segunda-feira, 27 de abril de 2026

A relação de subordinação vista através da questão da Base Aérea de Futenma

Já se passaram 30 anos desde que Estados Unidos e Japão acordaram a devolução total, no local, da Base Aérea de Futenma, situada em Okinawa. Na época, as autoridades japonesas propagandearam ruidosamente como se uma mudança qualitativa tivesse ocorrido nas relações com os EUA. Os habitantes da prefeitura de Okinawa, que viviam sob constante ansiedade e medo devido à base militar, esperavam que o acordo fosse cumprido com sinceridade e que fossem tomadas medidas práticas para a transferência da base.

Contudo, até hoje nada mudou. A base permanece exatamente como antes, e o acordo tornou-se uma folha de papel sem qualquer resultado.

Então, onde está a causa disso? Em conclusão, reside no fato de que o governo japonês não consegue se desvencilhar da sua humilhante política de submissão aos Estados Unidos.

Desde o início, os Estados Unidos não tinham intenção de devolver a base de Futenma. Tampouco foi uma proposta iniciativa do Japão. Foi colocada na agenda devido à pressão da opinião pública japonesa que exigia a retirada das bases militares dos EUA.

Okinawa, que estava sob ocupação dos EUA após a Segunda Guerra Mundial, foi devolvida ao Japão em 1972. No entanto, quem efetivamente se comportava como verdadeiro senhor em Okinawa eram as forças militares estadunidenses.

De acordo com o Acordo de Status das Forças EUA-Japão, as tropas estadunidenses exerciam extraterritorialidade. Cometeram diversos crimes e agiram arbitrariamente. O descontentamento dos moradores de Okinawa em relação às tropas dos EUA foi crescendo. Nesse contexto, em setembro de 1995, ocorreu o caso de estupro coletivo de uma jovem japonesa por soldados estadunidenses.

A indignação anti-EUA dos moradores de Okinawa explodiu. Protestos se espalharam por todo o país.

Diante da crise inevitável, os governos dos dois países firmaram, em abril de 1996, um acordo para devolver totalmente a base de Futenma ao Japão dentro de 5 a 7 anos. No entanto, o acordo não passou, na prática, de uma manobra para acalmar o sentimento anti-EUA dos habitantes de Okinawa.

O governo japonês não exigiu firmemente a retirada completa da base militar dos EUA. Isso porque, politicamente, militarmente e economicamente dependente dos Estados Unidos, o Japão não possui nem a coragem nem a força para fazer tal exigência.

Na ocasião do acordo, os EUA apresentaram como condição para a devolução da base que o Japão construísse instalações substitutas dentro da prefeitura de Okinawa. Assim, as autoridades japonesas decidiram construir uma pista na região costeira de Henoko, na cidade de Nago, e transferir para lá a base estadunidense. Contudo, até hoje, a questão da devolução da base de Futenma permanece estagnada, sem qualquer avanço.

Em certo momento, o governo Hatoyama declarou a intenção de estabelecer uma “relação igualitária” com os EUA e afirmou que trataria a questão da transferência da base levando em consideração a opinião pública. Hatoyama chegou a apresentar propostas de compromisso aos EUA e fez declarações relativamente firmes, propondo transferir a base para fora da prefeitura de Okinawa.

Os Estados Unidos, que tratam o Japão como subordinado, não poderiam tolerar um governo que proclamasse uma “relação igualitária”. Começaram a exercer pressão aberta.

Pouco tempo depois, o governo Hatoyama cedeu à pressão estadunidense, mudou de posição e decidiu que a nova localização da base permaneceria dentro da prefeitura de Okinawa. O governo, que caiu em desgraça aos olhos dos EUA, não durou sequer nove meses.

Posteriormente, Hatoyama lamentou dizendo: “Eu e Ichiro Ozawa fomos pressionados por questões como financiamento político, disputas territoriais, imposto sobre consumo, o Acordo de Parceria Transpacífico, a questão das usinas nucleares, o problema das aeronaves Osprey e a questão das bases estadunidenses. Por trás de todos esses problemas estava a sombra dos Estados Unidos. Cheguei a duvidar se o Japão é realmente um Estado independente. Como alguém que ocupou o cargo de primeiro-ministro, posso afirmar claramente que o Japão não é um Estado plenamente independente.”

Isso demonstrou ao mundo que o Japão não pode se libertar da influência dos Estados Unidos.

Ainda hoje, os EUA mantêm uma postura arrogante, enquanto o Japão adota uma postura subserviente.

Recentemente, o Departamento de Defesa dos EUA declarou uma posição firme, afirmando que as instalações em Henoko, escolhidas como novo local para a base, não possuem uma pista suficientemente longa, e que a base de Futenma não será devolvida até que o Japão prepare uma pista adequada.

As autoridades japonesas, por sua vez, percorrem cidades como Ginowan e Nago, em Okinawa, realizam coletivas de imprensa e imploram pela compreensão da população quanto à transferência da base dentro da própria prefeitura.

Há poucos dias, o secretário-chefe do gabinete japonês declarou, em coletiva de imprensa marcando os 30 anos do acordo, que leva a situação a sério, que a transferência para Henoko é a única solução e que a construção deve ser promovida de forma constante para que a devolução total seja concretizada o mais rápido possível.

Trata-se, na verdade, de uma explicação vaga, sem solução concreta. O jornal "Nihon Keizai Shimbun" afirmou que não há perspectiva de quando a base de Futenma será devolvida.

Analistas consideram que, no futuro, a questão da base de Futenma será resolvida conforme os interesses dos Estados Unidos.

A relação de subordinação inalterável entre Estados Unidos e Japão volta a se revelar claramente diante do mundo.

Ri Hak Nam

Rodong Sinmun

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