Discurso do camarada Kim Il Sung no ato de massas do condado de Sakju, província de Pyongan Norte
10 de outubro de 1946
Queridos cidadãos do condado de Sakju:
Permitam-me expressar o meu mais elevado reconhecimento a vocês, compatriotas, irmãos e irmãs do condado de Sakju, que com tanta abnegação estão trabalhando na construção de um Estado democrático, soberano e independente.
Há muito tempo eu tinha planejado visitar a Central Hidrelétrica de Suphung e a Fábrica de Carbureto de Chongsu, tesouros da nossa Coreia, mas por diversos motivos não pude fazê-lo até hoje.
Hoje, ao ver aqui a gigantesca Central Hidrelétrica de Suphung e o entusiasmo com que vocês estão lutando pela construção de uma nova pátria, reafirmei minha confiança de que a democracia triunfará sem falta e de que o povo coreano possui plena capacidade para construir com suas próprias forças um Estado democrático, soberano e independente.
O povo coreano, que outrora viveu na escravidão submetido à cruel exploração e opressão sob a dominação colonial do imperialismo japonês, hoje é o digno dono do país. Na Coreia do Norte, as fábricas e empresas passaram para as mãos do povo e todos os bens são utilizados para lhe proporcionar uma vida feliz. A Central Hidrelétrica de Suphung também passou a ser propriedade do nosso povo, que agora a administra com suas próprias forças como seu verdadeiro dono.
A Central Hidrelétrica de Suphung é um dos maiores bens do povo coreano, uma importante base energética para a construção da Coreia democrática. Ela constitui uma inestimável base material para nossa obra de construção de um Estado democrático. Explorando-a de maneira eficiente, aumentarão a geração de energia elétrica, o que permitirá às fábricas ampliar a produção dos bens necessários para a construção da nova Coreia e para a melhoria da vida material e cultural do povo. Realmente, ao pensar nisso, não consigo conter minha imensa alegria e emoção.
Movido por essa emoção e alegria, vou falar-lhes brevemente sobre a situação internacional e nacional e sobre algumas tarefas que devemos realizar daqui para frente.
Hoje, a situação internacional é diferente daquela que prevalecia antes da Segunda Guerra Mundial. No Ocidente, a Alemanha fascista, que tentou conquistar e dominar toda a Europa, e, no Oriente, o imperialismo japonês, que, depois de ocupar a Coreia e a Manchúria, lançou-se para devorar o restante da China e outros países do Sudeste Asiático, já foram derrotados, e o mundo passou da guerra para uma vida pacífica. Atualmente, em todo o mundo, as forças da paz e da democracia estão crescendo e fortalecendo-se dia após dia, de modo que nenhuma potência imperialista pode agredir impunemente os países fracos.
O nosso povo coreano, assim como os povos de diversos países da Europa Oriental libertados do jugo fascista, empreendeu após a libertação o caminho do desenvolvimento democrático e está se esforçando para avançar nas mesmas fileiras dos povos dos diversos Estados do mundo amantes da democracia.
Mas, enquanto as massas populares buscam a democracia e a liberdade e exigem a paz, ainda existem no mundo, tanto no Oriente quanto no Ocidente, forças remanescentes do fascismo que, em conluio com os países imperialistas agressivos, dificultam o desenvolvimento da democracia em todo o mundo. Por exemplo, em um país da Europa, como a Grécia, as forças reacionárias, apoiadas pelos grupos reacionários da Inglaterra, ressurgiram e estão reprimindo as crescentes forças democráticas. Também na Ásia, a camarilha de Jiang Jieshi, da China, instigada pelos reacionários dos Estados Unidos, desencadeou uma guerra civil contra as forças democráticas, guerra que ainda hoje, mais de um ano após o término da Segunda Guerra Mundial, continua fazendo o povo chinês sofrer.
Pois bem, qual é a situação do nosso país?
Após a libertação, no Norte da Coreia foram fundados os comitês populares, o genuíno poder do povo, e organizaram-se partidos políticos e organizações sociais democráticas, que se fortalecem e desenvolvem dia após dia. Além disso, estão sendo realizadas com êxito as reformas democráticas para lançar as bases sobre as quais construiremos um Estado democrático, soberano e independente e elevar nosso país ao nível dos Estados democráticos do mundo. Assim, em todos os campos, político, econômico e outros, estão sendo eliminados os elementos pró-japoneses e os traidores da nação, e gradualmente se põe fim ao atraso feudal e aos vestígios da dominação colonial do imperialismo japonês. Tornou-se possível que, no próximo dia 3 de novembro, o próprio povo eleja, de acordo com sua própria vontade e por meio do sufrágio democrático, os membros do comitê popular que verdadeiramente possam representar seus interesses.
Mas, no Sul da Coreia, onde também vivem nossos compatriotas, acontecem coisas completamente diferentes. Protegidos pela administração militar estadunidense, os lacaios pró-japoneses e outros elementos reacionários continuam dominando. Os imperialistas estadunidenses, os pró-japoneses, pró-estadunidenses e traidores da nação reprimem os verdadeiros patriotas e os demais habitantes do Sul da Coreia com uma crueldade ainda maior do que na época do imperialismo japonês, implantando ali uma sociedade tão tenebrosa quanto a do tempo da dinastia feudal de Joson.
Escutem, cidadãos. No Sul da Coreia, os imperialistas ianques e seus lacaios, depois de dissolverem os comitês populares, o poder do povo, reprimiram a população por métodos inconcebíveis, provocando até o massacre de 15 de agosto em Kwangju, o incidente da ilha de Haui e, recentemente, o incidente de Taegu, onde assassinaram a tiros e a golpes de sabre um grande número de operários e camponeses, mobilizando tanques e aviação para intimidar a população. Privaram o povo das liberdades de expressão, imprensa, reunião e associação, fecharam os jornais progressistas e prendem e encarceram indiscriminadamente personalidades democráticas e patriotas. Por outro lado, na Comissão Conjunta URSS-EUA, os imperialistas estadunidenses propuseram à parte soviética dividir entre si, como despojo, todas as fábricas, minas e empresas que antes pertenciam aos imperialistas japoneses, em vez de devolver essa riqueza ao nosso povo, que a havia criado com seu sangue e suor. A parte soviética opôs-se energicamente a essa proposta do imperialismo ianque. Isso foi um dos motivos da suspensão das sessões dessa Comissão. Agora, os imperialistas estadunidenses tornaram-se os donos da economia sul-coreana, mudando o nome da “Companhia de Exploração Colonial do Oriente” dos agressores imperialistas japoneses para “Companhia da Nova Coreia”, e, em substituição a eles, exploram impiedosamente os operários, camponeses e intelectuais trabalhadores sul-coreanos.
Incapaz de suportar por mais tempo essa exploração e opressão do imperialismo ianque, a população sul-coreana levantou-se para lutar. Em todo o território do Sul da Coreia, de Pusan até Seul, os operários de quase todos os setores, tendo os ferroviários na linha de frente, prosseguem em greve geral.
Como vemos, no Norte da Coreia a população é hoje a dona do país e das fábricas, e a construção da democracia avança com êxito cada vez maior, enquanto no Sul, devido às maquinações reacionárias dos imperialistas ianques e de seus lacaios, a população é cruelmente oprimida e suas reivindicações democráticas são impiedosamente esmagadas.
Que tarefas essa situação nos impõe?
Devemos consolidar os alicerces democráticos no Norte da Coreia, que é a base democrática de toda a Coreia. Somente fortalecendo esses alicerces poderemos frustrar as maquinações do imperialismo ianque e de seus lacaios, desenvolver democraticamente o país, estabelecer um governo unificado e construir com êxito um Estado democrático, soberano, independente, rico e poderoso.
Para fortalecer os alicerces democráticos é necessário, em primeiro lugar, que todo o povo se una mais estreitamente em torno do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte.
Nossa obra de construção do Estado não pode ser realizada pelo esforço de pessoas isoladas. Ela só pode ser levada a cabo quando todo o povo estiver monoliticamente unido.
O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte é um verdadeiro poder popular que trabalha pela liberdade e pela felicidade do nosso povo. Unir-se estreitamente em torno dele é uma garantia firme para o estabelecimento de uma república popular democrática, desejo de todo o povo coreano. Todo o povo deve apoiar ativamente o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, agrupar-se firmemente em torno dele e cumprir de maneira consequente seus decretos e resoluções.
Com as próximas eleições, a população do Norte da Coreia terá, pela primeira vez, a oportunidade de participar diretamente da política do país. Devemos transformar essas eleições democráticas em uma importante oportunidade para infundir no povo a confiança na vitória da democracia, incentivá-lo a participar ativamente da construção do Estado, fortalecer o poder popular e unir ainda mais solidamente as massas em torno dele.
A lei sobre as eleições, elaborada recentemente pela primeira vez em nosso país, é a mais progressista e democrática, ao estabelecer que as eleições devem ser realizadas por voto secreto, segundo os princípios do sufrágio universal, igual e direto. De acordo com essa lei, todos os cidadãos, com ou sem fortuna ou instrução, homens e mulheres, jovens e idosos, com exceção dos pró-japoneses, dos traidores da nação e das pessoas com deficiência intelectual, podem participar em igualdade de condições das eleições e têm o direito de ser eleitos como representantes do povo. Nas próximas eleições, os partidos políticos não disputarão entre si, mas votarão conjuntamente naqueles que possam representar fielmente os interesses do povo.
