Discurso do camarada Kim Il Sung na II Sessão da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia
1 de fevereiro de 1949
Deputados:
Em meio à grande expectativa de todo o povo, a II Sessão da Assembleia Popular Suprema concluiu com êxito o exame de questões tão importantes como o Plano Bienal de Desenvolvimento da Economia Nacional, a política externa do Governo da República e as eleições para os comitês populares em todos os níveis, podendo encerrar satisfatoriamente seus trabalhos.
Durante a discussão de todos os pontos da ordem do dia desta sessão, os deputados alcançaram plena unanimidade de opiniões, o que constitui uma prova evidente da firme unidade de todos os partidos políticos e organizações sociais democráticos, bem como de todas as classes e camadas do povo de nosso país. O êxito desta sessão demonstrou claramente, mais uma vez, que nossa Assembleia Popular Suprema, eleita por todo o povo coreano, é o autêntico órgão legislativo supremo da nova Coreia democrática, que representa os interesses de toda a nação e a vontade de todo o povo e luta pela reunificação e independência da pátria e pela felicidade do povo.
Estamos plenamente seguros de que todos os problemas discutidos e decididos nesta sessão contarão com o apoio e a aprovação totais de nosso povo, que, juntamente conosco, empenhará todos os seus esforços para pôr em prática as resoluções adotadas.
Deputados:
Nesta sessão da Assembleia Popular Suprema, fizemos um balanço da brilhante vitória alcançada na execução do plano da economia nacional do ano passado e examinamos o Plano Bienal de Desenvolvimento da Economia Nacional, que trará maiores vitórias e bem-estar ao nosso povo.
O cumprimento exitoso do plano da economia nacional de 1948 foi possível porque todo o povo, estreitamente unido em torno do Governo da República, demonstrou elevado entusiasmo patriótico na construção de uma pátria próspera e poderosa, apoiou todas as medidas por ele adotadas e dedicou toda a sua energia e talento à sua execução. Isso também é resultado do fato de que o Governo da República e os comitês populares de todos os níveis, como autêntico poder do povo, mantiveram estreitos vínculos com as massas populares, estimularam incessantemente o interesse dos trabalhadores pela produção e souberam organizá-los e dirigi-los acertadamente em seus esforços para aumentar a produção.
Com o cumprimento do plano da economia nacional de 1948, consolidou-se a base democrática na parte Norte da República, fortaleceram-se os alicerces econômicos do país e elevou-se consideravelmente o nível de vida material e cultural de nosso povo.
Em 1948, o índice do valor total da produção industrial estabelecido para o setor estatal e as organizações cooperativas foi superado em 2%, registrando um aumento de 50,6% em comparação com 1947. A Fábrica Química de Pyongyang foi completamente restaurada, foram construídas a Oficina de Aparelhos Elétricos de Kangso e a Oficina de Maquinaria de Pyongyang, e foram concluídas antes do prazo previsto as obras de ampliação da Fábrica de Celulose de Kilju, a construção da Fábrica de Vidro de Nampho e a reconstrução da Fábrica Química de Aoji, o que possibilitou o início normal da produção neste ano.
Nossa classe operária, que sempre desempenhou um papel central na luta pela prosperidade e pelo desenvolvimento da pátria e por sua democratização, também no ano passado, com seu elevado entusiasmo patriótico e sua capacidade criadora, tornou possível o cumprimento exitoso do plano no setor industrial, realizando grandes façanhas na restauração e no desenvolvimento de nossa indústria.
Os operários, técnicos e empregados da Fábrica de Fertilizantes de Hungnam lançaram um apelo a todas as fábricas e empresas para que antecipassem em um mês o cumprimento do plano da economia nacional de 1948, erguendo a chama do movimento de emulação pelo aumento da produção em escala nacional, e cumpriram seu plano anual em 28 de novembro, ou seja, com mais de um mês de antecedência, conforme haviam proposto em seu apelo. Desse modo, superaram em 10,5% as metas do plano e ultrapassaram consideravelmente o nível anterior à libertação na produção de fertilizantes, melhorando notavelmente sua qualidade, feitos que lhes valeram a honra de receber o estandarte concedido pelo Conselho de Ministros da República. Também a Fundição de Ferro de Hwanghae, a Oficina de Maquinaria de Ryongsong, a Central Elétrica do rio Hochon, a Fábrica de Cimento de Chonnaeri, a Mina de Carvão de Aoji, a Mina de Koksan, a Fábrica Têxtil de Sinuiju e muitas outras fábricas e empresas alcançaram resultados notáveis e cumpriram antecipadamente seus planos do ano passado.
Nas Centrais Elétricas do rio Hochon, de Suphung, do rio Jangjin e em outros estabelecimentos do setor energético, os operários fabricaram, por iniciativa própria, numerosas peças de reposição necessárias para o reparo de geradores e transformadores, contribuindo consideravelmente para o rápido aumento da capacidade de geração de energia. Nas minas de Aoji, Sadong e em outras minas de carvão, aumentaram em mais de três vezes a produtividade do trabalho e proporcionaram grandes benefícios ao Estado, substituindo os métodos antiquados de extração dos tempos do domínio imperialista japonês por novos métodos. Nas minas de Songhung, Suan e Komdok, os mineiros apresentaram numerosas inovações de grande valor para elevar consideravelmente a produtividade do trabalho e reduzir os custos de produção nesse setor; na indústria química, os operários da Fábrica de Fertilizantes de Hungnam e da Fábrica Química de Pongung também apresentaram projetos inovadores que produziram bons resultados. No que diz respeito à indústria mecânica, no Estaleiro de Nampho, os operários construíram um forno para a secagem de moldes de fundição, que contribui para economizar combustível; na Oficina de Maquinaria de Ryongsong, construíram, com base em seu próprio projeto de inovação, um elevador de caçambas acionado hidraulicamente; na Oficina de Maquinaria de Sinuiju, reconstruíram o forno de secagem de moldes de fundição de aço para que funcionasse com antracito, o que resultou em uma economia considerável para o Estado.
A maior parte dos técnicos coreanos, que antigamente eram obrigados a trabalhar sob os maus-tratos dos imperialistas japoneses e dos capitalistas, são hoje intelectuais técnicos patriotas, a serviço do país e do povo, e dão uma valiosa contribuição à recuperação e ao rápido desenvolvimento de nossa indústria.
Um engenheiro da Mina de Carvão de Aoji apresentou a chave para uma grande inovação na indústria carbonífera de nosso país, inventando o método de extração em frente de lavra de 120 metros de comprimento, algo inimaginável nos tempos do imperialismo japonês, em substituição ao método de extração com pilares de proteção. Os técnicos da Fábrica Química de Pongung colocaram em prática um processo de síntese de álcool a partir do gás acetileno, utilizando carbureto de cálcio, iniciativa que possibilitou uma economia anual de mais de 100 mil soks de cereais na produção de álcool; o camarada engenheiro-chefe da Fábrica Química de Pyongyang propôs numerosas inovações com base em sua vasta experiência, que permitiram antecipar em um mês a reconstrução da fábrica, além de contribuir grandemente para antecipar a restauração da Fiação de Chongjin. Ao camarada engenheiro-chefe da Fiação de Chongjin cabe o grande mérito de ter elevado consideravelmente a qualidade dos fios de seda artificial e reduzido em 42,4% o preço de custo em relação ao de 1947. Os camaradas engenheiros-chefes da Siderúrgica de Songjin e da Fundição de Ferro de Hwanghae dedicam-se com paixão e energia ao desenvolvimento da tecnologia industrial, servindo de exemplo como técnicos progressistas e patriotas de nosso país, o que lhes vale a elevada estima do Estado e a profunda confiança dos operários.
Também nos transportes foram registrados muitos progressos, tendo sido cumprido brilhantemente o plano do ano passado. Merece especial destaque a valiosa lição de que, se forem elevadas a capacidade e o entusiasmo dos ferroviários, será possível assegurar a regularidade dos transportes também no inverno, superando a antiga concepção dos tempos do imperialismo japonês de que a atividade dos transportes diminuía em comparação com o verão. Assim, no inverno de 1948, foram alcançados resultados no transporte de cargas tão bons quanto os do verão, tendo sido concluída com êxito, ainda no ano passado, a eletrificação dos trechos Yangdok-Chonsong e Kaego-Koin, trechos de maior inclinação e intenso tráfego nas linhas Pyongyang-Wonsan e Manpho. Todos esses fatos demonstram claramente o rápido desenvolvimento que nossos trabalhadores imprimiram ao transporte ferroviário nos três anos seguintes à libertação, um transporte que, na época do imperialismo japonês, não contava com um único maquinista coreano.
