Há pouco tempo, a Hungria suspendeu a exportação de diesel para a Ucrânia. Trata-se de uma medida de resposta à destruição, em 27 de janeiro, do oleoduto russo “Druzhba”, que se estende até a Hungria, pela Ucrânia. O oleoduto “Druzhba” já havia sido danificado diversas vezes no ano passado pela Ucrânia.
O ministro das Relações Exteriores e do Comércio da Hungria declarou que a exportação de diesel será suspensa até que a Ucrânia repare o oleoduto e retome o transporte de petróleo bruto.
O oleoduto “Druzhba” possui um ramal que, passando pela Ucrânia, se estende até a Hungria, a Eslováquia e a Tchéquia, e outro que, passando pela Bielorrússia, segue para a Alemanha e a Polônia. Até antes do surgimento da crise ucraniana, esses países garantiam de forma segura o fornecimento de energia por meio do oleoduto “Druzhba”.
Contudo, com o início da crise ucraniana, a União Europeia passou a insistir em sanções contra a Rússia com o objetivo de sufocar sua economia. O essencial era proibir a importação de energia russa.
Devido ao grande impacto econômico que a suspensão das importações de petróleo bruto acarretaria, existiam divergências entre os países europeus. Houve intensos debates sobre aplicar sanções apenas às importações de petróleo russo por via marítima e não às realizadas por oleoduto. Para um país sem litoral como a Hungria, o oleoduto “Druzhba” é praticamente uma linha vital. A Hungria vinha garantindo cerca de 80% de sua demanda de petróleo bruto e 70% de sua demanda de gás natural por meio da Rússia.
Embora a União Europeia tenha incluído várias vezes, no pacote geral de sanções contra a Rússia, a proibição da importação de petróleo via oleoduto “Druzhba”, não conseguiu concretizá-la devido à forte oposição da Hungria e da Eslováquia. A Hungria e a Eslováquia não estão dispostas a tolerar ameaças à segurança energética de seus países.
Quando, em janeiro, foi finalmente tomada a decisão de proibir de forma escalonada e total a importação de energia russa, a Hungria processou a União Europeia no Tribunal de Justiça da União Europeia, e a Eslováquia declarou que adotaria medidas legais.
Essa postura da Hungria e da Eslováquia é muito desfavorável para a Ucrânia, que insiste em buscar o confronto com a Rússia.
Atualmente, a Ucrânia acumula derrotas na frente. Internamente, as contradições se aprofundam e o caos se intensifica.
Segundo dados divulgados recentemente, ainda que de forma bastante reduzida pelas autoridades militares ucranianas, há cerca de 200 mil desertores e 2 milhões de pessoas que evitam o serviço militar. Diante da falta de jovens para enviar ao campo de batalha, até pessoas com mais de 60 anos estão sendo incluídas no recrutamento.
E qual é a situação do apoio ocidental à Ucrânia?
No fim do ano passado, a União Europeia decidiu conceder 90 bilhões de euros em apoio à Ucrânia, mas a maioria dos países europeus não tem capacidade de cumprir essa decisão. Após fornecerem à Ucrânia, durante quatro anos, quantidades astronômicas de armas e recursos financeiros, isso acabou sendo como despejar água em um barril sem fundo, enquanto eles próprios enfrentam graves dificuldades fiscais das quais não conseguem sair. O sonho da Ucrânia de infligir uma “derrota estratégica” à Rússia com a ajuda do Ocidente está se tornando irrealizável.
Para a Ucrânia, encurralada interna e externamente, a Hungria e a Eslováquia — que constantemente se opõem às sanções contra a Rússia e continuam importando petróleo russo — são, na prática, como um espinho nos olhos. Foi nesse contexto que a Ucrânia realizou o ato de destruir o oleoduto “Druzhba”, cortando a linha vital econômica desses países. No entanto, isso acabou provocando uma reação contundente por parte deles.
Em 23 de fevereiro, o primeiro-ministro da Eslováquia anunciou que suspenderia o fornecimento emergencial de eletricidade à Ucrânia até que fosse restabelecido o abastecimento de petróleo ao seu país por meio do oleoduto “Druzhba”. A quantidade de eletricidade emergencial fornecida pela Eslováquia à Ucrânia em janeiro foi o dobro de todo o volume fornecido ao longo do ano de 2025. Meios de comunicação estrangeiros avaliaram que, com a interrupção do fornecimento elétrico por parte da Eslováquia, a Ucrânia, que já sofre com escassez de energia, poderá enfrentar dificuldades ainda maiores.
O primeiro-ministro da Hungria também declarou que não abandonará a Rússia como fonte de energia, nem fornecerá recursos financeiros ou apoio à guerra da Ucrânia.
No fim das contas, o ato desprezível da Ucrânia de destruir o oleoduto “Druzhba” acabou por apertar ainda mais o próprio cerco em torno de si e intensificar as contradições internas da União Europeia.
Quem tenta prejudicar os outros acaba prejudicando a si mesmo.

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