O próximo dia 3 de novembro será um memorável dia de festa em que nosso povo exercerá seus direitos políticos. Todos vocês devem participar com entusiasmo, com seu voto unânime, da eleição dos verdadeiros representantes do povo.
É necessário que todo o povo se esforce para alcançar a transferência do poder para os comitês populares e realizar as reformas democráticas em toda a Coreia.
As Leis da Reforma Agrária, do Trabalho, da Igualdade de Direitos entre o Homem e a Mulher, da Nacionalização das Indústrias, o sistema de imposto agrícola em espécie, a lei sobre as eleições democráticas, entre outras, têm grande importância para a construção de um Estado completamente soberano e independente em nossa Coreia. Devemos nos esforçar para instituir, o mais rapidamente possível, mediante as forças unidas de todo o povo, essas leis democráticas também no Sul da Coreia, como foi feito no Norte, e prestar toda a ajuda moral e material à população sul-coreana, que luta para tornar isso realidade.
Em segundo lugar, devemos nos esforçar para consolidar a base econômica do país.
Do ponto de vista econômico, nosso país ainda se encontra em uma situação difícil. Obtivemos não poucos êxitos no último ano após a libertação, trabalhando para restaurar as fábricas e empresas destruídas pelo imperialismo japonês e desenvolver a economia nacional, mas as bases econômicas do país ainda são frágeis. Para consolidar os alicerces democráticos e construir uma nova Coreia rica e poderosa, é necessário intensificar o desenvolvimento da economia, fortalecendo sua base no país.
Operários, camponeses, intelectuais progressistas e demais trabalhadores devem contribuir com todos os seus esforços para a recuperação e o desenvolvimento da economia nacional. Os operários, em cooperação com os técnicos, devem procurar aumentar a produção de roupas, calçados e diversos outros artigos, concluindo o quanto antes a restauração das fábricas e empresas destruídas pelos imperialistas japoneses, bem como construir uma indústria desenvolvida. Por sua vez, os camponeses devem aumentar a produção agrícola e pagar pontualmente os impostos em espécie, assegurando com senso de responsabilidade o abastecimento de alimentos para os operários e empregados.
Toda a nossa produção atual não deve beneficiar estrangeiros, como os imperialistas japoneses ou estadunidenses, mas precisamente os coreanos e a construção de uma nova Coreia rica e poderosa. Devemos fazer esforços persistentes para impulsionar o mais rapidamente possível a economia nacional, com vistas a alcançar a prosperidade e o desenvolvimento do país, melhorar o bem-estar do povo e assegurar-lhe uma vida feliz.
Por meio dessa luta, devemos elevar o entusiasmo revolucionário do povo, incentivando-o a participar ativamente da vida política e democrática. Agindo dessa maneira, poderemos fortalecer nossas forças democráticas e cumprir em ritmo mais acelerado as tarefas democráticas, empunhando a bandeira da frente única nacional.
Em terceiro lugar, é preciso elevar a vigilância diante das maquinações dos elementos reacionários.
Os círculos reacionários dos Estados Unidos e seu lacaio, a camarilha de Ri Sung Man, por um lado reprimem no Sul da Coreia as atividades democráticas da população e assassinam patriotas com o uso de grupos terroristas e, por outro, infiltram seus espiões e sabotadores no Norte com a intenção de impedir o trabalho do nosso povo na construção de uma Coreia democrática. Eles introduzem seus espiões nos partidos políticos e organizações sociais democráticas e nos comitês populares e, por meio de elementos de subversão e sabotagem, promovem atos terroristas e incendeiam fábricas. Como vítimas dos atentados inimigos, foram assassinados os filhos de um dirigente do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, e uma fábrica de material ferroviário e uma serraria de Manpho foram incendiadas. É possível que os inimigos também conspirem para destruir a Central Hidrelétrica de Suphung, importante base energética para a construção da nova Coreia. Cidadãos, imaginem o que acontecerá se os inimigos conseguirem destruí-la.
Temos de impedi-los por todos os meios.
Todo o povo, firmemente unido em alma e vontade e vigilante, deve observar atentamente cada movimento dos elementos reacionários e frustrar resolutamente, com suas próprias forças, as tentativas do inimigo de dificultar e impedir a construção de um Estado democrático, soberano e independente.
Desejo-lhes maiores êxitos em seu trabalho pela construção de uma nova Coreia democrática.

Nenhum comentário:
Postar um comentário