No ano passado, também obtivemos resultados muito bons na economia rural.
Imediatamente após a libertação, a situação alimentar na parte Norte era muito difícil. Nossos camponeses, que haviam sido reduzidos à pobreza pela pilhagem desenfreada dos imperialistas japoneses e dos latifundiários, encontravam-se em uma situação na qual os alimentos mal eram suficientes para seu próprio consumo, sem falar na possibilidade de abastecer o Estado e os operários.
Nosso Poder Popular realizou a reforma agrária, pondo fim à arraigada exploração feudal no campo e distribuindo as terras aos camponeses que as trabalham, além de adotar todas as medidas possíveis para restaurar e desenvolver rapidamente as forças produtivas agrícolas. Graças a isso, os camponeses, que agora são donos da terra, passaram a ter maior interesse em produzir, e a agricultura alcançou um desenvolvimento produtivo sem precedentes. A produção total de cereais registrou, em 1947, um aumento de 170 mil toneladas em comparação com 1946 e, em 1948, aumentou 600 mil toneladas em relação a 1947, alcançando um total de 2 milhões e 670 mil toneladas, quantidade muito superior à de 1944, antes da libertação.
Poderiam ser citados numerosos exemplos de camponeses patriotas e progressistas que alcançaram resultados magníficos no aumento das colheitas.
Um camponês do condado de Cholwon, província de Kangwon, elevou o rendimento da colheita de arroz para doze toneladas por hectare, ou seja, quase quatro vezes a média, e outro, do condado de Pakchon, província de Phyongan Norte, alcançou nove toneladas, o triplo da média; no condado de Sinchon, província de Hwanghae, um camponês obteve quatro toneladas de trigo por hectare e outro, do condado de Jaeryong, província de Hwanghae, mais de duas toneladas de algodão por hectare. O segredo dos resultados extraordinários alcançados por esses camponeses exemplares não reside em outra coisa senão na aplicação de métodos avançados de cultivo, como a aração oportuna no outono e na primavera, a melhoria do solo, a semeadura de sementes selecionadas, a aplicação de fertilizantes na quantidade adequada, a capina constante, etc. Aplicando métodos avançados de cultivo dessa maneira e trabalhando com entusiasmo na agricultura, qualquer pessoa pode obter elevados rendimentos.
Graças aos progressos na produção agrícola, a parte Norte da República, que antes sofria de grande escassez de cereais, atualmente é autossuficiente nesse aspecto. Essa é uma realização honrosa de nossos camponeses e uma grande vitória de todo o nosso povo.
Foram notáveis os progressos alcançados por nosso povo no ano passado na construção econômica. Entretanto, demos apenas o primeiro passo no grande movimento de avanço para construir um Estado soberano e independente, próspero e poderoso; tarefas ainda maiores e mais difíceis nos aguardam.
Nesta II Sessão da Assembleia Popular Suprema, examinamos o Plano Bienal de 1949-1950 para a Restauração e o Desenvolvimento da Economia Nacional e aprovamos o decreto correspondente.
Por que não elaboramos um plano anual, como antes, mas um plano de perspectivas para dois anos? Isso se deve, sobretudo, ao fato de que nossa economia nacional avançou tanto que agora apresenta perspectivas mais amplas para seu desenvolvimento futuro. Já elaboramos e cumprimos exitosamente planos anuais por duas vezes e, nesse período, quase todas as fábricas e empresas importantes foram reconstruídas, o volume da produção industrial aumentou, os vínculos entre seus setores se fortaleceram visivelmente e foram lançadas, em seus aspectos fundamentais, as bases para o desenvolvimento normal da economia nacional. Essa circunstância nos permitiu visualizar com maior clareza e em uma perspectiva mais ampla o desenvolvimento de nossa economia nacional. Além disso, nesta etapa, se nos limitássemos a um plano de apenas um ano, não poderíamos impulsionar nossa indústria de maneira planejada e com perspectivas de longo prazo. As valiosas experiências acumuladas nesse período no planejamento também nos servem de base para elaborar qualquer plano de longo alcance e assegurar seu cumprimento pontual.
