Sempre que se menciona as relações entre os EUA e a Europa, os políticos estadunidenses costumam falar de “aliados fortes” e “amigos”.
Em uma recente conferência realizada na Alemanha, o secretário de Estado dos EUA, Rubio, declarou: “Queremos que a Europa se fortaleça dentro da aliança.” Depois disso, várias figuras de alto escalão dos EUA também falaram sobre uma forte relação de aliança com a Europa.
No entanto, muitos analistas encaram as palavras e ações dos EUA com ceticismo.
Eles avaliam que, historicamente, nunca existiu para os EUA o conceito de um verdadeiro aliado; que os chamados aliados dos EUA são, na realidade, países subordinados; que os EUA têm reforçado o controle sobre esses aliados, monitorando constantemente cada movimento e explorando suas fraquezas para manter sua hegemonia; e que, a partir de cálculos egoístas, não necessitam de aliados fortes. Também afirmam que é característica dos EUA não confiar em ninguém, incluindo seus próprios aliados, e não desejar que ninguém se torne mais forte do que eles, sendo isso algo formado historicamente.
A atitude dos EUA em relação às relações com a Europa pode ser claramente observada através da crise da Ucrânia.
Um analista afirmou que a crise da Ucrânia é o resultado de diversos fatores acumulados ao longo do tempo e que seu principal manipulador nos bastidores é os EUA, escrevendo o seguinte:
“Após o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA passaram a controlar a Europa fornecendo ajuda, influenciando a direção da economia europeia e suas políticas de desenvolvimento, e, no plano militar, criaram a OTAN, subordinando vários países europeus ao seu sistema de aliança militar.
Após o fim da Guerra Fria, os EUA promoveram continuamente a expansão da OTAN para o leste, comprimindo constantemente o espaço de segurança geográfica da Rússia. Isso se tornou uma causa importante da crise da Ucrânia.
Depois que a crise da Ucrânia se intensificou em larga escala, os EUA aproveitaram a oportunidade para apertar ainda mais o controle sobre os países europeus e obter grandes lucros com a venda de energia e armamentos para a Europa.”
O autor concluiu enfatizando que os EUA estão realizando apostas geopolíticas nas relações internacionais com o objetivo de impedir que qualquer país desafie sua posição hegemônica e seus interesses estratégicos, e que a Europa se tornou um instrumento para defender os interesses prioritários dos EUA e a ordem mundial unipolar liderada por eles.
De fato, os acontecimentos seguiram esse rumo.
Um economista francês argumentou que os EUA provocaram a crise da Ucrânia, transformaram a Europa em dependente e comprometeram sua segurança.
Os EUA obtiveram ganhos inesperados com a crise da Ucrânia. Nos últimos anos, como consequência de acompanharem a estratégia hegemônica dos EUA, as economias europeias entraram em estagnação, enquanto os próprios EUA obtiveram inúmeros benefícios.
Seguindo as exigências dos EUA, os países europeus reduziram drasticamente a importação de energia russa de baixo custo, sendo esse espaço ocupado pelos próprios EUA.
Segundo dados divulgados pela Comissão Europeia, cerca de 58% do gás natural liquefeito importado pelo bloco no ano passado foi de origem estadunidense, um aumento de quatro vezes em relação a 2021. Um especialista neerlandês do setor de petróleo e gás afirmou que a Europa importa energia dos EUA a preços elevados, e que esse custo acaba sendo suportado pelos consumidores e empresas europeias.
A questão energética gerou conflitos entre os países europeus e aprofundou divisões internas.
Os EUA também fizeram com que países europeus comprassem armas estadunidenses para fornecê-las à Ucrânia, garantindo enormes lucros para sua indústria bélica. Ainda hoje, pressionam os países europeus a aumentar seus gastos militares e usar esses recursos para adquirir armamentos estadunidenses.
O que os EUA desejam não é uma Europa forte.
Um documento confidencial elaborado em 2022 pelo Instituto RAND dos EUA apontava que, caso a cooperação entre os países europeus fosse desestabilizada e as sanções contra a Rússia levassem à restrição do fornecimento de energia à Europa, os países europeus enfrentariam graves dificuldades econômicas, o que poderia resultar no colapso inevitável da União Europeia e no aumento do desemprego. Em contrapartida, indicava que a economia dos EUA poderia obter ganhos de 7 a 8 trilhões de dólares a médio e longo prazo.
Recentemente, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança declarou, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, que os EUA desejam a divisão da Europa e não apreciam a União Europeia.
O presidente da França também afirmou que os EUA adotam abertamente uma postura anti-europeia e buscam a divisão da União Europeia.
O ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, revelou a natureza agressiva dos EUA ao dizer: “Ser inimigo dos Estados Unidos pode ser perigoso, mas ser seu amigo é fatal.” O significado dessa frase torna-se ainda mais evidente nas relações entre os EUA e a Europa.

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