segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Sobre a fundação do Partido do Trabalho da Coreia do Norte e o problema da criação do Partido do Trabalho da Coreia do Sul

Kim Il Sung 

26 de setembro de 1946

A fundação do Partido do Trabalho, que representa e defende os interesses das massas trabalhadoras coreanas, mediante a fusão do Partido Comunista e do Partido Neodemocrático, constitui o acontecimento mais importante na vida política do nosso povo na época atual. Este grande acontecimento despertou um enorme interesse social e chamou poderosamente a atenção de todo o povo.

Levamos a cabo triunfalmente a tarefa de fundação de um partido unificado das massas trabalhadoras na Coreia do Norte.

Entretanto, na Coreia do Sul, as atividades das pessoas que lutam verdadeiramente pela fusão dos partidos encontram obstáculos e esta ainda não pôde ser realizada em consequência das ações divisionistas dos opositores à fusão e unificação dos partidos. As ações divisionistas dos opositores à fusão dos partidos recebem o apoio do campo reacionário de direita.

Como era de se esperar, as forças reacionárias mobilizaram-se totalmente para frustrar a fusão dos partidos democráticos dos trabalhadores. O imperialismo estadunidense e seus lacaios procuram dividir as forças democráticas criando os chamados "grupos de oposição" e fomentando polêmicas sem princípios e disputas entre grupos faccionistas mediante a infiltração de seus espiões no seio dos partidos democráticos.

As ações criminosas dos faccionistas fazem o movimento de libertação desperdiçar um tempo preciosíssimo e oferecem condições favoráveis às forças reacionárias. Esta é, precisamente, a causa principal que atrasa a fusão dos partidos na Coreia do Sul. Nós não podemos tolerar de modo algum que, na Coreia do Sul, se imponham obstáculos à fusão dos partidos, nem permitir a atitude de duas faces dos faccionistas. Porque somente a unidade e a coesão das forças democráticas de toda a Coreia constituem a premissa para a construção de uma nova Coreia verdadeiramente democrática e a garantia mais importante para assegurar o desenvolvimento político, econômico e cultural do nosso país.

Somente compreendendo corretamente este problema e avaliando-o de maneira justa do ponto de vista político, poderemos alcançar a vitória. Para isso, é necessário compreender corretamente os seguintes problemas:

(1) O que aconteceu no Norte e no Sul da Coreia durante o ano que se seguiu à libertação do povo coreano do jugo escravista do imperialismo japonês? Qual é a diferença?

(2) Por que é uma tarefa importantíssima, inevitável e inadiável na vida política do nosso país, na etapa atual, integrar os partidos do povo trabalhador em um único Partido do Trabalho e unir todo o povo trabalhador em um só feixe?

Qual é o dever do Partido do Trabalho unificado?

(3) O que desejam os opositores da unificação e para onde querem conduzir o povo coreano?

(4) Qual é, enfim, a tarefa imediata na etapa atual?

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Já transcorreu um ano desde que a Coreia foi libertada da dominação colonial do imperialismo japonês. Nesse breve período, registrou-se na Coreia do Norte uma grande transformação na vida política, econômica e cultural.

Levamos a cabo, em um ano, as grandes reformas democráticas e lançamos, desse modo, uma sólida base para desenvolver a Coreia por um caminho verdadeiramente democrático e construir uma república popular.

Nosso povo, que tomou o poder em suas próprias mãos, passou a desfrutar dos direitos e da liberdade democráticos de que careceu em todas as outras épocas da história do nosso país. Isso pode ser visto na participação ativa de todo o povo na vida política e é claramente demonstrado também pela composição social dos membros dos comitês populares.

A composição social dos membros dos comitês populares que atuam atualmente na Coreia do Norte é a seguinte:

Operários

5,7%

Camponeses

71,8%

Funcionários

15,8%

Artesãos

2,1%

Comerciantes

4,6%

Assim, os comitês populares, compostos pelos representantes das amplas massas populares, mantêm estreitas relações com o povo e lutam para assegurar seus interesses. Toda a política e as atividades dos comitês populares têm como objetivo, antes de tudo, o desenvolvimento democrático do nosso país e a melhoria do bem-estar das amplas massas populares.

Para a realização de sua política, os comitês populares baseiam-se na sólida unidade e na frente única democrática de todos os partidos políticos e organizações sociais. Essa frente única reúne mais de 6 milhões de pessoas de todas as classes e camadas sociais do povo. Isso significa que ela abrange quase a totalidade da população adulta da Coreia do Norte.

Em breve, o povo norte-coreano elegerá os membros do comitê popular de acordo com a Lei sobre as Eleições Democráticas. Essas eleições ampliarão e fortalecerão ainda mais o nosso Poder popular e as forças democráticas unidas em torno dele.

Desse modo, os comitês populares foram criados sobre a base das amplas massas populares e fazem com que todo o povo norte-coreano participe ativamente do trabalho de construção de uma nova Coreia democrática, elevando seu entusiasmo político.

Já em março deste ano, realizou-se nas zonas rurais da Coreia do Norte a reforma agrária, que transformou radicalmente as relações de produção. Graças à reforma agrária, a classe dos latifundiários, a classe mais reacionária da Coreia, recebeu golpes decisivos e sua base econômica foi liquidada. Os camponeses libertaram-se da exploração e da opressão feudais e tornaram-se donos da terra, o que era sua aspiração secular. Os camponeses passaram não apenas a cultivar como sua a terra que lhes foi distribuída gratuitamente pelo Comitê Popular, mas também a dispor da colheita conforme sua vontade, após entregar como imposto em espécie apenas 25% dela, libertando-se igualmente do pesado fardo do sistema de entrega obrigatória ao Estado e dos diversos tributos da época do imperialismo japonês. Desse modo, o interesse dos camponeses pela produção elevou-se como nunca antes, e nossa economia rural, saindo de seu longo período de estagnação, entrou em um caminho de rápido desenvolvimento.

O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou, no mês de agosto passado, a lei sobre a nacionalização das instalações da indústria, dos transportes e das comunicações, bem como dos bancos que pertenciam ao imperialismo japonês, aos elementos pró-japoneses e aos traidores da nação. Desse modo, transformamos a estrutura da economia, que constitui a base material para a edificação de um Estado totalmente independente e democrático, em propriedade da nação, em propriedade de todo o povo.

O Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte promulgou, em junho do presente ano, a Lei do Trabalho, mediante a qual liquidou a cruel exploração colonial contra os trabalhadores manuais e intelectuais e implantou a jornada de 8 horas e o seguro social. Foi também adotada, pela primeira vez na história do nosso país, a lei que assegura às mulheres os mesmos direitos sociais que aos homens. Além disso, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte aboliu o sistema de educação de escravidão colonial do passado e estabeleceu um sistema de ensino democrático, ao mesmo tempo que tomou medidas destinadas a restaurar e desenvolver rapidamente a cultura e a arte nacionais. No ano passado, estudantes de ambos os sexos estudaram em 2.387 escolas primárias e 91 escolas secundárias, e neste ano foram construídas 126 novas escolas secundárias. Esses números demonstram que a quantidade de escolas aumentou muito mais do que no período do imperialismo japonês. Além disso, se durante o período do imperialismo japonês não existia sequer uma instituição de ensino superior na Coreia do Norte, apenas um ano após a libertação foi criada a universidade do povo e agora estão sendo estabelecidos um instituto pedagógico e um instituto de medicina, bem como cerca de 30 novas escolas especializadas em diferentes técnicas, tendo como centro as principais fábricas. Em todas as escolas, o ensino é ministrado em língua coreana, e já foram redigidos e publicados em nosso idioma mais de 50 tipos de livros didáticos.

A fim de libertar os adultos do analfabetismo e proporcionar-lhes educação geral, no ano passado foram abertas mais de 8.000 escolas para adultos. Além disso, na Coreia do Norte funcionam 83 teatros e cinemas, foram criadas 717 salas de leitura e são publicados mais de 30 jornais.

O Comitê Popular realizou grandiosos trabalhos para melhorar a vida material e cultural das massas populares e assegurar-lhes seus direitos políticos. Na Coreia do Norte organizaram-se partidos democráticos e organizações sociais, tais como os sindicatos, a União dos Camponeses, a União da Juventude, a União das Mulheres, a Federação dos Artistas etc., e, desse modo, as massas populares passaram a participar livremente da vida política. Ao povo são assegurados todos os direitos políticos, e lhe são plenamente garantidas a liberdade de palavra, de imprensa, de reunião e de associação.

Graças à implantação das grandes reformas democráticas, transformaram-se radicalmente a base social e econômica e a situação de todas as classes e camadas da Coreia do Norte.

