As autoridades japonesas, que falam de uma “economia forte”, anunciaram uma política fiscal denominada “finanças responsáveis e ativas”.
Diante do Japão afundado num pântano de estagnação econômica de longo prazo, a nova política fiscal apresentada pelo governo de Takaichi está sendo recebida com dúvidas pela comunidade internacional. Isso ocorre porque nela transparece a verdadeira intenção do atual governo de desperdiçar as finanças estatais na expansão do poder militar.
Há algum tempo, o Ministério das Finanças do Japão declarou que a política fiscal do governo consiste em reexaminar medidas de baixa eficácia e concentrar-se naquelas de alta eficácia. As chamadas medidas de alta eficácia têm em vista investimentos ativos do orçamento estatal na indústria militar.
Um veículo de imprensa de direita no Japão afirmou que o investimento na indústria militar tem grande significado por melhorar a capacidade de condução de guerra e contribuir para o desenvolvimento de novas tecnologias, defendendo que, para que a política fiscal produza efeitos, deve-se dar prioridade à política de segurança, incitando assim as ações radicais de restauração do militarismo por parte das autoridades atuais.
Recentemente, as ações do Japão para o fortalecimento militar vêm se intensificando como nunca antes.
O desenvolvimento de mísseis guiados de longo alcance lançados da terra, projéteis planadores de alta velocidade e mísseis lançados de submarinos está sendo acelerado, enquanto mísseis com maior alcance estão sendo posicionados de forma avançada e diversos mísseis de cruzeiro de longo alcance estão sendo adquiridos do exterior.
Segundo um organismo internacional, entre 2021 e um período de cinco anos, o Japão importou uma grande quantidade de equipamentos militares, incluindo armamentos de alto desempenho.
Ao elevar os gastos militares para 2% do produto interno bruto por meio da inclusão de orçamentos adicionais no orçamento de defesa do ano fiscal de 2025, o Japão busca investir ainda mais recursos para realizar sua ambição de se tornar uma potência militar.
A nova política fiscal também é necessária para esse objetivo.
Atualmente, a situação econômica do Japão é, de fato, crítica.
A dívida nacional, até o final de 2025, atingiu 1.342,172 trilhões de ienes, aumentando em dezenas de trilhões em relação ao ano anterior.
Segundo a imprensa japonesa, trata-se do nível mais alto da história.
Há cerca de dez anos, quando a dívida nacional ultrapassou a marca de 1.000 trilhões de ienes, as autoridades japonesas expressaram extrema preocupação, afirmando que isso correspondia a uma dívida de 8,57 milhões de ienes por habitante.
Hoje, com a dívida nacional mais de 300 trilhões de ienes maior do que naquela época, a dívida per capita neste país ultrapassa, em cálculo simples, 10 milhões de ienes.
Como a economia não consegue sair da estagnação prolongada, a inflação continua e o número de falências empresariais cresce dia após dia. Apenas no último mês, cerca de 800 empresas faliram.
Com o agravamento da crise econômica, os preços estão subindo, o desemprego aumenta significativamente e o sofrimento da população em sua vida cotidiana também se intensifica.
O fato de que o número de pedidos de assistência social no Japão aumentou consideravelmente no ano passado em relação ao ano anterior mostra que há cada vez mais famílias sofrendo no limite da sobrevivência.
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão também expressou pessimismo, afirmando que o número de lares em dificuldades econômicas continua crescendo a cada ano.
Não é por acaso que especialistas, tanto internos quanto externos, apontam que o maior problema das atuais autoridades japonesas é melhorar a situação econômica.
Mesmo assim, o governo japonês ignora essa dura realidade e se concentra obstinadamente em subordinar a política fiscal ao aumento dos gastos militares.
Busca-se revitalizar as empresas do setor militar por meio da expansão do investimento na indústria de defesa e da militarização da economia.
No entanto, isso apenas aprofundará ainda mais a crise econômica.
Atualmente, alguns meios de comunicação no Japão expressam preocupação de que, com o Partido Liberal Democrata dominando a Câmara dos Representantes, a dívida poderá aumentar ainda mais.
Trata-se de um presságio sombrio que indica o aprofundamento da crise da economia japonesa.

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