A crise econômica, enfermidade crônica do mundo capitalista, continua seguindo por um caminho de agravamento constante.
Em meio à ocorrência, sem precedentes, de protestos das amplas massas trabalhadoras de diversas camadas, os países ocidentais empenham-se inutilmente em tentar conter a situação com jogos de alternância de governo, mas tudo se revela em vão.
Será por falta de capacidade dos especialistas que poderiam oferecer conselhos para reverter a situação? Ou, como sempre, por causa de políticas equivocadas?
Naturalmente, é fato conhecido que tais fatores influem consideravelmente no agravamento da crise econômica. Contudo, deve-se afirmar que a causa fundamental reside no próprio sistema social capitalista.
A economia capitalista é uma economia de mercado baseada na propriedade privada.
A lei do mercado exerce papel decisivo na produção, distribuição e consumo sociais, e é segundo essa lei que os capitalistas se movimentam e travam concorrência feroz entre si — eis a essência da economia de mercado capitalista. Por isso, a dominação da concorrência e da anarquia, a atuação da lei do mais forte e, nesse processo, a ocorrência de crises econômicas tornam-se inevitáveis.
O capitalismo, já quando se debatia para romper o “casulo” da sociedade feudal, carregava em seu organismo monstruoso o germe patológico da crise econômica como um “tumor genético”. Na história secular do capitalismo, houve mais períodos de contorções sob as “fortes dores” das crises econômicas e de busca apressada por “medidas de emergência” do que fases de ostentação de “crescimento econômico” e “prosperidade material”.
A primeira crise econômica capitalista, que eclodiu na Inglaterra na década de 1820, repetiu-se até o início do século XX em intervalos de 8 a 12 anos. Posteriormente, passou a ocorrer a cada 6 ou 7 anos, e o ciclo das crises foi-se tornando cada vez mais curto.
Houve momentos em que uma “fase de estabilidade” temporária parecia indicar o fim das dores do capitalismo. Porém, hoje já não se encontram tais ciclos ou períodos de bonança — apenas a continuidade da crise.
Esse processo começou já na década de 1970. Naquela época, a produção e o consumo em massa, considerados características do capitalismo, atingiram seus níveis máximos. No caso do Japão, a taxa de lucro do capital de pequenas e médias empresas chegou a 9,3%, alcançando o ápice. Tal fenômeno não se limitou ao Japão, mas manifestou-se de forma comum nos países capitalistas desenvolvidos.
A crise financeira mundial ocorrida em 2008 lançou a economia ocidental em um abismo ainda mais profundo. A especulação do capital provocou nova crise econômico-financeira, e a economia não consegue se recuperar facilmente. Já se passou bastante tempo, mas não se vislumbra qualquer perspectiva clara de superação da crise.
Uma das “medidas de emergência” adotadas pelos países capitalistas para sair da grande depressão econômica que derruba até grandes conglomerados é a militarização da economia e a guerra.
Isso porque o investimento na indústria bélica e nos setores correlatos estimula temporariamente a reprodução, revitalizando o conjunto da economia. Assim, os países ocidentais têm tomado a militarização da economia como prescrição para obter o máximo lucro e reerguer a sociedade capitalista ofegante sob “fortes dores”.
Mesmo fora de períodos de guerra, colocaram o processo produtivo capitalista nos trilhos da economia militar e perseguiram freneticamente políticas de guerra de agressão.
A Primeira e a Segunda Guerras Mundiais também estiveram relacionadas às manobras da classe capitalista ocidental para escapar das crises econômicas. A Guerra da Coreia foi igualmente provocada pelos Estados Unidos para sair da crise econômica que persistiu de 1948 a 1949.
Contudo, a militarização da economia não passa de uma receita temporária que apenas adia a crise econômica, tornando-se, na realidade, fator de seu aprofundamento.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial até hoje, nunca houve um dia neste planeta em que o som das armas tenha cessado por completo devido aos imperialistas, e ainda assim as crises econômicas nos países capitalistas continuaram se agravando.
Mesmo agora, enquanto os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, intensificam mais do que nunca a corrida armamentista, ampliam ao máximo os gastos militares e despejam enormes recursos na produção bélica, a estagnação econômica e as crises persistem.
Isso demonstra que, nos países capitalistas, nem mesmo a militarização da economia pode impedir a explosão das crises econômicas ou servir como solução permanente.
