A sociedade capitalista é a sociedade reacionária mais abominável da história, na qual tudo o que é humano é destruído em meio à competição pela sobrevivência baseada na lei da selva.
Nessa lógica de sobrevivência própria de salteadores — segundo a qual os fortes devem oprimir os fracos e os fracos devem esmagar os ainda mais fracos — está profundamente enraizado o veneno ideológico da misantropia.
A ideia de ódio ao ser humano, que permeia de ponta a ponta a concepção individualista de vida, surgiu como instrumento ideológico para defender e justificar a exploração capitalista.
A burguesia, depois de se apropriar das ideias de liberdade, igualdade e fraternidade, derrubou as barreiras da servidão estamental herdada por milhares de anos e usurpou a posição de classe dominante; em seguida, para defender e justificar sua exploração monetária das massas populares, passou a pregar uma lógica e uma ética de sobrevivência permeadas de ódio ao ser humano.
O que permeia a concepção burguesa de vida e de moral é a lógica de salteadores segundo a qual todo ser humano possui a vontade de sobreviver e, para realizá-la, deve necessariamente derrubar os outros; ou seja, a ideia de que o homem é um lobo para o homem.
A exploração cruel dos trabalhadores também seria uma manifestação da vontade de sobreviver, a repressão fascista contra o povo também seria resultado do desejo instintivo de “dominar tudo como próprio e tornar-se mais forte”, e até mesmo a competição brutal pela sobrevivência, na qual uns devoram e outros são devorados, seria um ato perfeitamente natural segundo a lógica de que “quem cai deve ser pisoteado”.
Erguendo a lógica da misantropia, que submete tudo à defesa dos interesses dos mais fortes, a classe capitalista pisoteou de forma tirânica a dignidade e os interesses das massas trabalhadoras enquanto extraía lucros de maneira implacável; as empresas dotadas de grande poder financeiro devoraram indiscriminadamente as pequenas e médias empresas mais fracas. Nesse processo ocorreu a concentração do capital e a ascensão dos grandes conglomerados, o que constitui justamente o verdadeiro retrato da história do capitalismo ao longo de séculos.
A ideia de ódio ao ser humano que permeia a história do capitalismo não deixou registrada apenas a criminosa justificativa da exploração e da opressão.
Hoje, no mundo capitalista, o veneno ideológico que aprofunda ainda mais a divisão social e o caos e que gera toda espécie de crimes e males sociais nada mais é do que essa mesma ideia de ódio ao ser humano.
A grave situação em que, nos últimos anos, as contradições sociais, as divisões e os confrontos se intensificam nos países capitalistas e o caos e a ruína se agravam não pode ser separada dessa ideia de ódio ao ser humano.
A ideologia capitalista baseada no individualismo e na propriedade privada inevitavelmente divide a sociedade em classes opostas. Quando se espalha a ideia de ódio ao ser humano, que é a manifestação extrema do individualismo, os antagonismos e a desconfiança entre as pessoas degeneram em ódio inconciliável e relações de hostilidade, tornando inevitável a agudização das contradições e confrontos sociais.
Esse é justamente um dos importantes motivos pelos quais, atualmente, a confusão sociopolítica está se agravando em não poucos países ocidentais.
Na maioria dos países ocidentais, enquanto a estagnação econômica se prolonga, forças de direita afirmam que a principal causa de graves problemas sociais como desemprego, inflação e criminalidade seria a grande entrada de imigrantes em seus países, levantando abertamente políticas anti-imigração. Isso gera extrema insegurança na vida das pessoas e lança a sociedade em um turbilhão de desordem e caos. Como as autoridades também passam a concordar com isso para escapar da responsabilidade pela crise econômica, a situação avança para um cenário ainda mais perigoso.
