sábado, 2 de maio de 2026

A ardilosa manobra que visa ampliar as relações de conluio militar

O governo japonês acabou por revisar os “três princípios de transferência de equipamentos de defesa” e suas diretrizes de operação.

De acordo com a revisão decidida em 21 de abril, foram abolidas as diretrizes anteriores que limitavam a exportação de equipamentos militares a cinco categorias — resgate, desminagem, transporte, vigilância e monitoramento — passando a permitir a exportação de armas com capacidade letal. Também foi adicionada a justificativa de “casos excepcionais” para permitir exportações de armas a países em conflito.

O principal objetivo das autoridades japonesas ao insistirem na revisão desses princípios, apesar da oposição e condenação internas e externas, é estabelecer uma base que permita a intervenção em conflitos armados internacionais sob o pretexto de exportação de armas. Ao mesmo tempo, buscam revitalizar a indústria militar e acelerar a militarização da economia, consolidando sua posição como um Estado voltado para a guerra.

O Japão está abandonando até mesmo a aparência de “Estado pacífico” que vinha sustentando e revelando abertamente sua natureza de Estado militar.

A derrubada das restrições à exportação de armas pelo Japão é algo que não pode ser ignorado.

Isso porque cria condições para acelerar a transformação do país em uma potência militar por meio de conluios e cooperação militar com outros países, especialmente membros da OTAN.

Ao longo do tempo, as forças governantes japonesas têm atuado, aberta e secretamente, para trilhar o caminho do militarismo e de um Estado de guerra.

A substituição dos “três princípios de exportação de armas”, mantidos desde 1967, pelos “três princípios de transferência de equipamentos de defesa” ocorreu em abril de 2014, durante o governo Abe. Com isso, passou-se de uma proibição de princípio à exportação de armas e tecnologias relacionadas para um sistema que permite exportações sob determinadas condições. Na época, o gabinete Abe declarou que, em casos “diretamente ligados à segurança”, seriam permitidos o “desenvolvimento e produção conjuntos internacionais” e o “fortalecimento da cooperação em segurança e defesa”.

Com base nisso, o Japão iniciou a exportação de componentes de mísseis terra-ar para os Estados Unidos e o desenvolvimento conjunto de tecnologia de mísseis para aeronaves de combate com o Reino Unido. No ano seguinte, grandes empresas da indústria militar, como Mitsubishi Heavy Industries e Kawasaki Heavy Industries, participaram de projetos conjuntos de desenvolvimento de submarinos avaliados em centenas de bilhões de dólares, ampliando o caminho para a expansão internacional dessas empresas. Em poucos anos após a adoção dos novos princípios, o Japão fortaleceu sua cooperação militar com países membros da OTAN e com várias nações da região da Ásia-Pacífico, incluindo a Austrália, por meio de acordos de transferência de equipamentos e tecnologia e do desenvolvimento conjunto de armamentos.

Atualmente, o Japão firmou acordos desse tipo com 17 países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha.

Com a revisão recente, ampliando significativamente o escopo e a escala das exportações de armas, o Japão estabeleceu uma base institucional para fortalecer ainda mais sua cooperação militar com outros países.

Após a revisão, uma autoridade japonesa declarou em rede social que, “diante de um ambiente de segurança cada vez mais severo, tornou-se impossível para um único país garantir paz e segurança”.

O jornal "Nihon Keizai Shimbun" também afirmou que, diante de ameaças de países vizinhos, “cresce a necessidade de fortalecer a cooperação com forças militares de aliados como os Estados Unidos e a Austrália”.

Tudo isso expõe ainda mais claramente a intenção das autoridades japonesas de intensificar seus esforços para se tornar um Estado de guerra.

Em meio à crescente movimentação no cenário político japonês para revisar a atual Constituição, que renuncia ao direito de guerra e à participação em conflitos, não há como ocultar que o verdadeiro objetivo do fortalecimento das relações militares com outros países não é “defesa” ou “resposta a ameaças”, como alegam os governantes e a imprensa alinhada.

A comunidade internacional percebe cada vez mais claramente a verdadeira natureza do Japão, que, obcecado em realizar ambições de agressão, avança rapidamente pelo caminho do militarismo.

Un Jong Chol

Rodong Sinmun 

Nenhum comentário:

Postar um comentário