Há pouco tempo, o Ministério do Comércio da China decidiu incluir na lista de controle de exportações 20 empresas e instituições militares japonesas, incluindo subsidiárias das Indústrias Pesadas Mitsubishi e Kawasaki, que estão profundamente envolvidas na remilitarização do Japão. Ao mesmo tempo, entidades cujos usuários finais e finalidades finais de bens de uso duplo não podem ser confirmados foram colocadas na lista de observação.
A China já havia anunciado em janeiro uma decisão de reforçar o controle das exportações para o Japão de bens de uso duplo. A medida atual constitui uma especificação mais detalhada da decisão anterior.
Ela tem como alvo o fato de que as manobras de expansão militar do Japão se tornam cada vez mais imprudentes e que muitas empresas estão se juntando a elas.
Desde o ano fiscal de 2012 até o presente, o orçamento militar do Japão tem aumentado continuamente. Em particular, desde a entrada do atual governo, o aumento dos gastos militares tornou-se prioridade absoluta e o apoio ao setor da indústria de armamentos foi ainda mais reforçado. Um novo tipo de complexo militar-industrial está se formando rapidamente.
As 20 empresas e instituições militares japonesas incluídas desta vez na lista de controle de exportações estão profundamente envolvidas na modernização das forças navais, terrestres e aéreas, bem como na militarização do espaço. Em particular, várias empresas, incluindo a Mitsubishi, estão produzindo armas ofensivas que representam uma ameaça à paz e à estabilidade na região do Leste Asiático.
Nos últimos anos, o Japão tem convertido porta-helicópteros em porta-aviões leves capazes de transportar os caças furtivos F-35B e vem acelerando o desenvolvimento e a produção de mísseis e submarinos.
Há pouco tempo, a primeira-ministra japonesa declarou em um discurso na Câmara dos Representantes que há necessidade de fortalecer ativamente a capacidade de defesa e afirmou que transmitirá claramente ao setor industrial a demanda por aquisições de equipamentos militares.
Também causa preocupação dentro e fora do país o fato de que as forças de direita japonesas estejam revelando de maneira cada vez mais aberta suas ambições de possuir armas nucleares.
Figuras políticas estão, cada uma à sua maneira, defendendo abertamente a posse de armas nucleares. O governo tenta revisar os “três princípios não nucleares”.
O Japão, que estabeleceu um sistema de ciclo de combustível nuclear, atualmente acumula plutônio em quantidade muito superior à demanda real da indústria civil de energia nuclear. Até o final de 2024, a quantidade total de plutônio separado acumulado chega a mais de 40 toneladas. Além disso, em várias instalações é possível produzir plutônio de grau militar.
Especialistas expressam preocupação de que, se o Japão ultrapassar o “limiar nuclear” sob o vendaval provocado pelas forças de direita, a “caixa de Pandora” poderá ser aberta.
Pode-se dizer que a medida da China desta vez constitui um alerta ao Japão, inflamado por ambições de nova agressão, e visa impedir o desenvolvimento de uma situação perigosa.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o fato de o Japão estar ajustando amplamente sua política de segurança, enquanto autoridades japonesas falam abertamente sobre “posse de armas nucleares”, tentam revisar os “três princípios não nucleares” e cancelam medidas de restrição à exportação de armas, demonstra novamente a ambição das forças de direita japonesas de romper as limitações da ordem internacional do pós-guerra e da legislação interna para perseguir a remilitarização. Acrescentou que a comunidade internacional deve manter alta vigilância, defender conjuntamente as conquistas da Segunda Guerra Mundial e a ordem internacional do pós-guerra e impedir resolutamente as novas manobras militaristas do Japão.
Um especialista chinês em assuntos internacionais avaliou que a medida de seu país demonstra, em primeiro lugar, que não haverá qualquer tolerância em relação às entidades que participam da expansão militar do Japão; em segundo lugar, que ela se concentra nos elos centrais da indústria militar e nas entidades perigosas; e, em terceiro lugar, que está em conformidade com as regras e constitui um aviso de que, se o Japão não interromper suas aventuras militares, enfrentará restrições ainda mais severas.
Os meios de comunicação chineses também afirmam que as lições da história mostram que a condescendência com o militarismo é uma traição à paz e que é necessário deter com ações firmes o frenesi das forças de direita japonesas. Acrescentam que a implementação de medidas de controle pela China, de acordo com a lei, constitui uma ação concreta para impedir que bens de uso duplo entrem na cadeia de expansão militar do Japão.
Agências estrangeiras avaliam que, com a implementação das medidas chinesas de restrição comercial contra o Japão, as relações sino-japonesas estão entrando em uma nova fase de aumento das tensões.

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