do governo democrático unificado coreano e, ao mesmo tempo, orientar de forma unificada as tarefas administrativas imediatas na Coreia do Norte.
Como primeira das grandes reformas democráticas, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte realizou, em março do corrente ano, a reforma agrária, pela qual foram confiscados mais de um milhão de hectares de terras pertencentes ao Estado japonês, a cidadãos japoneses, a indivíduos pró-japoneses e a latifundiários coreanos, sendo essas terras distribuídas entre mais de 720 mil famílias camponesas sem terra ou com pouca terra. Com a passagem da terra para as mãos de quem a trabalha, tornou-se realidade a aspiração secular dos camponeses coreanos, e as forças produtivas agrícolas, já libertas das antigas amarras feudais, passaram a seguir o caminho de um rápido desenvolvimento.
Essa grande reforma, de importância histórica na vida do nosso povo, foi realizada sob a direção dos comitês populares de todos os os níveis e com a participação ativa de todos os partidos, organizações sociais e massas populares.
Sob a direção dos comitês populares, foram criados mais de 11.500 comitês rurais com a missão de realizar diretamente a reforma agrária, sendo eleitos mais de 90 mil membros, dos quais a esmagadora maioria era composta por camponeses pobres e trabalhadores agrícolas. As massas camponesas, apoiadas pela classe operária, conseguiram denunciar e frustrar todas as conspirações e maquinações dos reacionários que se opunham à reforma agrária, realizando-a integralmente em curto prazo.
A conclusão vitoriosa da reforma agrária uniu ainda mais estreitamente o povo em torno dos comitês populares, defensores dos seus interesses e ao seu serviço, tornando possível ampliar e consolidar os diversos partidos e organizações sociais e fortalecer ainda mais as forças democráticas.
Foi imensa a alegria dos camponeses ao tornarem-se proprietários da terra graças à reforma agrária, e o seu entusiasmo pela produção elevou-se ao máximo. Sob a palavra de ordem "Não deixar inculto nem um só palmo de terra!", concluíram a sementeira da primavera numa superfície superior a 1.750.000 hectares e realizaram com êxito o transplante das mudas de arroz e a monda. Prevê-se que a colheita total de cereais deste ano ultrapasse cerca de 2.175.000 toneladas, o que representará um aumento de mais de 510.000 toneladas em relação a 1945.
Em virtude do sistema de imposto agrícola em espécie, adotado pelo Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, os camponeses entregarão 25% da colheita para abastecer de alimentos os operários e empregados, podendo dispor livremente do restante. Assim, os camponeses, aos quais anteriormente era retirada a maior parte dos seus produtos agrícolas sob a forma de rendas, contribuições e outros tributos, passam agora a dispor de 75% da sua colheita total, o que lhes proporciona condições excelentes para melhorar a sua vida.
Isso representará uma grande contribuição para consolidar os êxitos da reforma agrária, fomentar a produção agrícola, intensificar o intercâmbio comercial entre a cidade e o campo e fortalecer a aliança entre a classe operária e o campesinato.
Depois de liquidar as caducas relações feudais profundamente enraizadas no campo, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou a Lei do Trabalho para pôr fim aos vestígios do trabalho forçado imperialista e melhorar as condições de trabalho e a vida material dos operários e empregados. Trata-se de uma lei autenticamente democrática, que estabelece a jornada de oito horas para operários e empregados, proíbe o trabalho de menores de 14 anos, protege de forma especial as operárias com filhos e os operários adolescentes e institui o sistema de seguro social.
Desejosos de corresponder a essa solicitude e benevolência do Poder popular, os operários e empregados incorporaram-se plenamente à campanha ofensiva para elevar a produção, que consistia em fortalecer a disciplina laboral, aumentar a produtividade do trabalho e restaurar rapidamente a indústria.
O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou, além disso, a Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher. Em virtude dessa lei, as mulheres coreanas, que durante muito tempo sofreram um tratamento desumano e humilhante e uma dupla ou tripla opressão em consequência dos costumes feudais e da política colonial do imperialismo japonês, já podem participar da vida política, econômica e cultural da sociedade com os mesmos direitos que os homens.
