sábado, 1 de agosto de 2026

Por que o Japão pretende revisar os “Três Princípios Não Nucleares”

Recentemente, têm surgido de forma cada vez mais aberta, no Japão, movimentos que buscam revisar os “Três Princípios Não Nucleares”.

Há pouco tempo, o ministro da Defesa respondeu sem qualquer hesitação, a uma pergunta de parlamentares sobre a política nuclear, que era necessário discutir a revisão da política nuclear vigente. No final do ano passado, ele também declarou publicamente: “É necessário discutir todas as opções, sem excluir nenhuma, sobre o que é necessário para proteger a vida dos cidadãos e sua existência pacífica."

A política nuclear vigente mencionada pelo ministro da Defesa refere-se aos “Três Princípios Não Nucleares”, que o Japão vem sustentando há várias décadas.

Em outras palavras, sua alegação é de que, para defender a segurança do Japão, seria necessário alterar os “Três Princípios Não Nucleares”, mantidos até o presente.

Desde a década de 1960, as autoridades japonesas têm proclamado como política nacional os “Três Princípios Não Nucleares”, segundo os quais o país não possuiria, não fabricaria e não permitiria a introdução de armas nucleares. Entretanto, na prática, esses princípios deixaram de existir há muito tempo.

Já há várias décadas, equipamentos nucleares dos Estados Unidos atracam abertamente em portos japoneses, e inúmeras bases capazes de receber e armazenar armas nucleares estadunidenses foram estabelecidas em diversas partes do Japão. Em Okinawa estão estacionados a 3ª Força Expedicionária de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, dotada de grande capacidade de ataque nuclear, e uma unidade de manutenção de munições responsável pelo abastecimento e manutenção de toda a força de combate nuclear estadunidense na Ásia. É de conhecimento mundial que Yokosuka se tornou a base da 7ª Frota dos Estados Unidos e um ponto estratégico a serviço da execução da estratégia nuclear estadunidense em uma vasta área que se estende do Pacífico Ocidental ao Oceano Índico.

Políticos da direita japonesa chegaram a defender abertamente a transição para uma “política dos 2,5 princípios não nucleares”, que não permitiria o estacionamento de armas nucleares em terra, mas aceitaria a entrada em portos de navios que as transportassem, abrindo assim, de forma explícita, o caminho para a introdução de equipamentos nucleares estadunidenses.

Enquanto propagavam o atraente slogan da utilização pacífica da energia nuclear, também acumularam enormes quantidades de plutônio. Já há vinte anos, o estoque japonês de plutônio havia alcançado um nível suficiente para fabricar numerosas armas nucleares.

Quando, em abril de 2002, Ichiro Ozawa, então líder do Partido Liberal, declarou que “se quisermos, podemos fabricar milhares de bombas nucleares”, isso não foi mera bravata. Tudo isso ocorreu sob a fachada dos supostos “Três Princípios Não Nucleares”.

Mesmo assim, ao longo dos anos, as autoridades japonesas, embora proclamassem externamente ser um “Estado pacífico”, jamais ousaram ultrapassar abertamente o limite da proibição da posse de armas nucleares. No entanto, recentemente, a revisão dos “Três Princípios Não Nucleares” passou a ser defendida publicamente.

A gravidade da questão reside no fato de que a tentativa de adquirir armas nucleares não se limita a alguns políticos conservadores, mas está intimamente ligada à política militar das atuais autoridades.

A política de “construção de um Japão forte”, defendida pelo governo Takaichi, tem, em essência, o objetivo de transformar o Japão em um Estado de guerra.

As atuais autoridades vêm intensificando de forma extremamente aberta suas manobras para revisar a “Constituição Pacifista”, que proíbe o direito de beligerância, transformar as “Forças de Autodefesa” em forças armadas regulares e modificar os documentos militares para lhes conferir um caráter mais ofensivo. Ao mesmo tempo em que aceleram o fortalecimento militar das “Forças de Autodefesa”, derrubam as barreiras à exportação de armamentos e ampliam em grande escala a indústria bélica.

O fato de o governo Takaichi ter recentemente qualificado, no projeto do Livro Branco da Defesa, nosso país, a China e outros países vizinhos como “ameaças” e “desafios” demonstra claramente a intenção de justificar seu rearmamento, especialmente a posse de armas nucleares.

As manobras das autoridades japonesas, obcecadas por suas ambições de uma nova agressão e empenhadas até mesmo em obter armas nucleares, despertam grande preocupação e condenação tanto no país quanto no exterior.

Um exemplo representativo disso é que as assembleias locais de mais de 80 regiões do Japão, incluindo Hiroshima e Nagasaki, manifestaram descontentamento com a política nuclear do governo Takaichi e apresentaram pareceres exigindo a manutenção dos “Três Princípios Não Nucleares”.

Na primeira metade do século passado, o militarismo japonês, que se entregou à agressão e à pilhagem, lançou-se desesperadamente à obtenção de armas nucleares em busca da dominação mundial, mas acabou derrotado e destruído.

Hoje, são as forças do neomilitarismo que tentam, sem qualquer constrangimento, modificar os “Três Princípios Não Nucleares”.

A tentativa das forças neomilitaristas japonesas, obcecadas pela expansão ao exterior e por uma nova agressão, de concretizar sua ambição de possuir armas nucleares constitui um desafio e uma ameaça abertos à paz regional e mundial.

As mudanças de política na esfera militar, promovidas de forma temerária pelas forças governantes do Japão, inevitavelmente conduzirão o país a um abismo de destruição do qual será impossível escapar.

Un Jong Chol

Rodong Sinmun 

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