sábado, 31 de outubro de 2026

Manobra de transferência de responsabilidade para escapar da crise

Atualmente, nos países europeus, as massas de diversas camadas sociais estão realizando grandes manifestações em vários lugares, inclusive nas capitais, em protesto contra as políticas injustas das autoridades.

As lutas de protesto, iniciadas na França em meio às péssimas condições educacionais e à disparada dos preços, estão se espalhando para outros países europeus como incêndios florestais durante a estação seca. Também no passado dia 24 de outubro, foram realizadas grandes manifestações em vários países europeus, entre eles França, Espanha, Itália, Bélgica e Albânia.

O problema é que as autoridades dos países europeus estão descrevendo as manifestações antigovernamentais, provocadas por suas próprias políticas equivocadas, como resultado de uma "instigação da Rússia". Elas alardeiam que a Rússia estaria "incitando distúrbios populares nas grandes cidades europeias".

A esse respeito, recentemente, o governo russo afirmou que alguns dirigentes de países europeus, em vez de analisarem a atual situação, na qual as ações de protesto continuam, e procurarem suas causas, estão transferindo a responsabilidade para terceiros. Sustentou que as causas da situação residem nos próprios erros cometidos por esses países, entre os quais o aumento da dívida pública.

Na realidade, pode-se dizer que o clima de protesto popular em massa que varre a Europa é uma consequência inevitável das políticas insensatas de confronto e da administração antipopular das autoridades dos países europeus.

Atualmente, muitos países europeus enfrentam uma grave crise política e econômica. Isso não pode ser dissociado de suas políticas antirrussas. Os países europeus romperam suas relações comerciais com a Rússia sob o pretexto da situação na Ucrânia e, com isso, mergulharam voluntariamente em uma crise energética. Ao rejeitarem o gás natural russo de baixo preço e importarem gás natural liquefeito várias vezes mais caro, estão sofrendo enormes prejuízos econômicos. Com a situação no Oriente Médio somando-se a isso, a escassez de energia na Europa atingiu níveis extremos. A alta dos preços da energia está provocando a disparada dos preços em geral, enquanto o número de falências de empresas e de desempregados aumenta consideravelmente.

Os países europeus ainda alimentam o sonho ilusório de infligir uma derrota estratégica à Rússia e continuam despejando enormes quantias de dinheiro no apoio à Ucrânia. Grandes somas que deveriam ser destinadas à solução de graves problemas sociais, como a melhoria das condições educacionais e a superação da crise habitacional, estão sendo desperdiçadas na operação de apoio à Ucrânia, que é como despejar água em um barril sem fundo.

Os enormes gastos militares que países europeus como Alemanha e França estão realizando sob o pretexto de se prepararem para a "ameaça russa" também estão mergulhando esses países em uma grave crise fiscal. Em todos os países europeus, sem exceção, o déficit orçamentário está aumentando e a dívida pública cresce enormemente. Em diversos países, como França, Grécia e Bélgica, o montante da dívida pública já ultrapassou o Produto Interno Bruto.

Com o aprofundamento da crise econômica, os gastos sociais estão sendo reduzidos e as condições de vida das massas trabalhadoras se deterioram dia após dia. Entretanto, as autoridades ignoram a vontade e as reivindicações das massas trabalhadoras e se empenham obstinadamente na implementação de políticas voltadas para os monopólios e grandes conglomerados. Esse é um dos fatores que despertam a indignação das pessoas de todas as camadas sociais e provocam a realização de manifestações populares em massa em diversos lugares.

Uma organização que deu início às manifestações em âmbito nacional na França, exigindo a melhoria das condições educacionais, declarou estar preparada para continuar os protestos caso o governo não apresente medidas concretas. Os sindicatos trabalhistas também anunciaram uma greve geral para 5 de novembro e manifestaram sua determinação de ampliar as manifestações até que suas reivindicações sejam atendidas.

Nessa situação, os países europeus, levados a uma crise extrema, estão recorrendo à habitual manobra de transferir a responsabilidade para terceiros. Ao atribuírem as manifestações de protesto popular à "instigação da Rússia", as autoridades desses países tentam ocultar a natureza de suas políticas antipopulares, escapar da crise e intensificar o sentimento antirrusso.

Entretanto, essa campanha de intrigas está provocando uma forte reação da Rússia. O país declarou que não tolerará de modo algum as acusações infundadas de alguns países europeus, que a responsabilizam pela desordem instalada em seus próprios territórios. Embora as classes dominantes dos países europeus tentem transferir para a Rússia a responsabilidade pela atual situação, será difícil conter, por meio dessas manobras, a luta dos manifestantes indignados.

Jon Jong Ho

Rodong Sinmun

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