No Japão, continuam ocorrendo ações de protesto contra a revisão da Constituição e a implantação de mísseis de longo alcance.
Há poucos dias, diante do edifício do parlamento e em 137 locais em todo o país, numerosas pessoas participaram de manifestações empunhando cartazes com dizeres como “Contra a guerra”, “Não destruam o Artigo 9 da Constituição” e “Takaichi deve renunciar”, entoando palavras de ordem como “Contra a revisão constitucional”. Em Okinawa, organizações civis divulgaram uma declaração diante da sede do governo local exigindo a interrupção da implantação de mísseis de longo alcance e da ampliação do uso militar de aeroportos e portos.
Isso reflete claramente a desconfiança do povo japonês em relação às autoridades, que, por meio da revisão constitucional e da expansão desenfreada dos armamentos, estão abrindo caminho para a guerra, bem como a ansiedade de poderem, em um futuro próximo, ser arrastados para o abismo de um conflito.
Atualmente, o grupo governante no Japão está conduzindo o país cada vez mais pelo caminho da guerra. Embora políticos japoneses difundam a tese do “aumento das ameaças” de países vizinhos e afirmem que é necessário possuir forte poder militar para garantir a segurança nacional, apresentando isso como questão vital para o destino do país, trata-se de um sofisma.
A política do atual governo de Takaichi é impulsionar firmemente a militarização para transformar o Japão em um país capaz de travar guerra. Seu objetivo é adquirir capacidade de realizar ataques preventivos.
O aumento significativo dos gastos militares, a promoção da revisão da Constituição e dos três documentos de segurança, a aceleração da implantação de mísseis de longo alcance, a revisão dos “Três Princípios sobre Transferência de Equipamentos de Defesa” e de suas diretrizes de aplicação, bem como as tentativas de modificar os “Três Princípios Não Nucleares”, demonstram claramente a obsessão do Japão pela ressuscitação do militarismo
Atualmente, o orçamento militar e despesas relacionadas do Japão ultrapassam 10 trilhões de ienes, atingindo um nível recorde, destinado claramente ao desenvolvimento e aquisição de armamentos ofensivos de ponta e ao fortalecimento da capacidade de combate das Forças de Autodefesa.
Não é por acaso que analistas afirmam que o orçamento militar em larga escala do Japão já ultrapassou amplamente suas necessidades internas e se encontra em estado de expansão, negando completamente os princípios de “desarmamento” e “neutralidade” exigidos pela chamada “Constituição pacifista”, e indicando que o militarismo substituiu o pacifismo como prioridade, o que agravará a insegurança regional.
Como país derrotado na guerra, e de acordo com sua Constituição, o Japão não deveria possuir armas ofensivas nem capacidade de atacar diretamente o território, as águas ou o espaço aéreo de outros países. Contudo, na prática, já implantou mísseis de longo alcance em várias regiões, como as prefeituras de Kumamoto e Shizuoka, cujos alcances cobrem territórios de países vizinhos. O Japão já abandonou completamente a aparência de “defesa exclusiva”.
Os três documentos de segurança, incluindo a Estratégia de Segurança Nacional que o governo Takaichi tenta revisar ainda este ano, também são conhecidos por ultrapassar amplamente o conceito de defesa exclusiva.
A Estratégia de Segurança Nacional, originalmente formulada em 2013 sob o governo Abe com o lema de “Japão forte”, já foi revisada em 2022 com conteúdos mais agressivos, incluindo a posse de capacidade de ataque a bases inimigas que legaliza ataques preventivos. O atual governo busca torná-la ainda mais ofensiva.
O Japão está avançando rumo a um Estado de guerra. Recentemente, ao revisar os “Três Princípios sobre Transferência de Equipamentos de Defesa” e suas diretrizes, passou a permitir a exportação de armas letais, anteriormente proibida, abrindo caminho para a revitalização da indústria bélica e dando mais um passo em direção a um país capaz de travar guerra.
O Japão também tenta modificar sua atual Constituição, que estipula a renúncia ao direito de guerra e a não posse de forças militares. O governo já apresentou propostas de revisão que incluem a formalização das Forças de Autodefesa e cláusulas de estado de emergência. Caso isso se concretize, desaparecerão completamente até mesmo as limitações formais à expansão militar.
O Japão, onde forças neomilitaristas estão em ascensão, tornou-se agora uma ameaça real, prejudicando seriamente a paz e a segurança da região.
Países vIzinhos acompanham com alta vigilância os movimentos desenfreados de expansão militar do Japão. A China advertiu solenemente que, caso o Japão ouse violar sua soberania e segurança com força militar, responderá com uma contraofensiva severa, impondo um preço que os agressores não poderão suportar. Outros países também demonstram uma posição firme de não tolerar ações militares imprudentes do Japão.
Se o Japão ignorar esses alertas e continuar no caminho da militarização, as consequências não serão favoráveis.
As autoridades japonesas devem refletir seriamente que tais ações imprudentes poderão levar à autodestruição.
Ri Hak Nam

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