Há 80 anos, em maio de 1946, teve início o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, que tratou dos crimes de guerra cometidos pelo imperialismo japonês. Conhecido também como Tribunal de Tóquio, esse julgamento foi o segundo grande processo relacionado a crimes de guerra realizado após o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg. Durante dois anos e meio, juízes e promotores de 11 países investigaram a guerra de agressão do Império Japonês, suas atrocidades nas regiões ocupadas e os crimes cometidos pelos principais criminosos de guerra da alta cúpula política e militar, pronunciando severas sentenças contra autores e cúmplices. Todos os 25 réus foram considerados culpados, e sete deles, entre os quais Hideki Tojo e Iwane Matsui, foram condenados à forca.
O Tribunal de Tóquio deixou a lição de que aqueles que se lançam ao militarismo, promovem agressões e guerras e destroem a vida pacífica da humanidade inevitavelmente não podem escapar da ruína.
O mundo sempre observou atentamente, esperando que o Japão tirasse profundas lições de sua derrota e seguisse o caminho da reconciliação e da paz.
Entretanto, como demonstra a realidade atual, o militarismo japonês ressurgiu completamente.
Após a derrota, o militarismo japonês não foi eliminado de forma completa devido às manobras dos Estados Unidos. Muitos criminosos de guerra escaparam da punição e alguns, depois de libertados, ingressaram na política e passaram a atuar ferozmente. Políticos de direita negaram e embelezaram abertamente a história da agressão passada, defendendo publicamente a expansão para o exterior. Em 1978, 14 criminosos de guerra de categoria A foram consagrados no Santuário Yasukuni, e visitas coletivas ao local passaram a insuflar ventos militaristas na sociedade japonesa.
Com a chegada ao poder do atual governo Takaichi, o militarismo japonês tornou-se ainda mais exaltado, estimulando imprudentemente o fervor por uma nova invasão e incitando confrontos com os países vizinhos.
A inculcação da ideologia militarista é conduzida de forma mais frenética do que nunca. A própria primeira-ministra japonesa declarou que criaria um ambiente no qual qualquer pessoa pudesse visitar o Santuário Yasukuni, oferecendo tributos em todas as ocasiões, enquanto políticos de direita também realizam visitas e cultos durante os festivais de primavera e outono.
No campo educacional, ensinar a história de agressão do Japão tal como ocorreu é descrito como um “ato de autoflagelação da visão histórica”, enquanto uma história distorcida é imposta aos estudantes.
Recentemente, o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão aprovou livros didáticos do ensino secundário que serão utilizados a partir de 2027, nos quais os manuais de história atenuam, negam e embelezam deliberadamente a história de agressão japonesa. Expressões como escravidão sexual, recrutamento forçado e trabalho forçado foram modificadas sob o pretexto de serem inadequadas, enquanto a guerra de agressão foi distorcida como uma “guerra de autodefesa” e uma “guerra pela independência e libertação dos povos asiáticos”.
Como resultado das persistentes manobras dos reacionários japoneses para inculcar a ideologia militarista, concepções históricas distorcidas e sentimentos chauvinistas passaram a dominar a sociedade. Entre os japoneses, praticamente desapareceu a percepção correta sobre a história da agressão e a responsabilidade pela guerra. Espalham-se alegações absurdas de que o Japão foi tratado injustamente após a derrota e que atualmente estaria ameaçado do exterior. Muitas pessoas intoxicadas pela ideologia militarista apoiam publicamente as atividades militares no exterior das chamadas “Forças de Autodefesa” e a revisão da Constituição.
Os reacionários japoneses também intensificam preparativos militares voltados à realização de suas ambições de nova agressão.
Aumentaram drasticamente os gastos militares, abriram caminho para a revitalização da indústria bélica mediante a revisão dos “Três Princípios sobre Transferência de Equipamentos de Defesa” e de suas diretrizes operacionais, além de iniciar a implantação de mísseis de longo alcance voltados contra os países vizinhos.
Pretendem ainda, dentro deste ano, revisar de maneira mais agressiva três documentos relacionados à segurança, incluindo a Estratégia de Segurança Nacional, e expandir maciçamente suas capacidades militares. As atuais forças governantes falam abertamente sobre a necessidade de responder a novos métodos operacionais, preparar-se para guerras prolongadas e fortalecer o poder naval, alegando tensões na situação regional.
Recentemente, as “Forças de Autodefesa” participaram de exercícios militares conjuntos liderados pelos Estados Unidos e pelas Filipinas na costa norte da ilha filipina de Luzon, realizando pela primeira vez no período pós-guerra o lançamento de mísseis ofensivos fora do território japonês.
Em breve, o Japão pretende alterar a designação militar das “Forças de Autodefesa” e restaurar patentes militares do antigo “Exército Imperial”, incluindo a de coronel. Isso não pode ser visto simplesmente como uma redefinição das relações hierárquicas das “Forças de Autodefesa”. Equivale a declarar publicamente a intenção de ressuscitar o antigo “Exército Imperial”, que na primeira metade do século passado promoveu invasões e guerras, devastando o continente asiático e cometendo massacres.
O Japão, antigo país criminoso de guerra que invadiu os países da região da Ásia-Pacífico e impôs sofrimentos e dores incalculáveis aos povos da região, volta novamente a agravar a situação regional.
Apoiado pelos Estados Unidos, o militarismo japonês surge como uma ameaça concreta. Não é por acaso que meios de comunicação de diversos países afirmam que o neomilitarismo japonês não apenas ameaça gravemente a paz e a estabilidade da região, mas também pode lançar novamente o arquipélago no abismo da guerra.
Se o Japão esquecer as amargas lições deixadas pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente e não interromper sua corrida frenética rumo à militarização, acabará mais uma vez diante do tribunal da história.
Ri Hak Nam

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