Partindo disso, o Governo da República elaborou o projeto do Plano Bienal da Economia Nacional para 1949-1950 e o submeteu à apreciação desta sessão da Assembleia Popular Suprema, que aprovou o decreto correspondente.
Deputados:
O Plano Bienal apresenta à população de toda a parte Norte da República tarefas de enorme dimensão e importância.
Na indústria, devemos superar consideravelmente o nível anterior à libertação em termos de volume de produção e, para isso, reconstruir completamente, durante o Plano Bienal, as fábricas que ainda necessitam de reconstrução, ampliar as empresas em funcionamento e elevar ao máximo o rendimento das instalações. Em particular, devemos eliminar o desequilíbrio colonial da indústria, consequência nefasta da dominação imperialista japonesa, reforçar ainda mais seu equipamento técnico e desenvolver rapidamente a indústria de construção de máquinas, a fim de podermos fabricar por conta própria as máquinas e peças de reposição necessárias a todos os setores da economia nacional. Ao mesmo tempo, para satisfazer as necessidades vitais do povo, é necessário desenvolver ainda mais a indústria leve. Devemos dedicar muita atenção ao desenvolvimento das indústrias têxtil, de artigos de uso cotidiano e alimentícia, concentrando-nos, sobretudo, no desenvolvimento da indústria têxtil, necessário para solucionar o problema do vestuário do povo.
Somente construindo a indústria dessa maneira poderemos desenvolver ainda mais todos os setores da economia nacional e, em particular, fornecer ao campo a quantidade necessária de instrumentos agrícolas e aos camponeses os artigos de primeira necessidade, a fim de aumentar rapidamente a produção agrícola. Com uma indústria desenvolvida, também poderemos lançar bases sólidas para uma economia nacional autossustentada, destinada a assegurar a independência, a prosperidade e o desenvolvimento da pátria.
O transporte pontual dos equipamentos e materiais destinados aos setores produtivos e dos artigos de consumo de massa é de grande importância para assegurar com êxito o desenvolvimento planejado da economia nacional. Em particular, a tarefa de aumentar em ritmo acelerado a produção industrial e agrícola e promover a circulação de mercadorias durante o Plano Bienal exige o transporte de uma quantidade maior de mercadorias. Os trabalhadores dos transportes deverão superar as metas de transporte de cargas estabelecidas no Plano Bienal. Para isso, deverão reparar locomotivas e vagões, aumentar de todas as maneiras o rendimento dos meios de transporte e reforçar ainda mais a ordem e a disciplina.
Todos os operários, técnicos e empregados devem trabalhar ativamente, com toda a sua energia, entusiasmo e inteligência, para cumprir pontualmente as tarefas combativas atribuídas à indústria e aos transportes.
Completar a reunificação da pátria e retirar o quanto antes a população da parte Sul da trágica situação em que se encontra exige dos trabalhadores da parte Norte maior tensão de espírito e uma atividade mais intensa.
Para superar as metas do Plano Bienal, é necessário organizar adequadamente a produção e a mão de obra, estimular a inovação tecnológica entre os operários e técnicos, elevar a produtividade do trabalho e melhorar a qualidade dos produtos. Em particular, em todos os setores, deve-se estimular o interesse dos operários pela produção, mediante a justa aplicação do sistema de salário por tarefa e do sistema de prêmios e, ao mesmo tempo, educá-los para que demonstrem um elevado grau de entusiasmo consciente.
O que tem maior importância para aumentar a produtividade do trabalho, melhorar a qualidade dos produtos e impulsionar exitosamente o movimento de inovação técnica é a formação de nosso próprio corpo de quadros técnicos e a elevação do nível de qualificação dos trabalhadores. Durante os 36 anos de domínio sobre nossa nação, os imperialistas japoneses impediram que os jovens coreanos tivessem acesso ao estudo das últimas conquistas da ciência e da técnica. Essa é a razão pela qual, após a libertação, tivemos de começar a organizar a nova vida sem contar com pessoal técnico nacional. Por isso, a formação de quadros técnicos nos próprios setores da indústria e dos transportes constitui uma tarefa de grande importância para superar o maior obstáculo que enfrentamos na construção econômica.
