No Japão, as crianças estão se tornando alvo de indiferença e maus-tratos, vítimas de toda sorte de males sociais.
Bebês recém-nascidos estão sendo abandonados como lixo em banheiros, quartos de hotel e nas estradas.
Atos de pais que matam os próprios filhos continuam ocorrendo sem cessar.
Há pouco tempo, um jornal do país publicou um artigo lamentando a tendência de abuso infantil.
Segundo ele, em 2024, os centros de consulta infantil em todo o país receberam 223.691 solicitações de aconselhamento relacionadas a maus-tratos contra crianças.
É um número 2,5 vezes maior do que há dez anos.
Separadamente dos centros de consulta infantil, o número de pedidos de aconselhamento recebidos pelas administrações locais também ultrapassou 160 mil.
No mesmo ano, os casos de abuso infantil identificados pela polícia chegaram a 2.649, e o número de crianças vítimas foi de 2.700, renovando o recorde.
Neste país, em 2022, a Lei de Bem-Estar Infantil foi revisada.
Na “Estratégia para o Futuro das Crianças”, decidida em reunião do gabinete em 2023, está incluído o fortalecimento das medidas de prevenção ao abuso infantil.
No entanto, não há efeito. Ao contrário, a situação está se agravando ainda mais. Em fevereiro do ano passado, o diretor de uma creche na cidade de Yamato, prefeitura de Kanagawa, foi flagrado praticando repetidos atos de abuso cruel, como pendurar crianças de cabeça para baixo.
Em dezembro de 2023, o governo japonês tornou obrigatório que as creches de todo o país notificassem às autoridades locais os atos de abuso infantil cometidos por seus funcionários. Foi uma medida adotada sob o pretexto de eliminar “práticas inadequadas de cuidado infantil”, como bater indiscriminadamente e proferir insultos contra crianças imaturas.
Mas também isso não passou de formalidade. Na creche da cidade de Yamato, o próprio diretor praticava abertamente atos de abuso.
No ano passado, na prefeitura de Wakayama, pais que abusaram da filha de 2 anos até levá-la à morte foram presos.
Eles encenaram a chamada de uma ambulância, dizendo: “A criança está com insolação e não consegue respirar.”
No hospital, ao examiná-la, constatou-se que a criança estava com a mandíbula fraturada e que seu corpo frágil estava coberto de hematomas. Seu peso não chegava nem à metade da média de crianças de 2 anos.
Os pais alegaram que “não deram comida suficiente” à criança. Mas a causa da morte foi choque traumático decorrente de contusões por todo o corpo, resultado das agressões constantes contra a pequena filha.
Há alguns anos, em Tóquio, ocorreu um caso em que uma aluna do primeiro ano do ensino primário foi agredida por longas horas pelo padrasto e pela mãe biológica, vindo a falecer no dia seguinte. Seus braços, peito, pernas e todo o corpo estavam cobertos de hematomas, e havia até marcas de queimaduras nas costas. A vítima tinha 7 anos.
Esse caso provocou grande comoção social na época.
No entanto, na prefeitura de Wakayama, voltou a ocorrer um caso em que uma criança de 2 anos foi agredida e morta pelos próprios pais.
Desde tempos antigos, dizia-se que não há amor mais dedicado e ardente do que o amor dos pais.
Os pais dedicam tudo pelos filhos.
Mas numa sociedade capitalista apodrecida e doente, a própria ideia de amor parental está se tornando um conceito do passado.
Os próprios pais, que têm a responsabilidade direta de criar bem os filhos e de se preocupar profundamente com seu destino, estão se tornando os principais responsáveis pelo assassinato de crianças.
A violência cotidiana contra os filhos é praticada sob o disfarce de “educação”.
Crianças infelizes, assim, mal conseguem preservar a própria vida até mesmo dentro de casa.
Crianças que crescem nesse ambiente familiar acabam sofrendo de depressão, definham até o limite e caem no caminho do crime.
Quando a sombra se projeta no rosto das crianças, a sociedade mergulha na escuridão e o país entra em decadência. Essa é precisamente a realidade do Japão capitalista.

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