Na comunidade internacional, que acompanha atentamente os sintomas anormais cada vez mais graves do mundo ocidental, a palavra “fim” é repetida inúmeras vezes. Multiplicam-se as afirmações de todos os tipos: o fim político dos governantes, o fim do Estado de Direito, o fim do sistema financeiro ocidental, o fim da “globalização”, o fim da ordem mundial de dominação liderada pelos Estados Unidos, entre outras.
Isso pode ser considerado um indício de que o mundo capitalista está mergulhando em uma grave turbulência política e em uma crise econômica difícil de superar, e de que o sistema mundial de dominação baseado na ganância, construído pelos Estados Unidos mediante a união dos países ocidentais e consolidado ao longo de um extenso período, também se encontra em um processo de desintegração difícil de reverter.
Basta observar o título do artigo publicado no jornal chinês "Cankao Xiaoxi", “Como chegará ao fim a ordem mundial liderada pelos Estados Unidos?”, para compreender que o texto foi desenvolvido partindo da premissa de que a ordem mundial de dominação liderada pelos Estados Unidos não poderá evitar seu fim. Seja em decorrência de um conflito armado intenso que possa eclodir na região do Pacífico Ocidental, seja em consequência das crises que surgem incessantemente com o agravamento dos conflitos e das contradições internas, a ordem mundial de dominação liderada pelos Estados Unidos inevitavelmente chegará ao fim.
A história comprova que, independentemente de qual grande potência tenha exercido o controle, o mundo unipolar sempre acabou inevitavelmente entrando em colapso.
A ordem de dominação do Império Romano, que outrora teria estabilizado a região do Mediterrâneo, chegou ao fim com o declínio do império. Já a ordem hegemônica da Grã-Bretanha, que atingiu seu apogeu no século XIX, tornando-se a “fábrica do mundo”, desmoronou na primeira metade do século XX, após o país atravessar duas guerras mundiais.
Desde a entrada no século XXI, com o passar do tempo, a ordem mundial dominada pelos Estados Unidos também vem sendo profundamente abalada e enfraquecendo rapidamente.
Essa tendência deve ser extremamente preocupante e inquietante para os monopólios e as forças governantes dos países ocidentais, incluindo os Estados Unidos. Isso porque tudo aquilo que está associado à palavra “fim” — os governos, o Estado de Direito, a “globalização” e a ordem mundial de dominação — são estruturas que eles dedicaram grandes esforços a estabelecer e consolidar para garantir lucros incessantes, poder e uma vida de luxo e devassidão.
Diante do mundo ocidental, cujo declínio é incomparavelmente mais acentuado do que no passado, pode-se afirmar claramente que a "democracia liberal" se encontra ameaçada de extinção.
Se existe uma ideologia fundamental nos países ocidentais, ela é a "democracia liberal". Os países ocidentais vêm disfarçando sua democracia sob o rótulo de “democracia liberal” e fazendo propaganda como se a sociedade capitalista fosse a concretização dessa ideologia. Seus sistemas políticos e econômicos também foram estabelecidos com base nela, e a elaboração e a legalização de suas políticas internas e externas são igualmente realizadas segundo esse fundamento.
Toda a turbulência e as crises do mundo ocidental, cada vez mais associadas ao seu fim, podem ser consideradas resultado de uma "democracia liberal" que se torna progressivamente incapaz de funcionar.
As ideologias refletem rigorosamente tanto as características de sua época quanto as aspirações e exigências da classe correspondente.
A ideologia da "democracia liberal" foi criada pelas forças ocidentais mediante a deturpação da democracia burguesa, a fim de aniquilar as forças socialistas, diante da grande ameaça que sentiram após a Segunda Guerra Mundial com o rápido crescimento das forças socialistas e o ascenso do movimento operário e do movimento de libertação nacional das colônias. Se sua natureza for explicitada com clareza, a "democracia liberal" é uma ideologia extremamente reacionária, anticomunista e antissocialista, cujo objetivo não é proporcionar ao povo dos países ocidentais verdadeira liberdade, direitos democráticos e uma vida feliz, mas, de maneira absoluta, esmagar o socialismo, que lidera e representa as forças progressistas do mundo.