A exclusão de imigrantes, o desprezo por minorias étnicas e a discriminação racial — que aparecem sob diversas formas — têm sua origem no ódio ao ser humano. Quanto mais se intensifica a arbitrariedade das forças de direita, mais as contradições sociais e o caos se aprofundam de forma incontrolável nos países capitalistas.
Em alguns países ocidentais, surgem até situações em que forças neonazistas atuam abertamente e cometem violência e terrorismo em plena luz do dia. O nazismo, ideologia fascista que no passado lançou a humanidade em sofrimentos e desgraças incalculáveis, foi um produto criminoso da ideia de ódio ao ser humano. O fato de tal ideologia voltar a se difundir no mundo ocidental quase um século depois é uma realidade extremamente preocupante.
Os diversos crimes e males sociais que ocorrem incessantemente nos países capitalistas são consequências diretas dessa ideia de ódio ao ser humano.
Atualmente, nos países capitalistas, crimes violentos como homicídio, roubo e assalto estão aumentando muito mais em comparação com períodos anteriores.
Segundo dados divulgados no ano passado pelo Escritório Nacional de Estatísticas do Reino Unido, entre julho de 2024 e junho de 2025 ocorreram mais de 50 mil casos de ataques com faca em várias regiões. Nos Estados Unidos, apenas em 2023, mais de 1.700 pessoas morreram em incidentes com faca. Nos países membros da União Europeia também ocorreram quase 4 mil homicídios intencionais ao longo de 2023. Em outros países ocidentais, crimes de assassinato familiar de todo tipo continuam ocorrendo sem cessar.
Um especialista ocidental afirmou que o contínuo surgimento de crimes se deve a fatores como saúde mental e dificuldades da vida, defendendo que “intervenções voluntárias na educação” seriam uma das soluções.
Trata-se de um sofisma que distorce a essência do problema.
Os diversos crimes violentos e males sociais que perturbam a sociedade capitalista são o resultado inevitável produzido por indivíduos deformados espiritualmente, nos quais se tornou habitual a natureza bestial de que é preciso matar o outro para sobreviver.
A ideia de ódio ao ser humano prega que aquilo que realiza os próprios interesses e traz satisfação a si mesmo é a verdade e que, se algo se opuser a isso, deve ser esmagado sem piedade.
Ao difundir ativamente essa concepção desumana na sociedade, a classe capitalista está acostumando as pessoas a se tornarem indivíduos sem escrúpulos e violentos, que não hesitam em usar qualquer meio ou método para alcançar interesses pessoais.
Quando uma pessoa se embebe da ideia de ódio ao ser humano, até mesmo os pais, a família e os parentes que a criaram deixam de ser considerados laços de sangue e passam a ser tratados apenas como objetos para a realização de seus próprios interesses, transformando-se em criaturas de sangue frio.
Na maioria dos países capitalistas, incluindo o Japão, atos perversos nos quais pais e filhos não hesitam em usar facas uns contra os outros por algumas moedas ocorrem diariamente. Até crimes impossíveis de compreender ou imaginar, como atacar com uma arma alguém completamente desconhecido apenas por parecer “feliz”, estão se tornando acontecimentos comuns.
Diante dessa realidade terrível, até a imprensa dos países capitalistas não consegue esconder sua inquietação, afirmando que “o número de ocorrências de diversos crimes é suficiente para chocar o mundo” e que “a segurança da vida das pessoas está seriamente ameaçada”.
Embora as autoridades dos países ocidentais proclamem ruidosamente que irão erradicar o crime, numa sociedade dominada por um modo de sobrevivência baseado na lei da selva, em que os interesses e o destino dos outros são esmagados para satisfazer interesses individuais, isso não passa de palavras vazias.
Por mais que os defensores da burguesia alardeiem “liberdade” e “democracia” enquanto tentam maquiar e embelezar a realidade da sociedade capitalista, jamais conseguirão ocultar a verdadeira imagem dessa sociedade desumana que se debate no pântano da lei da selva e da degradação moral.

Nenhum comentário:
Postar um comentário