Há pouco tempo, a 39ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da União Africana concluiu com sucesso sua agenda e foi encerrada.
No encontro realizado na Etiópia foram discutidas questões como o fortalecimento de um sistema financeiro liderado pela própria África, os esforços coletivos para resolver disputas e conflitos a fim de promover a paz e a estabilidade no continente, bem como o uso sustentável dos recursos hídricos. Também foram adotadas uma série de decisões, declarações e resoluções.
O que chamou atenção nesta Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da União Africana foi que os países africanos demonstraram uma vontade comum de alcançar desenvolvimento e prosperidade por meio da força da unidade.
No passado, a África sofreu danos consideráveis devido às ações de interferência do Ocidente. Em alguns países surgiram conflitos e problemas complexos. O Ocidente usou isso como pretexto para intervir militarmente, ampliando seu controle e obtendo interesses econômicos. Muitos países africanos não tiveram outra escolha senão enfrentar dificuldades políticas e econômicas.
Ainda hoje, na África, conflitos e confrontos armados continuam ocorrendo, e a intervenção de forças externas também persiste.
Por meio das experiências do passado e da realidade atual, os países da região passaram a perceber profundamente que os verdadeiros donos da África são os países e os povos africanos, e que o caminho para o desenvolvimento e a prosperidade está na luta conjunta baseada na unidade.
É por essa razão que, na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, as questões da aceleração da integração político-econômica e da garantia da paz e da segurança regionais foram discutidas como temas principais.
Durante a reunião, os líderes africanos reafirmaram sua vontade de concentrar esforços no desenvolvimento e na integração de longo prazo da região. Eles realizaram uma revisão abrangente de relatórios setoriais sobre a reforma estrutural da União Africana, a criação de uma zona de livre comércio e a cooperação entre países vizinhos, chegando a consensos.
Na reunião também houve discussões sobre a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Refletindo o aumento da influência global da África, houve consenso de que o continente deve assegurar dois assentos permanentes com direito de veto nesse órgão. Além disso, a união deixou clara sua posição de não tolerar mudanças de governo inconstitucionais e concordou que isso é uma condição essencial para a paz, a segurança, a integração e o desenvolvimento sustentável da região.
Outras várias questões que precisam ser resolvidas em nível continental também foram discutidas, sendo o foco principal o estabelecimento de um sistema de gestão da água e de garantia da segurança sanitária.
Atualmente, o problema da escassez de água está se tornando grave na África. De acordo com dados oficialmente divulgados, mais de 400 milhões de pessoas no continente sofrem constantemente com a escassez de água, e mais de 800 milhões vivem em condições sanitárias precárias.
Diversas doenças infecciosas estão se espalhando. Na Zâmbia, a cólera continua se propagando. Desde agosto do ano passado, o número acumulado de pacientes chegou a 1.110. Em Moçambique, em 22 regiões, desde outubro de 2025, ocorreram mais de 5.660 casos de cólera e mais de 70 mortes.
Na República Democrática do Congo, a crise de propagação da cólera também está se agravando dia após dia. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários informou que, até fevereiro deste ano, mais de 1.300 casos suspeitos de cólera foram registrados e 35 pessoas morreram. No ano passado, o país registrou mais de 2.000 mortes devido à propagação da cólera.
Na África, a questão da água tornou-se um problema estratégico que afeta diretamente a saúde, a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico. Por essa razão, o tema desta reunião foi definido como “Garantia do uso sustentável da água e de sistemas seguros de saneamento para alcançar os objetivos da Agenda 2063”.
A União Africana está se esforçando para garantir água suficiente e um ambiente sanitário limpo para todos os habitantes até 2030.
A União Africana também discutiu desta vez medidas para encerrar o conflito no Sudão, que já dura vários anos. Os líderes dos países defenderam uma solução política por meio do diálogo e enfatizaram que o fim completo dos conflitos na região é uma condição prévia para o desenvolvimento do continente. Eles afirmaram unanimemente que os sons das armas devem cessar no continente africano e mencionaram a necessidade de mediação para pôr fim aos confrontos armados o mais rápido possível.
Na reunião também foram abordadas questões como o fortalecimento do papel do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, a reorganização dos sistemas de saúde e a necessidade de garantir recursos financeiros para o desenvolvimento regional sem depender de fontes externas.
Os esforços ativos dos países africanos, que compreenderam que a unidade significa desenvolvimento e prosperidade e que a cooperação significa paz e estabilidade, continuam gravando na comunidade internacional a nova imagem de um continente que avança firmemente rumo à autodeterminação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário