Na sociedade capitalista, vários partidos travam periodicamente uma “batalha acirrada” pelo poder. Nos últimos anos, essa periodicidade tem se tornado cada vez mais irregular.
Em termos agradáveis, isso é chamado de competição eleitoral ou disputa pelo poder. Em termos críticos, trata-se de uma feia luta pelo poder, um jogo político que zomba do povo.
Ao desnudar a verdadeira face do sistema multipartidário, evidencia-se claramente o caráter reacionário da chamada democracia ocidental.
Nos países capitalistas, em meio ao crescimento do descontentamento popular e da resistência contra as políticas antipopulares das autoridades, têm ocorrido fenômenos de colapso prematuro dos governos.
Com o agravamento da instabilidade política, intensificam-se os confrontos entre partidos que antes formavam coalizões governamentais, surgem novas alianças com partidos de oposição e ocorrem mudanças complexas e diversas. Aproveitando essa conjuntura, partidos com diferentes denominações entram na arena política, ampliando sua influência e base de apoio.
No entanto, nada muda na situação da sociedade ou nas condições de vida do povo. Pelo contrário, a polarização entre ricos e pobres se agrava ao extremo, resultando em um aumento da desconfiança em relação à política.
Aproveitando o crescimento rápido da insatisfação e da aversão popular aos partidos, até mesmo partidos de extrema-direita que antes eram alvo de críticas voltam a ganhar espaço político.
Meios de comunicação e especialistas manifestam sérias preocupações com o fato de que, no mundo ocidental, a política em geral está claramente se inclinando para a direita.
Mesmo com frequentes alternâncias de poder entre diferentes partidos nos países capitalistas, não ocorre sequer a menor melhoria na situação das massas trabalhadoras, o que demonstra novamente o caráter enganoso do sistema multipartidário burguês.
O sistema multipartidário burguês é um instrumento político que serve para transformar o poder estatal em monopólio dos capitalistas.
Os defensores do capitalismo elogiam o sistema multipartidário como um sistema democrático em que vários partidos participam da formação do governo, mas isso não passa de um sofisma absurdo.
Na sociedade capitalista, uma minoria de capitalistas monopoliza o poder estatal e os meios de produção, exercendo privilégios, e apenas partidos que representam seus interesses podem tornar-se partidos governantes.
A classe capitalista cria partidos que pode manipular à vontade e, a cada eleição, alterna-os no poder para manter o controle e dirigir a política estatal. Por outro lado, em uma sociedade onde o dinheiro decide tudo, partidos que representam os interesses das massas trabalhadoras não conseguem sequer emergir na cena política. Embora ostente o rótulo de multipartidarismo, o poder estatal permanece nas mãos dos capitalistas, e as massas trabalhadoras são submetidas à sua dominação e opressão.
Na história política do capitalismo, há registros de partidos que afirmavam representar os interesses das massas trabalhadoras sendo levados ao poder.
Após o fim da Primeira Guerra Mundial, na Inglaterra, intensificaram-se rapidamente greves e protestos contra o governo. Diante da situação desfavorável, a classe capitalista afastou o Partido Conservador do poder e colocou no governo um partido que prometia “realizar os interesses dos trabalhadores”.
No entanto, assim que assumiu o poder, esse partido mudou completamente de posição, abandonou suas promessas e implementou amplamente políticas que garantiam os interesses da classe capitalista. Isso demonstrou claramente que sua promessa era apenas um rótulo vazio e que, na prática, era apenas um instrumento da burguesia britânica.
Quando o governo perdeu a confiança popular, a classe capitalista substituiu-o por forças conservadoras e, quando a insatisfação aumentou novamente, colocou outro partido no poder, repetindo esse processo para conter a resistência popular e manter o controle. A situação política atual dos países ocidentais não difere muito disso.
A história e a realidade mostram que qualquer partido que surja no cenário político capitalista, independentemente de seu programa ou políticas, acaba sendo um instrumento da classe capitalista e um meio para realizar seus interesses.
O sistema multipartidário burguês é também um instrumento de coerção e arbitrariedade a serviço da dominação da classe capitalista.
Para satisfazer sua ganância por lucros, a classe capitalista necessita monopolizar o poder e manipula a atuação dos partidos em favor de sua dominação política.
Garante liberdade ilimitada aos partidos que representam seus interesses e até lhes fornece amplo apoio financeiro por meio do orçamento estatal. Em contrapartida, partidos que ameaçam a posição privilegiada dos capitalistas são ilegalizados, reprimidos e eliminados, enquanto o surgimento de novos partidos progressistas é completamente bloqueado. Partidos com tendências progressistas têm suas atividades drasticamente limitadas e acabam, muitas vezes, desaparecendo.
Os partidos escolhidos pelos monopólios utilizam o poder concedido por seus “patrões” para formular políticas estatais exclusivamente com base nos interesses dos capitalistas e garantir sua implementação por meio da coerção.
Nos países capitalistas, sempre que se agravam as crises econômicas, são adotadas políticas fiscais duplas — redução de impostos para os capitalistas e aumento para os trabalhadores — ou medidas que concedem às empresas o poder de demitir e contratar livremente. Esses são exemplos típicos. Tais práticas intensificam ainda mais a coerção e a arbitrariedade do capital, levando a uma polarização extrema entre ricos e pobres.
Quando sua dominação enfrenta a resistência das massas, os capitalistas colocam no poder forças ainda mais brutais e extremistas, implementando abertamente regimes autoritários.
Ao fascistizar o poder estatal e fortalecer partidos que defendem o extremismo, direcionam a política para caminhos ainda mais reacionários.
O fato de que, recentemente, em muitos países ocidentais, forças de extrema-direita que professam o fascismo vêm ganhando espaço político em meio ao agravamento das crises políticas e econômicas não é algo casual. Trata-se do resultado da intenção da classe capitalista de consolidar seu sistema de dominação abalado e intensificar ainda mais a exploração e a opressão por meio de políticas coercitivas e autoritárias.
Atualmente, com a atuação crescente de partidos de direita nos países ocidentais, a tendência à direitização e à reação política se acelera, resultando em uma violação ainda mais severa das liberdades e dos direitos democráticos das massas trabalhadoras.
Essa é a verdadeira face da política capitalista, que se torna cada vez mais reacionária sob o rótulo do multipartidarismo.
Por mais que os imperialistas e seus porta-vozes tentem embelezá-lo como “democracia”, jamais conseguirão ocultar a natureza reacionária do sistema multipartidário burguês.
Un Jong Chol
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