28 de setembro de 1946
Queridos homens da cultura:
Hoje, aproveitando esta conferência dos homens da cultura, gostaria de falar-lhes um pouco sobre a construção da democracia que estamos levando adiante e sobre as tarefas e os deveres que cabem aos homens da cultura no âmbito dessa obra de construção.
Antes de tudo, rendo minha sincera homenagem a vocês, que nas respectivas localidades e locais de trabalho estão cumprindo com entusiasmo as tarefas que têm diante de si, vencendo toda espécie de dificuldades e obstáculos.
A tarefa que hoje se apresenta com caráter urgente ao nosso povo é alcançar a independência completa da pátria, para o que será necessário erradicar os nefastos vestígios do imperialismo japonês que ainda permanecem profundamente enraizados em todos os campos da política, da economia e da cultura, eliminar completamente todas as forças reacionárias antidemocráticas da Coreia do Sul e construir nossa economia nacional. Trata-se realmente de uma grande e sagrada tarefa para toda a nação, que abrirá uma nova era na história do nosso país.
Em cumprimento dessa grandiosa tarefa, de tão profundo significado, realizamos, em primeiro lugar, a reforma agrária em março do presente ano. Essa realização histórica foi um acontecimento de enorme importância que transformou não apenas o campo, mas também a sociedade coreana, que se apoiava em uma economia agrícola atrasada. Com a bem-sucedida realização da reforma agrária, foram abolidas as relações feudais de posse da terra, enquanto os camponeses, tendo-se convertido nos legítimos proprietários do campo e em novos responsáveis pela produção agrícola, podem cultivar livremente suas próprias terras e desfrutar de uma vida repleta de alegria e esperança.
Em segundo lugar, implantamos o sistema do imposto agrícola em espécie. Isso tornou possível não apenas abolir os pesados tributos que recaíam sobre os camponeses, normalizando e melhorando suas condições de vida, mas também elevar seu nível cultural.
Em terceiro lugar, aplicamos a Lei do Trabalho, que concede aos operários o direito à jornada de oito horas e ao seguro social. Essa medida libertou os operários da exploração e da opressão colonial escravizadoras, assegurando-lhes plenamente uma vida civilizada e uma posição social. A Lei do Trabalho estimulou os operários a dedicarem-se à produção com grande alegria e entusiasmo, desenvolvendo plenamente sua capacidade de iniciativa. A Lei do Trabalho modificou também por completo o lugar e a importância do trabalho em nosso país. Desapareceu a antiga ideia de que o trabalho era apenas ocupação dos pobres e das pessoas humildes. Todos os trabalhadores compreenderam agora claramente que o trabalho é uma condição indispensável para a criação de uma nova vida e que, ao participar dele, estão tomando parte na honrosa tarefa do Estado, o que os anima a trabalhar com satisfação, fervoroso entusiasmo e alegria.
Em quarto lugar, promulgamos a Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher. Graças a essa Lei, as mulheres puderam emancipar-se para sempre do jugo feudal e da desigualdade escravizadora, convertendo-se, assim como os homens, em força impulsionadora da construção da democracia.
Em quinto lugar, implantamos a Lei da Nacionalização das Indústrias, lei que estatizou as principais indústrias e os organismos econômicos que pertenciam aos japoneses e aos traidores da nação. Essa Lei, que juntamente com a reforma agrária constituiu as duas medidas fundamentais para a construção da democracia, foi uma lei de grande importância para colocar a indústria e a economia do país a serviço do povo. Além disso, para extirpar o veneno do imperialismo japonês no campo da cultura e recuperar e desenvolver rapidamente nossa cultura e arte nacionais, procuramos fazer com que o Estado estimulasse as atividades dos homens da cultura e dos artistas, tendo como centro a Federação Geral dos Artistas, e assegurasse todas as condições necessárias para esse fim. E, com o objetivo de enriquecer e elevar rapidamente o nível de conhecimentos e a consciência ideológica da população, abrimos institutos, escolas especializadas, escolas secundárias e primárias em número consideravelmente maior do que na época do imperialismo japonês, além de criarmos 717 salas de leitura e mais de 12.000 escolas para adultos.