Embora as forças ocidentais tenham feito propaganda incessante de sua democracia como “governo do povo, baseado no povo e para o povo”, seu caráter enganoso e reacionário já foi plenamente revelado há muito tempo.
A democracia ocidental é uma política a serviço da burguesia, uma ditadura exercida exclusivamente em favor da classe capitalista.
Um sistema político que não reflete a vontade e as exigências das amplas massas trabalhadoras não pode ser uma verdadeira democracia e está destinado a ser rejeitado pelo povo. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, inúmeras pessoas também nos países ocidentais passaram a aspirar ao socialismo e a orientar-se em sua direção, o que se tornou uma tendência histórica impossível de conter.
Um meio de comunicação dos Estados Unidos relatou da seguinte maneira a situação daquela época.
"1947 foi um ano de virada. Os Estados Unidos avançaram exclusivamente rumo à Guerra Fria.
A liderança estadunidense fabricou informações segundo as quais Stalin pretendia ampliar mundialmente o movimento revolucionário. Na Grécia, as tropas britânicas esmagaram a Frente de Libertação Nacional de esquerda, que gozava de grande popularidade entre o povo, e restauraram a monarquia e o sistema ditatorial da direita. Em resposta, os comunistas se revoltaram, intensificando a guerra civil. Contudo, sem recursos financeiros suficientes, a Grã-Bretanha não conseguiu reprimir a insurreição na Grécia e solicitou a intervenção dos Estados Unidos."
A classe capitalista dos países ocidentais, em conluio mútuo, empenhou-se em intensificar a Guerra Fria, ao mesmo tempo que fazia esforços desesperados para conter e reprimir a luta das forças revolucionárias, que ganhava vigor na Europa.
Antes de ser um confronto acirrado para medir o poderio militar entre o socialismo e o capitalismo, a Guerra Fria foi uma intensa batalha ideológica e um confronto entre sistemas.
Na realidade, o Ocidente estava destinado a não conseguir alcançar a superioridade no confronto ideológico entre o socialismo e o capitalismo. É absolutamente evidente que o capitalismo, que proporciona todos os benefícios e vantagens apenas a um punhado de burgueses, estava em desvantagem desde o início e acabaria derrotado no confronto ideológico com o socialismo, que coloca o povo na posição de mestre.
Para recuperar de alguma forma essa inferioridade e assegurar a superioridade do capitalismo em relação ao socialismo, as forças ocidentais escolheram a palavra "liberdade" e a colocaram diante de "democracia".
A classe dominante dos países ocidentais, que criou o conceito político de "democracia liberal", impregnou-o de venenosas ideias destinadas a entorpecer a consciência ideológica não apenas dos povos de seus próprios países, mas também dos países socialistas, e a difamar e caluniar incessantemente a democracia socialista. Tratava-se de ideias reacionárias elaboradas por meio de conceitos de liberdade, igualdade e direitos humanos fundamentados no individualismo egoísta extremo e na adoração do dinheiro, bem como de expressões hipócritas e supostamente acima das classes sociais, como democracia política, sistema multipartidário, construção de uma sociedade de bem-estar social para as massas e estabelecimento de uma visão pluralista dos valores. Propagandeando obstinadamente essas ideias, as forças ocidentais embelezaram e disfarçaram o sistema de governo fascista capitalista e difamaram e caluniaram cruelmente o socialismo com sofismas como "ditadura", "totalitarismo", "aniquilação da individualidade" e "violação dos direitos humanos".
O colapso do socialismo em vários países no final do século passado foi precisamente resultado da infiltração incessante e dos ataques cruéis do veneno invisível da "democracia liberal".
Nos antigos países socialistas, à medida que as gerações se sucediam e a consciência das pessoas continuava mudando, concentrou-se a atenção apenas no aumento da riqueza material, enquanto se negligenciavam a educação ideológica e o fortalecimento espiritual dessas pessoas. Os venenos da "democracia liberal", introduzidos pelo Ocidente por diversos canais, penetraram facilmente na mente das pessoas como vírus, transformando e corrompendo suas ideias.
Como resultado, ocorreu a situação em que as posições revolucionária e socialista, construídas com o sangue dos revolucionários das gerações anteriores e com os esforços sinceros das amplas massas trabalhadoras, desmoronaram de uma só vez.