A aplicação da Lei da Nacionalização das Indústrias eliminou as raízes da dominação colonial do imperialismo japonês e arrebatou a base econômica dos traidores da nação que estavam em conluio com o imperialismo japonês. Os latifundiários, cujas terras foram confiscadas, foram derrubados para sempre como classe. Desse modo, todas as forças que, em conluio com o imperialismo japonês, oprimiam e exploravam o povo coreano perderam sua base econômica e foram derrotadas politicamente.

Ao mesmo tempo, os comitês populares protegem a propriedade dos capitalistas nacionais e incentivam a atividade dos empresários e comerciantes privados. Os comitês populares oferecem a todos os empresários e comerciantes que apoiam as reformas democráticas e desejam contribuir para a melhoria da vida do povo a possibilidade de participar dos principais ramos da economia, como a indústria e o comércio, e os ajudam em todos os aspectos. Agindo assim, asseguramos a livre atividade dos empresários e comerciantes e, ao mesmo tempo, mobilizamos e utilizamos todo o capital para o desenvolvimento da economia nacional.

Nossa classe operária, que estava submetida à exploração mais selvagem sob a dominação do imperialismo japonês, desfruta hoje do direito de trabalhar nas empresas estatais, que são propriedade do povo, e trabalha em benefício de seu povo e de sua sociedade. Os operários passaram a dispor de todos os direitos e possibilidades de participar da vida política do Estado. Nossa classe operária constitui o núcleo das forças democráticas da Coreia do Norte, e seu espírito organizativo e seu nível político e ideológico elevam-se rapidamente.

Nossos camponeses também se emanciparam da exploração feudal dos latifundiários e trabalham livremente a terra, agora de sua propriedade. Os camponeses, convertidos em donos da terra, participam ativamente da construção do Estado democrático e independente, e seu entusiasmo político aumenta a cada dia. A situação dos intelectuais também sofreu uma mudança. A imensa maioria de nossos intelectuais uniu-se firmemente a todo o povo trabalhador. Atualmente, nossos intelectuais não servem ao imperialismo japonês e aos exploradores, como faziam no passado, mas se dedicam fielmente ao serviço de seu Estado, de sua nação e de seu povo trabalhador. Eles consideram o interesse do Estado e do povo como seu próprio interesse. Isso significa que seus pontos de vista e suas ideias mudaram e que estão decididos a trabalhar, consagrando tudo o que possuem à pátria e ao povo.

Todas essas mudanças fortaleceram ainda mais a solidariedade política dos operários, camponeses e intelectuais trabalhadores. As forças unidas dos operários, camponeses e intelectuais trabalhadores constituíram a base da Frente Unida Nacional Democrática na luta pela construção de uma nova Coreia e, ao mesmo tempo, uma base inabalável para a fundação de um partido unificado das massas trabalhadoras mediante a fusão do Partido Comunista e do Partido Neodemocrático.

A criação do Partido do Trabalho por meio da fusão dos dois partidos adquire um enorme significado histórico para a ampliação e o fortalecimento das forças democráticas de nosso país e para a aceleração da construção democrática.

Um partido é a vanguarda de uma classe, que defende os interesses de uma classe determinada e luta para pôr em prática suas exigências e aspirações. O Partido Comunista, como vanguarda da classe operária, vinha lutando em representação de seus interesses. O Partido Neodemocrático atuava como um partido que defendia principalmente os interesses dos camponeses e dos intelectuais trabalhadores. Assim, embora o Partido Comunista e o Partido Neodemocrático representassem os interesses de classes distintas, ambos lutaram com um programa comum desde os primeiros dias de sua organização. Isso se explica pelo fato de que operários, camponeses e intelectuais trabalhadores são todos massas trabalhadoras, e seus interesses coincidem.

A classe operária ajudou ativamente na realização da reforma agrária. Porque os operários sabiam muito bem que somente liquidando o sistema feudal de arrendamento e libertando os camponeses do jugo dos latifundiários seria possível desenvolver rapidamente a economia rural; sabiam também que, sem o progresso da economia rural, não poderiam desenvolver a indústria nem alcançar o fortalecimento, o enriquecimento e o progresso da pátria, nem a melhoria do bem-estar do povo.

Os camponeses apoiaram ativamente a Lei da Nacionalização das Indústrias e a Lei do Trabalho. E isso porque compreenderam que, sem eliminar a base econômica da dominação colonial do Japão e os resquícios do cruel trabalho forçado colonial, era impossível desenvolver a indústria e que, sendo assim, tampouco seria possível desenvolver, a longo prazo, a economia rural.

Também nossos intelectuais perceberam que a realização das reformas democráticas correspondia inteiramente aos seus interesses vitais e, por isso, participaram delas com profundo entusiasmo.

Desse modo, os interesses comuns dos operários, camponeses e intelectuais trabalhadores determinaram o objetivo e a tarefa comuns do Partido Comunista e do Partido Neodemocrático e serviram de base para a luta conjunta de ambos os partidos pela independência e democratização da pátria. Daí que os dois partidos tenham lutado conjuntamente, apoiando ativamente o Comitê Popular para realizar a reforma agrária, a nacionalização das indústrias e outras reformas democráticas.

Por possuírem essa comunidade e os mesmos interesses, os dois partidos chegaram a integrar-se no Partido do Trabalho unificado.

No futuro, quanto mais êxito alcançar o movimento democrático e quanto mais se desenvolver nossa sociedade, tanto mais se fortalecerá a solidariedade entre operários, camponeses e intelectuais trabalhadores, e tanto mais se consolidarão a unidade e a coesão do Partido do Trabalho, surgido da fusão dos dois partidos. Desse modo, a fundação do Partido do Trabalho constitui um acontecimento de grande significado histórico e político para o fortalecimento da unidade e da coesão do povo trabalhador e para um maior desenvolvimento de nosso país. O Partido do Trabalho, como vanguarda das massas trabalhadoras coreanas — operários, camponeses e intelectuais trabalhadores — conduzirá todo o povo à plena soberania e independência da pátria e à vitória definitiva da democracia.

Entretanto, nosso Partido não é um partido único em nosso país. Daí surge o problema das relações mútuas com outros partidos e outras classes.

Nosso Partido apoia ativamente as reivindicações democráticas do Partido Chondoísta Chongu e coopera estreitamente com ele para marcharem lado a lado. Ainda que esse partido seja de caráter religioso, pode caminhar de braço dado com nosso Partido pela independência e pela democracia da Coreia.

No que diz respeito ao Partido Democrático, que representa os interesses de certos intelectuais, bem como dos comerciantes e empresários, nosso Partido apoiará seu programa democrático. A fim de reconstruir rapidamente a economia nacional, fomentamos a atividade industrial dos capitalistas nacionais e incorporamos ativamente os comerciantes e empresários à construção democrática.

Desse modo, nosso Partido travou e continua travando a luta comum em união com todos os partidos democráticos. Devemos ampliar e fortalecer continuamente a Frente Unida Nacional Democrática, estreitando ainda mais as relações com os membros do Partido Chondoísta Chongu e do Partido Democrático e unindo-nos mais firmemente a eles sob a bandeira da democracia.

Agora apresentam-se diante de nosso Partido tarefas importantes e complexas. Antes de tudo, para poder levar a cabo com êxito essas tarefas, é necessário consolidar os êxitos da fusão e fortalecer e desenvolver organizativa e ideologicamente nosso jovem Partido.

Devemos inculcar profundamente a linha e as orientações estratégico-táticas do Partido em todos os seus militantes e armar todo o Partido com a teoria científica do marxismo-leninismo e a consequente ideologia revolucionária. Desse modo, devemos fazer com que cada militante se torne um consciente lutador revolucionário que combata da maneira mais valorosa pela liberdade e pela felicidade do povo, e que nosso Partido do Trabalho se converta em um sólido destacamento, núcleo de todas as forças patrióticas e democráticas.

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A situação real da Coreia do Sul é radicalmente distinta da situação da Coreia do Norte. Ali, a administração militar estadunidense apoderou-se de todo o poder e oprime o povo coreano, sem que se possa vislumbrar a realização das reformas democráticas.

Alguns pensam que a Coreia do Sul está simplesmente mais atrasada do que a Coreia do Norte. Essa é uma ideia completamente equivocada, segundo a qual a Coreia do Sul também marcha pelo caminho democrático, apenas um pouco mais lentamente que a Coreia do Norte. Na realidade, a Coreia do Norte avança pelo caminho do desenvolvimento democrático, enquanto a Coreia do Sul tomou um caminho completamente diferente.

O critério para saber se há ou não democracia é se o povo participa ou não da administração do Estado. Mas ao povo sul-coreano foi arrebatado o direito de participar da política. Tampouco possui sequer os direitos democráticos mais simples e mais elementares.

Os comitês populares organizados pelo povo sul-coreano imediatamente após a libertação não apenas deixaram de ser reconhecidos, como também foram dissolvidos, e seus dirigentes foram detidos e encarcerados. Os partidos democráticos, privados de sua livre atuação política, viram-se obrigados a entrar na clandestinidade.

Entre os partidos democráticos, o Partido Comunista é o que luta com mais firmeza pela liberdade e pela independência da pátria e pela felicidade do povo trabalhador. Este é um fato evidente, reconhecido por todos os coreanos conscientes. Mas como o imperialismo estadunidense e seus lacaios, que impedem a soberania e a independência democráticas da Coreia, trataram e tratam o Partido Comunista da Coreia do Sul? Esses canalhas detêm, encarceram e assassinam em massa os quadros dirigentes do Partido Comunista e seus militantes, e fecharam o jornal Haebang Ilbo, seu órgão oficial. A reação urdiu o chamado "caso da falsificação de cédulas" e montou seu processo judicial para diminuir o prestígio do Partido Comunista entre as massas populares, e agora procura isolar o Partido Comunista maquinando a conspiração da chamada "cooperação entre a esquerda e a direita".

Não apenas os membros do Partido Comunista, mas também os do Partido Popular e do Partido Neodemocrático estão submetidos à repressão e à perseguição. Os elementos reacionários perseguiram o senhor Ryo Un Hyong, dirigente do Partido Popular, e chegaram inclusive a tentar enforcá-lo com uma ferocidade bandidesca.

Os elementos reacionários estão cometendo barbaridades como suspender publicações democráticas, prender numerosos membros dos partidos democráticos e assassinar patriotas em plena luz do dia, utilizando grupos terroristas. As ações terroristas dos reacionários tornam-se mais cruéis a cada dia, e a repressão contra as forças democráticas faz-se cada vez mais despótica.

Em particular, a perseguição à classe operária chegou a limites extremos. Recordem o terrível massacre de Kwangju em 15 de agosto passado! Mais de mil operários da Mina de Carvão de Hwasun, que marchavam para a cidade de Kwangju a fim de participar da concentração de massas em comemoração ao 15 de agosto, foram atacados pelos tanques, aviões, metralhadoras e baionetas dos ianques, resultando na morte de um mineiro e em 109 feridos, entre graves e leves. Quão trágico é isso! Barbaridades semelhantes dos inimigos, severamente condenadas por toda a nação, elevaram-se a dezenas e centenas de casos. Esta é precisamente a chamada "ordem democrática" da camarilha de Ri Sung Man e a "ajuda humanitária" à Coreia de que tanto se vangloriam os estadunidenses.

O problema da terra não foi resolvido de maneira alguma na Coreia do Sul. Os camponeses sofrem a cruel exploração dos latifundiários e suportam toda espécie de tributos e o sistema de entrega obrigatória ao Estado, tal como no período do imperialismo japonês. Se houve alguma mudança, foi apenas que as terras pertencentes aos latifundiários japoneses passaram para as mãos dos grandes latifundiários coreanos e que a "Companhia de Exploração Colonial do Oriente", do imperialismo japonês, transformou-se na "Companhia da Nova Coreia", do imperialismo estadunidense.

Longe de se falar na aplicação da Lei do Trabalho, os operários estão submetidos a uma exploração ainda mais cruel do que no passado e gemem sob o desemprego e a fome. Os estabelecimentos industriais que pertenciam ao imperialismo japonês e aos traidores da nação, longe de serem nacionalizados, servem como meio de enriquecimento voraz dos esbirros pró-japoneses e dos especuladores.

As mulheres, para não falar sequer de sua emancipação, encontram-se em uma situação incrivelmente terrível.

Assim, todos os fatos confirmam que na Coreia do Sul está acontecendo algo completamente diferente do que ocorre na Coreia do Norte. Na Coreia do Norte cria-se uma sólida base da democracia pelo povo, enquanto na Coreia do Sul a camarilha traidora de Ri Sung Man leva descaradamente a cabo uma política antipopular e antidemocrática com a ajuda aberta da administração militar estadunidense. Esses descarados, apresentando o slogan da "democracia", procuram, na realidade, estabelecer um aparato de dominação reacionária para oprimir todo o povo coreano.

Diante dessa grave situação, a principal tarefa colocada perante nossa nação e todo o povo trabalhador é unir-se e unir-se ainda mais.

Qual é, então, a unidade que defendemos? Embora existam várias concepções a esse respeito, a unidade que sustentamos é a unidade baseada nos interesses das massas trabalhadoras, isto é, nos interesses dos operários, camponeses e intelectuais trabalhadores. Somente aderindo a esse justo princípio poderá existir uma verdadeira unidade.

Diferentemente disso, a "cooperação entre a esquerda e a direita", que a camarilha reacionária da Coreia do Sul procura realizar sob o comando da administração militar estadunidense, ou a "unidade" que os elementos direitistas no interior do campo de esquerda procuram formar com a força direitista vende-pátria, constituem uma "unidade" inteiramente antipopular, oposta aos interesses das massas trabalhadoras e de todo o povo. Tal "unidade" apenas fomenta a atividade dos reacionários. Nós não necessitamos desse tipo de "unidade".

Os verdadeiros democratas devem travar uma luta intransigente contra a tentativa de realizar semelhante "unidade". Porque essa "unidade" enfraquece as forças democráticas, ajuda as forças reacionárias e impede a democratização da Coreia.

Os faccionistas e os elementos antipartido, entrincheirados no interior dos partidos democráticos, vociferam como se a "unidade" que proclamam fosse em favor da pátria e do povo, mas, na realidade, ela nada mais é do que uma ação favorável ao inimigo, destinada a dividir as massas trabalhadoras e a ajudar o imperialismo ianque e sua camarilha traidora.

Nós exigimos a unidade das massas trabalhadoras, a qual permite assegurar as reivindicações democráticas dos operários, dos camponeses e dos intelectuais trabalhadores. Todos os democratas devem lutar resolutamente pela verdadeira unidade que defende os interesses das massas trabalhadoras.

O fato de que, na Coreia do Norte, o Partido Comunista e o Partido Neodemocrático tenham se fundido no Partido do Trabalho influenciou a Coreia do Sul, fazendo com que ali também surgisse um movimento semelhante de fusão dos partidos. O iniciador desse movimento foi a direção do Partido Popular, e seus dirigentes propuseram voluntariamente a fusão ao Partido Comunista e ao Partido Neodemocrático. Já transcorreu mais de um mês desde o início desse movimento, mas ele ainda não se desenvolve com êxito.

As amplas massas trabalhadoras da Coreia do Sul compreenderam a necessidade da unificação e a exigem resolutamente. Por exemplo, muitas organizações sociais da Coreia do Sul aprovaram resoluções exigindo a unificação dos partidos dos trabalhadores. As resoluções aprovadas pelo Conselho Nacional dos Sindicatos Operários e pela Federação Nacional dos Camponeses destacaram que todos os seus membros apoiam plenamente a fusão dos partidos. Além disso, a declaração conjunta publicada pelo Comitê Central da Federação da Cultura e da Arte, pela União Nacional das Mulheres, pelo Comitê das Cooperativas, pela União da Juventude Democrática e por outras organizações tornou patente sua condenação àqueles que recorrem a manobras divisionistas contra a integração, bem como seu apoio absoluto à fusão dos três partidos.

Os quadros dos organismos inferiores do Partido Comunista, do Partido Popular e do Partido Neodemocrático, bem como todos os seus militantes, compreenderam a necessidade da fusão desses três partidos e empenham-se ativamente para sua pronta realização.

Assim, o movimento de fusão que se desenvolve em escala massiva possui um grande significado. Esse movimento afirma que a fusão dos três partidos é o problema mais urgente e uma exigência unânime das grandes massas na etapa atual. Todos os democratas devem prestar a devida atenção a essa exigência das massas.

Ao mesmo tempo, na Coreia do Sul organizou-se o Comitê Preparatório para a fusão dos partidos, que posteriormente elaborou e publicou o projeto de programa relativo a essa fusão. Esse programa é democrático e, em princípio, correto. Nós o apoiamos plenamente.

Apesar disso, o problema da fusão dos partidos ainda não foi resolvido, e parece que levará muito tempo para sê-lo, se considerarmos a situação em seu conjunto. O que impede a solução dessa importante tarefa?

São os obstáculos criados pela hostilidade e pelas conspirações subversivas dos elementos reacionários, apoiados pela administração militar estadunidense. Dirigidos por ela, os elementos reacionários fazem esforços desesperados para frustrar a fusão dos partidos. Recorrem à perseguição selvagem contra os dirigentes dos partidos e das organizações sociais democráticas de esquerda e suspendem ou fecham, a torto e a direito, as publicações progressistas na Coreia do Sul.

Além disso, outra causa fundamental que impede a fusão dos partidos é a ação sectária dos elementos antipartido que atuam no interior dos partidos que aspiram a integrar-se. No Comitê Central do Partido Comunista da Coreia do Sul surgiu um grupo antipartido. Os seis elementos antipartido que compõem esse grupo dizem apoiar a fusão dos partidos, mas insistem que tal fusão deve ser obrigatoriamente aprovada em um Congresso do Partido. Afirmam que uma fusão sem a ratificação do Congresso do Partido constitui uma violação de seus princípios democráticos. Com que fundamento argumentam que isso infringe os princípios democráticos do Partido?

Na Coreia do Norte, o trabalho de fusão dos partidos foi realizado, em geral, mediante o seguinte processo: o problema da fusão foi decidido primeiro pelo Comitê Central do Partido Neodemocrático e, em seguida, pelo Comitê Central do Partido Comunista. Depois, a questão da fusão foi discutida e decidida na Reunião Conjunta Ampliada dos Comitês Centrais de ambos os partidos, e os projetos do Programa, dos Estatutos do Partido do Trabalho e da declaração sobre a fusão foram submetidos à discussão em suas organizações inferiores. Após essa discussão nas organizações de base, foram eleitos, nas conferências de ambos os partidos em cada província, cidade e condado, os delegados ao Congresso de Fundação do Partido do Trabalho. Dessa maneira, concretizou-se definitivamente a fusão dos dois partidos no Congresso de Fundação do Partido do Trabalho, realizado pelos delegados de ambos.

Consideram, então, os faccionistas antipartido que essa maneira de resolver a questão não se baseia em um princípio democrático?

Se os grupos antipartido tivessem se unido verdadeira e estreitamente às massas e prestado profunda atenção às suas opiniões, não teriam cometido esse grave erro antipartido. Se os grupos antipartido realmente compreendiam bem os princípios democráticos e os respeitavam, por que não ouviram a exigência dos militantes e das massas trabalhadoras, que aspiravam à rápida fusão dos partidos, sem perder a oportunidade nem prolongar o tempo em meio à perigosa conjuntura reacionária da Coreia do Sul? Isso prova apenas que os faccionistas se afastaram muito das massas. Portanto, suas ações antipartido, sejam ou não conscientes, acabam por opor-se à própria fusão dos partidos e ajudam a atividade divisionista dos elementos reacionários.

Essa conduta dos grupos antipartido derivou, sem dúvida alguma, do mais puro carreirismo. O carreirismo ajuda a reação e desorganiza, por dentro, o partido das massas trabalhadoras. Por isso, é correta a medida tomada pelo Comitê Central do Partido Comunista da Coreia do Sul ao expulsar de suas fileiras os elementos antipartido. Se assim não fosse, as fileiras revolucionárias seriam fragmentadas em pedaços.

Elementos antipartido semelhantes encontram-se também no Partido Popular e no Partido Neodemocrático. Os faccionistas de diversos partidos chegam até mesmo a tentar criar separadamente um "partido do trabalho", mantendo contatos e visitando-se mutuamente.

Entretanto, por mais que os faccionistas se enfureçam, valendo-se de sofismas, intrigas e conspirações, o partido que eles pretendem criar não pode ser um partido combativo das massas trabalhadoras, mas apenas um partido mancomunado com os grupos reacionários de direita e os traidores.

Dizem que os faccionistas já elaboraram até mesmo um programa de "unificação" e um programa de organização do "partido do trabalho". Mas, por mais que ornamentem o programa dos elementos antipartido, isso não poderá encobrir a ajuda que prestam à reação nem os vis objetivos que perseguem.

Parece que os faccionistas esquecem que o destino final da minoria divisionista, que atua sem princípios contra a maioria, é acabar passando para o lado dos lacaios vende-pátria e dos inimigos do povo. Da mesma forma, alguns membros dos partidos democráticos colocam obstáculos à fusão dos partidos por não compreenderem corretamente, do ponto de vista dos princípios, a necessidade dessa fusão. Por exemplo, há quem considere obstinadamente que a atual fusão dos partidos é temporária e provisória. De que caráter provisório estão falando? Esse é um ponto de vista profundamente equivocado.

Nenhum partido pode ser considerado eterno. Isso porque os partidos não existem para si mesmos, mas são um instrumento necessário para realizar os objetivos de uma determinada classe.

E todos sabem que o Partido Comunista, o Partido Popular e o Partido Neodemocrático são partidos do povo trabalhador, que possuem um objetivo comum. Com que finalidade lutam hoje as massas trabalhadoras da Coreia? Lutam para estabelecer, em um futuro muito próximo, um governo provisório, unificado e democrático da Coreia; para realizar também na Coreia do Sul as verdadeiras reformas democráticas, como as efetuadas na Coreia do Norte; para ampliar e consolidar a vitória democrática já conquistada e construir um Estado rico e poderoso, democrático e completamente soberano e independente, como deseja o povo coreano. Da mesma forma, mesmo após triunfar nessa luta, todo o nosso povo trabalhador terá de lutar por um futuro ainda mais brilhante. Essa causa histórica dos operários, camponeses e intelectuais trabalhadores da Coreia, bem como seus interesses comuns, definem as tarefas comuns dos partidos políticos das massas trabalhadoras, oferecem a esses partidos a possibilidade de fundirem-se e unirem-se e tornam essa necessidade evidente. Assim sendo, como se pode dizer que a fusão dos partidos políticos do povo trabalhador é temporária e provisória?

Algumas pessoas também dizem que é impossível alcançar a integração dos partidos porque seus programas são diferentes.

Acaso o programa do Partido Popular coincide com o dos partidos reacionários de direita? Evidentemente que não. O programa do Partido Popular difere completamente e se opõe radicalmente ao dos partidos reacionários de direita. Entretanto, como se explica que certos elementos defendam a chamada "cooperação entre a esquerda e a direita" e até mesmo a discutam, deixando de lado a questão da fusão dos partidos políticos das massas trabalhadoras? O que significa dizer que é impossível a fusão dos partidos democráticos que possuem programas em comum, afirmando ao mesmo tempo que é possível colaborar com partidos reacionários cujos programas são completamente diferentes e nada têm em comum com os daqueles? Os que afirmam isso, em poucas palavras, não pretendem senão passar para o campo reacionário de direita, antipopular e antidemocrático, rompendo com o campo democrático de esquerda.

Naturalmente, é verdade que entre os partidos democráticos existem algumas diferenças no que se refere ao programa. Contudo, em seus programas há muito mais pontos comuns e idênticos do que diferenças. Esses pontos comuns oferecem a possibilidade de lutar juntos contra o inimigo comum e de unir-se em um só feixe para alcançar o mesmo objetivo. Venceremos os elementos reacionários na luta, alcançando rapidamente a unidade dos partidos dos trabalhadores baseados em um propósito e em interesses comuns, ou sofreremos uma grave derrota diante do inimigo, fragmentando-nos e atuando de forma dispersa? A essa pergunta, todos responderão em uníssono que a fusão dos partidos é o único caminho correto para a solução do problema.

Todos os democratas que são verdadeiramente fiéis aos interesses das massas trabalhadoras devem superar as intrigas e os obstáculos das forças reacionárias, denunciar e esmagar as ações divisionistas dos carreiristas, dos egoístas gananciosos e dos sectários, e conscientizar alguns militantes que ainda não possuem uma compreensão clara sobre a fusão dos partidos para, desse modo, realizá-la em curto espaço de tempo, unindo-se em um só corpo.

A unidade traz a vitória, e a divisão significa a derrota. Somente quando as massas trabalhadoras se agruparem em um mesmo corpo e todas as forças democráticas se unirem será possível conquistar rapidamente a soberania e a independência democráticas da Coreia.

A fundação de um partido unificado das massas trabalhadoras constitui a garantia decisiva para acelerar a ampliação e o fortalecimento das forças democráticas e assegurar a vitória da democracia. Isso é comprovado pela experiência da Coreia do Norte, onde a fusão do Partido Comunista e do Partido Neodemocrático foi realizada vitoriosamente em curto espaço de tempo.

Concentremos todas as forças na luta pela unidade das massas trabalhadoras e pela fundação de um partido de massas na Coreia do Sul!

A vitória pertence ao povo coreano, que aspira à unidade, à independência nacional e à democracia.

Marchemos todos com firmeza rumo à vitória!

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