Artigo editorial
Para o ser humano, o mais precioso é a dignidade e os direitos.
Entretanto, na sociedade capitalista, as mulheres são privadas não apenas de sua dignidade e de seus direitos, mas até mesmo de seus modestos sonhos e esperanças de felicidade e futuro, sofrendo duras desgraças e dores físicas e mentais. As primeiras vítimas da exploração e as maiores prejudicadas pelos males sociais são justamente as mulheres dos países capitalistas.
A luta de protesto das operárias de Chicago ocorrida em 8 de março de 1909 foi uma explosão de indignação e ressentimento acumulados contra o desumano sistema capitalista que reduz as mulheres a meros acessórios para a obtenção de lucros, e foi a primeira luta de massas das mulheres exigindo dignidade e direitos iguais aos dos homens.
Muito tempo se passou desde então. Contudo, ainda hoje nada mudou na miserável situação das mulheres nos países capitalistas. Quanto mais se aprofunda a crise do capitalismo, mais as mulheres se debatem em sofrimentos ainda mais cruéis. O destino trágico das mulheres é padecer em meio a duras provações.
Há alguns anos foram divulgados dados segundo os quais, em um certo país capitalista que se gaba ruidosamente de seu alto crescimento e de sua civilização, numerosas mulheres grávidas cometeram suicídio em um único ano. As pressões e dores insuportáveis sofridas na família e no trabalho empurraram-nas para o caminho do suicídio. Essa tragédia é um produto inevitável do sistema capitalista.
O capitalismo é a sociedade mais desumana e antipopular da história, que oprime e despreza as mulheres e lhes impõe infelicidade. O sofrimento e a dor são o destino inevitável das mulheres nos países capitalistas.
A discriminação e o desprezo contra as mulheres são males institucionais do capitalismo.
Na sociedade capitalista, a força de trabalho humana não passa de uma mercadoria para a multiplicação dos lucros, e as massas trabalhadoras são consideradas apenas como um simples meio para encher os bolsos dos capitalistas. O valor do ser humano não é determinado por seu caráter ideológico e espiritual, mas por quanto ele é útil para garantir o lucro dos capitalistas.
Num sistema em que tudo na sociedade é medido pelo critério do interesse monetário, os que são pisoteados da forma mais cruel e as maiores vítimas são justamente as mulheres.
Pelo “crime” de terem nascido mulheres, encontram mais dificuldade que os homens para conseguir emprego e, mesmo realizando exatamente o mesmo trabalho, sofrem intensidades de trabalho ainda mais duras, sendo porém tratadas e remuneradas de maneira extremamente desigual. As primeiras a serem demitidas nos locais de trabalho também são as mulheres.
Segundo dados divulgados recentemente, nos países capitalistas a taxa de emprego entre mulheres formadas na universidade é 14,4% menor do que entre os homens.
Nos Estados Unidos, o salário médio das trabalhadoras corresponde a apenas 81% do salário dos homens; entre pessoas que exercem a mesma profissão, as mulheres afro-americanas recebem 69% do salário dos homens, e as mulheres latino-americanas apenas 58%. Nesse país, alguns anos atrás, no contexto do aprofundamento da crise econômica, ocorreu uma situação em que nada menos que 11 milhões e 500 mil trabalhadoras perderam seus empregos em apenas três meses.
No Japão, mais de 70% dos trabalhadores que sobrevivem com rendimentos baixos e mal conseguem manter a subsistência são mulheres. Nesse país, muitas mulheres desistem de ter filhos por medo de serem demitidas depois de tirar licença para o parto.
Quando surgem crises, as empresas demitem primeiro as trabalhadoras, e por isso o problema do desemprego feminino é grave nos países capitalistas. Na Itália, as mulheres que possuem emprego não chegam nem a 50% do total da população feminina, enquanto na Espanha o número de mulheres desempregadas representa 60% do total de desempregados.
A frase de que “conseguir emprego para as mulheres é tão difícil quanto um boi passar pelo buraco de uma agulha” tornou-se uma espécie de expressão corrente no mundo capitalista.
