A crescente instabilidade sociopolítica e a confusão que se aprofundam dia após dia no mundo capitalista demonstram que a democracia burguesa, exaltada pelo Ocidente como um “modelo”, é o sistema político mais reacionário e antipopular.
Nos últimos anos, nos países capitalistas, os conflitos e contradições no interior das forças no poder têm se intensificado ao extremo, resultando frequentemente em políticas estatais incoerentes e vacilantes.
As funções do governo entram em estado de paralisia, cresce o descontentamento e a aversão das massas em relação à política, eclodem desordens sociais e, como consequência, surgem casos em que governos colapsam antes do término de seus mandatos.
Essa instabilidade política nas sociedades capitalistas não é algo recente. Trata-se de um mal crônico que tem existido continuamente ao longo de todo o período histórico, desde o início da formação do sistema capitalista até os dias atuais. A diferença é que, hoje, a instabilidade atingiu níveis muito mais extremos do que no passado.
A classe capitalista, com o objetivo de criar condições favoráveis à exploração monetária e à opressão das massas trabalhadoras, usurpou o poder estatal sob o pretexto da democracia e monopolizou o cenário político.
Como a democracia burguesa surgiu como produto da ganância descarada da classe capitalista, a política capitalista, desde o início, não pôde deixar de assumir formas como o sistema multipartidário, baseado na oposição e no conflito entre diferentes grupos de interesse.
Por isso, o capitalismo jamais conseguiu alcançar uma estabilidade política sólida em toda a sua história. À medida que a avidez por lucro se expande, o despotismo da classe capitalista se torna mais brutal, e, consequentemente, a desconfiança e a resistência das massas trabalhadoras em relação à política aumentam ainda mais.
Na era atual, o fato de que as limitações do modo de produção capitalista se revelam plenamente e de que a crise econômica se agrava ao extremo, ao mesmo tempo em que surgem teorias sobre os limites do capitalismo no mundo ocidental, demonstra que a instabilidade política do capitalismo está caminhando para o seu ápice.
Desde o surgimento do capitalismo, o cenário político foi reduzido a um campo de disputa pelos interesses das burguesias e tornou-se uma fonte de desordem social — um resultado inevitável da democracia burguesa.
A democracia burguesa, ao excluir a vontade e os interesses das amplas massas trabalhadoras e buscar apenas os interesses de um pequeno número de grandes capitalistas monopolistas, torna-se a raiz geradora da instabilidade política.
A democracia, em sua essência, é uma política que sintetiza a vontade do povo e serve à realização de seus interesses.
Contudo, na sociedade capitalista, o chamado “povo” se limita à minoria formada pela classe capitalista, e a democracia ocidental não passa de um instrumento ideológico para garantir os interesses dos capitalistas à custa dos interesses das amplas massas trabalhadoras.
Um professor ocidental apontou em sua obra: “O capitalismo é um obstáculo ao desenvolvimento da democracia. Isso se deve ao fato de que o capitalismo possui um sistema desigual de distribuição do poder.”
Na sociedade capitalista, como a classe capitalista detém o poder estatal e os meios de produção, somente ela pode exercer todos os direitos, enquanto as amplas massas trabalhadoras não passam de objeto de exploração e opressão.
Em uma sociedade antipopular onde tudo se subordina inteiramente à realização dos interesses da classe capitalista, sempre que as crises se aprofundam, são implementadas abertamente políticas antipopulares que intensificam ainda mais a exploração do trabalho das massas para garantir os interesses das camadas privilegiadas. As massas trabalhadoras inevitavelmente sentem desilusão e ódio em relação a essa política e a rejeitam com firmeza.
Recentemente, com a prolongada estagnação econômica, os governos dos países ocidentais seguem por um caminho que garante todos os tipos de privilégios aos capitalistas para assegurar seus lucros, ao mesmo tempo em que abandonam completamente políticas de “bem-estar” enganosas e intensificam a exploração fiscal.
Os trabalhadores dos países capitalistas se levantam em greves e protestos contra as políticas antipopulares das autoridades, e os índices de apoio às forças governantes despencam drasticamente. O colapso antecipado de governos em muitos países ocidentais nos últimos anos é precisamente o resultado inevitável de terem sido abandonados pelas massas trabalhadoras.
Um cientista político afirmou que, no mundo ocidental, apenas um número extremamente pequeno de pessoas usufrui dos benefícios do capitalismo, o que gera instabilidade política, e que, se não houver uma percepção amplamente compartilhada de que a prosperidade é dividida entre todos, não será possível alcançar estabilidade política — o que pode ser considerado uma análise relativamente precisa da raiz da instabilidade política do capitalismo.
A democracia burguesa, ao fomentar um individualismo extremo, torna-se um terreno fértil que estimula e intensifica a instabilidade política e as contradições de classe na sociedade capitalista.
A “liberdade individual” proclamada pela democracia burguesa não significa a realização das aspirações independentes do ser humano como membro da sociedade. Trata-se, na verdade, de uma concepção baseada no individualismo extremo, que prega a realização dos interesses pessoais à custa da violação dos interesses dos outros. Assim, a democracia burguesa inevitavelmente divide a sociedade em classes antagônicas e intensifica as contradições e confrontos de classe.
A ganância ilimitada da classe capitalista pelo lucro amplia ao extremo a desigualdade entre ricos e pobres, tornando-se mais um fator pernicioso que conduz a sociedade ao caos e à ruína.
Os males gerados pela democracia burguesa não se limitam às contradições de classe entre capitalistas e trabalhadores.
O capitalismo monopolista, que cresceu com base na exploração das massas trabalhadoras e na pilhagem de outros países, chegou atualmente a um ponto em que a expansão do capital enfrenta limites. Com a retração significativa dos mercados e a redução drástica dos espaços para a penetração do capital, a competição predatória entre capitalistas pelo lucro se intensifica, refletindo-se em disputas ferozes pelo poder no cenário político.
Há alguns anos, nos Estados Unidos, durante o acirramento do confronto entre o Partido Republicano e o Partido Democrata em torno da aprovação do orçamento no Congresso, ocorreu o raro fato da destituição do presidente da Câmara dos Representantes. Sobre esse episódio, um cientista político da Europa Ocidental avaliou que “a crescente polarização política está paralisando os Estados Unidos, fazendo com que a democracia ao estilo estadunidense se torne um exemplo negativo”.
A instabilidade política — essa realidade — está hoje varrendo todo o mundo ocidental como um turbilhão incontrolável, lançando rapidamente a sociedade em um redemoinho de confusão e desordem.
Embora os políticos ocidentais frequentemente proclamem que irão conter a divisão interna e o caos social, a instabilidade política é um mal incurável inerente ao capitalismo e jamais poderá ser eliminada.

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