O colapso do socialismo em vários países deixou uma amarga lição histórica: se não for possível impedir antecipadamente a transformação ideológica das pessoas, ela inevitavelmente conduzirá ao colapso ideológico da sociedade e, por fim, provocará o declínio da revolução e a queda do sistema.
Quando o colapso do socialismo começou em vários países, o mundo ocidental fez uma propaganda estrondosa, apresentando-o como a "vitória da democracia liberal".
Em seu ensaio intitulado "O fim da história", publicado antes da queda do Muro de Berlim, em 1989, o acadêmico nipo-americano Francis Fukuyama declarou que a "democracia liberal" havia "triunfado" no confronto ideológico com o socialismo e argumentou veementemente que a "democracia liberal" era, de fato, o ponto final alcançado pela humanidade. Ele previu que, após o fim da Guerra Fria, os países do mundo que adotavam a "democracia liberal" coexistiriam em harmonia uns com os outros.
Entretanto, a história transcorrida comprovou minuciosamente que essa afirmação não passava de um sofisma.
A bandeira do socialismo não foi arriada da face da Terra; pelo contrário, tremula com ainda mais vigor.
Os países socialistas estão envidando esforços ativos para unir o povo, realizar a revitalização nacional e o bem-estar do povo por meio da força da unidade e garantir firmemente a defesa de seus países.
As ambições das forças ocidentais de dominar todo o planeta por meio da "democracia liberal" estão se transformando em fumaça.
As maquinações do Ocidente para neocolonizar o mundo, impondo à força a "democracia liberal" aos países do Oriente Médio e da África, como o Iraque, o Afeganistão e a Líbia, fracassaram completamente. As forças armadas dos países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, que haviam se infiltrado em numerosos países como postos avançados do neocolonialismo, estão sendo sucessivamente expulsas, enquanto seus domínios de influência e os mercados destinados à obtenção de lucros continuam encolhendo.
As relações entre os países que adotam a "democracia liberal", que se esperava que vivessem em harmonia e mantivessem boas relações, estão se tornando cada vez mais complexas, e suas contradições se agravam. À medida que se estreitam as oportunidades de obtenção de lucros, eles travam uma luta cada vez mais intensa pela conquista dos mercados, chegando, nesse processo, até mesmo a relações hostis.
Na sociedade capitalista, a liberdade e a democracia se aplicam apenas aos que possuem muito dinheiro. O dinheiro é, por si só, liberdade e direitos ilimitados, além de conferir dignidade pessoal. Para aqueles que não têm dinheiro, não existe liberdade, direito ou dignidade alguma.
Os governos dos países ocidentais estão desesperados para aplacar a ira das massas trabalhadoras, que explode violentamente dentro de seus próprios países em protesto contra a arbitrariedade cada vez mais extrema do capital, a exploração e a opressão. Por fim, recorrem às forças repressivas para esmagar impiedosamente a luta crescente dos manifestantes.
Nos países ocidentais, onde a questão dos refugiados se tornou um importante problema político e econômico, os partidos de extrema direita estão ganhando força ao defenderem o "nacionalismo prioritário", segundo o qual os interesses do próprio país devem vir em primeiro lugar.
Segundo os dados, na União Europeia existem partidos de extrema direita em mais de dez países-membros, e eles cresceram a ponto de exercer forte influência sobre os governos e os parlamentos. Nas terras onde se pregavam a liberdade, a igualdade, os direitos humanos e a democracia política, o fascismo, que antes vagava como um espectro, está agora ressurgindo abertamente. Crimes de natureza fascista são cometidos sem hesitação, incluindo a prisão coercitiva, a detenção e a expulsão de refugiados, bem como agressões indiscriminadas e assassinatos arbitrários.
Isso comprova que a "democracia liberal" entrou em uma fase na qual está se extinguindo por conta própria, envenenada por suas próprias toxinas.
A ideologia socialista, que reflete os ideais e as aspirações do povo, é eterna, mas a "democracia liberal", que serve a um punhado de capitalistas e da classe exploradora e apenas agrava todas as contradições e confrontações, está inevitavelmente fadada à extinção. Essa é uma verdade e uma lei do desenvolvimento histórico.
O mundo atual é extremamente complexo e turbulento, mas nada poderá impedir a aspiração e a vontade da humanidade de avançar rumo ao socialismo e à independência.
Ri Kyong Su

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