Numa sociedade dominada pelo culto ao dinheiro, onde ninguém pode viver sequer um instante sem dinheiro e onde até mesmo os homens têm dificuldade para manter a própria sobrevivência, para as mulheres perder o emprego significa perder a própria possibilidade de viver e ser privada da esperança no futuro.
Quanto mais grave se torna a crise econômica, mais miserável se torna a situação das mulheres. Uma mulher de um país capitalista confessou certa vez que, após perder o emprego, caiu em tal pessimismo e desespero quanto ao futuro que tentou suicídio quatro vezes, desde os 22 anos até chegar aos 40. Essa é uma das razões importantes pelas quais a taxa de suicídio entre mulheres continua aumentando nos países capitalistas.
A realidade demonstra que, numa sociedade capitalista que absolutiza apenas o lucro, o costume desumano de discriminar e desprezar as mulheres jamais poderá ser eliminado, e que quanto maior se torna a ganância dos capitalistas pelo lucro, mais aumentam a infelicidade e o sofrimento das mulheres.
O extremo individualismo egoísta difundido na sociedade capitalista, o modo de vida da lei da selva que dele deriva e a degeneração moral desenfreada constituem outro fator que impõe um destino miserável às mulheres.
A sociedade em que se considera natural que os fortes oprimam os fracos é justamente a sociedade capitalista.
A lógica da lei da selva — segundo a qual satisfazer os interesses e desejos individuais é a verdade suprema e, para isso, não importa pisotear os interesses, a dignidade e até a vida dos mais fracos — transforma as mulheres em vítimas de diversos tipos de violência e males sociais. Em meio ao pântano da libertinagem, da decadência e da imoralidade que paralisam a razão humana, o destino das mulheres torna-se ainda mais miserável.
Há alguns anos ocorreu num tribunal de um país capitalista um caso que chocou profundamente a todos. Vários criminosos sequestraram mulheres, amarraram-nas com correntes e cordas e as mantiveram presas em um porão durante dez anos, submetendo-as a violências que fariam até bestas corar de vergonha. Diante do fato de que crimes tão horripilantes ainda ocorrem neste século que proclama civilização e progresso, as pessoas não puderam deixar de se horrorizar.
Ainda mais chocante foi a atitude das autoridades judiciais, que excluíram da acusação a maioria dos criminosos, exceto o principal responsável, alegando “falta de provas”. Esse é apenas um exemplo de como a dignidade e a personalidade das mulheres são brutalmente esmagadas.
Certa vez, um instituto de opinião pública da Europa Ocidental realizou uma pesquisa com mulheres de vários países da região. Como resultado, 60% das entrevistadas confessaram ter sofrido violência no local de trabalho. Contudo, algumas vítimas disseram ter permanecido em silêncio sobre as desgraças que sofreram.
Nos Estados Unidos, cerca de 6 milhões de mulheres tornam-se vítimas de crimes violentos todos os anos, e o número de crimes de agressão sexual contra mulheres chega a cerca de 500 mil por ano. Na Austrália, uma em cada cinco mulheres sofre agressão sexual ou ameaças desse tipo a partir dos 15 anos, enquanto no Reino Unido ocorrem anualmente cerca de 500 mil casos de violência doméstica, dos quais 81% das vítimas são mulheres.
Mulheres deformadas ideológica e espiritualmente estão caindo no abismo do crime. Elas cometem por toda parte atos criminosos horripilantes que a razão humana mal consegue imaginar. Algumas, dizendo-se cansadas de cuidar dos filhos, chegam a deixá-los morrer de fome; outras, alegando incômodo em cuidar dos pais, acabam por maltratá-los e até assassiná-los brutalmente.
O capitalismo, que não apenas transforma as mulheres em vítimas dos males sociais, mas por fim as faz perder tudo o que é humano e cair ao nível de feras, é justamente uma sociedade de desprezo às mulheres e um deserto de direitos femininos.

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