Adotamos as medidas necessárias para formar técnicos e operários qualificados nos próprios locais de trabalho e por meio de diversos cursos de curta duração, assim como medidas em nível estatal para preparar um sólido corpo de dirigentes técnicos entre os membros da jovem geração.
Os técnicos experientes deverão ajudar os operários especializados e qualificados a se tornarem técnicos, enquanto os operários qualificados deverão ajudar os jovens aprendizes para que estes também se tornem operários competentes. Devemos dominar a técnica aprendendo e ensinando uns aos outros. Temos de promover corajosamente a cargos de direção na produção tanto os técnicos veteranos e jovens quanto os operários qualificados com vasta experiência, criando para eles todas as condições necessárias ao desenvolvimento técnico. Agindo dessa maneira, resolveremos ativamente o problema da escassez de pessoal técnico e de operários qualificados.
Estamos também preparando um grande número de técnicos de nível superior e médio nos institutos e nas escolas técnicas especializadas que construímos com nossas próprias mãos após a libertação. Atualmente, mais de 13 mil pessoas estudam em 11 institutos e outras 17 mil em 55 escolas técnicas especializadas, enquanto mais de 500 jovens selecionados estudam os avanços da ciência e da técnica em outros países. Além disso, mais de 10 mil técnicos estão sendo formados em numerosas escolas técnicas industriais e, até 1950, nada menos que 2 mil técnicos em serviço nos locais de produção receberão formação de nível superior por meio de cursos por correspondência.
Desse modo, durante os anos de 1949 e 1950, formaremos mais de 10 mil e 100 técnicos e especialistas, o que nos permitirá superar, em seus aspectos fundamentais, as dificuldades provocadas pela escassez de quadros técnicos.
Entretanto, nosso país ainda está longe de superar completamente seu atraso técnico; continuaremos necessitando de mais técnicos e especialistas. É evidente que necessitaremos de um número muito maior de quadros técnicos, sobretudo quando, após a reunificação da pátria, empreendermos, com nossos próprios recursos, a reconstrução e a direção das fábricas e empresas destruídas da parte Sul da República. Daqui em diante, também deveremos continuar dedicando profunda atenção à formação de numerosos e bons técnicos e, sobretudo, elevar a proporção de estudantes bolsistas para 80%, a fim de permitir o ingresso de um número maior de filhos do povo trabalhador nas escolas técnicas especializadas e nos institutos.
Na formação de quadros técnicos, é de especial importância cultivar neles um elevado orgulho nacional e inspirar-lhes grandes esperanças. É necessário extirpar decididamente a concepção equivocada de que "não podemos alcançar os técnicos japoneses", que ainda persiste na mente de algumas pessoas. Embora tenhamos iniciado mais tarde do que outros o estudo das ciências e o desenvolvimento da indústria e da técnica, devemos avançar com confiança na possibilidade de aprender mais rapidamente, construir máquinas melhores do que as dos outros e erguer uma sólida indústria nacional.
Uma questão importante para assegurar o cumprimento do plano é manter rigorosamente a contabilidade e o controle dos materiais em escala nacional. Ainda existem numerosas fábricas e empresas com materiais não registrados nos inventários do Estado, e observa-se um desperdício contínuo desses materiais. Também acontece de alguns diretores ocultarem a existência de materiais, não os registrarem no inventário para depois contabilizá-los como produção e apresentar relatórios falsos com índices mais elevados de cumprimento do plano, chegando até mesmo a se conluiarem com especuladores para se apropriarem dos bens do Estado. Não será possível acabar com esses fenômenos negativos se não houver uma ordem ou um sistema estabelecido e se a contabilidade e o controle forem deficientes.
Ao mesmo tempo que cultivamos sistematicamente nos responsáveis administrativos do setor industrial uma concepção correta dos bens do Estado e o espírito de rigorosa observância da disciplina estatal, devemos melhorar a administração das fábricas e empresas e, sobretudo, a contabilidade e o controle, a fim de pôr fim aos fenômenos de desperdício de materiais e desfalque de bens estatais.
Também na economia rural, as metas estabelecidas pelo Plano Bienal são verdadeiramente ambiciosas. Para superá-las, será necessário ampliar a superfície cultivável e elevar por todos os meios o coeficiente de sua utilização, concentrando, ao mesmo tempo, todos os esforços no aumento do rendimento das colheitas por hectare.
Acelerando vigorosamente as obras de irrigação de Phyongnam, para as quais foi previsto um investimento estatal de 1 bilhão e 200 milhões de wons, asseguraremos a irrigação da extensa superfície de cultivo de arroz das regiões de Anju e Phyongwon. Será necessário, igualmente, aplicar ativamente métodos avançados de cultivo e utilizar eficazmente os fertilizantes químicos fornecidos pelo Estado, bem como os fertilizantes orgânicos.
Quanto ao cultivo de plantas industriais, é importante aumentar o rendimento concentrando o plantio nos terrenos adequados. A partir deste ano, devemos selecionar regiões apropriadas para o cultivo do algodão e orientar os camponeses dessas regiões a cultivar essa planta na maior parte das áreas disponíveis. Juntamente com isso, também é desejável promover uma campanha entre as famílias camponesas para plantar numerosas amoreiras e produzir casulos de bicho-da-seda.
Os camponeses, conscientes de que, ao cultivar bem a terra, contribuem para a grande obra de construção do país, superarão as tarefas atribuídas à economia rural pelo Plano Bienal, mobilizando todo o seu entusiasmo patriótico e sua capacidade criadora para transformar a parte Norte da República em uma região de abundância de cereais, fornecer matérias-primas suficientes à indústria em rápido desenvolvimento e elevar seu próprio bem-estar.
Deputados:
A importância do Plano Bienal da Economia Nacional aprovado por esta sessão não reside apenas no fato de consolidar as bases econômicas da parte Norte da República e melhorar o bem-estar de sua população, mas também em criar uma sólida garantia material para a reunificação da pátria. O cumprimento integral do Plano Bienal servirá de maior estímulo à população da parte Sul, que sofre com a miséria e a fome, em sua luta pela independência e pela reunificação nacional, além de criar as condições materiais para restaurar rapidamente a economia sul-coreana destruída e estabilizar e melhorar, em ritmo acelerado, a vida de nossos compatriotas do Sul quando a pátria estiver reunificada.
Como todos sabem, em abril do ano passado realizou-se uma Conferência Conjunta de Representantes dos Partidos Políticos e das Organizações Sociais da Coreia do Norte e do Sul, que sustentavam diferentes posições políticas e ideologias. De acordo com a orientação aprovada por unanimidade nessa conferência, realizaram-se eleições gerais no Norte e no Sul, que levaram à fundação da República Popular Democrática da Coreia. Embora nossa pátria ainda não esteja completamente reunificada devido à permanência das tropas ianques na Coreia do Sul, toda a população, tanto do Norte quanto do Sul da Coreia, apoia unanimemente o Governo de nossa República como o único legítimo e une-se estreitamente em torno dele. A eleição da Assembleia Popular Suprema e a formação do Governo da República Popular Democrática da Coreia, de acordo com a vontade expressa por todos os coreanos do Norte e do Sul, constituíram uma medida oportuna para evitar o perigo de divisão nacional que paira sobre nossa pátria, um acontecimento que significa que abrimos um amplo caminho para a reunificação democrática da pátria.
São precisamente os imperialistas estadunidenses que se opõem e impedem obstinadamente que nossa nação alcance a soberania e a independência e que a pátria seja reunificada. Para impor sua sinistra política de escravização colonial da Coreia, fizeram fracassar os trabalhos da Comissão Conjunta URSS-EUA durante suas duas etapas de reuniões; rejeitando a justa proposta do Governo soviético de retirar simultaneamente da Coreia as tropas dos dois países e deixar que o povo coreano resolvesse a questão coreana, levaram essa questão à ONU, onde conseguiram impor na metade Sul de nossa pátria a chamada "Comissão Provisória da ONU para a Coreia", um de seus instrumentos de agressão contra a Coreia, estabelecendo assim naquela região um governo fantoche antipopular. Até hoje, o governo fantoche sul-coreano, covil de traidores reacionários, não fez mais do que assinar diversos acordos para colocar a Coreia à venda para os Estados Unidos. Esse governo títere e reacionário não resolveu um único problema em benefício do povo coreano, não quer resolvê-los e tampouco é capaz de fazê-lo.
