domingo, 6 de setembro de 2026

Para desenvolver a literatura e a arte e desenvolver com energia o trabalho cultural de massas

Discurso-resumo do camarada Kim Il Sung no Presidium do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia do Norte

16 de setembro de 1947

Hoje discutimos com êxito os assuntos apresentados na reunião e tomamos as decisões correspondentes.

Certo de que vocês se esforçarão ativamente para pôr em prática os assuntos discutidos e decididos nesta reunião, gostaria de me referir a alguns problemas.

Antes de tudo, abordarei a tarefa de desenvolver a literatura e a arte. Para promovê-las, o mais importante é dotar os escritores e artistas de ideias democráticas.

No passado, entre os homens da cultura da Coreia, havia aqueles que lutavam firmemente para preservar nossa valiosa cultura e arte nacionais contra a repressão do imperialismo japonês, mas a absoluta maioria servia a este e às classes proprietárias. Mesmo tendo ideias patrióticas e progressistas, nessas circunstâncias não podiam escrever obras para o povo trabalhador, nem expressar nelas suas verdadeiras ideias e sentimentos. Sob a dominação do imperialismo japonês, os homens da cultura da Coreia viviam imersos em um ambiente que os forçava, independentemente de seus desejos subjetivos, a servir ao imperialismo japonês e às classes proprietárias para ganhar a vida.

Mas depois da libertação de 15 de agosto, surgiram novos homens da cultura que servem à sua pátria e ao seu povo.

Após a libertação, empunhando a política de nosso Partido e do Poder popular, fizeram todos os esforços para cumprir seu dever em estreita aliança com os operários e camponeses. Consagraram sem reservas seus conhecimentos e talentos à recuperação e ao desenvolvimento da cultura e da arte nacionais, impiedosamente pisoteadas pelo imperialismo japonês, e também desempenharam um grande papel na concretização das grandes reformas democráticas, assumindo uma parte importante deste trabalho. Nossos homens da cultura deram uma enorme contribuição à construção de uma nova Coreia democrática e, nesse trabalho, fortaleceram-se muito ideologicamente. Assim, não poucos escritores e artistas progressistas ingressaram nas fileiras de nosso Partido.

Entretanto, entre os escritores e artistas ainda subsistem muitos vestígios da caduca ideologia do imperialismo japonês.

Seria um erro acreditar que os homens da cultura superaram todas as ideias e hábitos caducos do período do imperialismo japonês e se transformaram plenamente em intelectuais trabalhadores. As sequelas das ideias obsoletas que persistem na mente das pessoas não podem ser totalmente extirpadas da noite para o dia, mas somente mediante uma incansável e paciente educação e luta ideológicas. Atualmente, os homens da cultura estão no processo de se tornarem intelectuais trabalhadores e de se desprenderem das ideias caducas.

Os vestígios da ideologia obsoleta do imperialismo japonês que permanecem entre os escritores e artistas exercem certa influência negativa sobre o desenvolvimento de nossa literatura e arte. Atualmente, estas não estão à altura da construção de uma nova Coreia democrática e das exigências do povo, permanecem dentro de seu estreito âmbito de atividade artesanal e encontram-se isoladas das amplas massas.

Portanto, a organização do Partido na Federação Geral de Escritores e Artistas deve dedicar seus esforços principalmente a intensificar entre estes a formação ideológica.

Mediante um vigoroso desenvolvimento da educação nas ideias democráticas entre os escritores e artistas, deve orientá-los a criar mais obras literárias e artísticas que reflitam de maneira expressiva e precisa a vida real de nosso povo. Deve, desse modo, fazer com que preparem excelentes manuais, sutis instrumentos que contribuam para educar as massas trabalhadoras empenhadas na construção de uma nova pátria.

Com vistas ao desenvolvimento da literatura e da arte, é preciso preparar um número maior de escritores e artistas jovens provenientes do povo trabalhador, ao mesmo tempo que se incorporam ativamente os veteranos à construção da cultura nacional.

Atualmente são poucos os escritores e artistas novatos de origem operária ou camponesa. Entre os escritores e artistas, é preciso acabar de uma vez por todas com o misticismo em torno da arte e com a tendência de desprezar os principiantes, e esforçar-se ativamente para preparar o maior número possível deles. A Federação Geral de Escritores e Artistas, intensificando seu trabalho com os principiantes, deve fomentar e desenvolver sua iniciativa criadora e sua atividade e ajudá-los eficientemente a se tornarem em breve magníficos representantes da literatura e da arte.