A crise econômica do Ocidente aprofunda-se como uma crise abrangente que engloba tanto o setor industrial quanto o financeiro, apertando cada vez mais a “linha vital” do capitalismo.
O próprio processo de autoexpansão do capital torna-se cada vez mais inviável. Já não é possível elevar a taxa de lucro nem no espaço de investimento material nem no financeiro. Se considerarmos o desenvolvimento do capitalismo como o processo de autoexpansão do capital, essa realidade sugere a aproximação de seu fim.
Agora que o caminho da busca ilimitada de lucro pelo capital está cada vez mais bloqueado, os capitalistas transferem integralmente o peso de todas as crises às massas trabalhadoras que criam riqueza por meio do trabalho social.
Intensifica-se a cobrança de impostos que esvaziam os bolsos do povo. A taxa de falência das pequenas e médias empresas cresce, as fileiras dos desempregados aumentam e a desordem sociopolítica se aprofunda.
Somente na Alemanha, considerada a “locomotiva” da economia europeia, o número de desempregados aumentou em 177 mil em janeiro em comparação com dezembro do ano passado, alcançando o nível mais alto dos últimos 12 anos. Com a estagnação econômica persistente, empresas de diversos setores, como a indústria automobilística e a metalúrgica, promovem sucessivas reduções de postos de trabalho, agravando a crise do desemprego.
No Reino Unido, a taxa de desemprego no quarto trimestre do ano passado atingiu o nível mais alto dos últimos cinco anos. O Banco da Inglaterra advertiu que, devido à grave estagnação econômica, a demanda por mão de obra está diminuindo, o que pode provocar aumento ainda maior do desemprego.
A crise fiscal que se aprofunda nos países capitalistas entrelaça-se com a crise no setor industrial, intensificando ainda mais a crise geral da economia capitalista. Antes, as crises fiscais surgiam em decorrência de guerras, outras situações político-econômicas excepcionais ou crises de superprodução, mas agora tornaram-se fenômeno comum nos países capitalistas.
Sem exceção, os déficits orçamentários aumentam de forma sem precedentes e as dívidas estatais crescem enormemente, causando grande desordem na economia capitalista como um todo.
A dívida pública de vários países europeus, como Alemanha, França e Itália, atingiu níveis recordes, e no caso dos Estados Unidos ultrapassou 38 trilhões de dólares em outubro do ano passado.
A grave crise fiscal do Ocidente atinge ainda mais a já vacilante economia capitalista, levando-a a um ponto limite do qual dificilmente poderá se recuperar.
A crise econômica que varre o mundo ocidental não é um fenômeno temporário decorrente de causas acidentais, mas um fenômeno permanente enraizado no próprio sistema econômico capitalista.
O capitalismo é, literalmente, uma sociedade dominada pelo capital e tem como modo de existência a expansão do capital por meio da obtenção de lucros. Por isso, os capitalistas não hesitam em utilizar quaisquer meios para obter lucro. Criam artificialmente necessidades desumanas, deformam a vida material e intensificam a exploração das massas trabalhadoras. Isso inevitavelmente acelera o empobrecimento das massas e agrava as contradições sociais.
A militarização da economia, à qual os capitalistas se apegam desesperadamente, faz crescer exponencialmente os déficits orçamentários e as dívidas externas, conduzindo, em última instância, a economia ocidental a um colapso sem saída.
A crise econômica do Ocidente intensifica os antagonismos e contradições sociais, aprofunda a desordem política e acelera a ruína do capitalismo.
Com a persistente estagnação econômica, a polarização entre ricos e pobres atinge níveis extremos, tornando as contradições e confrontos de classe ainda mais agudos. Como numa casa em ruína onde as brigas são frequentes, no cenário político ocorrem lutas ferozes entre partidos e parlamentares em torno do poder e das propostas políticas. Em vários países, forças de extrema-direita rotuladas como neofascistas defendem abertamente o exclusivismo, o racismo e a expulsão de imigrantes, exercendo influência política e tentando assumir o poder.
Não é por acaso que cresce dia após dia, nos países ocidentais, o sentimento de repulsa e resistência do povo contra a sociedade reacionária.
No mundo capitalista não existe qualquer medida capaz de eliminar completamente o “tumor genético” da crise econômica que lhe aperta a linha vital.
Na crise econômica permanente, que existe de forma constante e se aprofunda com o passar dos dias, projeta-se o destino sombrio do capitalismo que caminha para o túmulo da história.

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