Os traidores sul-coreanos, vendo que seus atos de traição à pátria ficam cada vez mais expostos e que estão cada vez mais isolados do povo coreano, imploram aos Estados Unidos que mantenham suas tropas por mais tempo, a fim de proteger sua própria sobrevivência.
Agora que foi estabelecido um único governo legal para a nação coreana e que as tropas soviéticas se retiraram completamente do território de nossa pátria, a pedido do povo coreano, não resta nenhum motivo nem justificativa para a permanência das tropas agressoras do imperialismo ianque na parte Sul da República.
Apesar disso, os imperialistas estadunidenses encaminharam ilegalmente mais uma vez a questão coreana à terceira sessão da Assembleia Geral da ONU, com a intenção de prosseguir sua política de agressão contra a Coreia e legalizar sua permanência prolongada na Coreia do Sul, conseguindo, por fim, impor a nova "Comissão da ONU para a Coreia". Mas não podem enganar nem intimidar o povo coreano com esse artifício. Todos os coreanos rejeitam categoricamente essa "Comissão da ONU para a Coreia", por reconhecerem nela um instrumento da política colonialista dos imperialistas ianques na Coreia. Com exceção de traidores como Ri Sung Man, Kim Song Su, Ri Pom Sok e outros, que colocam à venda os interesses da pátria e da nação para satisfazer seus próprios apetites, não há nenhum coreano honesto que aceite a nova "Comissão da ONU para a Coreia", instrumento de agressão a serviço do imperialismo ianque.
O objetivo mais urgente e importante apresentado ao povo coreano é fazer com que as tropas ianques se retirem imediatamente da Coreia do Sul. Se isso for conseguido, a questão coreana será resolvida de acordo com a vontade do povo coreano, sem confusão nem dificuldades. Obrigar as forças ianques a se retirarem imediatamente é uma batalha pela liberdade, pela independência e pela reunificação da pátria, em defesa dos interesses de toda a nação. A Coreia pertence aos coreanos, e a questão coreana deverá ser necessariamente resolvida pelo próprio povo coreano.
Todos os coreanos que amam sua nação e desejam ver sua pátria reunificada deverão participar decididamente da ação nacional pela retirada das tropas ianques de nosso território.
Aqueles que, enganados pelos reacionários, obedeceram cegamente às suas ordens devem arrepender-se de seu erro e voltar para o lado do povo enquanto ainda não é tarde. Se retornarem sinceramente, não investigaremos seus delitos passados, mas marcharemos lado a lado com eles.
Entretanto, a questão é diferente quando se trata de elementos traidores e vende-pátrias como Ri Sung Man, Kim Song Su, Ri Pom Sok e outros. Jamais poderemos perdoar qualquer um de seus atos criminosos de venda do país e da nação, de perseguição e assassinato de coreanos inocentes; os colocaremos no banco dos réus diante do povo.
Nestes dias, o primeiro-ministro Ri Pom Sok e outros traidores entrincheirados no governo fantoche estão empenhados em caluniar absurdamente nossa República. Há pouco tempo, espalharam a cínica mentira de que teria ocorrido uma suposta revolta de grandes proporções em treze cidades da Coreia do Norte e agora propagam o boato de uma grande insurreição na região de Haeju. Na parte Norte da República, onde o povo é dono do poder, nada disso aconteceu nem poderia acontecer. A população da região de Haeju tem razão ao comparar essa demagogia do primeiro-ministro do governo fantoche sul-coreano ao latido de um cão raivoso para a lua noturna. Como diz o provérbio coreano: "Na casa em chamas, grita-se fogo", a meu ver, é justamente na Coreia do Sul, dominada pelo suposto presidente do governo fantoche, Ri Sung Man, e por seu primeiro-ministro, Ri Pom Sok, que as revoltas são frequentes e lhes causam grande inquietação.
Nestes dias, os vende-pátrias do governo fantoche da Coreia do Sul estão proclamando em voz alta uma expedição ao Norte. Parece que ignoram como isso terminará para eles.
