sexta-feira, 1 de maio de 2026

El Niño que provoca secas severas

Organizações internacionais de pesquisa climática divulgaram dados prevendo que este ano tem grande probabilidade de se tornar o segundo mais quente da história dos registros meteorológicos, após 2024, que foi o mais quente.

Com base em estudos das mudanças na temperatura, na temperatura da superfície do mar e no estado do gelo no Ártico durante os três primeiros meses do ano, concluiu-se que um fenômeno de El Niño extremamente forte pode ocorrer após o verão deste ano.

El Niño refere-se ao fenômeno em que a temperatura da superfície do mar em uma ampla área do Pacífico equatorial, centrada na costa do Peru, se eleva mais de 0,5°C acima do normal e se mantém por vários meses. Seus efeitos atingem diversas regiões do planeta.

Segundo especialistas, quando ocorre El Niño, a temperatura global aumenta cerca de 0,2°C, e secas persistem na Ásia, na África Central e Austral. Trata-se de uma situação preocupante.

A seca caracteriza-se por longos períodos com pouca ou nenhuma precipitação, sendo geralmente acompanhada por forte insolação, altas temperaturas, baixa umidade do ar e escassez extrema de água no solo. Quando se prolonga, acelera a desertificação, causa grandes prejuízos à produção agrícola e exerce impactos devastadores na vida das pessoas.

O fenômeno de El Niño ocorrido em maio de 2023 durou mais de um ano, e as enchentes e secas decorrentes atingiram várias regiões do mundo, causando grandes danos à produção agrícola.

Naquele período, com a aceleração das mudanças climáticas sob a influência do El Niño, a humanidade enfrentou crises sem precedentes.

Diversos países da Ásia sofreram graves danos.

Em março de 2024, nas Filipinas, a seca prolongada inutilizou cerca de 18 mil hectares de terras agrícolas em cinco regiões, causando prejuízos superiores a 1 bilhão de pesos. Na província tailandesa de Buri Ram, três vilarejos enfrentaram uma grave crise hídrica, com o esgotamento das águas subterrâneas afetando cerca de 300 famílias.

A seca se expandiu além dos países costeiros do Pacífico Ocidental, alcançando Europa, África e até as Américas.

Em março de 2024, na comunidade autônoma da Catalunha, no nordeste da Espanha, foi declarado estado de emergência diante da pior seca em 100 anos. O nível dos reservatórios caiu abaixo de 16%, e cerca de 6 milhões dos 8 milhões de habitantes sofreram graves impactos. As autoridades limitaram o consumo diário de água e proibiram seu uso para piscinas e lavagem de carros.

No Zimbábue, mais de 80% do território ficou praticamente sem chuvas, levando à declaração de desastre nacional em abril. Na Zâmbia, cerca de 1 milhão de hectares de cultivos foram afetados entre os 2,2 milhões plantados. O Malawi, sem qualquer expectativa de colheita devido ao clima seco, também declarou estado de desastre em 23 regiões.

Em junho de 2024, na Bolívia, a seca destruiu plantações em várias regiões, incluindo La Paz e Beni. No Brasil, a capital Brasília registrou um recorde de 164 dias sem chuva, e em 3 de outubro a temperatura atingiu 36,8°C. O número de incêndios florestais aumentou quase quatro vezes em relação ao período anterior.

A seca causada pelo El Niño continuou até o ano passado, gerando crises globais graves, como escassez de água, insegurança alimentar e deslocamento de populações.

Resultados recentes de pesquisas, indicando a possibilidade de um El Niño muito forte este ano, sugerem que a atual seca pode se prolongar. Isso implica, de forma evidente, a ocorrência de diversas crises e desastres.

Especialmente diante do agravamento contínuo do aquecimento global, a humanidade pode enfrentar uma situação ainda mais crítica.

Pesquisadores já alertavam em 2023 que, caso um forte El Niño ocorra em meio ao aquecimento global provocado por gases de efeito estufa, a temperatura pode aumentar mais de 1,5°C, destacando que, considerando esse fator, o próximo período de El Niño pode trazer um calor sem precedentes ao mundo.

Especialistas avaliam que crises climáticas, incluindo o aquecimento global, constituem um dos principais fatores que ameaçam seriamente a segurança da vida humana, defendendo a adoção de medidas mais ativas para minimizar os danos causados pela seca.

Rodong Sinmun

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