É preciso aplicar o método do realismo na criação de obras literárias e artísticas.

Para criar obras literárias e artísticas realistas, os escritores e artistas devem aprofundar-se na realidade. Caso contrário, não poderão criar obras que reflitam com veracidade a vida, as ideias, os sentimentos e as aspirações das massas populares. Os escritores e artistas devem realizar seu trabalho criativo no seio da vida real, aproveitando temas vivos baseados nos êxitos de nosso povo na construção da nova pátria. Dessa maneira, criarão personagens típicos de protagonistas positivos que lutem com abnegação para edificar uma nova pátria, bem como muitas obras populares que reflitam justamente as transformações democráticas.

A fim de desenvolver a literatura e a arte, é preciso também introduzir os elementos progressistas da cultura estrangeira.

É evidente que devemos orgulhar-nos da literatura e da arte de nosso país e exaltá-las. Mas não devemos permanecer dentro do estreito marco nacional. Para que a literatura e a arte progridam, não devemos apenas herdar e desenvolver o patrimônio de nossa própria cultura nacional, mas também introduzir os elementos progressistas da cultura estrangeira, adaptando-os à realidade de nosso país.

No entanto, entre alguns homens da cultura transparece a tendência chauvinista de não querer introduzir indiscriminadamente os elementos progressistas da cultura estrangeira, sob o pretexto de fortalecer o nacional. Devemos combater esta tendência.

Também devemos travar uma luta implacável contra a tendência que se manifesta entre os escritores e artistas de caluniar, sem fundamento, as obras alheias.

Entre alguns deles persiste a tendência negativa de criticar sem razão as obras alheias, embora eles próprios estejam longe de criar tais obras.

Por exemplo, há pouco, os estúdios cinematográficos terminaram de rodar o filme "Coreia do Norte", que trata da realidade de nosso país, mas a União dos Cineastas o criticou sem fundamento algum.

Intensificando a educação e a luta ideológicas para corrigir as tendências errôneas surgidas entre os escritores e artistas, devemos orientá-los a fazer todo o possível para criar e desenvolver uma literatura e uma arte populares.

A Federação Geral de Escritores e Artistas deve fortalecer as organizações das entidades subordinadas, estabelecer um sistema ordenado de trabalho e implantar um regime e uma ordem rigorosos em seu seio. Além disso, deve prestar profunda atenção em assegurar condições de trabalho suficientes aos escritores e artistas, para que possam realizar devidamente suas atividades literárias e artísticas.

Agora vou referir-me à tarefa de desenvolver com energia o trabalho cultural de massas.

Intensificar este trabalho tem um significado de suma importância para dotar o povo de ideias democráticas, consolidar a base de massas para a construção da cultura nacional e acelerar a edificação de uma nova Coreia.

Já apresentamos a orientação de desenvolver ativamente o trabalho cultural de massas, convertendo em propriedade do Estado todos os teatros, cinemas, bibliotecas e demais instituições e meios culturais e artísticos que anteriormente pertenciam aos imperialistas japoneses e seus lacaios, e criando, ao mesmo tempo, novas instituições culturais a serviço das massas populares em todos os lugares onde haja trabalhadores. Graças a isso, no Complexo Popular da Zona de Hungnam e em outras fábricas e empresas foram criados diversos estabelecimentos culturais destinados a promover a vida cultural entre os trabalhadores.

Entretanto, hoje o trabalho cultural de massas no Complexo Popular da Zona de Hungnam e nas demais unidades não é realizado no nível exigido por nosso Partido, mas encontra-se em um estado muito atrasado. Isso se deve ao fato de que as organizações sindicais e os trabalhadores responsáveis pelas fábricas não se esforçam para fomentar e desenvolver este trabalho por não compreenderem sua importância e significado.

Devemos eliminar o quanto antes as deficiências reveladas no trabalho cultural de massas e desenvolvê-lo com mais energia entre as amplas massas trabalhadoras.

Para intensificar este trabalho, é necessário, antes de tudo, elaborar os jornais, as revistas e outras publicações, assim como canções, romances e outras obras literárias e artísticas, de modo acessível às massas trabalhadoras, mas com rico conteúdo.

Como foi colocado no relatório e nas intervenções da reunião de hoje, atualmente os jornais, as revistas e outras publicações, assim como as obras literárias e artísticas, não somente têm um conteúdo pobre, como também inserem muitas palavras incompreensíveis para as massas populares e publicam não poucos dados que não correspondem à realidade de nosso país.

Alguns camaradas escrevem utilizando termos difíceis que nem eles próprios compreendem, sob o pretexto de elevar o conteúdo dos jornais, revistas e romances, e dizem que pretendem explicá-los às massas populares até que os compreendam, mas isso é um grande erro. Por mais elevada que seja a qualidade artística e ideológica, se a obra não for compreendida pelas massas populares e não conquistar seu apoio, não terá nenhum valor. Isso porque contraria o objetivo fundamental da criação de publicações como jornais e revistas e de obras literárias e artísticas como o romance.

Alguns dizem que a qualidade ideológica e artística ou o valor das publicações e das obras literárias e artísticas é reduzido quando se escreve com palavras acessíveis às massas trabalhadoras, o que também é um juízo errôneo decorrente de um ponto de vista ideológico equivocado.

Como se sabe, a qualidade ideológica e artística e o valor das publicações como jornais e revistas, e das obras literárias e artísticas como romances e canções, dependem do tema e do conteúdo e, de maneira alguma, de um vocabulário incompreensível para as massas. Por isso, é preciso prestar profunda atenção para fazer com que umas e outras penetrem mais profundamente nas massas do povo trabalhador e sirvam melhor à sua formação cultural.

Para fortalecer o trabalho cultural de massas, é preciso criar mais canções e outras obras literárias e artísticas.

Atualmente não somente são escassas as canções que servem às massas do povo trabalhador e que são cantadas por elas com prazer, como também não há muitas boas canções para os artistas profissionais. Isso pode ser bem percebido apenas ao observar a apresentação do conjunto de música e dança camponesa da província de Kangwon, que participou do festival artístico organizado em homenagem ao segundo aniversário da Libertação de 15 de Agosto. Embora tenha apresentado danças que simbolizam aspectos da semeadura, da colheita e de outros trabalhos, tocou monotonamente a mesma melodia do princípio ao fim por não haver canções adequadas. Dessa maneira, não é possível desenvolver nosso trabalho cultural de massas.

Os escritores e artistas devem realizar em grande escala o trabalho de criar e difundir muitas canções e outras obras literárias e artísticas que correspondam aos sentimentos e à vida de nosso povo e reflitam sua realidade de trabalho.

Para desenvolver com energia o trabalho cultural de massas, também é importante elevar a capacidade dos funcionários encarregados dele.

Atualmente, esse trabalho não é realizado com dinamismo porque eles possuem uma fraca capacidade de direção.

O Departamento de Trabalhadores da Cultura do Comitê Central do Partido deve organizar cursos para os responsáveis pelo trabalho cultural. Neles, deverá ensinar-lhes métodos de organizar e realizar o trabalho cultural de massas, bem como uma série de outras questões referentes à massificação da cultura. E deve esforçar-se para que o trabalho cultural de massas se torne tarefa das próprias massas.

É aconselhável transformar em profissionais as bandas de música existentes nas fábricas e empresas. Há opiniões de que os operários que delas fazem parte não têm tempo para ensaiar e que, além disso, é difícil organizar suas apresentações por terem tarefas de produção; a seção de propaganda do Comitê Popular da Coreia do Norte deve estudar a questão e, com base nisso, encarregar as fábricas e empresas de formar bandas profissionais de música de acordo com suas condições reais.

O trabalho cultural de massas deve ser realizado tendo como centro fundamental a tarefa de inculcar firmemente nos militantes e nos trabalhadores a política de nosso Partido e do Poder popular.

Todas as fábricas e empresas devem preparar e ampliar suas instalações de radiodifusão, com ou sem fio, de acordo com suas próprias condições, para que os operários possam ouvir regularmente essas transmissões, bem como equipar devidamente e colocar em funcionamento permanente clubes, bibliotecas e outros estabelecimentos de formação cultural. Além disso, é preciso afixar jornais e outras publicações em locais de grande afluência para que todos possam lê-los e emprestá-los para leitura em suas casas.

As organizações do Partido e das agrupações sociais em todos os níveis devem incentivar e exortar ativamente as massas à luta para superar o plano da economia nacional deste ano, organizando e desenvolvendo com energia o trabalho cultural entre elas.

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