A base democrática da parte Norte de nossa República consolidou-se tanto no aspecto político quanto no econômico.
Contamos com o Exército Popular, formado por filhos e filhas do povo trabalhador, infinitamente fiel à pátria e ao povo e capaz de defender firmemente as conquistas populares e o regime democrático.
Como autênticas forças armadas do povo, nosso Exército Popular possui hoje poderio suficiente para derrotar qualquer reacionário e qualquer agressor. Se os elementos pró-japoneses, os traidores da nação e os reacionários da Coreia do Sul se aventurarem em tal expedição ao Norte, sua derrota será total diante de um povo unido e consciente e de suas forças armadas.
Devemos consolidar nossos órgãos do Poder Popular.
A decisão sobre as eleições para os comitês populares das províncias, cidades, condados, cantões e comunas, aprovada também nesta II Sessão da Assembleia Popular Suprema, tem igualmente o objetivo de democratizar e fortalecer ainda mais nossos órgãos locais do poder. Nessas eleições, teremos de selecionar os melhores representantes do povo e colocá-los nos órgãos do poder, elevar ainda mais o prestígio e a função dos órgãos locais do poder da República e estreitar ainda mais os laços de fraternidade entre esses órgãos e as massas populares. Devemos divulgar amplamente entre as massas o significado dessas eleições e seu caráter profundamente democrático, mobilizar o entusiasmo político de todas as classes e camadas do povo, a fim de alcançar outra brilhante vitória política.
Deputados:
Atualmente, na arena internacional, a força da União Soviética e do campo democrático continua crescendo, enquanto a situação se transforma cada vez mais favoravelmente à justa causa de nosso povo em todos os aspectos. Isso reforça nossa convicção na vitória do povo coreano em sua luta pela liberdade, pela independência e pela reunificação da pátria.
Na China, um de nossos países vizinhos, o povo avança vitoriosamente em sua luta pela liberdade e pela emancipação nacional; o Exército de Libertação Popular da China libertou em poucos meses toda a região Nordeste e a região de Huabei, entrou há alguns dias em Pequim, sua capital de quatro mil anos, e agora avança em direção a Nanquim, depois de atravessar o rio Yangtse. Jiang Jieshi, responsável por toda espécie de crimes e traidor dos interesses do povo chinês, já arrumou suas coisas e está atordoado, sem saber para onde fugir: para Taiwan, Hong Kong ou os Estados Unidos. Está claro que o povo chinês em breve libertará todo o seu país, depois de derrotar a última resistência da camarilha de vende-pátrias reacionários.
Os imperialistas ianques proclamaram jactanciosamente que ajudariam Jiang Jieshi até o fim, mas, nestes dias, estão diminuindo o tom de suas declarações, sabe-se lá por quê. Estamos vendo o quanto se esforçam para atenuar, de alguma forma, sua crise política e econômica. Provocaram atos sangrentos contra o povo da Indonésia, instigando os imperialistas holandeses. Por isso, nosso povo permanece vigilante diante de cada movimento e de cada ação dos imperialistas ianques, promotores de uma política de agressão e pilhagem em todas as partes do mundo; sobretudo, mantém-se alerta diante de suas obscuras intrigas de conluio com os militaristas japoneses, inimigos jurados de nossa nação.
O que tem maior importância na política externa de nossa República é fortalecer a amizade e a solidariedade fraternais com os povos dos países do campo democrático e estreitar a cooperação econômica com eles. Consolidaremos ainda mais os laços de amizade com o povo soviético, com o qual sempre marcharemos juntos. Prosseguiremos também desenvolvendo as relações de amizade e cooperação com a Polônia, a Tchecoslováquia, a Bulgária, a Romênia, a Hungria, a Mongólia e outros países democráticos que reconheceram a República Popular Democrática da Coreia e estabeleceram relações diplomáticas com ela.
Como membro legítimo do campo democrático mundial, nossa República desfruta hoje do apoio de todos os povos amantes da liberdade.
O povo coreano triunfará sem falta em sua marcha rumo à reunificação e à independência da pátria e a um futuro feliz, mantendo bem alta a bandeira da República Popular Democrática da Coreia, com o apoio e a solidariedade ativos do povo soviético e de outros povos progressistas.