No passado dia 10 de agosto foi promulgada a Lei da Nacionalização das Indústrias. Graças a essa lei, as indústrias, os transportes, as comunicações, os bancos e as instituições culturais que o imperialismo japonês havia criado na Coreia para explorar o seu povo como escravo colonial e utilizá-la como trampolim para a agressão contra outros países asiáticos, bem como as empresas industriais pertencentes aos traidores da nação, passaram a ser patrimônio de todo o povo coreano. A nacionalização das indústrias constitui uma importante reforma que permite destruir os pilares econômicos do jugo colonial e lançar as bases para edificar uma economia nacional independente. Sem nacionalizar as indústrias, não é possível alcançar uma verdadeira independência econômica nem construir uma Coreia democrática, rica e poderosa. Com a promulgação dessa lei, o processo das reformas democráticas chegou a uma etapa de vitórias decisivas e foram lançados sólidos alicerces para a construção de um Estado independente. Em outros tempos, o imperialismo japonês procurou liquidar a cultura nacional da Coreia, proibindo até mesmo o uso do nosso idioma; pretendia transformar todos os coreanos em cidadãos japoneses por meio da sua educação colonial escravizadora. Contudo, a nossa cultura nacional, dotada de excelentes tradições, manteve-se firme e iniciou um novo caminho de desenvolvimento após a libertação.
Bastou apenas um ano para liquidar, na Coreia do Norte, o sistema de ensino escravizador implantado pelo imperialismo japonês e estabelecer um sistema de educação verdadeiramente democrático e popular. Para eliminar o analfabetismo, criamos nada menos que 8.061 escolas para adultos, onde estamos instruindo mais de 413.000 analfabetos, e estamos nos preparando para aumentar o número dessas escolas para 17.200 até ao final do corrente ano, nas quais instruiremos mais de 535.000 pessoas. Em setembro abrirão as suas portas uma universidade, um instituto de medicina e um instituto pedagógico; serão estabelecidas 19 escolas técnicas especializadas de nível médio e será realizado em grande escala o trabalho de formação de pessoal técnico.
Como instituições culturais existem atualmente 83 teatros e cinemas, 35 bibliotecas, 8 estações de radiodifusão, 83 companhias de teatro, 91 casas de cultura, e o número de jardins de infância duplicou em comparação com a época da dominação do imperialismo japonês, chegando a 64. Agora, todos esses centros culturais servem ao povo e ao progresso da nova cultura nacional democrática.
A população, jubilosa por se ver emancipada e pelas reformas democráticas terem sido realizadas, trabalha com entusiasmo nas obras de melhoramento de terras, regularização de rios e reparação de estradas. Os habitantes da cidade de Pyongyang, mobilizados na obra de regularização do curso do rio Pothong para proteger a capital democrática das inundações, trabalharam com tenacidade, concluindo com êxito, em 55 dias, essa grandiosa obra, que consistiu na construção de diques com 5 km de extensão e na escavação de mais de 420.000 metros cúbicos de terra. Essa obra, que os imperialistas japoneses não conseguiram realizar em dez anos, o nosso povo emancipado concluiu em apenas dois meses. Além disso, o povo mobilizou-se conscientemente e está alcançando grandes êxitos em obras como a construção de diques no rio Amnok, a regularização do curso do rio Ryonghung, a construção do porto de Haeju, a reparação do porto de Tanchon e a melhoria da linha férrea Pyongyang-Kyonghung.
Durante a aplicação das grandes reformas democráticas e a realização dessas obras, os partidos políticos e as organizações sociais democráticas fortaleceram ainda mais a sua solidariedade sob a bandeira da Frente Unida Nacional Democrática, ampliando e consolidando as suas organizações por meio da atividade prática. O número de membros de cada organização social é, neste momento, o seguinte: 360.000 pessoas na Federação Geral dos Sindicatos, mais de 1.800.000 na União dos Camponeses, mais de um milhão na União da Juventude Democrática, 600.000 na União das Mulheres e mais de 10.000 na Federação dos Artistas; somando-se os integrantes das demais organizações, mais de 6 milhões de pessoas estão incorporadas à Frente Unida.
Esse vertiginoso crescimento das forças democráticas possibilitou que os partidos políticos e as organizações sociais democráticas da Coreia do Norte fundassem comitês da Frente Unida Nacional Democrática em todos os níveis. A estreita cooperação entre esses partidos e organizações e o fortalecimento da unidade e da coesão dos diversos setores da população na Coreia do Norte constituirão uma grande força para consolidar a frente nacional democrática da Coreia do Sul e conquistar a plena independência democrática da Coreia, frustrando as maquinações das camarilhas reacionárias.
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Queridos compatriotas:
Neste momento, em que a Coreia do Norte avança por um justo caminho de desenvolvimento rumo à democracia, a Coreia do Sul encontra-se na grave situação de voltar a ser uma colônia do imperialismo.
Hoje, quando celebramos o primeiro aniversário do 15 de agosto, dia da libertação, os habitantes da Coreia do Sul não possuem sequer direitos democráticos tão elementares como a liberdade de palavra, de imprensa, de reunião e de associação, e, naturalmente, ainda não viram realizada a sua aspiração secular.
Na Coreia do Sul, os remanescentes das forças do imperialismo japonês não foram eliminados nem minimamente, e os seus lacaios, agora vestidos com o uniforme do imperialismo estadunidense, organizam forças reacionárias e infiltram-se abertamente em todas as esferas da vida política, econômica e cultural. Nessa situação, é inconcebível resolver o problema da terra para os camponeses e, durante o ano transcorrido, não foi realizada sequer uma única reforma democrática, mantendo-se inalterado o regime que existia sob a dominação do imperialismo japonês.
O povo coreano, que durante quase meio século foi submetido a uma vida de escravidão, privado de toda liberdade sob a selvagem tirania do imperialismo japonês, organizou comitês populares por toda a Coreia do Sul após a libertação da pátria. No entanto, o exército estadunidense, logo após desembarcar na Coreia do Sul e ocupar a parte meridional do nosso país, implantou ali uma administração militar, dissolveu todos os comitês populares, órgãos do Poder popular, e começou a reprimir brutalmente as crescentes forças democráticas do povo.
Essa atitude da administração militar estadunidense é uma expressão da sua ambição imperialista de esmagar a aspiração do povo coreano de construir um Estado independente e democrático, recolonizar a Coreia e escravizar o seu povo. Para concretizar esse ambicioso desígnio, os imperialistas estadunidenses reuniram e transformaram em seus lacaios os elementos pró-japoneses, traidores da nação e reacionários, tão odiados pelo povo coreano emancipado quanto os próprios imperialistas japoneses, mantendo inalterado o aparelho geral de dominação japonês e colocando nesses órgãos tais elementos. Chegam inclusive a promover como quadros da polícia da sua administração militar antigos membros da polícia política e agentes do imperialismo japonês que, no passado, prenderam, encarceraram e assassinaram os nossos combatentes patriotas revolucionários que lutavam pela libertação da pátria. Agora, obrigam-nos a vigiar, prender e encarcerar os dirigentes dos partidos e organizações sociais democráticas e os intelectuais progressistas da Coreia do Sul.
Os imperialistas estadunidenses incitaram os pró-japoneses, os traidores da nação, os latifundiários feudais e os capitalistas compradores a criar partidos e organizações sociais reacionárias, trouxeram Ri Sung Man de avião e fizeram dele o dirigente das forças reacionárias pró-estadunidenses. Como todos sabem, Ri Sung Man é um indivíduo que durante várias décadas levou uma vida luxuosa nos Estados Unidos, dedicando-se à especulação, e que há muito tempo vendeu o direito de exploração de minas e de outras riquezas da Coreia, subornado pelos plutocratas estadunidenses. Depois de regressar à Coreia, passou a promover uma desenfreada propaganda antissoviética e antidemocrática por meio de discursos radiofónicos e conferências, sonhando tornar-se um monarca absoluto sob a proteção da administração militar estadunidense. A camarilha de Ri Sung Man, que dança ao som dos imperialistas estadunidenses, está urdindo toda a espécie de conspirações e maquinações para realizar a sua ambição fascista e sufocar a plena soberania, a independência da Coreia e o seu desenvolvimento democrático, apoiando-se nos remanescentes do imperialismo japonês e nas forças feudais.
Assim, a Coreia do Sul transformou-se, no verdadeiro sentido da palavra, numa terra de trevas, onde, à luz do dia, se cometem atos terroristas e assassinatos contra patriotas democratas.
Hoje, o verdadeiro dono da Coreia do Sul não é o seu povo, mas a administração militar estadunidense, que se apoderou de todo o poder e não só proíbe a realização de qualquer tipo de reforma democrática, como também se apropria diretamente ou nomeia os seus fiéis fantoches — bandos de pró-japoneses e reacionários — para administrar de forma privada as empresas industriais pertencentes ao imperialismo japonês e aos traidores da nação, as quais, naturalmente, deveriam passar a ser propriedade do povo coreano.
Por exemplo, a "Companhia de Exploração Colonial do Oriente" foi uma empresa de pilhagem do feroz imperialismo japonês que jamais será apagada da memória dos coreanos. Grandes extensões de terras cultiváveis e de florestas, importantes fábricas, minas e sistemas de irrigação da Coreia pertenciam precisamente a essa empresa. Os imperialistas estadunidenses não devolveram essas terras e estabelecimentos ao povo coreano; ao contrário, mantiveram-nos diretamente sob o seu controle, mudando apenas a antiga designação para "Companhia da Nova Coreia". Além disso, apoderaram-se das empresas, terras e casas que anteriormente pertenciam aos japoneses, entregando-as à administração da "Companhia da Nova Coreia", o que aumentou extraordinariamente o poder e os interesses dessa entidade. Em consequência disso, cresce a cada dia o descontentamento da população sul-coreana.
Os camponeses sul-coreanos continuam acorrentados à exploração feudal e até mesmo o sistema de pagamento de três décimos da colheita como renda, que constituía o seu objetivo mais elementar de luta, ficou paralisado antes mesmo de ser concretizado, devido aos obstáculos impostos pela administração militar estadunidense. Assim, o regime feudal de propriedade da terra, entrave ao desenvolvimento democrático, fortalece-se ainda mais.
Os operários sul-coreanos são submetidos a jornadas de trabalho escravizantes, tal como nos tempos do imperialismo japonês, nas empresas administradas por elementos pró-japoneses, traidores da nação e reacionários. A sua luta pelos direitos democráticos e pela subsistência é cruelmente reprimida pelas autoridades militares estadunidenses e pelos bandos reacionários; são presos e encarcerados em massa.
A situação humilhante das mulheres coreanas, que persistia desde tempos remotos e possuía profundas raízes históricas, longe de melhorar, agravou-se ainda mais e, sob a proteção da administração militar estadunidense, tornaram-se ainda mais frequentes a poligamia, a compra e venda de pessoas, a prostituição legal e ilegal e o sistema de cortesãs.
Mesmo nesse mundo sujo e tenebroso, o povo sul-coreano, que não abandonou a sua aspiração de estabelecer um governo democrático unificado e conquistar a soberania e a independência plenas, luta resolutamente contra as maquinações da reacionária administração militar estadunidense e do seu lacaio, a camarilha de Ri Sung Man, envidando os maiores esforços para fortalecer a unidade e consolidar as forças democráticas. A população sul-coreana admira profundamente a nova vida, livre e feliz, que estamos construindo na Coreia do Norte, e a vitória das reformas democráticas inspira-lhe grande força e coragem.
As massas populares da Coreia do Norte, firmemente unidas a todas as forças democráticas da Coreia do Sul, deverão lutar até ao fim para frustrar as conspirações reacionárias do imperialismo estadunidense e dos seus lacaios, para que o poder na Coreia do Sul passe para os comitês populares e o próprio povo seja o verdadeiro dono da política, da economia e da cultura do país. Ao mesmo tempo, devemos exigir energicamente que também na Coreia do Sul a terra seja distribuída aos camponeses que a trabalham e que as indústrias, os meios de transporte e de comunicação e os bancos que pertenciam aos imperialistas japoneses e aos traidores da nação passem a ser propriedade do povo. Continuaremos avançando pelo caminho do estabelecimento de um governo democrático unificado e da conquista da plena soberania e independência da pátria, com base na construção democrática na Coreia do Norte.

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