segunda-feira, 6 de abril de 2026

Tentativa de divisão da Europa pelos EUA e esfriamento das relações EUA-Europa

A Europa está demonstrando publicamente desconfiança em relação aos Estados Unidos e revelando ressentimento.

Recentemente, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kallas, afirmou em entrevista ao jornal britânico “Financial Times” que “o importante que todos devem saber é que os Estados Unidos claramente desejam a divisão da Europa. Eles não gostam da União Europeia”. Kallas também argumentou que os Estados-membros da União Europeia devem lidar com os Estados Unidos de forma coletiva, e não bilateral, para poder exercer uma força equivalente.

Não é apenas ela que expressa sentimentos negativos em relação aos Estados Unidos.

O presidente da França, Macron, advertiu que os Estados Unidos, ao adotarem abertamente uma postura antieuropeia, estão buscando a divisão da União Europeia; que, embora as ameaças dos EUA em torno da Groenlândia e de questões comerciais e tecnológicas tenham temporariamente diminuído, a União Europeia não deve interpretar isso como uma redução das tensões com os Estados Unidos; que a Europa deve se preparar para a possibilidade de conflitos mais frequentes com os EUA e fortalecer a influência da União Europeia.

O chanceler da Alemanha, Merz, enfatizou em uma declaração governamental apresentada na câmara baixa do parlamento que, embora a Europa permaneça como parceira dos Estados Unidos, não é uma força subordinada a eles.

A Europa tem tratado os Estados Unidos como um “irmão mais velho”. Por isso, seguiu incondicionalmente tudo o que os EUA faziam. Em quase todas as questões — política, militar, diplomática — sempre acompanhou os Estados Unidos. Analistas criticaram isso, afirmando que a Europa segue os EUA a ponto de causar constrangimento até a observadores externos, com o objetivo de conquistar sua simpatia e, com sua força, afirmar sua presença no cenário internacional. Isso mostra o quanto a Europa seguiu cegamente os Estados Unidos, sem opinião própria nem autonomia.

Então, por que os Estados Unidos desejam a divisão de uma Europa tão “fiel”?

Analistas avaliam unanimemente que isso se deve ao objetivo de fortalecer o controle sobre os países europeus e utilizá-los para manter sua hegemonia. Em outras palavras, trata-se de fazer com que os países europeus atuem separadamente para torná-los mais submissos.

“Dividir para governar” é um método que os Estados Unidos vêm utilizando há muito tempo para realizar suas ambições hegemônicas e é uma forma típica de dominação sobre outros países. Mesmo a Europa, considerada a mais próxima, não é excluída da aplicação desse método.

Quando surgiu a União Europeia como uma grande entidade, os Estados Unidos, embora declarassem apoio publicamente, na prática a viam com desagrado e buscaram, de forma aberta e encoberta, dividi-la.

Na época, na comunidade internacional, havia muitas opiniões de que a União Europeia aumentaria sua autonomia, papel e voz nos campos político, econômico, de segurança e diplomático, e que isso se tornaria um fator que frustraria a estratégia unipolar dos Estados Unidos.

De fato, a União Europeia buscou estabelecer um sistema próprio de defesa coletiva e adquirir capacidade de agir de forma independente dos Estados Unidos no campo militar. Também surgiram vozes defendendo a criação de forças próprias que não estivessem subordinadas à OTAN. No campo diplomático, procurou ampliar sua influência, e no campo econômico, especialmente no comércio, adotou uma postura firme em relação aos Estados Unidos.

A ação coletiva da Europa desagradou os Estados Unidos. Estes tentaram reverter a situação pressionando discretamente países europeus e buscando afastá-los da união.

Nos últimos anos, passaram a exigir abertamente que os países europeus aumentem seus gastos militares e comprem armas estadunidenses, ao mesmo tempo em que não hesitam em impor tarifas sobre aliados para obter lucros monopolistas. Chegaram até a expressar abertamente a intenção de anexar a Groenlândia como seu território.

Hoje, os países europeus estão reavaliando e reinterpretando os Estados Unidos, que consideravam um “irmão mais velho”.

O Serviço de Inteligência de Defesa da Dinamarca, pela primeira vez na história, classificou os Estados Unidos como um potencial país de preocupação de segurança. Em outros países europeus, também cresce o sentimento de rejeição aos EUA.

Recentemente, segundo uma pesquisa realizada pela revista estadunidense “Politico” em países europeus como Reino Unido, França e Alemanha, muitos entrevistados responderam que não se pode confiar nos Estados Unidos e que eles são um país que gera instabilidade em vez de resolver problemas. Na Alemanha, França e Reino Unido, quase 50% expressaram claramente a opinião de que os Estados Unidos são uma ameaça.

Os países europeus estão demonstrando abertamente seu descontentamento com as medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Analistas afirmam que foram os EUA que alteraram completamente a percepção europeia sobre eles e que, enquanto não houver mudanças em sua natureza e em sua política em relação à Europa, essa percepção dificilmente mudará. Também argumentam que as divergências e conflitos entre os Estados Unidos e os países europeus se tornarão mais evidentes, e que a voz e a influência dos EUA na Europa poderão se tornar meramente formais.

Ri Hak Nam

Rodong Sinmun

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