domingo, 3 de maio de 2026

A intenção sinistra por trás da farsa do reconhecimento da Somalilândia

Há pouco tempo, Israel nomeou um representante diplomático para a Somalilândia. Trata-se de uma medida subsequente ao reconhecimento oficial desse território como Estado soberano, realizado em 26 de dezembro do ano passado, sendo o primeiro no mundo a fazê-lo.

A atitude de Israel vem provocando fortes reações de muitos países.

A União Africana divulgou uma declaração reafirmando sua posição de não reconhecer a Somalilândia como Estado independente e de apoiar firmemente a paz, a governança estatal e a unidade nacional da Somália. Ao mesmo tempo, declarou inválido qualquer reconhecimento unilateral da Somalilândia.

Ministros das Relações Exteriores de 12 países da região, incluindo Somália, Paquistão, Arábia Saudita, Egito, Sudão e Líbia, também divulgaram uma declaração conjunta condenando a ação de Israel como uma flagrante violação da soberania, unidade e integridade territorial da República Federal da Somália. Rejeitando categoricamente quaisquer medidas unilaterais que prejudiquem a unidade nacional ou violem a soberania, eles denunciaram a atitude de Israel como uma clara violação dos princípios do direito internacional, da Carta das Nações Unidas e do Ato Constitutivo da União Africana.

A Somalilândia, localizada no noroeste da Somália, declarou independência em 1991, mas até hoje não é reconhecida internacionalmente como um Estado. A Somália considera a região parte de seu território, e tanto a ONU quanto diversas organizações regionais a veem como uma região autônoma dentro do país.

Quando Israel reconheceu unilateralmente a Somalilândia, muitos países, bem como organizações regionais como a Liga dos Estados Árabes e o Conselho de Cooperação do Golfo, condenaram fortemente o ato por constituir uma violação aberta do direito internacional.

Apesar disso, Israel não apenas reconheceu a Somalilândia como também nomeou um representante diplomático.

Por trás disso há a intenção oculta de controlar a Somalilândia, situada em uma posição geopolítica extremamente estratégica.

A Somalilândia está localizada em um ponto estratégico que conecta o Oceano Índico ao Mar Vermelho, e, através do porto de Berbera, tem acesso a algumas das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. Além disso, o território está voltado para o Iêmen. Israel busca utilizá-lo como base para conter as forças de resistência no Iêmen.

Analistas afirmam que, por trás do reconhecimento da Somalilândia por Israel, está o objetivo de instalar ali uma base militar.

Países árabes também condenam as movimentações de Israel como uma tentativa perigosa de redesenhar o mapa geopolítico na região altamente estratégica do Mar Vermelho e do Golfo de Áden, ameaçando a paz e a segurança regional e internacional, bem como a liberdade de navegação e das atividades comerciais internacionais.

Também não se pode ignorar a alegação de que Israel considera a Somalilândia como uma das regiões para onde pretende deslocar os palestinos da Faixa de Gaza.

Em março do ano passado, a agência de notícias estadunidense AP informou que autoridades dos Estados Unidos e de Israel estavam discutindo a possibilidade de transferir palestinos da Faixa de Gaza para territórios de três países da África Oriental — entre eles, a Somalilândia.

Na ocasião, não foi por acaso que a Liga dos Estados Árabes rejeitou categoricamente quaisquer medidas de Israel que tivessem como objetivo deslocar à força os palestinos ou estabelecer bases militares em portos no norte da Somália.

Desta vez, ao nomear um representante diplomático na Somalilândia, Israel revelou abertamente suas verdadeiras intenções: controlar a região estratégica do Mar Vermelho e do Golfo de Áden, mesmo à custa da violação da soberania da Somália; conter as forças de resistência no Iêmen, vistas como um obstáculo; e expulsar definitivamente os palestinos para transformar a Faixa de Gaza em seu próprio território.

Por meio dessa farsa de reconhecimento da Somalilândia, Israel demonstrou por si mesmo que constitui um fator maligno para a paz no Oriente Médio.

Kim Su Jin

Rodong Sinmun

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