Há pouco, o secretário-chefe do Gabinete, Kihara, realizou uma coletiva de imprensa e, sem rodeios, afirmou que “mantemos os ‘Três Princípios Não Nucleares’ como uma diretriz de política”, atraindo a atenção dos jornalistas.
Essa declaração não condiz em absoluto com a posição da primeira-ministra, que havia insistido em que, em consonância com a revisão dos três documentos relacionados à segurança, a revisão dos “Três Princípios Não Nucleares” também deveria ser colocada como “objeto de discussão”, nem com a posição do ministro da Defesa, que afirmou ser necessário discutir a política nuclear, inclusive a possibilidade de revisar ou não os “Três Princípios Não Nucleares”.
No Japão, o secretário-chefe do Gabinete é um membro do Gabinete diretamente subordinado ao primeiro-ministro e pode ser considerado o porta-voz do governo. Que uma figura desse tipo tenha feito inesperadamente uma declaração contrária à posição do governante é, de fato, algo bastante intrigante.
No entanto, considerando a desfavorável opinião pública, tanto dentro quanto fora do país, em relação às ambições japonesas de possuir armas nucleares, pode-se compreender bem por que o atual governo colocou Kihara diante dos jornalistas.
O povo japonês está lançando flechas de crítica contra as atuais autoridades, que estão se esforçando para trazer novamente, nos dias de hoje, a catástrofe nuclear sofrida às vésperas da derrota. A taxa de apoio ao Partido Liberal Democrata está caindo dia após dia.
Também internacionalmente o Japão está se tornando alvo de críticas. Os países vizinhos afirmam que é necessário desferir um duro golpe contra o impulso do Japão de possuir armas nucleares.
Pressionado por essa situação, o governo japonês colocou Kihara à frente de uma coletiva de imprensa para acalmar a opinião pública interna e externa. Isso pode ser chamado, verdadeiramente, de uma astúcia barata.
As forças governantes japonesas, que estão enlouquecidas tentando alterar tanto o princípio da “defesa exclusiva” quanto as cláusulas fundamentais da “Constituição Pacífica”, sempre que se deparam com veementes protestos e oposição dentro e fora do país, realizam coletivas de imprensa e outras ações, usando artifícios superficiais e pomposos, falando em “manter” e “proteger” esses princípios, numa tentativa de acalmar a situação.
Tentar zombar da opinião pública interna e externa com tais artimanhas é uma atitude tola.
Existe um provérbio que diz que “o tigre aparece onde há diversão”.
Se o Japão continuar agindo de maneira imprudente pela remilitarização e expansão ao exterior, recorrendo a todo tipo de artifício mesquinho, poderá a qualquer momento sofrer uma terrível consequência irreversível.
Kim Su Jin

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