Assim, em apenas um ano desde a libertação, cumprimos diversas tarefas de grande importância. Partindo desses notáveis avanços nas reformas democráticas, realizaremos eleições democráticas pela primeira vez na história da Coreia. Essas eleições constituirão, por assim dizer, um balanço da construção da democracia durante o ano que se seguiu à libertação.
Todo esse trabalho foi indispensável para o livre desenvolvimento de nossa pátria e para a construção de um Estado soberano e independente, sendo também uma tarefa de grande importância para assegurar a soberania, a independência e o livre desenvolvimento da Coreia.
Sem a realização dessas tarefas democráticas, que garantem os interesses e a vida de nosso povo, não poderemos conquistar a liberdade e a independência da pátria. O que realizamos até hoje e o que realizaremos no futuro em prol da democracia são tarefas históricas que consolidam a base social para o desenvolvimento de nosso país como um Estado independente, rico e poderoso. Portanto, todos os coreanos, sem exceção, têm o dever de dedicar-se plenamente ao cumprimento bem-sucedido dessas tarefas, considerando-as como sua própria obrigação. Contribuirá para sua realização com dinheiro quem o tiver, com esforço quem puder, com conhecimentos os instruídos e com a técnica aqueles que a dominam. Somente quando todo o povo dedicar, unanimemente, tudo o que possui à obra do Estado, nosso país será restaurado e nossa nação recuperará sua honra, sua posição e o direito de figurar entre os Estados democráticos do mundo inteiro.
Queridos trabalhadores da cultura:
Vocês são os homens da cultura da Coreia do Norte.
Não são trabalhadores da cultura da Coreia feudal e colonial, como antes, mas da nova Coreia. Na Coreia do Norte registraram-se grandes transformações durante o ano transcorrido. As reformas democráticas mudaram por completo a sociedade norte-coreana, produzindo profundas transformações em todos os campos, sobretudo na política, na economia e na cultura. Em outras palavras, surgiu em nosso país uma nova sociedade de democracia, liberdade e felicidade, ao serem abolidas todas as relações feudais, causa fundamental de nosso país ter permanecido durante séculos em estado de atraso, e ao serem eliminadas as consequências da cruel dominação colonial do imperialismo japonês, que havia lançado nosso país em um sombrio abismo de ruína.
Hoje em dia, a Coreia do Norte transformou-se em uma nova sociedade democrática.
Na Coreia do Norte, o poder passou para as mãos do povo e, no campo, foram abolidas as relações feudais de posse da terra, que agora pertence aos camponeses que a cultivam. Os principais estabelecimentos industriais passaram a ser propriedade do povo, isto é, propriedade estatal, e, graças à democrática Lei do Trabalho, que estabeleceu a jornada de oito horas e o seguro social para operários e empregados, as massas trabalhadoras ficaram completamente livres da exploração e da opressão feudais e coloniais. E as mulheres, que constituem mais da metade da população, libertaram-se de toda forma de humilhação e maus-tratos da velha sociedade, passando a gozar dos mesmos direitos que os homens.
Uma sociedade como essa não pode ser chamada de feudal-colonial. Nós a chamamos de nova sociedade, sociedade democrática.
No processo dessas grandes transformações na Coreia do Norte, todos os seus verdadeiros patriotas e democratas, toda a sua população, dedicaram o máximo de entusiasmo e esforço. Sem dúvida alguma, também os homens da cultura da Coreia do Norte assumiram uma importante missão nesse grande processo das reformas democráticas. Os técnicos empenharam-se nas fábricas pela reconstrução da indústria, apesar de toda espécie de dificuldades, enquanto os artistas dirigiram-se às fábricas e ao campo e, cooperando estreitamente com os operários e os camponeses, cumpriram magnificamente seus deveres. Todos os homens da cultura combateram implacavelmente as concepções da cultura reacionária pró-japonesa, consagrando-se à construção da nova cultura nacional democrática. Em poucas palavras, os homens da cultura da Coreia do Norte já não são os de outros tempos, quando serviam à política colonial do imperialismo japonês e às forças reacionárias, mas homens de um novo tipo, a serviço de sua pátria e das massas populares.
Os homens da cultura norte-coreanos não apenas deram uma grande contribuição à realização das reformas democráticas, mas, além disso, nesse processo, eles próprios adquiriram uma nova fisionomia. Por isso, seria injusto enxergar nossos atuais homens da cultura com a visão estreita de outros tempos. Devemos, isto é, vê-los sob um novo ponto de vista, valorizando-os como aqueles que, em firme aliança com os operários e os camponeses, lutam em prol da pátria e das massas populares.
Tenhamos bem presente que, no passado, os homens da cultura desempenharam um grande papel durante o período da revolução e o período das reformas democráticas em todos os países. Sobretudo em países outrora atrasados, como era o caso da Coreia, é preciso valorizar corretamente o papel dos homens da cultura.
Quem menosprezar ou ignorar o papel que eles hoje desempenham na realização de nossas reformas democráticas não poderá evitar o fracasso e será estigmatizado como um elemento contrário à implantação da democracia.
Os homens da cultura participam de todas as reformas democráticas sempre como os olhos, os precursores e os guias das massas populares. Tanto à luz das experiências da revolução mundial quanto à luz dos acontecimentos ocorridos durante o último ano na Coreia do Norte e da realidade atual, os homens da cultura constituem um fator valioso e poderoso em nosso trabalho de construção do Estado.
Companheiros trabalhadores da cultura:
Assim, na construção da democracia, vocês assumem hoje um grande dever e ocupam uma posição de grande importância. Tanto nessa obra quanto na construção da cultura nacional, são trabalhadores de enorme relevância. Porém, em consequência da cruel política de escravização do imperialismo japonês, nosso país ainda conta com muito poucos homens da cultura. Por isso mesmo, a missão de vocês adquire ainda maior importância, obrigando-os a trabalhar com mais abnegação pela construção da Coreia democrática.
Hoje gostaria de referir-me brevemente aos deveres imediatos dos homens da cultura norte-coreanos.
Primeiro, vocês formarão uma sólida frente cultural. Ainda que residam em diferentes regiões e tenham diferentes preferências, os homens da cultura deverão constituir uma firme frente unida, se realmente amam o país. No momento atual, os grupos reacionários procuram dividir as fileiras da cultura e formar seu próprio campo de cultura reacionária. Hoje, os homens da cultura progressistas da Coreia devem reforçar ao máximo sua vigilância diante desse fato. Tanto na frente cultural quanto na construção do país democrático, nossa única arma na luta para acabar com os reacionários é, em primeiro lugar, a unidade; em segundo lugar, a unidade; e, em terceiro lugar, a unidade. Não devem perder de vista que esse é um dos fundamentos seguros da Frente Unida Nacional Democrática.
Segundo, é necessário formar quadros nacionais. Em particular, devemos empenhar-nos ao máximo na formação de quadros técnicos. O imperialismo japonês restringiu intencionalmente a formação de nossos quadros nacionais. Se uma nação carece de seus próprios quadros, voltará a cair na ruína. É necessário que vocês colaborem ativamente na formação dos quadros nacionais, que decidem o destino da pátria. Na atualidade, o problema imediato e mais importante a ser resolvido pelos homens da cultura consiste em formar talentos nacionais. Na Coreia do Norte, estão sendo preparados técnicos e especialistas na universidade já criada, bem como outros talentos em diversas escolas técnicas especializadas, mas será necessário esperar pelo menos quatro ou cinco anos para que possam atuar como técnicos nas fábricas e empresas. Portanto, é preciso formar, nesse período, um grande número de pessoas capazes de administrar fábricas e empresas. Preparemos um bom número de técnicos e especialistas em pouco tempo, seja diretamente nas fábricas, seja organizando cursos noturnos de aperfeiçoamento. Somente assim será possível restaurar e desenvolver a economia nacional.
Com vistas a alcançar a completa independência do país, é preciso que administremos nós mesmos as instituições econômicas e desenvolvamos, com nosso próprio esforço, a cultura, a arte e todos os demais setores. No momento ainda não dispomos de condições suficientes e enfrentamos diversas dificuldades, mas devemos superá-las todas e desenvolver a iniciativa criadora para formar o quanto antes os quadros nacionais e técnicos. Nacionalizamos as principais indústrias e instituições econômicas, mas ainda temos muito poucos técnicos. Ao todo, contam-se apenas algumas centenas. Como poderemos realizar rapidamente essa grandiosa obra de construção com tão poucos técnicos? Se não realizarmos, de forma independente e em pouco tempo, a construção da economia, tudo o que fizemos até hoje na edificação da democracia fracassará, e nossa nação poderá voltar à condição de escrava.
Há muito tempo, Stalin disse que "os quadros decidem tudo". Graças ao fato de que todo o povo soviético participou com entusiasmo da assimilação da tecnologia, a União Soviética tornou-se um país avançado, com a tecnologia e a ciência mais desenvolvidas do mundo, demonstrando claramente sua grande força durante a guerra antifascista. Devemos resolver o problema da técnica para construir a Coreia como um país democrático desenvolvido. Reitero mais uma vez que "a técnica e os quadros decidem tudo".
Terceiro, digo a vocês, homens da cultura, que devem sentir uma grande responsabilidade pelo fato de que a esmagadora maioria da população de nosso país é analfabeta. Está claro que, com tantos analfabetos, não se pode acelerar o desenvolvimento democrático, além de surgirem inúmeras dificuldades. Vocês devem desenvolver, por meio dos mais variados métodos, a campanha de erradicação do analfabetismo, vergonha herdada por nossa nação. Esse é um importante dever que a pátria hoje atribui aos trabalhadores da cultura.
Quarto, os homens da cultura devem aperfeiçoar-se constantemente. Sob a repressão dos imperialistas japoneses, nossos representantes da cultura permaneceram por muito tempo afastados das ciências mais avançadas do mundo, ficando atrasados em relação à corrente mundial da democracia progressista. Devemos assimilar o mais rapidamente possível os avanços da ciência e acompanhar a corrente mundial. Ao mesmo tempo, vocês devem aprender com o povo. Somos homens que confiam na força e na inteligência das massas populares. É preciso ir às massas para primeiro conhecê-las e compreender tudo o que elas fazem. Devemos aprender com sua sabedoria e sua capacidade criadora. Devemos ser não apenas os mestres das massas, mas também seus discípulos.
Quinto, os homens da cultura devem participar ativamente das tarefas do comitê popular. Vocês sabem muito bem quão importantes são as próximas eleições para consolidar nossas forças democráticas e conquistar a completa soberania e independência. Empenhemo-nos ao máximo para assegurar plenamente a realização dessas eleições, as primeiras na história de nosso povo.
Sexto, nossos homens da cultura deverão participar ativamente da luta contra a política reacionária da administração militar estadunidense na Coreia do Sul. Hoje, quando a política de colonização imposta na Coreia do Sul pelos grupos reacionários estadunidenses foi desmascarada diante do mundo inteiro, que coreano poderia suportar isso? Especialmente os homens da cultura, como olhos e precursores do povo que são, devem ser os primeiros a desmascarar e opor-se à política reacionária da administração militar estadunidense e lutar sem piedade para fazer fracassar as ações vende-pátria da camarilha de Ri Sung Man, lacaio do imperialismo estadunidense.
Por fim, expresso meu respeito pelos imensos esforços que vocês realizaram ao longo do último ano na construção democrática e, ao mesmo tempo, desejo que, também no futuro, não apenas participem com ainda mais fervor e lealdade das tarefas tão vitalmente necessárias ao nosso povo, como também atuem decididamente como ativistas cheios de entusiasmo. Nosso povo deposita grande esperança nas atividades de vocês, homens da cultura e propagandistas, e lhes dedica infinito respeito e um profundo sentimento de fraternidade. Estou certo de que vocês, como porta-estandartes da democracia, enfrentarão com determinação as tarefas da construção do Estado democrático independente, sem decepcionar essa esperança de nosso povo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário