quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que a OTAN e o Japão estão tramando?

Há algum tempo, cerca de 300 pessoas, incluindo embaixadores de 30 países acreditados junto ao quartel-general da OTAN na Bélgica, realizaram uma visita ao Japão. Diz-se que a delegação percorreu, entre outros locais, a base naval dos EUA em Yokosuka. Sobre essa visita sem precedentes, analistas têm apresentado avaliações diversas.

Entre elas, chamam a atenção as análises de que, apesar da volatilidade dos EUA, a visita demonstrou a intenção dos países membros da OTAN de aprender com a experiência do Japão, que mantém uma “relação sólida”, e de ampliar a cooperação militar com esse país; e também revelou a verdadeira intenção da OTAN e do Japão de formar uma “frente unificada do Ocidente” em torno do continente eurasiático para conter potenciais adversários, o que pode acarretar sérias consequências para a segurança regional.

São análises plausíveis.

A aproximação entre a OTAN, que permanece como a maior aliança militar do mundo, e o Japão, que ainda não se livrou do estigma de país agressor e continua tentando assumir a fisionomia de um Estado de guerra, constitui uma ameaça à paz da região da Ásia-Pacífico e do mundo.

Após o fim da Guerra Fria, a OTAN ampliou sua missão de “defesa coletiva regional” para “segurança global”, estendendo seu âmbito de atuação para “operações militares fora das regiões mandatadas pela ONU”, “não apenas conflitos armados, mas também a proliferação de armas de destruição em massa e conflitos étnicos e religiosos”, bem como “diversas ameaças à segurança como terrorismo, ataques cibernéticos, interrupções no fornecimento de energia e mudanças climáticas em várias regiões do mundo”. Ao longo de mais de 30 anos, interveio diretamente ou instigou diversas guerras e conflitos. A atual crise na Ucrânia também foi provocada pela política expansionista e agressiva de avanço para o leste da OTAN.

A OTAN busca incluir também a região da Ásia-Pacífico em sua área de atuação. Um vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia já criticou os países membros da OTAN por estarem “otanisando” a região da Ásia-Pacífico e introduzindo ali meios de ataque, inclusive armas nucleares estratégicas, afirmando que seu objetivo é fragmentar um espaço de segurança unificado e criar um bloco político-militar sem precedentes em seus objetivos e funções. Ou seja, não satisfeita em destruir a segurança da Europa, estende suas mãos também à Ásia-Pacífico. De fato, navios e aeronaves militares, bem como especialistas militares de países da OTAN, têm sido enviados com frequência à região. A OTAN estabelece parcerias com vários países como Japão, Austrália e Nova Zelândia, realiza exercícios militares conjuntos e discute a abertura de um escritório de representação no Japão.

Dominar o mundo e assegurar a hegemonia global é a intenção inalterável da OTAN. Mesmo mergulhada na crise provocada pela situação na Ucrânia e enfrentando instabilidade interna devido a rumores de retirada dos EUA, continua evocando uma antiquada “estratégia de cerco”, trazendo ondas de instabilidade ao planeta.

O Japão, que sonha em restaurar uma antiga aliança militar por meio da cooperação com a OTAN, não é diferente. Atuando como guia da OTAN, o Japão tenta arrastar até mesmo as forças militares europeias para concretizar suas ambições profundamente enraizadas de nova agressão.

No início do ano passado, o Japão estabeleceu oficialmente uma missão permanente independente junto à OTAN, mencionando o “fortalecimento da cooperação em segurança com a OTAN” e a “promoção da ligação estratégica entre a região do Indo-Pacífico e a Europa e o Atlântico”. Desde 2022, participa regularmente de cúpulas da OTAN e de outros fóruns organizados por ela, além de realizar sucessivamente exercícios militares bilaterais e multilaterais sob diversos pretextos nas ilhas japonesas, áreas marítimas adjacentes e no Pacífico, junto com países membros da OTAN.

Em fevereiro deste ano, o ministro das Relações Exteriores do Japão encontrou-se com o secretário-geral da OTAN em Munique, na Alemanha, onde compartilharam a percepção de que a segurança da Europa e do Atlântico é inseparável da do Indo-Pacífico, comprometendo-se a cooperar na área de segurança.

Na mesma época, o ministro da Defesa do Japão reuniu-se separadamente com o secretário-geral da OTAN e com o secretário de Defesa do Reino Unido, afirmando igualmente que a segurança da Europa e do Atlântico é inseparável da do Indo-Pacífico e defendendo o fortalecimento da “capacidade de dissuasão” por meio da cooperação com a OTAN.

A prática de recorrer a forças externas para realizar agressões é um vício arraigado do Japão.

Ao atrair a OTAN para a região da Ásia-Pacífico, o Japão busca criar um ambiente favorável para concretizar sua ambição de uma “Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental”.

O que a OTAN e o Japão, ambos com natureza agressiva e belicista, estão tramando é colocar a região da Ásia-Pacífico sob seu domínio e conter o crescimento de potências regionais.

No entanto, ainda que tentem formar uma “frente comum” na Ásia-Pacífico, isso acabará apenas prejudicando sua própria segurança.

Ho Yong Min

Rodong Sinmun

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