sábado, 28 de março de 2026

Por que a Ucrânia se apega à destruição dos gasodutos?

No dia 12, ocorreu um ataque da Ucrânia contra a infraestrutura do gasoduto “TurkStream” da Rússia.

Segundo informou o Ministério da Defesa da Rússia, o regime de Kiev utilizou drones de ataque na madrugada desse dia com o objetivo de interromper o fornecimento de gás aos consumidores europeus, atacando uma estação de bombeamento do gasoduto “TurkStream”. Felizmente, os drones foram neutralizados pelos meios de defesa antiaérea e guerra eletrônica da Rússia, e a estação não sofreu danos. Outros ataques também foram lançados contra diferentes estações de bombeamento.

De acordo com a empresa Gazprom, desde 24 de fevereiro e ao longo de duas semanas, foram realizados 12 ataques contra as estações de bombeamento “Russkaya”, “Beregovaya” e “Kazachya”, no sul da Rússia, todos repelidos.

O “TurkStream”, que passa pelo fundo do Mar Negro em direção à Turquia e, posteriormente, atravessa os Bálcãs até a Europa, é um dos gasodutos russos que abastecem o continente europeu.

Os países europeus, no passado, dependiam da Rússia para cerca de 40% do seu consumo de gás, recebendo-o principalmente por meio de gasodutos que passavam pela Ucrânia. No entanto, os frequentes atritos entre Rússia e Ucrânia lançaram dúvidas sobre a estabilidade desse fornecimento.

A construção do gasoduto “South Stream”, destinado a transportar gás para a Europa contornando a Ucrânia, começou em 2012, mas foi interrompida poucos anos depois devido à oposição de alguns países europeus que cederam à pressão dos Estados Unidos.

Os gasodutos submarinos “Nord Stream 1” e “Nord Stream 2”, que conectavam diretamente a Rússia à Alemanha, também estão fora de operação desde setembro de 2022, após explosões misteriosas.

Desde 1º de janeiro do ano passado, o gasoduto que passava pela Ucrânia deixou de operar devido ao término do contrato entre Rússia e Ucrânia.

Diante disso, o “TurkStream” pode ser considerado atualmente a única rota capaz de fornecer gás de forma segura à Europa.

A tentativa da Ucrânia de atacar a infraestrutura do “TurkStream” tinha como objetivo bloquear completamente as rotas de exportação de energia da Rússia para a Europa. Já em janeiro, a Ucrânia havia interrompido o fornecimento de petróleo alegando a destruição do oleoduto “Druzhba”, que abastecia países europeus.

Após o início da crise na Ucrânia, os países europeus proibiram a importação de energia russa mais barata com o objetivo de cortar as fontes de financiamento da Rússia, passando, em contrapartida, a depender de energia mais cara proveniente dos Estados Unidos. Embora cientes dos prejuízos, mantiveram essa política visando impor uma derrota estratégica à Rússia.

Em janeiro, foi aprovada uma medida final para proibir a importação de gás natural liquefeito russo a partir de janeiro de 2027, com início de uma implementação gradual desde abril deste ano.

No entanto, com o agravamento recente da situação no Oriente Médio e a alta contínua dos preços do petróleo e do gás em escala global, os países europeus, já afetados pela escassez energética, enfrentam uma situação crítica. Além de sofrerem grandes prejuízos, a segurança do abastecimento energético está sendo ameaçada. Um alto funcionário da União Europeia chegou a afirmar que, apenas nos últimos 10 dias, os países europeus gastaram cerca de 3 bilhões de euros em importações de energia.

O primeiro-ministro da Hungria alertou que o aumento dos preços do petróleo e as falhas no fornecimento estão ameaçando a segurança energética da região, apelando para que a União Europeia reavalie e suspenda as sanções contra o setor energético russo.

Caso os países europeus não consigam suportar o crescente risco energético e decidam suspender as sanções contra a energia russa, a Ucrânia poderá sair prejudicada. Para evitar isso, teria tentado previamente destruir os gasodutos russos que abastecem a Europa.

Há ainda outro objetivo em jogo.

Um deputado da Duma Estatal da Rússia e vice-presidente do Comitê de Política Econômica afirmou à agência TASS que a tentativa de destruir a estação de bombeamento “Russkaya”, ponto de partida do “TurkStream”, demonstra a intenção de Kiev de desestabilizar o mercado energético europeu. Já o deputado Leonid Ivlev, major-general da reserva, alegou que “as autoridades ucranianas atacaram instalações da Gazprom na região de Kuban com fins comerciais, tentando vender gás excedente à Europa a preços elevados em meio à crise energética global”.

A Europa, já enfrentando dificuldades devido à instabilidade do mercado energético mundial, sofre ainda mais com as ações imprudentes da Ucrânia.

Kim Su Jin

Nenhum comentário:

Postar um comentário