Os movimentos dos países em desenvolvimento para pôr fim à arbitrariedade e à ingerência nos assuntos internos praticadas pelo Ocidente e construir uma nova sociedade independente estão se intensificando ainda mais.
Há pouco tempo, Burkina Faso anunciou que romperia as relações diplomáticas com a França por ter apoiado terroristas que buscavam derrubar o governo. Em seguida, a Nicarágua declarou que romperia as relações diplomáticas com a Itália em protesto contra declarações do ministro das Relações Exteriores italiano, que havia acusado o país de servir de refúgio para terroristas.
Há muito tempo a França, presa à mentalidade ultrapassada de antiga potência colonial, vinha interferindo nos assuntos internos de Burkina Faso e criticando as políticas desse país. Nos últimos anos, Burkina Faso exigiu repetidamente que fossem estabelecidas relações estatais baseadas na igualdade, na não ingerência nos assuntos internos e no respeito mútuo, mas a França ignorou essas exigências e continuou, de forma persistente e sistemática, praticando atos contrários aos interesses nacionais de Burkina Faso, provocando instabilidade social nesse país e em outros países da região do Sahel.
Embora Burkina Faso tenha emitido repetidos alertas, a atitude da França não mudou em nada. Diplomatas franceses abusaram de seus privilégios diplomáticos, agindo de forma arbitrária e desenvolvendo atividades antigovernamentais.
Indignado, o governo de Burkina Faso exigiu, em 2023, que a França convocasse imediatamente seu embaixador. No ano seguinte, expulsou três diplomatas franceses envolvidos em atividades de subversão antigovernamental e, desta vez, adotou a medida decisiva de romper completamente as relações diplomáticas.
Ativistas sociais e políticos de diversos países expressam total apoio e solidariedade, afirmando que o rompimento das relações diplomáticas com a França é o primeiro passo rumo à verdadeira independência, que Burkina Faso está exercendo seu direito à autodeterminação e seguindo seu próprio caminho, e que se trata de uma medida legítima para defender os interesses nacionais de um Estado soberano.
A França, classificando a medida legítima do governo de Burkina Faso como uma “decisão hostil e infundada”, manifesta descontentamento e exerce pressão ao afirmar que responderá à situação de emergência, mas isso já não funciona.
Os tempos mudaram. Todos os países e nações estão lutando para se libertar da dominação e da subordinação das forças estrangeiras, conquistar a verdadeira independência e realizar a plena soberania. Ninguém gosta que outros interfiram nos assuntos de seu país, deem lições e apontem o dedo, e todos procuram resolver seus próprios problemas por conta própria.
O rompimento das relações diplomáticas entre a Nicarágua e a Itália segue a mesma lógica. Desta vez, a Nicarágua condenou severamente o ministro das Relações Exteriores da Itália por retratar seu país como um Estado que apoia o terrorismo, afirmando que ele ignorou o princípio do respeito nas relações entre os Estados e insultou o povo nicaraguense com arrogância de estilo europeu, enfatizando que o rompimento das relações diplomáticas constitui uma medida para defender a dignidade nacional.
Os países em desenvolvimento condenam e rejeitam os países ocidentais que, sob o pretexto de “ajuda” e “cooperação”, agem de forma arbitrária e interferem nos assuntos internos. Percebendo profundamente a verdade de que somente ao se livrarem do laço da subordinação ao Ocidente poderão pensar em verdadeira independência e desenvolvimento, estão levantando publicamente a bandeira da oposição às políticas ocidentais.
O caso do Níger, que outrora acolheu tropas dos Estados Unidos e da França em seu território, é um exemplo disso.
Em 2011, sob a liderança dos Estados Unidos e da França, a OTAN destruiu a Líbia pela força militar. Como resultado, o caos persistiu nos países vizinhos, o tráfico de armas proliferou na região do Sahel e organizações terroristas extremistas expandiram sua influência.
Aproveitando essa situação, os Estados Unidos começaram a estacionar tropas no Níger a partir de 2013, sob o pretexto de combater organizações extremistas na região. A França também iniciou, em 2014, operações militares “antiterroristas” na região do Sahel, enviando milhares de soldados para Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger.
Entretanto, o que os Estados Unidos e a França trouxeram para a região não foi paz e estabilidade, mas pobreza e caos, além de um agravamento da propagação do terrorismo. O Níger e vários outros países africanos compreenderam claramente que os Estados Unidos e a França utilizavam suas tropas estacionadas para interferir nos assuntos internos e buscar a exploração dos recursos naturais.
Nos países africanos, o sentimento anti-EUA e anti-França intensificou-se rapidamente.
Em março de 2024, o governo do Níger rompeu de forma decisiva o acordo militar firmado com os Estados Unidos e, em agosto, fechou até mesmo a última base militar estadunidense, expulsando do país todos os ativos das forças dos Estados Unidos. As tropas francesas também foram expulsas do Mali, de Burkina Faso, do Níger e de outros países.
Muitos países em desenvolvimento, incluindo os países africanos, estão tomando consciência de que o caminho para garantir a estabilidade social e o desenvolvimento independente consiste em enfrentar com firmeza a política de força, a arbitrariedade e a ingerência nos assuntos internos praticadas pelo Ocidente, defendendo os interesses nacionais, e travam essa luta de forma resoluta. Com a posição de resolver todos os problemas com suas próprias forças e por meio de esforços conjuntos, estão fortalecendo a cooperação mútua nas áreas política, econômica e em outros campos.
O Ocidente está profundamente inquieto com essa situação. As regiões onde o neocolonialismo ocidental ainda consegue manter sua presença estão diminuindo cada vez mais.
Ri Hak Nam

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