6 de setembro de 1946
Prezadas mulheres coreanas:
Permitam-me dirigir minhas calorosas saudações às mulheres coreanas que tiveram de suportar uma dupla e tripla subjugação devido à opressão do imperialismo japonês durante 36 anos e ao anacrônico hábito da predominância do homem sobre a mulher — hábito que persistiu ao longo de milhares de anos — e que, após acolherem com grande emoção a libertação de 15 de agosto, estão empenhadas na obra de construção do país e no movimento de emancipação da mulher, consagrando a eles seus belos e nobres sentimentos e todo o seu entusiasmo.
Entre as mulheres da Coreia do Norte, que amam verdadeiramente nossa nação e se esforçam para conquistar a autêntica liberdade e igualdade das mulheres, mais de seiscentas mil estão reunidas sob a bandeira da União das Mulheres. Vocês, membros desta União, não apenas integram uma organização, mas, além disso, unindo-se umas às outras, constituem uma poderosa força que contribui para a edificação da Coreia democrática. Este é um grande acontecimento, jamais conhecido antes na história coreana.
No campo, numerosas mulheres marcharam à frente da luta pela reforma agrária e hoje trabalham para elevar a produção agrícola, enquanto nas fábricas, lado a lado com os homens, impulsionam com grande empenho a campanha ofensiva pela produção. Além disso, as mulheres intelectuais trabalham dia e noite para erradicar o analfabetismo em todos os cantos do país, tanto nas cidades quanto no meio rural. Ao pensar nesses fatos emocionantes, com que força baterão e arderão seus corações, camaradas!
Também no passado, autênticas filhas da Coreia, admiráveis e valentes, lutaram para libertar o país e a nação e conquistar os direitos da mulher, sacrificando sua bela juventude no interior do país sem temer a feroz perseguição do inimigo e a prisão, ou derramando seu sangue vermelho pelas montanhas e campos da distante terra da Manchúria.
Essas atividades brilhantes e gloriosas de nossas mulheres, tanto de ontem quanto de hoje, demonstram que o movimento feminino é parte integrante do movimento social e que as mulheres só podem desfrutar de direitos iguais aos dos homens e alcançar sua completa emancipação social quando consagrarem todo o seu ser, ao lado dos homens, à luta para libertar a nação e construir um novo país.
As mulheres só se emanciparão plenamente quando, como parte integrante do conjunto dos membros da sociedade, promoverem uma luta vigorosa para resolver os problemas colocados, seja na frente produtiva das fábricas e do meio rural, seja na frente política e cultural, demonstrando a mesma dedicação e consciência que os homens. Este é precisamente o único caminho que nossas mulheres coreanas devem seguir.
Conhecemos bem as relações feudais, que tratam as mulheres como escravas. Sob o regime feudal, elas estavam afastadas de todas as atividades sociais, inclusive da produção econômica. Se as organizações femininas levantarem a voz pela emancipação da mulher deixando de lado as atividades econômico-produtivas e outras tarefas sociais relacionadas direta ou indiretamente com elas, tais organizações se transformarão, sem dúvida alguma, em clubes de mulheres ricas.
À margem da democracia não pode existir nosso movimento feminino. Além de compreenderem profundamente o que é a verdadeira democracia, as mulheres levarão adiante com energia a luta contra os pró-japoneses, pró-estadunidenses, traidores da nação e outros reacionários que se opõem à democracia. Se as mulheres, por mais que trabalhem, não tiverem consciência do que é a democracia e não demonstrarem entusiasmo pelo movimento democrático, as organizações que as reúnem serão entidades idênticas à “sociedade de mulheres patriotas” dos imperialistas japoneses.
Nossas mulheres devem unir suas forças, ensinar e aprender reciprocamente. Precisamente esse é o caminho que conduz à verdadeira democracia, em conformidade com nossa linha de construção do país.
Lutar pela democracia é a questão fundamental na edificação da nova pátria. No primeiro artigo do programa da União das Mulheres estipula-se claramente que ela lutará pelo estabelecimento de um governo democrático.
Desejo que nossas mulheres, mães e filhas da Coreia que verdadeiramente amam o país, assumam e cumpram metade da tarefa de edificação da nova pátria democrática, preservando intactas suas belas qualidades como mulheres da Coreia democrática.
Felicito a fundação da revista "Joson Nyosong", certo de que ela será uma guia querida e segura para instruir e formar nossas mulheres.
*Joson Nyosong significa "Mulher Coreana"

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