10 de outubro de 1946
Kim Il Sung
Pergunta: Cremos que as eleições para os membros dos comitês populares de província, cidade e condado que serão realizadas em breve em nosso país serão um acontecimento de importância mundial que exercerá grande influência na reunificação do Norte e do Sul da Coreia. Qual é a sua opinião, estimado General, a esse respeito?
Resposta: Como estas eleições que serão realizadas na Coreia do Norte são as mais progressistas e democráticas, elas terão, de fato, um grande significado internacional e nacional.
Serão as primeiras eleições democráticas não apenas em nosso país, mas também na Ásia. Por essa razão, exercerão forte influência política em numerosos países asiáticos e impulsionarão neles o desenvolvimento da democracia. Podemos afirmar isso com base apenas no fato de que a reforma agrária realizada vitoriosamente em nosso país em março passado exerceu grande influência sobre outros países. Como as próximas eleições serão democráticas, eleições nas quais nosso povo, libertado da dominação colonial do imperialismo japonês, exercerá pela primeira vez em sua história um verdadeiro direito político, não duvido de que constituirão um grande estímulo para os povos de numerosos países da Ásia que lutam contra a exploração e a opressão imperialistas e pela independência nacional.
As eleições democráticas a serem realizadas na Coreia do Norte exercerão uma influência política particularmente forte sobre a população sul-coreana. Por meio deste acontecimento, a população sul-coreana verá claramente que precisamente estas são eleições progressistas e democráticas com a ampla participação das massas populares e que somente mediante eleições desse tipo poderá estabelecer um poder verdadeiramente popular que defenda seus interesses.
Estas eleições exercerão sobre a população sul-coreana uma influência maior do que todas as leis democráticas, como as da Reforma Agrária, do Trabalho, da Igualdade de Direitos entre o Homem e a Mulher e da Nacionalização das Indústrias, promulgadas e já em vigor na Coreia do Norte, e constituirão uma grande força impulsora para a reunificação do Norte e do Sul. Em outras palavras, constituirão uma grande oportunidade para acelerar ainda mais a reunificação de ambas as partes.
Pergunta: Hoje, a maioria absoluta dos cristãos na Coreia do Norte adota uma atitude progressista, mas, a meu ver, ainda uma parte deles demonstra inclinação a depositar uma esperança silenciosa na administração militar estadunidense na Coreia do Sul e em seus lacaios, o bando de pró-estadunidenses e traidores da nação, porque ainda alimenta a velha ideia de devoção que tinha aos missionários estadunidenses nos tempos passados. Como o senhor, General, julga esta questão e que resultado político ela terá nas eleições projetadas?
Resposta: Na Coreia do Norte não é proibido professar uma religião; pelo contrário, a liberdade de crença é garantida pela lei. É conveniente que os crentes compreendam bem que acreditar ou não em uma religião é uma questão a ser decidida livremente. Porém, assegurar a liberdade de religião não significa permitir atividades religiosas contrárias à política do Estado. Não podemos deixar de qualificar tais atividades como traição aos interesses de nosso povo. É necessário opor-se categoricamente aos atos que prejudicam os interesses do país e do povo.
No passado, nosso povo viveu uma vida trágica de escravo colonial como uma nação privada de seu país durante o longuíssimo período de quase meio século, razão pela qual houve muitas pessoas que tinham essa tendência de dar prioridade à religião. Porém, essa ideia atrasada não deverá persistir hoje, quando o perverso imperialismo japonês já foi derrotado e nossa nação coreana emancipada está construindo um Estado democrático, soberano e independente. Agora todos devem abraçar a genuína ideia patriótica de lutar pelos interesses do Estado e do povo e participar ativamente na construção de um país soberano e independente, rico e forte.
Os missionários estrangeiros que estiveram no passado na Coreia eram agentes dos imperialistas. Enviar missionários com fins de agressão a outros países são práticas próprias dos Estados imperialistas, mas inimagináveis no mundo democrático de hoje.
Os religiosos terão que se desfazer da errônea ideia de devoção aos missionários estrangeiros. A partir de agora, a religião deve subordinar-se aos interesses do Estado e do povo, servir aos interesses de nossa nação. Os coreanos só poderão acreditar em uma religião que proceda dessa maneira.
Podemos dizer que há cristãos propensos a depositar certa esperança na administração militar estadunidense na Coreia do Sul e em seus lacaios, mas pensamos que isso não terá grandes consequências políticas para as eleições projetadas. Porque confio que os cristãos, como coreanos que são, assim como os demais, participarão ativamente da campanha eleitoral, de grande significado na história de nossa nação, se realmente amam a Coreia e querem que ela seja soberana e independente.
Pergunta: Penso que um importante objetivo de sua presente viagem a Sakju, estimado General, é dirigir no local o trabalho da Central Hidrelétrica de Suphung e da Fábrica de Carbureto de Chongsu. Fale, por favor, sobre as tarefas atuais para a eletrificação do país.
Resposta: A Central Hidrelétrica de Suphung constitui uma importante base energética de nosso país e seu valioso tesouro. Nosso país conta também com várias outras centrais hidrelétricas. A energia elétrica que elas produzem é uma grande base para a restauração e o desenvolvimento da indústria e a eletrificação do país.
A eletrificação é um dos objetivos mais urgentes em nosso país. Levando a eletrificação às fábricas e a todos os setores da economia nacional, poderemos desenvolver rapidamente a economia e construir um Estado poderoso e próspero.
A tarefa mais urgente na eletrificação do país é introduzi-la nas ferrovias. Atualmente, o movimento dos trens enfrenta muitas dificuldades por não ser possível garantir quantidade suficiente de carvão de qualidade para as ferrovias. É preciso, portanto, eletrificar este setor no menor tempo possível. Propomo-nos a eletrificar primeiro a linha Pyongyang-Wonsan, para a qual estamos realizando os estudos necessários.
A eletrificação do país não é uma tarefa fácil, de modo algum. Enfrentamos múltiplos problemas difíceis e complexos, entre outros, o de pessoal técnico e o de materiais. Ainda passará bastante tempo antes que encontremos soluções para eles. Mas não podemos permanecer de braços cruzados.
Já a partir de agora devemos formar um bom contingente de técnicos capacitados para dirigir centrais elétricas e fábricas. A técnica e o homem decidem tudo.
É necessário superar em todos os ramos da economia nacional a carência de materiais e de pessoal técnico, colocando em pleno jogo a iniciativa criadora e fazendo tudo o que for possível para solucionar este problema. E, dessa maneira, acelerar a eletrificação do país e restaurar e desenvolver rapidamente a economia.

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